Autobiografia



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Opel Kadett de 1964
era raro as pessoas terem um e naquele sítio onde vivíamos era quase único!....e tínhamos também televisão...mas só tinha um canal e nem por isso emitia todo o dia: a RTP, acabava por volta da meia-noite, sempre da mesma maneira: a bandeira portuguesa a flutuar e com o hino nacional em som de fundo. Por vezes, ao sábado emitia os bonecos animados, o super-rato, o mickey e a minnie, mas não víamos mais nada. O telejornal e os poucos filmes que já emitiam na altura eram-nos vedados e também pelas 21 h, 30 m já estávamos na cama...Brinquedos? Como prenda no sapatinho tinha um carrinho de James Bond...pouco maior do que os matchbox...e depois ainda havia uns carrinhos de folheta muito engraçados. Ainda hoje há coleccionadores desses modelos...a tia Aurélia, tia do meu pai, tinha uma loja, no Campo Lindo que vendia estes carrinhos e quando eu e a minha mãe a visitávamos dava-me um...eu, malandro, surripiava-lhe outro debaixo da camisola. Por vezes, quando íamos às romarias, o pai comprava-me um brinquedo de madeira, um ciclista que c
brinquedo de madeira
om o movimento provocado pela roda no passeio movia as pernas.

E lá fui eu para a escola do Valente (não é o mesmo)...uma pequena escola particular (?!) o projecto do que agora são os jardins-de-infância, governado pelo Sr. Valente e pela D. Tininha. Se o Sr. era o mais simpático dos velhotes, a D. Tininha era um horror de fugir....aliás, foi o que aconteceu ao segundo dia...saí dali e vim para casa...quando cheguei, a minha mãe fez o sermão mas com ela tudo bem. O problema seria o pai quando chegasse...mas não...: - O rapaz não quer, não vai...vai para a escola oficial em Outubro”. A única recordação daqui foi a figura dos dois no alto do palanque no fim...ou seria o princípio da sala?...umas fotos que eu não sabia de quem pendurados mais acima e um cruxifixo no meio...e num canto ao fim do recreio, duas paredes: uma alta e uma mais baixa paralela a primeira e afastada para frente uns 15 cm....e era onde fazíamos o xixi, para o meio das duas paredes. Mais uns buracos numas tábuas ali ao lado. Acho que nem havia portas...se calhar para prevenir algumas coisas!



E chegado Outubro, lá fui eu para a primeira classe da escola oficial...ali nas Arroteias, aquela escola típica do Estado, lá estavam as mesmas fotografias e o mesmo crucifixo. Havia um lado para os meninos e outro para as meninas e nem no recreio se cruzávamos. Lembro-me da Professora Esmeralda, a minha primeira professora, com uma bata branca, eu tinha uma também… e mais um colega... éramos os únicos. Os outros andavam com as roupas do dia-a-dia. Lembro-me também de um magusto...levamos umas saquinhas de castanhas e claro, uma garrafinha de vinho (que pecado, mas era assim!)....e lá assamos as castanhas e acho que as comemos porque nem me lembro dessa parte. Foi no ano em que o Papa Paulo VI visitou Portugal e por inerência todos os alunos passaram de classe administrativamente. Por aí ficaram os estudos de muitos, mais velhos, que frequentavam a primeira classe há anos. Eu passei e saí dessa escola para ir para o Externato Camões, em Rio Tinto, primeiro porque as condições económicas da família eram boas (o meu pai estava estabelecido na rua de S. Brás com uma tipografia) segundo porque, também diziam, era uma educação diferente...e como a avó vivia perto acompanhava-me muitas vezes. Ia-me buscar para o almoço e quando me custava a comer a sopa, lá vinha ela para a linha de comboio dar-ma às colherzinhas enquanto esperávamos que o comboio passasse...contrariando o meu avó que dizia: - habitua-lo mal!!, mas quando não era a avó e
os batas brancas
ra o avô...

Também não guardo muitas mais recordações deste Externato (só que passados uns anos imprimi os convites para as bodas de ouro dos proprietários enquanto o meu pai tinha impresso os das Bodas de Prata).



E

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