Benjamin constant



Baixar 180.43 Kb.
Página1/3
Encontro05.03.2018
Tamanho180.43 Kb.
  1   2   3

CONTRAPONTO


JORNAL ELETRÔNICO DA ASSOCIAÇÃO DOS EX-ALUNOS DO INSTITUTO

BENJAMIN CONSTANT

Criação: 25/Setembro DE 2006

(111ª Edição - Junho/2017)

Legenda:

"Enquanto houver uma pessoa discriminada, todos nós seremos discriminados."

Por que é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito?!

Patrocinadores:


(ASSOCIAÇÃO DOS EX-ALUNOS DO IBC)
Editoração eletrônica: MÁRCIA DA SILVA BARRETO

Distribuição: gratuita


CONTATOS:

Telefone: (0XX21) 2551-2833

Correspondência: Rua Marquês de Abrantes 168 Apto. 203 - Bloco A

CEP: 22230-061 Rio de Janeiro - RJ

e-mail: contraponto.exaluibc@gmail.com

Site: jornalcontraponto.exaluibc.org.br/

EDITOR RESPONSÁVEL: VALDENITO DE SOUZA

e-mail: contraponto.exaluibc@gmail.com


EDITA E SOLICITA DIFUSÃO NA INTERNET.

SUMÁRIO:
1. EDITORIAL:

ABAD: Um Passo de Amplitude na Acessibilidade e Consequente Inclusão das Pessoas com Deficiência - é essa a nossa expectativa.

2. A DIRETORIA EM AÇÃO # DIRETORIA EXECUTIVA

* Relatório de Atividades da Diretoria Executiva da Associação - junho/2017
3. O IBC EM FOCO # VITOR ALBERTO DA SILVA MARQUES

* I B C Questões e Consultas


4. ANTENA POLÍTICA # HERCEN HILDEBRANDT

* Quem sabe?


5. DE OLHO NA LEI #MÁRCIO LACERDA

* Negado MS a candidata que apresentou laudo sem descrição da deficiência física


6. DV EM DESTAQUE# JOSÉ WALTER FIGUEREDO

* Bengala Verde, para que a Sociedade nos Veja


7. TRIBUNA EDUCACIONAL # SALETE SEMITELA

* Precisamos de mais Calma ao Interpretar Nossos Filhos


8. SAÚDE OCULAR #

* Brasil: Iniciativa inédita disponibiliza testes genéticos para doença hereditárias da retina


9. DV-INFO # CLEVERSON CASARIN ULIANA

* O que é o ransomware e como se proteger dele


10. IMAGENS QUE FALAM # CIDA LEITE

* Áudio-descrição: Para Reconhecer é preciso Conhecer

11. PAINEL ACESSIBILIDADE # DEBORAH PRATES

* Comissão da Mulher do IAB
12. PERSONA # IVONETE SANTOS

* Entrevista com Nivaldo Monteiro


13. IMAGEM PESSOAL # TÂNIA ARAÚJO

* Vamos ficar quentinhos?


14. REENCONTRO #
15. OBSERVATÓRIO EXALUIBC # VALDENITO DE SOUZA

* Marcha das Bengalas garantiu o compromisso da prefeitura com o pagamento de convênio com a Acergs


16. PANORAMA PARAOLÍMPICO # ROBERTO PAIXÃO

* Saiba tudo sobre os regionais que pegaram fogo! Para saber quem estará no torneio nacional no fim do ano, as equipes fizeram bonito!


17. TIRANDO DE LETRA # COLUNA LIVRE

* Capricho dos meses

* Pretensão
18. BENGALA DE FOGO # COLUNA LIVRE

* Homem que recebia pensão por cegueira é preso ao atuar como bandeirinha em jogo


19. CONTRAPONTO NO AR # MARCOS RANGEL

* Rádio Contraponto e sua Nova Programação


20. CLASSIFICADOS CONTRAPONTO # ANÚNCIOS GRATUÍTOS

* Prótese ocular gratuita

21. FALE COM O CONTRAPONTO#: CARTAS DOS LEITORES
--

ATENÇÃO:


"As opiniões expressas nesta publicação são de inteira responsabilidade de seus colunistas".

#1. EDITORIAL


NOSSA OPINIÃO:
ABAD: Um Passo de Amplitude na Acessibilidade e Consequente Inclusão das Pessoas com Deficiência - é essa a nossa expectativa.
É incontestável: A Audiodescrição veio para ficar. Deficientes visuais e auditivos, de maneira autônoma, através do recurso comunicacional citado, assistem a espetáculos teatrais, filmes, vão a museus, - o empoderamento desse público é fato. Entretanto, embora pululem iniciativas no sentido de ampliar a implementação da audiodescrição, setores há que se mostram bastante refratários, como por exemplo, as emissoras de televisão que apresentam, semanalmente, o mínimo de sua programação com o uso do recurso, ficando muito aquém do necessário.
Com a recém-criada Associação Brasileira de Audiodescrição (ABAD), no entanto, acreditamos que foi dado um passo decisivo para a resolução do problema do descaso, isto porque, tendo à frente uma entidade representativa em nível nacional, as reivindicações terão mais força.

Portanto, o nosso papel junto à ABAD, ora em diante, será o de cobrar-lhe ações concretas para que a Audiodescrição seja reconhecida como um direito.


Assim, confiantes, desejamos à Associação Brasileira de Audiodescrição todo o êxito! Por nossa vez, não cruzemos os braços, juntemo-nos à ABAD na luta por nossa maior autonomia.

#2. A DIRETORIA EM AÇÃO


ASSOCIAÇÃO DOS EX-ALUNOS DO INSTITUTO BENJAMIN CONSTANT
Diretoria Executiva
* Relatório de Atividades da Diretoria Executiva da Associação - junho/2017

- No dia 06 de maio o presidente Gilson Josefino foi reeleito no cargo e empossado no dia 12 de maio.

- Neste período foi dado início ao processo de registro da ata no cartório de pessoa jurídica.

- Foi acertada a permanência da contadora da associação Maria Hondina David.

- No dia 14 de junho em comemoração ao aniversário da associação a entidade pagou um almoço para cada associado adimplente.

* Departamento de Tecnologia

- A Rádio Contraponto, reformou sua programação, optando por uma grade com mais músicas variadas durante o dia; a partir da meia noite, músicas orquestradas. A programação ao vivo (como transmissão das oficinas, entrevistas, etc, permanecem;

Em junho estreou o programa "Arte em Debate", produção e comando de Suilan Lira.

- O link "PROJETO MEMÓRIA I B C", fruto do convênio I B C e Associação dos ex-alunos do I B C, onde constarão entrevistas/depoimentos de ex-alunos, servidores, professores do I B C, de várias gerações breve estará disponibilizado.

#3. O IBC EM FOCO


Colunista: VITOR ALBERTO DA SILVA MARQUES ( vt.asm@oi.com.br)
* I B C Questões e Consultas
Este número terá a preocupação de abordar algumas questões que têm sido objeto de consultas e observações de diferentes pessoas, ligadas ao IBC de ontem e de hoje. Tenho recebido em nossa lista e fora dela, relatos e algumas queixas, não só sobre os serviços prestados pela instituição,

bem como registros superficiais relativos às atividades voltadas para o desenvolvimento de crianças, adolescentes e reabilitandos cegos e de baixa visão e sobre o estado atual de parte do seu

patrimônio e das acentuadas transformações operadas em seu perfil como se pode constatar desde há algum tempo. Algumas dessas transformações, sejam físicas ou de caráter mais profundo se fizeram inevitáveis, em função da ampliação das competências do IBC, que em tempos atrás se

limitava a oferecer a escolaridade no ensino fundamental universalizado.

Não é minha intenção, neste número, detalhar historicamente essa trajetória de transformações, ao nos aproximarmos da comemoração dos 163 anos de existência exitosa no campo da educação especializada no mês de setembro próximo. Oportunamente farei isso, contando certamente com a colaboração dos nossos leitores.

Me Restringirei tão somente à problemática, e às demandas de hoje, que me pareceram urgentes, serem esclarecidas na medida em que as informações sejam checadas ou disponibilizadas pelos setores responsáveis.

Intercalando perdas e ganhos, o IBC segue sobrevivendo, tomado por uma realidade sem volta! A sua história não será apagada pelo tempo, mas seus atores chegaram para renová-la com um perfil próprio.

Entre eles, temos um elemento em gradual extinção: O profissional cego e de baixa visão, comparativamente ao número que tínhamos há tempos atrás.

Qual a razão desse fenômeno? Ao que parece não existe uma única razão. Oportunamente tentarei me debruçar sobre esse tema. Por agora passemos ao IBC real.
Vamos por partes:
1. Os espaços:
Para aqueles que um dia frequentaram o IBC, hoje essa instituição nada se parece em termos da localização das salas que antes possuíam outras finalidades. Muita coisa mudou em nossa instituição, seja em seu aspecto físico, seja no que toca ao seu perfil e identidade. Tudo isso é natural, em função dos novos tempos, em que o papel do IBC se modela às exigências de seu público-alvo, cada vez mais diversificado e heterogêneo.

A partir do início desta década, foi implantado no IBC, em parceria com o Instituto Federal de Educação do Rio de Janeiro, o primeiro curso técnico de Massoterapia, certamente em nível médio, com o apoio acadêmico daquela instituição.

Permaneceram outras atividades já existentes e foram criados novos cursos, como o curso de áudio-descrição, oferecido dentro e fora da instituição, pelas unidades da federação, atendendo às demandas e às exigências legais, em favor das pessoas cegas e de baixa visão, fruto das conquistas promovidas por novos instrumentos de acessibilidade, como pressupostos dos direitos da plena cidadania desse segmento.

Fazendo parte desse elenco de novos projetos, desde o final do século XX foi implantado o serviço de atendimento às pessoas com surdocegueira, contando com profissionais especializados do quadro e com a valiosa contribuição do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES).

Vale esclarecer que a nomenclatura surdocegueira significa uma única deficiência, por isso, indivisível.
2. Serviços:
Entre os serviços que presta à sua comunidade, o IBC, contando com sua equipe de estagiários, médicos residentes da área de oftalmologia e médicos oftalmologistas do quadro, fazem pequenas consultas, emitem laudos.

De acordo com o Regimento Interno do IBC, o atendimento oftalmológico deve focar na pesquisa e em estudos a realizar nessa área. Parece que nem sempre esse fato está presente, talvez devido ao grande fluxo no processo de atendimento.


2.1. Serviço médico - estratégia no atendimento. Segundo fui informado pela enfermeira do quadro permanente, por orientação legal, sequer um remédio para dor de cabeça pode ser fornecido ao aluno e ao servidor.

Basta esse ou qualquer sintoma de mal-estar, para que o usuário seja encaminhado a um serviço

ambulatorial próximo à instituição.

Os únicos remédios a serem ingeridos são aqueles prescritos pelos médicos consultados pelos alunos, incluindo aqueles de tarja preta que alguns deles utilizam continuamente por razões específicas.

Vale lembrar também que em nosso quadro, o IBC não dispõe no momento, de médico clínico. No caso de um atendimento noturno de urgência a qualquer dos cerca de 60 alunos internos ainda existentes, este atendimento terá de ser efetuado fora da instituição em algum pronto socorro.
3. Serviço de cantina: Este se tornou inviável por algumas razões a saber:
A primeira razão, segundo me foi explicada, está ligada às exigências cada vez mais restritivas da Vigilância Sanitária, posto que o espaço não assegura condições mínimas de higiene para o funcionamento da cozinha.

A segunda razão está ligada à localização da cantina no interior do espaço dos alunos, dificultando o controle do fluxo, por onde circulavam livremente as famílias e o pessoal atendido no serviço médico, colocando em risco a segurança destes.

A terceira razão se apoia no forte argumento de que o serviço de cantina ou lanchonete não daria retorno para quem quisesse investir nesse negócio.

Lembrando que a direção, em uma medida mais ou menos recente, passou a permitir que os reabilitandos se alimentem no refeitório do IBC, fato que concorre para diminuir a procura por uma cantina.. E essa medida talvez tenha sido tomada deliberadamente como forma de esvaziamento

dessa reivindicação, o que não é de todo ruim.
Outros fatores de preocupação e estrangulamento, e são muitos, abordarei no próximo número

Grato pela compreensão e acolhida.


Vitor Alberto da Silva Marques

#4. ANTENA POLÍTICA


Colunista: HERCEN HILDEBRANDT (hercen@terra.com.br)
* Quem sabe?
Como é sabido, os gastos do governo federal com políticas públicas estão congelados por vinte anos.

Fui informado por fonte fidedigna, que aqui não revelo para poupar de eventuais constrangimentos, de que a verba do Instituto Benjamin Constant para o exercício de 2016 não ultrapassou os R$25.000.000,00..

Para o atual exercício, coube a nossa instituição uma dotação de apenas cerca de R$12.000.000,00 (cerca de 48%); menos da metade.

Ano passado, a direção do IBC alternava entre seus prestadores de serviço aqueles que deveriam receber sua remuneração, procurando evitar a suspensão por falta de pagamento. E agora? E nos próximos exercícios?

Esta tarde, ao chegar do trabalho, minha filha, professora do IBC, informou-me que recebeu um e-mail de seu coordenador comunicando-lhe que a direção-geral suspendeu a compra de copos descartáveis por medida de economia.

Situação idêntica atravessam todos os órgãos federais dedicados ao atendimento da população. Preocupo-me mais com o IBC porque ele faz parte de minha vida. Mas os hospitais e universidades públicas federais também estão à mingua. O dinheiro público é para os banqueiros, que arrecadam trilhões por ano, para o pagamento de uma dívida que nós, os cidadãos comuns, não sabemos como foi contraída.

Quando saio de casa e caminho pelas calçadas próximas, esbarro nas barraquinhas ou piso os lençóis que os trabalhadores desempregados, em número cada vez maior, estendem no chão para depositar as bugigangas que conseguem para vender. Quase sempre, encontro um morador de rua que me cumprimenta: "Padrinho", ele me diz. Procura ser gentil comigo. Meto as mãos nos bolsos e tiro para ele as moedas ou notas de menor valor. Não sei se vai comer ou se envenenar com drogas.

À noite, quando não durante o próprio dia, ouço os tiros disparados no complexo de favelas relativamente próximo de minha casa. Já não me impressiono com eles.

Pelo rádio e pela Internet, ouço notícias do campo. Falam dos assassinatos de trabalhadores sem-terra e invasão de terras indígenas.

O presidente da república, vários ministros e parlamentares, incluindo os presidentes de ambas as casas do Congresso Nacional, são suspeitos de crimes. Mas permanecem no exercício de seus cargos e têm poder para congelar os gastos com políticas públicas, terceirizar as atividades fins das instituições, pôr fim à Consolidação das Leis do Trabalho e à Previdência Social para atender a interesses de uma elite gananciosa e irresponsável.

A grande mídia alimenta o ódio da classe média ingênua e preconceituosa contra os que exercem atividade político-partidária atribuindo-lhes culpa por todos os problemas do país e imputa às grandes empreiteiras da construção civil a responsabilidade pela corrupção, que, ao longo de toda a nossa história imperou por aqui.

O IBC não poderia ficar fora deste caos, que ainda está no início.

Vivemos sob uma ditadura dos plutocratas rentistas, que alimentam suas fortunas com a apropriação do capital e da renda produzidos pela Mão-de-obra dos que trabalham.

Entretanto, quem sabe, quando compreendermos que não somos mais nem menos brasileiros e também somos responsáveis pelo Brasil, poderemos contribuir para sua real independência? Quem sabe se, preocupados com a situação de algo tão nosso, como o IBC, compreenderemos que somos seres políticos e temos responsabilidade com o bem comum? Quem sabe se, um dia, reconheceremos que somos pessoas válidas e capazes e não existimos à parte no mundo?


#5. DE OLHO NA LEI


Colunista: MÁRCIO LACERDA ( marcio.o.lacerda@gmail.com)
* Negado MS a candidata que apresentou laudo sem descrição da deficiência física
A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou pedido no Mandado de Segurança (MS) 30176, em que uma candidata a concurso público do Ministério Público da União, nas vagas destinadas a pessoas com deficiência, questionou sua desclassificação por apresentar laudo sem descrição do grau de sua limitação funcional, exigido em edital. De acordo com a relatora, a exigência de laudo descritivo é fundamental para a própria definição de deficiência física, e não ofende o princípio da legalidade, estando expressa em edital.
No MS, a candidata contestava sustentava que na fase de realização das perícias médicas, a comissão examinadora rejeitou o laudo médico por ela apresentado, sob o argumento de que, embora consignada a existência de deficiência física, deixou de descrever especificamente as limitações funcionais dela resultantes. Para a candidata, sua desclassificação decorreu da inserção extemporânea de nova exigência de conteúdo para o laudo médico, o que fere, segundo alega, os princípios da legalidade e da vinculação do certame ao edital.
Para a relatora do caso, ministra Rosa Weber, o cerne da questão está em verificar se o edital do concurso exigia ou não que o laudo a ser apresentado pelos candidatos portadores de deficiência descrevesse concretamente o nível de incapacidade.
A ministra explicou que, de acordo com o edital, a definição de deficiência física decorre da conjugação dos seguintes elementos: alteração total ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, que venha a acarretar o comprometimento da função física, e que se apresente sob as formas ali previstas, incluídas deformidades congênitas ou adquiridas, excetuadas, contudo, as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho das funções.
Diante dessa previsão, a ministra afirmou que não basta que o laudo médico apresentado na fase pericial apenas constate a deficiência. “Esse elemento, individualmente considerado, não completa a definição de deficiência adotada pelo edital do concurso. É preciso que ocorra perda de desempenho do segmento do corpo humano sobre o qual incide a deficiência”.
A ministra ressaltou que o edital especifica as deformidades e retira do alcance do dispositivo casos de dano meramente estético ou que não produza perda de utilidade. “Tais categorias devem ser vistas como particularizações dos dois elementos que compõem a própria definição de deficiência, ou seja, da descrição da alteração corporal e, também, do alcance do comprometimento das funções ordinárias desse órgão. Em caso contrário, a própria definição de deficiência perderia sentido”, disse.
Assim, para a ministra, a ausência de tais dados no laudo apresentado pela impetrante torna impossível a avaliação. Dessa forma, não pode ser imputada aos organizadores do concurso qualquer responsabilidade. “Não há, portanto, qualquer violação de direito líquido e certo a ser reconhecida”, completou.
Disponível em: http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=345661; acessado em: 6 de junho de 2017.
De Olho na Lei

Márcio Lacerda

E-mail: Marcio.lacerda29@globo.com

Twitter: MarcioLacerda29


#6. DV EM DESTAQUE


Colunista: JOSÉ WALTER FIGUEREDO (jowfig@gmail.com)
* Bengala Verde, para que a Sociedade nos Veja
As pessoas com baixa visão tem uma possibilidade muito reduzida de enxergar. Quem apresenta diminuição da acuidade visual tem dificuldades na vida diária, mormente para ler, reconhecer pessoas, dirigir, assistir televisão, praticar esportes, etc. Já aqueles que apresentam alteração no campo visual tem comprometido o caminhar, deixando este indivíduo mais propenso a tropeçar, esbarrar ou não identificar alguém ao seu lado.

A baixa visão nem sempre é visível ou perceptível pelas pessoas, pois os olhos costumam se apresentar em seu aspecto comum. Isso gera uma série de consequências, principalmente em relação à identificação da deficiência pela sociedade.

Quem tem baixa visão não é totalmente cego e, por conseguinte, apresenta uma melhor desenvoltura no deslocamento e em outras atividades as quais dependem também da visão. É importante compreendermos que as consequências da baixa visão ainda não são solucionadas com o uso de óculos ou cirurgias. Na maioria dos casos, decorrem de doenças da retina ou glaucoma avançado, que não tem perspectiva de tratamento médico.

Em 1994, a professora Argentina Perla Mayo, criou a Bengala Verde. A cor verde foi escolhida para representar uma nova forma de se ver. Ver-de-novo, ver-de-outra-forma. “Queremos que quando uma pessoa veja uma bengala verde na rua, saiba que essa pessoa tem baixa visão, não sendo cega e, por conseguinte, não precisando necessariamente de auxílio" para tudo, diz a professora.

A utilização da Bengala Verde por pessoas com baixa visão torna possível sua identificação e distinção em relação às pessoas totalmente cegas. Nesse sentido, é notável a importância do movimento pela Bengala Verde, que surge em âmbito mundial como um instrumento de comunicação dos indivíduos com baixa visão com a sociedade, tendo como objetivo a conscientização das pessoas sobre a existência e consequências da baixa visão.

Há um grande constrangimento quando uma pessoa é auxiliada em excesso por conta de sua baixa visão ou, em teoria, por sua cegueira. Quando o auxiliado demonstra que enxerga algo, o ajudante se sente surpreso em sua boa-fé porque está ajudando alguém que, supostamente, disse ser cego e, na verdade, não o é.

Existe, ainda, pessoas que se recusam a usar a bengala branca porque esta é um elemento da cegueira total. Para quem perde a visão paulatinamente, é muito difícil aceitar os sinais de cegueira.

A bengala verde coloca a pessoa que a usa em uma posição de verdade em seu entorno. É dizer: essa bengala diz que preciso de ajuda, todavia posso enxergar um pouco. Se você me ajuda sabendo que vejo, não estou te incomodando nem abusando de sua boa vontade.


Fonte: http://www.mundocegal.com.br/node/8

#7. TRIBUNA EDUCACIONAL


Colunista: SALETE SEMITELA (saletesemitela@gmail.com)

* Precisamos de mais Calma ao Interpretar Nossos Filhos

(Rosely Sayão)
Ninguém falou que ter filhos seria fácil, e, na atualidade, as dificuldades crescem dia a dia. Os pais estão submetidos a tantas pressões, demandas e valores sociais, que a lida com os filhos tem se

tornado, para muitos, tarefa das mais angustiantes.


O estilo desvairado de vida que adotamos rouba muito de nosso tempo e faz com que mães e pais tenham cada vez menos paciência com crianças e adolescentes. E quem tem filhos sabe que paciência é uma das qualidades mais exigidas no convívio com os mais novos.
Muitos adolescentes e crianças têm ganhado pequenas batalhas que travam com os pais, boa parte delas a contragosto destes, por um único motivo: falta de paciência. "Quantas vezes terei de repetir a mesma coisa a meu filho?" Essa é uma pergunta de pais que ouço com muita frequência.

Sempre dou a mesma resposta: por mais ou menos 18 ou 20 anos.


À falta de paciência para aguardar o desenrolar do desenvolvimento dos filhos, que não costuma ocorrer de modo linear, alia-se uma característica de nosso tempo, chamada de medicalização da vida, para complicar mais o trabalho dos pais.
Medicalizar a vida significa transformar questões que não são médicas em doenças ou suspeitas da presença delas. Darei alguns exemplos.
A mãe de uma garota prestes a completar cinco anos observou pequenos machucados na filha. Foi conversar com a professora da menina e ouviu que os arranhões e marcas de batidas tinham sido resultado de brincadeiras e interação da criança com a natureza. Vamos lembrar que, nessa idade, a criança ainda não tem total controle sobre seu corpo. Mas essa mãe não ficou satisfeita com a resposta e procurou um psiquiatra, por acreditar que a filha estava tentando praticar automutilação!
Os pais de um adolescente, que prefere ficar em casa lendo ao invés de sair, que não é muito procurado pelos colegas, que acha uma bobagem participar de redes sociais -sim, eles existem!- e que é tímido, passaram a achar que o filho tem características autistas.
Um último exemplo ilustrativo dessa questão: uma adolescente de 15 anos teve o primeiro namoro, que durou quase um ano, rompido. O ex-namorado disse a ela que queria curtir mais a vida e que o compromisso com ela o impedia. Uma semana de muito choro da garota e isolamento no quarto foi

o suficiente para a mãe acreditar que a filha estava "profundamente" deprimida e que poderia tentar o suicídio. Perder um amor é sofrido, doloroso, mas faz parte da vida.


Precisamos ir com mais calma na interpretação dos comportamentos de nossos filhos. Muitas vezes, um cachimbo é apenas um cachimbo, como me lembrou uma amiga.
Para isso os pais precisam, primeiramente, ter paciência para observar melhor o filho durante um bom período. Devem, também, entender o contexto daquele momento da vida dele para identificar motivos para seu comportamento atual.
E sempre ajuda lembrar que todos nós temos nossas particularidades, nossas características pessoais frente a vida. Os mais novos ainda estão desenvolvendo isso, adaptando-se às reações que apresentam frente aos problemas que enfrentam. E para que possam se sentir apoiados pelos

pais, estes precisam ser capazes de lhes transmitir segurança e afeto.

Nada mais...

# 8.SAÚDE OCULAR


A Saúde Ocular em Foco(coluna livre):
* Brasil: Iniciativa inédita disponibiliza testes genéticos para doença hereditárias da retina
Objetivo é ajudar no diagnóstico preciso e, por consequência, auxiliar no planejamento familiar e profissional dos pacientes
Estima-se que quase 7 milhões de pessoas no Brasil tenham alguma forma de deficiência visual
O Brasil é o segundo país a receber o Programa de Genotipagem para Doenças Hereditárias da Retina, promovido pela Spark Therapeutics, empresa global de terapia genética. A iniciativa, lançada nos Estados Unidos no ano passado, tem como objetivo proporcionar acesso a médicos e

seus pacientes elegíveis ao teste genético para genes relacionados a certas formas de doenças hereditárias da retina (IRD), um grupo de doenças nos olhos que afeta mais de 2 milhões de pessoas em todo o mundo.


Maria Julia Araújo, 60 anos, teria deixado para trás o fantasma da cegueira se, aos 14 anos, soubesse que iria ter problemas reais de visão somente depois dos 50. Julia é paciente de retinose pigmentar, uma doença hereditária da retina (IRD), e passou praticamente a vida toda se preocupando com uma possível perda repentina da visão. Hoje, presidente da associação Retina Brasil, auxilia outros pacientes a buscar o diagnóstico preciso de sua doença e aposta no Programa de Genotipagem para Doenças Hereditárias da Retina como um avanço bem-vindo. Hoje, os testes genéticos não são acessíveis por causa do alto custo dos serviços particulares, afirma Júlia. Essa iniciativa pode proporcionar aos pacientes informações que os auxiliarão a planejar a vida de acordo com a evolução de sua doença, como escolher uma profissão mais adequada a uma pessoa de baixa visão ou antecipar o aprendizado de braile.
Estima-se que quase 7 milhões de pessoas no Brasil tenham alguma forma de deficiência visual, incluindo mais de 500 mil com cegueira total. As doenças hereditárias da retina são um grupo heterogêneo de doenças raras causadas por mutações genéticas e podem resultar em perda progressiva da visão ou cegueira total. Apesar de raras, as IRDs mais comuns incluem coroideremia, amaurose congênita de Leber e retinose pigmentar. O início, progressão e gravidade dos IRDs são muito variáveis e difíceis de predizer. O exame genético pode dar uma ideia de como a doença vai se desenvolver. Ser capaz de usar um diagnóstico para identificar a variante genética subjacente à deficiência visual pode fornecer informações valiosas tanto para o médico quanto para o paciente sobre a natureza de sua doença, diz Juliana Sallum, médica, PhD e professora-associada em oftalmologia e genética na Unifesp, em São Paulo.
Passo a passo O Programa de Genotipagem para Doenças Hereditárias da Retina tem o apoio de um conselho consultivo de médicos brasileiros em quatro centros de referência Inret Clínica e Centro de Pesquisa, em Belo Horizonte; Clínica Vista Oftalmologia, em Porto Alegre; Instituto de Olhos Carioca, no Rio de Janeiro, e Instituto de Genética Ocular, em São Paulo. Esses especialistas darão assistência aos médicos sobre a iniciativa para os pacientes elegíveis com IRDs.
O processo é simples: o paciente consulta seu oftalmologista. Caso tenha sintomas ou o diagnóstico de coroideremia, amaurose congênita de Leber ou retinose pigmentar, seu médico pode entrar em contato com um dos centros de referência e confirmar sua elegibilidade ao programa, de acordo com os termos e condições da iniciativa. O médico receberá um kit de coleta e enviará a amostra de seus pacientes para um laboratório brasileiro independente, que fornecerá entre 4 e 6 semanas os resultados dos exames sem nenhum custo.
Estamos orgulhosos de lançar essa importante iniciativa para as pessoas com IRDs no Brasil, para apoiar a comunidade médica na adoção de diagnósticos precisos, com embasamento genético, ressalta Jeffrey D. Marrazzo, CEO da Spark Therapeutics. O Programa de Genotipagem para

Doenças Hereditárias da Retina também deve ser lançado na Argentina e na Europa nos próximos meses.


Centros de referência:
Belo Horizonte: Inret Clínica e Centro de Pesquisa: inret.com.br

Rio de Janeiro: Instituto de Olhos Carioca: ioca.med.br

São Paulo: Instituto de Genética Ocular: institutodegeneticaocular.com.br

Porto Alegre: Vista Oftalmologia: vistaoftalmologia.com.br


Associações de pacientes parceiras da iniciativa:
Retina Brasil: retinabrasil.org.br

Retina São Paulo: retinabrasil.org.br/site/retinasaopaulo

Retina Rio: retinabrasil.org.br/site/retina-rio
Sobre as doenças hereditárias da retina (DHRs)
As doenças hereditárias da retina são um grupo de distúrbios oculares raros causados por várias mutações genéticas hereditárias e podem resultar em perda progressiva da visão ou cegueira total e têm como característica a degeneração progressiva da retina e a diminuição significativa ou perda total da visão. O início, progressão e gravidade da doença também são muito variáveis e difíceis de prever.
As mais comuns:
Coroideremia é uma forma recessiva, ligada ao cromossomo X, de degeneração da retina hereditária. Provoca perda gradual da visão, começando com a cegueira noturna na infância, seguida pela perda de visão periférica e progredindo para a perda da visão central mais tarde

na vida.
Amaurose congênita de Leber é caracterizada pela perda grave de visão desde o nascimento. Uma variedade de outras anormalidades relacionadas com o olho, incluindo movimentos oculares inadequados e sensibilidade à luz também podem ocorrer.


Retinose pigmentar Grupo de doenças degenerativas da retina, envolve dezenas de genes e provoca dificuldades de visão progressiva.
Fonte: http://www.acritica.net/editorias/saude/iniciativa-inedita-disponibiliza
*** O leitor pode colaborar com a coluna, enviando material pertinente, para nossa redação (contraponto.exaluibc@gmail.com).

# 9. DV-INFO


Colunista: CLEVERSON CASARIN ULIANA (clcaul@gmail.com)
* O que é o ransomware e como se proteger dele
Nos últimos dias, o termo “ransomware” invadiu as manchetes. Mas o que diabos é isso? Em sua configuração mais clássica, trata-se de um vírus que, ao invadir um computador, criptografa todos os dados. Para recuperá-los, é preciso ter uma senha que só é dada depois de pagar uma quantia aos crackers, na maioria dos casos em Bitcoin. É assim que funciona o WannaCry, que tem se espalhado desde a Sexta-feira (12/05). O vírus explora uma brecha grave do Windows: um código executado remotamente a partir do protocolo de compartilhamento de arquivos do sistema permite que se espalhe rapidamente para todos os computadores de uma rede interna - esse é um dos motivos pelos quais ele já afetou mais de 200 mil computadores em mais de 150 países.
Especialistas já o consideram o maior ciberataque da história e ainda tentam descobrir exatamente como ele infecta a primeira máquina da rede e qual grupo de crackers começou tudo isso. O que se sabe é que a falha usada pelo WannaCry ficou conhecida após o vazamento de ferramentas sigilosas usadas pela NSA (Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos), pelo grupo cracker “Shadow Brokers”. A Microsoft, que liberou uma atualização de segurança corrigindo a falha em maio apenas para as versões do Windows que ainda possuem suporte, critica duramente governos que mantêm falhas de segurança de softwares em segredo.
Os ransomwares e ataques cibernéticos ganharam atenção graças ao WannaCry, mas eles já estão por aí há um bom tempo e estão ficando cada vez mais sofisticados. Hora de entender mais sobre a história dessa modalidade de crime.
Ransomware via disquete:

O primeiro ransomware da história foi o AIDS Trojan - e foi um fracasso. E ele tem uma história bem doida: o vírus se espalhava por meio dos correios tradicionais dentro de um disquete 5”1/4, isso lá em 1989. Nessa época, poucas pessoas usavam computadores pessoais e a Web nem existia, muito menos o email como conhecemos hoje. A internet era usada principalmente por especialistas e pesquisadores, a criptografia era fraca e realizar pagamentos internacionais era muito mais burocrático. Sem contar que os primeiros vírus de computador não tinham objetivos estritamente financeiros, malwares eram muito usados apenas para pregar peças ou como uma forma de ganhar notoriedade dentro das comunidades.


A primeira onda de ransomwares realmente nocivos só foi surgir em 2005, quando alguns programas se travestiam como ferramentas de remoção de spywares ou como ferramentas de ganho de desempenho para as máquinas, afetando principalmente PCs Windows e alguns computadores Mac OS X. SpySheriff e PerformanceOptimizer são dois exemplos de malwares que desfaziam registros ou corrompiam arquivos, exibindo pedidos de pagamento com valores entre 30 e 90 dólares para se obter uma licença para resolver esses problemas. Na maioria das vezes, a licença não resolvia nada. O malware Trojan.Gpcoder é da mesma época e funcionava de uma forma mais similar aos ransomwares atuais: ele criptografava dados e exigia um resgate para a recuperação. Ele não foi tão bem sucedido por ter uma criptografia fraca - a mesma chave que bloqueava os arquivos era a que desbloqueava todo o conteúdo.
Apesar da eficácia praticamente nula, os crackers começaram a experimentar mais alternativas. Em 2006 surgiu o Trojan.Cryzip, que copiava dados para um arquivo específico protegido por senha e então apagava a informação original. A senha para liberar os dados estava dentro do próprio código do Trojan, o que facilitava a recuperação. Na mesma pegada veio o Trojan.Archiveus, funcionando da mesma forma que o Cryzip - mas em vez de pedir um pagamento em dinheiro, pedia para a vítima comprar medicamentos de determinadas farmácias online. Com a identificação do pedido, os crackers liberavam a senha.
Em 2008 e 2009 surgiu uma onda de programas de antivírus falsos, que imitavam a aparência e funcionalidade de um software de segurança e afirmavam que a máquina estava cheia de problemas. Os usuários então deveriam pagar por licenças para o software realizar o trabalho de consertar os erros. A rentabilidade e o retorno eram baixíssimos, já que muitas pessoas simplesmente desinstalavam o programa.
Também em 2008, com o surgimento do Trojan.Randsom.C, os criminosos passaram a desabilitar o acesso e controle do computador. O Randsom.C exibia uma mensagem do Centro de Segurança do Windows com um número de telefone e dizia para os usuários ligarem para comprar a licença do software de segurança - nesse meio tempo, bloqueavam o computador. Mas foi só em 2011 e 2012 que esse tipo de ataque ganhou força e passou a ser usado amplamente.
De lá pra cá, esses malwares funcionam todos de maneira parecida, criptografando os dados e bloqueando o acesso do computador de alguma forma. Alguns limitam a máquina inteira, outros conseguem explorar brechas de programas específicos, como os navegadores. Os criminosos usam diversas técnicas de engenharia social para chantagear a vítima e obter os pagamentos - em geral, são cobrados 300 dólares por computador infectado.
Existem também os ransomwares para telefones, que funcionam mais como bloqueadores - criptografar os arquivos não faz tanto sentido já que a maioria dos dados pode estar na nuvem. A plataforma mais vulnerável é o Android, já que permite a instalação de aplicativos a partir de outras origens que não a Play Store. O bloqueador costuma ser distribuído em um APK, arquivo de instalação de apps do sistema do Google e exibe uma mensagem permanente em cima de toda a interface.
Alguns mais sofisticados induzem o usuário a conceder permissões administrativas e assim o invasor tem mais poderes sobre o aparelho. Algumas táticas foram tentadas no iOS, como a exploração de brechas em contas do iCloud para usar o sistema “Encontre meu iPhone” para bloquear o acesso ao dispositivo. A falha foi corrigida rapidamente.
Um dos ransonwares mais recentes e mais perigosos é o Jigsaw. Ele exibe uma imagem do personagem Billy, do filme Jogos Mortais, junto com as ordens para a realização do pagamento. Além disso, há uma linha do tempo que demonstra que os arquivos serão apagados conforme os minutos vão se passando. Se o usuário tenta impedir esse processo ou reiniciar o sistema, mil arquivos são apagados automaticamente, o que vai mitigando as possibilidades de a vítima procurar alternativas ao pagamento do resgate.
Formas de propagação:

Os malwares se espalham de diversas maneiras: quando estão disfarçados de programas em sites de pirataria e embutidos em outros programas se tornam identificáveis com mais facilidade. Mas eles podem estar também em sites da web - uma forma comum usada pelos crackers é a compra de tráfego redirecionado, levando um usuário para um site que permite a exploração de uma brecha. Muitos desses casos estão relacionados a sites de conteúdo adulto.


Tem sido comum também aproveitar essas mesmas brechas por meio de anúncios publicitários maliciosos. Dessa forma, mesmo que uma pessoa esteja visitando um site legítimo, ela pode ser infectada ao clicar em uma dessas publicidades. Outro clique perigoso está nos emails de phishing: uma mensagem que parece legítima e possui um link para o malware. Mais da metade dos ataques com ransomwares à corporações começam com um funcionário usando um dispositivo da empresa para tarefas pessoais, de acordo com uma pesquisa realizada pela empresa de cibersegurança Carbonite e o grupo de pesquisa independente Ponemon Institute.
Alguns ransomwares se propagam praticamente sozinhos. Um software malicioso para Android, por exemplo, poderia enviar diversas mensagens SMS para seus contatos com um link infectado, espalhando o problema. Em alguns vírus mais sofisticados, eles podem se propagar sozinhos, como o WannaCry, que consegue passar de máquina para máquina dentro de uma rede. Alguns grupos também experimentam formas de espalhar o vírus, como um ransomware que atingia o software Popcorn Time e dava como opção a vítima ela infectar uma outra pessoa, como forma de pagamento.
Os ataques mais impactantes:

Os criminosos não se importam muito com o tipo de vítima, por isso os ataques são realizados em diversas regiões e com diversos tipos de usuários. O que importa é fazer um esquema valer a pena - por isso, ataques planejados a órgãos governamentais, hospitais e grandes empresas estão ficando mais freqüentes, já que a chance de lucro é bem maior. Os criminosos também estão aprimorando as chances de receber o pagamento do resgate: como comentamos acima, os ataques mais recentes impõem um prazo para o pagamento. Muitos deles dobram a quantia solicitada depois de um tempo e ameaçam excluir os arquivos. Para algumas empresas, perder seus dados pode significar ir à falência.


O valor do resgate depende muito do alvo do ataque. Uma invasão no Centro Médico Presbiteriano de Hollywood (HPMC, na sigla em inglês), realizado no ano passado, exigia o equivalente a 3,6 milhões de dólares. O hospital ficou por dez dias sem sua rede interna, emails e dados importantes de pacientes. No final das contas, eles negociaram o resgate e pagaram 17 mil. Algumas semanas depois o Departamento de Serviços Médicos do Município de Los Angeles foi infectado com um programa semelhante - eles, no entanto, se recusaram a realizar o pagamento.
Também no ano passado, a Agência de Transportes Municipal de São Francisco foi vítima de um ataque que inusou os sistemas de tickets do transporte público. Os invasores pediam um resgate de 100 Bitcoin, o que equivalia a cerca de US$ 73 mil na época. A agência conseguiu normalizar o sistema depois de dois dias, sem pagar o resgate, mas teve outros prejuízos: as catracas ficaram livres para os passageiros durante o período.
O WannaCry já atingiu 200 mil computadores em mais de 150 países, mas até agora não lucrou muito: dados do site 318br que está monitorando as carteiras incorporadas ao malware mostram que, até o momento desta publicação, foram pagos US$ 83 mil (ou R$ 260 mil). Mas esse é o prejuízo financeiro direto: ainda não há como mensurar quanta grana as empresas perderam por falta de produtividade ou com mão de obra técnica.
O ZDNet apontou em maio de 2016 que “de acordo com pesquisadores da Kaspersky Lab, as três famílias mais usadas de ransomwares durante o primeiro trimestre do ano foram: Teslacrypt (58,4%), CTB-Locker (23,5%), e Cryptowall (3,4%). Os três infectavam os usuários principalmente por meio de emails spam com anexos maliciosos ou links para páginas web infectadas”.
De acordo com o gabinete do senador democrata dos EUA Bob Hertzberg, estatísticas do FBI apontam que foram feitos 209 milhões de dólares em pagamentos para ransomware nos EUA só nos primeiros três meses de 2016. Isso apenas para citar os casos conhecidos. É possível que existam outras dezenas de ocasiões em que houve sequestro de dados, mas as empresas não se pronunciaram. Pesquisadores apontam que durante todo o ano passado, crackers lucraram mais de US$ 1 bilhão.
A moeda dessa história:

Os métodos preferidos de pagamento foram mudando durante os anos. Em 1989, o AIDS Trojan indicava que a vítima deveria enviar o dinheiro para um endereço de caixa postal no Panamá. O surgimento das criptomoedas facilitaram a vida dos criminosos, já que elas dificilmente são rastreadas. A moeda mais comum é o Bitcoin, que por ser mais conhecida e popular facilita a compra e o câmbio para dinheiro comum. Ainda assim, alguns ransomwares ainda usam transferências eletrônicas por meio de sistemas de voucher como o Paysafecard, MoneyPak e MoneXy. Ou seja, apesar de o Bitcoin oferecer o anonimato para os criminosos, a moeda não é nem de longe a culpada por esse tipo de vírus.


Como se proteger:

A moeda de barganha dos ransonwares são os seus dados, portanto a melhor forma de evitar o pagamento de um resgate e manter uma cópia de tudo que é importante - se por um acaso seu dispositivo for infectado, é só formatar e restaurar a cópia de segurança. Alguns malwares mais sofisticados buscam pelos seus backups para criptografá-los também. Assim, a melhor ideia é ter um HD externo que esteja desconectado da sua rede.


Alguns cuidados enquanto se navega na web também ajudam a evitar ser infectado. Como já comentamos, os ransomwares se propagam de várias maneiras, principalmente por emails de phishing que possuem anexos ou links que parecem legítimos, mas são armadilhas. Sempre vale a pena analisar a URL antes de clicar: se o endereço contém caracteres estranhos, não corresponde a um site que você conhece ou não está diretamente ligado ao serviço que te enviou o email, é melhor desconfiar. Algumas empresas investem em treinamentos internos para evitar que funcionários cliquem em links ilegítimos. Empresas de tecnologia como o Facebook designam um time para tentar hackear seus colegas de trabalho de tempos em tempos, para manter as pessoas atentas, por exemplo. E o phishing pode enganar até mesmo pessoas com alto nível de educação, como autoridades do governo dos Estados Unidos e grandes empresas de tecnologia como Facebook e Google.
A infecção por meio de anúncios maliciosos é mais difícil de ser evitada justamente por ela poder estar infiltrada em sites confiáveis. Usar extensões para navegadores que bloqueiam anúncios publicitários pode ajudar, mas é uma solução que fere o modelo de negócios da maioria das publicações online. Manter o seu navegador sempre atualizado também vai ajudar a não deixar brechas abertas.
Por último, mantenha seu sistema e seus aplicativos sempre atualizados. Sabemos que poucas coisas irritam mais do que janelas avisando sobre atualização de programas e o processo costuma ser bem chato: é preciso baixar o arquivo e esperar até que as atualizações acabem de ser instaladas. Mas elas freqüentemente são aquilo que fica entre você e um cracker.
E se no final das contas você for infectado, desconecte o computador da internet o mais rápido possível. E não basta tirar o cabo de rede: desligue também o Wi-Fi e o Bluetooth, caso o dispositivo conte com essas funcionalidades. Isso vai prevenir que outras máquinas sejam afetadas.
// Fonte: o portal Gizmodo Brasil

10. IMAGENS QUE FALAM


Colunista: CIDA LEITE (cidaleite21@gmail.com)


  1   2   3


©aneste.org 2017
enviar mensagem

    Página principal