Assim falou spock



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L EITURAS


ASSIM FALOU SPOCK

ÊXODO 7.11-13 – MILAGRES.
O livro A Física de Jornada nas Estrelas analisa a ciência — ora fictícia, ora espantosamente real — da série da TV e do cinema.
Nenhuma obra de ficção usou, e também abusou, de tantos conceitos científicos como Jornada nas Estrelas. Naves que atravessam o tempo, tripulantes que são teletransportados para lá e para cá, partículas subatômicas, buracos negros, buracos de minhoca, raios phaser e inteligência artificial são algumas das atrações da série. Parte delas foram emprestadas das mais avançadas e fascinantes teorias científicas, como a que fala da possibilidade de se viajar no tempo. Outras foram simplesmente inventadas pelos roteiristas. Invenções que, em alguns casos, tornaram-se depois realidade. É essa magistral união do científico com o imaginário um dos maiores motivos pelos quais a história, criada há trinta anos pelo astrônomo amador Gene Roddenberry, ultrapassou o universo cinematográfico e televisivo para tornar-se um fenômeno popular.

Hoje há legiões de seguidores da série, conhecidos como trekkies ou trekkers, espalhados pelo mundo. Entre os fãs das diversas fases — a pioneira Jornada nas Estrelas, A Nova Geração, Deep Space Nine e Voyager — estão alguns dos mais importantes físicos do planeta, como Stephen Hawking, Steven Weinberg e Kip Thorne.

Por tudo isso foi quase inevitável para o americano Lawrence Krauss lembrar das aventuras de Spock, Kirk e companhia quando resolveu escrever um livro sobre os conceitos da física moderna. “A princípio era apenas uma brincadeira, mas acabei gostando da idéia de juntar a proposta do livro com uma parte da nossa cultura que tanto tem cativado o imaginário popular”, disse à SUPER o físico da Case Western University, de Ohio, Estados Unidos. O resultado, criativo e bem-humorado, é A Física de Jornada nas Estrelas, que sai este mês no Brasil pela Makron Books.

Para Lawrence Krauss a parte mais difícil da aventura de escrever seu livro foi tornar-se um especialista em Jornada nas Estrelas. “Pouco depois de entregar o primeiro capítulo, recebi um bilhete da filha do editor, que é trekker. Dizia que eu tinha errado o ano da criação dos neutralizadores de inércia, dispositivos usados pela Enterprise para absorver o impacto de acelerações em velocidades próximas à da luz. Depois da repreensão pensei: ‘isso vai ser mais difícil do que imaginei’. Só nos Estados Unidos existem cerca de 20 milhões desses especialistas, que iriam pular no meu pescoço se eu escrevesse alguma besteira.”

Mas Krauss venceu o desafio. O livro vem fazendo tanto sucesso que ele já planeja uma continuação. O título, brinca, poderá ser A Física de Star Trek II: A Ira de Krauss, uma referência ao episódio Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan, o segundo do cinema. Mas isso é só um projeto. Por enquanto, ele ainda colhe os elogios, alguns bastante respeitáveis, à primeira etapa de sua jornada. Entre as avaliações positivas estão as do astrofísico da Nasa David Batchelor. Trekker de carteirinha, Batchelor é autor do artigo The Science of Star Trek (a ciência de Jornada nas Estrelas), disponível na Internet(http://www.gsfc.nasa.gov/education/just-for-fun/startrek.html), no qual classifica conceitos e situações vividas em Jornada por ordem de credibilidade científica. Falando à SUPER, Batchelor advertiu que a produção não deve ser confundida com um programa científico, mas lembrou que muitas vezes os roteiristas miraram na ficção e acertaram em cheio na ciência. Stephen Hawking concorda: “A ficção científica de hoje freqüentemente é o fato científico de amanhã. Seguramente vale a pena investigar a física sobre a qual Jornada nas Estrelas se apóia.” Foi o que fez Krauss. Audaciosamente indo aonde nenhum físico jamais esteve.
Fantasia versus realidade
Tanto nos acertos quanto na fantasia, Jornada nas Estrelas traz boas doses de ciência.
Detector de partículas

Neutrinos são partículas subatômicas de massa nula que se deslocam à velocidade da luz e que, embora invisíveis, estão por toda a galáxia. Existem detectores especiais para essas partículas, estudadas pelos físicos para compreender melhor o universo. Mas são instalações enormes. A série antevê um avanço inimaginável. Nela, os neutrinos podem ser detectados por um simples visor, usado pelo personagem Geordi La Forge.


Estrela negra

“Enquanto assistia aos episódios, durante a preparação do livro, vi um no qual a Enterprise encontra um buraco negro, chamado pela tripulação de ‘estrela negra’. Fiquei surpreso com o erro”, conta Krauss/ “Depois é que me dei conta de que o episódio tinha ido ao ar no começo de 1967. Vários meses antes de o termo ser inventado pelo físico John Archibald Wheeler. Quer dizer: a série não errou, mas na realidade quase inventou o termo.”


Erro e descoberta

Sempre que a Enterprise dispara um phaser, ele é visto pelos espectadores, o que é impossível. “Luz não é visível. A menos que seja refletida em algo”, diz Krauss. Quanto ao phaser -- espécie de laser de alta potência criada pela série -- já não é mais ficção. Cientistas americanos acabam de anunciar a descoberta de um novo tipo de laser, que está sendo chamado de phaser em homenagem à arma de Kirk e seus amigos.


Inteligência artificial

Criar um andróide tão complexo e inteligente quanto o personagem Data, de A Nova Geração, é o sonho de muitos pesquisadores de inteligência artificial. Para Krauss, a capacidade de raciocínio de Data o torna superior, em muitos aspectos, aos seus companheiros humanos. Os cricuitos cerebrais positrônicos do andróide ganharam esse nome em homenagem aos circuitos dos robôs dos livros de Isaac Asimov, também mestre na previsão do futuro tecnológico.


Bits e átomos

Fetiche número um dos fãs da série, o teletransporte é considerado impossível por Krauss. Segundo ele, a informação contida em todos os livros já escritos precisaria de 1 milhão de milhões de quilobytes de espaço para ser armazenada. E isso é apenas 1 décimo do espaço que seria necessário para armazenar um ser humano. Além do mais, no caso do homem são os átomos originais que teriam de ser reagrupados no final. Ou, a cada 2. teletransporte.2, o que a gente teria seria uma cópia do viajante.


Super Agosto de 1996



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Pr. Marcelo Augusto de Carvalho






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