Autobiografia



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a descendência
pesar da Internet ter iniciado os seus primeiros passos 40 anos atrás é após a 1.ª Guerra do Golfo que ela se começa a manifestar globalmente. Tornara-se indispensável como plataforma de trabalho durante os movimentos de guerra entre os Estados Unidos e o Iraque e ouvia-se falar de vírus introduzidos nos sistemas iraquianos a partir de satélites americanos - acho que nunca conseguiram esses intentos. Apareceu o Joaquim com um pequeno aparelho lá no escritório e mais uma vez começou uma aventura. Instalou as “drives” necessárias, ligou e depois de uma série de sons um pouco estranhos entrou num sítio. Era uma coisa meia estranha com uns textos e umas imagens. Não se sabia bem como aquilo funcionava, íamos de uma página para outra e desta para aquela. Contava como uma chamada telefónica e, taxada ao minuto, era caro...as contas de telefone – naquela altura da PT - aumentavam de mês para mês, por isso as ligações eram feitas sobretudo durante à noite, no horário económico..O Altavista era uma espécie de motor de busca que nos dava o endereço de BBS’s - Bulletin board system”, comunidades que disponibilizavam software, jogos e fotografias muitas das quais de cariz erótico e pornográfico. Também permitiam fóruns em que se punham as mensagens para os outros membros. Para fazer o download de qualquer coisa por mais pequena que fosse, demorava minutos. Não tardou muito a aparecer o yahoo e, a nível nacional, o “sapo - servidor de apontadores portugueses”, inicialmente um projecto da universidade de Aveiro, os primeiros motores de busca como os conhecemos na actualidade. Estes dois projectos vieram ajudar em muito o conceito de busca na Internet. Já podíamos procurar num espectro maior e actualizar os programas mais regularmente. Ao acompanharmos as páginas dos fabricantes ficávamos a conhecer as novidades mais rapidamente, bem assim como os erros das versões que possuíamos e, como utilizadores registados, eram facultadas correcções gratuitamente.

É a altura que o agora vulgar e-mail (electronic mail ou correio electrónico) começa a ser prática comum entre pessoas e entidades. As mensagens que circulam são obrigatoriamente curtas e normalmente só de texto, já que as respectivas caixas de correio são pequenas. O smtp e pop são os protocolos necessários para o bom funcionamento das mensagens de e-mail e diferenciam-se das páginas de Internet por o sinal “@” no meio do nome. No entanto também começam a ser um veículo perigoso nos que diz respeito à segurança dos próprios computadores e principalmente de pessoas e bens. Vírus, spam, mal-ware começam a ser palavras do nosso dia-a-dia. Aparecem também os canais de IRC, conversação online, talvez o precursor das famosas redes sociais de hoje

Depois de alguns trabalhos menos conseguidos e por causa disso mesmo começo a conhecer melhor a forma de funcionamento dos programas que uso diariamente e num deles depois de digitalizar as fotografias e as trabalhar no photoshop, o produto final saiu uma tragédia. As fotos além de terem um brilho muito intenso não contrastavam. Afinal o monitor que eu tinha não era apropriado para este tipo de trabalho. Mais um investimento que se teve de fazer, aproveitou-se e comprou-se uma máquina completa e mais sofisticada do que a anterior. Nessa altura eu fiquei a trabalhar com esse computador mais moderno enquanto outra pessoa ficou com o mais antigo. Aí, com um computador por minha conta, desenvolvo no excel um conjunto de folhas de cálculo para orçamentar as obras. Afinal aquele tralha que o Joaquim tinha trazido e somava nas “casinhas” servia para mais alguma coisa, já que além disso e das restantes operações aritméticas tinha outras que bem utilizadas completava o que era necessário para uma boa ferramenta de trabalho, o que automatizou totalmente a orçamentação. Não tardou muito até que a facturação e a abertura das folhas de obra fossem efectuadas pelo mesmo sistema.

Pouco após o nascimento da Joana, a empresa em que a Luciana trabalhava fecha as instalações aqui no Porto e depois de ter percorrido mais um emprego por pouco tempo decidimos que iria trabalhar comigo. Deste modo, apesar da Joana ter frequentado o infantário, aí pela 4 da tarde passa a ir para as instalações da empresa, dividindo o tempo entre estas e a casa do meu Pai, que continuava a morar, agora sozinho, – a minha avó após o meu casamento começou a viver em casa do meu tio – por cima das instalações da empresa. Assim parte da educação dela é connosco mais presente. Com o João passa-se a mesma coisa, até que um dia vê-me pousar um “cortante” – molde feito em lâminas que serve para modelar o papel em corte de certos serviços como embalagens e convites recortados - em cima de um lote de “paletes”. Curioso, trepou por elas acima até meter os dedos nas lâminas. Escusado será dizer que foi para o hospital de urgência levado pelos empregados da oficina – eu não estava, contou-me a Luciana logo que cheguei – para levar pontos nos deditos. Felizmente não ficaram mazelas deste pequeno incidente.

O convívio dos meus filhos com o avô é bom e liberta-nos um pouco para outras tarefas. Também agora a relação da Luciana com o meu pai, agora com os netos, também normaliza, apesar de ter ficado sempre uma mágoa nela.

Um dia, ao princípio da tarde, chegou o meu pai até mim e muito normalmente conta-me que tem um pequeno “carocinho” no pescoço e que vai ao hospital ver o que é. Passaram-se várias horas até eu me desloquei ao hospital, para saber o que se passava. Uma das médicas, logo que soube quem eu acompanhava disse-me que teria de falar comigo: - o seu pai ou não tem nada, ou tem poucos meses de vida. - o que se passa, doutora? Perguntei eu. Tinha já nódulos disseminados por pulmões, fígado e mais alguns órgãos que rapidamente se espalhariam pelo restante corpo. Tinha linfoma de Hogkin e apesar dos vários tratamentos de quimioterapia, que o deixavam de rastos, acabou por falecer devido à doença. Nessa altura o João tem pouco mais de 5 anos e por isso não o levamos nem ao velório nem ao funeral. Passados uns bons anos, já adolescente, falou nisso. Quisemos protegê-lo na altura mas, agora, penso que devíamos tê-lo deixado fazer o luto pelo avô. Não demora muito até a minha avó, a minha sogra e a tia da Luciana, a “Milhaurinda” como a chamavam e que sempre viveu com eles, nos abandonem também. As idas à aldeia, perdidas as referências, tornam-se mais esporádicas.

Uma série de erros de gestão atiram-me para uma situação complicadíssima. Um aval bancário a um amigo vai-se transformar num inferno. As coisas correm mal e uma data de bancos caiem em cima da empresa e de mim. A empresa leva com um processo de falência e eu caio numa depressão que vai durar uns anos. Primeiro até reconhecer que preciso de ajuda médica é um problema para mim e para a família a quem atinjo fortemente com a minha doença. Depois com o tratamento a que me sujeito que vai demorar muito tempo. Aí sim, a Luciana torna a mostrar a fibra do que é feita e aguenta tudo. É o suporte desta família. Também devido a um acidente – um tombo naquelas meias paredes que em certo tempo fizeram nas paragens de autocarro – fiquei sem acção num pé. Explicando, ao afastar-me da borda do passeio tropecei no muro e caí desamparado, lembro-me de duas pessoas que também estavam na paragem a olhar para mim como se eu fosse tolo e não me ajudarem enquanto me contorcia com dores. Mas lá me consegui levantar e passados uns dias ao subir as escadas a biqueira do pé não levantava fazendo-me tropeçar em cada degrau. Não ligando este problema à queda, consultei uma série de médicos que não davam solução ao caso, mas ligavam este problema a sintomas neurológicos derivados ou da depressão ou dos medicamentos que tomava para a debater. Lembro-me que um dia nas compras em Sá da Bandeira chorar por não ser capaz de andar...Uns meses antes o João tinha visitado umas Caves e tinham-lhe oferecido um pequeno kit de um barco rabelo. Pedira-me para o montar e fi-lo com tanto gosto que ao ser exibido à professora lhe foi solicitado que eu construísse o dela. Tinha montado um estaleiro em casa e nos meses seguintes construí, construí, construí barcos, barquinhos e naus (e tormentas com a mulher e com os filhos...já que praticamente deles me esqueço), todos de vela, desde o Cutty Sark à São Gabriel de Vasco da Gama, dos quais guardo alguns para não me esquecer de um negro período da minha vida. Foi o tempo que agarrado a uma pequena santa de madeira que, acho eu, era da minha mãe, chorava sem parar. Ainda hoje contam certos comportamentos e reacções que tive e não me lembro absolutamente de nada. Episódios engraçados, outros menos, outros deploráveis que estão algures esquecidos à espera de não sei bem do quê! Alguns amigos!? (ou não), manifestam-se agora. Até que um médico se lembra de fazer um exame ortopédico e descobre uma pequena mazela no nervo condutor da reacção. Numa perna a velocidade de resposta é de 100 mts/s noutra é de 10%....Fiz fisioterapia e hoje, aparte de umas pequenas dores de vez enquando acho que curei.

Entretanto com a perspectiva da falência, que acaba por acontecer, a Luciana sai e começa a trabalhar noutro sítio. Trabalho agora como designer numa outra gráfica, tendo as funções que desempenhava anteriormente. Muitos dos clientes seguiram comigo nesta nova etapa.



Por esta altura a família costuma-se reunir, aos domingos, numa pequena praia para os lados de Esposende. Num desses domingos, um cachorrito começou a correr e a brincar com os meus filhos. Chegados ao fim do dia, o cachorro ainda lá andava às voltas com eles e com bastante insistência pediram para trazer o cachorro para casa. Acedi com a condição de no p
Rooney e Cuca
róximo domingo irmos novamente aquela praia para ver se encontrávamos o dono, já que o cachorro não estava por aí maltratado. Pelo caminho discutimos o nome que devíamos dar ao cachorro e por sugestão da Luciana ficou "Rooney", tal qual o jogador de selecção inglesa que nesse dia jogava contra Portugal para o campeonato de Europa que decorria. Como combinado, no domingo seguinte lá estávamos na mesma praia à procura dos donos do cachorro. Até que ele desapareceu. -Pronto, já encontrou o dono, disse eu. Qual quê? Tinha vindo para junto do carro. Talvez com medo que o deixássemos lá ficar! Tinha adoptado esta família. Foi com ele que a Luciana, com uma depressão na altura, melhorou bastante.

M
um dos meus cozinhados
ais recentemente a Joana, como prenda para um amigo foi à Protectora e trouxe uma cadelita, preta, muito mal tratadinha, mas porque foi a única que na altura, no meio de mais três cadelas, se levantou e veio ter com ela. Por circunstâncias diversas, a "Cuca" como eu lhe comecei a chamar, ficava muitas vezes em nossa casa. Adopta-me como dono e sempre que faz alguma asneira, típica da idade, e alguém lhe ralha refugia-se em mim. Acabou também por ficar em nossa casa e agora, os dois, são a nossa companhia (minha e da Luciana) quando os filhos, já quase adultos, saem com os amigos.

É com eles que passeio todos os dias à noite – e é durante estes passeios que penso no que vou escrever.

É nesta altura, também que começo a chegar a casa mais cedo do que a Luciana, e aí, eu que nunca tinha estrelado um ovo em condições comestíveis, começo a cozinhar. A minha única experiência de cozinha tinha sido quando a Joana nasceu e as trouxe, mãe e filha, para casa. A Luciana pediu-me para lhe levar qualquer coisa para comer - levei-lhe uns ovos fritos mas com um aspecto.!..(felizmente as minha cunhadas chegaram quase a seguir) e uns bolos de farinha ao alto que são muito fáceis de fazer. Lá me fui aperfeiçoando e hoje cozinho com prazer e os meus cozinhados são alvo de muitos elogios, não só pela mulher e pelos filhos, mas até pelos convidados, já que para além da refeições normais da família, já sou eu que cozinho para as ocasiões especiais. Além da cozinha tradicional portuguesa até alguns pratos mais arrojados, sinto-me à vontade para os confeccionar.

A insistência de alguns clientes, leva-me a construir sites web. Registo-me em nome individual e entro numa área do design gráfico, um pouco diferente da que conheço. Com as aplicações gráficas necessárias começo então a construir pequenos sites informativos. As primeiras dificuldades começam com os tamanhos das imagens enviar para a Internet, que devem ser com boa qualidade, mas com uma resolução mais baixa que a utilizada na impressão em papel. A forma de trabalhar com elas é diferente, mas com os conhecimentos que tenho nesta área resolvo facilmente a questão.



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