Avaliação dos fatores que influenciam o estresse ocupacional nos profissionais de enfermagem no setor de urgência e emergência em hospital público e nosocômio privado



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Avaliação dos fatores que influenciam o estresse ocupacional nos profissionais de enfermagem no setor de urgência e emergência em hospital público e hospital privado.

Assessment of factors that influence the occupational stress in nursing professionals in the fields of urgency and emergency hospital in public and private nosocômio

Emília Gilio da Silva Neta – emilia.mila@hotmail.com. br

Roberta Wevelin de Oliveira Feitosa – robertafeitosa_1@hotmail.com. br

Viviane Cristina Bastos Armede – vivane.armede@terra.com.br




RESUMO
O presente estudo tem como objetivo avaliar os fatores que influenciam o estresse ocupacional nos profissionais de enfermagem no setor de urgência e emergência, em hospital público no município de Promissão e nosocômio privado na cidade de Lins, estado de São Paulo. A pesquisa foi realizada com 18 profissionais de enfermagem de todas as categorias. A coleta de dados se deu utilizando questionários adaptados que foram entregues aos colaboradores, através dos quais ficou evidenciado que são vários os fatores desencadeantes do estresse ocupacional, no entanto, considerando as respostas obtidas e após analises dos questionários, conclui-se que um único fator não é o suficiente para o desenvolvimento do estresse ocupacional, mas sim um conjunto de situações, agentes e particularidades.
Palavras-chave: Estresse. Enfermagem. Urgência e Emergência.

ABSTRACT
This study aimed to evaluate the factors that influence occupational stress in nursing professionals in the field of emergency care in a public hospital in the town of Promised private and another hospital in the city of Lins (SP). The survey was conducted with 18 nursing professionals, including nurses, nursing assistants and nursing. Through adapted from questionnaires given to employees has been raised several triggering factors of occupational stress, however, considering the data collected and analyzed, the conclusion suggests that a single factor is not enough for the development of occupational stress, but a series of situations, and special agents.


Keywords: Stress. Nursing. Urgency and Emergency

INTRODUÇÃO
Vários fatores influenciam a ocorrência do estresse ocupacional na prática diária dos profissionais de enfermagem na unidade de urgência e emergência. Atualmente os colaboradores de enfermagem que exercem suas atividades no pronto atendimento, vivenciam inúmeras situações que exigem constante estado de alerta e prestam assistência adequada aos inúmeros pacientes atendidos neste setor, sem se descuidarem de sua da rotina no lar, onde há preocupação com família e finanças, ficando assim, vulneráveis ao estresse ocupacional.

A unidade de Urgência e Emergência pode ser definida como local onde são prestados os atendimentos imediatos e mediatos aos indivíduos que procuram os serviços ou mesmo os que são levados para que recebam o cuidado necessário. Os profissionais que ali atuam devem possuir agilidade, experiência, domínio e conhecimento na área e se identificarem com as práticas e funções que ali exercem, pois lidam constantemente com grande fluxo de pessoas que buscam atendimento de urgência e emergência, onde as técnicas realizadas são muitas vezes complexa e grande parte dos pacientes que chegam até o serviço em risco iminente de morte.

O pronto atendimento é considerado um setor desgastante, tanto pela carga laboral como pela especificidade das tarefas exercidas pelos profissionais de enfermagem. As condições insatisfatórias, relacionadas às extensas jornadas de trabalho, ausência de períodos de descanso, períodos fatigante, interferem direta ou indiretamente na saúde do trabalhador, tornando sua rotina diária muitas vezes fonte de sofrimento, exploração e doença. (PINHO; ARAUJO, 2007).

O estresse pode ser definido como uma reação do organismo através de componentes físicos e/ou psicológicos, causada pelas alterações psicofisiológicas que ocorrem quando o individuo é confrontado com uma situação que o irrite, amedronte, entristeça, excite ou confunda (MALAGRIS; FIORITO, 2001). Pode ser compreendido como uma relação particular entre uma pessoa, seu ambiente e as circunstâncias às quais está submetido, que é avaliada pela pessoa como uma ameaça ou algo que exige dela mais que suas próprias habilidades ou recursos e que põe em perigo seu bem-estar (BELANCIERI, 2005). Estresse significa experimentar situações que são percebidas como ameaçadoras ao nosso bem-estar físico ou psicológico. Estas situações geralmente são chamadas de estressores, e as reações a elas são denominadas respostas de estresse. (ATKINSON; et al, 2002).

O estresse pode ser causado por fontes internas ou externas. Quando a razão são determinantes internos, o individuo produz o estresse, já um exemplo de fator externo causador de estresse os problemas conjugais de um membro da equipe. (TEODORO; MENDONÇA; ALVES, 2007).

Na concepção de Magalhães e Castro (2008), denominam-se fatores externos eventos ou condições que afetam o organismo e independem das características ou comportamento da pessoa, ou seja, qualquer situação que ocorra fora do corpo ou mente do individuo e internos são causas que o próprio organismo é capaz de gerar.

As fontes externas de estresse associam eventos que não dependem diretamente do controle do individuo, causadas por agentes que independem do organismo do trabalhador, tais como: falta de interação com a equipe, conflitos com a chefia, problemas familiares, vários vínculos empregatícios, falta de materiais, elevado fluxo de pessoas no ambiente, falta de conhecimento técnico, enfim, a situação cotidiana de trabalho do individuo é considerada como um fator externo, que possivelmente desencadeiam o estresse ocupacional. (RONCATO, 2007)

O processo de estresse é dividido em três fases, a de alerta, resistência e exaustão. Na fase de alerta o individuo se depara com a fonte estressora e, nesse enfrentamento, se desequilibra internamente, apresentando sensações características, como sudorese excessiva, taquicardia, respiração ofegante e picos de hipertensão. A fase de resistência caracteriza-se pela tentativa de recuperação do organismo após o desequilíbrio sofrido na etapa anterior, ocorre um gasto de energia que pode ocasionar cansaço excessivo, problemas de memória e dúvidas em relação ao “seu eu”. Quando o equilíbrio não é readquirido por meio dessa mobilização, o processo pode evoluir para a fase de exaustão, ressurgem os sintomas ocorridos na fase inicial, no entanto com maior agravamento. Durante fase de exaustão ocorre um grande comprometimento físico que se manifesta em forma de doenças. (MALAGRIS; FIORITO, 2001). O corpo reage aos estressores iniciando uma completa seqüência de respostas. Quando a ameaça percebida se resolve rapidamente, as respostas de emergência diminuem, mas se a situação de estresse continua, ocorre um conjunto de respostas internas diferentes, enquanto tenta se adaptar. (ATKINSON; et al, 2002).

Estresse ocupacional é aquele causado pelas atividades desempenhadas no trabalho ou pelo ambiente em que os indivíduos estão inseridos, contudo o mesmo não pode ser desencadeado por um único fator, mas sim por um conjunto deles. As influencias do estresse ocupacional dependem da forma com que o trabalho está organizado e de como ele é feito pelo trabalhador, por isso pode gerar efeitos negativos, levando ao adoecimento.

Baseado nestas considerações o tema abordado em questão é o Estresse ocupacional, onde foi possível coletar os dados necessários á observação e analise.

O objetivo da pesquisa é avaliar os fatores que influenciam a ocorrência do estresse ocupacional na prática diária dos profissionais de enfermagem de uma unidade de urgência emergência, caracterizando os fatores associados a ele e identificar o fator que apresenta maior risco, por fim comparar a ocorrência de estresse nos profissionais da unidade de urgência e emergência de hospital público e nosocômio privado, utilizando método estudo de caso e observação sistemática.
2 PERCURSO METODOLÓGICO
Estudo de caso foi realizado no Hospital Público do município de Promissão no setor de Urgência e Emergência, com a equipe de enfermagem composta por 1 enfermeiro e 6 auxiliares e técnicos, totalizando 8 profissionais e Hospital Privado do município de Lins no setor do Pronto Socorro com equipa formada por 1 enfermeiro, 9 auxiliares e técnicos em enfermagem, totalizando 10 profissionais, nos meses de julho a agosto de 2010.

Os dados foram coletados através de questionários adaptados, entregues aos profissionais de cada unidade hospitalar pelas pesquisadoras, todos os participantes foram informados sobre o termo de consentimento livre e esclarecido, que foram assinados antes do início da pesquisa, depois de respondidos os questionários foram recolhidos e realizado processo de tabulação dos dados. Os profissionais do turno noturno do Hospital público se recusaram a responder o questionário.


3 RESULTADOS
A partir deste momento o nosocômio privado passa a ser denominado Hospital A e o público Hospital B respectivamente. Através dos dados coletados foram constados os seguintes resultados.
Tabela 1 – Características dos Profissionais estudos

(continua)



Idade

Hospital A

Hospital B

Até 25

3



26 a 30

2



31 a 35

1



36 a 45

4

5

46 a 55

 -

2










Tempo de serviço na enfermagem

Hospital A

Hospital B

1 a 5

5

-

6 a 10

4

2

11 a 15

1

5

Mais de 15

-

-










Tempo de serviço na unidade hospitalar

Hospital A

Hospital B

Menos 2 ano

3



2 a 5

4

1

6 a 10

2

1

11 a 15

1

2

Mais de 15 anos



3










Turno de Trabalho

Hospital A

Hospital B

Matutino

 

1

Diurno

5

6

Noturno

5

 -










Carga horária semanal de trabalho na unidade

Hospital A

Hospital B

Menos 20 h

6

1

20 h

4




40 h

-

5

Mais de 40 h

-

1










N° filhos

Hospital A

Hospital B

1

3

-

2

2

2

3

-

3










Faz uso de medicamentos

Hospital A

Hospital B

Sim

4

3

Não

6

4










Exerce outra atividade remunerada?

Hospital A

Hospital B

Enfermagem

6

5

Outros

3

2










Dorme bem à noite

Hospital A

Hospital B

Sim

7

5

Não

3

2










Faz uso de calmante

Hospital A

Hospital B

Sim

-

-

Não

10

7










Escolaridade

Hospital A

Hospital B

Completo

9

6

Incompleto

 -



Graduação

1

1

Fonte: Feitosa, Silva, 2010.
As tabelas abaixo referem-se ao questionário aplicado relacionado ao perfil dos profissionais de enfermagem que atuam no setor de urgência e emergência em relação ao estresse ocupacional.
Tabela 02: Visão do profissional a respeito do desenvolvimento de carreira na instituição.










Sim

Não

Total

Hospital

A

Count

9

1

10

% within Hospital

90,0%

10,0%

100,0%

B

Count

5

2

7

% within Hospital

71,4%

28,6%

100,0%

Total

Count

14

3

17

% within Hospital

82,4%

17,6%

100,0%

Fonte: Feitosa, Silva, 2010

Em ambos os hospitais nota-se que os trabalhadores acreditam que podem desenvolver suas carreiras dentro do ambiente em que trabalham. Em números absolutos 17,6% relatam não sentir sua carreira desenvolver dentro da instituição, porém este número elevado pode ser explicado devido n=17 baixo, ou seja, número de entrevistados é baixo.


Tabela 03: As minhas sugestões e recomendações não são levadas em consideração pelos meus superiores.











Sim

Não

Total

Hospital

A

Count

1

9

10

% within Hospital

10,0%

90,0%

100,0%

B

Count

3

4

7

% within Hospital

42,9%

57,1%

100,0%

Total

Count

4

13

17

% within Hospital

23,5%

76,5%

100,0%

Fonte: Feitosa, Silva, 2010
No primeiro grupo percebe-se positividade em relação as suas recomendações serem levadas a sério, já o segundo grupo não obteve a mesma resposta satisfatória, sendo que 42,9% disseram não ter suas recomendações em consideração. Totalizando 23,5% colaboradores insatisfeitos com a consideração de seus superiores.

Tabela 04: Observo que há falta de lealdade e cooperação entre os colegas de trabalho.













Sim

Não

Total

Hospital

A

Count

3

7

10

% within Hospital

30,0%

70,0%

100,0%

B

Count

6

1

7

% within Hospital

85,7%

14,3%

100,0%

Total

Count

9

8

17

% within Hospital

52,9%

47,1%

100,0%

Fonte: Feitosa, Silva, 2010
Observa-se que 30% dos colaboradores do Hospital A acreditam que seus colegas não são leais, já no Hospital B 85,7% da equipe vêem seus companheiros como desleais. Contudo percebe-se através do total de 52,9% (sim), que a interação e lealdade entre os mesmo estão insatisfatórias.
Tabela 05: Sinto que a ética profissional é ignorada por muitos colegas da instituição.











Sim

Não

Total

Hospital

A

Count

5

5

10

% within Hospital

50,0%

50,0%

100,0%

B

Count

7

0

7

% within Hospital

100,0%

, 0%

100,0%

Total

Count

12

5

17

% within Hospital

70,6%

29,4%

100,0%

Fonte: Feitosa, Silva, 2010
O resultado da equipe que trabalha no Hospital A ficou dividido, perfazendo 50% das respostas obtidas como afirmativas e outros 50% como negativas em 50% sim e 50% não, em relação ao Hospital B 100% dos colaboradores acreditam que seus colegas ignoram a ética profissional.
Tabela 6: Observo que há “panelas” ou “grupinhos” de colegas que dominam o ambiente de trabalho.











Sim

Não

Total

Hospital

A

Count

2

8

10

% within Hospital

20,0%

80,0%

100,0%

B

Count

5

2

7

% within Hospital

71,4%

28,6%

100,0%

Total

Count

7

10

17

% within Hospital

41,2%

58,8%

100,0%

Fonte: Feitosa, Silva, 2010
Observa-se que no Hospital B 71,4% dos profissionais vêem formação de “grupinhos” dentro da instituição, em relação ao Hospital A apenas 20% da equipe acredita que existam “panelinhas”.
Tabela 7: Minhas atividades profissionais ficam prejudicadas pelo excessivo número de pacientes.











Sim

Não

Total

Hospital

A

Count

3

7

10

% within Hospital

30,0%

70,0%

100,0%

B

Count

4

3

7

% within Hospital

57,1%

42,9%

100,0%

Total

Count

7

10

17

% within Hospital

41,2%

58,8%

100,0%

Fonte: Feitosa, Silva, 2010
Comparando os dados coletados, o excessivo número de pacientes na instituição pública tem prejudicado as atividades dos colaboradores da equipe de enfermagem, como certifica-nos os 57,1% obtidos nas respostas. E os 70% das respostas ‘não’ da instituição privada, mostra-nos que o excesso de pacientes não prejudica as atividades por eles exercidas.
Tabela 8: Sinto-me tenso em prestar assistência ao paciente.











Sim

Não

Total

Hospital

A

Count

1

9

10

% within Hospital

10,0%

90,0%

100,0%

B

Count

5

2

7

% within Hospital

71,4%

28,6%

100,0%

Total

Count

6

11

17

% within Hospital

35,3%

64,7%

100,0%

Fonte: Feitosa, Silva, 2010


Observa-se 71,4% equipe de colaboradores da instituição pública se sentem tensos ao prestar assistência ao paciente. Na instituição privada não se observa essa tensão, pois 90% afirmaram ‘não’ se sentirem tenso na prestação de assistência ao paciente.
Tabela 9: Meu salário atual não é adequado para cobrir minhas necessidades pessoais e familiares.










Sim

Não

Total

Hospital

A

Count

1

9

10

% within Hospital

10,0%

90,0%

100,0%

B

Count

6

1

7

% within Hospital

85,7%

14,3%

100,0%

Total

Count

7

10

17

% within Hospital

41,2%

58,8%

100,0%

Fonte: Feitosa, Silva, 2010
De acordo com os dados coletados, a equipe do Hospital A se apresenta satisfeita com suas remunerações, já os colaboradores do Hospital B acreditam que seu salário é insuficiente para cobrir os gastos com pessoais e familiares.
Tabela 10: Minha situação econômica atual não me permite realizar projetos de lazer para meus períodos de folga.











Sim

Não

Total

Hospital

A

Count

3

7

10

% within Hospital

30,0%

70,0%

100,0%

B

Count

6

1

7

% within Hospital

85,7%

14,3%

100,0%

Total

Count

9

8

17

% within Hospital

52,9%

47,1%

100,0%

Fonte: Feitosa, Silva, 2010
A situação econômica dos trabalhadores do Hospital B permite realizarem projetos de lazer em seus períodos de folga, como mostra-nos 85,7% das respostas afirmativas, quanto à instituição A os profissionais acreditam não ter situação econômica para programar e realizar projetos de lazer em suas folgas.
4 DISCUSSÃO
O estresse ocupacional vem sendo motivo de muitos estudos, principalmente na área hospitalar, aonde os profissionais tem uma rotina diária que exige muita habilidade no desempenho de suas funções, pois o objetivo de seu trabalho é evitar seqüelas e salvar vidas.

O trabalho é uma das fontes de satisfação humana, como auto-realização, manutenção de relações interpessoais e sobrevivência, por outro lado pode ser fonte de adoecimento quando existem fatores de risco para a saúde e o trabalhador não dispõe de suporte físico e mental suficiente para se proteger dos perigos a que são expostos.

Os profissionais de enfermagem atuam sobre constante estresse, pois as suas atividades envolvem carga de trabalho, tanto física como mental, exige decisões rápidas e precisas em relação ao planejamento e execução de procedimentos que podem resultar em melhora ou piorar o estado clinico do paciente. (MESCOLOTI apud REIS et.al, 2002).

Estresse ocupacional é a relação entre o individuo e o seu ambiente, em que as exigências destes ultrapassam as habilidades do trabalhador para enfrentá-las, o que pode acarretar desgaste excessivo do organismo, interferindo na produtividade deste profissional.

O setor de urgência e emergência é um importante componente na assistência a saúde, pois houve um crescimento dos atendimentos ali realizados, graças ao aumento no número de sinistros, a violência urbana, elevação dos casos que necessitam de atendimento emergencial e a incapacidade de alguns serviços de saúde em atender a população em situações críticas, o que transforma este setor em uma das áreas mais problemáticas dentro de um hospital, fazendo com que os profissionais de enfermagem desenvolvam fatores que influenciam na ocorrência do estresse ocupacional. (DALRI, 2007).

Segundo análise dos dados coletados através dos questionários aplicados nos respectivos hospitais de ordem privado e público, constatou-se que não há um fator único que desencadeia o estresse ocupacional, mas sim conjunto de insatisfações, tensões e ansiedades, independentemente da instituição ser de ordem pública ou privada, pois ambos lidam cotidianamente com os possíveis geradores de estresse.

Mediante a observação das autoras pode-se constatar que os trabalhadores da instituição pública sentem-se mais livres para desenvolver suas atividades do que os profissionais que desempenham seu papel no hospital privado, pois os trabalhadores que acreditam poder desenvolver suas atividades livremente na instituição particular correspondem a 50% dos entrevistados, neste local os funcionários sentem reconhecidos pelos trabalhos desenvolvidos na empresa, já 57,1% dos trabalhadores do hospital público acreditam não terem reconhecimento de seus méritos. No Hospital A 30% das respostas foram que há falta de lealdade e cooperação entre os colegas, no entanto na segunda instituição a porcentagem de resposta afirmativa foi de 85,7%. Contudo se percebem através do total de 52,9% das respostas obtidas em ambos os hospitais que a interação e lealdade entre os colaboradores são insatisfatórias.

O trabalho constitui fonte de prazer, bem estar e saúde quando existem condições que favorecem à livre utilização das habilidades e o seu controle pelos trabalhadores, e por outro lado pode ser fonte de sofrimento psíquico quando desprovido de sentido, sem suporte social, não reconhecimento ou até mesmo em situações que se constitui em fonte de ameaça à integridade física ou psíquica. (LUNARDI apud , 2007).

Segundo Dalri (2007), o mundo do trabalho vem se desenvolvendo muito rápido, fazendo com que o trabalhador se insira em um contexto onde as condições de insegurança no emprego e a segmentação do mercado de trabalho é crescentes, o que provoca reestruturação da produção, enxugamento de quadro de funcionários e incorporação tecnológica, sendo que essas situações repercutem na saúde mental dos trabalhadores.

No entanto, para os profissionais pesquisados existem aparente similaridades nas respostas, onde as equipes de ambos os hospitais afirmam que as responsabilidades são definidas suficientemente, perfazendo um total de cerca de 70% dos entrevistados. Os profissionais acreditam que as instituições têm interesse em propiciar as condições adequadas para o desenvolvimento das atividades laborais, na primeira a porcentagem foi de 90,0% e a segunda 100,0%%. Pode-se constatar que um pequeno grupo de pessoas das duas instituições afirmou que os principais problemas que enfrentam giram em torno no trabalho aproximadamente 20% dos trabalhadores, contradizendo a afirmativa da autora acima citada.

O trabalho dos profissionais de enfermagem, de modo geral, é desenvolvido em ambiente com situações geradoras de tensão, podendo somar com a convivência do sofrimento do outro, com angústia dos doentes e de seus familiares, com a morte que muitas vezes, origina sentimentos de frustração e de fracasso da assistência. (DALRI, 2007)

Os funcionários do Hospital B não sentem tensão e ansiedade ao lidar com o sofrimento e morte no ambiente de trabalho, no Hospital A 20,0% afirmaram sentirem-se tensos e ansiosos no processo de enfrentamento da morte.



5 CONCLUSÃO

O setor de urgência e emergência desenvolve papel importante na vida de muitas pessoas, pois é a porta de entrada para qualquer outra especialidade hospitalar, tendo a função de atender indivíduos que necessitam de cuidados imediatos.

De acordo com os resultados obtidos através da análise dos dados foi observado que não há um fator especifico desencadeante do estresse ocupacional, mais sim vários, sendo um interligado ao outro, principalmente fatores externos. Acreditamos que as influencias podem ser amenizadas com prevenção do estresse, através de palestras sobre o assunto e ginástica laboral, que pode ser realizada no ambiente de trabalho, onde todo funcionário tem acesso aos exercícios que buscam reduzir os fatores que podem provocar o estresse, sem tirá-lo da rotina diária. O desenvolvimento de atividades que melhorem a qualidade de vida e as condições de saúde e segurança do trabalhador torna o profissional mais ativo, responsável e a assistência ao cliente de maneira integral e humanizada.

É importante também que os trabalhadores de enfermagem não se acomodem frente às situações ocorridas no trabalho e ajudem suas chefias a buscar e desenvolver mecanismos que auxiliem na melhora das condições no de trabalho no setor, sendo necessário mostrar aos profissionais a enfermagem deve ser um trabalho digno e saudável.

A realização desta pesquisa pôde mostrar que o estresse ocupacional é multifatorial e um tema de suma importância no desenvolvimento das atividades diárias, visto que se trata de doença que desencadeia outras patologias e prejudica imensamente o atendimento ao próximo. Ficou evidenciado o quanto é importante atentar-se para saúde dos clientes internos da empresa, buscando um ambiente mais amistoso para toda equipe.

Enfim, deseja-se que futuramente este estudo contribua de alguma forma para a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores de unidades de atendimento de urgência e emergência, do exercício profissional do enfermeiro ou então que levante discussões sobre o assunto, permitindo assim que busquem uma situação mais humana no que tange ao trabalhador deste setor.



REFERÊNCIAS

ATKINSON, R.L; et al. Introdução á Psicologia de Hilgard. 13ªed.Porto Alegre: Artmed, 2002.

BELANCIERI, M. F. Enfermagem: Estresse Psicossomático. Bauru: EDUSC, 2005.

DALRI, R.C.M. B; Riscos ocupacionais entre trabalhadores de enfermagem de unidades de pronto atendimento em Uberaba. Ribeirão Preto, 2007.


MALAGRIS, L.M. N; FIORITO, A.C.C. Avaliação do Nível de Stress de Técnicos da Área da Saúde. Estudos de Psicologia,2006,23(4), Campinas,
PINHO P.S. ARAUJO T.M. Trabalho de enfermagem em uma unidade de emergência hospitalar e transtornos mentais. Revista de enfermagem UERJ,Rio de Janeiro,2007,jul/set;15(3):329-336.

REIS, L.L; et.al. Efeitos do estresse ocupacional no bem estar da equipe de técnicos e auxiliares de enfermagem e em seu ambiente de trabalho. 2008.


RONCATO, L. Fontes de estresse ocupacional, coping e resiliência em psicólogas clínicas no ambiente de consultório. 2007. Dissertação (Mestrado em Ciências Ambientais e Saúde). Universidade Católica de Goiás, Goiânia, Goiás.

TEODORO, M.R; MENDONÇA, S.C. S; ALVES, W.C. Estresse na enfermagem das unidades de emergência. Monografia apresentada junto ao Centro Universitário Católico de Araçatuba – UNISALESIANO, 2007.
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