Avaliação in vitro da microinfiltração marginal de restaurações classe V com pré-tratamento com clorexidina



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Avaliação in vitro da microinfiltração marginal de restaurações classe V com pré-tratamento com clorexidina
Brenda Matsunaga Laurindo (PIBIC/CNPq/Unioeste), Thayná Carolina Zeni, Márcio José Mendonça, Veridiana Camilotti (Orientadora), e-mail: brenda.matsunaga@hotmail.com
Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Ciências Biológicas e da Saúde/Cascavel/ Curso Odontologia/Cascavel, PR.
Área/subárea: Ciências da Saúde/Odontologia.
Palavras-chave: Resina composta, Solução antimicrobiana, Cavidades cervicais
Resumo
Este trabalho teve como objetivo avaliar in vitro a microinfiltração marginal de restaurações classe V com pré-tratamento com clorexidina (CHX) 2%. Para tanto, foram preparadas quarenta cavidades classe V em incisivos bovinos hígidos com e sem o uso da CHX, divididos em quatro grupos: Grupo 1 - aplicação de CHX 2% e restauração com resina composta (RC) Bulk tipo flow e armazenagem durante 7 dias em água destilada; Grupo 2 - aplicação de CHX 2% e restauração com a resina composta bulk flow seguido do envelhecimento com solução etanol/água por 60 dias; Grupo 3 - aplicação de CHX 2%, cimento de ionômero de vidro (CIV) modificado por resina sistema e armazenagem durante 7 dias em água destilada; Grupo 4 - aplicação de CHX 2%, CIV modificado por resina sistema e envelhecimento em solução etanol/água por 60 dias. Após o procedimento restaurador determinado para cada grupo os dentes foram selados e imersos em solução tampão de fucsina básica a 0,5% por 24 horas. Posteriormente, serão seccionados no sentido longitudinal e analisados quanto ao grau de micro infiltração marginal. Os dados obtidos foram submetidos à análise estatística. Observou-se ausência de microinfiltração marginal para todos os grupos avaliados.
Introdução
A procura por restaurações altamente estéticas estimulou pesquisadores e fabricantes a desenvolverem materiais que conferem uma enorme variabilidade de cores e graus de translucidez às restaurações (Perdigão et al., 1994; Baratieri, 2013). Para se conseguir plenitude estética nas restaurações diretas é fundamental o conhecimento minucioso das características dos materiais e dos passos clínicos envolvidos no procedimento restaurador (Souza et al., 2001; Baratieri, 2013).

A união do compósito com a estrutura dentária realizada por meio dos sistemas adesivos cada vez mais eficientes, menos sensíveis e mais simples de serem utilizados, também colaboraram com a ampla utilização das técnicas restauradoras adesivas diretas. Existem vantagens e desvantagens relacionadas tanto ao compósito como aos sistemas adesivos, e o sucesso clínico depende de todo o conjunto envolvido. (Mondelli, 1998; Souza et al., 2001).

Durante o condicionamento com ácido fosfórico na dentina a função principal do ácido é a remoção de uma camada de microfragmentos orgânicos e inorgânicos denominada lama dentinária ou smear layer. Concomitantemente com a remoção desta lama dentinária, ocorre uma dissolução mineral superficial e exposição das fibras colágenas, que se mantidas em uma configuração favorável permitem a penetração adequada do adesivo. Esta camada onde há a interação do adesivo com a estrutura dentinária é denominada camada híbrida. (Baratieri, 2013).

Além da camada híbrida ser susceptível à degradação hidrolítica devido à natureza úmida da dentina, existem fibras colágenas desprotegidas por causa da incompleta penetração dos monômeros resinosos neste tecido dental. Estas fibras desprotegidas são alvos das enzimas metaloproteínases (MMPs) e cisteínascatepsinas, que atuam degradando a interface de união entre o material restaurador e o substrato dental. (Lee & Eakle, 1996; Araújo et al., 2015).

Recentes estudos têm demonstrado a utilização da clorexidina aplicada como um primer, após o condicionamento ácido sobre a dentina desmineralizada, como procedimento capaz de inibir a ação das metaloproteínases e cisteínascatepsinas. As concentrações da clorexidina tidas como efetivas variam de estudo para estudo. Contudo sua utilização preserva a integridade da camada híbrida, favorecendo a longevidade da união adesiva. (Araújo et al., 2015). Assim, o objetivo deste estudo será avaliar in vitro a microinfiltração marginal de restaurações classe V com pré-tratamento com clorexidina.
Material e Métodos

Foram selecionados 20 incisivos bovinos recém-extraídos e hígidos. Nas faces vestibular e lingual dos dentes selecionados foram confeccionadas cavidades classe V em alta rotação, sob refrigeração abundante, com auxílio de uma ponta diamantada 2294 (KG Sorensen) com 4 mm de extensão e 2 mm de profundidade, no limite cemento-esmalte. A ponta diamantada foi trocada a cada 5 preparos. Os grupos (n=10), materiais restauradores utilizados estão especificados na tabela 1.



Tabela 1- Grupos e materiais utilizados

Grupo

Material

Instruções de uso

Fabricante

G1

Clorexidina + Resina composta Bulk FillFlow cor A3

Inicia-se com condicionamento ácido da cavidade por 15 seg em dentina e 30 seg em esmalte. Lava-se a cavidade abundantemente com água destilada por 1 min, Em seguida, seca-se a cavidade com o uso de papel absorvente e aplica-se o sistema adesivo conforme indicação do fabricante, posteriormente se insere a Resina composta Bulk FillFlow em incremento único e fotopolimeriza por 40 seg. Finalizando com o acabamento e polimento das restaurações.

3 M ESPE

G2

Clorexidina + Resina composta Bulk FillFlow cor A3 + envelhecimento em solução etanol/água

3 M ESPE

G3

Clorexidina + Cimento de ionômero de vidro Ketac nano A3+ resina composta Bulk FillFlow cor A3

Inicia-se com a aplicação do sistema primer com o uso de um pincel por 30 seg,após aplicação secar utiilizando um jat de ar por 15 seg, seguido da fotopolimerizaçao por 20 seg, posteriormente se manipula o sistema pó/liquido (idealmente na proporção 2,5/1 por 45 seg) e insere em incremento único e fotopolimeriza por 40 seg. Após essa etapa aplica-se o finishing Gloss com o uso de um pincel e fotopolimeriza por 20seg.

3 M ESPE

G4

Clorexidina + Cimento de ionômero de vidro Ketac nano A3+ resina composta Bulk FillFlow cor A3+ termociclagem

3 M ESPE

Para realização do teste de microinfiltração os ápices das raízes dentais foram selados com cera pegajosa. Os dentes foram impermeabilizados com duas camadas de esmalte de unha azul Royal (Colorama) não envolvendo 1 mm aquém da margem da restauração. Em seguida, os dentes serão imersos em solução tampão de fucsina básica a 0,5% por período de 24 horas. Em seguida, os dentes foram lavados em água corrente por 20 minutos para remoção do excesso de corante e deixados secar por 24 horas em temperatura ambiente. Após a remoção do corante, os dentes foram seccionados paralelamente aos seus longos eixos com disco diamantado em baixa rotação sob refrigeração abundante, obtendo-se dois cortes da restauração. O corte com maior grau de infiltração de cada restauração foi selecionado e em seguida, foram avaliadas por um examinador calibrado com auxílio de lupa estereoscópica com magnitude de 20 vezes e esta descritos na tabela 2.

Tabela 2- Escores de microinfiltração para análise das amostras

Escores

Penetração do corante na margem da restauração em dentina

0

Nenhuma penetração do corante

1

Penetração do corante até 1/3 da distância entre a margem da cavidade e a parede axial

2

Penetração do corante até 1/2 da distância entre a margem da cavidade e a parede axial

3

Penetração do corante até a parede axial

4

Penetração do corante além da parede axial


Resultados e Discussão
Tabela 3- Resultados do teste de microinfiltração marginal p=0,00

Grupo

Escores




24h

90 dias

1(CHX+RC)

0

0

2(CHX+RC +TER)

0

0

3(CHX+SAND)

0

0

4(CHX+SAND+TER)

0

0

Os resultados do presente estudo revelaram não haver diferenças estatisticamente significativas entre os grupos. Esse achado pode ser devido à alta habilidade de adaptação da resina composta e cimento de ionômero de vidro utilizado, bem como a ação da clorexidina na interface adesiva. Com novos conhecimentos e abordagens restauradoras que combinam adesão química e materiais restauradores de propriedades elásticas apropriadas esperasse promessas de sucesso em longo prazo (Lee & Eakle,1996).

Outro fator importante observado foi que o envelhecimento das restaurações em solução etanol/água também não prejudicou a qualidade do selamento para todos os grupos avaliados. Resultados diferentes foram encontrados por Scotti et al. (2014), que verificaram a infiltração do corante nas restaurações de resina composta após o armazenamento em saliva artificial por 12 meses, estes autores relatam que a falta do uso da clorexidina que inibe a ação das enzimas metaloproteinases pode ter contribuido para a infiltração em longo prazo.

Resultados que corroboram com o presente estudo foram encontrados por Araújo et al. (2015) que não há qualquer diferença significativa de infitraçao entre os valores iniciais e dois anos para todos os critérios quando adesivos com e sem a adição de CHX foram comparados. A clorexidina (CHX) é o anti-séptico bucal amplamente utilizado, com uma baixa toxicidade e um largo espectro de atividade antibacteriana. A CHX pode reduzir ou eliminar a sensibilidade pós-operatória pela sua efetividade antimicrobiana e ainda é um inibidor de MMPs se aplicado como um primer, sobre a dentina desmineralizada, é capaz de preservar a integridade da camada híbrida tanto in vitro quanto in vivo. Portanto protocolos simplificados com baixa concentração CHX e baixo tempo de aplicação se mostraram eficazes para inativar as MMPs (Araujo et al., 2015; Francisconi-dos-Rios et al., 2015; Strobel & Hellwig, 2015). A qualidade do selamento marginal é de extrema importância para integridade clínica das restaurações, pois impede a penetração de infiltrado bacteriano, manchamento marginal, sensibilidade pós operatória entre outros (Lie & Hickel, 2011).


Conclusões
Resina composta bulk, cimento de ionômero de vidro e a clorexidina foram efetivos para a manutenção da qualidade do selamento marginal em restaurações envelhecidas por solução de etanol/água. Como se trata de um estudo in vitro mais estudos devem ser realizados para comprovar a aplicabilidade clínica.
Agradecimentos
Ao CNPq e a UNIOESTE pelo auxílio financeiro na realização deste estudo.
Referências
Araújo, M.S.R.G., Souza, L.C., Apolonio, F.M., Barros, L.O., Reis, A., Loguercio, A.D. & Sabóia, V.P.A. (2015). Two-year clinical evaluation of chlorhexidine incorporationa in two-step self-etch adhesive. Journal of Dentistry 43, 140-148.
Baratieri, L.N. (2013). Odontologia Restauradora - fundamentos & técnicas. São Paulo: Santos.
Francisconi-dos-Rios, L.F., Casas-Apayco, L.C., Calabria, M. P., Francisconi, P. A., Borges, A. F. & Wang, L. (2015). Role of chlorhexidine in bond strength to artificially eroded dentin over time. The Journal of Adhesive Dentistry 17, 133-139.
Lee, W.C. & Eakle, W.S. (1996). Stress-induced cervical lesions: review of advances in the pas 10 years. The Journal of Prosthetic Dentistry 75, 487-94.
Lie, N. & Hickel, R. (2011). Investigations on a methacrylate basedflowable composite based on the SDR™ technology. Dental Materials Journal 27, 348 355.
Mondelli, J. (1998). Proteção do complexo dentino-pulpar. São Paulo: Artes Médicas.
Perdigao, J., Denehy, G.E. & Switt, E.J.Jr. (1994). Silica contamination of etched dentin and enamel surfaces: a scanning electron microscopic and bond strength study. Quintessence Internatinal Journal 25, 327-333.
Scotti, N., Comba, A., Gambino, A., Paolino, D.S., Alovisi, M., Pasqualini, D. & Berutti, E (2014). Microleakage at enamel and dentin margins with a bulk fills flowable resin. European Journal Dentistry 8, 1-8.
Souza, Jr. M.H., Carvalho, R.M. de, Mondelli, R.F.L., Franco, E.B. & Pinheiro, R.F. (2001). Odontologia Estética - Fundamentos e aplicações clínicas: restaurações indiretas sem metal: resinas compostas e cerâmica. São Paulo: Santos.
Strobel, S. & Hellwig, E. (2015). The effects of matrix-metallo-proteinases and chlorhexidine on the adhesive bond. Swiss Dental Journal 125, 134-45.



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