Avaliação físico-química, organoléptica e microbiológica de nutricosmético produzido com Lactobacillus acidophilus



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Avaliação físico-química, organoléptica e microbiológica de nutricosmético produzido com Lactobacillus acidophilus
Quinnye Kelly Anderson(PIBIC/Fundação Araucária/Unioeste), Suzana Bender, Luciana O de Fariña(Orientador), e-mail: quinnyek@hotmail.com
Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Ciências Biológicas e da Saúde/Cascavel-PR
Grande área e área: Ciências da Saúde - Farmácia
Palavras-chave: Lactobacilos, nutricosmético, produto funcional.
Resumo
Este trabalho visa realizar um estudo físico-químico, microbiológico e de atividade antioxidante de um nutricosmético produzido com adição de Lactobacillus acidophillus, desenvolvido no Laboratório de Alimentos do Curso de Farmácia, avaliando sua estabilidade durante noventa dias. Assim se conhecerá se o produto desenvolvido mantém suas propriedades originais, obtendo informações sobre cada formulação desenvolvida, de modo a definir seu período máximo de armazenamento, permitindo sua produção e utilização pelo mercado consumidor.
Introdução
Os probióticos são definidos de acordo com a Organização Mundial da Saúde (2002), como microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas conferem benefício à saúde do hospedeiro.

Schrezenmeir et al. (2001), propuseram que o termo probiótico deveria ser usado para designar preparações ou produtos que contêm microrganismos viáveis definidos e em quantidade adequada, que alteram a microbiota própria das mucosas por implantação ou colonização de um sistema do hospedeiro, e que produzem efeitos benéficos em sua saúde.

A pele também possui uma microbiota normal (Tannock, 1999), embora menos complexa do que a microbiota intestinal. Esta microbiota normal da pele está envolvida na exclusão competitiva de organismos patogênicos uma função que poderia ser melhorada com a utilização de probióticos.

Estudos clínicos publicados desde o ano de 1999 e patentes inovadoras registradas, sugerem que numerosas estirpes de probiótico apresentam grande potencial além do bem estar intestinal, incluindo a saúde dérmica, representando uma área emergente para os probióticos na dermatologia.

Como a pele é um ambiente muito diferente do intestino, alguns dos critérios de seleção de diferentes probióticos neste ambiente não são relevantes. No entanto a adesão do probiótico e inibição da adesão do patógeno à queratina da pele, principal proteína, é importante para melhorar a colonização transitória do probiótico e evitar a colonização por agentes patogênicos.

O uso tópico potencial de cepas probióticas capazes de produzir potentes toxinas antimicrobianas (por exemplo, bacteriocinas, ácidos orgânicos, e H2O2) tem recebido atenção cada vez maior por conseguir impedir a adesão do patógeno e outros componentes indesejáveis ao organismo ​​(Oh et al 2006; Gillor et al 2008).

Nesse contexto, busca-se avaliar a capacidade de incorporação e a estabilidade físico química e microbiológica de uma base dermatológica inscrita no Formulário Nacional da Farmacopeia Brasileira frente à incorporação de diferentes concentrações (0,5; 1,0; 1,5 e 2,0 % ) de Lactobacillus acidophilus liofilizado, através de ensaios que aumentam a velocidade de degradação química e modificações físicas da forma farmacêutica, usando condições forçadas de armazenamento, com o propósito de monitorar as reações de degradação, tempo de vida útil e compatibilidade da formulação com o material de acondicionamento (Brasil, 2004).

Materiais e Métodos
O nutricosmético foi preparado no Laboratório de Alimentos do Curso de Farmácia e envasado de forma a não completar o volume total da embalagem permitindo um espaço vazio. O mesmo foi amostrado de acordo com os tratamentos elaborados (0,5%, 1% e 1,5% de adição de Lactobacillus acidophilus e um padrão sem adição de Lactobacillus acidophilus) onde duas amostras de cada tratamento foram avaliadas.

As amostras foram submetidas à testes de estabilidade acelerada onde foram utilizadas condições de temperatura ambiente controlada (20-25ºC); geladeira (3-8ºC), estufa (40 ± 2ºC) e exposição à radiação luminosa (tendo como fonte a luz solar) avaliando as características organolépticas (aspecto, cor e odor), físico químicas (pH, viscosidade e teste de centrífuga) e microbiológicas. Essas amostras foram analisadas no tempo zero, 24 horas e aos 7º,15º, 30º, 60º e 90º dias após a produção das formulações, conforme os procedimentos descritos no Guia de Estabilidade de Produtos Cosméticos (2004). Ao final os resultados obtidos foram comparados à amostra padrão preparada sem adição de Lactobacillus acidophilus e mantida em temperatura ambiente.

Para avaliação da contagem de Lactobacillus acidophillus nas amostras submetidas às análises microbiológicas, foram realizadas diluições seriadas do nutricosméticos utilizando salina tamponada fosfatada. A contagem de UFC/mL foi realizada pela técnica de semeadura em profundidade em ágar MRS e incubadas a 37°C/48 h em anaerobiose.

Resultados e Discussão

Na análise de pH o padrão manteve-se com o pH de 5,35 durante todo o período da análise e averiguou-se a variação do pH nas formulações, podendo esta ser um interferente para modificar as características físico-químicas da preparação veiculada, influenciando atributos como sua estabilidade.

Observou-se que para todas as temperaturas de armazenamento, houve uma diminuição do pH ao se acrescentar diferentes concentrações de Lactobacillus acidophilus. A diferença maior foi observada no último dia de análise no produto exposto à radiação solar, onde o pH variou de 5,20 a 3,98, variação superior aos 10% aprovados na legislação. Essa alteração de pH, segundo ANVISA (2004), pode estar relacionado com a incompatibilidade química, e a estabilidade dos ingredientes da formulação, eficácia e segurança do produto.

Quando armazenado em geladeira, o produto não sofreu alteração de pH. Já na temperatura ambiente controlada a variação foi muito pequena, passando de 5,20 a 5,17 na maior concentração.

Na estufa, houve uma diminuição do pH da formulação, mais evidenciado na maior concentração de Lactobacillus acidophilus, onde o valor encontrado no último dia de análise ultrapassa os 10% permitidos de variação pela legislação. Tal fato pode sugerir um certo crescimento do microorganismo com acidificação do meio, porém menor que 30 UFC/mL já que não houve crescimento quando semeado nas placas, em nenhuma das diluições. Vale ressaltar que o resultado obtido está de acordo com a Farmacopéia Brasileira 5ª Edição de 2011, já que produtos cosméticos devem ser isentos de micro-organismos e adicionados de conservantes que sejam capazes de protegê-los. Neste caso, o conservante mostrou-se eficaz.

No parâmetro viscosidade, esse não pode ser determinado utilizando o equipamento estabelecido na metodologia por problemas técnicos. Entretanto ao agitar o creme com a espátula, observou-se que apenas os armazenados em temperatura ambiente e geladeira não sofreram alterações. Aquelas amostras mantidas em estufa e expostos à radiação solar apresentaram uma maior consistência, o que pode ter ocorrido pela evaporação da água do produto causada pelas temperaturas mais altas.

As amostras submetidas ao teste da centrífuga antes do início das análises não apresentaram separação de fase ou precipitação, comprovando assim que não existe incompatibilidades entre os componentes da formulação.

Os cremes que foram armazenados na estufa mudaram de aspecto, quando comparados ao padrão (creme brilhante), estes se apresentaram turvos após 30 dias de armazenamento. A cor mudou do branco para o amarelado após 90 dias de análise e o odor se manteve característico por todo o período

Os cremes expostos à radiação solar apresentaram as maiores alterações em seu aspecto, mudando de brilhante para totalmente turvo. A cor mudou para amarelo intenso após 90 dias e o odor manteve-se característico também por todo o período. Isso demonstra que os potes utilizados para armazenamento do creme, não foram suficientes para protegê-lo da radiação luminosa.

Aqueles cremes mantidos em geladeira e temperatura ambiente não alteraram seu aspecto, cor ou odor, mantendo-se branco, brilhante e com odor característico por todo tempo da análise, semelhante ao padrão.


Conclusões
Concluiu-se que o nutricosmético manipulado com Lactobacillus acidophilus mantém suas características inalteradas na geladeira e temperatura ambiente por noventa dias. E que o Lactobacillus acidophilus está inviável demonstrando a eficácia do sistema conservante no produto.

Dessa forma, espera-se que quando aplicado à pele, mesmo na forma liofilizada, possa desenvolver-se utilizando os nutrientes presentes na própria epiderme, como os fatores de hidratação natural, podendo exercer seus efeitos positivos. Já na preparação cosmética ele realmente não deveria crescer pois isso implicaria em uma acidificação do creme alterando sua estabilidade.


Agradecimentos
Gostaria de agradecer a Fundação Araucária pela bolsa cedida.
Referências
Brasil, Anvisa (2004). Guia de Estabilidade de Produtos Cosméticos. 1. ed. Brasília.
Brasil, Anvisa (2003). Gerência Geral de Cosméticos. Guia para Avaliação de Segurança de Produtos Cosméticos. Brasília.
Brasil, Anvisa (2004). Gerência Geral de Cosméticos. Guia de Estabilidade de Produtos Cosméticos. Brasília.
Oh, S., Kim, S. H., Ko, Y., Sim, J. H., Kim, K. S., Lee, S. H., Park, S., Kim, Y. J. (2006). Effect of bacteriocin produced by Lactococcus sp. HY 449 on skin-inflammatory bacteria. Food Chem Toxicol, 44, 552–559.
Schrezenmeir, J.; De Vrese, M. (2001). Probiotics, prebiotics and symbiotics-approaching a definition. American Journal of Clinical Nutrition, Bethesda, 73, 361-364.
Tannock, G. W. et al (1999). Identification of Lactobacillus isolates from the gastrointestinal tract, silage, and yoghurt by 16S-23S rRNA gene intergenic spacer region sequence comparisons. Appliedand Environmental Microbiology, Washington, 65, 4264 – 4267.





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