Autor: Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti



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Autor: Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti

Título: O Jongo e a Macumba

Indicação bibliográfica: IN: Maria Emília Prado Marchiori (org.). Quissamã. Rio de Janeiro, Secretaria de Cultura/Prefeitura Municipal de Quissamã/IBPC, 1991. 2ª edição

Localização: BCG/UFF/Centro de Memória Fluminense



Informação sobre a edição:

Informação sobre o autor:

Data da 1ª edição:

Livro
Jongo: A autora menciona que Quissamã, distrito do Município de Macaé, recebeu significativo contingente escravo de origem banto, localizando-se ali o jongo e a macumba, duas manifestações culturais características dessa tradição. (p. 130) O jongo em Quissamã é chamado de Tambor. Os dois tambores utilizados são chamados de quimdum (pequeno) e tambu (grande). Segundo um informante local, Seu José Antônio, dançar o jongo seria simples: “risca o ponto e faz o jongo”, “faz uma roda com as pessoas e os tambores. Quem botou o tambor é o primeiro que vem dançar.” De acordo com os dançadores do jongo em Quissamã, naquele momento o jongo não era mais o mesmo ali, já que se encontrava em plena decadência: “Os donos de tambor quase não existe mais, foram indo.” (sem autoria) /“Os povos mais antigos foi morrendo, os mais novos não quis continuar. Tem que ter o mestre para ensinar. È onde o povo abandonou um pouco.” (Seu Zé Antonio Mourinho). A equipe de pesquisa relata ter ouvido durante o trabalho de campo “menções esporádicas a realizações de jongo na região”, mas tiveram apenas a chance de vê-lo uma vez - que foi feito a pedido da equipe - no terreiro em frente a fileira de senzalas da Fazenda Machadinha. (p. 132). A autora destaca o “caráter de lazer e improviso da dança”, bem como o simbolismo dos pontos. Os pontos cantados na ocasião faziam referência aos acontecimentos cotidianos dos próprios participantes, tais como:
Tava dormindo

Valdomiro me chamou

Cadê Jandira

Foi dar saca no tambor


Ou:
Eu vim da cidade

Dançar bendenguê

Quem nunca me viu

Que venha me ver

Eê, Eá

Quem nunca me viu



Quem venha me ver

Eê, Eá


Fui pra Bahia

Voltei pra cidade

Brincar bendengê

Quem nunca me viu

Quem venha me ver

Um dos pontos aludia ao próprio caráter encomendado daquele jongo:


Tambor, tambor

Tambor, tambor

Vai buscar quem mora longe

Foi Arnaldo quem mandou


A decadência do jongo anunciada pelos participantes foi tematizada de forma jocosa:
Oi tambor morre

Não morre não

Ai por Nossa Senhora

da Conceição


Ou
Tambor da Machadinha

Já foi muito bão

Depois da poeira

Não presta mais não

Em um outro ponto, o solista menciona algumas fazendas da região:
Eu fui em Vista Alegre

Não achei tambor

Tambor não tem?
Eu fui em Palmeiras

Não achei tambor

Tambor não tem?
Eu fui em Machadinha

Não achei tambor

Tambor não tem?

(...) p. 133


A autora considera que não de trata, no caso do jongo, de uma dança ritual e a possessão de espírito está ausente, característica fundamental da macumba. Mas a “terminologia e a estrutura do jongo (...) mantém contato com aquelas de processos e práticas religiosos (...)” pois, assim como a macumba, o jongo é realizado em terreiro e em formação circular (...) os tambores marcam o ritmo da forma musical cantada, chamada aqui como lá ponto.” Em Quissamã, “os jongueiros mantêm, geralmente, embora não necessariamente, ligação com o culto religioso. De maneira positiva ou negativa, essa relação era apontada por alguns moradores de Quissamã, que informavam: “no jongo tira ponto, igual a ponto de macumba”. Ou, então: “ponto de tambor é um, de macumba é outro.”
Macumba/Umbanda: “Macumba nesse lugar é antigo. É que nem candomblé na Bahia.” (Seu Antonio Mourinho)

Ilustrações:

Região descrita: Quissamã

Período da descrição: década de 1980

Informante: Seu Antonio Mourinho

Comentários: note-se que ao que indicam as informações do artigo (e do vídeo, parte do projeto) as mesmas pessoas que participam do fado e da folia de reis também participam do jongo. Menção à associações entre o calango e o calangueiro com os cantos de trabalho dos escravos e com a magia dos feiticeiros africanos.


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