Cada corpo é um livro de sangue; sempre que nos abrem a impressãO



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CADA CORPO É UM LIVRO DE SANGUE;

SEMPRE QUE NOS ABREM A IMPRESSÃO


É VERMELHA.

Clive Barker



LIVROS DE SANGUE




1
Tradução de

Aulyde Soares Rodrigues

Título Original BOOKS OF BLOOD — Volume One
Copyright © 1984 by Clive Barker (Publicado mediante acordo com SPHERE BOOKS LTD.)
Copyright da tradução © 1990

EDITORA CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA S.A.



Desenho de capa: FELIPE TABOREDA

Composição Arte line Produções Gráficas Ltda.


ISBN: 85-200.0065.7

1990

Todos os direitos reservados pela

EDITORA CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA S.A.

Rua Benjamin Constant, 142 / 20.141 Rio de Janeiro RJ Tel (021) 2211132) Telex (21) 38874 BESI BR Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida seja de que forma for, sem a prévia autorização por escrito dos editores.


Impresso no Brasil



Printed in Brazil
Notas da orelha do livro:

Clive Barker nos dá evidência, aqui.. de que seu extraordinário sucesso de crí­tica e de público nos países da língua in­glesa não foi alcançado pelo simples bafejo da sorte. Ele o conseguiu pela notável soma de qualidades que o fazem tornar plausíveis as mais fantásticas ou abomináveis personagens e situações. Seus fantasmas, seus mortos-vivos (efe­tivamente mortos mas terrivelmente vi­vos), não nos trazem à memória as risí­veis palhaçadas que Hollywood nos im­põe em suas produções “classe B”, sen­do antes assustadoras materializações do sobrenatural que injetam adrenalina em nosso sistema sanguíneo, aceleram o ba­timento cardíaco e nos deixam de cabe­los em pé e com suores frios nas palmas da mão.

Há muita violência e horror nos es­critos do jovem autor inglês, mas elabo­rados com engenho e arte, numa rique­za detalhista que diríamos quase barro­ca, temperados com boa dose de erotis­mo e servidos por uma linguagem viva e trepidante como o dia-a-dia que vive­mos nos aflitos e apressados tempos de hoje.

Os seis contos — noveletas ? — que este volume inicial contém são inesque­cíveis, mas admitem constante releitu­ra, a cada uma delas revelando novas e angustiantes facetas. Estes LIVROS DE SANGUE não se destinam, portanto, a leitores de coração fraco e sem imagina­ção: eles têm o impacto de pesadelos en­frentados à luz do dia.


Á minha mãe e a meu pai

Agradecimentos


Devo agradecer a muitas pessoas. Ao meu professor par­ticular de inglês em liverpool, Norman Russell, pelo encoraja­mento inicial; a Pete Arkins, Julie Blake, Doug Bradley e Oliver Parker pelo encoraja­mento posterior: a James Burr e Kathy York pelos bons conselhos a Bill Henry, pela apreciação profissional; a Ramsey Campbell por sua generosidade e seu en­tusiasmo; a Mary Roscoe, pela trabalhosa tradução dos meus hieróglifos a Matie-Nolle Dada pelo mesmos a Vernon Conway e Bryn Newton por sua Fé, Esperança e Caridade: e a Nann du Sauroy e Barbara Boote da Sphere Books.

Sumário

Introdução

O Livro de Sangue

O trem de Carne da Meia-noite

O Yattering e Jack

Blues, do Sangue de Porco

Sexo,Morte e luz das Estrelas

Nas Colinas, as Cidades

Introdução


de Ramsey Campbell
“A criatura havia agarrado seu lábio e arrancado o mús­culo do osso, como quem retira as camadas de um mil-folhas.”

Estão me entendendo?

Eis aqui outra pitada do que se pode esperar de Clive Bar­ker. “Cada homem, mulher e criança naquela torre de horro­res era cego. Viam somente através dos olhos da cidade. Não tinham mente pensante, a não ser para pensar os pensamen­tos da cidade. E acreditavam que eram imortais, na sua força implacável e pesada. Vasta, louca e imortal”.

Podem ver que Barker é um visionário tão cheio de re­cursos, quanto um escritor impressionante. Permitam-me mais uma citação, de outra história:

“O que seria uma Ressurreição sem um pouco de riso?” Cito deliberadamente, como uma advertência aos leito­res de coração fraco. Se gostam duma tranqüilizadora ficção de horror, bastante irreal para não ser levada muito a sério, e suficientemente familiar para não distender em excesso a ima­ginação e não despertar pesadelos que acreditavam estar dor­mentes, estes livros não são para vocês. Porém, se estão cansa­dos de histórias que provocam o sono, deixando a luz acesa ao partir, para não mencionar a ciranda das Boas Histórias Bem Contadas que nada mais têm a oferecer além de idéias furta­das de bons escritores de contos de horror desconhecidos dos leitores de best-sellers, vão se alegrar, como me alegrei, ao des­cobrir que Clive Barker é o mais original autor do gênero que já apareceu nos últimos anos, e, no melhor sentido, o mais profundamente chocante nesse campo da literatura.

A história de horror, de um modo geral, é supostamente reacionária. Sem dúvida, alguns dos seus melhores escritores o foram, mas essa tendência produziu também uma grande quantidade de absurdos irresponsáveis, e não há nenhum mo­tivo para que todos nesse campo olhem para trás. Quando se trata de imaginação, as únicas regras devem ser os próprios ins­tintos, e Clive Barker jamais nos desaponta. Dizer, como di­zem alguns escritores de histórias de horror (em atitude de­fensiva, na minha opinião), que esse gênero preocupa-se fun­damentalmente em nos fazer lembrar o que é normal, mos­trando o sobrenatural e o estranho como algo anormal, não é muito diferente de dizer (como parecem pensar alguns edi­tores) que a ficção de horror deve tratar de pessoas comuns enfrentando o mundo estranho. Graças a Deus ninguém con­venceu Poe disso, e também por haver escritores tão radicais quanto Clive Barker.

Não que ele seja necessariamente contrário a temas tra­dicionais, mas estes aparecem transformados, quando traba­lhados por ele: Sexo, Morte e Luz das Estrelas é a mais fantas­magórica história de teatro. Restos-Humanos, uma variação bri­lhante e original do tema do doppelganger*, mas alcançando, mais do que nunca, conclusões tanto cômicas quanto estra­nhamente otimistas. O mesmo se pode dizer de Novos Assas­sinatos na Rua Morgue, uma assustadora e otimista comédia do macabro, mas no território mais desafiador da franca ati­tude radical que Barker tem em relação ao sexo. O que exata­mente essas e outras híst6rias nos dizem sobre possibilidades ficcionais, deixo ao julgamento dos leitores. Já disse que estes livros não são para os fracos, nem para os sem imaginação, e recomendo que isso seja mantido na lembrança ao se aventu­rarem por histórias como O Trem de Carne da Meia-noite, um conto fantástico em tecnicolor, que relembra filmes de horror explícito, porém muito mais espirituoso e vívido do que qualquer um deles. Bodes Expiatórios, seu conto com uma ilha de terror, usa realmente esse elemento básico das películas e dos videocassetes do gênero, o zumbi submarino; Filho de Ce­lulóide enfrenta diretamente um tabu biológico, com um rea­lismo digno dos filmes de David Cronenberg, mas deve-se acen­tuar que a força real da história está no seu fluxo inventivo. O mesmo acontece com Nas Colinas, as Cidades (que contra­dita a idéia adotada por muitos de seus colegas, a de que não existem histórias originais no gênero), e As Peles dos Pais. A fertilidade criativa nos lembra os grandes pintores fantásticos e, na verdade, não sei de nenhum outro autor do gênero mais digno de ser ilustrado. E ainda há mais: o apavorante Blues do Sangue de Porco, e Pavor, que anda na trêmula corda bamba entre claridade e voyeurismo, risco inerente a qualquer trata­mento do tema do sadismo; há muito mais, mas acho que já está mais do que na hora de deixar o caminho livre para os leitores.

* Doppelganger = o suposto fantasma de uma pessoa viva. (N. da t)

Aqui temos quase um quarto de milhão de palavras (es­pero que comprem ou tenham comprado os três primeiros vo­lumes da série, pois Barker os escreveu como um único livro), sua própria escolha do melhor de dezoito meses de trabalho, contos escritos à noite, enquanto, durante os dias, ele escrevia peças de teatro (as quais, a propósíto, tiveram casas cheias o tempo todo). Para mim é um feito espantoso, e a mais impressionante estréia na ficção de horror dos últimos anos.

Merseyside, 5 de maio, 1983






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