Autobiografia


A menina da paragem do autocarro



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A menina da paragem do autocarro
heguei a Florença sem uma lira, sem conhecer ninguém (afinal esperavam por mim no dia anterior) e sem um sítio para ficar...Na estação lembro-me de caminhar pelo cais a pensar nisto mesmo quando ouvi o Ivo a chamar por mim. Tinha-o conhecido umas semanas antes aqui no Porto, tinha-o levado a conhecer a minha cidade, e ele não me tendo encontrado no dia anterior voltou no seguinte à minha procura. Retribuiu-me o papel de cicerone e mostrou-me aquela magnífica cidade que é Florença, a catedral do Duomo, a estátua de David de Miguel Ângelo ou a ponte Vechio são monumentos que ao visitá-los nos dá uma sensação estranha. Afinal já vimos isto na TV e agora estamos na sua presença ao vivo e a cores...Tive também a sorte de naquela semana viver em casa do Ivo, da mulher e dos filhos, um dos quais pouco mais novo do que eu. Convivi assim com a tradicional comida italiana, aquela de todos os dias e não a dos restaurantes, apreciando muito os petiscos de uma dona-de-casa italiana. Engraçado foi a viagem de volta. Por haver, no dia de partida uma greve dos comboios em Itália, não cheguei a tempo de em Pisa apanhar o comboio internacional e contrariando as indicações de lá ficar e conhecer a cidade, segui viagem em comboios regionais...E foi nesta viagem que me aconteceu outro dos episódios hilariantes. Viajávamos juntos, eu (português), dois rapazes franceses, um dos quais falava um pouco de inglês, tal como eu e duas raparigas catalãs, que falavam só espanhol e acreditem, bem diferente do espanhol que os nossos vizinhos aqui da Galiza falam. Então o francês que só falava francês dizia ao amigo, este traduzia para o meu inglês e eu tentava transmitir num misto de português e espanhol para as catalãs que respondiam fazendo a resposta sentido inverso até ao “francês francês” e este com cara de espanto dizia que não tinha perguntado nada daquilo... e ficávamos todos com ar de espanto a olhar um para os outros talvez a tentar perceber quem tinha aldrabado a tradução...Mas, mais uma vez o trabalhar com o pai, e agora com a falta da mãe, não estava a dar certo. Também o alugar das instalações não corria do agrado, tanto dos alugadores como de nós, alugantes, e por isso pouco mais de um anos depois eu voltei para a tipografia e o meu pai ficou com as bóias. Foi nessa altura que a responsabilidade de gerir uma empresa passou a fazer parte do meu trabalho. Apesar de gostar do que fazia, sentia que não me integrava naquele ofício e andava meio perdido naquele ambiente. Do escritório para o café e do café para o escritório fiz aquele percurso inúmeras vezes, perdido no meio de muita gente.

Que rapariga simpática, pensei eu naquele fim de tarde de domingo enquanto esperava o autocarro para seguir ao encontro dos meu amigos. Ela retribuiu com aquele sorriso no olhar que só nós percebemos. Saiu a meio da minha viagem e eu fiquei a vê-la distanciar-se. Que pena, pensei! Voltei a encontrá-la passados uns dias, outra vez perto de minha casa, entrando num prédio onde eu sabia haver um apartamento que alugava quartos a meninas de fora que vinham estudar ou trabalhar para o Porto. Porquê hesitar? Eu tinha, afinal, o número de telefone do apartamento. Alguns meses antes tinha namoriscado com uma anterior moradora. Telefonei e quando me atenderam fiquei sem saber o que dizer! “Boa! e agora?”: - posso falar com a menina que entrou? Perguntei eu! Alvoroço do outro lado da linha... Veio uma menina ao telefone e começamos a conversar. Durou alguns dias esta situação. Eu via-a entrar e telefonava. Conversávamos um pouco ao fim do dia. Não sei sequer se ele sabia com quem estava a falar. Até que no Domingo de Páscoa, à noitinha fiz um telefonema e convidei-a para uma saídinha para um café. Ela não estava nos seus dias, afinal era Páscoa e ao contrário de mim, que nunca liguei muito a esta festa, ela, de origem aldeã, gostava e estava triste por não a ter passado com a família. Nunca me esquecerei, estava eu n

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