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Associação Brasileira de Odontologia

Regional Petrópolis

Avaliação do Selamento Apical em Dentes Obturados

Com RealSeal (Resilon®) x Guta-Percha

Utilizando a Técnica de Condensação Lateral

Janine Heinen Ferreira

Petrópolis

2008

Associação Brasileira de Odontologia



Regional Petrópolis

Avaliação do Selamento Apical em Dentes Obturados


Com RealSeal (Resilon®) x Guta-Percha

Utilizando a Técnica de Condensação Lateral

Janine Heinen Ferreira





Monografia apresentada ao Curso de Pós-graduação em Endodontia como Requisito à obtenção do Grau de Especialista em Endodontia

Orientador: Prof. Sérgio Luís Tavares Adriano

Petrópolis

2008



Ferreira, Janine Heinen

Avaliação do selamento apical em dentes obturados com RealSeal (Resilon) x Guta-Percha utilizando da técnica de condensação lateral/ Ferreira, Janine Heinen – Petrópolis, 2008

42f

Orientador: Prof. Sérgio Luís Tavares Adriano



Monografia de conclusão do curso de Pós – Graduação em Endodontia - Associação Brasileira de Odontologia - Regional Petrópolis, 2008

Dedico este trabalho ao meu querido e amado pai,

pelo investimento na minha educação, apoio e incentivo constantes;

as minhas irmãs Jaqueline e Bianca pelo carinho e paciência;

familiares e amigos pela ajuda, incentivo e apoio.

AGRADECIMENTO


Agradeço especialmente a Deus, pela oportunidade de realizar este projeto

e por ter me dado forças para concluí-lo;
Ao meu Orientador, Prof. Sérgio Adriano Luis Tavares Adriano, pela habilidade em orientar, pelo exemplo profissional e pelo carinho demonstrado;
Aos Professores do curso, Gilberto, Cacá e Juliano,

por despertar em nós o espírito científico e a consciência profissional.


Aos colegas da especialização pela alegria, motivação e apoio.

RESUMO


O sucesso da terapia endodôntica está fundamentado na correta desinfecção, modelagem e obturação do sistema de canais radiculares. O objetivo deste estudo in vitro foi avaliar a infiltração apical, após a obturação de canais radiculares, utilizando o RealSeal (Resilon®) e Guta-percha/Sealer 26. Foram utilizados 34 dentes unirradiculares, divididos em dois grupos experimentais (de 13 espécimes, cada) e dois grupos controles (de 4 espécimes, cada). Depois de estabelecido o comprimento de trabalho, os canais foram instrumentados pela técnica da instrumentação rotatória, com limas Profile taper 04, sob irrigação de hipoclorito de sódio a 2,5%, e irrigação final com EDTA a 17% e clorexidina 2% no grupo do Resilon. A obturação foi realizada pela técnica de condensação lateral, e as superfícies externas foram impermeabilizadas, exceto 1,0 mm apical. Em seguida os dentes foram imersos em solução corante de azul de metileno, a 2% por 72horas, a 37°C. Depois, os elementos foram clivados no sentido vestíbulo/lingual e, com auxílio de uma lupa com aumento de 20X e paquímetro digital a infiltração foi medida quanto à máxima penetração do corante na interface material obturador/paredes dentinárias. Os resultados foram submetidos à análise estatística, utilizando o software ASSISTAT, concluindo-se que o RealSeal (Resilon®) não apresentou diferença significativa no que diz respeito a diminuir infiltração apical quando comparado ao Guta-percha/Sealer 26.

Palavra chave: Selamento apical, RealSeal, cones de guta-percha.

ABSTRACT

Successful endodontic therapy is based on the correct desinfection, instrumentation and obturation of the root canal system. The purpose of this in vitro study was to evaluate the apical sealing ability, after the obturation of the root canal system, using the RealSeal (Resilon®) and Gutta-percha/Sealer 26. A total of 34 single-rooted human teeth were used in this study. They were randomly divided into 2 experimental groups of 13 specimens each and 2 control groups of 4 specimens each. After the working length was established, the root canal system was instrumented using the rotary movement technique with Profile taper 04, irrigated with 2,5% sodium hypochlorite solution and the final irrigation of 17% EDTA and 2% clorexidine in the group of Resilon®. The specimens were filled with lateral condensation and the external surface was waterproofed, within 1,0 mm of the apical foramen and immersed in 2% methylene blue dye solution for 72h. After this period, the teeth were split longitudinally and the distance of the maximal of dye penetration was measured from the root end filling material to the most coronal evidence along the canal walls with the help of a glass with magnification of 20X using a digital pachymeter. The results were submitted to pertinent statistic analysis, using the software ASSISTAT and revealed that the RealSeal (Resilon®) did not show a significantly better sealing ability in the apical region than the Gutta-percha and Sealer 26.

Keywords: Apical Seal, RealSeal, Gutta-percha points.

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 – Foto do sistema RealSeal __________________________________ 22

Figura 2 – Representação esquemática do Resilon® _______________________ 31

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Infiltração dos controles: positivo e negativo ____________________ 26

Tabela 2 - Infiltração dos materiais: Guta-percha e RealSeal_________________ 27

Tabela 3 - Estatísticas descritivas das infiltrações__________________________ 28


LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 – Resultados obtidos nos grupos de controle____________________ 26

Gráfico 2 – Resultados obtidos nos grupos G1 e G2______________________ 27

Gráfico 3 – Resultados das médias nos grupos G1 e G2___________________ 28

SUMÁRIO




  1. INTRODUÇÃO___________________________________________11

  2. REVISÃO DE LITERATURA_______________________________ 13

  3. MATERIAS E MÉTODOS__________________________________ 19

3.1 MATERIAL___________________________________________19

3.2 MÉTODO_____________________________________________21



  1. RESULTADOS___________________________________________25

  2. DISCUSSÃO_____________________________________________29

  3. CONCLUSÃO____________________________________________37

  4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS__________________________38

  5. ANEXO__________________________________________________42



  1. INTRODUÇÃO

A obturação do sistema de canais radiculares consiste em seu total preenchimento por materiais físicos e biologicamente compatíveis, visando promover seu selamento o mais hermeticamente possível. O sucesso depende de fases preparatórias, da forma como é realizada e dos materiais empregados. Dos materiais disponíveis no mercado, o cone de Guta-percha em associação com o cimento obturador, é o material consagrado para a obturação dos canais radiculares. A Guta-percha serve como principal material obturador, enquanto o cimento endodôntico é requerido para aderir à dentina e preencher os vazios entre o material obturador principal e as paredes dentinárias.

Tem-se ressaltado, na literatura especializada, que uma das causas de falha do tratamento endodôntico se deve à não adaptação do material obturador à região apical. Podemos dizer que as técnicas de obturação deixam a desejar, uma vez que não cumprem o requisito de selar por completo o canal radicular, podendo ocasionar infiltrações, tanto na porção coronária quanto na região apical, possibilitando assim um insucesso frente ao tratamento proposto.

Muitos tipos e marcas de cimentos endodônticos estão disponíveis no comércio, podendo ser divididos em cimentos à base de óxido de zinco e eugenol, de hidróxido de cálcio, de ionômero de vidro, de silicone e de resinas (plásticas ou epóxicas). Recentemente, os sistemas adesivos que são, por definição, os materiais responsáveis por produzir a união do material restaurador às estruturas dentais, têm sido introduzidos. São os também chamados agentes de união primária, capazes de uni a dentina a materiais resinosos. O adesivo que será utilizado nesta pesquisa é o autocondicionante.

Um novo material denominado Resilon® (Pentron Clinical Technologies, Wallingford CT, E.U.A) foi recentemente lançado no mercado. Os cones Resilon® ,desenvolvidos para substituição da guta-percha, são compostos por um polímero sintético termoplástico (poliéster) que contém vidro bioativo, oxicloreto de bismuto e sulfato de bário. Encontram-se disponíveis no mercado em numeração estandardizada de 15 a 40 nas conicidades 0,02; 0,04 e 0,06.

No que diz respeito às técnicas empregadas, todas têm um objetivo comum: reunir qualidade com praticidade. Dentre todas, a mais utilizada universalmente é a Técnica da Condensação Lateral, devido à sua simplicidade, baixo custo, boa compactação ao nível do terço apical e ótima qualidade final. Esta técnica, aparentemente proposta por Callarhan em 1914, refere-se à colocação sucessiva de cones secundários lateralmente a um cone principal bem adaptado e cimentado no canal. O espaço para os cones secundários é normalmente criado pela ação de um instrumento, chamado espaçador digital.

A Técnica da Condensação Lateral é relativamente fácil de ser executada, e oferece uma colação controlada do material obturador, diminuindo a chance de sobreobturação e, portanto reduzindo o desconforto do paciente.

O objetivo do presente estudo, é avaliar a infiltração apical entre canais obturados com cones de Guta-percha e cimento endodôntico Sealer 26 e canais obturados com o sistema RealSeal (Resilon®), ambos utilizando a técnica de condensação lateral.





  1. REVISÃO DE LITERATURA

WHITE et al. (1984) e SAUNDERS e SAUNDERS (1992) e apud SCELZA, SOARES e MACIEL (2005) relataram que após a remoção da “smear layer”, os cimentos endodônticos buscam uma maior penetração nos túbulos dentinários aumentando a imbricação mecânica da obturação com as paredes do canal.


Segundo OKSAN et al. (1993) o smear layer resultante da instrumentação dos canais radiculares atua como uma barreira interferindo na adaptação e penetração dos cimentos nos túbulos dentinários, podendo contribuir para um aumento da ocorrência de microinfiltração.
MILETIC (1999) diz que a obturação dos condutos radiculares deve selar o espaço tanto apical como lateralmente, a fim de prevenir futura irritação apical, devido à incompleta eliminação de bactérias e seus produtos, ou comunicação entre os tecidos apicais e a cavidade oral.
LOPES, SIQUEIRA e RÔÇAS (1999) afirmam que o cimento endodôntico ideal deveria apresentar as seguintes propriedades:

  • Ser de fácil inserção e remoção no canal radicular;

  • Ter bom tempo de trabalho;

  • Promover o selamento tridimensional do sistema de canais radiculares;

  • Apresentar estabilidade dimensional nas condições de uso;

  • Ter bom escoamento;

  • Ser radiopaco;

  • Não manchar a estrutura dentária;

  • Apresentar adesividade às paredes do canal;

  • Apresentar força coesiva;

  • Ser insolúvel nos fluidos teciduais e na saliva;

  • Ser solúvel ou reabsorvível nos tecidos perirradiculares;

  • Ser impermeável no canal;

  • Apresentar biocompatibilidade;

  • Ter atividade antimicrobiana;

FERRAZ (1999) relata que quando se utiliza o cimento Sealer 26, as técnicas de obturação de canais radiculares se comportam de modo estatisticamente semelhante entre si.

SOUZA E SILVA (2001) demonstraram, através de estudo, que a camada residual deixada após o preparo químico-mecânico interfere na qualidade do selamento apical das obturações dos canais radiculares.
ÇOBANKARA et al. (2002), dizem que a microinfiltração dos canais radiculares é um assunto complexo porque muitas variáveis podem influenciar na infiltração, tais como técnicas de obturação, propriedades física e química dos cimentos obturadores e a presença ou não de smear layer.
HEMBROUGH et al. (2002) apud PACHECO (2005) demonstraram que os condutos instrumentados com técnicas rotatórias são melhor obturados com a técnica da condensação lateral, quando usado um cone principal de Guta-percha com a mesma conicidade que a dos instrumentos de niquel-titânio.
BASSILI, MORAES E ZANATTI (2003) avaliaram in vitro a influência do tratamento das paredes de canais radiculares, previamente à obturação, com aplicação do laser de Nd:YAG ou solução de EDTA trissódico, na capacidade seladora de obturações e concluíram que, quando utilizado o laser Nd: YAG, ocorreu menor infiltração apical.
MURATA et al (2003) analisaram a infiltração marginal linear do azul de metileno e da Rodamina B ambos a 2% e com pH 7,0; onde perceberam que a diferença de infiltrações entre esses corantes ocorreu, principalmente, porque o azul de metileno tem um peso molecular menor que o da Rodamina B, sendo o azul de metileno o material de escolha.
PINHEIRO, BRAMANTE E HUSSNE (2003) mostraram, em estudo, que a condensação lateral deve ser realizada com instrumento rígido, facilitando a penetração dos cones secundários em todo o espaço criado e obtendo assim uma obturação satisfatória.
HOLLAND et al (2004) relataram que propriedades físicas como escoamento ou tempo de presa dos cimentos obturadores de canal podem influenciar na qualidade do selamento.

SHIPPER et al. (2004) mostraram que 50% dos canais obturados, quando em contato com bactérias, sofrem, em 30 dias, infiltração delas através de todo comprimento do canal. Essa infiltração tem sido relacionada com uma variedade de condições clínicas, incluindo sensibilidade após obturação, cicatrização demorada e descoloração do dente.


SHIPPER et al. (2004) investigaram “in vitro” a infiltração apical em dentes obturados com Resilon e Guta-percha, usando a condensação lateral e condensação vertical termoplastificada. Os resultados indicaram que em todos os grupos em que a Guta-percha foi usada, a infiltração foi significativamente maior do que nos casos em que foi utilizado o Resilon.
GOGOS et al. (2004) afirmaram que, para evitar a invasão de microorganismos e a penetração de fluidos, o cimento endodôntico deveria aderir firmemente, à dentina e à Guta-percha. Esta adesão eliminaria a penetração de fluidos e traria maior resistência da obturação ao deslocamento, nas manipulações subseqüentes.
SHIPPER et al. (2005) investigaram in vivo o uso da Guta-percha e do Resilon, a fim de avaliar sua eficácia para impedir a inflamação periapical subseqüente à inoculação de microorganismos orais, sendo o grupo dos dentes obturado com Resilon o que apresentou menor grau significativo de inflamação periapical.
Segundo APTEKAR e GINNAN (2006), nos últimos anos, novos passos foram dados para corrigir as microinfiltrações. As desvantagens da Guta-percha no tratamento endodôntico levaram à procura de novos produtos e um deles é o chamado Resilon/Epiphany. Resilon é uma resina termoplástica sintética que se acredita ter ultrapassado as limitações e problemas da Guta-percha.

Segundo SOUZA (2006), a terapia endodôntica já passou por alguns momentos em termos de classificação de suas etapas. Já se disse que ela se divide em três fases: instrumentação, desinfecção e obturação. A unanimidade em torno da Guta-percha como material obturador é bem clara na literatura, sendo o cimento endodôntico usualmente empregado para reduzir a interface existente entre a Guta-percha e a parede do canal. Além disso, quando do emprego da técnica de compactação lateral, o cimento também atua reduzindo a interface entre os cones de guta-percha tornando a obturação mais homogênea.


DE DEUS et al. (2006) em uma análise do selamento em 3 diferentes técnicas de obturação (condensação lateral, condensação vertical da guta-percha aquecida e Thermafil) em canais ovais, através de um modelo de infiltração bacteriana, puderam avaliar que não houve diferença significativa entre as três técnicas, a qualidade do selamento apical foi similar.
Segundo DULTRA et al. (2006), a terapia endodôntica consiste em limpeza e formação do sistema de canais radiculares, remoção de debris orgânicos e selamento do espaço intra-radicular com material obturador definitivo. A obturação deve selar o espaço apical e lateralmente, impedindo assim uma irritação apical e a eliminação incompleta das bactérias e de seus produtos ou a comunicação entre os tecidos apicais e a cavidade oral.
GUELFAND e BENÍTEZ (2006) demonstraram que as limitações da Guta-percha têm sido superadas com uso do Resilon sendo possível sua adesão às paredes dos canais radiculares e, simultaneamente, a sua penetração nos túbulos dentinários, criando o “monobloco”, que quer dizer que sua vedação constitui um único bloco de mesmo material, que preenche simultaneamente tanto o canal quanto os túbulos dentinários. Este material novo demonstrou ser biocompatível e termoplástico
Segundo BODRUMLU e TUNGA (2006), o material escolhido para obturação do canal radicular é um dos determinantes críticos para o sucesso ou insucesso do tratamento endodôntico. As propriedades de selamento dos materiais obturadores constituem outro importante fator que pode influenciar o sucesso do tratamento. Em estudo, mostraram que o Resilon e Epiphany apresentavam menor infiltração de corante comparado com a Guta-percha e AH26.
GUELFAND E BENITEZ (2006) e MORANTE (2007) relatam em seus estudos, que em canais obturados com Resilon, o protocolo para irrigação final deverá ser a clorexidina 2%, soro fisiológico ou água destilada.
DE DEUS et al (2007) demonstraram em pesquisa, que o uso do System B nas obturações de canais radiculares não apresenta diferenças significativas quando comparado ao uso de Resilon/Epiphany e Guta-percha/AH26; entretanto ambos os materiais mostraram diferenças significativas na técnica de condensação lateral.


  1. MATERIAL E MÉTODO



3.1. Material

- 34 dentes unirradiculares;

- Filme radiográfico Kodak Insight IP 21;

- Disco de aço diamantado – Sorensen;

- Limas Profile .04 – Dentsply, Maillefer;

- Limas tipo K número 10 e 40 (25 mm) – Dentsply, Maillefer;

- Régua milimetrada – Angelus;

- Hipoclorito de sódio 2,5% - Manipulando Saúde (farmácia de manipulação), Petrópolis-RJ;

- Clorexidina 2 % - Manipulando Saúde (farmácia de manipulação), Petrópolis-RJ;

- Solução de EDTA 17% - Biodinâmica;

- Cone de papel absorvente – Endo Points;

- Cimento Sealer 26 – Dentsply, Maillefer;

- Cones de guta-percha .04 – Tanari;

- Cones de guta-percha acessórios modelo MF Tanari;

- Kit RealSeal - Resilon®;

- Placa de vidro;

- Espátula n˚ 24 – Duflex;

- Espaçador digital B, Finger Spreader – Dentsply, Maillefer;

- Micromotor e contra ângulo - Dabi Atlante;

- Aparelho rotatório Easy Endo;

- Espátula 1 – Duflex;

- Calcador de Paiva n˚ 2 e 3;

- Lamparina e álcool;

- Cianocrilato de etila – Super Bonder;

- Microbrush, Applicator Tips – Dentsply;

- Material de impressão à base de silicona de condensação- Fluido + catalisador – Silon 2APS, Dentsply;

- Azul de metileno 2% - Medicamentus (farmácia de manipulação), Três Rios;

- Lupa de 20 aumentos;

- Paquímetro digital;

- Estufa microbiológica;

- Seringa descartável 5 ml;

- Pinça de algodão – Duflex;

- Sindesmótomo;

3.2. Método:

Selecionados 34 dentes humanos unirradiculares, extraídos por motivos diversos, em épocas diferentes e armazenados em meio ambiente por tempo indeterminado sem qualquer cuidado especial. Os dentes apresentavam ápices totalmente formados, portadores de um único canal,comprovados através de radiografia periapical.

Os dentes foram limpos e escovados em água corrente para remoção de restos de tecidos e armazenados em solução de hipoclorito de sódio a 2,5% antes da instrumentação para remoção de eventual material orgânico.

As coroas dos dentes foram seccionadas no nível da junção amelo-cementária usando discos de aço diamantado, tornando o acesso direto aos canais radiculares, facilitando a instrumentação.

O comprimento do canal foi estabelecido visualmente colocando uma lima do tipo Kerr n˚ 10 no interior do conduto até que a ponta da lima estivesse visivel na ponta do forame apical,onde foi determinado o comprimento real.

Os dentes foram divididos em quatro grupos, sendo dois grupos com 13 dentes cada e outros dois grupos com 4 dentes cada, sendo estes denominados grupos de controle.

Todos os espécimes foram instrumentados com a técnica da instrumentação rotatória (preconizada pelo fabricante (Dentsply) – Anexo I.), sendo utilizada a lima Profile .04 acionada com o motor elétrico da Easy Endo.

Foi efetuada a instrumentação dos canais radiculares em todo comprimento do canal (ápice radiográfico - AR), obedecendo-se a seqüência crescente de numeração das limas.

Durante a instrumentação, o material de escolha para irrigação foi o hipoclorito de sódio a 2,5% .

Após toda a instrumentação, foi feito o batente apical com a lima manual K 40 sendo este a 1 mm aquém do ápice.

Antes da obturação dos condutos, foi realizada a toilette com EDTA 17% por 5 minutos para remoção de debris e smear layer, além de promover abertura dos canalículos dentinários para um melhor escoamento do material obturador, sendo em seguida utilizado clorexidina 2% para a remoção da camada residual, proveniente da instrumentação, de acordo com as instruções recomendadas pelo fabricante, nos dentes que foram obturados com o Resilon® - RealSeal. Os canais foram secos com cones de papel compativeis com a numeração idêntica à da lima manual K 40.

Os dentes foram divididos em 4 grupos, sendo obturados da seguinte forma:

Os 13 dentes do grupo 1 tiveram seus canais obturados com guta-percha taper .04, cimento Sealer 26 e cones acessórios MF.

Os 13 dentes do grupo 2 tiveram seus canais obturados com sistema Resilon® – RealSeal (Fig. 1), sendo usados como cones acessórios os cones 15.



Figura 1 : Foto do Sistema Real Seal

Os 4 dentes do controle negativo tiveram 2 canais obturados com guta-percha, cimento Sealer 26 e os outros 2 com sistema Resilon® - RealSeal.

Os 4 dentes do controle positivo tiveram os canais obturados apenas com os cones: 2 com guta-percha e 2 com cone de Resilon®, sem utilização de cimento.

Realizou-se, então, a obturação dos condutos radiculares através da técnica de condensação lateral, utilizando-se espaçador manual marca Maillefer calibre B.

O excedente coronário do cone de guta percha e resilon foi cortado com um condensador tipo Paiva ao rubro, realizando-se ligeira condensação do mesmo para acomodação no interior do canal radicular, possibilitando a limpeza da porção cervical com

bolinha de algodão embebida em álcool e selamento coronário com o próprio material da obturação dos respectivos condutos.

Com auxílio do microbrush, todos os dentes do grupo 1,2 e controle positivo tiveram suas superfícies isoladas com duas camadas de cianocrilato de etila (Super Bonder), preservando-se 1,0mm apical, para isso os ápices foram cobertos com silicona de condensação Silon fluido de acordo com a técnica proposta por Thuler (2002).

Os dentes do grupo de controle negativo, composto por 4 dentes, tiveram suas raízes completamente impermeabilizadas com duas camadas de cianocrilato de etila, que não recebeu a proteção de silicona.

Após a secagem do impermeabilizante, a proteção apical de silicona foi removida.

Com a obturação concluída, esperou-se o tempo de secagem dos respectivos cimentos utilizados, preconizado pelo fabricante, e então os dentes foram imersos em solução de azul de metileno a 2% por 72 horas em estufa a 37°C.

Após esse período, os dentes foram lavados em água corrente e foi realizado um corte longitudinal vestibular e lingual, com um disco de aço, desde sua porção cervical até as proximidades do forame apical. Finalmente, com auxílio de um sindesmótomo, as raízes foram clivadas.

Obtidas as duas metades de cada elemento dentário, analisou-se, em milímetros, a penetração longitudinal do corante, observando a partir do forame apical até a área terminal marcada pelo corante, sendo considerada somente a face que apresentou maior infiltração.

As análises da infiltração apical foram realizadas através de Paquímetro Digital pela máxima infiltração linear de corante na interface dente/material obturador no ápice radicular, por visão direta com auxílio de uma lupa de 20 aumento.

Os resultados obtidos foram submetidos à análise estatística.




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