Aplicabilidade da acupuntura auricular no controle da dor, depressão e incapacidade em pacientes portadores de disfunção temporomandibular



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Aplicabilidade da acupuntura auricular no controle da dor, depressão e incapacidade em pacientes portadores de disfunção temporomandibular

Thais Ferreira Calegaro(PIBIC/CNPq/Unioeste), Luis Henrique Cerqueira Vila Verde, Marcio José Mendonça, Janaina Paula Aroca(Orientadora), e-mail: jparoca@uol.com.br

Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Ciências Biológicas e da Saúde/Cascavel-PR


Grande área e área: Ciências da Saúde - Odontologia
Palavras-chave: auriculoterapia, dor miofascial, DTM
Resumo
O trabalho tem por objetivo avaliar os efeitos da acupuntura auricular em indivíduos portadores de disfunções temporomandibulares, especificamente sobre o grau da dor crônica, grau de depressão, graduação de incapacidade relacionada à dor e limitações relacionadas ao funcionamento mandibular por meio de avaliações em três tempos: uma ao início, outra com quatro semanas e outra no final das oito semanas de aplicação da acupuntura auricular, tendo como base para estudo dois grupos: o acupuntura, onde foram aplicados três pontos (Temporomandibular Joint, Shem Men e coração) e o grupo Sham (helix um, dois e três) considerado grupo controle, com pontos que não teriam influência sobre os sinais e sintomas de DTM.
Introdução
As disfunções temporomandibulares (DTM) constituem um grupo de problemas clínicos que envolvem a musculatura mastigatória e a articulação temporomandibular (ATM) de forma isolada ou conjuntamente (WADHWA & KAPILA, 2008). Essas alterações podem relacionar-se a dor miofascial, deslocamento de disco articular, dor articular e degeneração ou inflamação da ATM (REISSMANN et al, 2007).

No contexto da Medicina Alternativa e Complementar, a Acupuntura Auricular (AA) apresenta-se como uma técnica de diagnóstico e tratamento e é, na atualidade, um dos mais populares graças aos resultados obtidos, baixo custo e por ser pouco invasivo, sendo bem aceito pelos pacientes. A técnica consiste na estimulação periférica de pontos, desencadeando reações neurológicas e promovendo a liberação de mediadores, como endorfina e encefalina (SOLIMAN & FRANK, 1999; GORI & FIRENZUOLI, 2007). Estudos preliminares de AA demonstraram efeitos benéficos sobre vários tipos de dor e ansiedade, incluindo dor associada ao câncer, fratura de quadril e pós-operatória de artroscopia de joelho e quadril (ALIMI et al, 2003; USICHENKO et al, 2005; USICHENKO et al, 2007).


Materiais e Métodos
Este estudo tem caráter prospectivo, realizado na Clínica Odontológica da Unioeste, iniciado em Agosto de 2014. Participaram voluntários que apresentaram três ou mais respostas positivas no questionário de triagem recomendado pela American Academy of Orofacial Pain (AAOP) para Dor Orofacial e DTM (OKESON, 1996), e que atendessem aos seguintes critérios:

Inclusão: adultos; AAOP com pontuação ≥ 3 (OKESON, 1996); DTM pelo RDC/TMD. (DWORKIN & LeRESCH, 1992).

Exclusão: DTM não dolorosa; doenças que impedissem o entendimento de alguma das etapas da pesquisa, gravidez, lesões na orelha externa ou imunocomprometimento, desordens de coagulação, doenças metabólicas, vasculares ou neoplasias, outros tipos de terapias associadas, reabilitação oral insuficiente ou incompleta. (MICHALEK-SAUBERER et al, 2007; USICHENKO et al, 2006; SHEN et al, 2009);

Os pacientes foram randomizados em 2 grupos experimentais: Grupo acupuntura auricular (intervenção – agulhamento nos pontos TMJ, Shem Men e Coração) e Grupo sham (controle – agulhamento nos pontos Helix 1, Helix 2 e Helix 3).

O protocolo foi aplicado uma vez por semana, por 4 semanas, e as agulhas de AA mantidas por um período máximo de 48 horas. (SATOR-KATZENSCHLAGER et al, 2004). A avaliação por meio do RDC/TMD foi realizada no T0 (antes do início do tratamento) e T1 (após 4 aplicações semanais de acupuntura). Será realizada nova avaliação pós o término do total de 8 semanas de aplicação.
Resultados e Discussão
Foram avaliados 240 voluntários por meio do questionário de triagem para DTM da AAOP. Destes, 27 atendiam aos critérios de inclusão e exclusão, e foram inicialmente avaliados por meio do RDC/DTM. Após a avaliação inicial, 11 voluntários desistiram de participar da pesquisa, e 16 voluntários foram então randomizados entre os dois grupos experimentais, perfazendo um n=8 para cada grupo. Ao longo das semanas de tratamento, dois voluntários do grupo AA desistiram de participar da pesquisa e, portanto, as 4 semanas de tratamento foram concluídas com n=6 no grupo AA e n=8 no grupo sham. Destes 14 participantes, no grupo AA participaram 2 homens e 4 mulheres, no grupo Sham 2 homens e 6 mulheres, com idades entre 18 e 27 anos e uma média de idade de 20,5.

Sobre o grau da dor crônica avaliada e a incapacidade a ela relacionada (escores de 0 a 4), no grupo AA a média em T0 era de 1,33±0,51 e no T1 de 1,33±0,51. No grupo sham a média em T0 foi 1,25±0,46 e T1 foi 1,12±0,35.

Em relação ao grau de depressão avaliada (escores de 1 a 3), no grupo AA a média em T0 era de 2,16±0,75 e T1 2,16±0,98. Já no sham, a média em T0 foi 1,87±0,64 e T1 1,62±0,51.

Acerca do grau de somatização dos sintomas (escores de 1 a 3), os valores médios para AA no T0 foram de 2,5±0,83 e no T1 2,16±0,75; No grupo sham os valor médio em T0 foi 2±0 e T1 1,62±0,74.

Quanto às limitações relacionadas ao funcionamento mandibular, o grupo AA apresentou valores médios em T0 de 0,22±0,22 e em T1 de 0,12±0,08; no grupo sham os valores médios foram de T0 de 0,42±0,20 e T1 0,24±0,17.

As tabelas abaixo demonstram a freqüência dos graus de depressão, somatização e incapacidade nos tempos de avaliação para os dois grupos.







AA

Sham




T0

T1

T0

T1

Grau 1 – normal

16,7%

33,3%

25,00%

37,50%

Grau 2 – moderada

42,9%

16,7%

62,50%

62,50%

Grau 3 – severa

40,0%

50,0%

12,50%

0,00%

Tabela 1. Freqüência do grau de depressão nos grupos avaliados.






AA




Sham







T0

T1

T0

T1

Grau 1 – normal

17%

17%

0%

50%

Grau 2 – moderada

17%

50%

100%

38%

Grau 3 – severa

67%

33%

0%

13%

Tabela 2. Grau de somatização nos grupos avaliados.





AA

Sham




T0

T1

T0

T1

Grau 0 - ausência de dor

0,0%

0,0%

0,0%

0,0%

Grau I – baixa incapacidade e baixa intensidade de dor

66,7%

66,7%

75,0%

87,5%

Grau II – baixa incapacidade e alta intensidade de dor

33,3%

33,3%

25,0%

12,5%

Grau III – alta incapacidade e limitação moderada

0,0%

0,0%

0,0%

0,0%

Grau IV - alta incapacidade e limitação severa

0,0%

0,0%

0,0%

0,0%

Tabela 3. Grau de incapacidade relacionada à dor crônica.
Apesar de estudos preliminares relatarem efeitos positivos da AA sobre diferentes tipo de dor (ALIMI et al, 2003; USICHENKO et al, 2005; USICHENKO et al, 2007), os nossos resultados não demonstram diferenças entre T0 e T1 para as variáveis avaliadas em ambos os grupos, possivelmente devido ao fato que de somente foram aplicadas quatro das oito semanas de protocolo do tratamento. Assim, aguardamos o término das 8 aplicações para nova avaliação e conclusão dos resultados.

Conclusões
Pode-se concluir que, de acordo com os resultados obtidos até o momento, a AA parece não promover efeitos benéficos sobre a dor, incapacidade relacionada à dor crônica, depressão e somatização em pacientes portadores de DTM quando comparada ao grupo sham.
Agradecimentos
À Fundação Araucária pela concessão da bolsa de iniciação científica.
Referências
Alimi D, Rubino C, Pichard-Léandri E, Fermand-Brulé S, Dubreuil-Lemaire ML, Hill C. Analgesic effect of auricular acupuncture for cancer pain: a randomized, blinded, controlled trial. Journal of Clinical Oncology, v. 21, p. 4120-6, 2003.
Dworkin SF, LeResche L. Research diagnostic criteria for temporomandibular disorders: review, criteria, examinations and specifications, critique. Journal of craniomandibular disorders, v. 6, p.301-55, 1992.
Gori L, Firenzuoli F. Ear acupuncture in European traditional medicine. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine, v.4, p.13-6, 2007.
Mazzetto MO, Carrasco TG, Bidinelo EF, de Andrade Pizzo RC, Mazzetto RG. Low intensity laser application in temporomandibular disorders: a phase I double-blind study. Cranio, v.25, p.186-92, 2007.
Okeson JP. Orofacial pain; guidelines for assessment classification, and management. Hanover Park, IL: The American Academy of Orofacial Pain, London: Quintessence Publishing Co., 1996.
Reissmann DR, John MT, Schierz O, Wassell RW. Functional and psychosocial impact related to specific temporomandibular disorder diagnoses. Journal of Dentistry, v.35, p.643-50, 2007.
Soliman N, Frank BL. Auricular acupuncture and auricular medicine. Physical Medicine and Rehabilitation Clinics of North America 1999; 10: 547-54.
Usichenko TI, Dinse M, Pavlovic D, Lehmann C. Hemorrhage after auricular acupuncture due to postoperative dilutional thrombocytopenia. Anesthesia and Analgesia, v.103, p.1333-4, 2006.



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