Autobiografia


os avós, Glória e António



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os avós, Glória e António

os avós, Eufrazina e Joaquim

os pais, no dia do seu casamento
as as primeiras verdadeiras recordações são da casa da rua Padre Costa.....um pequeno bairro de 10 habitações, 5 rés-do chão e 5 no primeiro andar...era, como se diz agora “condomínio fechado”...a entrada principal fazia-se por um portão pequeno que dava para um pequeno jardim e daí para a casa...subiam-se umas escadas e aí havia um hall que dava acesso, à esquerda para os dois quartos e uma casa de banho e à direita para um quarto onde muitas vezes dormia a minha avó Frazina (e eu ficava ali aconchegado nela) e à cozinha que tinha uma varanda e uma escadas que davam para um pequeno quintal, onde se plantavam umas pequenas hortaliças, que por vezes eu e os cães estragávamos por acidente....e um pátio comum onde brincávamos com os nossos vizinhos, dos quais só me recordo de alguns por terem a ver com factos marcantes....o primeiro porque na brincadeira com ele acabei por partir um braço e ir parar a uma mesa de operações....e outro, o Valente - grande benfiquista, andava sempre a fazer defesas à “Zé Gato” (José Henriques, guarda-redes do Benfica à época) - alvo de uma brutalidade muito grande por parte dos pais...com correcções constante e tareias de cinto e à paulada...em que vinha o pai tirar o filho das mãos da mãe, que o espancava, para ainda o espancar mais...esse rapaz tinha uma irmã, a Valentina, que, contrariamente ao irmão, era o alvo de todos os mimos dos pais…Impressionou-me particularmente um episódio em que os dois se envolveram numa disputa, na qual o rapaz, a meu ver, tinha razão. Mas como sempre ela é que foi coroada, ele mais uma vez espancado...na primeira oportunidade tratei do assunto e dei umas surras valentes à Valentina, ela foi a chorar para casa e eu fugi para a minha...ora eu que, se me lembro, levei um par de estalos do meu pai e umas palmadas da minha mãe, ia ver ali o meu amigo ser injustiçado a toda a hora!? A minha mãe compreendeu e escapei só com um ralhete para fazer figura!

Do outro lado da rua havia uns campos, nesse tempo de um lavrador de nome Alexandre, o “lexandre”, onde eu, os meus amigos e as nossas mães e avós passávamos as tardes quentes Verão...jogávamos à bola, às caçadinhas, às escondidas e numa das tarde eu fiquei com muita sede...ora a mãe mandou-me a casa fazer um refresco e nesse tempo a aguardente também servia para os fazer (grande heresia nos tempos que correm) e por vezes os mais novos já bebiam esses refrescos...ora aqui o Toninho exagerou na dose e quando chegou a beira da mãe as coisas não paravam quietas....nem eu de pé....: - o que tem o rapaz? Perguntavam umas às outras...até descobrirem que o refresco tinha mais aguardente do que água (foi o meu primeiro shot!).



O
com a mãe
utra grande recordação da vida nos campos foi quando vieram as doenças normais da infância, sarampo, papeira e essas todas...numa delas (acho que foi na papeira), a que eu ouvia chamar de “tresourelho”...tive de ir à canga!!! Ora o que é isto?...simplesmente ao fim do dia de trabalho do gado... tiravam a canga aos animais e aproveitando aquele calor enfiavam o nosso pescoço onde antes tinha estado um dos bois...ainda hoje penso se aquilo era para me curar? Pois se o outro animal ainda lá estava!!! Eu, cheiinho de medo...mal me tiraram de lá quando o animal que me fez companhia se pôs aos pinotes... eu a imaginar se ele tivesse feito aquilo quando eu ainda lá tivesse a cabeça!!!!! Acho que foi o primeiro susto da minha vida!

N
primeira caderneta bancária


esse tempo a minha avó Frazina dividia-se entre a sua casa em Rio Tinto e a nossa. Na minha mãe começava-se a manifestar a bronquite asmática, que viria a acompanhá-la (e a n ós) pelo resto da vida e ficava muitas vezes impossibilitada de fazer as coisas e por esse motivo a minha avó acompanhava-nos...no entanto, como ia ao fim do dia para casa, lá me levava a pé desde ali até casa dela, em Rio Tinto...claro que nem chegados à Areosa já tinha de me levar ao colo...quando o meu avô Joaquim não me vinha buscar na sua velha bicicleta, com aqueles cestinhos de verga na retaguarda onde me levava. A casa dos avós, bem mais modesta, tinha uma cozinha com o chão ainda em terra, onde também se faziam as refeições e um quarto...a retrete reduzia-se a umas tábuas de madeira com um buraco directo à fossa e ficava numa divisão de fora...de noite, para o mesmo efeito, havia o penico...mas ali na cama do meus avós, no meio deles sempre me senti acarinhado. O meu avô cozinhava, lembro-me bem que a minha avó era mais de andar na horta...e eu tinha um ancinho com o qual ajudava, e estragava também, a abrir os reguinhos para a água que alimentava a horta toda.... Não fui neto único destes avós mas como os meus primos, o José Luís e o Joaquim (ainda não nascido) filhos do tio Toneca, irmão da minha mãe, e da tia Laurinda, estavam emigrados na África do Sul, eu durante muitos anos depois fui o neto presente.

Lembro-me também de um carro que o meu pai tinha, um Opel Kadett...naquele tempo

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