AvaliaçÃo das queixas apresentadas pelas gestantes durante a consulta de enfermagem no pré-natal adriana Elias Dos Reis* Giseli Boeng Della Giustina resumo



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AVALIAÇÃO DAS QUEIXAS APRESENTADAS PELAS GESTANTES DURANTE A CONSULTA DE ENFERMAGEM NO PRÉ-NATAL
Adriana Elias Dos Reis*

Giseli Boeng Della Giustina**
RESUMO

O estudo refere-se ao Programa Universitário de Iniciação Científica – PUIC, desenvolvido no Ambulatório Materno-Infantil (AMI) da Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL), município de Tubarão - SC, envolvendo prontuários de gestantes atendidas no ano de 2007 a 2008 que passaram pela consulta de enfermagem. Tendo como objetivo geral, conhecer as queixas apresentadas pelas gestantes durante a consulta de enfermagem no pré-natal. O caminho metodológico configurou-se como uma pesquisa de campo de abordagem qualitativa do tipo documental. A coleta de dados constitui-se através da análise dos prontuários, os dados foram registrados no diário de campo da pesquisadora. A análise dos dados deu-se a partir da ordenação, classificação e de sua análise final. Os dados analisados revelaram que as mulheres, as quais vivenciaram o processo de gestação e passaram pela consulta de enfermagem, apontaram queixas de desconfortos comuns vivenciadas a cada trimestre vindo ao encontro do que é descrito na literatura afim. Os resultados demonstraram queixas como sonolência, fome excessiva, dispnéia, diminuição do desejo sexual, leucorréia, dor lombar, insegurança. Diante do exposto, vale ressaltar a necessidade de um trabalho integrado, entre o profissional e a família grávida, para que haja uma melhor compreensão no que diz respeito a cuidados essenciais e acolhimento da mulher no processo de gestação, a fim de promover o autocuidado.


Palavras-Chave: Consulta de enfermagem, queixas, cuidado.
1. INTRODUÇÃO
A gravidez é um marco na vida da mulher, e cada vez mais o avanço tecnológico o profissional de saúde deve estar pautado em conhecimento científico, bem como de ações voltadas para o acolhimento da família grávida. O mesmo deve ter essa clareza, e torná-la o processo gestacional em momento único e especial. Assim, é de extrema importância a humanização no processo de gestação e nascimento, com o intuito de garantir uma boa avaliação durante a consulta de enfermagem, para estar identificando as principais queixas da gestante e prevenindo-as futuramente, interagindo e respeitando a individualidade de cada família grávida.

A gravidez é um acontecimento especial para a mulher e envolve aspectos biológicos, psicológicos, sociais e espirituais. Sendo um período de inúmeras transformações, cada mulher vivencia a gravidez de maneira particularizada. (DELFINO, 2003).

São inúmeros desconfortos que ocorrem com a mulher durante a gestação, muitos por ordem fisiológica. Isso ocorre em todos os sistemas do organismo, inclusive o emocional. É um momento novo, aparecem alterações na rotina, mudanças corporais, alterações hormonais muitas vezes desestruturando o psíquico da mulher.

De acordo com Burroughs (1995) na gravidez ocorrem inúmeras alterações fisiológicas em todos os sistemas, sendo que algumas delas provocam alguns distúrbios e desconfortos. No entanto, também ocorrem alterações psicológicas importantes na vida da mulher.

Sobre este aspecto, Zugaib, e Sancovski (1994) e Burroughs (1995), colocam que o organismo materno, sofre inúmeras alterações anatomo-funcionais, que se manifestam precocemente no início da gravidez, e que vão se intensificando a medida que esta evolui.

As alterações ocorridas neste período são significativas nos sistemas: endócrino, cardiovascular, respiratório, urinário, digestivo, músculo-esquelético, reprodutor e no metabolismo.

Em função das diversas alterações que ocorrem no corpo da gestante, alguns desconfortos podem se manifestar. Muitas queixas podem ser resolvidas, dependendo da saúde física e emocional da gestante no momento.

Assim, o período pré-natal é importante para os profissionais de saúde atenderem as necessidades individuais da gestante, bem como desenvolver ações para de promover o bem-estar durante a gestação.

Neste contexto, a consulta de enfermagem se constitui num espaço para o enfermeiro atender as necessidades da gestante e compreender as alterações típicas da gravidez, com o intuito de planejar a intervenção de enfermagem.

Para Benko e Castilho (1992, apud LIMA, 2006, p. 28) a consulta de enfermagem “é a aplicação da metodologia de cuidado, de aproximação do cliente, colocando em movimento a técnica e a sensibilidade, de forma complementar, com objetivo de detectar desvios de saúde, e principalmente, de manter o padrão saudável de cada indivíduo”.

O estudo foi desenvolvido no Ambulatório Materno-Infantil (AMI) da UNISUL, por ser um serviço de referência, possibilitando assim a implementação do projeto de pesquisa com vistas a ampliar o conhecimento, bem como a realização de ações de promoção à saúde da mulher.

Frente a essa perspectiva, delineou-se a seguinte pergunta de pesquisa: Quais as queixas apontadas pelas gestantes no momento da consulta de enfermagem?

Para respondê-la foram elencados os seguintes objetivos:

1.1 OBJETIVO GERAL

Conhecer as queixas apresentadas pelas gestantes, durante a consulta de enfermagem no pré-natal

1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

- Identificar as queixas apresentadas pelas gestantes, durante a consulta de enfermagem no pré-natal

- Analisar as queixas apresentadas pelas gestantes, durante a consulta de enfermagem no pré-natal



2. MÉTODO

O presente estudo tratou-se de uma pesquisa de campo do tipo pesquisa-ação com enfoque na abordagem qualitativa. Referentemente a esta abordagem, Minayo (2007, p.21), salienta que a mesma:

[...] responde a questões muito particulares, trabalha com o universo dos significados, dos motivos, das aspirações, das crenças, dos valores e das atitudes. Esse conjunto de fenômenos humanos é entendido aqui como parte da realidade social.
O estudo foi desenvolvido no Ambulatório Escola Materno-Infantil (AMI), da Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL), localizado no município de Tubarão – SC. O referido ambulatório disponibiliza espaço para aperfeiçoamento no processo de ensino de aprendizagem aos acadêmicos da área da saúde, atendendo à população feminina e também infantil, sem fins lucrativos. Salienta-se que o mesmo dispõe de especialidades como ginecologia, com especialização em mastologia e obstetrícia, pediatria, psicologia, enfermagem, nutrição, educador físico, além de manter grupos terapêuticos.

O estudo foi desenvolvido pesquisando todos os prontuários que apresentavam registros de enfermagem, no período compreendido entre 2007 a 2008, totalizando 21 prontuários.

O processo de coleta de dados ocorreu entre o período de setembro de 2008 abril do ano de 2009. A pesquisa foi realizada através de uma análise minuciosa dos registros de enfermagem intilulado de SOAP, onde traz os dados Subjetivos da gestante, dados Objetivos pontuado pelo o profissional de enfermagem, mais precisamente o professor de enfermagem e ou o acadêmico do curso de enfermagem, a Análise das queixas das gestantes e por último a Prescrição de enfermagem para cada situação apontada pela gestante.

Salienta-se que todas as queixas avaliadas como sendo desconfortos decorrentes do processo gestacional, foram transcritas para o instrumento de coleta de dados da pesquisadora, sendo ele o diário de campo.

Com intuito de garantir a análise das queixas separadas por período gestacional, optou-se por registrar já no diário de campo as queixas elencadas por trimestre.

A análise de dados foi realizada conforme os princípios da abordagem qualitativa, proposto por Minayo (2004), através da ordenação, classificação e análise final dos dados.

A ordenação dos dados pode ser entendida como o momento em que as entrevistas são transcritas. Nesta, é realizada a releitura do material e organização dos dados.

A classificação dos dados ocorreu durante a relação entre o referencial teórico proposto e as hipóteses elaboradas pela pesquisadora, através dos dados coletados. Nesse momento, fez-se necessário a leitura do referencial teórico e priorização dos dados.

A análise final consistiu no momento em que a pesquisadora, confrontou os dados coletados com o referencial bibliográfico.

3. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

De acordo com a literatura, a gravidez é dividida por trimestres sendo eles: primeiro, segundo e terceiro trimestre. Diante dessa premissa, buscou-se através da análise dos prontuários, conhecer as principais queixas das gestantes, no momento da consulta de enfermagem atendidas no ambulatório Materno-infantil no ano de 2007 a 2008.

Sendo assim, será apresentada a análise dos dados de acordo com os trimestres de gravidez.

Confirmando o descrito, compreende-se que as gestantes do primeiro e segundo trimestre queixam-se dores nas mamas, segundo relatos:


Primeiro Trimestre:

Sinto minhas mamas inchadas e doloridas (Amor-Perfeito)

Tenho dor nas mamas (Copo-de-leite, Azaléia e Girassol)

Sinto minhas mamas sensíveis (Begônia)

Sinto dores nos seios (Iris)
Segundo Trimestre

Sinto dores nas mamas (Margarida e Rosa Branca)

 

Percebe-se que as queixas de dores mamárias são de ordem fisiológica, de modo que com o passar da gestação as dores irão diminuindo, de acordo com a revisão de literatura:



BENZECRY (2000) e NEME (2005) apontam que na gravidez, verificam-se com grande secreção e liberação de estrogênios e progesterona ovário placentárias circulantes, resultando modificações mamárias em sua forma, com aumento e escurecimento da pele, das aréolas e dos mamilos. A gestante queixa-se de hipersensibilidade mamária, que em geral diminui até a 10ª semana. Como é uma preparação para a lactação e sobre ação de hormônios, a mama cresce, apresenta nodulação, a vascularização aumenta , formando a rede venosa de Haller, o mamilo também irá crescer e sofrer hiperpigmentação junto com a aréola primária, também será possível de identificar os tubérculos de Montgomery.

   Desta forma, identifica-se também como queixa alteração urinária, a mesma é experenciada nos três trimestres como se observa nos relatos:


 Primeiro Trimestre

Urino várias vezes ao dia (Iris)

Acordo várias vezes durante a noite para ir ao banheiro (Camélia rosa e Amor perfeito)

Urino freqüentemente (Begônia e Rosa)
Segundo Trimestre

Urino várias vezes ao dia (Tulipa)
Terceiro Trimestre

Urino com freqüência (Petúnia)

 

Percebe-se que a queixa de alteração urinária, passa ser comum nos três trimestres de gravidez, embora a literatura enfatize o início e o final da gestação, isso se deve provavelmente pelo o hábito de vida das mulheres, pela falta de conhecimento em relação a prevenção de infecções urinárias.



Porém muitas dessas alterações são de ordem fisiológica, ocorridas por alterações hormonais e físicas conforme descreve a literatura. 

TEDESCO (2000) NEME (2005) o aumento do volume urinário (polaciúria) é a queixa das fases iniciais e finais da gravidez, em ambos os casos atuando processo mecânico de compressão vesical. No início, observa-se o aumento uterino. No final, o pólo fetal ajustado na bacia causa diminuição do volume vesical, provocando maior freqüência de micções. descreve ainda:

“A ação relaxante da prostaciclina e da progesterona sobre toda a musculatura lisa do aparelho ocasiona hipotonicidade e hipomotilidade de todo o trato urinário, facilitando, dessa maneira, a êstase urinária, que explica a maior incidência das infecções urinárias durante a gravidez.” NEME (2005 p. 42)

Constata-se que o sono e a fadiga, também são relatados como queixa principal do primeiro trimestre de gestação, porém é observado no segundo trimestre com menor freqüência.



Primeiro Trimestre

Tenho muito sono durante o dia (Begônia)

Sinto muito sono (Girassol)

Sinto cansaço (Copo de leite e Gérbera)

Meu apetite sexual está diminuído, pois me sinto cansada. (Begônia)

Segundo Trimestre

Tenho cansaço (Margarida)

Essa alteração se deve às grandes mudanças fisiológicas e emocionais, sendo que o físico, sente a necessidade de repor suas energias. TEDESCO (2000) e Ciotti e Van Der Sand (2003) pontuam que é uma queixa comum entre as grávidas, ambas de causa emocional, isso se deve à dificuldades de adaptação à nova condição. E ainda pode ser resultante da influência da progesterona (hormônio produzido pela placenta) sobre o sistema nervoso central (ação depressora). O mesmo ocorre com as queixas de náuseas e vômitos comuns durante o primeiro trimestre, como segue:



Tive muito enjôo durante a manhã no início da gravidez (Begônia)

Tenho náuseas (Azaléia)

Tenho enjôos (Íris)

Nota-se de acordo com a literatura, que o aparecimento das náuseas e vômitos são comum no primeiro trimestre gestacional, podendo chegar até o quarto mês. Não possui uma causa conhecida, pode ser resultado de alterações hormonais, como o aumento de níveis séricos do estrogênio na corrente sanguínea, também pode ser desencadeado pelo fator emocional da mãe. Já o ptialismo, que é a salivação excessiva, não possui uma etiologia, mas pode estar relacionada com a dificuldade de deglutição devido á náusea.

Para BENZECRY (2000) e REZENDE (2005) corroboram pontuando que as náuseas e vômitos podem estar relacionados: ao aumento de estrogênio no sangue no primeiro trimestre, sendo habituais no período matinal e também aos fatores emocionais ligados às dificuldades com a gravidez.

Aponta-se que a pirrose ou azia é comum nos dois primeiros trimestres de gestação:.



Primeiro Trimestre

Tenho azia (Azaléia)

Segundo Trimestre

Tenho muita azia durante o dia (Lírio)

Tenho muita azia (Orquídea)

Apesar das divergências entre autores em relação ao trimestre, nota-se que a pirrose é devido ao relaxamento do esfíncter inferior do esôfago permitindo o retorno do suco gástrico, a queixa pode perdurar nos dois primeiros trimestre como o apontado nas queixas

Segundo REZENDE (2005. p. 155) “Embora alguns autores atribuam maior incidência depois dos 5 meses, outros a encontram muito mais alta (52%) no primeiro trimestre.”

TEDESCO (2000) e BENSECRY (2000) corroboram apontando que esta queixa habitual é devido ao refluxo gastroesofágico provocado pela diminuição da força de contração cárdia e à diminuição  da resposta do esfíncter (provavelmente por efeito hormonal) e com o aumento da pressão intra-abdominal. Sendo que a dor poderá ser aumentada pela ingestão de alimentos muito temperado, gorduroso, álcool, café, sucos ácidos, grandes volumes de comida principalmente à noite.

Em relação às queixas de fome e a sede, é observado com maior freqüência no início da gravidez, no primeiro Trimestre:

Sinto muita Fome e sede (amor perfeito)

Sinto sede (azaléia)

Porém também no segundo trimestre as mulheres queixam-se de fome, embora em uma freqüência menor: Sinto muita fome (Rosa Azul)

  De acordo com a revisão de literatura, ainda não há uma explicação sobre o aumento da fome e sede, alguns estudos levam às alterações fisiológicas e hormonais ocorridas durante o primeiro trimestre.

REZENDE (2005) e TEDESCO (2000) apontam que a fome e sede são comuns nos primeiros meses, podendo persistir por toda a gravidez, e que está relacionada ao aumento dos hormônios sexuais femininos a progesterona, outra teoria pode está associada à queda de glicose e de aminoácidos, por serem um dos fatores que levam ao aumento do apetite.

Em relação à sede TEDESCO (2000) coloca que está relacionada ao aumento das concentrações de angiotensina e a prolactina conhecidos como causadores de sede.

  Nota-se que existem queixas que são bem pontuadas em cada trimestre, porém outras persistem durante todo o período gestacional, um exemplo é a queixa de corrimento vaginal, bastante comum como se observa nas falas. 



Primeiro Trimestre

Estou com corrimento em pouca quantidade(Begônia primeiro trimestre)

Tenho com cheiro forte em pequena quantidade (Camélia rosa)

Tenho corrimento de cor esbranquiçada em quantidade moderada ()

Tenho cândida (Girassol)

Segundo Trimestre

Corrimento vaginal com mau cheiro e branco (Margatira)

Tenho secreção em pouca quantidade, sem cheiro e de cor clara (Narciso)

Corrimento amarelo esverdeado às vezes com odor fétido (Orquídeas)

Corrimento de cor esbranquiçada e fétido (Tulipa)

Sinto coceira mais não tenho corrimento (Rosa Azul)

Tenho corrimento de cor branca sem coceira e com cheiro forte (Rosa Branca)

Possuo corrimento esbranquiçado sem cocheira (Rosa amarela)

Tenho corrimento (flor de lótus)

Terceiro Trimestre

Tenho corrimento esbranquiçado tipo leite sem coceira (violeta)

 

Salienta-se que, mesmo que o “corrimento” possa ser fisiológico, pela ação dos hormônios, é necessário que a mulher mantenha hábitos higiênicos, bem como faça periodicamente o exame cérvico-uterino preventivamente.



BURROUGHS (1995, p.72) descreve que as “secreções das glândulas cervicais formam o tampão mucoso no canal cervical que age como uma barreira para evitar que microorganismos penetrem no útero.”

De modo que ascensão de microrganismos existentes na vagina representa uma das causas da infecção das membranas, fragilizando-as, permitindo, sobretudo no terceiro trimestre gestacional, a ruptura e a interrupção da gravidez antes do termo... Por vezes microrganismos existentes na cavidade vaginal da grávida atravessam as membranas ovulares íntegras, contaminam o líquido amniótico e secundariamente infectam o feto. FILHO (2004)

De acordo com a análise dos prontuários, o sangramento da gengiva (gengivorragia) e o sangramento nasal também aparecem como queixa durante a gestação, em menor proporção.

Primeiro Trimestre

Tenho sangramento na gengiva toda vez que escovo os dentes

Segundo Trimestre

Tenho sangramento nasal (Margarida)

Observa-se que durante as semanas de gestação, as mulheres apresentam inúmeros desconfortos, muitas destes manifestados pela ação fisiológica, a exemplo da gengivorragia e o sangramento nasal.

Segundo REZENDE (2005, p. 154): “As gengivas apresentam muitas vezes, hiperemia e edema, sangrando com facilidade.”

TEDESCO (2000) coloca que o sangramento é causado por hipertrofia e aumento da vascularização das gengivas, que fazem parte da adaptação geral do tecido conjuntivo, provavelmente por ação estrogênica, e a congestão nasal também está associada ao nível aumentando de estrogênio.”

Em contrapartida a queixa de dificuldade Intestinal é muito comum durante o período gestacional diferente do sangramento nasal

Primeiro Trimestre

Vou ao Banheiro apenas duas vezes na semana (Amor Perfeito)

Sinto dificuldade de ir ao banheiro (Rosa)

Segundo Trimestre

Levo de dois a três dias para evacuar (Narciso)

Meu intestino é irregular (Orquídea)

Tenho dificuldade intestinal (Rosa Azul e flor de Lótus)

Observam-se no cotidiano das mulheres as mesmas sofrem de constipação intestinal, isso se deve muitas vezes pelo o modo de vida, como por exemplo, pouca ingestão de líquidos, vida sedentária, obesidade, entre outros. Contudo o período gestacional não foge muito desses hábitos, somam-se as mudanças fisiológicas.

REZENDE (2005) e TEDESCO (2000). A diminuição da motilidade da musculatura lisa causa constipação, constituindo como sendo a principal queixa relacionada com o sistema intestinal, devido à causa hormonal. Porém a dieta alimentar, o aumento da reabsorção de líquidos, a mudança de hábitos alimentares, são fatores também avaliados. Psicologicamente, também é atribuída à ambivalência, também não pode esquecer-se do peso do útero grávido, como causa de dificuldade mecânica ao transito intestinal, especialmente nas últimas semanas.

A queixa de dores também é bastante comum entre as gestantes, de modo especial no segundo e terceiro trimestre, sendo elas na região lombar, como se observa nas falas:



Segundo Trimestre

Tenho dores nas costas (Margarida)

Sinto dores nas costas (Rosa Branca)

Terceiro Trimestre

Tenho dores nas costas (Petúnia)

Não consigo dormir à noite por dores no abdômen, costa e na região da vagina (violeta)

Sem dúvida a dor lombar é ocasionada pela evolução a gestação, devido ao aumento do útero e deslocamento dos órgãos vizinhos, causando a mudança de centro gravídico da mulher. E também não se pode descartar que está ocasionada pela preparação do corpo da mulher para o momento do parto. Nos últimos 15 dias a tendência é a aumentar a freqüência e intensidade no espaço de tempo menor pela proximidade do parto.

TEDESCO (2000) e BENZECK (2000) refletem que o útero grávido ao sair da pelve, apóia-se à parede abdominal associado ao aumento do peso das mamas, modifica o centro de gravidade do corpo. Com o objetivo de manter o equilíbrio, modifica-se a curvatura da coluna, surgindo a Lordose e a sifose costal.

Ainda analisando as queixas das mulheres grávidas atendidas no Ambulatório, pode-se observar a síndrome da hipotensão supina é uma das queixas apresentadas no início e fim da gestação.



Primeiro Trimestre

Sinto tontura (Azaléia)

Tenho Tontura pela manhã e Noite (Girassol)

Terceiro Trimestre

Sinto tontura ao me levantar (Violeta)

Fica evidente que é devido às alterações circulatórias  que ocorre a síndrome da hipotensão supina durante a gestação. Podendo ser evitadas, igualmente, minimizadas através de orientações para a mulher ao levantar-se procurar usar como escolha a posição de decúbito lateral.

NEME (2005) pontua que durante a gestação o sistema circulatório se modifica devido às adaptações hemodinâmicas, e por causa dessas adaptações, aparecem algumas manifestações como a síndrome de hipotensão supina. BENZECRY (2000) ainda aponta que a paciente em posição supina, pode produzir uma súbita queda na pressão arterial em associação com a bradicardia vaso-vagal reflexo, com conseqüência lipotímia, náuseas, vômitos, tontura, queda do estado geral e até mesmo síncope. Esta síndrome de hipotensão supina é reversível e aliviada quando se executa decúbito lateral preferencialmente esquerdo.

Ainda relacionando-se a dor no período pré-natal, aparece o formigamento em extremidade como queixa dos três trimestres, conforme descrito:



Primeiro Trimestre

Tenho dormência nos pés com certa freqüência (Camélia rosa)

Segundo Trimestre

Sinto dor e formigamento em mãos (Rosa amarela)

Terceiro Trimestre

Tenho formigamento em mãos e pés (violeta)

Tenho dor nas juntas do dedo (Jasmim e violeta)

Apesar de algumas dessas queixas não serem comuns durante o período gestacional, todos os prontuários avaliados apareceram formigamento como queixa, pode-se notar conforme descrição dos autores, que a causa principal do formigamento é a compressão de nervos nessas regiões ocasionado a dor, formigamento e dormência.

Por outro lado a síndrome do túnel cárpico acontece segundo  BURROUGHS (1995) devido muitas vezes ao ganho de peso e ao edema podendo provocar a compressão do nervo mediano, principalmente, no pulso, sendo os principais desconfortos a dor, o formigamento na mão e no pulso.

Salienta-se ainda que no final da gestação as mulheres apontam como queixa a presença de inchaço, podendo aparecer no o rosto, mãos e pés, de acordo com as falas:



Terceiro Trimestre

Tenho inchaço em mãos e pés (Jasmim)

Tenho inchaço no rosto, mãos e pés (violeta)

Minhas pernas estão inchadas (petúnia)

  O edema é comum nas gestantes, principalmente nos tornozelos, é decorrente de longos períodos em pé, sentada, má postura, falta de exercícios, roupas construtivas ou pelo clima quente. (SAUNDERS, 2005)

 De acordo com os relatos de queixas no período gestacional, as mulheres apontam a dor de cabeça e enxaqueca, no primeiro e segundo trimestre.

Primeiro Trimestre

Tenho enxaqueca (copo de leite)

Tenho dores de cabeça (gérbera, girassol e Íris)

Segundo Trimestre

Tenho dores de cabeça (Margarida e Orquídea)

Notam-se as queixas de algias pode ser devido à estimulação hormonal que ocorre neste período.

  Segundo BENZECRY (2000, p. 100): “Dores de cabeça são muito comuns a partir da 26º semana de gravidez provocada por tensão emocional, ingurgitamento vascular e congestão sinusal, resultante da estimulação hormonal.”

   Outro desconforto é a falta de ar observado em todos os trimestres, como demonstra a seguir:



Primeiro Trimestre

Sinto falta de ar (copo de leite, Gérbera e Girassol)

Segundo Trimestre

Tenho crises de asma (Margarida)

Tenho falta de ar pela bronquite (Tulipa)

Terceiro Trimestre

Tenho falta de ar (Violeta)

Esses desconfortos são mais comuns no final da gestação, devido à mudança física observada nas mulheres, porém no caso em questão, um número expressivo de mulheres apontou como desconforto em todo o período gestacional. 

Segundo BURROUGHS (1995, p. 75) “a circunferência torácica aumenta, durante a gestação, devido ao relaxamento dos ligamentos (graças, principalmente, à progesterona) e o afastamento das costelas inferiores.”

 Sabe-se que a busca constante pela adaptação de estar grávida, muitas vezes traz para as mulheres momentos de dúvidas e incertezas em relação ao processo gestacional, conforme se observa nas falas:



Primeiro Trimestre

Não estou preparada psicologicamente para a gravidez e possuo duvidas sobre a gravidez (Amor perfeito)

Possuo medo e dúvidas sobre a gravidez (Girassol)

Tenho dúvidas sobre a existência da gravidez (Rosa)

Segundo Trimestre

Minha barriga está mole e pequena para a gravidez e o bebe não se mexe e tenho dor na barriga (margarida)

Sinto agonia quando o bebê se mexe (Tulipa)

O medo e as angústias muitas vezes afloram devido ao não planejamento familiar, ou seja, gravidez não planejada, interferindo drasticamente na suas vidas. A solidão, o medo do futuro incerto, trás consigo sentimentos ambivalentes.

Segundo BRASIL (2006) a gravidez é um momento em que muitas ansiedades e medos primitivos afloram; daí, a necessidade de compreender essa circunstância, sem julgamentos.

  Em relação às modificações psicológicas, muitas mulheres queixam-se não terem prazer sexual, durante algumas fases do período gestacional, interferindo na relação conjugal.



Segundo Trimestre

Depois da gravidez meu apetite sexual diminuiu (Narciso)

Sinto pouca vontade sexual (Tulipa)

Não tenho relação sexual por medo (Rosa azul)

 

Vale ressaltar que muitas vezes o desinteresse pela relação sexual, está diretamente ligado ao medo de machucar o bebê, pelo o aumento da barriga e outras modificações como aumento do peso.



Ciotti e San Der Sand (2003) comentam que a falta de libido pode ocorrer no primeiro trimestre da gestação, pois no corpo da mulher estão ocorrendo inúmeras modificações. Tal alteração muitas vezes ocorre em virtude da preocupação de machucar o bebê, sendo, pois, fundamental que o casal mantenha um diálogo acerca do assunto, para juntos decidirem a melhor forma de lidarem com a sexualidade nesse período de suas vidas, cabendo esclarecer que nesse período a mulher pode sentir-se insegura, necessitar de mais carinho, aconchego, afeto e sentir que o outro (companheiro) está do seu lado, apoiando e compartilhando essa fase nova da vida.
CONSIDERAÇÕES FINAIS

A gestação é um acontecimento único na vida da mulher, em contrapartida exige dos profissionais da saúde a sensibilidade de compreendê-las e respeitá-las em sua totalidade.

Neste contexto é fundamental o papel efetivo da enfermagem, à gestante encontre o apoio necessário para gestar seu filho de maneira harmoniosa privilegiando o cuidado.

Partindo deste pressuposto, o estudo objetivou conhecer as queixas apresentadas pelas gestantes durante a consulta de enfermagem no pré-natal. Destaca-se que o mesmo alcançou os objetivos propostos, uma vez que permitiu identificar as queixas apontadas pelas gestantes no momento da consulta de enfermagem.

A metodologia de condução do estudo envolveu análise documental, uma vez que foram avaliados todos os prontuários de prré-natal atendidos em 2007.

Nesse contexto, através da análise dos prontuários o estudo revelou a fragilidade em que as gestantes têm em relação ao conhecimento dos principais desconfortos que ocorrem durante a gravidez. Constatou-se que a maior incidência de queixas estão atribuídas ao primeiro e terceiro trimestre de gestação. E que as condições para o aparecimento dos desconfortos estão relacionadas principalmente às causas fisiológicas, hábitos de vida como alimentares e higiênicos, má postura e pouco esclarecimento.

Destaca-se que a maioria das queixas são comuns ao período gestacional, como, as dores mamárias, náuseas e vômitos comuns ao primeiro trimestre, ou edemas comuns ao terceiro trimestre.

E algumas queixas com grande representação em todo o período gestacional como a leucorréia. Frente a esta realidade, cabe aos profissionais de saúde investir ainda mais em educação e bem como investigativo.

Outrossim, pode-se destacar em relação à consulta de enfermagem durante o pré natal, inúmeros benefícios à gestante, mostrando a importância da avaliação, planejamento e orientação da enfermagem em relação as queixas levantadas. Sob este olhar é fundamental os cuidados de enfermagem, como intuito de minimizar as queixas..

Ousa-se em fazer uma pequena reflexão acerca do verdadeiro papel do enfermeiro inserido no atendimento a mulher gestante. O mesmo necessita estar preparado para construir um conhecimento conjuntamente com as gestantes, uma vez que este tem um papel educativo e científico.

Para essa educação pode-se propor algumas medidas a serem adotas pela equipe de saúde como: grupos e oficinas de gestantes, onde ocorram encontros, atividades relacionadas à gravidez e que a mulher se sinta acolhida e ainda obter trocas de conhecimentos entre si.

REFERÊNCIAS

  

BURROUGHS,Arlene. Uma introdução à enfermagem materna. 6. ed. Porto Alegre:Artes Médicas, 1995, p.72.


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2009 -> IntroduçÃO: a ciência da nutrição tem como base a pirâmide alimentar, que preconiza, para um indivíduo saudável, o consumo alimentar diário de porções de frutas e porções de verduras e legumes
2009 -> Elaboração de um modelo computacional para diagnóstico do nível de daltonismo para usuários da web
2009 -> Práticas do ambulatório de oncologia do município de araranguá-sc na detecçÃo precoce do câncer de mama
2009 -> Nome do aluno
2009 -> Desenvolvimento de um protótipo para coleta de m
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2009 -> Protocolos iniciais para micropropagaçÃo de manjericão ocimum basilicum L




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