Avaliação clínica e radiográfica de implantes curtos de titânio e com plataforma protética cone-morse



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Avaliação clínica e radiográfica de implantes curtos de titânio e com plataforma protética cone-morse
Guilherme Fernandes Fonteque(PIBIC/CNPq/Unioeste), Alex Cândido Ribeiro, Adriane Yaeko Togashi (Orientador), e-mail: gfonteque@hotmail.com.
Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Ciências Biológicas e da Saúde/Cascavel, PR.
Ciências da Saúde - Odontologia.
Palavras-chave: Implante, prótese, cone-morse.
Resumo

As próteses implanto-suportadas consistem em uma das alternativas bem indicadas para casos de pacientes parcial e totalmente desdentados. Entretanto, com a perda das estruturas dentárias, reabsorção óssea fisiológica é observada no processo alveolar. Com a perda da altura e volume ósseo, torna-se inviável esta técnica sem a realização prévia de um enxerto ósseo na área de colocação do implante. Com o intuito de suprir esta deficiência, foram avaliados implantes curtos de 6,0mm de comprimento em pacientes com maxilas e mandíbulas severamente reabsorvidas e que necessitam de reabilitação protética. Este estudo tem como objetivos: 1) avaliar a estabilidade clínica dos implantes curtos de 6,0mm de comprimento; 2) avaliar os resultados e eficácia, a longo prazo, deste tipo de implante no tratamento da prótese sobre implante. O estudo foi dividido em dois grupos: Grupo 1 - pacientes com implantes de titânio de 6,0mm de comprimento e 3,75mm de diâmetro; e Grupo 2 (controle) - pacientes com implantes de titânio maiores ou iguais a 8,0mm de comprimento e 4,3mm de diâmetro. Todos os implantes receberam próteses implanto-suportadas. Os resultados do trabalho sugerem que o uso de implantes de 6,0mm de comprimento permite a reabilitação protética de áreas desdentadas sem a necessidade da realização de enxerto ósseo. Com isso, o tratamento reabilitador torna-se mais rápido e com menor morbidade para o paciente.


Introdução
A técnica de colocação dos implantes descrita por Branemark e aplicada desde 1965, utilizando implantes de titânio como suporte para próteses, apresenta altas taxas de sucesso.

Além da altura e volume ósseo, as limitações anatômicas podem interferir no posicionamento de implantes osseointegrados. Na maxila posterior, o que limita é a extensão da cavidade do seio maxilar, na mandíbula posterior, é a posição do nervo alveolar inferior. As técnicas para reconstrução vertical e horizontal do rebordo posterior, tais como, enxerto ósseo autógeno, regeneração óssea guiada e reposição de nervo alveolar inferior, têm mostrado altos níveis de morbidade (Neves et al., 2006).

Embora muitos estudos mostrassem taxas de fracasso mais alta para implantes curtos, relatos recentes têm mostrado taxas de sucesso comparáveis aos implantes mais longos (Renouard et al., 2005; Renouard et al., 2006; Misch et al., 2006).

Apesar dos implantes osseointegrados possuírem extensa comprovação científica, a utilização de implantes com comprimento inferior a 8,0mm tem sido pouco investigada e documentada quando comparado aos implantes mais longos. O objetivo deste estudo clínico foi avaliar a estabilidade e nível ósseo dos implantes cone-morse curtos e o seu comportamento em longo prazo após a colocação da prótese.


Material e Métodos
A seleção dos pacientes obedeceu aos seguintes critérios de inclusão: pacientes com 18 anos ou mais; disposição para cooperar com as exigências do estudo, sem comprometimento sistêmico como a diabetes mellitus, osteoporose, câncer, irradiação e discrasias sanguíneas; boa higiene bucal; volume de osso alveolar suficiente no sítio receptor, isto é, ≥6,0mm de largura e ≥8,0mm de altura; qualidade óssea tipo I-III. E os seguintes critérios de exclusão: pacientes grávidas ou lactantes; uso de álcool, fumo e drogas; sítio receptor do implante com reconstrução prévia; presença de raízes residuais no sítio receptor do implante; qualidade óssea tipo IV; mucosa queratinizada <2,0mm no sítio receptor do implante; doenças estomatológicas; sinais clínicos de disfunção temporo-mandibular e bruxismo.

Avaliação Clínica: os parâmetros clínicos foram medidos com uma sonda milimetrada (PCV12KIT6 Hu-Friedy®, Chicago, IL, USA). Os seguintes parâmetros clínicos foram coletados: profundidade de sondagem (PS), largura da mucosa queratinizada, índice de sangramento do sulco modificado (mBI), índice de placa modificado (mPlI). Os dados clínicos foram coletados após 3 anos após a instalação dos implantes.

Avaliação Radiográfica: foram tomadas radiografias periapicais intra-orais analógicas no momento da instalação da prótese e após 36 meses. Utilizou-se película radiográfica dupla padronizada (Kodak, Eastman Kodak Co.), técnica do paralelismo e dispositivo acrílico individualizado posicionador do filme radiográfico adaptado ao pilar protético, com uma exposição de 0,5s para radiografias anteriores e 0,6s para radiografias posteriores. Para mensurar as mudanças na altura da crista óssea peri-implantar, foi realizada a análise linear da distância do ombro do implante até a porção mais coronária de contato osso-implante na mesial e distal, e expressa em milímetros, utilizando o software ImageJ 1.45. As tomadas e análises radiográficas representam o instrumento de coleta de dados do tecido ósseo peri-implantar.

O número do parecer consubstanciado do CEP é 988.506.


Resultados e Discussão
Análise radiográfica: não houve diferença na distância da crista óssea ao ombro do implante entre o grupo implante curto (6,0mm) e o grupo de implantes de comprimento maior que 8,0mm (controle). Ou seja, após cerca de 3 anos após a colocação das próteses, os implantes curtos se comportaram da mesma maneira que os implantes longos, sem reabsorção óssea peri-implantar, de acordo com a tabela 1.

Análise clínica dos parâmetros peri-implantares: não houve diferença na profundidade de sondagem, largura de mucosa queratinizada e índice de sangramento peri-implantar entre o grupo implante curto (6,0mm) e o grupo de implante de comprimento maior que 8,0mm (controle). Entretanto, observou-se maior acúmulo de placa no grupo controle comparado ao grupo implante curto (6,0mm). Ou seja, após cerca de 3 anos após a colocação das próteses, os pacientes com implantes curtos mantiveram um bom controle da placa, mas a presença da placa não acentuou o sangramento nos pacientes do grupo controle. Isso pode ser devido a presença de mucosa queratinizada nos grupos que pode ter proporcionado uma proteção na região da gengiva marginal contra processos inflamatórios, de acordo com a figura 1.

Arlin (2006) instalou 630 implantes, em 264 pacientes. Trinta e cinco deles (5,6%) tinham 6,0mm de comprimento, cento e quarenta e um (22,4%) tinham 8,0mm de comprimento, e o restante 454 (72,1%) tinham comprimento variando entre 10,0 a 16,0mm. Foram feitas tomadas radiográficas para avaliação da perda óssea na região da crista. No total, 17 (2,7%) dos implantes instalados falharam, gerando um índice de sucesso de 94,3%, 99,3% e 96,9% para implantes de 6,0mm, 8,0mm e 10,0 a 16,0mm respectivamente. Os dois únicos implantes de 6,0mm que falharam foram perdidos precocemente, antes da instalação protética e tinham sido instalados em osso tipo lV. O autor concluiu que implantes de 6,0mm e 8,0mm podem ser uma opção previsível para tratamento.

Renouard & Nisand (2006) realizaram uma revisão de literatura para identificar artigos clínicos publicados entre Janeiro de 1990 e Dezembro de 2005 com o tema. Dos 21 artigos que se referiam ao comprimento dos implantes, alguns estudos mostraram um maior número de falhas atribuídas aos implantes curtos, apesar disso, os autores afirmaram que a sobrevida dos implantes curtos foi aceitável e poderiam ser indicados clinicamente, outros estudos indicavam índices de insucesso semelhantes para implantes curtos e longos

Olate et al. (2010) se propuseram a avaliar a influência do diâmetro e do comprimento dos implantes nas falhas precoces que ocorrem, foram analisados 131 implantes curtos (6 a 9mm), 635 implantes médios (10,0 a 12,0mm) e 883 longos (13,0 a 18,0mm), a maior taxa de insucesso ocorreu para os implantes curtos 9,9%, seguido pelos longos 3,4% e depois pelos médios 3,0%. Os implantes curtos mostraram uma tendência 0,16 vezes maior para falhas precoces.
Tabela 1- Análise radiográfica


Período


Controle

(8,0mm) Media ± SD



Implante Curto

(6,0mm) Media ± SD



Valor p

>3 anos

1.669 ± 0.1285


1.898 ± 0.3356


0,5293


Número de implantes

59

12

ns

Média da distância das medidas da crista óssea mesial e distal ao ombro do implante (implantes de 6,0mm e > que 8,0mm) dos grupos: implante curto (6,0mm) e controle. Teste estatístico: Teste de Mann Whitney. Os dados foram apresentados como média ± desvio padrão.


Figura 1- Média da profundidade de sondagem, largura de mucosa queratinizada, índices de sangramento e de placa dos implantes de 6,0mm e > que 8,0mm (Controle).

Conclusões
Podemos concluir que os implantes cone-morse de 6,0mm de comprimento apresentaram níveis de remodelação/perda óssea das cristas semelhantes aos implantes maiores que 8mm. E os parâmetros clínicos peri-implantares não foram influenciados pelo comprimento do implante. Os implantes curtos podem ser uma opção de tratamento nos casos onde não há comprometimento estético e há pouca altura óssea.
Agradecimentos
Ao CNPq e a UNIOESTE pelo auxílio financeiro na realização deste estudo.
Referências
Arlin, M.L. (2006). Short Dental Implants as a treatment option: results from observational study in a single private practice. International Journal of Oral Maxillofacial Implants 21, 769 – 776.
Minsk, L., Polson, A.M., Weisgold, A., Rose, L.F., Sanavi, F., Baumgarten, H. & Listgarten, M.A. (1996). Outcome failures of endosseous implants from a clinical training center. Compendium Continuing Education in Dentistry 17, 848.
Misch, C.E., Steignga, J., BArboza, E., Misch, D.F., Cianciola, L.J. & Kazor, C. (2006). Short dental implants in posterior partial edentulism: A multicenter retrospective 6-year case series study. Journal of Periodontal 77, 1340.
Neves, F,D., Fones, D., Bernardes, S.R., Prado, C.J. & Neto, A.J.F. (2006). Short implants: An analysis of longitudinal studies. International Journal of Oral Maxillofacial Implants, 21, 86.
Olate, S., Lyrio, M.C., Moraes, M., Mazzonetto, R. & Moreira, R.W. (2010). Influence os diameter and length of implant on early dental implant failure. Journal of Oral Maxillofacial Surgery 68, 414.
Renouard, F. & Nisand, D. (2005). Impact of implant length and diameter on survival rates. Clinical Oral Implants Research 17, 35.
Renouard, F. & Nisand, D. (2006). Short implants in the severely resorbed maxilla: a 2 – year’s retrospective clinical study. Clinical Implant Dentistry and Related Research 7, 104-110.



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