AvaliaçÃo das competências de recursos humanos requeridas para implantaçÃo do comércio eletrônico no processo de compras de materiais



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Universidade Federal de Santa Catarina

Douglas Zin Goulart

Resumo do artigo de Adriana L. P. Santos,

Silvio A. C. Wille e Agnaldo dos Santos entitulado


AVALIAÇÃO DAS COMPETÊNCIAS DE RECURSOS HUMANOS REQUERIDAS PARA IMPLANTAÇÃO DO COMÉRCIO ELETRÔNICO NO PROCESSO DE COMPRAS DE MATERIAIS




RESUMO


O comércio eletrônico pode ser definido como a realização dos processos de negócio num ambiente eletrônico, por meio da aplicação intensa da tecnologia de comunicação e de informação.

A implantação do mesmo demanda alterações profundas no modus operandis do processo de compras e, por consequência, requer alterações no perfil dos recursos humanos envolvidos com tal processo.



INTRODUÇÃO


O Comércio Eletrônico de maneira geral pode ser definido como a realização dos processos de negócio num ambiente eletrônico, por meio da aplicação intensa da tecnologia de comunicação e de informação. A implantação do mesmo demanda alterações profundas no modus operandis do processo de compras e, por consequência, requer alterações no perfil dos recursos humanos envolvidos com tal processo.

O mercado de B2B vem apresentando expressivo crescimento no Brasil e no mundo. Segundo o último relatório do eMarketer, as receitas gerais com e-commerce na América Latina representaram US$ 3,6 bilhões, em 2000. Aproximadamente 80% deste valor representa as transações “business-to-business” ficando para as outras tipologias de comércio eletrônico os 20% restantes. Sendo que o Brasil, sozinho, representa mais de metade do volume total da região.



TIPOLOGIAS DE COMÉRCIO B2B


Existem diversos formas de efetuar negócios utilizando-se do comércio eletrônico B2B. Este local onde as negociações acontecem chamam-se na língua inglesa "Marketplaces", isto é "local de negócios". Segundo estudos estes "marketplaces" podem ser divididos em duas categorias:

Marketplace público: é um modelo inter-empresarial que liga múltiplos compradores e fornecedores, que tem como foco a geração de receitas e lucros através da oferta de serviços com valor agregado. Este tipo de marketplace pode ser dividido em dois segmentos:

Marketplace vertical: é voltado para vários membros de um segmento da indústria;

Marketplace horizontal: fornece serviços para uma ampla gama de segmentos;

Marketplace privado: refere-se a solução de marketplace implementada individualmente por uma organização para integrar seus processos de negócios com seus parceiros.

Para facilitar o entendimento da diferenciação dos modelos de comércio eletrônico B2B, a seguir serão listados os sete tipos de marketplaces mais utilizados atualmente:



Electronic Data Interchange (EDI)


O Eletronic Data Interchange (EDI) é um “marketplace privado” onde se realiza a transferência de dados estruturados de um computador para outro usando uma comunicação padrão. Este tipo de sistema refere-se a um "marketplace privado". As informações recebidas via EDI podem ser diretamente usadas pelo usuário sem necessitar de processamento e análise humana sobre o arquivo.

A maneira que o EDI trabalha é simples: um emissor gera um documento que se deseja enviar, sem necessitar a impressão, ele passa este documento para o software de transação que converte as informações em uma estrutura padrão. Essa mensagem é enviada através do EDI, onde essa ferramenta atua sobre a mensagem e a envia para o destinatário que deve estar na rede cadastrada. O sistema EDI transmite a mensagem para o destinatário colocando-a na caixa de mensagem dele.

O destinatário recebe a mensagem através de ferramentas do EDI e a mensagem é repassada para o "tradutor" a fim de converter o formato da mensagem para o

sistema do computador receptor.

Em geral, para utilizar o EDI é necessário o pagamento de uma licença e de assinatura anual para acessar a rede, além disso, existem custos de software e hardware que tornam esta ferramenta bastante onerosa para a organização.

Eletronic mail (e-mail)


No sistema de comércio eletrônico utilizando e-mail, um emissor transmite uma mensagem do seu computador para uma central e esta o direciona para a caixa de entrada do destinatário. O sistema notifica o destinatário que a mensagem encontra-se na sua caixa de entrada e o destinatário se encarrega de salvar e ler a mensagem em seu computador.

O sistema e-mail pode ser classificado em dois tipos:

Sistema de e-mail público: são aqueles localizados em WANs (Wide-Area Networks). Esse serviço é realizado por empresas que transferem as informações entre computadores distantes, por exemplo entre empresas regionais e a matriz.

Sistema de e-mail privado: são aqueles localizados em LANs (Local-Area Networks) ou por mainframes. Este tipo é bastante utilizado por empresas com necessidade de comunicação internacional.

A característica básica do e-mail é que ele permite a comunicação entre as empresas mas não permite a interação entre elas. Este modelo de comércio eletrônico é bastante utilizado em conjunto com outros que possibilitam a interação entre os usuários.

Canal Eletrônico


O canal eletrônico é semelhante ao EDI convencional, porém caracterizado pela transação direta entre o Fornecedor e Comprador através da Internet. O canal eletrônico é um exemplo do marketplace privado. Através dele elimina-se a intermediação entre o fornecedor e comprador e pode proporcionar a integração da cadeia de suprimentos.

O diferencial entre o canal eletrônico e o EDI convencional é que para implantar o primeiro, não há necessidade de investir grandes somas de recursos em sistemas de informação. Exemplos de empresas que utilizam este modelo: Dell, Cisco, Pão de Açúcar e Eletrolux.



Portal Horizontal


Caracteriza-se pelo envolvimento de vários fornecedores de vários setores industriais, portal e comprador dos mais variados setores. Os compradores e fornecedores só podem utilizar o portal após a disponibilização das informações sobre a sua empresa no "site".

A retenção de informações sobre os clientes tem como finalidade gerar propagandas e envio de material promocional de acordo com o perfil de cada empresa. Exemplos de empresas que utilizam este modelo: "construtivo.com", "naobra.com", "superobra.com".



Portais Verticais


Caracteriza-se pelo envolvimento de vários fornecedores com vários compradores que trabalham dentro de um mesmo setor industrial. Este é um exemplo de "marketplace público" e tem como característica a criação de mercados especializados.

Ainda, garantem a credibilidade às transações e a logística dos materiais através de acordo pré-acertados com os parceiros do portal. Exemplos de empresas que utilizam este modelo são: "e-steel.com" e "foodservice.com".



Agregador de Demanda


É definido como o local ("site") onde pequenos compradores se agregam formando cooperativas. Este tipo de modelo também é um outro exemplo de marketplace público. Caracteriza-se pelo envolvimento do fornecedor, da empresa gestora do portal e vários compradores.

O agregador de demanda (site) é responsável por unir os fornecedores e gerenciar o

processo de compras dentro do "site". Geralmente organizados na forma de portais, estas cooperativas conseguem o aumento do poder de barganha do comprador, o ganho de escala e o aumento de eficiência no processo de compras. Exemplo de empresa que utiliza este modelo: "accompany.com".

Agregador de Fornecimento


Refere-se ao envolvimento de vários fornecedores, agregador de fornecimento e comprador, conforme ilustra a figura a seguir. Este modelo é um outro exemplo de "marketplace público". O agregador de fornecimento tem como ponto focal o mercado

"demandador" e o escoamento da produção excedente.

A diferença entre o agregador de demanda e o agregador de fornecimento é que no segundo tipo de comércio eletrônico, as cooperativas são feitas entre os fornecedores. Este modelo é freqüentemente utilizado por empresas transportadoras. Exemplos de empresas que utilizam este modelo: "webtrans.com" e "excesschanel.com".

O PROCESSO DE COMPRAS


Esta seção descreve os dois paradigmas dominantes quanto ao processo de compra dos materiais, visto que a adoção de um ou outro têm implicações diretas no sucesso da implementação do e-commerce.

A Visão Tradicional do Processo de Compras de Materiais


A visão tradicional do processo de compras de materiais entende que este processo deve ser focado no mero ato de comprar, que consiste em encontrar um fornecedor que esteja disposto a trocar bens ou serviços por determinada soma de dinheiro.

Essa visão também é conhecida como a "visão transacional" e está baseada na idéia que o ato de comprar diz respeito somente a trocas, com comprador e vendedor interagindo entre si diretamente. O interesse básico do comprador nesse cenário é adquirir o volume máximo de recursos pela menor quantia de dinheiro que for necessário pagar.

O fundamentos que permeiam o processo tradicional de compras de materiais, embora nem sempre admitidos, são marcados por adversidades entre o fornecedor e o comprador. Esta visão adversarial do relacionamento entre fornecedor e comprador são percebidas durante todas as etapas do processo de compras de materiais realizada de forma tradicional.

Este modelo de estruturação do processo de compras de materiais já está ultrapassado e é necessário agregar maior ao mesmo para torná-lo mais ágil e

eficiente. De fato, esta estruturação apresenta algumas desvantagens que contribuem para a falta de credibilidade da função suprimentos, tais como:

Pressão por eficiência e redução de custos, mantendo o mesmo quadro de pessoal;

Compras de materiais de baixo valor unitário possuem grandes custos por transação, gerando um desperdício de recursos humanos;

Desgaste com colaboradores devido a elevada duração do ciclo de compra e a necessidade de realizar um acompanhamento exagerado do pedido para garantir que o material seja entregue no momento desejado;

O planejamento estratégico fica comprometido visto que o pessoal envolvido com compras gasta todo o seu tempo realizando atividades operacionais.

Afirma-se que a competitividade da empresa está diretamente ligada à forma como

a organização está estruturada. Devido a isto, acredita-se que esta visão tradicional do processo de compras de materiais já está ultrapassada e que é necessário dar maior visão estratégica a este processo.

A Visão “Estratégica” do Processo de Compras de Materiais (pró-ativa)


Um dos principais problemas enfrentados pelo processo de compras de materiais em muitas organizações tem sido o fracasso em desenvolver seu papel estratégico pró-ativo. Desde os anos de 80, as organizações tornaram-se mais conscientes dos ganhos que as atividades com foco estratégico podem gerar ao processo de compras de materiais.

Em anos recentes, tem sido dedicada muito maior atenção ao desenvolvimento de

relacionamentos mútuos entre fornecedores e compradores, em que os benefícios de fazer negócios decorrem de idéias de compartilhamento. Em um relacionamento mútuo, a ênfase está em construir um resultado satisfatório conjunto em assuntos

tais como tecnologia.

Com a implantação de uma abordagem estratégica ao processo de compras de materiais, as organizações envolvidas procuram estar próximas para identificar interesses comuns.

Com o aumento da atenção dedicado ao processo de compras de materiais, segundo uma visão pró-ativa o trabalho tende a tornar-se mais estratégico, agregando às atividades gerenciais a contextualização dos impactos no longo prazo. As

decisões estratégicas do processo de compras de materiais devem ser definidas em sintonia com o conteúdo e direção das decisões estratégicas empresariais.

Este enfoque estratégico implica que os envolvidos com a área de compras devem

concentrar grande parte de seus esforços em atividades de negociação de relacionamentos a prazos mais longos, desenvolvimento de fornecedores e redução de custo total de pacotes de compra, ao invés de efetuar cada pedido de forma isolada e sem visão estratégica.

O papel estratégico do processo de compras é muito afetado pelo estágio de maturidade gerencial que atingiu a organização. Quanto mais desenvolvida a organização, mais provável é que ele seja uma atividade estratégica interfuncional que agrega valor e dá vantagem competitiva à organização.

Este novo paradigma aplicado ao processo de compras de materiais implica no aumento do foco das operações para atividades de planejamento e, simultaneamente, redução proporcional dos esforços em atividades operacionais de compras propriamente dita.

Os compradores de grandes empresas como IBM, Nissan, Ford, Hewlett Packard despedem apenas parte do seu tempo em atividades administrativas e burocráticas. A maior parte de suas atividades concentra-se no estabelecimento e desenvolvimento de relacionamentos apropriados com fornecedores. A ênfase destas empresas tem evoluído para uma abordagem pró-ativa do processo de compras de materiais isando à melhoria das operações da empresa em todos os níveis.



Com a implantação da compra pró-ativa, o processo de compras de materiais fica focado nas atividades estratégicas, isto é, na realização do planejamento das aquisições e, também, no relacionamento com os fornecedores. Com isto, a etapa operacional torna-se mais ágil que no modelo tradicional e, também, vai de encontro com as necessidade do cliente final, isto é, entregar o material nas quantidades certas, no momento certo e também nas melhores condições de compra.

CONCLUSÃO


O estudo apresentado neste artigo sugere que a adoção do comércio eletrônico B2B exige uma mudança de competências dos profissionais relacionados ao processo de compra de materiais. Entre as competências necessárias inclue-se atividades de negociação, de planejamento, de participação na elaboração de projetos e especificações e, principalmente, de abordagens para criação de parcerias com fornecedores. Através destas mudanças o comprador deixa de ser um profissional preocupado em receber as requisições e efetuar a compra dos materiais e passa a ser um negociador focado nos fatores estratégicos da empresa.




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