As Boas Novas Comentário de Gálatas, por E. J. Waggoner



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REDIMIDOS DA MALDIÇÃO

Depois de terem aceito o evangelho, os gálatas estavam extraviando-se seguindo falsos mestres que lhes apresentavam “outro evangelho”, uma falsificação do verdadeiro e único, pois nunca houve outro, em qualquer tempo, para todos os homens.

A falsificação do evangelho se expressava nos seguintes termos: “Se não vos circuncidais de acordo com o rito de Moisés, não podeis ser salvos”. Embora em nossos dias seja irrelevante o assunto do rito da circuncisão; não obstante, com relação à salvação mesmo, a polêmica sobre se participam as obras humanas ou é somente por Cristo, está tão viva como sempre.

Em vez de atacar o erro e combatê-lo com argumentos poderosos, o apóstolo se refere a uma experiência que ilustra o tema em discussão. Em sua exposição lhes demonstra que a salvação é somente pela fé para todos os homens, e de nenhuma forma pelas obras. Do mesmo modo que Cristo provou a morte por todos, todo aquele que seja salvo há de possuir a experiência pessoal da morte, ressurreição e vida de Cristo nele. Cristo na carne, fez o que a lei não foi capaz de fazer (Gál. 2:21; Rom. 8:3 e 4). Mas o mesmo fato dá testemunho da justiça da lei. Se esta fora em algum detalhe deficiente, Cristo não haveria cumprido suas exigências. Cristo mostra a justiça da lei cumprindo-a, ou realizando o que pede a lei, não simplesmente por nós, mas em nós. A graça de Deus em Cristo atesta a majestade e santidade da lei. Não descartamos a graça de Deus: se a justiça pudesse ser obtida pela lei, “então em vão morreu Cristo”.

Pretender que a lei possa ser abolida, que suas exigências podem ser tidas em pouca consideração, que podemos passá-la por alto, equivale a dizer que Cristo morreu em vão. Repitamos: a justiça não pode ser obtida pela lei, mas só pela fé de Cristo. Mas o fato de que a justiça da lei não possa ser alcançada de outra maneira que não seja pela crucifixão, ressurreição e vida de Cristo em nós, demostra a infinita grandeza e santidade da lei.

 

1   Ó insensatos gálatas! quem vos fascinou para não obedecer-des à verdade, a vós, perante os olhos de quem Jesus Cristo foi já representado como crucificado?



 

Paulo escreveu literalmente “quem os encantou”? “Obedecer é melhor que sacrificar, e o atender melhor que a gordura dos carneiros. Porque a rebelião é como pecado de feitiçaria e o porfiar é como iniquidade e idolatria” (1 Sam. 15:22 e 23). Em hebraico, literalmente se diz: “O pecado de rebelião é feitiçaria, e o porfiar é rebelião e idolatria”. Por que? Porque a rebeldia e o porfiar são rejeição para Deus. E aquele que rejeita a Deus fica sob o controle dos espíritos maus. Toda idolatria é adoração ao diabo. “O que os pagãos sacrificam, para os demônios sacrificam” (1 Cor. 10:20). Não há terreno neutro. Cristo disse: “O que não está comigo, está contra mim” (Mat. 12:30). Ou seja: a desobediência, rejeitando o Senhor, é o espírito do anticristo. Como já vimos, os irmãos gálatas estavam separando-se de Deus. Inevitavelmente, embora talvez sem perceber, estavam voltando à idolatria.

 

Uma proteção contra o espiritismo - O espiritismo não é mais que outra forma de se referir à antiga feitiçaria, ou bruxaria. É uma fraude, mas não o tipo de fraude que muitos imaginam. Há nele uma realidade. É uma fraude, uma vez que pretendendo manter comunicação com os espíritos dos mortos, a mantêm somente com os espíritos dos demônios, dado que “os mortos nada sabem”. Ser um médium espírita é se render ao controle dos demônios.



Há só uma forma de proteger-se dele, e é agarrar-se à Palavra de Deus. Quem considera com leviandade a Palavra de Deus, está perdendo sua comunhão com Deus, e fica sob a influência de Satanás. Até mesmo o que denuncia o espiritismo nas condições mais enérgicas, se deixar de apegar-se à Palavra de Deus, mais cedo ou mais tarde será enganado pela sedução poderosa da falsificação de Cristo. Somente mantendo-se firme na Palavra de Deus, o crente poderá ser guardado da hora de prova que está para  vir a todo o mundo (Apoc. 3:10). “O espírito que agora opera nos filhos da desobediência” (Efe. 2:2) é o espírito de Satanás, o espírito do anticristo; e o evangelho de Cristo, que revela a justiça de Deus (Rom. 1:16 e 17) é a única salvação possível.

 

Cristo, crucificado perante nós - Quando Paulo pregou aos gálatas, apresentou a Cristo crucificado. Tão vívida foi a descrição, que os gálatas realmente puderam contemplá-lo ante seus olhos  como o Crucificado. Não era uma questão de mera retórica por parte de Paulo, nem de imaginação por parte deles. Usando Paulo como instrumento, o Espírito Santo os qualificou a ver Cristo crucificado.



     Neste respeito, a experiência dos gálatas não pode ser exclusiva deles. A cruz de Cristo é um fato atual. A expressão 'Ir à cruz', não é uma mera forma de expressão, mas algo que você pode cumprir literalmente.

Ninguém pode saber a realidade do evangelho que veja a Cristo crucificado ante seus olhos, e até ver a cruz em cada parte. Poderá ser que alguém ache graça, mas o fato de que uma pessoa cega não veja o sol, e negue que este brilha, não convencerá ao que vê e recebe sua luz. Muitos há, que podem dar testemunho das palavras do apóstolo, referente a Cristo ter sido crucificado ante os olhos dos gálatas, é mais que uma simples figura de linguagem. Outros tem conhecido esta mesma experiência. Deus queira que este estudo da epístola possa  ser o meio de abrir os olhos a muitos mais!

 

2   Só quisera saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé?



 

Só há uma resposta: pela pregação da fé. O Espírito é dado aos que crêem (João 7:38 e 39; Efe. 1:13). Podemos também ver que os gálatas tinham recebido o Espírito Santo. Não há outra forma em que se pode iniciar a vida cristã. “Ninguém pode dizer: 'Jesus é o Senhor', se não pelo Espírito Santo” (1 Cor. 12:3). No princípio, o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas, gerando vida e atividade na criação, porque sem o Espírito não há nenhuma ação, não há vida. “Não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos” (Zac. 4:6). Somente o Espírito de Deus pode cumprir sua perfeita vontade. Nenhum trabalho que o homem possa fazer, pode trazer Deus à alma. É tão impossível quanto um morto ressuscitar produzindo seu próprio sopro de vida. Então, os destinatários da epístola tinham visto a Cristo crucificado perante seus olhos, e o tinham aceitado por meio do Espírito. Tens visto a Jesus e o aceitado, você também?

 

3   Sois assim insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne?



 

“Insensatos” é dizer pouco. O que não tem poder para começar uma obra, acredita ter forças para terminá-la! Alguém incapaz de pôr um pé após do outro, pensa que em si mesmo tem como ganhar uma corrida!

Quem tem o poder para gerar-se? Ninguém. Não viemos ao mundo gerando a nós mesmos. Nascemos sem forças. Então, toda a força que podemos manifestar mais tarde, tem uma origem externa a nós. Nos é dada em sua totalidade. O bebê recém nascido é o representante do homem. “Um homem veio ao mundo”, dizemos. Toda a força que um homem tem em si mesmo, não é maior que aquele grito do recém nascido com o qual começa sua primeira respiração. De fato, até essa pequena força lhe foi dada.

O mesmo acontece no mundo espiritual. “Por sua vontade ele nos gerou pela Palavra de Verdade” (Tg. 1:18). Não podemos viver justamente por nossas próprias forças mais do que podemos gerar a nós mesmos. A obra que o Espírito começou, há de ser levada em sua plenitude pelo Espírito. “Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até o fim” (Heb. 3:14). “O que começou em vós a boa obra, a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” (Fil. 1:6). Somente Ele pode fazê-lo.

 

4   Será em vão que tenhais pedecido tanto? Se é que isso também foi em vão.



5   Aquele, pois, que vos concede o Espírito e que obra maravilhas entre vós, o faz pelas obras da lei ou pela pregação da fé?

 

Essas perguntas mostram que a experiência dos irmãos da Galácia havia sido tão profunda e genuína como se espera de alguém cujos olhos tenham visto a Cristo crucificado. Haviam recebido o Espírito, foram efetuados milagres entre eles, e inclusive por eles mesmos, já que os dons do Espírito acompanham o dom do Espírito. E como resultado desse evangelho vibrante que haviam vivido, sofreram perseguição, pois “todos os que queiram viver piedosamente em Cristo Jesus, padecerão perseguiçõs” (2 Tim. 3:12). Isso aumenta a gravidade da situação. Havendo participado dos sofrimentos de Cristo, estavam agora afastando-se dEle. E esse separar-se de Cristo, o único pelo qual pode vir a justiça, se caracterizava pela desobediência à lei da verdade. De forma inconsciente, porém inevitável, estavam transgredindo aquela lei pela qual esperavam ser salvos.



 

6   Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.

 

As perguntas apresentadas dos versículos três a cinco, trazem implícita a resposta. Lhes foi ministrado o Espírito, e se produziram milagres, não pelas obras da lei, mas sim por ouvir com fé; ou dizer, pela obediência da fé, posto que a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Rom. 10:17). A obra de Paulo, e a experiência  dos gálatas, estavam em plena harmonia com a experiência de Abraão, a quem se contou a fé por justiça. Convém lembrar que os “falsos irmãos” que pregavam “outro evangelho”, o falso evangelho da justiça pelas obras, eram judeus, e consideravam Abraão seu pai. Se orgulhavam em ser “filhos” de Abraão, e apontavam sua circuncisão como prova. Mas precisamente aquilo em que sustentavam sua pretensão de ser filhos de Abraão, provava que não eram, pois que “Abraão creu em Deus, e isto lhe foi contado por justiça”. Abraão teve a justiça da fé antes de ser circuncidado (Rom. 4:11). “portanto, sabei que os que são da fé, esses são filhos de Abraão” (Gál. 3:7). Abraão não foi justificado pelas obras (Rom. 4:2 e 3), mas sua fé efetuou justiça.



Ainda hoje existe idêntico problema. Se confunde o sinal com a substância, o fim com os meios. Posto que a justiça se materializa em boas obras, se deduz – falsamente – que as boas obras produzem justiça. Aos que assim pensam, a justiça que vem pela fé, as boas obras que não vem de “obrar”, lhes parecem sem sentido real e prático. Consideram-se pessoas “práticas” e crêem que a única forma de lograr que se faça algo, é fazendo. No entanto, a verdade é que essas pessoas não são práticas. Alguém que carece absolutamente de força é incapaz de fazer qualquer coisa, nem sequer de levantar-se e tomar o remédio que lhe é oferecido. Qualquer conselho que se dê a ele a fim de que procure fazê-lo, será vão. Só em Deus está o poder e a justiça (Isa. 45:24). “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais Ele fará” (Salm. 37:5). Abraão é o pai de todos os que crêem para justiça, e somente deles. A única coisa verdadeiramente prática é crer, tal como ele fez.

 

7   Sabei pois que os que são da fé são filhos de Abraão.



8   Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti.

 

Estes versículos merecem uma leitura com atenção. Sua compreensão nos guardará de muitos erros. E não é difícil entendê-los, basta atentar para o que dizem, isto é tudo.



 

(a)    Afirmam que o evangelho foi pregado, ao menos, do mesmo modo como nos dias de Abraão.

(b)    Foi o próprio Deus que o pregou. Portanto, se trata do verdadeiro e único evangelho .

(c)    Se tratava do mesmo evangelho que Paulo pregou. Portanto, não há outro evangelho diferente do que possuiu Abraão.

(d)    O evangelho não é hoje em nenhum particular diferente daquele que existiu nos dias de Abraão.

 

Deus requer hoje o mesmo que antes, e nada mais do que isso. E tem mais: o evangelho foi então pregado aos gentios, posto que Abraão era gentio, ou seja, pagão. Recebeu o chamado sendo pagão, “Terá, pai de Abraão e Nacor, ... serviram a outros deuses” (Jos. 24:2), e foi um pagão até ser-lhe pregado o evangelho. Deste modo, a pregação do evangelho aos pagãos não era um fenômeno inédito nos dias de Pedro e Paulo. A nação judia foi tomada dentre os pagãos, e é somente em virtude da pregação do evangelho aos pagãos que Israel tem existência e salvação (Atos 15:14-18; Rom. 11:25 e 26). A existência do povo de Israel era e continua sendo uma prova do propósito de Deus em salvar pessoas, dentre os pagãos. É em cumprimento deste propósito que Israel existe.



Vemos pois que o apóstolo leva os pagãos, e a nós, de volta às origens, lá onde Deus mesmo prega o evangelho a nós, “gentios”. Nenhum gentio pode esperar ser salvo de outro modo, ou por outro evangelho diferente daquele pelo qual Abraão foi salvo.

 

4   De sorte que os que são da fé são benditos com o crente Abraão.



5   Todos aqueles pois que são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas escritas que estão escritas no livro da lei, para praticá-las.

 

Note a relação estreita que mantêm estes com o anterior. A Abraão foi pregado o evangelho nestas condições: “Por meio de ti serão abençoadas todas as nações”. “Pagão”, “gentil, e ”nações” (do verso 8), são traduzidos a partir do mesmo vocábulo grego. Essa bênção consiste no presente da justiça por meio de Cristo, como indica Atos 3:25 e 26: “Vós sois os filhos dos profetas, e do pacto que Deus fez com nossos pais, quando disse a Abraão: 'Em seu Descendente serão abençoadas todas as famílias da terra'. Havendo Deus ressuscitado a seu Filho, o enviou primeiro a vós para que os abençoe, “de forma que cada um se converta de sua maldade”. Visto que Deus pregou o evangelho para Abraão dizendo: “por meio de ti serão benditas todas as nações”, os que acreditam tornam-se benditos com o crente Abraão. Não há outra bênção para o homem, seja este quem for, exceto a que Abraão recebeu. E o evangelho que foi pregado é o único para todo ser humano na terra. Há salvação no nome de Jesus, no qual Abraão creu, e “em nenhum outro há salvação, porque não há outro Nome abaixo do céu, dado aos homens, em que possamos ser salvos” (Atos 4:12). NEle “temos redenção por seu sangue, o perdão dos pecados” (Col. 1:14). O perdão dos pecados trás consigo todas as bênçãos.



 

Um contraste: Debaixo da maldição - Note o contraste apresentado nos versículos nove e dez: “os que vivem pela fé são benditos”, enquanto que “os que dependem das obras da Lei, estão debaixo da maldição”. A fé traz a bênção. As obras da lei trazem a maldição; ou melhor dizendo, deixam-no debaixo da maldição. A maldição pesa sobre todos, já que “o que não acredita, já está condenado, porque não creu no nome do único Filho de Deus (João 3:18). A fé reverte essa maldição.

Quem está debaixo da maldição? ”todos os que dependem das obras da Lei”. Imagine que não dissesse que os que obedecem a lei estão debaixo da maldição, o que seria uma contradição direta de Apocalipse 22:14: “Felizes os que guardam seus Mandamentos, para que tenham direito à árvore da vida, e entrem pelas portas da cidade!”. “Bem-aventurados os irrepreensíveis no seu caminho, que andam na lei do Senhor!” (Sal. 119:1).

Os que são da , são guardadores da lei, posto que os que são da fé são benditos, e os que guardam os mandamentos também são benditos. Por meio da fé, guardam os mandamentos. Mas o evangelho é contrário à natureza humana: viemos a ser geradores da lei, não fazendo, mas crendo. Se obrássemos para obter justiça, estaríamos simplesmente exercitando nossa natureza humana pecaminosa, o que jamais nos traria a justiça, mas nos afastaria dela. Por contraste, crendo nas “preciosas e grandíssimas promessas”, acabamos de “participar da natureza divina” (2 Ped. 1:4), e então, todas as nossas obras são feitas em Deus. “Os gentios, que não buscavam a justiça, alcançaram a justiça? Sim, mas a justiça que decorre da fé. Mas Israel, que buscava a lei da justiça, não a alcançou. Por quê? Porque não foi pela fé, e sim pelas obras da lei: tropeçaram na pedra de tropeço; como está escrito: ‘Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e uma rocha de escândalo; e todo aquele que crer nela não será confundido“ (Rom. 9:30-33).

 

Em que consiste a maldição? - Ninguém que leia detida e reflexivamente Gálatas 3:10 deixará de entender que a maldição é a transgressão da lei. A desobediência da lei de Deus é em si mesma a maldição, já que “o pecado entrou no mundo por um homem, e pelo pecado a morte” (Rom. 5:12). O pecado encerra a morte. Sem pecado, a morte seria impossível, pois  “o aguilhão da morte é o pecado” (1 Cor. 15:56). “Todos os que dependem das obras da Lei, estão debaixo da maldição”. Por que? Será talvez a lei uma maldição? De modo nenhum, pois “a Lei é santa, e o Mandamento santo, justo e bom” (Rom. 7:12). Por que, então, estão debaixo da maldição todos os que se apoiam nas obras da lei? Porque está escrito: “Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para cumpri-las”.



Não há o que se confundir: Não é maldito porque obedece a lei, mas sim porque não a cumpre. Então, é fácil ver que apoiar-se nas obras da lei não significa que se esteja cumprindo a lei. Não! “Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeita à Lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser” (Rom. 8:7). Todos estão debaixo da maldição, e o que pensa livrar-se dela por suas próprias obras, continua nela. Considerando que a ”maldição” consiste em não permanecer em todas as coisas que estão escritas na lei, é fácil deduzir que a ”bênção” significa perfeita conformidade com a lei.

 

Benção e maldição - "Hoje ponho perante vós a bênção e a maldição. A bênção se obedeceres os Mandamentos do Eterno, vosso Deus, que os prescreve hoje. E a maldição se não obedecerdes os Mandamentos do Eterno, vosso Deus” (Deut. 11:26-28). Essa é a palavra viva de Deus, dirigida pessoalmente a cada um de nós. “A Lei produz ira” (Rom. 4:15), mas a ira de Deus vem somente para os desobedientes (Efe. 5:6). Se verdadeiramente cremos, não somos condenados, porque a fé nos põe em harmonia com a lei, a vida de Deus. “O que olha sinceramente para a Lei perfeita – a da liberdade – e persevera nela, e não é ouvinte surdo, mas fidedigno, este será feliz [bendito] no que faz” (Tiago 1:25).



 

Boas obras - A Bíblia não rejeita as boas obras. Pelo contrário, as exalta. “Fiel é a palavra. E isto quero que deveras afirmes, para que os que crêem em Deus procurem aplicar-se às boas obras; estas coisas são boas e proveitosas aos homens” (Tito 3:8). A acusação que pesa contra os incrédulos é que eles negam a Deus com os atos: são “reprovados para toda boa obra” (Tito 1:16). Paulo exortou Timóteo para que mandasse aos ricos deste mundo “que hajam bem, que sejam ricos em boas obras” (1 Tim. 6:17 e 18). E o apóstolo orou por todos nós “para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda boa obra” (Col. 1:10). Mais ainda, nos dá a segurança de ser “criados em Cristo Jesus para boas obras ... de forma que andássemos nelas” (Efe. 2:10).

Ele mesmo preparou essas obras para nós; as produziu, e as concede a todo o que nEle crê (Sal. 31:19). “Esta é a obra de Deus, que creais naquele a quem enviou” (João 6:29). São requeridas boas obras, mas não podemos fazê-las. Somente Aquele que é Bom, que é Deus, pode fazê-las. Se é que em nós existe o mínimo de bem, se deve à obra de Deus. Nada que Deus faça é merecedor de desprezo. “O Deus de paz, que pelo sangue do concerto eterno, ressuscitou dos mortos a Nosso Senhor Jesus Cristo, o grande Pastor das ovelhas, lhes aperfeiçoe em toda boa obra, para fazerdes a sua vontade, operando em vós o que perante ele é agradável por meio de Jesus Cristo, ao qual seja a glória pelos séculos dos séculos. Amém” (Heb. 13:20 e 21).

 

6   E é evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé.



7   Ora, a lei não é da fé; mas o homem, que fizer estas coisas, por elas viverá.

 

Quem são os justos? - Quando lemos a declaração: “o justo viverá pela fé”, é indispensável que entendamos claramente o que significa o termo “justo”. Ser justificado pela fé é ser feito justo pela fé. “Toda injustiça é pecado” (1 João 5:17), e “o pecado é a transgressão da Lei” (1 João 3:4). Portanto, toda injustiça é transgressão da lei; e claro que, toda a justiça é obediência à lei. Vemos então que o justo – o reto –, é que  obedece a lei, e ser justificado é ser feito guardador da lei.



 

Como chegar a ser justo - O fim almejado é a prática do bem, e a norma é a lei de Deus. “A Lei produz ira” “uma vez que todos pecaram”, e “por isso vem a ira de Deus sobre os desobedientes”. Como chegaremos a ser praticantes da lei, e escaparmos assim da ira, ou maldição? A resposta é: “o justo viverá pela fé”. Pela fé, não pelas obras, seremos praticantes da lei! ”Com o coração se crê para justiça” (Rom. 10:10). E que nenhum homem será justificado perante Deus pela lei, é evidente. Por que? Porque “o justo viverá pela fé”. Se a justiça vem pelas obras, então não viria pela fé, “e se é por graça, já não é baseada nas obras. A graça já não seria graça” (Rom. 11:6). “Para o que trabalha, não é contado o salário como favor, mas como dívida. Por outro lado, para quem não trabalha mas crê naquele justifica o ímpio, a fé lhe é o contada por justiça” (Rom. 4:4 e 5).

Não há nenhuma exceção. Não há caminhos intermediários. Não diz que alguns dos justos viveriam pela fé, nem que eles viveriam pela fé e pelas obras; mas simplesmente: “o justo viverá pela fé”. Isso prova que a justiça não vem pelas obras procedente de si mesmo. Todos os justos são feitos justos, e mantidos nessa situação, somente pela fé. Isso é assim devido à santidade sublime da lei. Além do alcance do homem. Só o poder divino pode cumpri-la. Deste modo, recebemos ao Senhor Jesus pela fé, e Ele vive a perfeita lei em nós.

 

A lei não vem da fé - É a lei escrita – seja em um livro, ou em tábuas de pedra – a que se refere o texto. A lei simplesmente diz: 'Faça isto'. 'Não faças aquilo'. “O que faz essas coisas vive por elas”. A lei oferece vida somente sob essa condição. Obras, somente obras, é o que a lei aceita. Pouco importa a origem das mesmas, contanto que estejam presentes. Mas ninguém cumpriu as exigências da lei, então, não pode haver cumpridores lei. Quer dizer, não pode haver ninguém cuja vida presente é um registro de obediência perfeita.



"O que faz essas coisas vive por elas”. Mas a pessoa tem que estar viva para poder fazê-las! Um morto não pode fazer nada, e o que está morto em “crimes e pecados” (Efe. 2:1), está impossibilitado de obrar justiça. Cristo é o único em quem há vida, já que Ele é a vida, e Ele é o único que cumpriu e pode cumprir a justiça da lei. Quando não é negado e rejeitado, mas reconhecido e recebido, toda a plenitude de sua vida vive em nós, de forma que não somos mais nós, mas Cristo vivendo em nós. Então, sua obediência em nós nos faz justos. Nossa fé nos é contada por justiça, simplesmente porque aquela fé se apropria do Cristo vivo. Pela fé, sujeitamos nossos corpos como templos de Deus. Cristo, a Pedra viva, habita no coração que se transforma assim em trono de Deus. E deste modo, em Cristo, a lei viva vem a ser nossa vida, “porque dele [do coração] emana a vida” (Prov. 4:23).

 

8   Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro;



9   Para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, e para que pela fé recebamos a promessa do Espírito.

 

Abordando o tema central - Nesta epístola não há nenhuma controvérsia sobre a lei, sobre se deve ou não ser obedecida; se foi abolida, alterada ou perdeu sua força. A epístola não contém a mais leve indicação sobre isto. O assunto por resolver não é se a lei deveria ser obedecida, e sim como fazer para obedecê-la. Se dá por determinado que a justificação – ser feito justo – é uma necessidade. A questão é a seguinte: Vêm pela fé, ou pelas obras? Os “falsos irmãos” estavam persuadindo aos gálatas que deveriam se tornar justos por seus próprios esforços. Paulo, por meio do Espírito, mostrou a eles que todos os seus próprios esforços eram em vão, e o único resultado que teriam era que a maldição aderia ainda mais sobre  o pecador.



A justiça pela fé em Cristo é estabelecida para todos em todo o tempo, como a única justiça verdadeira. Os falsos mestres se gloriavam na lei, mas devido à transgressão da mesma, trouxeram desgraça ao nome de Deus. Paulo se gloriava em Cristo, e por meio da justiça da lei que obteve deste modo, deu glória ao nome de Deus.

 

O aguilhão do pecado - A última parte do verso 13 mostra claramente que a maldição consiste na morte: “Maldito todo o que é pendurado em um madeiro”. Cristo foi feito maldição por nós quando pendurando no madeiro, ao ser crucificado. Agora então, o pecado é o causador da morte: “o pecado entrou no mundo por um homem, e pelo pecado a morte, assim a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rom. 5:12). “O aguilhão da morte é o pecado” (1 Cor. 15:56). Assim, virtualmente, o versículo 10 nos diz que “todo o que não permanecer em tudo aquilo que está escrito no livro da Lei” pode considerar-se morto. Em outras palavras,  que a desobediência é igual à morte.



"Quando seu mal desejo é concebido, produz o pecado. E o pecado, sendo consumado, gera morte” (Tg. 1:15). O pecado contém a morte, e o homem sem Cristo está morto em seus crimes e pecados (Efe. 2:1). Pouco importa que ande pretendendo estar cheio de vida, as palavras de Cristo permanecem: “A menos que comais a carne do Filho do homem, e bebais seu sangue, não terás vida” (João 6:53). “O que se rende aos prazeres, vivendo está morto” (1 Tim. 5:6). Se trata de uma morte em vida, o “corpo de morte” de Romanos 7:24. O pecado é transgressão da lei. O salário do pecado é a morte. Então, a maldição consiste nessa morte que o mais atraente dos pecados esconde dentro de si. “Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para cumpri-las”.

 

Redimidos da maldição - "Cristo nos redimiu da maldição da Lei”. Alguns leitores superficiais desta passagem se apressam a exclamar: 'Não precisamos guardar a lei, desde que Cristo nos redimiu de sua maldição', como se o texto dissesse que Cristo nos redimiu da “maldição” da obediência. Tais pessoas leram a Escritura sem proveito. A maldição, tal como temos visto, já é a desobediência: “Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para cumpri-las”. Portanto, Cristo nos redimiu da desobediência da lei. Deus enviou seu Filho “em semelhança de carne de pecado... para que a justiça da lei fosse cumprida em nós” (Rom. 8:3 e 4).



Alguém dirá  sem refletir: 'Isso me tranqüiliza: relativo à lei, posso fazer o que quiser, pois que todos nós fomos redimidos'. É certo que todos foram redimidos, mas nem todos têm aceito a redenção. Muitos dizem de Cristo: “não queremos que este reine sobre nós”, e se afastam das bênçãos de Deus. Mas a redenção é para todos. Todos foram comprados com o precioso sangue – a vida – de Cristo, e todos podem, se quiserem, ser libertados do pecado e da morte. Somos redimidos “da vã conduta” que recebemos de nossos pais, por meio daquele sangue (1 Ped. 1:18).

Tome tempo para pensar no que isso significa. Permita que impressione sua alma e dê força, contida na expressão: “Cristo nos redimiu da maldição da Lei”, de nosso fracasso de permanecer nas exigências justas. Não precisamos pecar mais! Ele cortou as algemas do pecado que nos escravizaram, de forma que tudo quanto temos que fazer é aceitar a salvação para sermos libertos de todo o pecado que nos domina. Já não é mais necessário que gastemos nossas vidas em anelos ferventes e em vão lamentos por desejos não cumpridos. Cristo não provê falsas esperanças, mas sim que vem aos cativos do pecado, e lhes declara: 'Liberdade! As portas de vossa prisão estão abertas. Saia dela!' Que mais é necessário dizer? Cristo ganhou a mais completa das vitórias sobre este presente século mau, sobre “a concupiscência da carne, e a concupiscência dos olhos, e a arrogância da vida” (1 João 2:16), e nossa fé nEle, torna nossa Sua vitória. Tudo quanto temos que fazer é aceita-la.

 

Cristo, feito maldição por nós - Para todo aquele que lê a Bíblia, torna-se evidente que “Cristo morreu pelos infiéis” (Rom. 5:6). Ele foi “entregue por nossos pecados” (Rom. 4:25). O Inocente morreu pelo culpado, o Justo pelo injusto. “Foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniqüidades: o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho: mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos” (Isa. 53:5 e 6). Agora então, a morte entrou pelo pecado. A morte é a maldição que passou a todos os homens, pela simples razão que “todos pecaram”. Desde que Cristo foi feito “maldição por nós”, está claro que se tornou pecado por nós” (2 Cor. 5:21). “Levou nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro” (1 Ped. 2:24). Note que nossos pecados estavam “em seu corpo”. Sua obra não consistiu em algo superficial. Nossos pecados não foram postos nEle em uma sensação meramente figurativa, mas que estavam “em seu corpo”. Foi feito maldição por nós, e por conseguinte, sofreu a morte por nós.



    Alguns acham isso uma verdade detestável. Para os pagãos é loucura, e para os judeus pedra de tropeço, mas para os que são salvos, poder e sabedoria de Deus (1 Cor. 1:23 e 24). Lembre-se que Ele levou nossos pecados no próprio corpo. Não seus pecados, já que nunca pecou. A mesma Escritura que informa que Deus o fez pecado por nós, destaca que “não tinha pecado”. A mesma passagem que nos assegura que “levou nossos pecados em seu corpo no madeiro”, especifica que “não cometeu pecado”. Que pudesse levar nosso pecado nEle mesmo, e que pudesse ser feito pecado por nós, e não obstante não cometeu nenhum pecado, contribui a sua glória imortal e nossa eterna salvação do pecado. Os pecados de todos os homens estavam nEle, porém, ninguém poderia descobrir nEle a mais clara sombra de pecado. Embora levando o pecado inteiro em si mesmo, em vida nunca manifestou pecado algum. Ele o tomou, sorvendo-o pelo poder de sua vida indissolúvel que vence a morte. É poderoso para levar o pecado, sem que este o manche. E nos redime por sua vida maravilhosa. Nos provê sua vida de forma que possamos ser libertados de toda a sombra de pecado que há em nossa carne.

"Nos dias de sua vida terrestre, Cristo ofereceu pedidos e súplicas com grande brado e lágrimas ao que o podia livrar da morte. E foi ouvido pela sua submissão” (Heb. 5:7). Mas morreu! Ninguém lhe removeu a vida. Ele mesmo a deu, para tornar a tomá-la (João 10:17 e 18). As dores da morte foram desatadas, “desde que era impossível que fosse retido por ela” (Atos 2:24). Por que era impossível que a morte o retivesse, depois que fosse posto voluntariamente debaixo do poder desta? Porque “não tivera pecado”. Tomou o pecado sobre si, mas estava a salvo de seu poder. Foi “em tudo semelhante a seus irmãos”, tentado em tudo de acordo com nossa semelhança” (Heb. 2:17; 4:15). E posto que de si mesmo nada poderia fazer (João 5:30), orou ao Pai para que o livrasse de cair derrotado, e cair assim debaixo do poder da morte. E foi ouvido. Cumpriu-se as palavras: “Porque o Senhor Deus me ajuda, e não me confundo; por isso pus o meu rosto como um seixo, e sei que não serei confundido. Perto está o que me justifica; quem contenderá comigo? Compareçamos juntamente; quem é meu adversário? Chegue-se a mim”  (Isa. 50:7 e 8).

Qual foi aquele pecado que tanto o oprimiu, e do qual foi libertado? Não o seu, pois não teve nenhum. Foi o teu e o meu. Nossos pecados já foram vencidos, derrotados. Nossa luta é só com um inimigo vencido. Quando procuras a Deus em nome de Jesus, havendo se submetido a sua morte e vida, de forma que não tomes seu nome em vão – posto que Cristo habite em ti –, tudo quanto que tens que fazer é se lembrar que Ele levou todo o pecado, e ainda o leva, e que ele é o Vencedor. Exclamarás: “Graças a Deus, que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Cor. 15:57). “Graças a Deus, que sempre nos leva à vitória em Cristo Jesus, e por nosso meio manifesta em todo o lugar, a fragrância de seu conhecimento” (2 Cor. 2:14).

 

A revelação da cruz - O “madeiro” de Gálatas 3:13 nos leva novamente ao tópico central dos versos 2:20 e 3:1: a cruz inesgotável.



Deixe-nos considerar sete pontos com relação a ela:

(1)    A redenção do pecado e da morte é feita por meio da cruz (Gál. 3:13).

(2)    O evangelho inteiro está contido na cruz, porque o evangelho “é poder de Deus para salvação de todo o que crê” (Rom. 1:16). E “para os que estão sendo salvos”, a cruz de Cristo “é poder de Deus” (1 Cor. 1:18).

(3)    Cristo se revela ao homem caído somente como o Crucificado e Ressuscitado. “Não há outro Nome abaixo do céu, dado aos homens em que possam ser salvos” (Atos 4:12). Portanto, isso é tudo quanto Deus expõe perante os homens, a fim de que não haja confusão possível. Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado, é tudo o que Paulo queria saber. É tudo quanto necessita saber o ser humano. O que o homem necessita é a salvação. Se a obtém, possui todas as coisas. Mas só na cruz de Cristo é possível obter a salvação. Então, Deus não põe ante os olhos do homem nenhuma outra coisa; lhe dá justamente aquilo que  necessita. Deus apresenta Jesus a todo homem, como crucificado, de forma que ninguém tenha desculpa para se perder, ou continuar no pecado.

(4)    Cristo é apresentado a todo homem como o Redentor crucificado. E desde que o homem necessita ser salvo da maldição, apresenta-o carregando a maldição. Lá onde se esconde a maldição, Cristo a leva. Já vimos como Cristo a carregou, e ainda carrega com a maldição da terra, desde que levou a coroa de espinhos, e a maldição pronunciada sobre a terra foi: “Espinhos e cardos produzirás” (Gên. 3:18). Assim, mediante a cruz de Cristo, foi redimida a totalidade da criação que agora geme debaixo da maldição (Rom. 8:19-23).

(5)    Cristo levou a maldição na cruz. O que pendurou naquela madeira indica que foi feito maldição por nós. A cruz simboliza, não só a maldição, mas também a libertação da mesma, porque é a cruz de Cristo, o Vencedor e Conquistador.

(6)    Alguém poderá perguntar: 'onde está a maldição? Respondemos: onde não está?! Até o mais cego a pode ver, se tão somente atender à evidência de seus próprios sentidos. A imperfeição é uma maldição. Sim, constitui a maldição. E encontramos imperfeição em tudo o que tem relação com esta terra. O homem é imperfeito, e até os planos mais elaborado dos que são projetados na terra, contém imperfeições em algum detalhe. Todas as coisas que podemos ver se revelam suscetíveis de melhoria, até mesmo quando nossos imperfeitos olhos não notam a necessidade de tal melhoria. Quando Deus criou o mundo, tudo era “muito bom”. Nem mesmo Deus viu possibilidade alguma de melhorá-lo. Mas agora é muito diferente. O jardineiro luta com empenho para melhorar as frutas e as flores que foram recomendadas. E se é certo que até no melhor da terra se revela a maldição, que diremos das frutas defeituosas, folhas e talos doentes, plantas venenosas, etc.? “A maldição consumiu a terra” em todos lugares (Isa. 24:6).

(7)    Deveríamos desanimar por isso? Não, “porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Tes. 5:9). Embora possamos ver a maldição em todo lugar, a natureza vive, e o homem vive. Porém, a maldição é a morte, e nenhum homem ou coisa criada pode levar a morte, e ainda contudo, viver, porque a morte mata! Mas Cristo vive. Morreu, mas vive para sempre (Apoc. 1:18). Somente ele pode levar a maldição – a morte – e em virtude de seus próprios méritos voltar à vida. Há vida na terra, e há no homem, apesar da maldição,  graças a Cristo que morreu na cruz. Em cada pedaço de grama, em toda a folha na floresta, em cada arbusto e em cada árvore, em cada fruta e cada flor, e até no pão que comemos, está estampada a cruz de Cristo. Está em nossos próprios corpos. Onde quer que olhemos, há evidências de Cristo crucificado. A pregação da cruz – o evangelho – é o poder de Deus revelado em todas as coisas que Ele criou. Tal é “o poder que opera em nós” (Efe. 3:20). A consideração de Romanos 1:16-20, junto com 1 Coríntios 1:17 e 18, mostra claramente que a cruz de Cristo é revelada em todas as coisas que Deus fez, até mesmo em nosso próprio corpo.

 

Consolo a partir do desânimo - "Porque males sem número me têm rodeado: as minhas iniquidades me prenderam de modo que não posso olhar para cima; são mais numerosos que os cabelos de minha cabeça; pelo que desfalece meu coração” (Sal. 40:12). Mas não é somente porque podemos clamar a Deus com confiança – “do profundo” –, mas sim, que em sua infinita misericórdia, espera que nessas mesmas profundidades encontremos a fonte de nossa confiança. O fato de estarmos vivos apesar de estar nas profundidades do pecado, prova que Deus, na pessoa de Cristo na cruz, nos assiste para livrar-nos. Deste modo, por meio do Espírito Santo, até aquele que está debaixo da maldição (e tudo está debaixo dela), prega o evangelho. Nossa própria fragilidade, longe de ser a causa de desânimo, é, se cremos no Senhor, uma garantia da redenção. Tiramos “força da fraqueza”. “Em todas estas coisas somos mais que vencedores por meio daquele que nos amou” (Rom. 8:37). Certamente Deus não deixou o homem sem testemunho. E “o que crê no Filho de Deus, tem o testemunho em si mesmo” (1 João 5:10).



 

Da maldição para a bênção - Cristo levou a maldição para que pudéssemos ter a bênção. Sua morte é vida para nós. Se levamos voluntariamente em nossos corpos a morte do Senhor Jesus, sua vida se manifestará também em nossa carne mortal (2 Cor. 4:10). Ele foi feito pecado por nós, a fim de que sejamos feitos justiça de Deus nEle (2 Cor. 5:21). A bênção que recebemos por meio da maldição que Ele leva, consiste na libertação do pecado. Para nós, a maldição é conseqüência da transgressão da lei (Gál. 3:10). A bênção consiste em que nos convertamos de nossa maldade (Atos 3:26). Cristo sofreu a maldição, o pecado e a morte, “para que em Cristo Jesus, a benção de Abraão chegue aos pagãos”.

A bênção de Abraão consiste, tal como Paulo afirma em outras de suas epístolas, na justiça pela fé,: “Assim também Davi declara bem aventurado o homem a quem Deus imputa a justiça sem as obras, dizendo: Bem-aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa como pecado” (Rom. 4:6-8).

Paulo continua expondo que essa bênção é pronunciada para os pagãos que crêem, tanto como para os judeus que crêem, posto que Abraão também a recebeu sendo incircunciso. “Para que fosse pai de todos os que crêem” (vers. 11).

A bênção é a libertação do pecado, e a maldição é a paga do pecado. Considerando que a maldição revela a cruz, o Senhor faz que essa mesma maldição proclame a bênção. O fato de estármos fisicamente vivos, embora sejamos pecadores, nos assegura que a libertação do pecado é nossa. “Enquanto há vida, há esperança”, diz o provérbio. A vida é nossa esperança.

Graças a Deus pela bendita esperança! A bênção veio a todos os homens. “Assim como também por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida” (Rom. 5:18). Deus, que não faz distinção de pessoas, nos abençoou em Cristo com toda a bênção espiritual nos céus (Efe. 1:3). O dom é nosso, e se espera que o guardemos. Se alguém não tem a bênção, é porque não tenha reconhecido o dom, ou talvez porque o tenha recusado deliberadamente.

 

Uma obra consumada - "Cristo nos redimiu da maldição da lei”, do pecado e da morte. Fez isso “ao fazer-se maldição por nós”, e nos livra de todo desejo de pecar. O pecado não pode ter domínio sobre nós se aceitamos Cristo verdadeiramente e sem reservas. Essa verdade era tão atual no tempo de Abraão, Moisés, Davi e Isaías, como em nossos dias. Mais de setecentos anos antes daquela cruz ser erguida no Calvário, Isaías testificou das coisas que entendeu quando uma brasa acesa, tomada do altar, purificou seu próprio pecado, disse: “Ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si... Foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniqüidades: o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados... o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós” (Isa. 53:5 e 6). “Desfaço as tuas transgressões como a névoa, e os teus pecados como a nuvem: torna-te para mim, por que eu te remi” (Isa 44:22). Muito tempo antes de Isaías, Davi escreveu: “Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniqüidades”. “Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões” (Sal. 103:10, 12).   



 "Nós, os que temos Cristo, entramos no repouso” (Heb. 4:3). A bênção que recebemos é “a benção de Abraão”. Não temos outro fundamento se não o dos apóstolos e profetas: Cristo, a Pedra Angular (Efe. 2:20). A salvação que Deus proveu é plena e completa. Quando vimos para o mundo, já estava nos esperando. Não liberamos a Deus de nenhuma carga se rejeitamos, nem somamos peso algum à Ele, quando aceitamos.

 

" A promessa do Espírito” - Cristo nos redimiu “para que pela fé recebamos a promessa do Espírito”. Não cometamos o erro de ler: '... recebamos a promessa do dom do Espírito'. Não é dito isso e não significa isso, como veremos em seguida. Cristo nos redimiu, e esse fato prova o dom do Espírito, desde que é somente “pelo Espírito eterno” que se ofereceu a si mesmo sem mancha a Deus (Heb. 9:14). Se não fosse pelo Espírito, nunca nos sentiríamos pecadores. Nem ao menos conheceríamos a redenção. O Espírito convence do pecado e da justiça (João 16:8). “O Espírito é o que testemunha, porque o Espírito é a verdade” (1 João 5:6). “Aquele que crê... tem o testemunho em si mesmo” (vers. 10). Cristo está crucificado em favor de todo homem. Como já vimos, isso se demonstra pelo fato de estarmos todos debaixo da maldição, e só Cristo pode levar a maldição. Mas é por meio do Espírito que Deus mora na terra entre os homens. A fé permite receber seu testemunho e desfrutamos naquele que nos assegura a possessão de seu Espírito.



Note ainda: recebemos a benção de Abraão para que recebamos a promessa do Espírito. Mas é somente por meio do Espírito que vem a promessa. Portanto, a bênção não pode trazer a promessa de que receberemos o Espírito. Já temos o Espírito, junto com a promessa. Mas tendo a bênção do Espírito (que é a justiça), podemos estar seguros de receber aquilo que o Espírito promete ao justo: a herança eterna. Ao bendizer Abraão, Deus lhe prometeu uma herança. O Espírito é o penhor – a garantia – de toda a bênção.

 

O Espírito como garantia da herança - Todos os dons de Deus levam consigo promessas de maiores bênçãos. Sempre haverá mais e maiores. O propósito de Deus no evangelho é reunir todas as coisas em Jesus Cristo, em quem “obtivemos também uma herança... e tendo  nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa, o qual é a garantia de nossa herança, até que cheguemos a possuí-la, para louvor de sua glória” (Efe. 1:11-14).



Voltaremos, mais adiante, a falar desta herança. Por enquanto, basta dizer que se trata da herança prometida a Abraão, de quem viemos a ser filhos pela fé. A herança pertence a todos os que são filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo. E o Espírito que sela nossa filiação é a garantia, as primícias dessa herança prometida. Os que aceitam a gloriosa libertação – em Cristo – da maldição da lei, ou seja, a redenção, não da obediência a lei (uma vez que a obediência não é uma maldição), mas da desobediência a lei, têm no Espírito uma antecipação do poder e a bênção do mundo vindouro.

 

4   Irmãos, como homem falo; se o testamento de um homem for confirmado, ninguém o anula nem o acrescenta.



5   Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua posteridade.  Não diz: E às posteridades, como falando de muitos, mas como de uma só: E à tua posteridade, que é Cristo.

6   Mas digo isto: Que tendo sido o testamento anteriormente confirmado por Deus, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não o invalida, de forma a abolir a promessa.

7   Porque, se a herança provém de lei, já não provém da promessa: mas Deus pela promessa a deu gratuitamente a Abraão.

 

Para Abraão foi pregado o evangelho da salvação para o mundo. Creu, e recebeu a bênção da justiça. Todos os que crêem são abençoados como o crente Abraão. Todos “os que são da fé, são filhos de Abraão”. As promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência”. “Se a herança dependesse da Lei, já não a concedeu a Abraão por meio da promessa”. A promessa que nos faz é a mesma que foi feita a ele: a promessa de uma herança na qual participamos como filhos seus.



 

" E a seu Descendente” - Não se trata de um simples jogo de palavras, mas de um assunto vital. O tópico controverso é o meio de salvação: A salvação é (1) só por Cristo?, (2) por alguma outra coisa?, ou (3) por Cristo e alguém mais, ou algo mais? Muitos supõem que têm de salvar-se a si mesmos fazendo-se bons. Outros acreditam que Cristo é uma ajuda valiosa, um bom assistente para seus esforços. Outros ainda, lhe darão o primeiro lugar, mas não o único lugar. Vêem a si mesmos como bons “segundo lugar”. Quem realiza a obra é Deus, e eles. Mas o texto estudado exclui todas essas pretensões vãs. Não diz: 'E à seus descendentes'“, e sim “A teu Descendente”. Não à muitos, mas para Um, “que é Cristo”.

 

Não há duas linhagens - Podemos contrastar a descendência espiritual de Abraão com sua descendência carnal. “Espiritual” é o oposto a “carnal”, e os filhos carnais, a menos que também sejam os filhos espirituais, não têm parte alguma na herança espiritual. Para os homens que vivem no corpo, neste mundo, não é nenhuma impossibilidade o ser completamente espirituais. Temos que ser, ou caso contrário não seremos filhos de Abraão. “Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus” (Rom. 8:8). “A carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus” (1 Cor. 15:50). Há uma só linha de descendente espirituais de Abraão; só uma classe de verdadeiros descendentes espirituais: “os que são da fé”, os que, ao receber a Cristo pela fé, recebem o poder de serem feitos filhos de Deus (João 1:12).



 

Muitas promessas em Um - Embora o Descendente seja singular, as promessas são plurais. Não há nada que Deus queira dar a homem algum, que não tenha prometido a Abraão. Todas as promessas de Deus são transferidas a Cristo, em quem creu Abraão. “Todas as promessas de Deus estão nele. Por isso, nele dizemos 'amém', para glória de Deus” (2 Cor. 1:20).

 

A herança prometida - Em Gálatas 3:15 à 18 se vê claramente que prometeu, e a soma de todas as promessas, é uma herança. diz o versículo 16 que a lei que veio quatrocentos e trinta anos depois da promessa dada e confirmada, não pode anular esta última. “Se a herança dependesse da Lei, já não a concedeu a Abraão por meio da promessa”. Pode saber-se qual é a promessa, quando relacionamos o versículo precedente com este outro: “Não foi pela Lei, como Abraão e seus descendentes receberam a promessa de que seriam herdeiros do mundo, mas pela justiça que vem pela fé” (Rom. 4:13). Embora “os céus e a terra estão... guardados para o fogo do dia do juízo, e da destruição dos homens ímpios”, e nesse dia “os céus serão incendiados e desfeitos, e os elementos se fundirão queimados pelo fogo”; não obstante, nós, “segundo sua promessa, esperamos um novo céu e uma nova terra, onde habita a justiça” (2 Ped. 3:7, 12 e 13). É a pátria celestial que também esperaram Abraão, Isaac e Jacó.



 

Uma herança livre de maldição - "Cristo nos redimiu da maldição... de forma que pela fé recebemos a promessa do Espírito”. Temos visto que aquela promessa do Espírito é a possessão da terra renovada, ou seja, redimida da maldição. Porque “a mesma criação será livrada da escravidão da corrupção, participando da liberdade gloriosa dos filhos de Deus” (Rom. 8:21). A terra, recém saída das mãos do Criador, nova, fresca e perfeita em todos os aspectos, foi dada ao homem em possessão (Gên. 1:27, 28 e 31). O homem pecou, trazendo deste modo a maldição. Cristo assumiu sobre si toda a maldição, tanto do homem como de toda a criação. Redime a terra da maldição, de forma que possa ser a eterna possessão que Deus planejara originalmente que fosse; e também redime o homem da maldição a fim de capacitá-lo a possuir tal herança. Esse é o resumo do evangelho. “O dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor” (Rom. 6:23). Esse dom da vida eterna está incluído na promessa da herança, uma vez que Deus prometeu a Abraão e sua semente, a terra “em herança eterna” (Gên. 17:8). Se trata de uma herança de justiça, já que a promessa de que Abraão seria o herdeiro do mundo foi por meio da justiça que vem pela fé. A justiça, a vida eterna, e um lugar onde viver eternamente, estão, os três, incluídos na promessa, e constituem tudo o que nos cabe desejar ou receber. Redimir o homem, sem lhe dar um lugar onde viver, seria uma obra inconclusa. As duas ações são partes de um todo. O poder pelo qual somos redimidos é o poder da criação que renovará os céus e a terra. Quando tudo se cumprir, “já não haverá nenhuma maldição” (Apoc. 22:3).

 

Os pactos da promessa - O pacto e a promessa de Deus são a mesma coisa. Isso se nota claramente em Gálatas 3:17, onde Paulo afirma que anular o pacto tornaria sem efeito a promessa. Em Gênesis 17 lemos que foi feito um pacto com Abraão, para dar-lhe a terra de Canaã como possessão eterna (Vers. 8). Gálatas 3:18 diz que Deus a deu por meio da promessa. Os pactos de Deus com o homem não podem ser outra coisa que promessas ao homem: “Quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, por ele, e para ele, são todas as coisas” (Rom. 11:35 e 36).



 Depois do diluvio, Deus fez um pacto com todo ser vivo da terra: pássaros, animais, e toda a besta. Nenhum deles prometeu nada em troca (Gên. 9:9-16). Simplesmente receberam o favor das mãos de Deus. Isso é tudo quanto podemos fazer: receber. Deus nos promete tudo aquilo de que precisamos, e mais de que podemos pedir ou imaginar, como um presente (dom). Nós nos damos a Ele; ou seja, não lhe damos nada. E Ele se entrega por nós; ou seja, nos dá tudo. O que complica o assunto é que, mesmo aquele homem que esteja disposto a reconhecer o Senhor em tudo, se empenha em negociar com Ele. Mas todo aquele que pretenda “negociar” com Deus, terá de fazê-lo nos termos que Ele estabelecer, ou seja, que não temos nada e que não somos nada. E que Ele tem tudo, é tudo, e é quem dá tudo.

 

O pacto ratificado - O pacto (a promessa divina de dar ao homem toda a terra renovada, depois de tê-la resgatado da maldição), foi “previamente confirmado por Deus”. Cristo é a garantia do pacto novo, do pacto eterno, “porque todas quantas promessas há de Deus, são nele sim, e por ele o Amém, para glória de Deus” (2 Cor. 1:20). A herança é nossa em Jesus Cristo (1 Ped. 1:3 e 4), desde que o Espírito Santo é a primícia da herança, e a possessão do Espírito Santo é Cristo, morando no coração pela fé. Deus abençoou a Abraão, dizendo,: “Por meio de ti serão abençoadas todas as nações”, e isso se cumpre em Cristo, a quem Deus enviou para que nos abençoasse, para que cada um se converta de sua maldade (Atos 3:25 e 26).



 Foi o juramento de Deus que ratificou o pacto estabelecido com Abraão. Aquela promessa e aquele juramento feitos a Abraão são a fundamento de nossa esperança, nosso “fortíssimo consolo” (Heb. 6:18). São “uma segura e firme âncora” (vers. 19), porque o juramento estabelece a Cristo como a garantia, a segurança, e Cristo “está vivo” (Heb. 7:25). “Sustém todas as coisas com sua Palavra poderosa” (Heb. 1:3). “Todas as coisas subsistem nele” (Col. 1:17). “Por isso, quando Deus quis mostrar aos herdeiros da promessa, a imutabilidade de seu propósito, interpôs um juramento” (Heb. 6:17). Nele reside nosso consolo e esperança de escapar e guardar-nos de pecar. Cristo pôs como garantia sua própria existência, e com ela, a de todo universo, para nossa salvação. Pode-se imaginar um fundamento mais firme para nossa esperança que a de sua poderosa Palavra?

 

A lei não pode anular a promessa - A medida que avançamos, é necessário que lembremos que o pacto e a promessa são coincidentes, e que incluem a terra, a nova terra que será dada a Abraão e a seus filhos. Também é necessário lembrar que, desde que somente a justiça poderá morar no novo céu e nova terra, a promessa inclui tornar justos a todos os que crêem. Isso se efetua em Cristo, em quem se confirma a promessa. “Um pacto, mesmo que seja de um homem, uma vez ratificado, nada o pode anular”, quanto mais tratando-se do pacto de Deus!



Portanto, uma vez que nos seja dada a segurança da justiça eterna mediante o “pacto” feito com Abraão, que foi confirmado em Cristo pelo juramento de Deus, é impossível que a lei proclamada quatrocentos e trinta anos mais tarde pudesse introduzir algum elemento novo. A Abraão foi dada a herança por meio da promessa. Mas se quatrocentos e trinta anos depois fosse possível conseguir a herança de algum outro modo, isso deixaria sem efeito a promessa, e o pacto seria anulado. E isso implicaria ainda um colapso no governo de Deus e o fim de sua existência, já que colocou sua existência como garantia de que daria a Abraão e sua semente a herança, e a justiça exigida para possuí-la. “Porque não foi pela Lei, que Abraão e seus descendentes receberam a promessa de que seriam os herdeiros do mundo, e sim pela justiça que vem pela fé” (Rom. 4:13). O evangelho foi tão pleno e completo nos dias de Abraão, como sempre o havia sido. Ao juramento de Deus para Abraão, não é possível somar ou mudar algumas de suas condições. Não é possível subtrair nada à forma que então existia, e nada pode ser requerido de homem algum, que não o fosse igualmente de Abraão.

 

8   Logo, para que serve a Lei? Foi ordenada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a quem a promessa tinha sido feita, e foi posta pelos anjos na mão de um mediador.

 

"Para que serve a Lei?”. O apóstolo Paulo faz esta pergunta a fim de poder mostrar de modo mais enfático o papel da lei no evangelho. A pergunta é muito lógica. Posto que a herança vem inteiramente pela promessa, e que um “pacto” uma vez confirmado não pode ser alterado, qual foi o objetivo de enviar a Lei quatrocentos e trinta anos depois? “Para que serve a lei?”, que faz aqui?, que papel desempenha?



"Foi dada por causa das transgressões”. É necessário que se entenda com clareza que a promulgação da lei no Sinai não foi o princípio de sua existência. Existiu nos dias de Abraão, e este a obedeceu (Gên. 26:5). Existia antes de ser pronunciada no Sinai (ver Êxo. 16:1-4, 27 e 28). Foi “dada”, no sentido de no Sinai Ter sido foi proclamada de forma explicita, por extenso.

"Por causa das transgressões”. “Veio a Lei para que avultasse o pecado” (Rom. 5:20). Em outras palavras, “para que pelo Mandamento se visse a malignidade do pecado” (Rom. 7:13). Foi promulgada debaixo das circunstâncias da mais terrível majestade, como uma advertência aos filhos de Israel que mediante sua incredulidade estavam em perigo de perder a herança prometida. Ao contrário de Abraão, não creram no Senhor, e “tudo o que não procede da fé, é pecado” (Rom. 14:23). Mas a herança tinha sido prometida “pela justiça que vem da fé” (Rom. 4:13). Então, os judeus incrédulos não podiam recebê-la.

Assim, a lei lhes foi dada para convencê-los de que eles careciam da justiça necessária para possuir a herança. Embora a justiça não venha pela lei, deve estar “respaldada (apoiada) pela Lei” (Rom. 3:21). Resumindo, lhes foi dada a lei para que vissem que não tinham fé, e que portanto, não eram verdadeiros filhos de Abraão, e estavam a caminho de perder a herança. Deus havia posto sua lei em seus corações da mesma maneira que tinha feito com Abraão, para que pudessem crer, como aquele o fez. Mas desde que tinham deixado de crer, e ainda mantinham a pretensão de ser herdeiros da promessa, era necessário mostrar-lhes que a forma mais contundente de incredulidade é pecado. A lei foi dada por causa das transgressões, ou (o que é a mesma coisa) por causa da incredulidade do povo.

 

A confiança própria é pecado - O povo de Israel estava cheio de confiança própria e de incredulidade para com Deus, como demonstraram em sua murmuração contra a direção divina, e pela sua autoconfiança de ser capaz de realizar tudo o que Deus requeria, de ser capaz de cumprir suas promessas. Manifestaram o mesmo espírito que seus descendentes, que perguntaram: “O que faremos para realizar as obras de Deus”? (João 6:28). Ignoravam  de um tal modo a justiça de Deus que pensavam que poderiam estabelecer a sua própria justiça, de modo equivalente (Rom. 10:3). A menos que vissem seu pecado, de nada lhes valeria a promessa. Daí a necessidade de apresentar-lhes a lei.



 

O ministério dos anjos - “Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para serviço a favor dos que hão de herdar a salvação?" (Heb. 1:14). Não nos é dado saber qual era exatamente o papel dos milhares de anjos que estiveram presentes no Sinai. Mas sabemos que os anjos têm um interesse profundo e íntimo em tudo o que diz respeito ao homem. Quando se puseram os fundamentos da terra, “todos os filhos de Deus se regozijaram” (Jó 38:7). Uma multidão, dentre a hoste celestial, entoava cânticos de louvor na anunciação do nascimento do Salvador dos homens. Esses seres “poderosos em força” assistem ao Rei dos reis, e se apressam a fazer Sua vontade, executando suas ordens e obedecendo sua palavra (Sal. 103:20 e 21). O fato de estarem presentes ao ser dada a lei, demonstra que se tratava de um evento da maior transcendência e do mais profundo significado.

 

Por meio de um mediador - Assim foi que se deu a lei no Sinai. Quem foi aquele Mediador? Não há mais que uma resposta: “Há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” (1 Tim. 2:5). Porém, “o mediador não representa a um só, embora Deus seja um”. Deus e Jesus Cristo são Um. Jesus Cristo é ao mesmo tempo Deus e homem. Quando mediando entre Deus e o homem, Jesus Cristo representa a Deus perante o homem, e ao homem perante Deus. “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” (2 Cor. 5:19). Não há, nem pode haver, outro mediador entre Deus e o ser humano. “Em nenhum outro há salvação, porque não há outro Nome debaixo do céu, dado aos homens, em que possamos ser salvos” (Atos 4:12).



 

A obra de Cristo como mediador - O homem afastou-se de Deus, e se rebelou contra Ele. “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas” (Isa. 53:6). Nossas iniqüidades nos separam de nosso Deus (Isa. 59:1 e 2). “Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à Lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser” (Rom. 8:7). Cristo veio a fim de destruir a inimizade e reconciliar-nos com Deus; Ele é nossa paz (Efe. 2:14-16). “Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus” (1 Ped. 3:18). Por meio dEle temos acesso a Deus (Rom. 5:1 e 2; Efe. 2:18). NEle é removida a mente carnal, a mente rebelde, e se dá em seu lugar a mente do Espírito, “para que a justiça que requer a Lei se cumpra em nós, que não andamos conforme a carne, mas de acordo com o Espírito” (Rom. 8:4). A obra de Cristo é salvar aquele que se havia perdido, restaurar o quebrantado, reunir o que se havia separado. Seu nome é “Deus conosco”. Quando Ele vive em nós, somos feitos participantes “da natureza divina” (2 Ped. 1:4).

A obra mediadora de Cristo não está limitada pelo tempo nem pelo alcance. Ser mediador significa mais que ser intercessor. Cristo era mediador antes do pecado entrar no mundo, e será mediador quando o pecado não mais existir no universo, e não haja necessidade alguma de perdão. “Todas as coisas subsistem nele”. É a mesma “imagem do Deus invisível”. Ele é a vida. Só nEle e por meio dEle flui a vida de Deus a toda criação. Portanto, Ele é o meio, o mediador, o modo pelo qual a luz da vida ilumina o universo. Não se tornou mediador quando o homem caiu, mas era desde a eternidade. Nada, não somente algum homem, mas nenhum outro ser criado, vem ao Pai se não por Cristo. Nenhum anjo pode estar na presença divina, senão em Cristo. A entrada do pecado no mundo não necessitou o desenvolvimento de qualquer novo poder, ou que se fosse colocado em marcha nenhuma nova maquinaria. O poder que havia criado todas as coisas não fez mais que continuar, pela clemência infinita de Deus, a restauração do que tinha se perdido. Todas as coisas foram criadas em Cristo; portanto, temos redenção em seu sangue  (Col. 1:14-17). O poder que anima e sustém ao universo é o mesmo poder que nos salva. “Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém! (Efe. 3:20 e 21). (Ver Apoc. 4:11, com relação a 5:9, N.T.).

 

21    Logo, a lei é contra as promessas de Deus? De maneira nenhuma; porque, se dada fosse uma lei que pudesse vivificar, a justiça, na verdade, teria sido pela lei.



22    Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes

 

“É a Lei contrária as promessas de Deus? De maneira nenhuma!” Se fosse, a lei não teria sido dada “por meio de um mediador”, Jesus Cristo, já que todas as promessas de Deus são “Sim” nEle (2 Cor. 1:20). Em Cristo encontramos combinadas a lei e a promessa. Podemos saber que a lei não foi, e não vai contra a promessa, pelo fato de que foi Deus quem deu tanto uma como outra. Sabemos igualmente que a proclamação da lei não introduziu nenhum elemento novo no ”pacto”. Posto que o pacto tinha sido confirmado, nada poderia ser acrescentado, nem removido. Mas a lei não é algo inútil, pois nesse caso Deus não a teria dado. Que guardemos ou não a lei, não é uma questão opcional, porque Deus mesmo a ordenou. Mas ao mesmo tempo, não vai contra a promessa, nem introduz nenhum elemento nela. Por que? Simplesmente, porque a lei está incluída na promessa. A promessa do Espírito diz: “Eu porei minhas leis na mente deles, as escreverei no seu coração” (Heb. 8:10). É exatamente isso o que Deus fez com Abraão ao dar-lhe o pacto da circuncisão. (Rom. 4:11; 2:25-29; Fil. 3:3).



 

A lei magnifica a promessa - A lei é justiça, como Deus declara: “Ouvi-me, vós que conheceis a justiça; vós, povo em cujo coração está minha Lei” (Isa. 51:7). A justiça que a lei requer é a única justiça que pode herdar a terra prometida. Ela é obtida, não pelas obras da lei, mas pela fé. A justiça da lei não se obtém por meio de esforços para guardar a lei, mas pela fé (Rom. 9:30-32). Portanto, quanto maior seja a justiça que a lei requeira, mais engrandecida será a promessa de Deus, pois Ele prometeu dar essa justiça a todos os que crêem. Sim, tem jurado! Assim, quando foi dada a lei no Sinai, “entre o fogo, a nuvem e a escuridão, com voz potente” (Deut. 5:22), com o som da trombeta de Deus, com tremor de terra ante a presença do Senhor e seus santos anjos, se mostrou inefável grandeza e majestade da lei de Deus. Para todo aquele que recordasse o juramento de Deus a Abraão, foi uma revelação da surpreendente grandeza da promessa de Deus, desde que jurou que daria toda a justiça que a lei exige a qualquer um que confiasse nEle. A voz ensurdecedora com que a lei foi dada, é a mesma que do topo dos montes proclamou as boas novas da graça salvadora de Deus (Isa. 40:9). Os preceitos de Deus são promessas. Não pode ser de outra maneira, pois Ele sabe que não temos poder algum. Tudo  o que o Senhor requer, Ele mesmo o dá ! Quando diz “não farás...” podemos tomar com a segurança que Ele nos dá, que se simplesmente crermos, nos preservará do pecado contra o qual nos adverte nesse preceito.

 

Justiça e vida - "Se a Lei pudesse vivificar, a justiça realmente viria pela Lei”. Isso demonstra que a justiça é vida. Não é uma mera fórmula, de uma teoria morta, ou de um dogma, mas de ação vital. Cristo é a vida, e Ele é, por conseguinte, nossa justiça. A lei escrita em duas tábuas de pedra não poderia dar vida; não mais do que a pedra, sobre a qual estava escrita, pode dar. Todos os seus preceitos são perfeitos, mas sua expressão escrita em caracteres esculpidos na pedra, não pode transformar-se por si mesma em ação. Aquele que recebe a lei somente na letra, possui o “ministério de condenação” e morte (2 Cor. 3:9). Mas “o Verbo [a Palavra] se fez carne”. Em Cristo, a Pedra viva, a lei é vida e paz. Recebendo a Ele pelo “ministério do Espírito” (2 Cor. 3:8), possuímos a vida de justiça que a lei aprova.



O verso vinte e um mostra que a lei foi dada para enfatizar a grandeza da promessa. Todas as circunstâncias que acompanharam a promulgação da lei – a trombeta, as vozes, o terremoto, o fogo, a tempestade, os raios e trovões, a barreira de morte ao redor do monte –, indicaram que a lei “opera ira” nos “filhos da desobediência” (Rom. 4:15; Efe. 5:6). Mas o fato de que a lei obre ira somente nos filhos da desobediência, mostra que a lei é boa, e que “aquele que faz estas coisas, viverá por elas” (Rom. 10:5). Era o propósito de Deus desencorajar seu povo? De nenhuma maneira. É necessário obedecer a lei, e os terrores do Sinai tiveram por objetivo levá-los novamente ao juramento que Deus fizera quatrocentos e trinta anos antes; juramento que há de permanecer para todo o homem em todo o tempo, como segurança da justiça que vem mediante o Salvador crucificado que vive para sempre.

 

Aprendendo a sentir nossa necessidade - Referindo-se ao Consolador, Jesus disse: “Quando ele vier convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (João 16:8). De si mesmo, disse: “Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores”. “Os sãos não precisam de médico, mas os enfermos” (Mar. 2:17). A pessoa tem que reconhecer sua necessidade, antes de poder aceitar ajuda; têm que saber que está doente, para receber o remédio.



Da mesma forma, a promessa da justiça passará totalmente inadvertida para aquele que não se reconhece pecador. Então, a primeira parte da obra consoladora do Espírito Santo consiste em convencer os homens do pecado. “Mas a Escritura encerrou tudo sob o pecado, para que, mediante a fé em Jesus Cristo, fosse a promessa concedida aos que crêem” (Gál. 3:22). “Pela Lei se alcança o conhecimento do pecado” (Rom. 3:20). O que se reconhece pecador, está no caminho do conhecimento, e “se confessamos nossos pecados, Deus é fiel e justo para perdoar nossos pecados, e limpar-nos de todo o mal” (1 João 1:9).

Assim, a lei é, nas mãos do Espírito, um agente ativo que induz os homens que aceitem a plenitude da promessa. Ninguém odiará aquele que lhe salvou a vida mostrando-lhe um perigo que lhe era desconhecido. Pelo contrário, receberá a consideração de amigo, e será lembrado sempre com gratidão. Assim é como verá a lei aquele que foi avisado pela voz de advertência, de forma que escape da ira vindoura. Dirá com o salmista: “Os pensamentos vãos aborreço; mas eu amo a tua lei” (Sal. 119:113).

 

23  Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquele fé que se havia de manifestar.

 

Observe a semelhança entre os versículos 8 e 22: “Mas a Escritura encerrou tudo sob o pecado, para que, mediante a fé em Jesus Cristo, fosse a promessa concedida aos que crêem” (vers. 22). “A Escritura, prevendo que Deus justificaria aos pagãos pela fé, de antemão anunciou o evangelho a Abraão, quando lhe falou: 'Por meio de ti serão benditas todas as nações' ” (vers. 8). Vemos que a Escritura que prega o evangelho é o mesma que “encerrou” a todos os homens debaixo do pecado. Claro que, o que está encerrado debaixo da lei é um prisioneiro. Nos governos terrestres, um criminoso é preso tão logo a lei consiga condená-lo. A lei de Deus é onipresente, e sempre ativa. Portanto, no momento em que o homem peca, é encerrado ou aprisionado. Tal é a condição do mundo inteiro, “porquanto todos pecaram”, e “não há justo, nem ao menos um”.



Aqueles desobedientes a quem Cristo pregou nos dias de Noé, estavam na prisão (1 Ped. 3:19 e 20). Mas como os demais pecadores, eram os “presos de esperança” (Zac. 9:12). “O Senhor, do alto do seu santuário, desde os céus, baixou vistas à terra, para ouvir o gemido dos cativos e libertar os condenados à morte” (Sal. 102:19 e 20). Cristo é dado como “mediador da aliança com o povo e luz para os gentios; para abrires os olhos aos cegos, para tirares da prisão o cativo e do cárcere, os que jazem em trevas.” (Isa. 42:6 e 7).

Se é que ainda não conheceis a alegria e a liberdade do Senhor, permita que lhe fale de minha experiência pessoal. Algum dia não muito distante, quem dera fosse hoje mesmo, o Espírito de Deus te fará sentir profunda convicção do pecado. Você pode estar cheio de dúvidas e vacilações, podes ter procurado todo tipo de desculpas e evasivas, mas quando chegar esse momento, não terás nada que responder. Não terás então dúvida alguma com respeito à realidade de Deus e o Espírito Santo, e não precisarás de argumento algum que te assegure dela. Reconhecerás a voz de Deus falando a sua alma, e seu brado será como o do antigo Israel: “Não fale Deus conosco, para que não morramos” (Êxo. 20:19). Saberás então o que significa estar “encerrado” numa prisão cujas paredes sentirás tão próximas de ti, que além de impossibilitarem tua fuga, pareçam sufocar-te. Relatos de pessoas que foram condenadas a serem enterradas vivas debaixo de uma pesada laje, se tornarão vívidos e reais, sentirás como se as tábuas da lei esmagassem sua vida, e seu coração como que esmagado por uma implacável mão de pedra. Nesse momento, te proporcionará grande alegria recordar que estás “encerrado” somente com o propósito de que 'pela fé recebas a promessa do Espírito' “em Cristo Jesus” (Gál. 3:14). Tão logo te agarres a esta promessa, descobrirás que é a chave para abrir todas as portas de seu “Castelo da dúvida” (O Progresso do Peregrino). As portas da prisão abrirão então de par em par, e dirás: “Escapamos qual pássaro do laço dos passarinheiros; quebrou-se o laço, e nos vimos livres” (Sal. 124:7).

 

Debaixo da lei, debaixo do pecado - Antes que viesse a fé, estávamos encerrados debaixo da lei, éramos prisioneiros da fé que haveria de manifestar-se depois. Sabemos que tudo o que não é de fé, é pecado (Rom. 14:23). Logo, estar “debaixo da lei” é o mesmo que estar debaixo do pecado. A graça de Deus traz salvação do pecado, de tal modo que quando cremos na graça de Deus, deixamos de estar debaixo da lei, porque somos libertados do pecado. Por conseguinte, os que estão debaixo da lei são os transgressores da lei. Os justos não estão debaixo da lei, mas estão caminhando nela.



 

24  De maneira que a lei nos serviu de aio (tutor), para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados.

 

"Tutor” (aio) foi traduzido da expressão grega paidagogos, ou pedagogo. O pedagogo era um escravo do pai de familia, que tinha por missão acompanhar o menino à escola, e assegurar-se de que este não trocasse o estudo por outras distrações e jogos. Se a criança tentasse escapar, o pedagogo teria de trazê-lo de volta ao caminho, e tinha autoridade inclusive para aplicar métodos físicos de correção. “Tutor” ou” instrutor”, não são boas traduções do termo grego. A melhor idéia seria a de guardião ou vigilante. O menino sujeito à sua custódia, mesmo tendo uma posição superior, está de fato privado de liberdade, como se estivesse na prisão. Todo aquele que não crê, está debaixo do pecado, encerrado debaixo da lei, e portanto, a lei age como seu guardião ou vigilante. A lei o manterá escravo. O culpado não pode escapar em sua culpa. Embora Deus seja misericordioso e clemente, “de nenhum modo terá por inocente ao culpado” (Êxo. 34:6 e 7). Quer dizer, jamais mentirá dizendo que o mau é bom. O que faz é prover um remédio no qual o culpado possa estar livre de sua culpa. Então a lei deixará de cortar sua liberdade, e poderá caminhar livre em Cristo.



 

Liberdade em Cristo

Cristo disse: “Eu sou a porta” (João 10:9). É igualmente o redil, e também o Pastor. O homem supõe que é livre saindo fora do redil, e pensa que vir ao redil significa por obstáculos a sua liberdade; porém, é precisamente o contrário. O redil de Cristo é um lugar amplo, enquanto que a incredulidade é uma prisão estreita. A largura do pensamento do pecador nunca poderá superar o âmbito do estreito. O verdadeiro pensador-livre é aquele que compreende “com todos os santos, a largura e a longitude, a profundidade e a altura do amor de Cristo, e [conhece] esse amor que supera a todo o conhecimento” (Efe. 3:18 e 19). Fora de Cristo não há mais que escravidão. Só nEle há liberdade. Fora de Cristo, o homem está em prisão, “seu próprio pecado o prende como um laço” (Prov. 5:22).

“Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei”. (1 Cor. 15:56). É a lei que declara pecador o homem, e lhe faz consciente de sua condição. “Pela lei vem o conhecimento do pecado”, e “o pecado não é imputado não havendo lei” (Rom. 3:20; 5:13). A lei revela as paredes da prisão do pecador. O prende a ela, e faz que se sinta incômodo, oprimido pela sensação do pecado, como se o privasse da vida. O pecador se debate em vãos e frenéticos esforços para escapar, mas os Mandamentos se erguem ao seu redor como muros inexpugnáveis. Aonde quer que vá, sempre encontra um mandamento que diz: 'Você nunca poderá encontrar a liberdade por mim, pois tens pecado'. Tenta colocar-se de bem com a lei e promete obedecer-lhe, mas a situação não melhora em nada, já que seu pecado permanece de qualquer maneira. A lei o perturba (aguilhoneia), e o leva à única via de escape: “a promessa... por meio da fé em Jesus Cristo”. Em Cristo torna-se verdadeiramente livre, já que é feito justiça de Deus. Em Cristo está a perfeita lei da liberdade.

 

A lei prega o Evangelho



Toda a criação fala de Cristo, proclamando o poder de sua salvação. Cada fibra do ser humano clama por Cristo. Embora o homem não saiba, Cristo é o “Desejado de todas as nações” (Ageu 2:7). Somente Ele pode “abençoar a todo vivente” (Sal. 145:16). Somente nEle se encontra o remédio para a inquietude e anseio do mundo.

Cristo, em quem há paz – já que “Ele é a nossa paz” –, está procurando os que estão cansados e sobrecarregados, e os chama para virem a Ele, e tendo em conta que todo homem tem anseios que nenhuma outra coisa no mundo pode saciar, fica claro que se a lei desperta no homem uma percepção clara de sua condição, e a lei continua perturbando-o, sem lhe dar descanso, impedindo-lhe qualquer caminho de fuga, o homem terminará por encontrar a porta de salvação, pois ela está aberta de par em par. Cristo é a cidade de refúgio para onde pode escapar todo aquele que está sitiado pelo vingador do sangue, com a segurança de que será bem-vindo. Só em Cristo achará o pecador descanso do chicote da lei, porque em Cristo se completa em nós a justiça da lei (Rom. 8:4). A lei não permitirá que ninguém seja salvo, a menos que possua a justiça que vem de Deus pela fé” (Fil. 3:9), fé de Jesus.

 

25    Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio.

26    Porque todos vós sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus.

 

"A fé vem pelo ouvir, e pelo ouvir pela palavra de Deus (Cristo)” (Rom. 10:17). Quando o homem recebe a Palavra de Deus, a palavra da promessa que traz com ela a plenitude da lei, em vez de lutar contra, rende-se a ela, lhe “veio a fé”. O capítulo décimo primeiro de Hebreus demonstra que a fé veio desde o princípio. Desde os dias de Abel, o homem tem encontrado a liberdade por meio da fé. A fé pode vir hoje, agora. “Agora é o tempo aceitável, agora é o dia da salvação” (2 Cor. 6:2). “Se hoje ouvis a sua voz, não endureçais o vosso coração” (Heb. 3:7).



 

27  Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo.

 

“Não sabeis que todos os que foram batizados em Cristo Jesus, foram batizados em sua morte” ? (Rom. 6:3). É por sua morte que Cristo nos redime da maldição da lei, mas temos que morrer com Ele. O batismo é “uma morte semelhante a sua” (Rom. 6:5). Ressuscitamos para andar “em novidade de vida”, a vida de Cristo (ver Gál. 2:20). Havendo sido revestidos de Cristo, somos um nEle. Somos totalmente identificados com Ele. Nossa identidade se perde na sua. Freqüentemente ouvimos dizer de quem se converteu: 'Mudou tanto que é difícil reconhecê-lo. Não é mais o mesmo'. Não, não é mais. Deus fez dele outro homem. Então, sendo um com Cristo, pertence-lhe tudo o que é de Cristo, inclusive um lugar nos lugares celestiais onde Cristo habita. Da prisão do pecado até a habitação de Deus, é exaltado. Isso pressupõe, então, que o batismo é para ele uma realidade, não uma simples formalidade externa. Não é só na água visível que se batiza, mas “em Cristo”, na vida de Ele.



 

Como nos salva o batismo?

O vocábulo grego que traduzimos por “batizar”, significa “submergir”. O ferreiro grego batizava em água o material que forjava, com o objetivo de o esfriar. A dona de casa, batiza a roupa para lavá-la. E com o mesmo propósito todos ‘batizam” suas mãos em água. Sim, e todos utilizavam com freqüencia o baptisterion – ou tanque - com o propósito semelhante. Disto retiramos a palavra batistério. Que era e é um lugar onde a pessoa poderia submergir completamente debaixo da água.

A expressão “batizados em Cristo”, indica como deve ser nossa relação com Ele. Deveríamos parecer sórdidos e perdidos se comparados a sua vida. Então se verá somente a Cristo, de forma que já não vivo eu, já que “fomos sepultados junto com ele para morte por meio do batismo” (Rom. 6:4). O batismo nos salva “pela ressurreição de Jesus Cristo” (1 Ped. 3:21), pois somos batizados em sua morte, “se Cristo ressuscitou dos mortos para a glória do Pai, igualmente nós andemos em novidade de vida”. Se fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho; muito mais agora, seremos salvos por sua vida”  (Rom. 5:10). Portanto, o batismo em Cristo – não a mera forma, mas o fato –, nos salva.

Batismo significa “uma boa consciência” perante Deus (1 Ped. 3:21). Em ausência disto, não há batismo cristão. Então, o candidato para o batismo deve ter idade bastante para poder ter consciência do fato. Deve ter consciência do pecado, e também do perdão por meio de Cristo. Há de conhecer a vida que então se manifesta, irá depor voluntariamente a velha vida de pecado, rendendo-se a uma nova vida de justiça.

Batismo não consiste em remover “as impurezas do corpo” (1 Ped. 3:21), nem na limpeza externa desse corpo, mas em “uma consciência boa como resposta para Deus” (N. T. Interl.), uma purificação da alma e da consciência. Há uma fonte aberta, para lavar o pecado e a imundícia (Zac. 13:1), e por essa fonte flui o sangue de Jesus. A vida de Cristo flui desde o trono de Deus, “no meio” do qual está de pé “um Cordeiro como se houvesse sido imolado” (Apoc. 5:6), da mesma maneira que fluiu do lado ferido de Cristo, na cruz. Quando “pelo Espírito Eterno se ofereceu sem mancha a Deus” (Heb. 9:14), de seu lado ferido brotou água e sangue (João 19:34). “Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra [literalmente: banho de água na palavra]” (Efe. 5:25 e 26). Ao ser sepultado nas águas em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, o crente demonstra sua  aceitação voluntária da água da vida, o sangue de Cristo, que purifica de todo o pecado, e se prepara para viver de toda a palavra que vem da boca de Deus. Deste momento em diante perde a si mesmo de vista, e só a vida de Cristo se manifesta em sua carne mortal.

 

28  Nisto não há judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.

29  E, se sois de Cristo, também sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa.

 

“Não há diferença” (Rom. 3:22; 10:12). É a nota tônica do evangelho. Todos são igualmente pecadores, e todos são da mesma maneira salvos. Quem buscasse fazer diferença em razão da nacionalidade – judia ou gentil –, poderia igualmente fazer com base no sexo – macho ou fêmea –, ou da condição social – amo ou escravo –, etc. Mas não há diferença. Todos os seres humanos são iguais perante Deus, sem importar a raça ou condição. “Sois um em Cristo Jesus”, e Um é Cristo. “Não diz: aos descendentes, como falando de muitos, mas como de um só: E a tua descendência, que é Cristo” (Gál. 3:16). Não há mais que uma descendência, mas abrange a todos os que pertencem a Cristo.



Ser revestido de Cristo significa ser vestido “do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e santidade” (Efe. 4:24). Aboliu na carne a inimizade, a mente carnal, “criando em si mesmo dos dois um novo homem, que faz a paz” (Efe. 2:15). Ele é o autêntico Homem, “Jesus Cristo homem”. Fora dEle não existe verdadeira humanidade. Chegamos “a um varão perfeito, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Efe. 4:13). Na plenitude do tempo, Deus juntará todas as coisas em Cristo. Não haverá mais que um único Homem, e apenas sua justiça, na medida em que o “Descendente” seja um. “E já que sois de Cristo, de certo sois descendentes de Abraão, e de acordo com a promessa, herdeiros”.

O “Descendente” é Cristo. Assim declara o texto. Mas Cristo não viveu para si mesmo. Ganhou uma herança, não para si, mas para seus irmãos. O propósito de Deus é reunir em Cristo, “sob uma só cabeça, tudo o que está no céu e o que está na terra” (Efe. 1:10). Um dia porá um fim a todas as divisões, seja da classe que forem, e já o faz naqueles que o aceitam. Em Cristo não há distinções de nacionalidade, classe ou cor. O Cristão pensa em qualquer um, - inglês, alemão, francês, russo, Turco, chinês ou africano - simplesmente como uma pessoa, e portanto, como um possível herdeiro de Deus por meio de Cristo. Se aquela outra pessoa, da raça ou condição que seja, se torna cristão, os laços vêm a ser mútuos, e até ainda mais fortes. Não há judeu nem grego, nem servo ou livre, nem homem nem mulher, porque todos vós sois um em Cristo Jesus”.

Essa é a razão que torna impossível que um Cristão vá a guerra. O Cristão não conhece distinção de nacionalidade, vê um irmão em todo homem. A vida de Cristo é sua vida, pois é um com Cristo. Será tão impossível entregar-se a luta, como o teria sido para Cristo o brandir a espada e lutar em sua própria defesa, ante o ataque dos soldados romanos, assim, dois cristãos não podem lutar entre si mais do que Cristo pode lutar contra si mesmo.

Não obstante, a guerra não é agora o objeto de nosso estudo, e sim,   mostrar a absoluta unidade dos crentes em Cristo. Realmente, eles são um. Apesar dos muitos milhões de crentes que existam, são um em Cristo. Cada um possui sua própria individualidade, mas sempre é a manifestação de algum aspecto da individualidade de Cristo. O corpo humano tem muitos membros, e todos eles diferem em suas peculiaridades. Porém, observamos perfeita unidade e harmonia no corpo humano, em seu estado  de saúde, e também nos que foram revestidos do “novo homem”, o qual, “se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou; no qual não pode haver grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre; porém Cristo é tudo em todos” (Col. 3:10 e 11).

 

A colheita



Na explicação que Cristo deu da parábola do trigo e do joio, mostrou que a “boa semente [ou descendente] são os filhos do Reino” (Mat. 13:38). O fazendeiro não permitiu que se arrancasse o joio, pois no estado inicial era difícil distinguir este do trigo, e parte do trigo poderia ser destruída; então, disse: “Permita crescer um e outro até a colheita. E no tempo da sega se dirá aos segadores: Arranque primeiro o joio, e amarre em pacotes para queimar, mas juntai o trigo em meu celeiro” (vers. 30). Como é conhecido, está é a colheita quando se recolhe o grão/ semente.

A parábola tem por ensino específico mostrar que é na colheita que a semente é manifestada em sua plenitude. Tudo aquilo que se colhe espera a plena manifestação e maturidade da semente.

Agora então, “a sega é o fim do mundo”. Então, o tempo mostrado ou em Gálatas 3:19, “até que viesse a semente [ou descendente] a quem tem sido prometida” (N. T. Interl.), não é outro que o fim do mundo, momento no qual se cumprirá a promessa com respeito à nova terra. A “semente” – ou descendente – não pode manifestar-se antes desse tempo.

Leiamos Gálatas 3:19 novamente (R.V. 1977): Logo, para que é a lei? Foi ordenada por causa das transgresssões, até que viesse a posteridade a quem a promessa tinha sido feita”. O que nos ensina o versículo? Simplesmente isto: que a lei, tal que foi proclamada no Sinai, sem mudar um jota ou um til, é parte integrante do evangelho, e deveria ser apresentada no evangelho, até a segunda vinda de Cristo no fim do mundo. “Enquanto o céu e a terra existirem, nem uma letra, nem um ponto da Lei perecerão, sem que tudo se cumpra” (Mat. 5:18). E o que diremos do momento em que este céu e esta terra passarem, estabelecendo-se os novos? Então não haverá mais necessidade de que a lei esteja escrita num livro para se pregar aos pecadores, e que seus pecados sejam expostos. Naquele tempo estará no coração de todo o homem (Heb. 8:10 e 11). Abolida? De maneira nenhuma, e sim, gravada indelevelmente em cada pessoa, escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo.

A  “semente” se refere também a todos quantos pertencem a Cristo,e nós sabemos que a “herança” prometida não se manifestou em sua plenitude. Jesus, em seus dias na terra, não a recebeu em maior medida que Abraão. Mesmo Cristo não pode possuir a “herança” prometida antes que o faça a Abraão, pois “as promessas foram feitas a Abraão e a seu Descendente [ou semente]". O Senhor falou por meio de Ezequiel que essa “herança” seria no momento em que Davi deixasse de ter um representante de seu trono na terra, e predisse a queda de Babilônia, Pérsia, Grécia e Roma nestes termos: “assim diz o Senhor Deus: Tira o diadema e remove a coroa; o que é já não será o mesmo; será exaltado o humilde e abatido o soberbo. Ruína! Ruína! A ruínas a reduzirei, e ela já não será, até que venha aquele a quem ela pertence de direito; a ele a darei” (Eze. 21:26 e 27).

Deste modo, Cristo está sentado no trono de seu Pai, e “desde então aguarda que seus inimigos sejam postos debaixo de seus pés”  (Heb. 10:13). Logo voltará. Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, estes são filhos de Deus, e herdeiros com Cristo, de forma que Cristo não pode possuir a herança antes deles. A “semente” é uma; não está dividida. Quando Cristo vier para executar o juízo, e destruir os que disseram  “não queremos que este homem reine sobre nós”; quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com Ele, “então se sentará em seu trono de glória” (Mat. 25:31).

Então estará completa a “semente”, e a promessa será cumprida. Até aquele momento, a lei continuará cumprindo fielmente sua missão de despertar e condenar a consciência dos pecadores, não dando-lhes descanso até que venham a identificar-se com Cristo, ou o rejeitarem completamente. Aceitarás as condições, caro leitor? Porás fim a tuas reclamações da lei que te salva de perder-se num sono fatal? Aceitarás a justiça da lei, em Cristo? Se assim o fizeres, como verdadeira semente de Abraão que és, e herdeiro segundo a promessa, podes alegrar-te em tua libertação da escravidão do pecado, cantando:   
Feliz o dia em que escolhi
Servir-te, meu Senhor e Deus!
Precioso é meu gozo em ti
Se mostre hoje com obra e voz.


Sou feliz! Sou feliz!
e em teu favor desfrutarei.
Em liberdade e luz me vi
quando triunfou em mim a fé,
e a abundancia carmesim,
saúde de minha alma enferma foi.

(T. M. Westrup, #330) 





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