Apostila de curativo funec – fundamentos II



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Fricção “SHEAR”

  1. Problema: requer assistência moderada para máxima na movimentação; elevação completa sem deslizar contra lençóis é impossível; freqüentemente escorrega para baixo na cadeira ou cama, requerendo reposicionamento freqüente com assistência máxima; contraturas ou agitação leva a fricção quase constante.

  2. Problema potencial: movimenta-se fracamente ou requer assistência mínima; durante um movimento a pele provavelmente escorrega em alguma extensão contra lençóis, cadeiras, restrições ou outros dispositivos; mantém relativamente boa posição na cadeira ou cama na maior parte do tempo, mas ocasionalmente escorrega para baixo.

  3. Sem problema aparente: movimenta-se independentemente na cama e na cadeira e tem força muscular suficiente para erguer completamente durante o movimento; mantém boa posição no leito ou cadeira durante todo o tempo.

A nota máxima é 23 pontos. A nota de corte é 16. Abaixo de 16 o paciente possui grau maior de risco.

9. FERIDAS PATOLÓGICAS MAIS COMUNS
9.1 Úlcera Venosa
Associada à insuficiência venosa crônica, incompetência valvar, hipertensão venosa, trombose venosa profunda e disfunção da bomba muscular da panturrilha da perna.

Os músculos da panturrilha exercem contração a fim de impulsionar o sangue dos MMII para o coração; as vavulas venosas se fecham evitando fluxo retrogrado.

Numerosas desordens levam a incompetência valvular e ao comprometimento da contração dos músculos da panturrilha, contribuindo para que o sangue ( que deveria estar retornando ao coração ) fique acumulado na circulação dos MMII.

O acúmulo de sangue nas veias dos membros inferiores torna a circulação mais lenta ( estase venosa ou insuficiência venosa crônica) causando danos:




  • Veias varicosas ( superficiais ou profundas) – são veias tortuosas e dilatadas devido á congestão sanguínea.

  • As veias estando dilatadas devido ao congestionamento sanguíneo, se tornam mais finas, permeáveis; permitindo o extravasamento de plasma e soro sanguíneo, levando ao edema de MMII.

  • Uma pigmentação acastanhada ou avermelhada pode ser observada na extremidade do membro inferior; e resulta também do congestionamento de sangue , que permite o extravasamento de células vermelhas do sangue para a pele. Tal pigmento é chamado de hemossiderina ( rico em ferro)

  • O eczema é uma condição muito comum que pode ser o aspecto de eritema escamoso com prurido e exsudato ocasional, que se desenvolve em resposta ao ressecamento crônico causado pela falta de oxigênio e nutrientes.

  • As úlceras podem surgir a partir de traumas ( mecânicos, químicos, térmicos ou decorrentes de prurido).


9.2 Úlcera Arterial
Causada pela perfusão arterial insuficiente, que consequentemente leva á má perfusão dos tecidos e a morte celular.

A insuficiência arterial na maioria das vezes é causada pela doença vascular periférica; que resulta de doenças sistêmicas crônicas.

Vários fatores genéticos e ambientais contribuem para a doença vascular periférica:


  • Tabagismo – reduz o fluxo sanguíneo para as extremidades e contribui para o aparecimento de arterosclerose,

  • Diabetes mellitus – ao longo dos anos danifica artérias, comprometendo a circulação.

  • Hiperlipidemia – favorece o acúmulo de placas de gorduras na parede das artérias, comprometendo a circulação,

  • Hipertensão arterial – acelera a aterogenese e aumenta a incidência de doença do coração e acidente vascular cerebral.

A valiação dos pulsos periféricos ( femural, poplíteo, tibial posterior e dorsal do pé ), da temperatura e da coloração das extremidades pode revelar sinais de comprometimento na perfusão sanguínea.

O trauma é o evento de maior freqüência para desencadear as úlceras artérias dos MMII. Quando este ocorre, mesmo que seja pequeno, uma resposta inflamatória é iniciada; sendo necessário um suprimento sanguíneo adequado, caso contrário ocorrerá hipóxia e morte tecidual.


10. ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PACIENTE OSTOMIZADO


  1. Quem é ostomizado ?

Todo indivíduo que, devido determinada doença ou ferimento no aparelho digestivo ou urinário, necessita de uma cirurgia onde será feita uma abertura artificial no organismo ( abdome ).Através dessa abertura (ostoma), acontecerá a saída das eliminações naturais do organismo.



Ostoma ou estoma – qualquer abertura cirúrgica de uma víscera oca ao meio externo, direta ou indiretamente. O nome do estoma é dado pela víscera em questão.


  1. Tipos de ostomia:




    1. – Ileostomia – quando a parte final do interior do intestino delgado é exteriorizada no abdome.

    2. - Colostomia – exteriorização de uma parte do intestino grosso.

    3. – Urostomia – exteriorização de uma parte do sistema urinário.

Quanto a duração ela ser temporária ou permanente.


  1. Causas

Existem vários motivos que levam uma pessoa a precisar de uma ostomia.




    1. – Traumatismos – Ferimentos por arma de fogo,arma branca,acidentes automobilísticos.

    2. - Doenças Inflamatórias: Tais como a doença de Crhon ( inflamação do íleo ou cólon ,produz granulação e fibrose – estreita a luz do intestino-obstrução) e reto colite ulcerativa, que geralmente levam a uma ileostomia.

    3. – Má formação congênita do intestino ou sistema urinário.

(deve ser corrigido logo após o nascimento ou na primeira infância)

3.4 - Doenças Hereditárias

3.5 – Câncer de intestino grosso ou de bexiga

3.6 – Doenças Agudas: obstrução intestinal, volvo e divertículos de intestino grosso.


A maior incidência de ostomizado está na faixa etária de 20 a 59 anos, que é considerada faixa produtiva de trabalho.

4. Quanto a Ileostomia


O ostoma é localizado do lado direto do abdome, pouco abaixo da linha da cintura.

O diâmetro do ostoma varia de 2,5 a 4 cm, e o formato varia de acordo com o tipo de cirurgia.

A coloração do ostoma varia entre rosado e vermelho, brilhante. Características semelhante a mucosa oral.

As fezes, geralmente são líquidas ou semi-líquidas, de odor ligeiramente ácido.

O ostoma é umedecido por muco e há também liberação de enzimas juntos com as fezes que podem causar dermatites.

Poderá haver diminuição do volume urinário, pois maior quantidade de água do organismo está sendo perdida nas fezes.

A ileostomia é incontinente, ou seja, o conteúdo do íleo é geralmente líquido e não há controle esfincteriano.


  1. Quanto a Colostomia à Direita

Ocorre geralmente quando o cólon ascendente ou transverso é exteriorizado.

Cerca de 2 cm do intestino são exteriorizados para a que as fezes caiam diretamente na bolsa, sem contato com a pele.

As fezes são geralmente pastosas, o odor depende da alimentação e da ação das bactérias nos alimentos.

Há produção de muco pelo intestino, que é eliminado pelo ostoma podendo provocar dermatites.

Também é incontinente.




  1. Quanto à colostomia à Esquerda

A parte do intestino a ser exteriorizada pode ser o cólon transverso ou descendente.

Se a exteriorização for do cólon transverso, a ostomia possuirá as mesmas características descritas para as colostomias à direita, embora se localize à esquerda.

Se a exteriorização for do cólon descendente ou do sigmóide, as fezes são, geralmente menos prejudiciais à pele; devido a uma menor quantidade de enzimas que a irritam.

As fezes são pastosas ou semi-sólidas, e as eliminações geralmente acontecem em períodos regulares do dia (principalmente após grandes refeições).

A pessoa colostomizada à esquerda pode usufruir de um treinamento específico, para que a eliminação das fezes ocorra somente uma vez ao dia. Esse treinamento é chamado de IRRIGAÇÃO (uma alternativa para a eliminação das fezes em horário pré-estabelecido)




  1. Quanto à Urostomia

A localização da urostomia dependerá da parte do aparelho urinário que foi removida na cirurgia. Geralmente, é do lado direito e o ostoma é de pequeno diâmetro.

É importante saber que haverá gotejamento constante de urina; o odor é característico.

É aconselhável que a ingestão de líquidos seja abundante, para impedir que a urina torne-se concentrada, ocasionando complicações.

A bolsa utilizada deve ser drenável e poderá ser adaptada a um conector (extensão) para drenagem noturna.


  1. Demarcação do Local do Ostoma

Porque razão se deve selecionar o local?

Por que é um direito adquirido em lei de 1986, e além disso porque deve levar em consideração alguns fatores que facilita o auto-cuidado.

Quando realizar a demarcação?

No pré-operatório

Quem realiza a demarcação?

Enfermeira estoma terapeuta ou enfermeira da unidade, em conjunto com o cirurgião e com a participação do paciente.


  1. Fatores considerados na seleção do local:

- Localização do músculo retro-abdominal.

- Manutenção de uma área adesiva suficiente para fixação da bolsa

- Manutenção de uma distância adequada da incisão cirúrgica. (+ ou - 5 cm da incisão cirúrgica)

- Observar se há cicatrizes anteriores.

- Avaliar abdome quanto a presença de pregas ( pacientes obesos). O paciente precisa ver o ostoma para se cuidar.

- Uso de cadeira de rodas (marcar com o paciente sentado).

-Paciente com dois ostoma. O ideal seria um ostoma de cada lado; cuidado para que uma bolsa não interfira na fixação da outra.

10. Considerações Psicossociais
Como conviver coma ostomia?
O ostomizado atravessa várias fases:

Choque


Descrença na vida

Negação


Rejeição

Raiva


Restauração ( depende do trabalho da equipe)
Todas estas fases estão relacionadas a imagem corporal, que é mudada quando somos submetidos a uma ostomia.
A imagem corporal é a idéia que a pessoa tem de seu próprio corpo, e vai se formando ao longo de nossa vida.
As modificações experimentadas pelos ostomizado de ambos os sexos estão relacionados à sua capacidade de retornar ao trabalho e a vida social, e de ter confiança e independência para manejar seu próprio ostoma.
É importante determinar qual é o conhecimento do paciente sobre a ostomia.
Será que o paciente sabe onde se localizará e como funcionará o ostoma?
Já viu os tipos de equipamentos disponíveis e como se usa?
Será que está ciente do tipo e da freqüência das eliminações?
O ser humano tem capacidade de explora, entender, decidir, enfrentar desafios e perdas, como amputação e mutilação, e transformar esta realidade no seu estilo de vida.
Para isso é fundamental importância todo tipo de apoio positivo que será dado pela equipe multiprofissional e também pelos familiares, amigos e outros ostomizado já reabilitados; facilitando seu restabelecimento e retorno ás atividades anteriores.

11.Principais Complicações dos Estomas


- Prolapso dos estomas

Queda ou deslocamento de um órgão de seu lugar normal, em extensão variável, por insuficiência de seus meios de fixação.

As principais causas de prolapso estão relacionadas as condições no intra-operatório e a técnica cirúrgica utilizada.

Podem aparecer complicações inesperadas, como uma abertura da parede abdominal maior que a alça intestinal.


- Hérnias para-estomal

Aparecem mais nas colostomias e estão relacionadas com a fragilidade abdominal (abertura grande do músculo retro-abdominal).


- Retração dos ostoma

Dificulta a coloração do dispositivo, desviando as fezes para fora da bolsa, facilitando as dermatites.


- Dermatites peri-estoma

Mais comuns quando há efluentes mais líquidos.


1 Dermatite irritativa ou de contato

Causada pelas secreções do estoma, sabões e desodorantes.


2 Dermatite alérgica

Provocada por qualquer elemento do dispositivo usado (adesivo, barreira ou o plástico ).




  1. Dermatites provocadas por trauma mecânico

Técnicas abrasivas de limpeza, remoção traumática ou fricção.


  1. Infecção por fungos, dermatite infectada por fungos.

12 Como Tratar as Dermatites


- Prevenção

Escolha do equipamento adequado

Pesquisar hipersensibilidade

Boa higiene com água e sabão neutro

Secar bem a região ( não friccionar)

Afastar o alergeno

Não usar éter para retirar bolsa, nem benjoim para película protetora.

Usar barreiras protetoras como pasta (ajudam a aderir o dispositivo sem contato direto com a pele)

Nistatina oral, para dermatite infectadas por fungos
Cuidados do paciente com ostomia intestinal, baseados no diagnóstico de Enfermagem:
1 Déficit de conhecimento do procedimento cirúrgico e do preparo pré-operatório.


  • Fornecer informações sobre o pré e pós operatório: os cuidados a serem realizados a prevenção de infecção.

  • Ajudar na sondagem nasogástrica, fornecendo informações a respeito. É utilizada para descomprimir e drenar o conteúdo gastrointestinal antes e após a cirurgia.

2 Ansiedade relacionada à imagem corporal alterada.




  • Encorajar o paciente a verbalizar os sentimentos em relação ao estoma.

  • Oferecer-se para estar presente na primeira troca do dispositivo; sugerindo a participação de um ente-querido. A ansiedade pode ser diminuída se as questões forem respondidas imediatamente.

3 Ansiedade relacionada com a perda do controle intestinal.




  • Informar sobre a função intestinal após a cirurgia, características do efluente, freqüência.

  • Ensinar o paciente como escolher, preparar os cuidados com a bolsa a ser usada.




  1. Potencial de risco para deterioração da integridade da pele, relacionada a irritação provocada pelas fezes.




    • Informar sobre sinais e sintomas de pele irritada ou inflamada.

    • Ensinar ao paciente como limpar a pele periestomal.

    • Demonstrar como limpar uma barreira cutânea e como remover a bolsa. Separar com delicadeza o adesivo da pele para evitar irritações. Nunca puxar, usar SF se precisar


  1. Potencial de risco para alteração nutricional




  • Realizar avaliação nutricional. Adieta deve ser balanceada para suprir as necessidades. Importante obter uma ingestão nutricional adequada.

  • Informar o paciente sobre sua alimentação após a alta. O que comer? Como evitar o odor e flatulência?”




  1. Disfunção sexual relacionada com a imagem corporal alterada.




  • Encorajar o paciente a verbalizar seus temores.

  • Recomendar posições sexuais alternativas. Procurar ajuda de um terapeuta.




  1. Potencial de risco para déficit no volume de líquido.

Desidratação relacionada a anorexia, vômito,diarréia.


  • Controle de ingestão e excreção de líquidos

  • Avaliar os valores séricos de sódio e potássio

  • Observar e registrar o turgor da pele e o aspecto da língua. Refletem o estado de hidratação.

“BOA VIDA REQUER MAIS DO QUE SIMPLE ACESSO ÀS COISAS MATERIAS”


Campbell


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