Ata da 1ª Reunião Solene da Câmara Municipal de Cachoeiro de Itapemirim, referente ao 1º Período da 1ª Sessão Legislativa da 5



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José Carlos Amaral: — Boa-tarde a todos! Quero dizer que a Câmara Municipal tem a sua independência. O vereador possui o direito constitucional de ter a sua posição, o seu voto, o seu pronunciamento. Na semana passada, eu disse que era contra a redução do tíquete e não posso aceitar que interfiram nem queiram intimidar vereador para que ele não tome a sua posição. Vereador que não tem posição é variador, varia. Um jornal divulgou que um dos cheques desviados foi para a conta do Sr. José Carlos Amaral. O meu extrato está aqui e não consta número de cheque. Aqui diz ainda que eu estou sendo investigado pela Justiça, mas isso não é verdade. A partir deste momento, vou redigir um documento, pedindo que me façam depor, pois levarei as provas, inclusive uma fita dilacerada, a mesma que a Caixa nem teve como fornecer para a perícia. Nessa fita poderiam constatar mais um depósito de dinheiro meu, da compra de um carro. Usaram até de má-fé comigo quando eu pedi informação, pois disseram que era de 2003, mas era de 2006, 2007, e está aqui o documento. Deixaram de pagar as minhas prestações, pois comprei o carro para descontar na folha. Aí, fui chamado, porque o meu nome estava indo para o Serasa. Para acertar as contas no final do ano, vários fornecedores da Câmara ficaram sem receber, mas descontaram do salário e não repassaram o dinheiro. Isso, na administração do Marcos Coelho. Eu disse que aquilo era apropriação indébita. Eram os meses de dezembro, janeiro, fevereiro e, depois do recesso, em março. Eu disse que queria que o meu dinheiro fosse depositado na conta, e assim foi feito; porém, na fita dilacerada, não constam os dois depósitos, e sim um. Quando pedi o contrato do convênio assinado, apareceu um de 2003, de outro financiamento que eu tinha feito, referente a uma Saveiro, e não o de 2007. Agora, eu quero mostrar os romaneios, as notas de posto de gasolina, cheque descontado de caminhoneiro, filmagens do posto, romaneio de firmas de Cachoeiro e até cheque da fonte depositado e trocado em posto de estrada. Estava quieto, mas estão me instigando só porque eu era vice-presidente do Marcos Coelho. Fui sim vice-presidente do Marcos Coelho. O Elias renunciou em um dia, e, no outro, eu também renunciei. O Vereador Maitan não vai me deixar mentir quanto a isso. Todos os vereadores me reconduziram ao cargo. Desafio alguém a chegar ao banco e pegar uma assinatura minha, porque eu não aceitei que colocassem o meu nome em nada. As únicas coisas que assinei quando assumi a vice-presidência foram alguns projetos votados aqui, mas não cheques. Se houver um cheque de falcatrua assinado por este vereador, só se for falso. Não assinei nenhum documento, cheques nem ordenação de despesas. Não assinei! Quando o meu querido amigo David Lóss assumiu a presidência desta Casa, eu lhe disse que não era para deixar o Sr. Hélio Grecchi comandar nada, pois o colocaria em dificuldade, e o mesmo alerta fiz ao Sr. Júlio Ferrare no começo. O David tirou o Hélio e colocou o Jonas Nogueira. Foi este vereador que disse isso ao David, na época. Eu quero ser ouvido pela Justiça, mas não fui chamado, porque não há nada contra mim no Ministério Público. Depois deste jornal, eu quero sim ser chamado, inclusive já mandei fazer um documento, pedindo para ser ouvido na Justiça. Vou levar muita coisa, porque não posso aceitar insinuações apenas por ter sido vice-presidente. Eu era vice-presidente, mas não assinei 1 milhão e 200 mil reais de cheques, não! Aliás, eu não assinei nem um cheque de safadeza. Quem faz safadeza tem que ficar preso, na cadeia. O Ministério Público, o promotor e o juiz fizeram a coisa certa. Não estou acusando ninguém, quem sou eu para fazer isso, mas é preciso parar com esse negócio de querer respingar em mim, porque eu era o vice-presidente desta Casa. Vice-presidente não é nada mais nada menos que um mero tomador de posse na ausência do presidente. Nesta Casa, há uma lei, de minha autoria ou de Almir Forte, feita porque sentimos aquele clima na época em que só o presidente assinava os cheques. Resolvemos instituir a obrigação de o 1º secretário também assinar; isso, quando víamos as turbulências. Assim, o Alexandre Bastos assinou por muitos anos e, depois, o Roberto Bastos. / Aparteando David Alberto Lóss: — O jornal faz uma denúncia, uma insinuação ou um comentário? Quem é o autor? / José Carlos Amaral: — Foi o Júlio Ferrare quem disse. / Aparteando David Alberto Lóss: — É matéria de jornal? / José Carlos Amaral: — É, está aqui, é o Jornal O Fato. O meu tempo já terminou, mas havia muita coisa para mostrar aqui hoje. Eu voltarei para mostrar na semana que vem. / Júlio César Ferrare Cecotti (Presidente): — Concedo-lhe cinco minutos do meu horário de liderança. / José Carlos Amaral: — Eu não preciso do seu tempo de liderança, não, porque tenho amigos aqui para pedir tempo. / Júlio César Ferrare Cecotti (Presidente): — Pode falar, vereador, pode falar. / José Carlos Amaral: — Eu não preciso, porque o que tenho para falar vai requerer mais de hora. / Júlio César Ferrare Cecotti (Presidente): — Eu lhe dou mais meia hora. / José Carlos Amaral: — Por favor, não me desafie, querendo ser o Tenório Cavalcanti da Mesa, porque V. Ex.ª não é. Quer ser o impostor da Mesa e não é. A partir deste momento, quero ir à Justiça para ser ouvido. Entregarei lá o que tenho, as provas. Estou sendo acusado e não fui notificado por esta Casa de Leis, conforme deveria ser. A Mesa Diretora não me notificou. Senhor presidente, não consta assinatura minha. / Júlio César Ferrare Cecotti (Presidente): — O senhor tem meia hora para falar. / José Carlos Amaral: — Eu não preciso disso e não gosto de bajulação. Estou com a palavra. V. Ex.ª está nervoso, e eu não estou. Estou muito calmo. / Júlio César Ferrare Cecotti (Presidente): Se tem coisa para mostrar, tem que mostrar. / José Carlos Amaral: — É, mas vou mostrar devagar. Não posso fazer isso num dia só, não. Há coisas gravíssimas, senhor presidente! V. Ex.ª, como presidente desta Casa, está em crime de responsabilidade por cercear o direito de informação ao vereador, principalmente nesse processo. Está aqui, V. Ex.ª não me informou. / Júlio César Ferrare Cecotti (Presidente): — Eu estou no prazo, vereador. / José Carlos Amaral: — Não, está não, senhor presidente, o prazo era de quarenta e cinco dias para informação. Eu não estou nervoso, estou até calmo demais. Quando fico calmo demais, é sinal de que a coisa é boa. Foi no mês quatro, e já estamos no mês nove; são cinco meses. É só isso. Estão tentando fazer comigo o que fizeram com o meu amigo de partido. Houve pessoas aqui dentro que fizeram de tudo para derrotar o Luisinho. Eu não quero partir para outros lados ainda, porque desejo conversar, como já o fiz, com o Promotor Rodrigo, que foi aquele que colocou ordem aqui. O TAC melhorou muito, porque aqui ninguém assinava nada nem sabia nada do passado, e a Justiça teve que intervir. Como posso ser condenado, David Lóss? Seria indiciado por um documento de banco, com fita dilacerada e informações que não procedem? Pedi perícia da fita, e hoje nem fita há. Quantas informações foram assinadas pela gerente da Caixa? Todas, mas a deste vereador não foi assinada pelos mesmos que colocaram o Hélio Grecchi na cadeia, sobrou para outra pessoa. Está estranho. A minha foi informada por outra pessoa e com fita dilacerada. Ficam dizendo que fui vice-presidente de Marcos Coelho, e de fato fui, mas não roubei. Se ele roubou, eu não roubei. Se ele foi desonesto, eu não fui. A fita dilacerada nem para a perícia eles conseguiram arrumar para que fosse possível ver o conteúdo final dela. O valor não bate. Espero que, através do pedido que estou fazendo ao Ministério Público, essa fita dilacerada seja entregue pela Caixa, a qual também estou acionando. É estranho também que esse banco tenha recebido 1 milhão e tanto de cheques tudo adulterado, conforme foi descoberto por uma gerente, mas a nossa conta continua naquele banco. A Caixa foi conivente, pois ninguém pode pegar um cheque todo adulterado e pagar. Hoje mesmo o banco me ligou, perguntando se poderia pagar um cheque de 1 mil e 100 reais meu. Eu mandei pagar. Como da Câmara passaram cheques de 50 mil, 60 mil, 80 mil, 100 mil, e não ligaram para o presidente, para o secretário nem para ninguém? O banco deveria ter ligado para o ordenador da conta, do mesmo jeito que liga para nós. A minha conta naquele banco é a de número 833, e devo ser um dos primeiros clientes de lá. Vamos parar de querer furar o olho do companheiro, assim como tentaram fazer com o Luisinho e também estão tentando fazer comigo. O senhor pode falar o que quiser, pois eu vou para a Justiça e mostrarei tudo o que tenho. Pode partir para cima, porque aqui há coisas muito graves contra o senhor. Eu não falarei agora, pois prefiro esperar por V. Ex.ª. Muito obrigado! / Júlio César Ferrare Cecotti: — Boa-tarde a todos! Primeiramente, agradeço a Deus por este momento. Quero dizer que achei estranho o pronunciamento do vereador que acabou de usar a tribuna. Ora, para toda ação há uma reação, o que é normal no ser humano. O vereador procurou o jornal, no dia 18/09, e deu uma entrevista, dizendo que os servidores não têm culpa do rombo ocorrido aqui, e concordo que não tenham mesmo. O Vereador Amaral está certo. Agora, dizer que o presidente era quem deveria ter tido o cuidado para que isso não acontecesse foi uma afronta muito grande, pois eu cuidei sim de tudo com a maior transparência. Quando recebi um telefonema da Caixa, na mesma hora eu e o procurador da Câmara estivemos lá. Não houve omissão, pois fomos ao Ministério Público, fizemos a denúncia, e também estivemos no Tribunal de Contas, procedimentos esses de quem não deve nada. V. Ex.ª é vereador aqui há trinta anos e disse que já sabia que o Sr. Hélio Grecchi praticava esses atos; portanto, foi uma omissão. Omissão é crime, vereador. O senhor sabia que ele agia assim, e o trabalho do vereador é fiscalizar e legislar. O vereador, nas suas prerrogativas, se acovardou, pois disse, inclusive está registrado em ata, que sabia dessa prática, mas sequer levou a coisa para frente. Quando eu soube desses fatos, fui à frente. Não adianta o senhor falar, mas não ter tomado direção quanto ao que sabia, pois isso, dentro do direito, se chama omissão, o que é crime. V. Ex.ª sabia que o cara fazia falcatruas, mas não tomou a iniciativa de denunciá-lo. Por que o vereador não foi ao Ministério Público, já que sempre fez isso muito bem? O vereador sabe o caminho. Por que o vereador se omitiu? Por que o vereador, no passado, chutou a porta do gabinete do Marcos Coelho? Chutou várias vezes e chamou o próprio Marcos Coelho de corrupto. Eu tenho certeza de que, se os vereadores soubessem da verdade, não se omitiriam; porém, o senhor se omitiu diante desse caso. No mundo do direito, omissão é crime, porque está compartilhando com determinada situação. O vereador relatou sobre o cheque, e eu acho que realmente o senhor tem que tomar todas as providências. Eu lhe cedi uma hora a mais no seu tempo para que o senhor falasse tudo o que tem contra mim, mas o colega não quis. O senhor deve ir ao Ministério Público e me denunciar; saia daqui e vá até lá. Eu não vou fazer isso, porque nunca fiz. O senhor disse que o dinheiro que entrou na sua conta era de salário, e eu lhe farei um simples desafio aqui. Se esse dinheiro, 3 mil e 750 reais, tivesse entrado na minha conta, eu não estaria mais sentado aqui como presidente nem como vereador, porque conheço esse mundo diabólico. O vereador, a todo momento, alega que era de salário. Se o senhor quer transparência, aceite que se pegue um documento da administração lá em cima agora para provar que esse dinheiro que entrou na sua conta não era de salário. Eu provo que não era! Se o senhor quiser, mando pegar agora. Pode pegar o documento, porque o vereador acatou. Eu vou mostrar para todos os vereadores que esse cheque que entrou na conta de V. Ex.ª era de um desvio, de 1 milhão e 200 mil reais, ocorrido aqui na Câmara Municipal. Eu vou provar isso agora, e todos os vereadores verão esse documento. Em fevereiro, o senhor recebeu “x”; em março, quando ocorreu o rombo e entrou dinheiro na sua conta, V. Ex.ª recebeu “x” mais “y”. Em abril, foi tudo dentro das normalidades. Então, já que o vereador teve a hombridade de mostrar a verdade, eu também vou mostrá-la. O senhor diz que eu tenho processo na Justiça, e tenho sim. / Aparteando Luis Guimarães de Oliveira: — Alguns dias atrás, conversei com V. Ex.ª e disse que acho que esta é uma Casa de respeito. Eu fiz um pedido aqui e vou tornar a fazê-lo, pois acho que esta Casa precisa se fortalecer. O senhor já acusou e tem que provar. O que está dito, está dito e escrito. Peço que tenhamos calma, porque esta é uma Casa de respeito, que precisa se elevar novamente. A cada minuto, notamos que parece ser uma briga pessoal, o que não é bom para nenhum vereador. Assim, eu acabo desanimando de ser vereador. Eu vim para cá pensando em defender o povo, mas estou percebendo que isso aqui virou uma briga pessoal, particular, o que não é bom para o Município. A palavra “omissão” é muito forte. O bacana é que pelo menos a televisão está gravando isso para que fique esclarecido que aqui ninguém é omisso a nada. Tenho certeza de que eu não sou. Peço calma aos colegas. Tudo deve ser esclarecido sempre com transparência, mas vamos ter calma, porque a Câmara só perde com isso. A população brasileira, em geral, passou a enxergar os políticos como sendo todos iguais, todos sem-vergonha. Então, está difícil ser político. Enquanto todos estavam discutindo, eu estava escrevendo que a política virou uma porcaria, que não é mais aquela coisa simples e honesta por conta de confusões até entre nós mesmos. O nosso Município vai sair perdendo com isso. Há muitas matérias importantes para discutirmos e votarmos, mas ficamos aqui brigando entre nós mesmos, tirando a nossa força. Peço aos senhores que não ofendam um ao outro, não briguem, porque isso não vai levar a nada, a não ser ao desgosto entre o senhor e o meu amigo Amaral. Eu não desejo isso para nenhum dos dois, até porque faz mal à saúde. Vamos ter calma para unirmos realmente os dezenove vereadores, de maneira a que esta Casa seja fortalecida e respeitada lá fora. Do jeito que estou vendo, a Justiça vai acabar intervindo nesta Casa, e a gente ficará do lado de fora só olhando. Tudo isso é por falta de diálogo aqui. Peço calma aos colegas para que todos se favoreçam e os fatos sejam esclarecidos. / Josias Pereira de Castro, levantando questão de ordem: — Presidente, concedo-lhe meus dez minutos. / Aparteando Elias de Souza: — Eu vou discordar em parte das palavras do Vereador Luisinho. Compreendi a fala dele ao pedir tranquilidade neste momento aqui na Casa, mas eu diria que a situação é até mais grave do que se possa imaginar. Até então, Vereador Amaral, tínhamos conhecimento de que eram apenas 3 mil e alguma coisa. Agora, foi colocado que há meses posteriores. / Júlio César Ferrare Cecotti: — Eu disse que, no mês de fevereiro, o vereador recebeu o salário dentro das suas normalidades; em março, houve o problema, vindo abril com a sequência certa. Então, no mês de março, ele recebeu o salário, e o ladrão do Sr. Hélio Grecchi depositou dinheiro na conta de várias pessoas, inclusive na desse vereador. Foi isso o que eu disse. / Elias de Souza: — Por coisas menores, já instituímos aqui comissões especiais de investigação, tendo até uma vereadora sido cassada. Também foi instituída aqui uma comissão contra o Vereador Luisinho. Vereador Amaral, até para que V. Ex.ª tenha um atestado de lisura, gostaria de requerer ao corregedor desta Casa que pudesse, através de ofício, solicitar essa documentação ao presidente. Estamos ao vivo aqui, o povo de Cachoeiro está nos ouvindo, e essas denúncias são gravíssimas, fazendo com que esta Casa a cada dia perca mais a sua credibilidade. Então, peço ao nosso corregedor, que é o Vereador Alexandre, para requerer essa documentação e que seja aberta uma comissão com o objetivo de investigar esses fatos, visto que a situação é grave. / Aparteando David Alberto Lóss: — Presidente, em cumprimento à determinação do nosso Regimento Interno, peço que essa discussão seja encerrada, até porque já ultrapassou completamente o tempo. / Júlio César Ferrare Cecotti: — Eu ganhei dez minutos do Vereador Josias do IBC, estando tudo dentro da normalidade. / David Alberto Lóss: — O Vereador Josias concedeu seu tempo num momento inadequado, pois essa discussão deveria ser encerrada. / Júlio César Ferrare Cecotti: Vereador, eu ainda não acabei a minha fala. Eu disse ao vereador que usou a tribuna antes de mim que ele poderia ficar aqui por uma hora. / David Alberto Lóss: — A Câmara está exposta. / Júlio César Ferrare Cecotti: — Ela tem que ficar exposta, sempre ficou. Nós tomamos a medida certa, e a população vai gostar disso. É preciso ter lisura. O Vereador Luisinho, com todo o respeito, disse que parece ser coisa pessoal, mas eu tenho uma resposta para lhe dar. Acho que o ser humano tem que falar e ter provas, inclusive joguei um desafio aqui e só estou esperando o documento. Não volto atrás naquilo que eu faço. Se fosse comigo, vereador, eu não estaria mais aqui. O vereador, não satisfeito com o resultado da eleição da Mesa Diretora, me pediu documentos de 26/08, dia em que ocorreu a votação. Inclusive, vou lhe entregar tudo na terça-feira que vem. Isso parece perseguição. O vereador pediu, através de documentos, todo o processo da eleição da Mesa Diretora, e eu vou lhe entregar isso na terça-feira que vem. Eu vejo isso como perseguição e estou esperando os documentos para comprovar aquilo que disse. O ser humano tem que falar e provar. O vereador queria dizer aqui, e eu lhe dei tempo para se pronunciar, que eu tenho um processo na Justiça, e tenho mesmo, mas é da minha vida particular. Vereador, o senhor já foi a vários lugares e gabinetes para falar da minha vida, mas V. Ex.ª se omite diante de certas coisas. O senhor disse que eu devo à Justiça, e registro que tenho um processo sim, mas da minha vida particular. Eu comprei uma carga de mármore e granito, adiantei os cheques para trinta, sessenta e noventa dias; quinze dias depois, fui pegar o material, mas o cara não me entregou. Aí, fiz um boletim de ocorrência e entrei na Justiça contra ele, procedimento esse dentro de suas particularidades. Não há nada nisso que possa atingir a minha moral. Se eu dei cheque sem fundo para alguém? Dei, e quem não deu? Só quem tem muito dinheiro. Eu admito que já dei cheque sem fundo, mas paguei. Isso faz parte da minha vida particular, mas o vereador fica de tititi, tititi. O documento está aqui, senhores vereadores. Espero que ninguém o rasgue, porque isso é uma coisa séria. Isso tem dez anos, mas, se formos procurar, encontraremos outras coisas. Esta é a prova de que no mês do rombo ele recebeu o seu salário, no valor de 4 mil 770 reais, com desconto de 308 reais, IR – 629 reais, Posto Nogueira – 1 mil 808 reais, Itacar – 762 reais, e Perim – 414 reais. Com esses descontos, o salário no mês de março do vereador foi de 847 reais e 22 centavos. Também nesse mês, com os cheques que foram distribuídos pelas contas, entrou dinheiro na do Vereador Amaral, e não na minha. Ele disse que não tinha nenhuma transação com o Sr. Hélio Grecchi, inclusive isso consta em ata, que é um documento. Se esse dinheiro tivesse entrado na minha conta, eu não estaria aqui. Vereador Luisinho, se fosse na sua conta, V. Ex.ª também não estaria aqui, mas o Vereador Amaral está até hoje. Ora, toda ação corresponde a uma reação. O vereador falou para o jornal e, por isso, eu o respondi. O vereador teve uma ação; o presidente, uma reação. O vereador disse que era o presidente quem deveria ter cuidado para que aquilo não acontecesse, mas cuidei, porque fui eu que descobri; do contrário, ficariam mais dois anos daquele jeito, e isso era um câncer. O senhor tem trinta anos nesta Casa e sabia do problema, inclusive brigou com o Marcos Coelho, conforme consta em ata do passado, chutou a porta do gabinete dele, disse que havia corrupção e que teria que abrir a caixa preta desta Casa, mas isso não foi feito, o que é omissão. O senhor disse que o dinheiro que entrou na sua conta era de salário, mas isso é mentira. O dinheiro entrou na sua conta, e V. Ex.ª o gastou. Quem quiser ver o documento ele está aqui. Para toda ação há uma reação. Então, quero mostrar tudo aos senhores vereadores. Vereador, V. Ex.ª vai responder por isso na Justiça. / José Carlos Amaral: — Responderei com muito prazer. Você me chamou de ladrão várias vezes. Está gravado. / Júlio César Ferrare Cecotti: — Não chamei, não. Pegue a ata. / José Carlos Amaral: — O senhor é estelionatário. Está aqui o seu processo por estelionato. O senhor tem quarenta cheques sem fundos no Serasa e não tem moral para falar do Amaral. / Júlio César Ferrare Cecotti: — É a minha vida particular. / José Carlos Amaral: — Não interessa! / Júlio César Ferrare Cecotti: — Vereador, vou abrir um processo contra o senhor, pois está falando da minha vida particular. Amanhã mesmo farei isso. / José Carlos Amaral: — Vou abrir um contra V. Ex.ª também. Vamos para a Justiça. / Júlio César Ferrare Cecotti: — Amanhã mesmo abrirei um processo contra o senhor. / José Carlos Amaral: — Eu não assinei cheque de safado. / Júlio César Ferrare Cecotti: — Entrou dinheiro da Câmara na sua conta, e o senhor o gastou. Isso é roubo! / José Carlos Amaral: — Roubo? Gastei com a sua mãe. / Júlio César Ferrare Cecotti: — Que isso seja registrado em ata. Ele ofendeu a minha mãe. / José Carlos Amaral: — Coloque em ata sim. Esta Casa está pequena para nós dois. / Júlio César Ferrare Cecotti: — O que tenho está aqui para quem quiser tirar a prova. / José Carlos Amaral: — O que tenho também está aqui para provar que houve sacanagem e safadeza. / Luis Guimarães de Oliveira: — Boa-tarde a todos! Esse tipo de coisa me entristece e me deixa desanimado. Saio de casa pensando em uma coisa e encontro outra. Estou fazendo de tudo para aprender com a lição que recebi. Foi feita a denúncia desta tribuna e, agora, isso terá que ser apurado. As ofensas estão sendo muitas, e já estão faltando com o decoro parlamentar. Não devemos fazer isso. Precisamos aprender a cada dia, entender as leis e o que as pessoas dizem, a fim de fazer o melhor para a nossa cidade. Tudo isso vai trazer uma perda grande para os vereadores e não levará a nada. Quero dizer que a Vereadora Neuza está espantada com essa situação. De repente, até esquecemos que há uma dama vereadora aqui, além das outras. Isso não é bom nem legal. Tenho procurado não desafiar ninguém, porque não gosto de desafios. Acho que desafiar acaba gerando problemas maiores. Não quero isso; pelo contrário, estou dando um retrocesso na vida por conta dos fatos que ocorreram comigo nesta Casa de Leis. Entendo que o que ocorreu comigo foi uma perseguição política, e eu disse isso ao juiz, porque ficaram nítidas as vantagens e cargos que todos ganharam para me tirar desta Casa, o que acabaram não conseguindo. Achei isso feio. Quando era garoto, jogava futebol, e isso era feito em equipe, com todos tentando fazer o gol, sem ofender nem agredir os outros. Não se pode agredir as famílias, os filhos, esposa e esposo, porque isso não é bom. Precisamos ter calma aqui. Se as coisas não se acalmarem, vou pedir ao presidente para suspender a sessão. Estou tentando transmitir paz, e não colocar pilha nessa situação. Se essa situação tivesse ocorrido há duas semanas, eu iria colocar pilha, devido ao meu ódio e insatisfação. Não vou fazer isso hoje, porque tenho muita responsabilidade. No período difícil da minha vida, ouvi um amigo, o Toninho Balbino, do Aeroporto, que é candidato à eleição. Ele me visitou em casa e percebeu que eu não estava muito bem, porque, na hora da raiva, extrapolava e falava bobagens. O Toninho me disse: “Luisinho, tenha calma e sugiro que leia o livro A Arte da Guerra”. Eu li aquele livro com tanta vontade que estou aqui falando sobre ele. Quando o livro falava sobre generais, coloquei os vereadores; quando falava sobre soldados, coloquei os assessores. Rapidamente, pude enxergar uma situação que não queria ter visto. Em momento algum usei daquela estratégia para atacar as pessoas aqui. Aprendi com o Vereador Wilson Dillem uma lição de humildade, de sabedoria e de hombridade. Se eu estivesse na Câmara, quando da eleição da Mesa Diretora, teria votado no Vereador Wilson. O colega Wilson foi de uma classe, que qualquer um teria que tirar o chapéu para ele, como eu fiz. Deus estava com o Vereador Wilson no momento em que ele disse: “Se for para eu ser presidente da Câmara com isso que você está me dizendo, digo que não quero ser.” Ele entrou na minha casa, pegou a Bíblia e me deu para ler, inclusive choro até hoje, porque eu ia fazer a maior covardia da minha vida. Sabem quem eu ia atingir, presidente? Não era o senhor nem a nenhum dos vereadores que votaram contra mim, e sim às suas famílias. Eu nunca faria esse tipo de coisa. É por isso que estou pedindo calma, porque essa situação é ruim para todos. Isso não é coisa de Deus. Aqui não é igreja e não há nenhum bobo. Nesta Casa, o mais bobo sou eu, que fiz quase mil e quinhentos votos sem gastar 1 real. Há nesta Casa pessoas humildes, simples e honestas. Um homem que está na Câmara há trinta anos não pode ser desonesto. Não acredito nisso, porque eu o conheço de perto. Aí, a decepção será maior, e deixarei a política de vez. Não acredito, porque cavalo velho não faz boca. A pessoa leva para onde quiser um cavalo de até três anos idade; depois disso, o cavalo só faz o que quer. Um homem com mais de sessenta anos vai errar agora?! Estou dizendo que V. Ex.ª tem sabedoria o bastante para não errar depois de vovô. Não acredito nisso. Quero que isso seja só um sonho que acabe logo e tudo seja esclarecido. Aqui dentro devemos nos respeitar. Não compensa a briga nem a vingança, pois nós nos desgastamos e ficamos tristes; depois, vamos para casa estressados por conta de um poder passageiro. Só Deus tem poder, e mais ninguém. Eu e o Vereador Wilson perdemos a eleição em 2004, e ele me disse: “Luisinho, agora ninguém vai mais nos chamar nem tomar K-Suco e comer bolo.” Isso é verdade. Depois que a pessoa deixa de ser vereador, ninguém mais se lembra dela. Quantos presidentes passaram por esta Casa, mas ninguém se lembra deles. Os únicos lembrados são os que dão nome, por exemplo, ao plenário, que é Elias Moysés, e ao prédio da Câmara, que é o Juarez Tavares Mata. Essa placa é que vai para o túmulo, acompanhada de uma foto. Qual é a vantagem de discutir e brigar? Para que isso? Eu ia fazer um discurso aqui defendendo, mais uma vez, a minha comunidade, o que continuarei fazendo. Não quero atacar ninguém. Peço que possamos nos respeitar para que todos sejam respeitados. Muito obrigado! /


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