Autobiografia



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as “victórias”

Mil novecentos e sessenta e nove, também o ano do tremor de terra, não só abalou fisicamente Portugal, mas tambem politicamente. Começavam a surgir as primeiras contestações ao poder estabelecido não só em círculos mais fechados mas agora o “povo povo” começava a compreender a situação. A guerra nas colónias começava a fazer mossa tantos eram os filhos, maridos, irmãos mortos em combate. Quase todas as famílias, estrutura base do regime, tinham queridos nas províncias ultramarinas, e em quase todas se abatia a desgraça de os perder...se não fisicamente, psicologicamente como se veria uns anos mais tarde. Dos meus primos mais velhos alguns combateram e felizmente todos voltaram com vida e sãos, pelo menos aparentemente (ou não!).

Eu continuo a estudar no João de Deus, faço o exame de 4.º classe e começo uma etapa diferente - 1.º ano do ciclo preparatório.

Estranho....um professor para cada disciplina, matemática, português, história, e por aí adiante. Já estávamos naquela parte reservada aos “grandes”.



Nesse tempo o pai trazia-me de manhã para o colégio, vinha-me buscar antes do almoço e íamos almoçar a casa, depois trazia-me ao princípio da tarde e pelas 16 h 30 m eu ia apanhar o autocarro à rua de Camões - “carreira E”, que ia para o Hospital São João e depois ia a pé pela Arroteia até chegar a casa - uma verdadeira aventura para mim. Por vezes a avó vinha ao meu encontro e tudo se tornava mais doce!

Mas as manhãs eram compridas, um dia achei que já eram aulas suficientes e decidi vir embora...Esperar o pai à porta do colégio...ele nunca mais vinha...eu tinha uns trocos para apanhar o autocarro no fim das aulas da tarde e, vai daí, pés ao caminho - o pai esqueceu-se, pensei eu! - Apanhei o autocarro para casa - azar! o autocarro avariou no caminho - as pessoas saíram para apanhar o substituto e eu, inocente, fiquei lá em cima - o autocarro era um daqueles de dois pisos - até que, por qualquer motivo, o motorista e o cobrador repararam em mim. Meteram-me noutro autocarro para o destino. Claro que quando lá cheguei, ninguém esperava por mim como de costume – andavam todos aflitos à minha procura. Ainda levei umas palmadas por fugir da escola (eu não fugi, eles é que pensaram que eu o fizera).

F
eu e o meu cão Rex


oi também o ano da 1.ª comunhão. A direcção do colégio organizou uma cerimónia para nós, alguns alunos, que como eu não frequentavam a catequese da igreja paroquial - se pensam que foi mais fácil desenganem-se...tivemos de estudar tudo aquilo num ápice. Nesse tempo muitos não frequentavam a escola, muitos só o faziam até à 4.ª classe e a catequese era a única formação social de muita gente. Pena é que não a soubessem adaptar aos tempos actuais.

N

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