Avaliação clínica e de resistência insulínica do tratamento periodontal em pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2



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Avaliação clínica e de resistência insulínica do tratamento periodontal em pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2
Bruna Martinazzo Bortolini (PIBIC/CNPq/Unioeste), Patricia Oehlmeyer Nassar (Orientador), e-mail: ponassar@yahoo.com
Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Ciências Biológicas e da Saúde/Cascavel, PR
Grande área e área: Ciências da Saúde – Odontologia
Palavras-chave: Diabetes mellitus tipo 2, tratamento periodontal básico, inflamação.
Resumo
A destruição periodontal abrupta e a periodontite mais severa são observadas em indivíduos com diabetes não-controlada comparado com indivíduos com níveis de glicose sangüíneos bem controlados. O objetivo desta pesquisa foi avaliar e comparar o efeito clínico e da resistência insulínica, do tratamento periodontal básico em pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2 moderadamente compensados (MC) e descompensados (D), através dos parâmetros clínicos de profundidade de sondagem (PS), nível clínico de inserção (NI), fluido crevicular gengival (FCG) e tratamento atual do diabetes em adultos entre 25 e 75 anos. 20 pacientes foram distribuídos em 2 grupos, sendo 10 MC e 10 pacientes D. Os pacientes foram submetidos à avaliação clínica odontológica através de anamnese e questionário específico e ao tratamento periodontal básico. Eles foram avaliados por um período total de 9 meses, sendo que os exames clínicos e de FCG foram realizados nos períodos de 0, 3, 6 e 9 meses. Os resultados mostraram que no grupo de pacientes MC houve uma diminuição significativa tanto da PS quanto do NI ao final dos 9 meses. Já no grupo de pacientes D não houve uma mudança significativa destes parâmetros ao final deste período. Em relação ao FCG, os resultados mostraram que no grupo de pacientes MC a quantidade de fluido não se alterou, enquanto que no grupo de pacientes D houve um aumento significativo desta quantidade. Podemos concluir, portanto, que os pacientes com diabetes tipo 2 moderadamente compensados têm uma resposta mais favorável ao tratamento periodontal básico do que os pacientes descompensados.
Introdução

Diabetes mellitus tipo 2 é caracterizada pela função prejudicada da insulina devido a alterações nas moléculas de insulina e/ou os seus receptores celulares, é o tipo mais prevalente de diabetes mellitus entre a meia-idade (Santos et al., 2010).

A periodontite, uma doença inflamatória crônica comum, é causada pela infecção por gram-negativos e caracterizada pela formação de bolsa periodontal, perda de inserção de tecido conjuntivo e reabsorção óssea alveolar, que pode resultar em perda do dente (Sun et al., 2011). Vários estudos têm demonstrado que a prevalência da progressão e gravidade das doenças periodontais são superiores em indivíduos diabéticos quando comparado com os não-diabéticos, apoiando o diabetes mellitus como um fator de risco para periodontite (Santos et al., 2010). A destruição periodontal abrupta e a periodontite mais severa são observadas em indivíduos com diabetes não-controlada comparado com indivíduos com níveis de glicose sangüíneos bem controlados (Lee et al 2009).

Os marcadores de inflamação, que são comuns ao diabetes e a periodontite são uma indicação de controle da doença. O início e progressão de uma lesão inflamatória nos tecidos periodontais está positivamente associado com o fluxo de fluido crevicular gengival a partir do sulco gengival ou bolsa periodontal. Embora a relação clínica entre periodontite e diabetes mellitus esteja bem estabelecida, poucos estudos têm focado na resposta imunoinflamatória em sítios com periodontite em indivíduos com diabetes mellitus (Santos et al., 2010). Assim, o objetivo desta pesquisa foi de avaliar e comparar o efeito clínico e da resistência insulínica, do tratamento periodontal básico em pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2 moderadamente compensados e pobremente compensados, através dos parâmetros clínicos de profundidade de sondagem e nível clínico de inserção, fluido crevicular gengival e índice de massa.




Materiais e Métodos

Foram selecionados 20 pacientes, com faixa etária de 25 a 75 anos, sendo 10 portadores de Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) moderadamente compensados (MC) e 10 pacientes portadores de DM2 descompensados (D). Todos os pacientes foram submetidos ao tratamento periodontal básico. Como critérios de inclusão em ambos os grupos, os pacientes deveriam apresentar periodontite crônica moderada a severa, localizada ou generalizada, com pelo menos 4 sítios com profundidade de sondagem acima de 5mm e nível de inserção clínica maior ou igual a 4mm, não no mesmo dente, com sangramento à sondagem e inflamação gengival. No grupo I os pacientes deveriam ser portadores de DM2 MC (HbA1c < 8%). No grupo II os pacientes deveriam ser portadores de DM2 D (HbA1c > 8%). Como critérios de exclusão os pacientes deveriam apresentar história positiva nos últimos seis meses de antibioticoterapia de largo espectro, antiinflamatórios esteróides, anticoagulantes e imunossupressores, nos três meses antecessores ao estudo; história positiva de gestação ou amamentação; história positiva de qualquer tipo de problema sistêmico grave; história positiva de tratamento periodontal nos últimos 6 meses.


Avaliação clínica odontológica

1- Profundidade de sondagem (PS): distância do fundo de sulco até a margem gengival em seis pontos de cada dente. 2- Nível de inserção clínica (NI): também determinado nos mesmos pontos da profundidade de sondagem.



Dados do Diabetes:

Foi levantado o tempo de início e tratamento atual do diabetes.



Diagnóstico de Resistência a Insulina

a- IMC > 28,7 Kg/m2 ou b- IMC > 27 Kg/m2 e história familiar de diabetes



Análise do Fluido Crevicular Gengival (FCG)

Foram realizadas duas coletas por dente com tiras de papel filtro de 2x15mm; A área deveria estar seca com o biofilme dental removido, inseridas abaixo da margem gengival por 30 segundos. As tiras de papel foram colocadas imediatamente em solução alcoólica de ninhidrina a 0,2%. As tiras foram fotografadas e analisadas com um programa computador (Image Pro Plus®) para determinação da quantidade de fluído absorvido em mm2 (Lagos et al., 2011).

Após o exame clínico inicial, os pacientes foram divididos aleatoriamente em 2 grupos, de acordo com O QUADRO 1.

QUADRO 1: Distribuição dos 20 pacientes de acordo com os tratamentos propostos



Grupo 1: DM2 MC


Instrução e motivação de higiene oral. Raspagem supra e subgengival. Alisamento radicular e polimento coronário

controle mecânico (Técnica de Bass modificada+fio dental).

Terapia de manutenção

Grupo 2: DM2 D

Instrução e motivação de higiene oral. Raspagem supra e subgengival. Alisamento radicular e polimento coronário

controle mecânico (Técnica de Bass modificada+fio dental).

Terapia de manutenção

O tratamento consistiu de instrução e motivação de higiene oral, raspagem supragengival e subgengival, alisamento radicular e polimento coronário. Os pacientes foram avaliados por um período total de 9 meses, sendo que as avaliações clínicas e as coletas do fluido foram realizados nos períodos de 0, 3, 6 e 9 meses. Análise estatística: Os dados obtidos foram analisados e avaliados através dos testes ANOVA um critério, com nível de significância de 5%.

Resultados e Discussão

A tabela 1 mostra as médias da PS e do NI dos 4 períodos dos 2 grupos de acordo com o quadro 1. Os resultados da avaliação clínica mostraram que no grupo de pacientes MC houve uma diminuição significativa tanto da PS quanto do NI ao final dos 9 meses. Já no grupo de pacientes D não houve uma mudança significativa destes parâmetros ao final do período experimental, sugerindo uma resposta deficiente destes pacientes ao tratamento periodontal básico







Tabela 1. Valores da PS e NI em ambos os grupos nos períodos de 0, 3, 6 e 9 meses. Os valores representam média ± desvio padrão. Os resultados são expressos em milímetros.










Profundidade

de Sondagem

Nível de

Inserção




Grupo MC

Grupo D

Grupo MC

Grupo D

1º exame (0)

1,9 + 0,2 A

2,3 + 0,04 A

2,0 + 0,3 A

2,9 + 0,1 A

2º exame(3 meses)

1,7 + 0,1 B

2,1 + 0,1 B

1,8 + 0,2 AB

2,4 + 0,1 B

3º exame(6 meses)

1,2 + 0,01C

1,9 + 0,6 B

1,2 +0,06 C

2,3 +0,05 C

4º exame(9 meses)

1,6 ± 0,3 B

2,4 ± 0,5A

1,7 ± 0,3B

3,2 ± 0,8 A




Letras diferentes, (p<0,05) dados diferentes estatisticamente dentro de um mesmo grupo.

Dados do Diabetes

Os dados analisados mostraram que 57,1% faziam tratamento apenas com antidiabéticos orais, 7,1% faziam tratamento somente com insulina, 7,1% antidiabéticos orais e insulina e 28,7% faziam apenas o regime alimentar. 60% destes pacientes não tiveram mudança no regime de tratamento durante o período da pesquisa, 40% tiveram, sendo que a maioria teve aumento da dose. Apenas 1 paciente passou a controlar somente por alimentação e 1 foi por motivo de alergia.



Diagnóstico de Resistência à Insulina

33,3% dos pacientes apresentaram diagnóstico de resistência a insulina (IMC>28,7), enquanto 66,7% não apresentaram diagnóstico de resistência à insulina.



Análise do Fluido Crevicular Gengival

A tabela 2 mostra as médias da quantidade do FCG medido por área dos 4 períodos dos 2 grupos de acordo com o quadro 1. Os resultados mostraram que no grupo de pacientes MC a quantidade de fluido não se alterou ao final de 9 meses, enquanto que no grupo de pacientes D houve um aumento significativo da quantidade de fluido sugerindo que realmente o paciente diabético descompensado não tem uma boa resposta ao tratamento periodontal básico.






Tabela 2. Valores da Área do FCG. Os valores representam média + desvio padrão. Os resultados são expressos em pixels ao quadrado.




Grupo MC

Grupo D




1º exame (0)

6086,8 + 351,4 A

5681,6 + 144,4 A




2º exame (3 meses)

4648,4 + 281,3 B

4513,4 + 157,0 B




3º exame (6 meses)

4133,5 + 314,1C

4119,4 + 107,9 C




4º exame (9 meses)

5709,5 + 483,3A

6383,16 + 198,5D




Letras diferentes, (p<0,05) dados diferentes estatisticamente dentro de um mesmo grupo.

Conclusões

Podemos concluir, portanto, que os pacientes com diabetes tipo 2 moderadamente compensados têm uma resposta mais favorável ao tratamento periodontal básico do que os pacientes descompensados.


Agradecimentos

Agradecemos ao CNPq e à Unioeste pelo apoio na realização deste trabalho.


Referências

Lagos, m.l.p; Sant’Ana, a.c.p.; Greghi, s.l.a.; Passanezi, e. Keratinized Gingiva Determines a Homeostatic Behavior of Gingival Sulcus through Transudation of Gingival Crevice Fluid. International Journal of Dentistry, doi: 10.1155/2011/953135. Epub 2011 Nov 15, 2011.



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