Arp, o Vermelho



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Arp, o Vermelho

Com certa dificuldade, teorias alternativas ao modelo padrão tentam ser pelo menos discutidas e, mesmo com o rigor científico que apresentam (apesar de seus defeitos), são, na maioria das vezes, descartadas pelo meio científico. Halton C. Arp pode ser considerado um ícone da cosmologia de “contra-cultura”. Com acesso restrito a alguns observatórios, sob chantagem para que mudasse sua linha de pesquisa e artigos, às vezes meramente desdenhados pelos jornais, sua luta consiste em no mínimo ter suas curiosas observações analisadas com seriedade. Seu trabalho é baseado na observação de radiofontes e “Galáxias Peculiares” (de seu catálogo) que apresentam regiões associadas à diferentes desvios para o vermelho, e quasares observados em sua vizinhança. Contradizendo o modelo padrão, tais desvios não seriam resultantes de uma suposta expansão, e menos ainda levariam à Lei de Hubble, alicerce do modelo padrão e suas medidas de distância. Pode-se entender sua proposta analisando a galáxia NGC 7603: com naturalidade alguém diria que os dois corpos maiores (galáxias) têm uma clara ligação e, pela Lei de Hubble, seus valores esperados de ‘z’ seriam pelo menos muito próximos. No entanto, há uma boa diferença entre estes valores e, no rastro luminoso que liga as duas galáxias, há dois objetos que são quasares, cujos desvios (apesar de não tão elevados como normalmente) aumentam no sentido da NGC 7603. Quasares são corpos de brilho muito intenso e z elevado. Para o modelo padrão são os objetos mais energéticos existentes, e atualmente mais distantes. Pela Lei de Hubble a proximidade de um corpo celeste é tanto menor quanto for o sue brilho. O detalhe irônico é que a análise de brilho e desvio de quasares não é compatível com a lei.

Seria a visão projetada da região de NGC 7603 resultado de uma bela configuração ao acaso que percebemos? – É o argumento de árbitros dos jornais para a recusa de artigos. Diante de tal impasse, Arp calculou a probabilidade da configuração ser casual. O resultado, de acordo com ele é de 1 em 3 bilhões, e é obtido sem a necessidade de um modelo cosmológico. Entãoa possibilidade de que os corpos estejam realmente relacionados e seus desvios para o vermelho, que são obtidos a partir de medidas diretas, são ditos valores de confiança. Passa a ser razoável que o desvio pode então não estar associado à distância entre os corpos celestes como postula o Modelo Padrão. Apesar da clara controvérsia entre teoria e observação, - e este é apenas um exemplo de vários – o desmerecimento injusto de evidências é ainda mais evidente, e Arp é taxado como uma inconveniência perante o “modelo ideal”.

Diante de suas observações incompatíveis com a teoria cosmológica mais ensinada, Arp torna-se defensor da teoria de Jayant Narlikar (a teoria de Narlikar tem como base o princípio de Mach), e propõe explicar seu trabalho a partir dela. O princípio de Mach, definido por Albert Einstein nos diz que “Um corpo em um universo vazio não deve ter inércia; ou, toda inércia de qualquer corpo tem que vir de sua interação com outras massas no universo". A massa não seria então propriedade intrínseca de um corpo, dependendo do alcance de interação com outras entidades, que depende do tamanho de sua esfera de luz. Deste modo, um elétron hipotético criado agora, com o passar do tempo terá sua inércia aumentada de modo que suas transições se tornem cada vez mais energéticas. Com este raciocínio entendemos a interpretação que Arp dá para os desvios para o vermelho verificados - corpos mais jovens emitem luz menos energética, desviada para o vermelho. As equações da TRG de Einstein podem ser resolvidas de duas maneiras: considerando-se a massa constante, como fez Friedmann para o modelo padrão, ou considerando uma função m(t), como Narlikar. Uma grande diferença entre os dois métodos é não só a interpretação que cada teoria dá para o desvio para o vermelho, mas também o fato de que, seguindo a solução de Narlikar não nos deparamos com a necessidade de um espaço-tempo curvo, como ocorre no modelo padrão. Também temos uma boa compatibilidade com a Teoria Quântica quanto ao surgimento de matéria, que ocorre segundo conservação da energia. É viável a idéia de que uma partícula, com sua variação temporal de massa, tenha o comprimento de onda da luz emitida devido a trasições alterado.

Com base nisso tudo, a respeito da NGC 7603, Arp argumenta que a galáxia tem um centro ativo de criação de onde matéria é expelida, segundo conversão matéria-energia, tendo z próprio à sua idade. Acredita-se também que quasares sejam protogaláxias: seguindo a conexão luminosa entre os corpos da figura Fig.(1). e a ordenação dos desvios dos corpos dessa linha tem-se uma idéia de evolução temporal de matéria expelida. A lei de Hubble, seria válida localmente, pois a matéria desta região teria sido criada aproximadamente ao mesmo tempo. Em seu livro “Seeing Red”(O Universo Vermelho), Halton Arp apresenta seus casos observacionais que, segundo ele, caminham para o “modelo preferido”, mais empírico e simples possível. Sujeito a surpresas observacionais que eventualmente podem surgir devido à expansão do nosso universo observável (seu limite cresce segundo c) este modelo basicamente diz que o universo não sofre expansão, podendo ser muito grande e que em seus domínios ele “desabrocha” via conversão matéria-energia (teoria de Narlikar). Vemos provavelmente só uma minúscula parcela do universo e não podemos afirmar com certeza sobre como opera a conservação de energia em partes do universo com as quais só nos comunicamos por fótons de luz.

Denominado por alguns como “o novo Galileu”, Halton C. Arp é numa visão geral um símbolo do cientista correto: apesar de defender uma teoria própria, que como as outras teorias cosmológicas têm seus problemas, não teme duvidar com lucidez e bom senso de uma teoria imposta que simplesmente nega seus sérios defeitos, fecha os olhos e cria dogmas que devem ser preservados a todo custo contra um conjunto de observações controversas mas que simplesmente existem, por mais que se negue admitir.

Bibliografia:

ARP, Halton. O universo vermelho: desvios para o vermelho, cosmologia e ciência acadêmica. São Paulo: Perspectiva, 2001

Sites:

Site oficial de Halton C. Arp :



www.haltonarp.com

Coluna “Olhar Longe”:



http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_11/2009/01/06/em_noticia_interna,id_sessao=11&id_noticia=94408/em_noticia_interna.shtml



Fig.(1) NGC 7603


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