Avaliação dos efeitos morfológicos da crioterapia, sobre o músculo tibial anterior, em ratos Wistar submetidos à compressão nervosa



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Avaliação dos efeitos morfológicos da crioterapia, sobre o músculo tibial anterior, em ratos Wistar submetidos à compressão nervosa
Camila Mayumi Martin Kakihata (PIBIC/CNPq/Unioeste), Jhenifer Karvat, Lizyana Vieira, Gladson Ricardo Flor Bertolini, Rose Meire Costa Brancalhão(Orientador), e-mail: rosecb@gmail.com
Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Ciências Biológicas e da Saúde/Cascavel, PR
Grande área e área: Ciências da saúde - Fisioterapia e terapia ocupacional
Palavras-chave: modalidades de fisioterapia; compressão nervosa.
Resumo
Este trabalho teve como objetivo avaliar os efeitos morfológicos da crioterapia, sobre o músculo tibial anterior, em ratos Wistar submetidos à compressão nervosa. Foram utilizados 42 animais, destes, 6 formaram o grupo controle (C), que não sofreu intervenções e foi eutanasiado no 15º dia do experimento. Os 36 animais restantes foram submetidos à compressão do nervo isquiático direito e foram distribuídos em 2 grupos: Lesão (L) e Lesão+Crio (LCrio), e estes foram subdivididos conforme a eutanásia: 3º dia pós-operatório (PO), 8º PO e 15º PO. A crioterapia foi aplicada durante 20 minutos, com imersão do membro posterior direito em recipiente contendo água e gelo, em temperatura de 5ºC±2º C. O primeiro tratamento foi realizado após a compressão nervosa no grupo LCrio, e foi retomado para LCrio8 e LCrio15 no 3° PO, em dias consecutivos até o 7° PO. Após a eutanásia, os músculos tibiais anteriores foram dissecados e preparados para a avaliação do diâmetro e área das fibras musculares. Os resultados mostraram que houve diferença (p<0,05) entre os grupos quando comparados com o C, no diâmetro e área das fibras musculares, sendo observado hipotrofia nos subgrupos L8, L15 e LCrio15. E na comparação entre os grupos com eutanásia no mesmo PO, houve diferença (p<0,05) no 8° PO, somente no menor diâmetro, sendo que o grupo LCrio era melhor que o grupo L. Desta forma, conclui-se que a crioterapia preveniu a hipotrofia muscular no 8º PO, porém não ocorreu a manutenção deste efeito após o término da crioterapia no 15º PO.
Introdução
As lesões do nervo isquiático resultam em dor no trajeto nervoso e suas ramificações, e está associada a paresia, resultando na diminuição da força dos músculos inervados e hipotrofia (Do, 2013). Uma das formas de tratamento é o uso das modalidades fisioterapêuticas, como a crioterapia, que reduz o fluxo sanguíneo local, a taxa metabólica e a velocidade de condução do tecido nervoso, diminui a reação inflamatória de trauma agudo, diminui a dor e retarda a formação de edema (Espinosa et al., 2010).

Contudo, apesar dos efeitos benéficos da crioterapia, a literatura também apresenta contraindicações do seu uso na regeneração do nervo periférico (Espinosa et al., 2010). A partir disso, verifica-se a importância de estudos sobre os efeitos da crioterapia em lesões nervosas periféricas, visto que a literatura apresenta divergências referentes a indicação e contraindicação desta modalidade terapêutica. Dessa forma, este estudo tem como objetivo, avaliar os efeitos morfológicos da crioterapia, no músculo tibial anterior modelo de ratos Wistar, submetidos à compressão do nervo isquiático.


Materiais e Métodos
Amostra e Grupos experimentais

Foram utilizados 42 ratos machos da linhagem Wistar, peso médio de 300 g, mantidos em gaiolas de polipropileno, com ciclo claro/escuro de 12 horas, temperatura controlada (24ºC±1ºC), com acesso livre à água e ração.

Destes animais, 6 formaram o grupo controle (C), que não sofreram intervenções e foram eutanasiados no 15º dia de experimento. Os 36 animais restantes foram divididos em 2 grupos: Lesão (L), submetidos apenas à compressão nervosa; e Lesão e Crioterapia (LCrio), submetidos à compressão nervosa e à crioterapia, sendo estes subdivididos conforme a eutanásia em: eutanásia no 3º dia pós-operatório (PO) – L3 e LCrio 3; no 8° PO – L8 e LCrio8; e no 15° PO – L15 e LCrio 15.

O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética para Experimentação Animal e Aulas Práticas da UNIOESTE (15/07/2014) e conduzido segundo as normas internacionais de ética em experimentação animal.


Modelo de Compressão do Nervo Isquiático

Prévio ao procedimento cirúrgico de compressão do nervo isquiático, os animais foram devidamente anestesiados, posteriormente, foi realizada uma incisão para expor o nervo isquiático direito e subsequente compressão do nervo com uma pinça hemostática durante 30 segundos. Em seguida, foi realizada sutura da pele do animal.


Protocolo de Tratamento

Os animais foram posicionados com o membro posterior direito imerso em recipiente contendo água e gelo, em temperatura de 5ºC ± 2º C, durante 20 minutos. O primeiro tratamento foi realizado após o término do procedimento cirúrgico de compressão nervosa nos grupos LCrio, sendo que LCrio3, foi submetido apenas à um dia de tratamento. A crioterapia foi retomada para LCrio8 e LCrio15 no 3° PO, realizada em dias consecutivos até o 7° PO.


Análise Histomorfométrica

Após o período de intervenção de cada grupo, os animais foram devidamente anestesiados e eutanasiados. Em seguida, o músculo tibial anterior direito foi dissecado, fixado em Metacarn por 24 horas, seguindo o processamento histológico para emblocamento em parafina e obtenção de cortes transversais do músculo de 7 µm. A coloração foi realizada em hematoxilina e eosina e as lâminas foram fotomicrografadas no aumento de 40x para a análise do menor diâmetro e a área em 100 fibras por músculo, por meio do programa Image-Pro-Plus 6.0.


Análise estatística

Os dados foram analisados pelo teste de Shapiro-Wilk, e como apresentaram normalidade, foram analisados pelo teste ANOVA unidirecional e pós-Teste t, quando houve diferença significativa com significância de 5%.


Resultados e Discussão
Na comparação dos grupos com o controle, tanto para o menor diâmetro da fibra muscular, quanto para a área, houve diferenças significativas (p<0,05) com os grupos L8, L15 e LCrio15, sendo que estes grupos apresentaram médias menores que o controle. Enquanto que, para a comparação entre os grupos com eutanásia no mesmo PO, houve diferença significativa (p<0,05) apenas para o diâmetro, no 8° PO, sendo que o grupo com LCrio era maior que o grupo L (Tabelas 1 e 2).

A partir disso, foi possível observar que os efeitos da lesão iniciaram em momentos diferentes entre os grupos L e LCrio, denotando que no músculo tibial anterior os efeitos da lesão foram iniciados no 8° PO, e a crioterapia retardou o efeito da lesão enquanto estava sendo aplicada, mas não ocorreu a manutenção deste efeito após o cessar do tratamento.

Após a lesão nervosa, ocorre uma hiperalgesia, decorrente da liberação dos mediadores de mastócitos durante o processo inflamatório, como a histamina e quimiocinas (Dubový, 2011) e resulta na diminuição da utilização do membro acometido, gerando hipotrofia. O resultado do presente estudo, pode ser justificado pela diminuição da reação inflamatória, que pode ter levado à diminuição destes fatores e assim promovendo a analgesia. A crioterapia também possui efeito analgésico, por meio da diminuição da condução nervosa (Espinosa et al., 2010), e essa analgesia pode ter evita o desuso do membro do animal, prevenindo a hipotrofia muscular.

Enquanto que após o cessar da terapia, houve a hipotrofia muscular, possivelmente decorrente do desuso do membro do animal, devido a hiperalgesia, que ocorre até aproximadamente o 14º PO (Dubový, 2011). É possível que se tivesse continuado com o protocolo de crioterapia, ele promovesse a manutenção do trofismo muscular. Desta forma, sugere-se novas pesquisas com a utilização de um tempo maior de crioterapia sobre a lesão nervosa.


Tabela 1. Menor diâmetro da fibra muscular do tibial anterior de ratos Wistar

C




L

LCrio


37,61 ± 4,58

3° PO

34,71 ± 2,72

37,08 ± 2,54

8° PO+

31,85 ± 3,16*

36,07 ± 4,01

15° PO

30,33 ± 2,42*

30,08 ± 3,44*

C corresponde ao grupo controle, L ao grupo lesão e Lcrio ao grupo lesão+crio, PO refere-se ao pós-operatório. * diferença em relação ao grupo C; + diferença entre os grupos do mesmo PO;
Tabela 2. Área da fibra muscular do tibial anterior de ratos Wistar

C




L

LCrio


1.726 ± 400

3° PO

1.465 ± 188

1.732 ± 245

8° PO

1.190 ± 170*

1.469 ± 332

15° PO

1.005 ± 163*

1.095 ± 161*

C corresponde ao grupo controle, L ao grupo lesão e Lcrio ao grupo lesão+crio, PO refere-se ao pós-operatório. * diferença em relação ao grupo C
Conclusão
A crioterapia em ratos submetidos a compressão do nervo isquiático, levou a prevenção da hipotrofia do músculo tibial anterior durante a sua aplicação, porém não promoveu a manutenção do trofismo muscular após o cessar do tratamento.
Agradecimentos
Agradecimentos ao CNPq pela concessão da bolsa de iniciação científica e aos colaboradores dos laboratórios LERLF e LABEF.
Referências
Do, A.C. (2013) Entrapment Neuropathies of the Lower Extremity .American Academy of Physical Medicine and Rehabilitation 1, 31-40.
Dubový, P. (2011) Wallerian degeneration and peripheral nerve conditions for both axonal regeneration and neuropathic pain induction Annals of Anatomy 193, 267– 275.



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