Apontamentos de tecnologia farmacêutica



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Encontro11.06.2018
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Apontamentos de tecnologia farmacêutica

Classificação dos medicamentos


Os medicamentos podem ser classificados em simples ou compostos, de uso externo ou interno. Se atendermos ao número de substâncias activas podemos classificar de simples os medicamentos que têm apenas uma substância activa e de compostos os que tem mais que uma substância activa. Quanto ao tipo de administração podemos classificar em interno (pode ser usado também externamente) e externo (tem que ser bem assinalados aparecendo nas embalagens o “uso externo” em fundo vermelho; podem ser apenas usados no meio externo, ou seja, pele ou mucosas acessíveis do exterior. Os medicamentos que uso interno são colocados em locais aos quais não temos acesso directo.

O facto do medicamento ser interno ou externo não tem nada haver com a acção tópica ou acção sistémica: o facto de ser de uso externo não quer dizer que não se atinja a corrente circulatória e exemplo disso são os sistemas transdérmicos; há também medicamentos de uso interno que não vão parar à circulação e são exemplo disso os pensos gástricos para protecção em casos de úlcera; no caso de uma infecção bacteriana intestinal o antibiótico actua na cavidade e não no sistema interno.


Classificação quanto ao sistema terapêutico subjacente


Existem duas vertentes de medicamentos:

  • medicamentos alopáticos - são os o medicamentos usuais estudados no âmbito da farmacologia; a substância activa vai ter uma acção que contraria o estado fisiopatológico;

  • medicamentos homeopáticos - São medicamentos com alguma tradição dependendo do país, não havendo hoje ainda muitos prescritores para este grupo de medicamentos; a área da homeopatia é uma área científica considerada no âmbito da Farmacopeia portuguesa; é uma matéria com base científica mas contém também parte que não assenta em bases científicas. O objectivo desta corrente é provocar uma acção semelhante ao estado fisiopatológico. E com que objectivo? Para estimular o organismo através do seu sistema imunitário proporcionando uma auto-cura; os glóbulos brancos são células envolvidas nas nossas capacidades de defesa e são mobilizadas por este tipo de terapia. Apesar disso não é eficaz para todos os casos: em síndromes gripais não se obtém bons resultados; uma forma de perceber o modo de actuação da homeopatia é fazendo analogia com a base científica assente na das vacinas.

Homeopatia


Devemos ter em conta dois pontos de vista desta corrente:

  • todo o medicamento activo provoca uma "doença";

  • deve imitar-se a natureza; cura-se uma doença com outra doença (contra-doença), ou seja, numa doença que se pretende curar usa-se o medicamento que consegue causar uma doença artificial semelhante;

A homeopatia obedece ao princípio da dinamização: dilui-se as substâncias activas com substâncias inertes várias vezes de modo a modular a doença; tem-se assim muito pouca quantidade de substância activa para que a contra-doença não seja prejudicial.

Princípios da homeopatia:

  • similitude: no indivíduo saudável, o preparado homeopático causa doença que é semelhante em sintomas à doença que o indivíduo doente tem;

  • totalidade: tratamento como um todo e não como uma doença determinada;

  • infinitesimalidade: o uso de inúmeras diluições; diluições do tipo decimal (DH, 1,2 ,3 ,4, etc) e de tipo centasimal (CH); usa-se a agitação forte para promover a transferência da energia da substância activa para as substâncias inertes; Algumas diluições são superiores ao número de Avogadro e já não contêm qualquer substância activa.

As farmacopeias abarcam as preparações homeopáticas. Por exemplo a farmacopeia francesa tem partes de monografias dedicadas à homeopatia.

Classificações dos medicamentos quanto à sua dispensa


Medicamentos não sujeitos a receita médica(MNSRM)- São aqueles em que o farmacêutico tem um papel activo no aconselhamento e é o técnico de saúde que controla a sua dispensa;

Medicamentos sujeitos a receita médica(MSRM)- existem vários tipos de situações.

Os medicamentos sujeitos a receita médica estão regulamentados por decretos de lei. Legalmente não existem ainda receitas médicas renováveis. É o artigo 3.º que refere as situações em que deve haver prescrição.

Devem ser prescritos medicamentos que podem constituir risco e portanto estão sujeitos ao controlo de dois profissionais de saúde: o farmacêutico e o médico; Medicamentos com outras finalidades que não sejam o uso terapêutico devem também ser controladas, assim como medicamentos com efeitos secundários ainda não bem esclarecidos. Todos os injectáveis são sujeitos a receita médica. Existem casos em que as receitas médicas renováveis fazem sentido como é o caso de doenças com tratamentos prolongados sem intervenção do médico (tratamentos crónicos e que necessitam regularmente de terapêutica).

Medicamentos sujeitos a receita médica especial - são medicamentos cujas receitas são diferentes das outras; o formato e os procedimentos de dispensa são também diferentes; estupefacientes e psicotrópicos são legislados por outro decreto de lei.

É registado na dispensa o nome do o prescritor e o do doente; há todo um processo de controlo desde a produção até à dispensa mesmo a nível mundial para controlar o tráfico a nível farmacêutico.

Medicamentos de utilização anormal (abortivos por exemplo) e medicamentos sujeitos a abuso são também controlados por receita médica. Medicamentos muito recentes também devem ser sujeitos a prescrição. Medicamentos de prescrição restrita são aqueles que se usam em casos especializados geralmente diagnosticados a nível hospitalar; podem também ser usados a nível de tratamento ambulatório mas com um reacções adversas muito graves.


Modo de preparação/ conservação/ natureza da AIM


Já sabíamos que os manipulados não têm AIM; fórmulas magistrais e preparados oficinais são destinados a um doente específico. No que respeita à conservação, a estabilidade de um medicamento é descrita nas farmacopeias e formulários. No entanto, a maioria das fórmulas não é estudada quanto às condições de conservação; nestes casos o prazo de utilização é baseado em regras gerais e na experiência do profissional.

Existem várias categorias de medicamentos produzidos à escala industrial. São os que necessitam de AIM, têm uma produção autorizada e o prazo de validade é alargado. Falamos das especialidades farmacêuticas, dos medicamentos essencialmente similares (cópias) e dos genéricos. Os medicamentos essencialmente similares são especialidades farmacêuticas sobre a mesma forma farmacêutica, com a mesma substância activa e a mesma dosagem de outros medicamentos; são designadas de cópias e surgem quando as patentes de determinados medicamentos caem. Os genéricos são fabricados também pela indústria e são uma alternativa; apenas não têm nome comercial e assemelham-se também a especialidades farmacêuticas colocadas no mercado. Enquanto a patente sobre um determinado fármaco estiver nas mãos de um fabricante só ele pode produzir aquele medicamento mediante o AIM que tem; produzem um medicamento com uma marca comercial determinada; após 15 ou 20 anos essa patente cai e outras indústrias podem produzir medicamentos com a mesma substância activa. Cada um destes novos medicamentos com nome comercial necessitam de AIM e são essencialmente similares; no caso do genéricos estes tomam apenas a DCI da substância(s) activa(s). O produto de referência no qual se baseia o genérico é o primeiro a chegar ao mercado com aquela substância activa; para que este tipo de fármacos seja produzido é necessário que sejam bioequivalentes ao medicamento de referência. É assim necessária a realização de um estudo: administração a uma pessoa e verificam-se os níveis plasmáticos. A AUC, ou seja, a área sob a curva é o parâmetro que podemos avaliar para saber se os medicamentos são bioequivalentes. O estudo deve ser feito num conjunto de voluntários saudáveis obtendo-se assim resultados médios; depois de testar a especialidade farmacêutica testa-se de seguida o genérico. Se tiverem parâmetros semelhantes são considerados bioequivalentes. O genérico não pode reivindicar outras indicações terapêuticas além das que tenha a especialidade farmacêutica de referência; tem de ser é mais barato. Os estudos clínicos de genéricos podem suportar-se no medicamento de referência.




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