AvaliaçÃo da qualidade de vida e intensidade de dispneia em pneumopatas crônicos participantes do programa de reabilitaçÃo pulmonar



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AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA E INTENSIDADE DE DISPNEIA EM PNEUMOPATAS CRÔNICOS PARTICIPANTES DO PROGRAMA DE REABILITAÇÃO PULMONAR

Giseli Domingues Cordeiro, Kathleen Julia Silva, Maurício Longo Galhardo e Márcia Maria Faganello Mitsuya

E-mails: giseliegigi@hotmail.com; kathleenjulia@hotmail.com; marcia@unisalesiano.edu.br; mauricio@unimedlins.coop.br



RESUMO

A Asma e a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) são doenças crônicas das vias aéreas, que causam consideráveis restrições físicas, emocionais e sociais. Dentre a sintomatologia, a dispneia é o sintoma que mais compromete a qualidade de vida dos pacientes com Asma e o DPOC. É utilizado, como alternativa terapêutica, o programa de Reabilitação Pulmonar (PRP), visando a uma melhora física e um nível mais alto de qualidade de vida. O objetivo deste estudo é verificar a qualidade de vida e intensidade de dispneia em pneumopatas crônicos. Fizeram parte da amostra 14 pacientes, sendo 7 DPOC e 7 asmáticos de ambos os gêneros, com idade média de 74,2 ± 8,9, que responderam aos questionários Índice Basal de Dispneia (BDI), Escala de dispneia do Medical Research Council (MRC), questionários de vias aéreas 20 (AQ20) e a versão brasileira do questionário de qualidade de vida Short-Form (SF-36). Concluiu-se através do presente estudo que os asmáticos possuem uma qualidade de vida menos prejudicada, visto que a intensidade da dispneia é menor, quando comparada à DPOC.



PALAVRAS CHAVES: Qualidade de vida. Intensidade de dispneia. pneumopatas crônicos.

ABSTRACT

The asthma and the chronic obstructive pulmonary disease (COPD) are chronic airway diseases that cause considerable physical, emotional and social restrictions. Among the symptoms, the dyspnea is the one that most affects the quality of life of the patients who suffer from asthma and COPD and, quantifying the intensity of it, it is possible to relate the impact of the dyspnea in these people’s quality of life. The Pulmonary Rehabilitation (PR) is used as a therapeutic alternative and aims to improve the physical state and provides a high quality of life level. This study aims to verify the quality of life and the intensity of the dyspnea in chronic lung disease patients. Fourteen patients participated in the research, among them 7 who suffer from COPD and 7 from asthma, in both gender and with average age of 74.2 ± 8.9, who answered to the following questionnaires: Baseline Dyspnea Index (BDI), Medical Research Council (MRC) Dyspnea Scale, Airways Questionnaire 20 (AQ20) and the Brazilian version of the Short-Form (SF-36) quality of life questionnaire. From the present study, it was concluded that asthma patients have a less impaired quality of life, since the intensity of the dyspnea is lesser, compared to the one with the COPD.

Key words: Quality of Life. Intensity of Dyspnea. Chronic Lung Disease Patients.

INTRODUÇÃO

Dispneia é uma terminologia utilizada para designar a dificuldade que determinados indivíduos, portadores de alguma doença pulmonar, cardíaca, metabólica têm de respirar.

A Asma é uma doença inflamatória caracterizada por obstrução, inflamação e hiper-reatividade das vias aéreas desenvolvida por alérgenos, exposições ambientais e fatores genéticos.

Classifica-se de acordo com sua frequência, intensidade de seus sintomas, tolerância aos exercícios, número de hospitalização, medicação e se já fez uso de ventilação mecânica. Pode ser classificada em intermitente, persistente leve, persistente moderada e persistente grave.

Segundo o ministério da saúde (2012), no ano de 2004, a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) ocupou o 13° lugar no ranking mundial de patologias, no entanto estima-se que em 2030 a DPOC ocupará o 5° lugar no ranking.

Conforme Pryor; Webber (2002), a DPOC é definida como um conjunto de condições que se caracteriza pela presença de obstrução ou limitação crônica ao fluxo aéreo de progressão lenta, persistente e irreversível.

Na DPOC ocorre uma combinação de Bronquite Crônica e Enfisema Pulmonar. Quando ocorre alteração do parênquima pulmonar, ocasionando um aumento dos espaços aéreos distais ao bronquíolo terminal, com destruição de suas paredes, temos o Enfisema. Se o processo inflamatório crônico ocasionar alterações brônquicas, é denominado Bronquite Crônica.

Em 2004, estima-se que 64 milhões de pessoas eram portadoras de DPOC em todo o mundo, mais de 3 milhões morreram de DPOC em 2005 equivalendo 5% de todas as mortes do mundo naquele ano (WHO, 2011).

Em relação à saúde, a qualidade de vida (QV) é um componente que constitui um indicador de percepção que o doente tem da doença no seu bem estar.

De acordo com Gava e Picanço (2007), as perdas da capacidade física e da QV podem também estar relacionadas com alterações psíquicas do paciente. As limitações fisiológicas e funcionais da habilidade física estão acompanhadas de fatores psicológicos, resultando em isolamento social e deteriorização da qualidade de vida.

Os questionários de QV foram desenvolvidos com intuito de avaliar o estado de saúde e as repercussões que a doença causa, sendo um instrumento que serve para comparar o efeito de alguma intervenção (TARANTINO, 2002).

Para a Reabilitação Pulmonar, esses instrumentos devem ser curtos e de fácil entendimento, auto-aplicáveis ou não, e possuir a propriedade de distinguir entre pneumopatas crônicos aqueles que têm melhor ou pior QV (RODRIGUES, 2003).

O estudo será realizado através do questionário de Vias aéreas 20 (AQ-20), Índice Basal de Dispneia (BDI) e Escala de dispneia do Medical Research Council (MRC) a versão Brasileira do questionário de qualidade de vida Short-Form (SF-36). Será avaliado o grau de dispneia e a QV, nos pneumopatas crônicos.

O presente trabalho surgiu do seguinte questionamento: Os pacientes portadores de pneumopatias crônicas têm a qualidade de vida prejudicada devido ao grau de dispneia presente ?

Frente às diversas prerrogativas abordadas, o presente trabalho tem como objetivo geral avaliar a qualidade e intensidade de dispneia em pneumopatas crônicos.
Reabilitação Pulmonar
A Reabilitação Pulmonar foi definida em 2006 pela ATS, como uma intervenção multidisciplinar baseada na evidência para pacientes sintomáticos com doenças respiratórias crônicas e que, muitas vezes, apresentam diminuição de suas atividades de vida diária.

A Reabilitação Pulmonar tem como objetivos: reduzir a obstrução das vias respiratórias, com a finalidade de aliviar e controlar os sintomas e a fisiopatologia da incapacidade respiratória; dessensibilizar o paciente do pânico da dispneia; melhorar sua condição nutricional; introduzir o exercício físico à vida dos pacientes interrompendo o ciclo vicioso de sedentarismo, e ensinar as técnicas e estratégias para conservação de energia.

Conforme Allsen; Harrison; Vance (2001), a atividade física traz benefícios à maior parte dos componentes estruturais e funcionais do sistema musculoesquelético, aumentando a capacidade funcional, melhorando a QV.

A Reabilitação Pulmonar é um importante recurso a ser empregado, associada à intervenção terapêutica e à cessação ao tabagismo. Integra-se à manutenção da estabilidade clínica dos pneumopatas crônicos (RODRIGUES 2003).

Pacientes que frequentam um PRP melhoram a QV e a capacidade de realizar exercícios, reduzem a necessidade de visitas médicas domiciliares quando ocorrem as exacerbações, e reduzem os dias de hospitalizações.

1. DESENVOLVIMENTO


    1. Casuística e Métodos

Participaram do estudo 14 pacientes adultos de ambos os gêneros, sendo 7 portadores de DPOC e 7 portadores de Asma, participantes do Programa de Reabilitação Pulmonar (PRP). O período do estudo foi de março a setembro de 2012.

Foram aplicados os questionários: BDI, MRC, AQ20 e SF-36, para avaliar a intensidade de dispneia e qualidade de vida.

O presente estudo foi realizado na Associação Atlética do Banco do Brasil- AABB localizado na cidade de Lins no período entre 7h30 min ás 9h, quando foram analisadas a intensidade de dispneia e a qualidade de vida.

Os 14 pacientes foram analisados através da versão brasileira dos questionários de Qualidade de Vida Short Form - 36 (SF36) e do Questionários de Vias Aéreas 20 (AQ20). Para avaliar a intensidade de dispneia foram aplicados o Índice Basal de dispneia (BDI) e a Escala de dispneia do Medical Research Council (MRC).

A versão Brasileira do questionário de Qualidade de Vida Short Form - 36 (SF36) é constituído de 36 questões, subdividido em 8 domínios: capacidade funcional, aspectos físicos, dor, estado geral da saúde, vitalidade, aspectos sociais, aspectos emocionais e saúde mental. Os dados são avaliados, a partir da transformação das resposta em escores de 0 a 100, de cada componente, não havendo um único valor que resuma toda a avaliação, revelando em um estado geral de saúde melhor ou pior.

O Questionário de vias aéreas 20 (AQ20) tem como objetivo avaliar a qualidade de vida dos pacientes portadores de doenças respiratórias de caráter obstrutivo. Tendo como opções de resposta “sim”, “não” e “não se aplica”, o resultado final varia de 0 a 20 pontos. As pontuações mais elevadas indicam prejuízo na qualidade de vida.

O Índice Basal de dispneia (BDI) é composto de três itens, que têm como finalidade avaliar o grau de incapacidade funcional causado pelo impacto da dispneia O escore final varia de 0 a 12; o escore mais alto representa maior desempenho quanto ao sintoma .

A Escala de dispneia do Medical Research Council (MRC), elaborada para analisar a intensidade de dispneia no paciente enquanto ele executa algum tipo de tarefa do seu dia a dia, seu escore é de 0 a 5. Quanto maior o valor do escore, maior é a sensação de dispneia.

Após a coleta desses dados,foi realizada a análise estatística e os valores foram demonstrados em tabelas.

1.2 Resultados

Foram selecionados 18 pacientes de ambos os gêneros participantes do PRP. Durante o estudo foram excluídos 2 indivíduos por apresentarem doença pulmonar intersticial, e 2 por não comparecerem ao PRP, ficando assim 14 pacientes. Foram aplicados os questionários BDI e MRC para verificar a intensidade de dispneia, e o AQ20 e SF-36 para avaliar a qualidade de vida, no período de março a setembro.

A tabela 1 mostra a faixa etária e os valores dos questionários BDI, AQ20, SF-36.

Tabela 1: Características dos pacientes com DPOC e Asma






Total (n=14)

DPOC (n=7)

Asma (n=7)

Idade (anos)

74,2 ± 8,9

76,7±10,3

71,2±6.8

BDI

7,9 ± 3,0

7,3±3,9

8,6±1,9

MRC

1,6±0,8

1.8±0,9

1,4±0,8

AQ20 (%)

25,8±20,4

37,5±22,1

15,7±13,0

SF36- CF

76,9± 18,2

63,3±17,5

88,6±8,0

SF36- LAF

55,8± 41,0

29,2±24,6

78,6±39,3

SF36-Dor

70,2±26,8

77,3±28,2

64,1±26,0

SF36-EGS

83,0±11,3

75,0±8,1

90,0±8,8

SF36-V

59,3±18,3

56,8±26,8

61,4±8,0

SF36-AS

97,5±7,9

91,7±14,4

100,0±0,0

SF36-AE

90,0±31,6

75,0±50,0

100,0±0,0

SF36-SM

80,6±8,9

77,3±8,3

83,4±9,1

BDI= índice basal de dispneia; MRC= escala do Medical Research Council; AQ20= questionário de vias aéreas 20; Short-form; SF-36-CF= Short-form capacidade funcional; SF-36-LAF= Short-form limitação por aspectos físicos; SF-36- EGS= Short-form estado geral de saúde; SF-36 -V= Short-form vitalidade; SF-36- As= Short-form aspectos sociais; SF-36 -AE= Short-form aspectos emocionai; SF-36- SM= Short-form saúde mental.

Fonte:Elaborada pelas autoras, 2012.

Podemos constatar, de acordo com os resultados encontrados pelos questionários BDI e MRC, que os pacientes com DPOC, apresentam maior intensidade de dispneia, que leva a uma limitação importante nas AVDs e consequentemente na QV.

A tabela 2 mostra a comparação da QV por meio dos questionários AQ20 e SF-36.

Tabela 2: Avaliação da Qualidade de Vida





DPOC (n=7)

Asma (n=7)

p

AQ20

37,5±22,1

15,7±13,0

0,049*

SF36-CF

63,3±15,5

88,6±8,0

0,006*

SF36- LAF

37,5±0,0

100,0±62,5

0,035*

SF36-EGS

75,0±8,1

90,0±8,8

0,009*

AQ20= questionário de vias aéreas 20; SF-36-CF= Short-form capacidade funcional; SF-36-LAF= Short-form limitação por aspectos físicos; SF-36- EGS= Short-form estado geral de saúde;. *p<0,05. Fonte:Elaborada pelas autoras, 2012.

De acordo com valores relacionados na tabela 2, podemos demonstrar que os pacientes com DPOC possuem maior prejuízo na QV quando comparados com os pacientes com Asma. Esses dados foram encontrados nos valores do AQ20 e os domínios (CF, LAF e EGS) do SF-36. A análise dos demais domínios não demonstrou significância estatística.

Tabela 3: Interferência da intensidade de dispneia na qualidade de vida nos pacientes com DPOC e Asma


SF36 (domínios)

Correlação com BDI

p

Correlação com MRC

p

SF36-CF

0,34

0,244

-0,33

0,252

SF36- LAF

0,23

0,435

-0,75

0,002*

SF36-Dor

-0,34

0,236

-0,11

0,723

SF36-EGS

0,15

0,616

-0,61

0,025*

SF36-V

-0,22

0,447

-0,19

0,516

SF36-AS

-0,47

0,148

-0,26

0,446

SF36-AE

0,29

0,384

-0,19

0,583

SF36-SM

0,04

0,878

-0,00

0,978

AQ20

-0,71

0,006*

0,49

0,087

AQ20= questionário de vias aéreas 20; SF-36-CF= Short-form capacidade funcional; SF-36-LAF= Short-form limitação por aspectos físicos; SF-36-EGS= Short-form estado geral de saúde; SF-36 -V= Short-form vitalidade; SF-36- As= Short-form aspectos sociais; SF-36-AE= Short-form aspectos emocional; SF-36- SM= Short-form saúde mental. *p<0,05.

Fonte:Elaborada pelas autoras, 2012.

A intensidade de dispneia avaliada pelo MRC encontrou correlação negativa com os domínios LAF, EGS do questionário SF-36, ou seja, quanto maior a intensidade de dispneia, mais prejudicada é a QV dos pacientes com DPOC e Asma.

DISCUSSÃO
A importância deste estudo foi analisar a intensidade de dispneia, por meio dos questionários BDI, MRC e a QV com o SF-36 e o AQ20.

Em casos de pneumopatias crônicas DPOC e Asma diversos fatores como a dispneia e o descondicionamento físico podem interferir nas atividades de vida diária (AVDs) e na qualidade de vida do indivíduo (FERREIRA, GREEN, ROCHA, 2009).

A QV tem sido extensamente estudada por meio dos questionários de qualidade de vida, entretanto existem poucos estudos na América Latina que tenham avaliado com profundidade esse aspecto (CAMELIER, 2005).

Em nosso estudo, ao analisar o grau de obstrução brônquica com o AQ20, concluímos que, principalmente no grupo de pacientes com DPOC, à medida que a intensidade de dispneia aumenta, a QV encontra-se mais prejudicada. Para Rodrigues (2003), a dispneia é o sintoma que mais limita fisicamente os indivíduos portadores de DPOC.

Pacientes com limitação crônica do fluxo aéreo apresentam limitação da capacidade física devido à anormalidade dos mecanismos ventilátorios, dos músculos respiratórios, da troca de gás alveolar e da função cardiovascular (MARCONDES, M; SUSTOVICH,D; RAMOS,O, C, 1979).

Em nosso estudo, os indivíduos portadores de DPOC apresentaram uma correlação negativa do MRC com os domínios LAF, EGS do questionário SF-36. Portanto pode-se constatar que os indivíduos portadores de DPOC apresentaram maior acometimento da QV comparando com indivíduos asmáticos.

As repercussões negativas da Asma na QV estão relacionadas aos sintomas da doença, aos efeitos colaterais das medicações ou a limitações no trabalho ou à prática de exercícios (SCALAN; STOLLER; WILKINS, 2000).

Estudos realizados por Witek & Mahler (2003), mostraram que BDI / TDI (Transition Dispnea Índex) são índices válidos para o uso em pesquisas clínicas e apresentam capacidade para identificar diferenças clinicamente importantes da dispneia. No presente estudo o grupo de pacientes com DPOC, apresentaram maior intensidade de dispneia, em relação ao grupo de pacientes asmáticos, avaliados pelos questionários BDI e MRC.

Rodrigues (2003), associa o progressivo descondicionamento físico à inatividade do início a um ciclo vicioso, em que a piora da dispneia se associa a esforços físicos cada vez menores. Esses dados justificam a correlação negativa do MRC, com os domínios LAF, CF do SF-36.

Para Folgering ,H; Herwaorden, C. (1994), a limitação ao exercício ocorre devido à limitação ventilatória que gera dispneia principalmente durante o esforço físico. Diminuindo consequentemente a atividade diária, pode-se evoluir para o sedentarismo e o isolamento social, que podem resultar em um alto grau de ansiedade e depressão com piora da QV.

Um estudo realizado por Gonzalez et. al (2005), demonstrou a associação entre a intensidade de dispneia e o estado de saúde. As análises de regressão mostram que a sensação de dispneia explica entre 25% e 54% das variações dos escores de estado de saúde em pacientes com DPOC. Esses dados corroboram com os resultados do presente estudo em relação ao domínio EGS.

Estudos têm demonstrado que a dispneia constitui-se no principal fator limitante da QV, relacionada à saúde de pacientes portadores de insuficiência respiratória crônica, seja ela de cunho obstrutivo ou restritivo (MARTINEZ ; PADUA, 2004).

O presente estudo demonstrou que o grupo de DPOC apresentou limitações na QV, devido à maior intensidade de dispneia, quando comparada ao grupo de Asma. Apesar de ser semelhante o mecanismo da obstrução do fluxo aéreo na DPOC e na Asma, são distintas as características patológicas e funcionais das doenças. Essas diferenças podem explicar o melhor prognóstico em pacientes asmáticos em comparação com os portadores de DPOC (FABBRI et. al 2003).

Apenas três estudos anteriores analisaram a contribuição da sensação de dispneia para AQ20 (CAMELIER et.al ; 2005; HAJIRO et.al 1999; SANCHEZ et.al, 2008). O AQ20 provou ser um instrumento com poder discriminativo e de responsividade comparado com outros questionários específicos (HAJIRO et. al 1998).

[ Links ]Através das correlações constatou-se que a capacidade funcional e o estado geral de saúde são fatores relevantes que podem interferir na qualidade de vida dos indivíduos com DPOC participantes do PRP.

Os resultados obtidos neste estudo corroboram com as achados na literatura, demonstrando que a Asma ocasiona menor índice de dispneia e uma melhor QV visto que a sintomatologia da DPOC é progressiva e piora com a idade, enquanto os sintomas da Asma são episódicos e repetitivos com o passar do tempo.


CONCLUSÃO
Por meio da análise dos resultados obtidos neste presente estudo, pode-se concluir que a qualidade de vida é influenciada diretamente pela intensidade de dispneia em pacientes portadores de DPOC e Asma.

Mediante as correlações, com os domínios, estado geral de saúde e limitação por aspectos físicos (SF-36), os pacientes com Asma apresentaram um menor índice de intensidade de dispneia e melhor qualidade de vida em relação aos pacientes com DPOC. A interferência direta da dispneia na qualidade de vida também foi demonstrada na análise do BDI com o questionário AQ20.

Concluímos ainda que a DPOC é uma doença sistêmica que acarreta maior intensidade de dispneia e consequentemente qualidade de vida mais prejudicada, quando comparada com a Asma.

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