Avaliação do tratamento periodontal não-cirúrgico com ou sem uso de doxiciclina nos tecidos periodontais de pacientes com Diabetes Mellitus tipo 1



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Avaliação do tratamento periodontal não-cirúrgico com ou sem uso de doxiciclina nos tecidos periodontais de pacientes com Diabetes Mellitus tipo 1
Maíra Fernanda Michelin Mânica(PIBIC/Unioeste/PRPPG), Carlos Augusto Nassar(Orientador), e-mail: canassar@yahoo.com
Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Ciências Biológicas e da Saúde/Cascavel-PR
Grande área e área: Ciências da Saúde – Odontologia
Palavras-chave: Diabetes mellitus tipo 1, tratamento periodontal básico, doxiciclina
Resumo
O Diabetes mellitus tipo 1 (DM1) aumento o risco de formação de placa, agrava a doença periodontal, acelera a reabsorção óssea alveolar, facilita a ruptura do ligamento periodontal e aumenta a incidência de bolsas periodontais. O objetivo desta pesquisa foi determinar os parâmetros clínicos de Índice de Placa (IP) e Índice Gengival (IG) de pacientes portadores de DM1, submetidos a Terapia Periodontal Básica, associada ou não ao uso de antimicrobiano em pacientes entre 19 e 60 anos com moderada a severa periodontite. 20 pacientes foram distribuídos em 2 grupos: grupo 1: tratamento periodontal básico + doxiciclina 100mg/dia via oral por 15 dias e grupo 2: tratamento periodontal básico. Os pacientes foram submetidos à avaliação clínica odontológica através de anamnese e questionário específico. Foram avaliados os parâmetros clínicos periodontais de IP e IG, o tempo de início e tratamento atual do diabetes. Os pacientes foram avaliados nos períodos de 0, 3 e 6 meses. Os resultados mostraram que ambos os índices tiveram redução significativa ao final dos 6 meses. Com relação ao IP, houve uma redução de 70,7% no grupo teste e de 44,3% no grupo controle. Já no IG houve uma redução de 90,8% no grupo teste e de 91,5% no grupo controle, sugerindo que ambos os tratamento são efetivos no controle de saúde bucal de pacientes diabéticos tipo 1. Podemos concluir que ambos os tipos de tratamentos são eficientes no controle de saúde bucal de pacientes com diabetes tipo 1.
Introdução
O Diabetes mellitus tipo 1 (DM1), forma presente em 5% a 10% dos casos, é o resultado da destruição de células beta pancreáticas com consequente deficiência de insulina. Na maioria dos casos, essa destruição de células beta é mediada por autoimunidade (SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES, 2011).

O DM1 está associado com numerosos efeitos deletérios na homeostase do hospedeiro, incluindo resistência reduzida à infecções, devido a resposta imune comprometida, incluindo a queda de componentes humoral e celulares, a inibição da quimiotaxia dos leucócitos e defeitos na fagocitose e morte bacteriana por polimorfonucleares e macrófagos. Além disso, o DM1 aumenta a resposta inflamatória pela persistente expressão de interleucinas, diminuída atividade dos osteoblastos e aumentada reabsorção óssea osteoclástica. As complicações vasculares são também uma importante causa da morbidade e mortalidade em pacientes diabéticos, e têm sido listadas com um importante fator de risco para a doença periodontal (Silva et al., 2012).

A doença periodontal é uma doença inflamatória crônica, de causa infecciosa, caracterizada por destruição das estruturas de sustentação dos dentes, que inclui desde o ligamento periodontal ao osso alveolar (BASCONES-MARTINEZ, MATESANZ-PEREZ, ESCRIBANO-BERMEJO, et al, 2011).

O DM1 aumento o risco de formação de placa, agrava a doença periodontal, acelera a reabsorção óssea alveolar, facilita a ruptura do ligamento periodontal e aumenta a incidência de bolsas periodontais. Essas bolsas são mais profundas e mais frequentes em diabéticos (Silva et al., 2012). Analisando os recentes resultados, os autores da diretriz sobre diabetes e doença periodontal afirmaram que o tratamento da doença periodontal reduz a hemoglobina glicada. Ainda conforme os autores da diretriz, o tratamento da doença periodontal com debridamento mecânico profissional é um consenso em todos os estudos avaliados. No entento, não é consensual se a terapia com antibióticos adjuvantes confere benefícios adicionais. Não existe ainda evidência suficiente de qual regime de tratamento periodontal específico é melhor para pacientes com diabetes e periodontite (CHAPPLE, GENCO, 2013). Assim, o objetivo desta pesquisa foi determinar as parâmetros clínicos de Índice de Placa e Índice Gengival de pacientes portadores de Diabetes mellitus tipo 1, submetidos a Terapia Periodontal Básica, associada ou não ao uso de antimicrobiano.


Materiais e Métodos
Foram selecionados 20 pacientes com Diabetes Mellitus tipo 1, com faixa etária de 19 a 60 anos, com moderada a severa periodontite. Estes pacientes deveriam ter o diabetes controlado por insulina, recomendação de exercício físico e dieta. Como critérios de exclusão os pacientes deveriam apresentar história positiva nos últimos seis meses de antibioticoterapia de largo espectro, antiinflamatórios esteróides, anticoagulantes e imunossupressores, nos três meses antecessores ao estudo; história positiva de gestação ou amamentação; história positiva de qualquer tipo de problema sistêmico grave; história positiva de tratamento periodontal nos últimos 6 meses.

Avaliação clínica odontológica

O exame clínico inicial foi realizado por um único examinador previamente treinado, que através de uma sonda periodontal do Tipo WILLIAMS no. 23, determinou:

1- Índice de Placa de SILNESS & LÖE (SILNEES & LÖE, 1964).

2- Índice gengival de LÖE & SILNESS (LÖE & SILNESS, 1963).



Dados do Diabetes:

Em relação ao diabetes foi levantado o tempo de início e tratamento atual do diabetes (insulina - dose e frequência diária).

Após o exame clínico inicial, os pacientes foram divididos aleatoriamente em 2 grupos, de acordo com o QUADRO 1.

QUADRO 1: Distribuição dos 20 pacientes de acordo com os tratamentos propostos



Grupo 1: Grupo teste - DM1 com doxicilina


Instrução e motivação de higiene oral. Raspagem supra e subgengival. Alisamento radicular e polimento coronário + doxiciclina 100 mg via oral por 15 dias

controle mecânico (Técnica de Bass modificada+fio dental).

Terapia de manutenção

Grupo 2: Grupo controle - DM1

Instrução e motivação de higiene oral. Raspagem supra e subgengival. Alisamento radicular e polimento coronário

controle mecânico (Técnica de Bass modificada+fio dental).

Terapia de manutenção

O tratamento consistiu de instrução e motivação de higiene oral, raspagem supragengival e subgengival, alisamento radicular e polimento coronário. Para instrumentação manual foram utilizadas curetas periodontais de Gracey 5/6, 7/8,11/12 e 13/14 e para instrumentação ultra-sônica um aparelho piezoelétrico.

Para cada grupo foi dada a instrução correta do controle mecânico, a mesma para todos os grupos, e a terapia periodontal de suporte nos grupos tratados. Os pacientes foram avaliados por um período total de 6 meses, sendo que as avaliações clínicas foram realizadas nos períodos de 0, 3 e 6 meses e em todos os períodos, os pacientes foram novamente instruídos e receberam a terapia de manutenção.



Análise estatística: Os dados obtidos foram analisados e avaliados através dos testes ANOVA um critério, em se encontrado diferenças estatisticamente significantes, o teste de Tukey foi realizado para determinar diferença entre grupos, com nível de significância de 5%.
Resultados e Discussão
A tabela 1 mostra as médias do Índice de Placa e do Índice Gengival dos 3 períodos em todos os grupos tratados de acordo com o quadro 1. Os resultados mostraram que tanto no índice de placa quanto no índice gengival, houve uma diminuição significativa ao final dos 6 meses. Com relação ao índice de placa, houve uma redução de 70,7% no grupo teste e de 44,3% no grupo controle. Já em relação ao índice gengival houve uma redução de 90,8% no grupo teste e de 91,5% no grupo controle, sugerindo que ambos os tratamento são efetivos no controle de saúde bucal de pacientes diabéticos tipo 1.








Tabela 1. Valores do Índice de Placa e do Índice Gengival em ambos os grupos nos períodos de 0, 3 e 6 meses. Os valores representam média ± desvio padrão. Os resultados são expressos em porcentagem.










Índice

de Placa

Índice

Gengival




Grupo teste

Grupo controle

Grupo teste

Grupo controle

1º exame (0)

44,7 + 3,4 A

39,7 + 2,8A

50,2 + 3,5A

48,5 + 3,2A

2º exame(3 meses)

44,8+ 3,8A

33,9 + 3,9B

9,0 + 0,9B

38,9 + 3,6B

3º exame(6 meses)

13,1 + 1,0B

22,1 + 2,5C

4,6 +0,6C

4,1 +0,4C




Letras diferentes, (p<0,05) dados diferentes estatisticamente dentro de um mesmo grupo.

Dados do Diabetes

Os dados analisados mostraram que: 14,3% faziam tratamento com insulina 4 x por dia, 28,6% faziam tratamento com insulina 3 x por dia, 14,3% faziam tratamento com insulina 2 x por dia e 42,8% faziam tratamento com insulina 1 x por dia.


Conclusões
Podemos concluir, portanto, que ambos os tipos de tratamentos são eficientes no controle de saúde bucal de pacientes com diabetes tipo 1.
Agradecimentos
Agradecemos à Unioeste pelo apoio na realização deste trabalho.
Referências
BASCONES-MARTINEZ, A, MATESANZ-PEREZ, P, ESCRIBANO-BERMEJO, M. GONZÁLEZ-MOLES, M BASCONES-ILUNDAIN, J, MEURMAN, J.H. Periodontal disease and diabetes – Review of the literatrure. Med Oral Patol Cir Bucal, v. 16, n. 6, p. 722-9, setembro, 2011.
CHAPPLE, I.L.C.; GENCO, R. Diabetes e Periodontal disease: consensus report of the Joint EFP/AAP Workshop on Periodontitis and Systemic Diseases. J Clin Periodontol, v. 40, n.14, p. 106–112, 2013.




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