As contribuições da psicanálise para a compreensão do aparelho psíquico infantil



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As contribuições da psicanálise para a compreensão do aparelho psíquico infantil
Juliana Pocaterra Kirch(ICV/Unioeste/PRPPG), João Jorge Correa(Orientador),

e-mail: joaojorgecorrea@gmail.com


Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Educação, Letras e Saúde/Foz do Iguaçu-PR
Grande área e área: Ciências Humanas - Educação
Palavras-chave: Psicanálise; Psiquismo Infantil; Pedagogia
Resumo
O presente trabalho é parte de uma pesquisa originada no Programa de Iniciação Científica, no âmbito dos estudos realizados no Grupo de Pesquisa Psicanálise e Educação. A proposta foi pensada a partir do interesse pessoal em melhor compreender os conceitos centrais da psicanálise e como estes se apresentam na constituição do aparelho psíquico infantil. Também há a preocupação de agregar novos conhecimentos advindos do campo teórico psicanalítico à formação em Pedagogia para posteriormente, auxiliar na atuação em sala de aula como professor da Educação Infantil e Ensino Fundamental I. O objetivo foi descrever os conceitos fundamentais da Psicanálise a partir dos pressupostos teóricos de Sigmund Freud, bem como compreender a evolução conceitual no campo psicanalítico acerca do psiquismo infantil e analisar as principais características dos distúrbios psíquicos que podem afetar a infância, contribuindo dessa forma na reflexão sobre as relações que podem ser estabelecidas entre a Psicanálise e a Pedagogia a fim de compreender melhor o desenvolvimento psíquico infantil. Este trabalho é baseado em pesquisa bibliográfica e análise de caráter qualitativo.
Introdução
A ideia perseguida nesta pesquisa foi buscar por elementos teóricos no campo da Psicanálise que nos auxiliassem a mostrar que a criança precisa aprender a enfrentar-se com os conflitos que surgirão durante sua vida a fim de que no futuro se constitua adulto capaz de lidar com os traumas e distúrbios psíquicos que por ventura venha a se deparar.

O foco da teoria freudiana sobre os traumas estava na descoberta da sexualidade infantil de modo que ao discorrer sobre o desenvolvimento psicossexual da criança identifica criteriosas fases que todas elas teriam pela frente em seu amadurecimento: a fase oral, anal, fálica, período de latência e a fase genital (FREUD, 1996, vol. VII). No entendimento freudiano se a passagem por essas fases não ocorrer de forma sadia pode desencadear neuroses e distúrbios psíquicos no decorrer da vida juvenil e adulta.

Sendo a preocupação de Freud confirmar suas hipóteses sobre a teoria da sexualidade infantil e sua relação com o funcionamento do psiquismo nesta etapa, em 1909 teve a oportunidade de acompanhar a primeira análise infantil que se tem notícia. Caso esse que ficou conhecido como “O pequeno Hans”: um garotinho de cinco anos que apresentava sinais da neurose. A exposição de Quinodoz (2007, p. 95) nos chama atenção para o fato de que o relato do caso “Hans” proporcionou a Freud uma “prova” da existência da sexualidade infantil.

Ao longo das observações construídas por Freud a partir do relato escrito paterno, Freud pôde perceber que o psiquismo infantil é diferente do adulto, porque a criança ainda não tem seu superego desenvolvido por completo, pois ele se desenvolve durante toda a infância.


Revisão de literatura
A partir das descobertas de Freud a psicanálise passa a olhar para a infância com outros olhos e começa a considerar que a criança também tem sentimentos que podem marcar e determinar seu futuro, tais como lembranças, desejos e fantasias (COSTA, 2010, p.14).

Terezinha Costa (2010, p. 30) em estudo sobre as posições teóricas de Melanie Klein aponta que esta buscava compreender o psiquismo infantil e que no início das análises com crianças, Klein não obtinha resultados positivos, pois as analisava através dos pais, incentivando-os a conversarem abertamente com os filhos sobre o que os atormentava. Por volta de 1923 aperfeiçoou seu método criando a ludo terapia, técnica que ajuda a criança expressar suas angústias por meio de desenhos, jogos, brinquedos e brincadeiras.

Assim como Freud, Klein também constatou com as análises que muitos dos comportamentos infantis podem refletir na personalidade adulta. Porém, diferente dele acreditava que o bebê tem seu superego formado antes mesmo de passar pelo Complexo de Édipo. Portanto, para que a criança se torne um adulto psiquicamente sadio é importante que seus pais já lhe transmitam muito amor e carinho antes mesmo do seu nascimento.

A partir de Freud, outros estudiosos da área psicanalítica como Winnicott, Anna Freud e Melanie Klein passaram a se interessar pela infância e sobre os traumas e distúrbios vivenciados nessa fase da vida; e os problemas que podem acarretar ainda quando crianças, e também na vida adulta.

Foi estudando os fenômenos mentais inconscientes, que Freud descobriu que esses poderiam ser divididos em dois grupos: pré-consciente e inconsciente.

Tratando-se de situações reais, Freud afirma que os conflitos que a criança enfrenta ou tenha enfrentado, causados pelo ego e que não foram totalmente resolvidos, ficam armazenados em seu inconsciente, gerando crises existenciais, de ansiedade e de personalidade.



Resultados e Discussão
Na sociedade atual a estrutura familiar está ficando cada vez mais à deriva, pois é crescente o número de pais que entregam à escola a responsabilização total pelos seus filhos desde muito cedo, deixando-os muitas vezes em período integral na instituição e privando-os cada vez mais do convívio com a família. Isso ocorre por diversos fatores, entre eles, o pai e a mãe trabalham o dia todo; falta de um ente próximo que possa cuidá-los; pais divorciados ou viúvos; um dos pais trabalha em outra cidade, estado ou país e por isso tem pouco contato com o filho; entre outros (CAPPE, 1963).

Para algumas famílias a chegada de um filho é a esperança de um futuro promissor e feliz, passam todo o período da gestação escolhendo o nome, se preocupando se nascerá sadio e planejam até mesmo a vida profissional dessa criança; para outras é a frustração de ter que abandonar ou deixar de concluir algo que gosta de fazer para se dedicar a essa nova vida que está sendo gerada, não me refiro aqui a ausência de amor em relação aos filhos, mas sim a falta de planejamento dos pais para ter um filho, fato que influencia muito no tratamento e cuidado que ele receberá dos pais.

Salomon (2013, p. 11) acredita que os pais buscam se ver nos filhos: “(...) Nas fantasias subconscientes que fazem a concepção parecer tão sedutora, muitas vezes é nós mesmos a que gostaríamos de ver viver para sempre, e não alguém com uma personalidade própria”.

Entende-se que nessa busca dos pais em se enxergar no próprio filho, eles acabam admirando os que se assemelham a eles e criticando os que são diferentes, pois não aceitam o filho como ele de fato é. Sobre essas características de identidade, Salomon as classificam em identidades verticais e identidades horizontais: Assim, “devido à transmissão de identidade de uma geração para a seguinte, a maioria dos filhos compartilha ao menos algumas características com os pais”. A isso o autor chama de identidades verticais. Todavia, as características “inatas ou adquiridas e que são estranhas aos seus pais e, portanto, deve adquirir identidade de um grupo de iguais”, denomina identidade horizontal (SALOMON, 2013, p. 12).

Algumas vezes os pais não conseguem aceitar o fato de o filho ser diferente, pois entendem a identidade horizontal como sendo uma afronta, e acabam o discriminando e tratando como doente, desencadeando uma relação conturbada.

Essas ocorrências familiares dificultam o relacionamento entre pais e filhos, pois não conseguem dialogar sobre os problemas vividos, e os pais não conseguem compreender os conflitos internos que podem ocorrer com a criança. Sendo assim, este contexto e ambiente se tornam propício para a criança manifestar angústias, tristezas, frustrações, traumas e neuroses de diversas ordens.




Conclusões
A partir das leituras realizadas para a elaboração desse artigo, nota-se a grandeza e a importância de se conhecer o psiquismo infantil e como ele se manifesta através do comportamento humano, agregando à área da pedagogia um entendimento mais amplo sobre as questões que o cercam, possibilitando ao professor identificar alguns traumas, distinguir os problemas vividos realmente pela criança, dos que esta pensa que está vivendo e ajudar seu aluno a enfrentá-los sem grandes consequências, através de diálogo e encaminhando-o para profissionais capacitados na área psicanalítica, podendo assim, amenizar ou até mesmo evitar os traumas que isso venha a acarretar futuramente.

O estudo se justificou pelo interesse pessoal em melhor compreender os conceitos centrais da Psicanálise e como estes se apresentam na constituição do aparelho psíquico infantil. Também há a preocupação de agregar novos conhecimentos advindos do campo teórico psicanalítico à formação em Pedagogia.


Agradecimentos
Programa de Iniciação Científica da Universidade Estadual do Oeste do Paraná.
Referências
FREUD, S. (1996). Um caso de histeria; Três ensaios sobre a sexualidade e outros trabalhos. Rio de Janeiro: Imago. Vol. VII.
FREUD, S. (1996). Duas histórias clínicas. Rio de Janeiro: Imago. Vol. X.
BRENNER, C. (1975). Noções Básicas de Psicanálise: Introdução à Psicologia Psicanalítica. 3ª ed. São Paulo, Imago Editora.
CAPPE, J. (1963). Qualidades e Defeitos das Crianças. 2ª ed. Campinas: Flamboyant.
COSTA, T. (2010). Psicanálise com Crianças. 3ª ed. Rio de Janeiro: Zahar.
QUINODOZ, J-M. (2007). Ler Freud: Guia de leitura da obra de Sigmund Freud. Porto Alegre: Artmed.
SALOMON, A. (2013). Longe da Árvore. Pais, filhos e a busca da identidade. São Paulo: Companhia das Letras.



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