Apostila de redaçÃO – nani lingua portuguesa



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MODALIDADES TEXTUAIS
Sempre que vamos escrever um texto sobre um tema ou acontecimento, temos que decidir se vamos, predominantemente, convencer o leitor sobre um ou mais de um ponto de vista (ARGUMENTAR); apresentar uma reflexão teórica sobre o assunto ou fato (EXPOR); contar uma história ou episódio (NARRAR); caracterizar uma dada realidade (DESCREVER); ou seja, determinar o(s) tipo(s) de organização textual a ser estruturada, tendo em vista a constituição e o funcionamento de textos de circulação social.

Simultaneamente a esse processo, também estabelecemos



  • o(s) objetivo(s);

  • a perspectiva :

  • Mais pessoal: uso da 1ª do singular;

  • Mais coletiva: uso da 1ª do plural;

  • Mais universal: uso da 3ª pessoa;

  • o nível de linguagem (formal, semiformal, objetiva, subjetiva...);

  • a inclusão ou não do leitor;

  • outros procedimentos linguísticos que configuram a materialização do texto como ação sociocomunicativa.




ATENÇÃO!

Redação Língua Especial - 2008



GÊNEROS OPINATIVOS



DEFINIÇÃO

Dissertar significa desenvolver ideias, expor uma reflexão sobre dado tema. O termo “dissertação” designa, assim, uma modalidade textual que consiste na exposição e defesa de um ponto de vista, fundamentado em argumentos, fatos, dados que justifiquem esse posicionamento. Trata-se de um texto opinativo, pois, ao explanarmos sobre um tema, estamos tomando uma posição, revelando nossas reflexões sobre a realidade ou objeto enfocado.

A diferença da dissertação para o artigo é que o primeiro configura-se como um texto formal, dirigido a um “leitor universal”, genérico; portanto, exige uma abordagem mais padronizada, típica de textos acadêmicos, evitando-se particularizações – como uso da 1ª pessoa do singular.


CARACTERÍSTICAS GERAIS DA DISSERTAÇÃO ARGUMENTATIVA Texto opinativo


  • Objetivos: analisar, discutir, defender e desenvolver um posicionamento sobre determinado tema.

  • Perspectiva: uso da 1ª pessoa do plural ou 3ª pessoa (que confere uma abordagem mais universal, distanciada, sobre o tema).

  • Linguagem: formal, denotativa, com predomínio do uso de verbos no presente.




  • Estruturação: apresenta uma estrutura padronizada, dividida em




  • Introdução: apresenta a contextualização do tema e o posicionamento do autor. Ao se posicionar, o autor formula uma tese ou a ideia principal do texto.

  • Desenvolvimento: é formado pelos parágrafos que fundamentam a tese. Normalmente, em cada parágrafo, é apresentado e desenvolvido um argumento. Cada um deles pode estabelecer relações de causa e efeito ou comparações entre situações, épocas e lugares diferentes; pode também se apoiar em depoimentos ou citações de pessoas especializadas no assunto abordado, em dados estatísticos, pesquisas, alusões históricas, entre outras estratégias argumentativas.

  • Conclusão: retoma a tese, sintetizando as ideias gerais do texto ou propondo soluções para o problema discutido.




      • Título: opcional (em geral, é determinado no enunciado da proposta se o texto deve ou não ter título).


ANÁLISE

A dissertação a seguir foi produzido por um candidato à vaga na Unicamp, no vestibular/2008. Tradicionalmente, a Unicamp propõe três modalidades de produção de texto – a dissertação, a carta argumentativa e a narrativa -, versando sobre um tema comum a todas as provas. Junto às propostas, há uma coletânea, cujas informações devem ser aproveitados pelos candidatos, não como cópia, mas fonte de dados e ideias para a produção do texto.

Democraticamente, essa universidade publica, no próprio sítio da instituição, as redações consideradas acima da média e os textos problemáticos, que não cumpriram a expectativa da banca. O exemplo a seguir foi considerado acima da média, ou seja, teve nota máxima. Seguem-se a ele a reprodução dos comentários feitos pela própria comissão avaliadora e um esquema da redação do aluno.

UNICAMP/2008) PROPOSTA:
Trabalhe sua dissertação a partir do seguinte recorte temático:

Segundo o artigo 196 da Constituição, a saúde é direito de todos e dever do Estado, devendo ser garantida mediante políticas públicas. Tal responsabilidade permite ao Estado intervir no comportamento individual e coletivo com ações preventivas, que podem gerar conflitos.



Instruções:

1- Discuta os desafios que as ações preventivas lançam ao Estado na promoção da saúde pública.

2- Trabalhe seus argumentos no sentido de apontar as tensões geradas por essas ações preventivas.

3- Explore os argumentos de modo a justificar seu ponto de vista sobre tais desafios e tensões.




  • TEXTO DO CANDIDATO:


SAÚDE PÚBLICA: PREVENÇÃO E SUAS RELAÇÕES
Os homens sempre estiveram expostos a doenças. Conforme evoluiu a vida em sociedade, modificaram-se, também, as formas de lidarmos com essas doenças. O surgimento dos Estados, na Idade Moderna, tornou factível a verticalização do combate às doenças – ou seja, era possível a existência de políticas vindas do Estado, na área da saúde – mesmo que isso não fosse a principal preocupação, à época. Nos séculos XIX e XX, com a consolidação das sociedades contemporâneas, aumentou o interesse do Estado em criar políticas públicas ligadas à saúde. Hoje, no mundo e, particularmente, no Brasil, a promoção da saúde pública, principalmente através de ações preventivas, é um desafio que envolve tanto o Estado quanto a sociedade e o indivíduo, incluindo as relações entre eles e as tensões que possam surgir.

De acordo com a Constituição Federal de 1988, a saúde é de dever do Estado e um direito de todos. Na elaboração de políticas públicas, notadamente aquelas ligadas à prevenção de doenças, o Estado deve realizar um papel interventor, seja essa intervenção através de campanhas ligadas à publicidade, com intuito de conscientizar a população, ou através de ações mais diretas, tais quais os mutirões da dengue, que inspecionam as casas em busca de focos de desenvolvimento do agente transmissor. Em ambos os casos, deve-se pensar sobre a interferência do Estado no âmbito individual, papel previsto na Constituição. Esse é um dos desafios das ações preventivas: não há acordo entre aquilo que é de interesse do Estado e o que interessa ao indivíduo. Há, inclusive, o entrave de algumas políticas pela falta de entrosamento entre as duas partes. No caso da dengue, por exemplo, o serviço de controle muitas vezes é impedido de entrar nas residências, o que compromete todo o trabalho.

Para entendermos a importância das ações preventivas, há que se considerar os gastos vultosos do Estado com as conseqüências das doenças. Só o tabagismo, por exemplo, gera, para o SUS, gastos de 200 milhões de reais anuais com o tratamento dos cânceres que gera. Nesse ponto, o grande desafio do Estado é agir conjuntamente com a sociedade, organizada no terceiro setor (as ONG’s), de modo a não carregar sozinho o fardo de lidar com a prevenção. As ONG’s, por agirem de modo mais regional e em grande número, ajudam na agilização da prevenção, além de terem contato direto com a população, o que lhes possibilita a transmissão de informações úteis acerca da prevenção e de sua importância. Elas acabam funcionando, assim, como atenuadoras das tensões entre Estado e indivíduo, além de ajudarem a cobrir as deficiências do Estado, explicitadas pelo próprio Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, na promoção de suas campanhas, um outro desafio.

Importante, também, é a inserção do Brasil num contexto internacional de discussões sobre saúde. A chamada saúde pública internacional tem como objetivo elaborar, via Organização Mundial de Saúde, diretrizes globais na prevenção e combate a doenças. A preocupação vem da constatação do surgimento de novas doenças e do fortalecimento de patógenos, que representam grande perigo num mundo globalizado, em que a circulação de enfermidades, juntamente com a de informações e pessoas, tornou-se mais expressiva. Nesse contexto de discussão internacional, surgem questões geopolíticas que podem gerar tensões. Os Estados Unidos, por exemplo, dotado de uma mentalidade puritana e conservadora, se recusam a considerar propostas novas na questão do uso de drogas injetáveis, cujo uso compartilhado pode causar doenças como AIDS e hepatite. Enquanto o Brasil tenta ser mais realista, propondo a aceitação da existência do uso de drogas e lidando de maneira mais pragmática com o usuário, através da redução de danos, os EUA negam essa possibilidade, inclusive rejeitando-a na ONU. Outras diferenças, algumas de origem religiosa, podem gerar conflitos desse tipo, mas não devem impedir a continuidade da discussão. Essa é muito importante na organização das ações do Estado brasileiro, dando-lhes uma direção.

Em suma, percebe-se que a questão da saúde envolve muitas variáveis. Mesmo tendo convivido com doenças durante muito tempo, o homem ainda precisa aprender muito sobre elas. Principalmente no que diz respeito à prevenção, a ação do Estado é de extrema importância, além de muito difícil, pois envolve diversos desafios e tensões, ligados à sua relação com a sociedade e com o indivíduo, além da relação com outras nações. O entrosamento de todos esses fatores é muito difícil, mas deve ser buscado. A saúde é uma questão que nos importa tanto enquanto seres biológicos, desejosos de continuar vivendo individualmente, quanto como seres sociais, desejosos de continuar vivendo juntos.


  • AVALIAÇÃO DA BANCA (grifo nosso):

A redação apresenta um modo muito interessante de introduzir os desafios que as ações preventivas lançam ao Estado brasileiro na esfera da saúde pública: aborda a questão de um ponto de vista histórico, demonstrando de maneira eficaz que a relação doença/humanidade sempre existiu. Essa relação sofre modificações em função da organização social. O texto mostra assim um vínculo inexorável entre o homem que vive em sociedade (contemporânea) e as doenças. Nessa relação há, necessariamente, uma mediação das políticas públicas.

A partir desse ponto de vista histórico, o texto consegue identificar, de modo pertinente e bem desenvolvido, as tensões decorrentes das medidas preventivas adotadas pelo governo brasileiro. Mostra que estas dependem de mudanças nos hábitos dos indivíduos e, consequentemente, dependem de uma interferência direta do poder público no âmbito individual. O texto trabalha de forma madura a dificuldade de se estabelecer um limite entre, de um lado, o direito e dever do Estado em intervir no comportamento individual, e, de outro, a liberdade individual a ser garantida em uma sociedade democrática. Trabalha assim a tensão entre a esfera pública e a privada, mostrando que essa dificuldade pode ser de ordem cultural, moral ou religiosa.

No que diz respeito a essa tensão, o texto apresenta um argumento interessante: a inclusão das ONGs como mediadoras da relação entre o poder público e o indivíduo. Por sua atuação regional, elas alcançariam um conhecimento aprofundado da comunidade, podendo produzir de maneira mais efetiva os impactos necessários. Este, segundo o texto, seria um dos grandes desafios do Estado brasileiro: conhecer melhor as comunidades, para agir de maneira mais eficaz, evitando doenças e economizando dinheiro público. O texto toca ainda no delicado limite entre a gestão nacional e internacional das políticas públicas e com isso mostra haver aí tanto divergências culturais e religiosas, quanto políticas.

Nota-se a existência de um claro projeto de texto, que produz unidade na dissertação, por meio de um trabalho consistente tanto do recorte temático, quanto da coletânea. O domínio do tema se revela no aprofundamento do trabalho com o recorte proposto e na sua excelente articulação com elementos da coletânea. A dinâmica produzida pelo texto se deve também ao domínio da modalidade escrita e à coesão, que garantem uma leitura fluida. Em relação à coletânea, percebe-se o uso dos excertos no.1, 2, 5, 6, 7 e 9, que são bem trabalhados e estão interligados ao conjunto do texto.

(www.unicamp.br)





COMENTÁRIO
Como exposto na avaliação da banca, o candidato produziu uma dissertação fundamentada, bem escrita, cumprindo, assim, o projeto de texto a que ele se propunha. Observem que, ao longo do texto, intercalam-se análises e opinião clara do autor sobre o tema proposto. Portanto, é equivocada a ideia de que, na dissertação, não opinamos.

O candidato apresentou um recorte sobre o tema, posicionou-se e fundamentou esse ponto de vista ao longo da redação. Isso fica evidente, ao esquematizarmos o conteúdo do texto.



ESTRUTURAÇÃO

PARTES

ORIENTAÇÃO ARGUMENTATIVA

ESTRATÉGIAS ARGUMENTATIVAS



INTRODUÇÃO


1ª§

  • Exposição da tese:

“os homens... lidamos com essas doenças.”

  • Esclarecimento sobre a tese. “o surgimento...possam surgir.”

  • Caracterização (sintética) do combate às doenças ao longo dos séculos.


DESENVOLVIMENTO

2º§

Desenvolvimento da tese (saúde no Brasil de hoje):

  • discussão sobre a tensão entre o bem-estar social e os direitos individuais (conflito entre a interferência do Estado, na adoção de medidas preventivas a doenças, e os interesses dos indivíduos).

  • Exposição sobre o papel constitucional do Estado na promoção da saúde;

  • problematização desse dever institucional frente aos direitos individuais;

  • exemplificação.


3º§

Ampliação da tese:

  • defesa de ações preventivas por parte do Estado;

  • fundamentação do ponto de vista com a exposição de dados sobre os custos no tratamento de doenças;

  • defesa da interação entre ações governamentais e organizações civis, como as ONGs.

  • Exposição de dados que comprovem o ponto de vista defendido;

  • caracterização do trabalho de ONGs.


4º§

Ampliação da tese (tensão entre políticas públicas nacionais e internacionais de saúde):

  • exposição sobre o desafio de se conciliar políticas nacionais de saúde e as diretrizes firmadas por organismos internacionais, como OMS, e governos, como o dos EUA;

  • defesa da perspectiva do políticas públicas de do Brasil, em relação ao EUA

  • Explicação sobre diretrizes globais de saúde pública;

  • Identificação de focos de tensão entre essas diretrizes e políticas nacionais de saúde pública;

  • exemplificação dessa tensão.

  • contraste entre políticas de saúde do governo brasileiro e o americano.


CONCLUSÃO


5º§

Reafirmação da tese:

  • retomada das ideias defendidas na introdução.





SÍNTESE DA ESTRUTURA DE UM TEXTO DISSERTATIVO
INTRODUÇÃO:

- Exposição da tese + esclarecimentos sobre a tese


DESENVOLVIMENTO:

- Discussão sobre o tema

- Ampliação da abordagem proposta na tese


CONCLUSÃO:

- Reafirmação da tese.
Obs.: Como visto no exemplo analisado, os parágrafos devem conter mais de uma frase. Não façam parágrafo-frasal.
Pense nesse tipo de organização das ideias, ao fazer os textos propostos.
PRODUÇÃO DE TEXTO


PROPOSTA 1

O NADISMO E A COMPRESSÃO ESPAÇO/TEMPO

Carla Rodrigues


Olho para o despertador ao lado da cama. Está na hora de levantar. Peço ao tempo e a mim mesma mais cinco minutos de sono. Imploro por um pouco mais de descanso. O tempo, quando eu me levantar daqui, vai começar a correr. E ele corre contra mim.

Duas horas depois de ter me levantado eu já li os jornais - são dois em papel na mesa do café -, já fiz ginástica e coloquei em dia a correspondência que chegou por email durante a madrugada. Gente que me escreveu tarde da noite, depois de eu ter ido dormir.

Ao meu lado, há uma lista de tarefas que começo a cumprir. Alterno mensagens de texto no skype, no MSN e no SMS do celular. Escrevo ou respondo emails enquanto isso. Escrevo para o site. Escrevo para o cliente que espera um texto. Escrevo para um amigo de quem sinto saudades. Escrevo, escrevo, escrevo e, enquanto escrevo, experimento essa tal compressão espaço/tempo de que tanto falam os livros.

Teoricamente, evito os ares nostálgicos de quem acha que no passado a vida era melhor. Lá como cá, havia bom e ruim, e ao contrário do que quer crer a maioria, bom e ruim sempre se misturaram. Aqui e ali, há algo de melhor ou de pior, no passado ou no presente.

Mas acabo a manhã sentindo saudades do tempo em que conseguia conversar pelo telefone fixo sem ser interrompida.

Só em torno de meio-dia vou tirar o pijama, tomar banho, trocar de roupa. Até aqui, naveguei, me perdi, naveguei de novo, mas ainda com a bruma da noite de sono em torno de mim, quase como uma proteção. Não falei com ninguém, embora tenha escrito para muitos.

(...)

O dia passa, célere. O tempo continua correndo contra mim, mas agora já posso olhar orgulhosa para uma lista de tarefas cumpridas. OK, tudo ticado.



À sensação de dever cumprido soma-se a de cansaço. Profundo cansaço. Ando na rua, procuro um lugar para comer algo, o trabalho acabou, a ansiedade não. Telefono para uma amiga, volto a conferir meus emails, olho no relógio.

Lembro da reportagem que li na revista do Globo sobre o nadismo, uma proposta de reunir pessoas que querem não fazer nada, simplesmente nada. Numa rápida googada, descubro que o nadismo já tem diretrizes!



1. STOPNJOY!

Este tempo é totalmente seu para que você desfrute o fazer nada sem pressa.



2. ENTREGUE-SE!

Abandone a intenção de fazer nada. Esqueça qualquer objetivo, o nadismo não tem nenhum propósito.



3. SOSSEGUE!

Privilegie o silêncio e a imobilidade.



4. OBSERVE!

Evite ocupar-se mentalmente. Deixe a mente vagar como as nuvens.

É exatamente o que eu não faço. Só descanso fazendo alguma coisa: ler um livro, ouvir música, ver um filme, passear, caminhar. Penso no nadismo, mas logo pego o carro, dirijo para casa.

Bebo uma, duas taças de vinho. Escrevo, leio, vejo TV. Não sei ficar sem fazer nada porque isso aumenta a minha sensação de que o tempo ainda corre contra mim.

E eu corro contra o tempo.

http://carlarodrigues.uol.com.br/index.php/page/1 - 20/07/2008

(FRJS)Em sua crônica, a jornalista Carla Rodrigues reflete sobre as contradições da relação do homem contemporâneo com o tempo. Com base na leitura, redija um texto dissertativo sobre esse tema. Em seu texto, APRESENTE uma possível causa e uma consequência da realidade abordada.



Atenção:

  • O texto elaborado deve conter, no mínimo, 20 (vinte) linhas.

  • Não dê título à sua redação








































PROPOSTA 2

Texto 1




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