Associação Brasileira de Odontologia



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RESULTADOS:

Foram estudados 34 dentes, observando-se que a medida da infiltração do corante na interface parede dentinária/material obturador, a partir do forame apical, variou entre 0,45 mm e 7,51 mm, como visto na tabela.

Os dentes de controle negativo não apresentaram nenhuma penetração de corante, enquanto os dentes de controle positivo tiveram uma grande variação de infiltração.

A comparação entre os grupos 1 e 2 mostrou que o grupo 1(Guta-percha) apresentou menor infiltração quando comparado com o grupo 2 (sistema Resilon®).






G1: Guta-percha + Sealer 26

G2: RealSeal (Resilon®)

Controle negativo

Controle positivo

1

1,70 mm

4,19 mm

Sem infiltração

6,90 mm

2

6,17 mm

4,28 mm

Sem infiltração

3,20 mm

3

3,06 mm

4,41 mm

Sem infiltração

2,04 mm

4

4,25 mm

2,04 mm

Sem infiltração

3,01 mm

5

1,82 mm

7,51 mm







6

1,36 mm

1,96 mm







7

2,21 mm

6,14 mm







8

0,45 mm

5,36 mm







9

2,74 mm

2,02 mm







10

5,46 mm

2,87 mm







11

1,80 mm

7,26 mm







12

2,54 mm

3,42 mm







13

3,45 mm

4,59 mm







ANÁLISE ESTATÍSTICA DOS RESULTADOS

Os resultados coletados foram analisados estatisticamente pelo método experimental e pelo software ASSISTAT. Temos nas tabelas abaixo a distribuição de freqüências dos resultados coletados em 34 dentes, divididos em dois grupos de 4 dentes (grupos de controle) e dois grupos de 13 dentes (grupos G1 e G2), observando-se a medida da infiltração do corante na parede dentinária/material obturador, a partir do forame apical.




Tabela 1: Distribuição de valores coletados no experimento infiltração do corante na interface parede dentinária/material obturador




Infiltração (mm)

Amostras

Controle Positivo

Controle Negativo

1

6,90

0

2

3,20

0

3

2,04

0

4

3,01

0



Ao analisarmos os grupos de controle concluímos que o grupo de controle negativo não teve infiltração em nenhuma das análises enquanto no grupo de controle positivo houve uma variação da infiltração nas amostras.




Tabela 2: Distribuição de valores coletados no experimento infiltração do corante na interface parede dentinária/material obturador




Infiltração (mm)

Amostras

G1: Guta-Percha

+ Sealer 26



G2: RealSeal

(resilon®)

1

1,70

4,19

2

6,17

4,28

3

3,06

4,41

4

4,25

2,04

5

1,82

7,51

6

1,36

1,96

7

2,21

6,14

8

0,45

5,36

9

2,74

2,02

10

5,46

2,87

11

1,80

7,26

12

2,54

3,42

13

3,45

4,59



Ao analisarmos os grupos G1 e G2 concluímos que o grupo G2 apresentou maior infiltração em quase todas as amostras. Adicionalmente, convém notar que no grupo G1 a maioria das amostras teve infiltração variando entre 1,0 mm e 4,0 mm com apenas 3 valores acima dessa variação, já no grupo G2 a maioria das amostras teve infiltração variando entre 4,0 mm e 8,0 mm com apenas 5 valores abaixo dessa variação.

Conclusão Final:



Tabela 3: Estatísticas descritivas da distribuição de valores coletados no experimento infiltração do corante na interface parede dentinária/material obturador

Variáveis

Infiltração (mm) com

G1: Guta-Percha

+ Sealer 26


Infiltração (mm) com

G2: RealSeal

(resilon®)

Média

2,85

4,31

Mediana

2,54

4,28

Desvio Padrão

1,64

1,88

Variância da amostra

2,68

3,52

Mínimo

0,45

1,96

Máximo

6,17

7,51



Apesar dos resultados descritivos da distribuição de freqüência e das análises estatísticas indicarem que, na média, o grupo 1 (G1: Guta-Percha + Sealer 26) apresenta menor infiltração quando comparado ao grupo 2 (G2: RealSeal), através do teste t de Student (p < 0,05) obtemos um t = 1,82 que comparado ao t crítico = 2,18 nos permite concluir que não há diferença significativa entre as médias.

Do ponto de vista estatístico, o uso do RealSeal como material substituto da Guta-percha/Sealer 26 não gerou diferença significativa no que diz respeito a diminuir a infiltração apical, pelo contrário, apresentou resultados piores.


  1. DISCUSSÃO

O sucesso da terapia endodôntica está relacionado com a correta execução de cada uma de suas fases, desde o diagnóstico até a obturação e proservação. Torna-se clara, então, a importância da fase de obturação, tendo em vista que um dos objetivos da terapia endodôntica é o preenchimento do canal em forma tridimensional, com a finalidade de se obter um selamento hermético em toda a sua extensão e diâmetro 22, 26.

Embora os estudos experimentais in vitro não possam reproduzir com exatidão as condições clínicas, a melhor maneira de testar a eficácia de técnicas obturadoras é transportar os resultados experimentalmente obtidos naquelas condições e fazer uma avaliação a longo prazo 23.

Na busca de melhores resultados para os tratamentos endodônticos, nos deparamos diariamente com novas técnicas, novos instrumentais e materiais. Conceitos e métodos estão em constante evolução. Assim, é missão do pesquisador especular para a prática aquilo que lhe parece importante na melhoria da técnica endodôntica.

A região apical, considerada zona crítica para selamento do canal radicular, foi escolhida para ser objeto de avaliação deste trabalho. Em se tratando de obturação que se vale de resina, a zona apical pode criar dificuldades. Assim, ramificações e túbulos dentinários podem ser preenchidos de maneira incompleta, devido à contração de polimerização. Dificuldade existe para se controlar o grau de umidade da camada híbrida, na área apical do canal radicular, propiciando assim, presença de espaços vazios.

Um novo material, Resilon ®, comercializado com a denominação de RealSeal, foi desenvolvido para substituir a guta-percha e os cimentos tradicionais na obturação de canais radiculares 1. Pareceu então pertinente uma pesquisa que pudesse avaliar comparativamente a qualidade do selamento apical promovida por dois materiais obturadores, o RealSeal e a Guta-percha/sealer 26, diante da técnica de condensação lateral.

Para a realização desse experimento as coroas dentais dos espécimes foram removidas, pois poderiam, de alguma forma, durante o preparo dos canais influenciar a ação das limas ou o momento da obturação, como sugerido por alguns autores 3.

Na escolha da técnica de preparo químico-cirúrgico houve variações entre os autores, seja quanto às medidas do diâmetro da lima adotada, seja quanto à extensão em relação ao forame. Como instrumento, optou-se pela técnica de instrumentação rotatória, que proporcionaria uma forma mais homogênea entre os espécimes19 baseando-se no fator conicidade. Neste estudo foram utilizadas limas de Niquel-titânio (Profile) taper 04, obedecendo à seqüência crescente de numeração das limas até TIP 40 em ápice radiográfico.

A Guta-percha foi o material de escolha para essa pesquisa por ser o material mais utilizado em todo o mundo, devido as suas múltiplas propriedades. Porém, apesar de vantagens, a Guta-percha possui algumas limitações, sendo uma das principais o fato de não prevenir a infiltração, pois não se adere à parede do conduto9,10,24. Segundo alguns autores3,5,27, a Guta-percha, utilizada em combinação com cimento obturador, constitui uma barreira muito pobre para prevenir uma possível migração de bactérias desde a coroa até o ápice, pois não se adere às paredes do conduto. Mesmo assim, a Guta-percha, junto com o cimento endodôntico, ainda constitui uma excelente combinação terapêutica, que continua sendo amplamente utilizada por clínicos na obturação de condutos radiculares.

Alguns estudos têm mostrado que essa significativa limitação da guta-percha tem sido superada com uso do Resilon®, que foi lançado no mercado em 2004 e apontado como possuidor de ótimas propriedades seladoras, pois se trata de um material de obturação que se adere às paredes do conduto e penetra no túbulo dentinário criando um “monobloco”, que quer dizer que o cone de Resilon®, mais o cimento, constituem um único bloco de mesmo material, que preenche tanto o canal radicular quanto os túbulos dentinários (Fig. 2)3, 10, 15. SHIPPER et al, 2004 23, testaram este sistema versus o sistema Guta-percha/AH26 e atribuíram a excelente capacidade seladora a um monobloco criado pelo sistema Resilon®.



Figura 2 - Representação esquemática do monobloco

Tomado de: www.sybronendo.com

Na presente pesquisa, obteve-se, na obturação com Guta-percha/Sealer26 a média de infiltração de 2,85 mm. A outra obturação, com Resilon®, revelou variabilidade maior de infiltração entre os espécimes observados, e a média de infiltração chegou a 4,31 mm. Isto poderá significar que, principalmente na região apical, não houve união primária entre o selador e as paredes do canal radicular, ou seja, o comportamento desse material (Resilon) parece não ser o ideal 17.

A temperatura pode ser considerada um fator da variação de resultados nas pesquisas sobre os materiais obturadores à base de resina. Suspeita-se que ela possa ter contribuído para o resultado, que não seria esperado, de infiltração apical de corante no grupo Resilon®.

O uso de solução irrigadora, Hipoclorito de Sódio, entre as instrumentações tem sido indicado por muitos autores 2, 3, 7, 22, 23, 25 sendo utilizado em concentrações de 1%, 2,5% e 5,25%. Neste estudo foi feito o uso de Hipoclorito de Sódio a 2,5% baseado no estudo de NUNES (2005)17 que relata ser um excelente irrigador.

Na adesão do cimento endodôntico à dentina, o uso de soluções irrigadoras antimicrobianas pode ter efeito negativo. Resíduos desses irrigantes podem difundir-se pela dentina, ao longo dos túbulos dentinários, e afetar a penetração da resina na estrutura dentinária. Para tentar neutralizar os efeitos negativos dessas substâncias, muitos autores propuseram uma irrigação final, de soro fisiológico 3, clorexidina a 2% 15 ouágua destilada 7.

Nessa pesquisa, seguindo as recomendações do fabricante do Resilon®, SybronEndo, o protocolo de irrigação durante toda a instrumentação dos canais radiculares pode ser realizado com hipoclorito de sódio, sendo que a última irrigação não poderá ser feita com essa substância devido a sua incompatibilidade com a resina. Portanto a toillete final deverá ser feita, logo após o uso de EDTA 17%, com clorexidina 2% ou água destilada ou soro 10. Sendo usado nesse estudo a clorexidina 2% por ser tratar de uma excelente solução de irrigação e por não afetar a força de fixação da base 15.

Antes da obturação dos condutos é recomendado o uso de EDTA 17%. Este foi o material de escolha para esta pesquisa, por se tratar de uma substância quelante que atua na eliminação da smear layer produzindo paredes dentinárias mais lisas e túbulos com contornos circulares e diâmetros ligeiramente ampliados, o que favorece o contato do material obturador com a parede do canal radicular, permitindo que o primeiro penetre no interior dos túbulos dentinários, aumentando a adesividade e melhor selamento apical 14,22.

O uso de solução de EDTA 17%,após a conclusão do preparo do canal,deu-se baseado em OKSAN et al em 199318 que demonstrou,em estudo,que o smear layer pode agir como barreira física, interferindo na adesão e penetração dos cimentos endodônticos para o interior dos túbulos dentinários, e que sua permanência a longo prazo, comprometeria o selamento apical, pois essa camada se solubiliza, formando um espaço entre o material obturador e parede do canal radicular4.

O cimento obturador de escolha a ser utilizado (Sealer 26® - Dentsply) é à base de resina epóxica e muitos autores já demonstraram sua capacidade de penetrar nos canalículos dentinários aumentando, assim, a interface obturação/parede dentinária. Esta interação, associada ao rigoroso travamento do cone principal, sendo nessa pesquisa o cone 40, demonstra a capacidade de melhorar as qualidades de selamento apical das obturações dos canais radiculares 8.

Embora a guta-percha deva ser, em volume, o principal constituinte da massa obturadora, cimentos endodônticos são usualmente empregados para reduzir a interface existente entre a guta-percha e as paredes do canal. Além disso, com o emprego da técnica de condensação lateral, o cimento também atua reduzindo a interface entre os cones de guta-percha, tornando a obturação mais homogênea 13,27.

A escolha da técnica de condensação lateral, nessa pesquisa, deu-se por ser a mais utilizada na atualidade 3,7. Sendo suas vantagens: simplicidade, baixo custo, boa compactação ao nível de terço apical e apresentar uma ótima qualidade final. Possui aceitação clínica pela maioria dos autores, sendo normalmente usada como técnica de controle em estudos comparativos de selamento apical. Sua capacidade seladora é comparada com outras técnicas de obturação, como a de condensação vertical 5, 24, de cone único 12, técnica hibrida de Tagger8, obturação por onda contínua de condensação pelo aparelho System B 6.

A técnica de condensação lateral é relativamente fácil de ser executada e oferece uma colocação controlada do material obturador através do uso de instrumentos como espaçadores digitais. Nessa pesquisa foi utilizado o espaçador de calibre B, que tem como função abrir espaços ao lado do cone principal para colocação de cones acessórios, até o total preenchimento do canal radicular 20.

Como material impermeabilizante, poderia ser citado o esmalte para unhas, em uma ou duas camadas 26, cera pegajosa 3, uma camada de adesivo à base de resina epóxica 12, Super Bonder® 8, duas camadas de esmalte para unha e outra, de cera pegajosa19, uma camada de adesivo à base de resina epóxica e outra, de esmalte para unha2. A escolha do impermeabilizante cianocrilato de etila (Super Bonder) se deu por ter adesividade em superfícies úmidas, total capacidade de impermeabilização, rápida aplicação e polimerização, não sofrer impregnação pelo corante e baixo custo. Houve diferenças, no entanto, quanto aos limites apicais das impermeabilizações. Alguns autores não relataram o limite da impermeabilização de suas amostras 12, 15, 25, outros procederam à impermeabilização externa dos elementos, seja até a 1 mm do ápice 2, 26 e outros optaram por definir um limite de 2 mm, de impermeabilização aquém do ápice 3,6,7,8,19. As amostras, nesse trabalho, fiel a proposta de THULER (2002) 29, foram impermeabilizadas em toda sua extensão com duas camadas do produto, tendo deixado descoberta apenas a área correspondente a 1 mm ao redor do forame que foi protegido com o silicone fluido.

Para evitar que o agente impermeabilizante tivesse possibilidade de obstruir, total ou parcialmente, a via apical de penetração do corante e para impedir que a solução de azul de metileno pudesse invadir o interior do canal por outra via que não a de nosso interesse, o forame apical foi protegido com uma pequena porção de silicone de condensação Silon fluido29. Nessa pesquisa o uso de silicona foi preferido ao de cera, devido a sua facilidade de remoção após a impermeabilização.

Para a escolha do corante, levamos em consideração a pesquisa realizada por MURATA, ZINA E HOLLAND (2003) 16 que avaliaram a infiltração do azul de metileno e Rodamina B, concluindo que o azul de metileno não apresentava descoloração total, apresentava boa capacidade de penetração e apresentava sua partícula menor do que a bactéria o que facilitaria a leitura das medidas de microinfiltração.

Variações técnicas podem afetar a penetração das soluções corantes nos dentes. São exemplos dessa variação os períodos de tempo decorrido, entre o término da obturação e a imersão, o tempo de permanência dos espécimes no corante, os tipos de corantes (com seus diferentes tamanhos de molécula de pH e reatividade química), além da ciclagem térmica. Pode-se observar que, entre os autores, não existe padronização quanto ao tempo decorrido entre o término da obturação e o momento da imersão de amostras no corante. No presente trabalho, as amostras foram deixadas em estufa microbiológica por 72 horas a 37°C, imersas no azul de metileno 2% 17. Têm sido objeto de discussão o tempo, a temperatura, a permanência dos espécimes no corante e a concentrações do corante, sendo uma discordância entre os autores. Assim para que se tenha uma maior confiabilidade nos resultados são indicadas novas pesquisas.

Após o período de permanência das amostras no corante, as mesmas foram lavadas em água corrente e secas na temperatura ambiente. Após isso, se iniciou o processo de seccionamento. Para as secções das raízes dentinárias, confeccionaram-se sulcos longitudinais nas superfícies vestibular e lingual, com auxílio de discos de aço diamantados com irrigação continua de água6, broca carbide tronco-cônica26. Essas secções longitudinais são preferencialmente indicadas para dentes com raízes retas. Uma das vantagens deste método, além de tempo menor de preparação das amostras e de baixo custo, é a conservação da substância dental para análises posteriores. Para a medida de penetração linear de corante os espécimes empregados na presente pesquisa foram seccionados com o auxilio de um disco de aço diamantado, sem irrigação, fino, de dupla face e de um sindesmótomo. As amostras foram clivadas no sentido de seu longo eixo, obtendo-se assim duas hemi-partes2, 3, 6, 12, 17, 26.

A leitura da infiltração de corantes ao longo das raízes obturadas pode ser realizada com emprego de métodos diversificados. Assim, há microscópio óptico Bausch & Lomb, com ocular micrométrica2, ocular micrometrada e uma lupa esterioscópica12, microscópio de mensuração7, estereomicroscópio - OlympusBX50 3. Na presente pesquisa, as avaliações dos corpos de prova foram realizadas com paquímetro digital e com lupa de 20 aumento. A infiltração marginal apical foi medida, tomando-se como ponto de referência inicial o batente apical até o ponto máximo da infiltração linear do corante, na interface obturação-dentina nas paredes vestibular e lingual. Considerou-se a face de maior infiltração. As medidas foram tomadas e os dados aferidos foram levados para análise estatística.

Nessa pesquisa vimos que o Resilon® não obteve resultado tão bom quanto era esperado, revelando variabilidade maior de infiltração entre os espécimes observados. A constituição anatômica da região apical pode ser uma dessas razões. Outra seria o problema encontrado na polimerização das resinas no interior dos canais radiculares.

Muitas pesquisas sobre o cimento à base de resina como material obturador do canal radicular, especialmente Resilon®, deverão ser ainda realizadas de maneira a proporcionar discussões sobre o assunto.

A pesquisa trouxe novas perguntas e não só resposta, como era a nossa expectativa. Estudos posteriores serão necessários para desenvolver materiais endodônticos obturadores adesivos que propiciem um vedamento ideal do Sistema de Canais Radiculares, especialmente na região apical dos dentes.





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