Aspectos da psicometria



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LAR DE IRMÃ ZARABATANA

AMOR - CARIDADE - SINCERIDADE

DIRETORIA DE DIFUSÃO DA DOUTRINA ESPÍRITA

RUA CONDE DE BONFIM, 525 – TIJUCA – RIO DE JANEIRO
ASPECTOS DA PSICOMETRIA

Extraído da Web – Home Page do Prof. Sylvio Ourique Cardoso

- Parte I
Em dezembro de 1946, em Wierden, na Holanda, uma jovem foi atacada e gravemente ferida a golpes de martelo por um homem que conseguiu fugir sem que ninguém, nem sua vítima, pudesse vê-lo. Ao fugir, porém, o criminoso deixou no local o martelo que usara como arma.

Todos os esforços da polícia para localizar o agressor foram em vão. Nenhuma pista existia. Ninguém vira coisa alguma. Não havia impressões digitais, nem pegadas, nada. Foi então que o prefeito de Wierden lembrou-se de pedir o concurso do famoso médium Croiset, solicitando que ele cooperasse com a polícia para solucionar aquele caso misterioso. Croiset requereu o martelo que o agressor usara e após segurá-lo por alguns instantes começou a declarar, bem ao estilo de Sherlock Holmes, embora sem usar de nenhuma capacidade dedutiva nem de observação de indícios mínimos, percebidos através de lentes de aumento:

- O criminoso é um homem de quase trinta anos. É alto, escuro e tem uma orelha meio deformada. Usa um anel com uma pedra azul. Mas o verdadeiro dono do martelo é um homem de 55 anos, que vive em uma das três casas que são vizinhas uma das outras. São chalés com telheiros baixos.

Com estas indicações a polícia não tardou a prender o criminoso, que em tudo correspondia à descrição feita.



***

Psicometria é a faculdade pela qual é possível conhecer fatos relativos à história de um objeto ou das pessoas que estiveram em relação com ele, pelo simples contato com esse mesmo objeto. O termo psicometria foi criado por Buchanan em 1849 e embora seja uma designação inadequada, o uso já a consagrou. O excelente dicionário de Espiritismo, Metapsíquica e Parapsicologia, de João Teixeira de Paula, fornece outras denominações para o fenômeno, quais sejam: afia, criptestesia pragmática, lucidez indireta, metagnomia táctil, pragmancia, psicognição e telegnomia. Todos estes termos, porém, são tão ou mais impróprios que o tradicional. Como o que nos prende, entretanto, é o fenômeno em si, vejamos algumas formas pelas quais ele se apresenta.
O caso abaixo é citado por Bozzano, em Enigmas da Psicometria.

O general Joseph Peters, de Munique, pretendendo fazer uma experiência com o psicômetra Alfred von Peters, entregou-lhe, sem maiores informações, uma medalha que pertencera à sua irmã (do general), já falecido. Acreditava o militar que o sensitivo fosse falar da moça que morrera, mas para seu espanto, von Peters passou a descrever com absoluta exatidão de detalhes não a irmã, mas a mãe do general. Só depois, meditando e questionando sobre aquela ocorrência que tanto o intrigara, foi que o general descobriu que aquela medalha fora feita de uns brincos que pertenceram à sua mãe e que depois que sua irmã os mandara fundir para fazer a medalha, nunca chegou a usar esta jóia. Era natural, pois, que o metal estivesse muito mais "impregnado" pela personalidade da anciã que da moça.


O caso seguinte, também extraído da obra citada, vai aqui drasticamente reduzido.

A Srta. Hawthorne, dona de grande sensibilidade psicométrica, ganhara de um conhecido muito idoso uma velha escrivaninha. Ao remexer em suas gavetas encontrou entre algumas bugigangas um velhíssimo pedaço de linho, que resolveu psicometrizar em vez de deitá-lo fora, tão antigo lhe parecera o tecido. E ao segurá-lo sentiu-se como que transportada para a Abadia de Westminster, em uma sala sombria e quase sem ar, onde notou várias figuras de cera, entre as quais estava a rainha Isabel usando uma saia de veludo ricamente ornamentada. E por baixo dessa saia a sensitiva percebia uma outra, de linho, da qual teria sido extraído o fragmento que agora detinha em suas mãos.

A Srta. Hawthorne nada sabia sobre a Abadia de Westminster, mas ao fazer averiguações posteriores foi informada que, de fato, as figuras de cera ali existiam, estando agora recolhidas a uma sala sem acesso para o público. Escrevendo, então uma carta para o ancião que lhe enviara a escrivaninha de presente, quis a sensitiva saber de mais detalhes sobre o pedaço de linho que encontrara. O velho, porém, não soube dizer muita coisa. Lembrava-se que o linho pertencera à sua irmã e que tinha algum valor histórico que desconhecia qual fosse. Sua irmã, já falecida, tinha grande apreço pelo tecido por havê-lo ganho de uma pessoa relacionada com a Abadia de Westminster!
Mas a psicometria também pode colocar o sensitivo em relação com um animal. Vejamos este caso que o Bozzano extraiu do “Light”, de 1904. A psicômetra é a mesma Srta. Hawthorne, que já conhecemos, e a narrativa, tão rica de detalhes, vai aqui também muitíssimo reduzida.

Entregaram àquela moça uma pena da asa de um pombo-correio que acabara de retornar ao pombal após uma longa viagem. Diz então a sensitiva:

- Esta pena esteve encerrada em um ambiente muito apertado. Um cesto! O corpo de seu dono é igual a um feixe de nervos (...)

Era exato. O pombo fora remetido de Gornal Wood para Fernhill Heath dentro de um cesto. Prossegue a psicômetra:

- Livre, ei-lo agora que voa alto (...) E sobe, sobe tanto que parece encaminhar-se para o sol.

Também exato. Aquela espécie de pombo se distingue das demais pela altura de seu vôo.

- Vai ele subindo sempre, até entrar em contato com uma força sutil, ou corrente magnética, que o põe em contato com o seu pombal (...) Agora atravessa nuvens espessas e acelera o vôo, porque a friagem do ar rarefeito lhe dificulta a respiração.

Certo. Durante a viagem de regresso o tempo em algumas regiões não era bom e havia muitas nuvens baixas que a ave teve por força que atravessar.

- Ao aproximar-se do pouso o pombo torna-se como que indeciso (...) Haverá nas proximidades do pombal dois gatos, um de pelo rajado e outro de focinho preto com malhas brancas? É que ambos infundem grande ansiedade ao pobre pombo.

Exatíssimo. Junto ao pombal rondavam sempre dois gatos, um rajado e outro branco e preto, que viviam a perseguir as aves.

O notável deste caso é que a sensitiva foi capaz de entrar em contato tão íntimo com a ave, a ponto de experimentar as sensações e os estados emocionais daquela almazinha. Até mesmo a imagem dos gatos memorizada pela ave em sua ansiedade foi possível perceber, pelo simples contato com uma de suas penas.


Mas um psicômetra pode experienciar igualmente as sensações sofridas por um vegetal. Socorramo-nos ainda de Bozzano.

A sensitiva agora é a Srta. Edith. A 25 de março de 1904 ela recebeu um pequeno galho de árvore e foi psicometrá-lo dia 27, às 11 horas. Diz ela:

- Que significa toda esta agitação? Por que o solo vibra sem cessar? também as raízes desta árvore estão tremendo e vibrando (...)

Realmente, distante cerca de 400 jardas daquela árvore estava sendo cavado um túnel. Quatro horas após a psicometria houve inclusive um desmoronamento do terreno!

- Não é muito alta nem muito copada esta árvore. Tenho a intuição de frutos. Estou num pomar.

Também estas observações eram absolutamente exatas.

- A árvore afigura-se-me envolvida em atmosfera glacial, assomada por uma sensação de frio; as próprias raízes estão transidas, geladas. O terreno não é bastante quente nem restaurador (...) Solo frio e úmido.

Correto. O terreno era árido, frio, úmido. As raízes se estendiam até perto de um poço cuja água durante o inverno ficava congelada, o que por certo comprometia todo o subsolo próximo às raízes.

Também com respeito aos fatos atinentes a um mineral podem os psicômetras entrar em contato.
A narrativa seguinte Bozzano colheu-a em Psychometric Researches, do professor Willian Denton. A sensitiva era a Sra. Elisabeth Denton. Os fatos narrados pela psicômetra foram, posteriormente, constatados como exatos, visto que no momento da experiência nem mesmo o professor os conhecia.
O caso é este:

O professor Denton estava em Jaynesville e ali apanhou uma pedra, ao acaso. Tirou dela uma lasca e apresentou-a à sensitiva, que passou a dizer:



- Meu Deus! Quantas convulsões da matéria aqui se ocultam (...) Tenho a impressão de ser vomitada por um vulcão (...) Eis-me agora depositada no flanco da montanha (...) Aí fico longo tempo; depois mergulho em profunda cavidade. Envolvem-me a água e a umidade (...) As águas se espalham agora com grande violência e fazem-me rodar vertiginosamente (...) Depois estou depositada no leito de um lago (...) Esse lago está situado em região frigidíssima (...) O gelo move-se e eu com ele me movo (...) Agora aumenta o calor como que provindo de baixo. E funde-se o gelo, esgota-se, forma riachos. Estou enfim segregada desse movimento e já não me desloco senão ocasionalmente.
O professor conseguiu comprovar que aquele fragmento de rocha era, de fato, de origem vulcânica e que fora colhido em uma região repleta de "blocos erráticos" depositados no local por antigas geleiras provindas do Norte. Merece destaque a sensação de calor que vinha de baixo para cima: a pedra havia sido encontrada (e disto o professor não sabia) numa região de chumbo, que ali havia surgido elevando-se através das camadas porosas e pedregosas para depois fixar-se nos leitos de calcário magnesiano. Os dados fornecidos pela psicômetra eram, pois, exatos: a pedra fora cuspida por um vulcão e depois conduzida por uma geleira que se deslocou até que o gelo se fundiu por ação do chumbo que se elevava. Ao se fundir o gelo nessa região geologicamente quente, ali ficaram depositados os blocos rochosos de origem vulcânica. São bastante interessantes as considerações que faz Bozzano em Os Enigmas da Psicometria sobre a maneira pela qual pode uma rocha guardar a "memória" das sensações (?) que teve há milênios, desde a expulsão sofrida, até o gelo que a conduziu a uma região onde o calor vinha de baixo para cima. É mesmo intrigante que uma pedra possa ter senso de direção. Mas as cogitações de Bozzano, por extensas, não as podemos reproduzir aqui. Recorra o leitor interessado ao livro em causa.
No entanto a psicometria pode também ensejar o contato mediúnico entre "vivos" e "mortos". E há ainda a chamada psicometria de ambiente, cuja menção foi omitida no excelente dicionário do Sr. João Teixeira. Voltaremos ao assunto para darmos uma olhada em ambas.

- O Autor - outubro/1984.

* * *


- Parte II
Vimos algumas formas pelas quais a psicometria se expressa. Vejamos agora como a faculdade psicométrica pode contribuir para a ocorrência do contato mediúnico. O caso seguinte também encontramo-lo na obra citada de Bozzano.
Em dezembro de 1884 William e Murray compraram um iate e saíram a passeio, contando regressar a 14 daquele mês. Junto com eles viajou Hugh, irmão de William.
Como os três não regressassem na data marcada, o pai dos rapazes chamou o médium Spriggs, ao qual porém nada revelou sobre o motivo pelo qual o chamava. Spriggs imaginou que o motivo de sua visita fosse alguma doença em família e assim, sempre sem saber de nada, aproximou-se da mãe dos moços desaparecidos, tomou-lhe a mão e logo caiu em transe. Então perguntou:
- A senhora fez algum passeio marítimo? É que noto uma grande depressão em seu espírito em relação ao mar.

Ante isso foi-lhe contado o motivo pelo qual o chamavam: queriam que o médium tentasse averiguar se houvera algum acidente com o iate. Aí Spriggs, ainda em transe, pediu que lhe trouxessem um objeto qualquer pertencente aos rapazes. Entregaram-lhe uma carteira, que ele segurou, passando a descrever toda a viagem marítima, as dificuldades encontradas, os lugares onde estiveram e por fim o naufrágio. Inúmeros detalhes desta narrativa puderam depois ser confirmados por pessoas que haviam avistado o iate nas condições e locais descritos por Spriggs.



Dias depois, em uma sessão mediúnica realizada com outro médium, o Espírito de um dos rapazes manifestou-se e confirmou tudo aquilo que Spriggs havia narrado. Com um detalhe a mais: o naufrágio dera-se às nove horas e o corpo de William havia sido mutilado por um tubarão. Isto foi dito na noite de 18 de dezembro. A 27 desse mês foi capturado um tubarão a 27 milhas do local do naufrágio. Em seu estômago encontraram o braço de William com um pedaço de seu colete, em cujo bolso estavam seu relógio, seu cachimbo, suas chaves e algum dinheiro. E o relógio, parado, marcava nove horas.
O que há de notável aqui, em termos de psicometria, é que quando o médium Spriggs esteve em contato com a mãe dos rapazes, nada conseguiu captar a não ser sua preocupação com algo relacionado ao mar. Se os detalhes do acidente houvessem sido captados telepaticamente por aquela senhora e ficado arquivados em seu inconsciente, numa forma tão ao gosto do nosso bom Pe. Quevedo (pois nem mesmo a tão decantada telebulia teria faltado, já que na hora do naufrágio é natural que os rapazes pensassem na família) então não haveria motivo para que Spriggs só pudesse captar os detalhes da viagem e do acidente quando deixou de segurar a mão daquela senhora e pegou a carteira dos rapazes.
O fenômeno não se explica, pois, pela telepatia em L, nem pela hiperestesia e sim pela psicometria. E se o detalhe revelado mediunicamente do tubarão que comera o braço de William foi tão espetacularmente comprovado e se nessa mesma sessão mediúnica todos os dados descobertos pela psicometria foram confirmados, não há motivo para que se duvide que, de fato, os detalhes psicometrizados estivessem rigorosamente certos. Mas também não é crível que a carteira pudesse conter informações de fatos ocorridos com seus donos depois que eles estiveram em contato com essa carteira pela última vez.
Assim sendo, o mais lógico é supor que a carteira serviu apenas de instrumento para possibilitar ao médium o contato espiritual com os náufragos, ou com Espíritos por eles interessados, que teriam intuído Spriggs sobre os detalhes do acidente.
Vejamos outro exemplo em reforço desta tese tão bem defendida por Bozzano.
Em maio de 1914 um ancião chamado Lerasle saiu de sua casa a passeio pelos arredores e nunca mais foi visto. Parentes e amigos, um total de 80 pessoas, procuraram-no por toda parte sem resultado. Por fim, já desanimados, levaram um lenço que pertencera a Lerasle a uma sonâmbula famosa, a Sra. Morel. Em contato com o lenço ela fez a descrição física do velho e passou a falar sobre o caminho que ele percorrera a passeio no dia de seu desaparecimento. Narrou que o ancião, em dado momento, sentiu-se mal e que se deitara próximo a um rio, onde morreu. Lerasle, disse a sonâmbula, estava deitado do lado direito e com uma perna dobrada.
Graças às informações fornecidas o cadáver foi achado e toda a descrição do percurso feito foi averiguada como exata. Mas havia um erro: o cadáver estava de costas e com as pernas estiradas.

Ora, se o fenômeno aqui fosse de simples clarividência, não haveria razão para que a sensitiva, que a tudo pudera "ver" com tantos detalhes, fazendo inclusive a descrição correta do lugar onde se achava o corpo, errasse quanto à posição do cadáver. E também aqui, como no caso anterior, não se concebe que o lenço guardasse o registro de fatos ocorridos após o Sr. Lerasle ter estado com ele pela última vez.


A hipótese mais viável, pois, é que a imantação fluídico-magnética deixada no lenço pelo ancião haja possibilitado à médium o contato com seu Espírito, que ao recordar seus últimos momentos na Terra transmitiu essas recordações à sonâmbula, sendo que a posição deitado de lado com a perna encolhida seria sua última lembrança terrena. Já no estertor da morte o corpo teria mudado de posição, buscando um equilíbrio mais estável, mas disso o Espírito já não tomou consciência, o que não é de se estranhar.
Também no famoso caso de Hydesville o Espírito do mascate assassinado, Charles Rosma, lembrava-se de ter tido seu corpo enterrado no porão, parecendo desconhecer que seus assassinos dali o houvessem removido algum tempo depois. Estes "erros" vêm exatamente reforçar a tese espírita e costumam embatucar tantos parapsicólogos portadores de “espiritofobia”, que não encontram para eles explicações lógicas dentro das teses materialistas a que se aferram, com suas teorias sobre os prodígios de um inconsciente todo-poderoso, capaz de todos os assombros.
Vamos dar agora uma espiada na chamada psicometria de ambiente.
Eis aqui um caso antigo, que colhemos em O Mundo dos Fenômenos Psíquicos, de Edsall (Edit. O Pensamento): Em outubro de 1642 houve uma batalha na Inglaterra, na Colina de Edge, entre o Exército Real e o Exército do Parlamento. Poucos meses após, alguns pastores que se achavam próximos a essa colina foram subitamente despertados por sons de tambores e de artilharia. Então, apavorados, viram dois grupos de soldados, uns com a bandeira do rei e outros com a do Parlamento, que guerreavam em meio a uma gritaria misturada com estampidos e relinchos de cavalos. Depois tudo sumiu. Mas a notícia do fenômeno se espalhou e na noite seguinte o juiz Wood e o pastor Marshall, ambos incrédulos, consentiram em ir ao local com os que diziam ter visto a cena. E então, aterrorizados, puderam acompanhar a repetição do espetáculo.
A coisa tomou tamanho vulto que o próprio rei nomeou uma comissão para averiguar o que se passava. Essa comissão foi composta por oficiais escolhidos por seu ceticismo. E todos, por duas noites, puderam assistir, assombrados, ao desenrolar das mesmíssimas cenas. E os oficiais ainda chegaram a reconhecer alguns combatentes que ali haviam morrido.
Eis outro caso, mais recente: Em agosto de 1951 duas senhoras inglesas passavam as férias em Dieppe. Ocupavam um cômodo de um prédio onde estiveram aquarteladas as tropas alemãs durante a segunda guerra. Ali havia ocorrido o chamado Reide de Dieppe, mas as senhoras, em férias, nem se lembravam disso. Então, na madrugada de quatro de agosto, foram ambas despertadas pelos ruídos de uma batalha: eram gritos, ordens de comando, explosões de granadas, gargalhar de metralhadoras, tiros de canhão. Correram à janela mas nada viram, embora continuassem a ouvir tudo com nitidez. Chegaram a tomar nota do horário em que a batalha começara, bem como dos intervalos entre seus momentos de maior ou de menor intensidade. Ao raiar do dia tudo terminou. Esse relato foi enviado para a Society for Psychical Research, que após investigações minuciosas pôde comprovar que o relatório em tudo coincidia, até quanto aos minutos, com o ocorrido no Reide de Dieppe.
Eis outro caso, extraído da mesma obra:

A Sra. Throckmorton passeava com a sua mãe e sua irmã por uma estrada da Jamaica, perto de Newcastle. Era uma estrada estreita, tendo de um lado um barranco e do outro um precipício. Em dado momento as três ouviram um galope de cavalo que se aproximava. Assustadas por causa da estreiteza do caminho, encostaram-se ao barranco para dar passagem ao animal. Então a Sra. Throckmorton viu o cavalo e seu cavaleiro, aproximando-se a galope. Quando estavam junto a elas, a terra se soltou, desbarrancando. O cavalo ainda tentou desesperadamente equilibrar-se, mas ele e o cavaleiro caíram no abismo. A testemunha viu nitidamente as perneiras de couro do cavaleiro, tão de perto que poderia tocá-las com a mão. As outras duas, embora ouvissem o galope e o ruído da queda, nada viram. Naquele lugar, em 1898, um oficial de Newcastle, chamado Driffin, estava se dirigindo para Kingston a cavalo. Como o tempo não era bom, foi desaconselhado da viagem, mas partiu blasonando. Dias após seu corpo e o do cavalo foram encontrados no fundo da ribanceira.



Não é crível (embora a rigor não seja impossível) que os Espíritos dos que morreram em uma batalha prossigam a guerrear com seus adversários também desencarnados. Igualmente não é plausível que o Espírito de alguém que haja morrido com seu cavalo caindo em um abismo fique, anos a fio, a repetir o acidente.
Depois, as testemunhas dessas repetições, como vimos no caso da Colina de Edge, vêem sempre a mesma cena, com os mesmos detalhes, como num "vídeo-tape" transcendental o que contraria a hipótese de uma batalha que esteja prosseguindo após a desencarnação de seus protagonistas.

Por isso Price criou a teoria do éter psíquico: acontecimentos altamente emocionais impregnariam, de alguma forma, o ambiente onde ocorreram, como um registro cinematográfico. Quando alguém dotado de sensibilidade adequada entra em contato com esse lugar, o "filme" se desenrola em sua mente permitindo-lhe "ver" e "ouvir" os detalhes do que se passou. A isto se chama psicometria de ambiente.
Algumas pessoas pretendem, com essa teoria, invalidar a realidade da comunicação mediúnica, alegando que tudo que alguém faz ou pensa durante a vida fica registrado no éter psíquico, de sorte que os médiuns quando julgam que estão recebendo uma comunicação de alguém que já morreu, nada mais estaria fazendo do que captando, em algum tipo de "clichê astral" aquilo que foi dito ou pensado, em vida, pelo que morreu. Para avaliarmos a inconsistência desta teoria basta pensarmos que se fosse assim os médiuns captariam sempre as mesmas frases, como em um disco de vitrola, e jamais a mensagem mediúnica poderia abarcar aspectos de fatos ocorridos após a morte daquele cujos pensamentos estariam sendo captados. Mesmo sobre as ocorrências de antes da morte o contato com o éter psíquico não permitiria o estabelecimento de um diálogo atual, nos moldes de quem fala apenas relembrando o que se passou. A mensagem, repetimos, haveria de ser sempre a mesma, tal como um disco fonográfico. Portanto, fiquem os anti-espíritas certos de que a psicometria de ambiente não invalida, antes confirma, a realidade da comunicação mediúnica.
Muito haveria para se falar sobre a psicometria, inclusive a respeito de outras variações, como a psicometria precognitiva, mas o espaço que roubamos já é muito.
Vejamos então, rapidamente, algumas orientações para quem deseja testar ou treinar esta faculdade. Hermínio Miranda fornece alguns dados em sua obra Sobrevivência e Comunicabilidade dos Espíritos e ele os colhe em Buchanan, conforme narrado no "Secrets of Mediunship", de Boddington.
É o seguinte: preparam-se amostras de sal, pimenta, mostarda e coisas assim, tomando-se o cuidado para que essas amostras fiquem absolutamente irreconhecíveis quer pela aparência externa dos envoltórios, quer ao tato ou ao olfato. Então a pessoa deve buscar um estado de relaxamento, de passividade, e aí tomar delicadamente cada amostra, tocá-la, apoiá-la na testa, e anotar as impressões que cada uma lhe cause. Não deve haver pressa. De modo geral, Diz Boddington, são poucos os que conseguem resultados de início.
Poderíamos acrescentar, por nossa conta, outras variações dessas técnicas. A pessoa pode fazer as experiências com anéis, tecidos, enfim, quaisquer objetos que lhe sejam estranhos. Nesse caso é melhor que cada objeto tenha sido fornecido por uma pessoa diferente e essas pessoas devem conhecer detalhes da história dos objetos ou de seus donos.
Conforme as normas da telepatia, quanto maior o número de pessoas implicadas menor será a chance de uma simples captação telepática. Os fornecedores dos objetos não devem estar presentes no momento da experiência para que não saibam qual material está sendo psicometrizado e então o psicômetra deverá anotar num papel as impressões que cada objeto lhes causar. Melhor ainda se os objetos forem emprestados por pessoas que não tenham nenhuma relação com o experimentador, visto que a telepatia obedece à lei da afinidade. Assim, se os amigos do experimentador pedirem objetos emprestados a pessoas que o experimentador não conheça, pode-se Ter uma boa margem de certeza de que os acertos se devem mesmo à psicometria e não a simples incidência telepática.
É isso. Quem quiser é só tentar. Mas um conselho ainda daríamos: é que este exercício, como qualquer outro que envolva faculdades psíquicas ou mediúnicas, só deve ser tentado objetivando-se um fim sério e útil. Assim sendo, mais uma vez se evidencia a necessidade de se ler Kardec. E de seguir-lhe as orientações.

Prof. Sylvio Ourique Cardoso - O Autor - novembro/1984
* * *

(Transcrito para distribuição interna em Mai/2000, em apoio ao Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita. Reeditado em Set/2007)


D.D.D.E. - Roberto Nunes






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