Avaliação radiográfica da influência da periodontite experimental em ratos associada ao exercício físico



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Avaliação radiográfica da influência da periodontite experimental em ratos associada ao exercício físico
Bruna Martinazzo Bortolini (PIBIC/CNPq/Unioeste), Patricia Oehlmeyer Nassar (Orientador), e-mail: ponassar@yahoo.com
Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Ciências Biológicas e da Saúde/Cascavel, PR.
Ciências da Saúde - Odontologia
Palavras-chave: exercício físico, doença periodontal, tecido ósseo
Resumo

É possível que atividade física proteja o periodonto por atenuar uma resposta inflamatória excessiva do hospedeiro. Apesar do impacto promissor da manutenção de atividade física regular na redução do risco de várias condições crônicas, as pesquisas sobre a relação das atividades físicas e periodontite são limitadas. Assim, o objetivo desta pesquisa foi avaliar o comportamento do tecido ósseo mandibular de ratos submetidos ao exercício físico com ou sem doença periodontal. 24 Ratos Wistar machos foram divididos em 4 grupos: 1) Grupo (SS): saudável e sedentário, 2) Grupo (ST): saudável e treinado, 3) Grupo (DPS): com doença periodontal e sedentário e 4) Grupo (DPT): com doença periodontal e treinado. Nos grupos com periodontite foi induzida a doença periodontal por ligadura e os grupos com exercícios realizaram natação por 4 semanas. Aos 30 dias os animais foram eutanasiados e foram retiradas as hemimandíbulas do lado direito para a realização da análise radiográfica. Os dados obtidos foram analisados através dos testes ANOVA e Tukey. Os resultados mostraram que a distância da JCE até a crista óssea alveolar foi significativamente aumentada somente nos grupos com periodontite induzida (DPS e DPT), sendo que no grupo que realizou esforço físico de natação (DPT) a perda óssea foi significantemente menor que no grupo somente com doença periodontal (DPS), demonstrando que o exercício físico atuou como um efeito protetor quando associado a doença periodontal. Assim, foi possível observar que o exercício físico em meio aquático promoveu uma diminuição da reabsorção óssea quando associado a inflamação promovida pela periodontite.


Introdução

A inflamação é uma resposta adaptativa que é desencadeada por estímulos e condições nocivos, tal como infecção e lesão tecidual. Um progresso considerável tem sido alcançado na compreensão dos eventos celulares e moleculares que estão envolvidos na resposta inflamatória aguda à infecção e, em menor escala, à agressão tecidual. Ainda, os eventos que levam à inflamação crônica localizada, especialmente infecções crônicas e doenças autoimunes, são parcialmente compreendidas. Entretanto, pouco se conhece sobre as causas e mecanismos da inflamação sistêmica crônica, que ocorre em uma grande variedade de doenças, incluindo diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares (Pradhan et al., 2001).

A resposta inflamatória a uma infecção, enquanto na intenção de restaurar a homeostase, podem tornar-se prejudicial se excessiva ou desregulada. Nessas condições, a inflamação desempenha um papel essencial na patogênese de muitas doenças crônicas, incluindo a periodontite. Em resposta aguda aos patógenos bacterianos, receptores Toll-like - TLR ativam macrófagos nos tecidos locais para produzir citocinas pró - inflamatórias. Uma destas citocinas, a interleucina-1beta (IL-1β), está associada com a perda de tecido conjuntivo periodontal e reabsorção de osso alveolar. Quando a resposta inflamatória aguda é insuficiente, estas citocinas estimulam hepatócitos a secretar proteínas de fase aguda, tais como a proteína C-reativa (CRP), em uma resposta inflamatória crônica não-específica. Levantamentos da população em geral encontraram níveis elevados de ambas, IL-1β e CRP no fluido crevicular gengival de indivíduos com periodontite. Grandes estudos prospectivos demonstram que a CRP é preditor de risco de doença cardíaca coronária, diabetes mellitus (Pradhan et al., 2001).

A doença periodontal (DP) é uma doença inflamatória crônica, de causa infecciosa, caracterizada por destruição das estruturas de sustentação dos dentes, que inclui desde o ligamento periodontal ao osso alveolar (Bascones-Martinez et al., 2011). A DP acontece quando, a partir do acúmulo de biofilme dental, inicia-se um desequilíbrio entre a agressão microbiana e a resposta do hospedeiro, levando a um aumento de bactérias no tecido periodontal. Dessa maneira, dependendo da resposta do hospedeiro, a gengivite quando não tratada, pode evoluir para a periodontite resultando em inflamação e destruição progressiva dos tecidos de suporte afetando sistemicamente o organismo humano através de mediadores inflamatórios (Carranza & Newman, 2007).

É possível que atividade física proteja o periodonto por atenuar uma resposta inflamatória excessiva do hospedeiro. Há algumas evidências de estudos longitudinais e um estudo prospectivo demonstrando que adultos fisicamente ativos tem diminuído o risco de periodontite. Até o momento nenhum estudo avaliou conjuntamente o relacionamento da atividade física, utilizando biomarcadores inflamatórios, com a periodontites (Sanders et al., 2009). Pesquisas sobre possíveis modalidades de proteção para prevenir ou interromper a taxa de progressão da periodontite é obviamente necessária. Apesar do impacto promissor da manutenção de atividade física regular na redução do risco de várias condições crônicas, as pesquisas sobre a relação das atividades físicas e periodontite são limitadas (Albandar, 2002). Assim, o objetivo desta pesquisa foi avaliar o comportamento do tecido ósseo mandibular de ratos submetidos ao exercício físico com ou sem doença periodontal.
Material e Métodos

Animais

Foram utilizados 24 Ratos Wistar pesando em média 100g, provenientes do biotério central da Unioeste. Os animais foram mantidos sob condições controladas de temperatura (23 ± 2º C) e luz (ciclo de 12 horas de claro e 12 horas de escuro – 07:00 – 19:00 h) e receberam água e ração comercial à vontade. Todos os protocolos experimentais foram aprovados pelo Comitê de Ética em Experimentação Animal e Aulas Práticas (CEEAAP) da UNIOESTE.

Os animais foram divididos aleatoriamente em 4 grupos de 6 animais cada:

1) Grupo (SS): saudável e sedentário.

2) Grupo (ST): saudável e treinado

3) Grupo (DPS): com doença periodontal e sedentário

4) Grupo (DPT): com doença periodontal e treinado

Indução da Doença Periodontal


Os animais foram anestesiados (xilazina 0,04mL/100g e quetamina 0,08mL/100g), e posicionados em mesa operatória apropriada, a qual permitiu a manutenção da abertura bucal dos ratos facilitando o acesso aos dentes da região posterior da mandíbula. Com o auxílio de uma pinça modificada e de uma sonda exploradora, foi colocado um fio de algodão número 40 ao redor do primeiro molar inferior direito. Esta ligadura atuou como irritante gengival por 30 dias, favorecendo o acúmulo de placa bacteriana e conseqüente desenvolvimento da doença periodontal (Nassar et al., 2009).

Protocolo de Exercício Aeróbico

O exercício aeróbico utilizado foi a natação, o qual foi realizado durante 4 semanas, com aumento progressivo do tempo, sendo 15 minutos na primeira semana, 30 minutos na segunda, e assim sucessivamente até atingir 60 minutos na quarta semana, de forma diária, com intervalo de 2 dias entre cada início de semana. O local utilizado foi um tanque oval, com capacidade de 200 l, profundidade de 60 cm e temperatura controlada em 32º ± 1º C (ARTIFON et al., 2013).


Análise Radiográfica

Após o sacrifício dos animais e a dissecação das hemimandíbulas, foram realizadas as tomadas radiográficas com o uso de um aparelho de R-X da marca Dabi-Atlante, modelo Spectro com 70 Kvp e 8 mA, combinado com a utilização do sistema radiográfico digital Sensy-A-Ray 3.11, mantendo-se uma distância foco/filme de 50 cm e tempo de exposição de 0,3 segundos. As imagens digitais foram analisadas em três medidas no programa Sigma-Scan 2.0 e foram retiradas uma média entre elas de uma medida linear que percorreu a distância da junção cemento-esmalte (JCE) até a crista óssea alveolar do lado mesial do primeiro molar inferior do rato, com as medições em pixels (Nassar et al., 2003).


Análise dos dados

Após obtidas as médias das medidas, estas foram analisadas e avaliadas através dos testes ANOVA e Tukey, com nível de significância menor que 0,05.


Resultados e Discussão

Foi possível observar através da tabela 1 que a distância da JCE até a crista óssea alveolar foi significativamente aumentada somente nos grupos com periodontite induzida (DPS e DPT), sendo que no grupo que realizou esforço físico de natação (DPT) a perda óssea foi significantemente menor que no grupo somente com doença periodontal (DPS), demonstrando, neste caso que o exercício físico atuou como um efeito protetor quando associado a doença periodontal.

Sanders et al. (2009) mostraram que, dentre os indivíduos que praticavam atividade física em um nível quase diário por 30 minutos ou mais, os que exibiam periodontite moderada a avançada apresentaram maior redução do biomarcador inflamatório proteína C-reativa (PCR) no fluido gengival do que os controles sem periodontite, sugerindo um efeito protetor da atividade física sobre esse marcador. O exercício físico regular protege contra doenças associadas à inflamação sistêmica crônica de baixo grau. Este efeito, a longo prazo, de exercício pode ser atribuído à resposta anti-inflamatória induzida por um ataque agudo de exercício, o que é parcialmente mediada por IL-6 derivadas do músculo. Concentrações fisiológicas de IL-6 estimulam o aparecimento na circulação das citocinas anti-inflamatórias de IL-1ra e IL-10 e inibem a produção do TNF-α. Além disso, a IL-6, estimula a lipólise, bem como a oxidação das gorduras. Os efeitos anti-inflamatórios do exercício podem oferecer proteção contra a resistência à insulina induzida por TNF-α (Petersen & Pedersen, 2005).
Tabela 1. Média dos valores da distância da junção cemento-esmalte a crista óssea alveolar dos ratos dos grupos estabelecidos. Os valores representam média + desvio padrão e estão expressos em pixels


Grupos

Médias

Grupo (SS): saudável e sedentário.

47,8 ± 1,2 A

Grupo (ST): saudável e treinado

48,7 ± 1,2 A

Grupo (DPS): com doença periodontal e sedentário

84,5 ± 1,2 C

Grupo (DPT): com doença periodontal e treinado

61,7 ± 2,2 B

Letras diferentes, (p<0,05) dados diferentes estatisticamente dentro de um

mesmo grupo.


Conclusões

Considerando as determinadas condições experimentais, podemos observar que houve uma relação entre a doença periodontal e o exercício físico em meio aquático sendo que este promoveu uma diminuição da reabsorção óssea quando associado a inflamação promovida pela periodontite.


Agradecimentos

Agradecemos à Unioeste e ao CNPq pelo apoio na realização deste trabalho.


Referências

Albandar, J. M. Global risk factors and risk indicators for periodontal diseases (2002). Periodontology 2000 29,177-206.

Artifon, E. L., Silvia, L. I., Ribeiro, L. F. C., Brancalhão, R. M. C., & Bertolini, G. R. F. (2013). Aerobic training previous to nerve compression: morphometry analysis of muscle in rats. Rev Bras Med Esporte 19, 66-69.

Bascones-Martinez, A. Matesanz-Perez, P., Escribano-Bermejo, M., González-Moles, M.Á., Bascones-Ilundain, J., Meurman, J.H. (2011). Periodontal disease and diabetes – Review of the literature. Med. Oral Patol. Cir. Bucal, 16, e.722-9.


Carranza, F. A.; Newman, M. (2007). Periodontia Clínica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.
Nassar, C. A., Ynagaki, N. S.; Nassar, P. O. ; Girelli Junior, C. Efeito de antiinflamatório no desenvolvimento da doença periodontal induzida. Avaliação radiográfica em ratos (2003). Revista de Odontologia da UNESP, 32, 125-130.
Nassar, P.O., Nassar, C. A., Guimarães, M. R., Aquino, S. G., Andia, D. C., Muscara, M. N., Spolidorio, L. C. (2009). Simvastatin therapy in cyclosporine A-induced alveolar bone loss in rats. J. Periodontal Res, 44, 479-488.

Petersen, A. M.; Pedersen, B. K. The anti-inflammatory effect of exercise (2005). J. Appl. Physiol, 98, 1154-62.


Pradhan, A. D. Manson, J. E., Rifai, N., Buring, J. E, & Ridker, P. M. (2001). C-reactive protein, interleukin 6, and risk of developing type 2 diabetes mellitus. J. Am. Med. Assoc. 286, 327–334.



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