Associação Brasileira de Enfermagem Centro de Estudos e Pesquisas em Enfermagem cepen



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Participação e controle social: concepções teóricas na saúde. Florianópolis. Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Ciências da Saúde, 2007. 138 f.

Tese (Doutorado em Enfermagem)

Orientador(es): PADILHA, Maria Itayra Coelho de Souza

WENDHAUSEN, Águeda Lenita Pereira


RESUMO: A participação e controle social na saúde constitui um tema de interesse, pois por meio de seu estudo é possível o entendimento de como o mesmo é aplicado no cotidiano dos trabalhadores de saúde rumo à construção do Sistema Único de Saúde. Este estudo objetivou refletir sobre as concepções de participação e controle social evidenciadas na produção científica de estudiosos da área da saúde no período compreendido entre 1985 e 2005. A coleta de dados se deu a partir da busca bibliográfica de artigos cujos textos continham as seguintes palavras chave: participação social; movimentos sociais; controle social. Para a interpretação dos dados foi utilizado o método de Análise Temática de Conteúdo. Este método é operacionalmente desdobrado em três etapas: Pré-análise; Exploração do material e Tratamento dos resultados obtidos e interpretação. Para discussão dos dados construímos três categorias: a primeira categoria Concepções e conceitos de participação e controle social a qual tem três subcategorias: Conselhos/espaço institucional, formas de interlocução e solidariedade/voluntariado. A segunda categoria Funcionamento dos Tipos e formas de uso da participação e controle social esta subdividida em três sub-categorias: Serviços de saúde, Situações de agravo a saúde e Associativismo. E a terceira categoria Finalidade/Motivação para a ação da participação e controle social apresenta a participação e controle social sob dois enfoques reflexivos: O de mobilização popular, e a Vinculação aos serviços de saúde como reforço para atuação da equipe. Em relação a primeira categoria podemos afirmar que várias concepções relativas ao conceito participação e controle social permeiam as experiências vividas atualmente em nosso país. O que parece claro é que a criação deste novo espaço político ampliou as possibilidades de participação de atores sociais coletivos nas decisões e no controle das ações do Estado. Porém não se revelou capaz de romper com o modelo restritivo dos processos de representação no debate das questões públicas, ainda que estes novos espaços sejam, efetivamente, mais inclusivos. Em relação à segunda categoria evidenciada neste estudo, denominada Funcionamento dos Tipos e Formas de uso da Participação e controle social, encontramos a participação fortemente ligada a duas possibilidades, de um lado como legitimação da política do Estado, de outro faculta a interferência e modificação desta política em prol dos interesses da sociedade civil em busca da cidadania. A última categoria analisada Finalidade/Motivação para a ação da participação e controle social, mostra a maneira pelas quais os autores vêm descrevendo em suas publicações como percebem o cotidiano de suas ações a participação e controle social. Em determinadas situações conferem a participação e controle social o status de mobilização popular ou a vinculação aos serviços de saúde. Finalizando compreender como os conceitos de participação e controle social vêm sendo tratados na produção teórica na saúde, nos aproxima de respostas que inviabilizem pensar a formulação de políticas públicas e a tomada de decisões sobre a aplicação de recursos públicos sem envolver usuários dos serviços e demais interessados no tema. Estas respostas apontam caminhos para que as decisões sejam mais democráticas em saúde no nosso país. Além disso, é um espaço em que o sujeito político, só existe por uma contestação à lógica da ordem, à definição prévia de identidades e papéis sociais.

Acesso ao texto integral: http://tede.ufsc.br/teses/PNFR0553.pdf

Nº de Classificação: 5084
ANDRADE, Selma Regina de. Saúde dos maricultores e atenção básica à saúde: uma análise sob o enfoque da teoria da reprodução social. Florianópolis. Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Ciências da Saúde, 2007. [242] f.

Tese (Doutorado em Enfermagem)



Orientador(es): BLANK, Vera Lúcia Guimarães
RESUMO: O tema desta tese trata das interações entre usuários trabalhadores e o sistema público de saúde. A delimitação do tema focalizou um grupo populacional específico - os trabalhadores da maricultura do norte da Ilha de Santa Catarina, em vista de sua importância sócio-cultural e econômica no município, considerando o processo de vida e trabalho e as possíveis repercussões no processo saúde-enfermidade. Definiu-se o bairro de Santo Antônio de Lisboa, em Florianópolis, local de residência e de trabalho dos maricultores, onde se localiza o Centro de Saúde, sede daquele distrito sanitário. A Política de Saúde do Trabalhador, vigente no país, delimitou o contexto da análise das interações entre os trabalhadores produtores da maricultura e o sistema público de saúde. Adotou-se o referencial teórico da Reprodução Social e o referencial metodológico de Sistema de Matrizes de Dados, ambos descritos por Juan Samaja, filósofo e pesquisador no campo da metodologia e da psicogênese do conhecimento. A Teoria da Reprodução Social mostrou-se útil para explicar os distintos níveis de integração e distintas interfaces hierárquicas que compõem as totalidades individuais e coletivas, compreendidas nas dimensões biocomunal, comunal-cultural, político-estatal e societal, contribuindo para ampliar a compreensão dos fenômenos envolvidos no campo da saúde-enfermidade-atenção e na interação entre usuários e sistema de saúde. Esta pesquisa guiou-se pelas estratégias exploratória e descritivo-analítica para tratamento e análise dos dados, com o foco nos distintos componentes do sistema de matrizes, utilizando as técnicas de análise de conteúdo e de estatística descritiva, com o apoio mecânico do programa de informática ATLAS.ti. Caracterizou-se o processo de trabalho (objeto, ambiente, organização do trabalho, instrumentos e produto) do grupo de maricultores, identificando riscos à saúde e a possibilidade de uso dos serviços públicos de saúde. Caracterizou-se, também, o processo de reprodução social e saúde dos trabalhadores maricultores, bem como os componentes formulativo e operativo da dimensão estatal do setor saúde. A análise das interações entre os usuários maricultores e o serviço de saúde, no contexto da Política de Saúde do Trabalhador permitiram corroborar as proposições feitas, quais sejam, a de que o trabalhador maricultor interage com o sistema de saúde somente no plano biológico-curativo, no sentido da solução de algum problema instalado; a de que o componente operativo do nível estatal (Centro de Saúde de Santo Antônio de Lisboa e os profissionais da Equipe Saúde da Família daquela unidade) encontra-se despreparado para atender a população trabalhadora, neste caso, os maricultores, em seus processos específicos de trabalho; e, finalmente, a Política de Saúde do Trabalhador, componente formulativo do nível estatal, não é reconhecida em seus princípios pelos usuários dessa política, nem pelos maricultores, nem pelos profissionais da Equipe de Saúde da Família no distrito sanitário estudado.

Acesso ao texto integral: http://www.tede.ufsc.br/teses/PNFR0565-T.pdf

Nº de Classificação: 5085
FERNANDES, Sônia Lorena Soeiro Argôllo. O quotidiano com seus limites e forças para o ser saudável: um encontro da enfermagem com a potência para contornar a violência no dia-a-dia. Florianópolis. Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Ciências da Saúde, 2007. [312] f.

Tese (Doutorado em Enfermagem)



Orientador(es): NITSCHKE, Rosane Gonçalves
RESUMO: Esta tese revela a compreensão do quotidiano, identificando os limites e as forças para o ser saudável no dia-a-dia, e apreensão do significado da violência que se mostra no quotidiano identificando a potência para contornar a violência na construção do ser saudável. O encontro teórico-epistemo-metodológico com a Sociologia Compreensiva de Michel Maffesoli permitiu olhar o que de fato “é”, apreendendo o subjacente das aparências expressas na singularidade e profundidade do quotidiano, pela razão sensível. Realizou-se um estudo descritivo com abordagem qualitativa, do qual participaram 44 pessoas, entre funcionários, familiares de alunos, estudantes de enfermagem e pesquisadores vinculados a um Núcleo de Educação Infantil de Florianópolis, por meio de entrevista e Oficinas de Criatividade e Sensibilidade, no período de julho a dezembro de 2005. Os dados foram agrupados em classes e ligações-chaves formando duas conjunções “O Quotidiano que se mostra para algumas pessoas”, envolvendo o quotidiano contemporâneo; os limites e as forças do quotidiano e “Mergulhando no quotidiano de algumas pessoas e encontrando a violência”, integrando as violências que se mostram no quotidiano e as forças para contorná-las. O tipo, ritmo, local e com quem se trabalha, além da satisfação e o reconhecimento deste; o lazer; a vivência da maternidade; problemas de saúde pessoal e familiar; superação dos desafios da vida; satisfação na vida profissional e familiar e a maneira de cuidar de si e do outro revelam a dimensão singular e estética do quotidiano. Os limites do quotidiano são: saudade dos amigos e familiares; problemas de saúde pessoal e familiar; dificuldades na relação familiar e profissional; falta de organização para cuidar de si e dos outros; sobrecarga de trabalho e pressão institucional. As forças que se mostraram são: persistência; força de vontade; fé; esperança; conhecimento da doença ou alteração de saúde individual e familiar; redes familiares e sociais. A violência no quotidiano mostra-se com tudo e com todos; estando em todo lugar; banalizada e relacionada ao poder; sendo enfrentada com deficiência pela sociedade... É polimorfa e cíclica; trazendo conseqüências para a saúde. As forças para contornar a violência revelam: entender para melhorar; evitar ler e ouvir sobre a violência; falar da violência; o cuidado; força em Deus, fé e esperança; não reproduzir violência; ter otimismo e determinação; amar e perdoar; família e amigos; manter a paz e cultivar a felicidade; ser otimista; diminuir o ritmo de vida; desenvolver redes familiares e sociais. Destaca-se a importância em mergulhar no quotidiano, considerando os limites e as forças das pessoas. Este revela micro violências que colocam em risco o processo de viver e ser saudável. A significação da violência no quotidiano, por si só, mostra a força das pessoas 8 para o reconhecimento, compreensão e criação de possibilidades para contornar esta violência, tornando o quotidiano mais saudável. O conhecimento aqui produzido poderá ser utilizado pela enfermagem e outras áreas no cuidado às pessoas, reforçando a necessidade de criação de espaços para a reflexão sobre o seu quotidiano, buscando sua potência que contorna limites e a construção de maneiras de viver saudável no dia-a-dia.

Acesso ao texto integral: http://www.tede.ufsc.br/teses/PNFR0571-T.pdf

Nº de Classificação: 5086
KOLLER, Evely Marlene Pereira. Da vulnerabilidade ao protagonismo: profissionais do sexo e caminhoneiros frente à aids. Florianópolis. Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Ciências da Saúde, 2007. [202] f.

Tese (Doutorado em Enfermagem)



Orientador(es): RAMOS, Flávia Regina Souza
RESUMO: Analisar a relação entre vulnerabilidade e protagonismo a partir da experiência de profissionais do sexo e caminhoneiros frente à aids foi o objetivo deste estudo. O desenho desta pesquisa caracteriza-se pela metodologia RARE (Rapid Assessment, Response and Evaluation), a qual utiliza Epidemiologia, Etnografia e dados já disponíveis num determinado contexto, para obtenção de informações importantes acerca de populações vulneráveis e de difícil acesso. Vem sendo empregada para a obtenção de informações rápidas, onde não existam dados suficientes para que programas, intervenções ou políticas de prevenção sejam mais eficazes para determinada população. O total de sujeitos acessados diretamente foi de 69 indivíduos, através de diferentes técnicas. Os temas focados foram local/condição de trabalho, acesso a serviços de saúde, gênero e saúde. Os resultados após a triangulação de dados apontam para a existência de deficiências no acesso dessas populações a serviços de saúde, colaborando com a manutenção da vulnerabilidade social. A preferência de grande quantidade de caminhoneiros por relacionamentos com travestis expõe a bissexualidade e a necessidade de maior poder de barganha no sexo protegido da parceria fixa, bem como necessidade para os serviços de prevenção incluírem essa opção sexual como meta de prevenção, utilizando a abordagem de gênero. O número de caminhoneiros que pretende/realiza relações sexuais com profissionais do sexo sem proteção continua motivo de preocupação na disseminação da epidemia HIV/AIDS; o uso de camisinha, embora relatado como freqüente e consistente, na prática ainda se configuram como elemento distante da prática sexual cotidiana. O consumo de álcool, rebites é freqüente entre caminhoneiros e estes se percebem sem liderança que promova seu empoderamento. O uso do Rebites é admitido pelos caminhoneiros e empresários do setor de transportes com uma “certa naturalidade”. Os tomadores de decisão em políticas públicas têm consciência da problemática, todavia não promovem encontros entre os diversos serviços que prestam assistência a essas populações, para o planejamento de políticas públicas adequadas, que acolham, promovam saúde, atendam às próprias populações móveis em suas reivindicações e diminuam os índices de contaminação ao HIV/aids, demais doenças infecciosas e agravos à saúde. Os profissionais do sexo na região estão organizados através da APROSVI, que luta pelo próprio reconhecimento e afirmação envolvendo grande número de atores sociais além dos próprios profissionais do sexo. Apesar de inúmeras dificuldades, o acesso a serviços de saúde pelos profissionais do sexo está melhor do que para os caminhoneiros. O estudo recomenda que sejam realizadas campanhas de conscientização para os profissionais do sexo, enfatizando-se o uso correto do preservativo, a necessidade de uso incondicional e a possibilidade de empoderamento – para que consigam negociar o uso com os clientes sem sofrerem as conseqüências da violência. A divulgação sobre locais de distribuição gratuita de preservativos carece de maior divulgação, ao longo das principais rodovias e nos postos de combustíveis de paradas mais freqüentados. A “quota” de preservativos distribuída necessita ser revista. Parcerias entre serviços públicos de saúde, centros formadores de profissionais de saúde, ONGs e demais segmentos da sociedade civil são desejadas a fim de promover o protagonismo entre as populações vulneráveis.

Acesso ao texto integral: http://www.tede.ufsc.br/teses/PNFR0561-T.pdf

Nº de Classificação: 5087
FERNANDES, Geani Farias Machado. Qualidade de vida: representações sociais de docentes de enfermagem. Florianópolis. Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Ciências da Saúde, 2007. [219] f.

Tese (Doutorado em Enfermagem)

Orientador(es): BACKES, Vânia Marli Schubert
RESUMO: A busca pela melhoria da qualidade de vida tem se constituído um dos maiores desafios da sociedade contemporânea nesta virada de século, marcada pelos impactos tecnológicos e globalizantes. Neste sentido a temática qualidade de vida tem sido foco de inúmeros e crescentes estudos em diferentes áreas do conhecimento nas últimas décadas inclusive na área da saúde e enfermagem. O estilo de vida assumido pelas pessoas e suas relações com o trabalho determinam fortemente o quanto o seu processo de viver se dará pleno de significado e com qualidade ou comprometido por fatores desgastantes que provocam a doença e o sofrimento. Qualidade de Vida é considerada uma representação social pelos elementos de subjetividade e de incorporação cultural que contém, por outro lado existem alguns parâmetros materiais na construção desta noção, que a tornam também passível de apreciação universal (MINAYO, 2000). Este estudo teve como objetivo analisar as representações sociais de qualidade de vida de docentes de Enfermagem e relacioná-las à prática docente no processo de ensinar-aprender enfermagem questionando como na sua percepção essas representações influenciam a sua prática e/ou são influenciadas por ela. O referencial teórico constituiu-se de teóricos que estudam o constructo qualidade de vida nas suas diferentes concepções e da Teoria das Representações Sociais de Serge Moscovici e seus seguidores. Através de uma pesquisa inserida numa abordagem qualitativa utilizando-se a técnica da entrevista, procurou-se apreender as representações de 22 docentes efetivos que constituem a população do curso estudado. Os dados oriundos das entrevistas foram analisados seguindo-se a análise de discurso proposta por Spink (2003). Os resultados evidenciam que a representação social de qualidade de vida para os docentes é bem-estar e felicidade e estes têm como fatores potencializadores a vitalidade e saúde, a vida em família, a amizade, o lazer e as atividades físicas, a autonomia, a espiritualidade. Qualidade de vida está diretamente associada à satisfação/insatisfação com o trabalho. O trabalho docente é ao mesmo tempo fonte de qualidade de vida pelo reconhecimento, possibilidade de crescimento pessoal e profissional, contato com o aluno, por outro lado esse mesmo trabalho gera estresse e déficit de qualidade de vida, advindos de relações interpessoais competitivas e conflituosas entre colegas e das pressões internas e externas no exercício da prática docente e suas inúmeras demandas associadas ao ensino, pesquisa e extensão.

Acesso ao texto integral: http://www.tede.ufsc.br/teses/PNFR0569-T.pdf

Nº de Classificação: 5088
GONÇALVES, Leonor. Processo de trabalho da enfermagem: bases qualitativas para o dimensionamento da força de trabalho em unidades de internação. Florianópolis. Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Ciências da Saúde, 2007. 298 f.

Tese (Doutorado em Enfermagem)

Orientador(es): PIRES, Denise Elvira Pires de

SENA, Roseni Rosângela


RESUMO: Trata-se de um estudo qualitativo, na perspectiva do materialismo histórico e dialético, com objetivo de analisar os elementos qualitativos do processo de trabalho que são imprescindíveis na definição dos parâmetros de dimensionamento da força de trabalho de enfermagem, em unidade de internação clínico-cirúrgica. O estudo justifica-se porque um dos grandes problemas enfrentados pela gerência de enfermagem, no cotidiano dos serviços de saúde, é a definição qualitativa e quantitativa da força de trabalho de enfermagem necessária para garantir uma assistência de qualidade, que leve em conta as necessidades dos trabalhadores e usuários. Além disso, os estudos disponíveis na literatura apontam, predominantemente, parâmetros quantitativos, os quais têm sido insuficientes para enfrentar os desafios presentes na prática assistencial. A investigação foi desenvolvida em um hospital privado da região sudeste do Brasil, a partir da visão de diferentes atores sociais: sujeitos-do-cuidado/usuários, trabalhadores de enfermagem, gerente de enfermagem, gerentes da instituição e outros profissionais de saúde que interagem diretamente com a enfermagem nas unidades. Os dados foram coletados em duas unidades de internação clínico-cirúrgica, de adultos, no ano 2006, utilizando, como instrumentos, a análise documental, a observação sistemática e entrevistas semi-estruturadas com 22 sujeitos. Sustenta-se na teorização sobre o processo de trabalho em enfermagem e em saúde, e no debate nacional e internacional, sobre dimensionamento da força de trabalho de enfermagem. A pesquisa respeitou todos os preceitos éticos, nos termos da Resolução nº 196 do Conselho Nacional de Saúde, e o relatório final é fiel à realidade e experiências vivenciadas, mas preserva o anonimato das(os) informantes e da instituição estudada. Para a sistematização dos dados foi realizada a análise temática do conteúdo das entrevistas, identificando as categorias e subcategorias que expressassem conteúdos significativos para o objetivo da pesquisa. Os resultados evidenciaram que a questão do dimensionamento da força de trabalho em enfermagem é central, para os administradores, para os trabalhadores e, também, para os sujeitos do cuidado, ou seja, os usuários dos serviços. Evidenciou igualmente que a dimensão qualitativa é imprescindível na definição de parâmetros de dimensionamento da força de trabalho em enfermagem, especialmente pela característica do trabalho em saúde, que trata da vida humana, que envolve imprevisibilidade e relação entre seres humanos que são distintos – subjetiva, social e culturalmente. Foram identificadas seis dimensões a serem consideradas na definição de parâmetros para o cálculo da força de trabalho em enfermagem. A primeira dimensão é a econômica, que é amplamente reconhecida por estudiosos de vários matizes teóricos, incluindo a análise da dinâmica do setor de serviços e as distinções entre o setor público e o setor privado. A segunda dimensão diz respeito aos sujeitos-trabalhadores. Inclui as condições de trabalho como salário, jornada e turno de trabalho, recursos materiais, equipamentos e condições ambientais; as condições de saúde dos trabalhadores; e o uso que esses sujeitos fazem de suas capacidades e das oportunidades de desenvolvimento permanente. Uma terceira dimensão refere-se aos cenários de trabalho que podem demandar maior exploração e desgaste, ou serem mais adequados, permitindo maior aproximação com a dimensão criativa e satisfatória do trabalho. A quarta dimensão diz respeito à qualidade do produto do trabalho, ou seja, aos seus resultados, e à percepção de quem recebe o cuidado. A quinta dimensão diz respeito aos instrumentos e dinâmicas de organização do trabalho, levando em conta o trabalho prescrito e o trabalho real. Deve-se considerar, nessa dimensão, o saber tecnológico disponível, as relações de trabalho e o processo de comunicação. E a sexta dimensão é aquela que envolve o objeto de trabalho da enfermagem, diz respeito à visão de mundo e necessidades do sujeito-do-cuidado. Os resultados da pesquisa demonstraram que, apesar da importância das fórmulas matemáticas para o dimensionamento da força de trabalho em enfermagem, as mesmas são insuficientes para a gestão cotidiana do trabalho. A sua aplicação, sem incluir as seis dimensões apontadas, distancia-se da possibilidade de aproximação com um trabalho livre de risco para os trabalhadores e para os sujeitos-do-cuidado.

Acesso ao texto integral: http://www.tede.ufsc.br/teses/PNFR0586-T.pdf

Nº de Classificação: 5089
JARDIM, Vanda Maria da Rosa. Avaliação da política de atenção à saúde mental nos CAPS da Região Sul do Brasil. Florianópolis. Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Ciências da Saúde, 2007. [273] f.

Tese (Doutorado em Enfermagem)

Orientador(es): CARTANA, Maria do Horto Fontoura
RESUMO: As políticas públicas em saúde se constituem em respostas aos diversos grupos de pressão social, o que no caso da saúde mental, nas últimas duas décadas tem se constituído em um desafio, no sentido de implementar um novo modo de atenção em saúde que supere o modelo asilar ainda incrustado no cenário nacional. A reforma em saúde mental alimentada pelo ideário do Sistema Único de Saúde se constitui em uma possibilidade que inclui novos sentidos e temas de discussão ao campo das políticas públicas de saúde ao inserir temas como a singularidade no universo da universalidade. Esta tese foi desenvolvida a partir do entendimento de que a concretização das políticas de saúde mental é permeada pelas contradições do Estado em seus diferentes níveis e suas conseqüências repercutem nas características da atenção em saúde e no contexto de trabalho dos CAPS. Buscando responder quais as contradições existentes na concretização da política de saúde mental nos CAPS da Região Sul do Brasil desenvolveu-se um estudo com o objetivo de avaliar a concretização da política nacional de atenção à saúde mental nos CAPS da Região Sul do Brasil, especificamente em seus aspectos relacionados a estrutura da integralidade, a idéia de singularidade e as manifestações desta política no contexto de trabalho dos Centros de Atenção Psicossocial. A escolha do CAPS como cenário privilegiado de investigação se dá frente ao papel destacado que este dispositivo tem na constituição da rede de atenção em saúde mental. Este é um estudo em pesquisa avaliativa orientado pelo componente crítico do modelo de avaliação de Cartana (2001) e subsidiado pelo materialismo histórico-dialético articulando uma perspectiva subjetiva de análise de documentos e outra epidemiológica de caráter crítico acerca do contexto de trabalho dos CAPS. Os resultados indicam contradições no sentido da constituição de mecanismos de articulação dos elementos previstos na rede de atenção em saúde mental e lacunas nas propostas dirigidas aos processos de produção das práticas de saúde. Parte destas lacunas estão relacionadas com a falta de supervisão do trabalho em saúde mental e de mecanismos de educação em serviço que instrumentalizem os trabalhadores para trabalhar as contradições e conflitos do cotidiano.




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