Ao longo dos anos, têm surgido muitos produtos alternativos à telha cerâmica



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Anais do 45º Congresso Brasileiro de Cerâmica 040530

30 de maio a 2 de junho de 2001 - Florianópolis – SC



A QUALIDADE DAS TELHAS CERÂMICAS COMERCIALIZADAS NA CIDADE DE CAMPINA GRANDE - PARAÍBA

M. P. R. Júnior, R. S. Macedo e H. C. Ferreira.

Av. Aprígio Veloso, 882; E-mail: Moises-jr@bol.com.br

Telefax: (083) 310-1180 - 58970-900 - Campina Grande – Paraíba UFPB/CCT/DEMa



RESUMO



Nos últimos anos, têm-se intensificado a busca pela qualidade dos produtos empregados na construção civil, seja para evitar desperdícios, aumentar a produtividade, minimizar custos e aumentar a vida útil das construções. Tendo em vista tais fatos, será analisada a qualidade das telhas cerâmicas comercializadas na cidade de Campina Grande – PB. A coleta das amostras foi realizada nos depósitos de materiais de construção da cidade, sendo encontrado uma grande variedade do produto e locais de fabricação. Para viabilizar este trabalho, foram realizados ensaios de acordo com as normas propostas pela ABNT. Os resultados obtidos indicam que a maioria das telhas comercializadas em Campina Grande, não satisfazem as normas da ABNT.

Palavras-chaves: telhas cerâmicas, normas, qualidade

INTRODUÇÃO


Ao longo dos anos, têm surgido muitos produtos alternativos à telha cerâmica. Porém, constatamos que por mais que surjam novos produtos para coberturas, geralmente são mais caros ou de menor eficiência, sem falarmos nas suas vantagens térmicas e sua incontestável durabilidade, atravessando centenas de anos com a mesma qualidade.

O uso das telhas cerâmicas no país ocorre desde o descobrimento do Brasil. Onde, inicialmente, as telhas eram conformadas manualmente com mão-de-obra escrava, moldadas nas suas pernas.

As telhas cerâmicas são componentes utilizados para coberturas, onde são empregadas praticamente em todas as regiões do país, apresentando variadas conformações e características técnicas. Estas, geralmente, são constituídas por argilas quaternárias recentes do tipo caulinita e/ou ilita associada à matéria orgânica e geralmente contém elevados teores de óxidos de ferro, devendo-se usar a matéria-prima melhor selecionada e preparada, face às características que deverão ser compatíveis com a utilização do produto.

A massa argilosa é conformada por extrusão com umidade entre 20% e 25% aproximadamente, na forma de um bastão com seção quadrada ou cilíndrica e cortadas em segmentos compatíveis com o volume da telha. Posteriormente são prensadas, obtendo-se a forma final do produto através do molde tipo macho e fêmea. Passam pelo processo de secagem e em seguida são queimadas em temperaturas entre 900ºC e 1100ºC (1).

Atualmente há uma grande tendência do uso de telhas esmaltadas que se adaptam ao estilo e se harmonizam com os aspectos externos da obra, em cores variadas. Estas são obtidas pelo processo de biqueima e monoqueima. Porém, não têm utilização em habitações de cunho social, devido ao alto custo e exigências com relação a sua fixação individual sobre a estrutura do telhado (2),(3),(4).

O setor de cerâmica vermelha ou cerâmica estrutural, que fabrica tijolos, blocos, telhas, tubos, lajes, lajotas, agregado leve de argila expandida e numerosos artigos utilitários ou decorativos, é considerado o “primo pobre” da cerâmica. Cerca de 90% das empresas do mesmo ou são microempresas familiares, com atividades essencialmente manuais, constituindo as chamadas “olarias”, ou são empresas de pequeno a médio porte utilizando, em sua grande maioria, tecnologia desenvolvida há mais de cinqüenta anos (5).

Tal indústria não exige mão-de-obra especializada, pois na maioria dos casos, trata-se de pequenos estabelecimentos, dispersos por uma área enorme e com um volume de produção individual bastante limitado. Tais olarias não podem admitir um engenheiro ou químico em sua organização, nem cogitar de equipar um modesto laboratório para que haja um controle analítico e técnico das matérias primas e dos produtos acabados, como ocorre nas indústrias de maior porte. Sendo assim, há a contratação de um gerente ou encarregado de produção que já tenha alguma experiência em instalações desse tipo(6).

Os fabricantes de telhas cerâmicas, que hoje são cerca de 5 mil, sabem que o mercado está cada vez mais competitivo e que todo trabalho para se manter na disputa deve ser executado. Está sendo articulada por intermédio do comitê da ANICER, a padronização de algumas normas relativas aos aspectos comuns a todos os modelos, como resistência, absorção de água, ao invés de existirem normas segmentadas.

O mercado de telhas cerâmicas tem passado por alguns ajustes dada a concorrência com fabricantes de coberturas de outros materiais como amianto e alumínio. Embora a concorrência com outros materiais esteja mais acirrada, a abrangência das telhas cerâmicas no uso residencial ainda persiste. O desafio para o setor será manter sua posição no mercado e mostrar-se mais ao consumidor final a fim de que reconheça melhor suas propriedades (7).

Na Paraíba, um dos estados mais pobres da federação, alguns prefeitos das cidades do Cariri têm procurado a Universidade Federal da Paraíba, em busca de informações técnicas sobre o possível aproveitamento das jazidas para utilização cerâmica, de forma comunitária, visando à fabricação de produtos de cerâmica vermelha mais especificamente de tijolos e telhas. Neste estado, a industrialização de telhas é de pequeno porte e o número de fabricante de telhas é muito reduzido, funcionando com estrutura quase que artesanal. Para atender a demanda, principalmente da cidade de Campina Grande, a oferta de telhas cerâmicas em sua maioria é de outros estados, tais como RN, MA e MG. Contrastando com a maioria, há empresas que fizeram grandes investimentos em infra-estrutura produtiva, mas não se dedicaram à qualificação da mão-de-obra, fazendo com que o rendimento continue sendo muito similar ao de empresas mais artesanais(8).

Verifica-se no país uma grande diversificação de telhas que variam de região para região, causando uma desordenação no mercado, pois existem telhas de mesma forma, mas com dimensões bastante diferenciadas. Diante de tal fato, a ABNT e o INMETRO, visando disciplinar o mercado, decidiram normalizar apenas as telhas tipo Capa e Canal (colonial, paulista e plan), Francesa ou Marselha e a Romana. As mesmas devem apresentar cozimento uniforme, indicado pelo som metálico, quando suspensas pela extremidade e percutidas; superfícies lisas, para facilitar o escoamento da água; inexistência de fissuras, microfissuras, esfoliações, quebras, rebarbas ou deformações que prejudiquem o perfeito encaixe entre os componentes. Além destas características, as telhas devem estar em conformidade com as normas vigentes no que diz respeito à massa máxima, caracterização geométrica (forma, dimensão, espessura e empeno), impermeabilidade, absorção de água e ruptura a flexão mínima (9).

De acordo com a filosofia normativa vigente, é necessário uma norma para cada modelo de telha. Se mudarmos 1 cm, tratar-se-á de um novo modelo. A dificuldade em normalizar modelos de regiões diferentes seria intransponível (10). No Brasil, pelo sistema atual, cada produto exige uma norma e uma definição distinta. Se todas as variedades existentes no país fossem objeto de normalização, o processo seria infindável. Apenas para compararmos o volume de normas existentes em nosso sistema, atualmente contamos com 12 normas relacionados com alguns modelos de telhas cerâmicas. A Comunidade Européia – CE utiliza apenas 05 normas para totalizar todas as telhas cerâmicas (11) .

Entre as dificuldades que emperram o desenvolvimento das indústrias de cerâmica vermelha do Estado da Paraíba destacam-se as irregularidades na atividade extrativas da lenha e argila; anormalidades trabalhistas; falta de planejamento; dificuldades no gerenciamento; desperdício de matéria-prima, energia e combustível; inexistência de linhas de crédito específicas; desconhecimento da normalização dos produtos finais; falta de controle de qualidade e processos tecnológicos antiquados (8).

Este trabalho tem como objetivo, dar continuidade ao estudo da qualidade dos produtos de cerâmica vermelha produzidos/comercializados no Estado da Paraíba, especificamente as telhas cerâmicas comercializadas na cidade de Campina Grande, frente às normas da ABNT.

MATERIAIS E MÉTODOS
Materiais
Para o desenvolvimento desta pesquisa foram coletadas seis amostras de telhas cerâmicas das mais populares, do tipo Capa e Canal, encontradas nos principais depósitos de materiais de construção da cidade de Campina Grande.

Métodos
Os ensaios foram realizados com doze unidades para cada amostragem, onde a caracterização físico-mecânica foi realizada de acordo com os métodos de ensaios constantes nas normas da ABNT, especificados nas NBRs que seguem:

1- NBR 9601/1986 – Telha Cerâmica de Capa e Canal – Especificação.

Trata das condições gerais de: Identificação (na face interior, em alto ou baixo relevo, deve conter a marca e cidade do fabricante), Aspecto Visual (não deve conter fissuras, esfoliações, rebarbas ou quebras), Característica do som e Características geométricas.

2- NBR 9598/1986 – Telha Cerâmica de Capa e Canal Tipo Paulista – Dimensões e Padronização.

3- NBR 9600/1986 – Telha Cerâmica de Capa e Canal Tipo Colonial – Dimensões e Padronização.

4- NBR 8947/1985 – Determinação da Massa e Absorção de Água.

A absorção de água na telha não deve ser superior a 20%.

5- NBR 8948/1985 – Verificação da Impermeabilidade.

Quando submetida ao ensaio, não poderá apresentar vazamento ou formação de gotas na face interior, podendo, porém, formar mancha de umidade.

6- NBR 9602/1986 – Telha Cerâmica de Capa e Canal – Determinação de Carga de Ruptura à Flexão.

Determina que a telha suporte uma carga não inferior a 1000N.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Analisaremos então, os resultados obtidos das condições gerais e específicas dessa primeira etapa do trabalho com telhas cerâmicas.

Na Tabela I, segue os resultados obtidos na avaliação das condições gerais (NBR 9601/1986) dos tópicos que se seguem.


Identificação
Apenas as amostras A e F estavam em conformidade, as demais não continham qualquer marcação.

Aspecto Visual
Nenhum tipo de telha estava em conformidade, pois continham fissuras, rebarbas ou quebras.
Característica Sonoras
Os tipos A, E e F tiveram, repercutidos um som metálico, os demais um som abafado.
Características geométricas
Quanto a dimensão, não nos foi possível enquadrar as amostras estudadas dentro das normas existentes na ABNT para telha do tipo capa e canal. Sabemos, apenas, que as mesmas são do tipo capa e canal, porém sem normalização específica.

Quanto a espessura, obtivemos uma média de 8mm para todas as amostras estudadas, que é bem inferior ao que determina a norma para as telhas do tipo paulista ou colonial, que é de 13mm.

Quanto ao empeno, este deve ser inferior a 5mm, porém encontramos, dentre os tipos estudados, um índice superior a 30% para cada amostragem. Tal fato ocorrendo, provavelmente, por serem de pequena espessura e bastante extensa, o que causa deformações na secagem ou queima.
Tabela I – Condições Gerais das Telhas Cerâmicas


Amostra

Identificação

Aspecto Visual

Característica Sonoras

Características Geométricas

Dimensão

Espessura

Empeno

A

Aprovada

Reprovada

Aprovada

Não se aplica

8,1mm

Reprovada

B

Reprovada

Reprovada

Reprovada

Não se aplica

7,8mm

Reprovada

C

Reprovada

Reprovada

Reprovada

Não se aplica

8,5mm

Reprovada

D

Reprovada

Reprovada

Reprovada

Não se aplica

8,2mm

Reprovada

E

Reprovada

Reprovada

Aprovada

Não se aplica

8,0mm

Reprovada

F

Aprovada

Reprovada

Aprovada

Não se aplica

8,9mm

Reprovada

Na avaliação das características específicas obtivemos os resultados expostos na Tabela II, dos itens que se seguem.


Massa
Não nos foi possível enquadrar as amostras dentro das normas existentes, mas verificamos que as mesmas são bastante leves se compararmos com os padrões máximos das telhas normalizadas (média de 2700g).

Absorção de água

Todas as amostras atenderam satisfatoriamente às exigências da norma – NBR 8947/1985, ou seja, nenhuma ultrapassou os 20% de absorção máxima.


Impermeabilidade
Todas as amostras atenderam às exigências da norma – NBR 8948/1985, ou seja, nenhuma apresentou vazamento ou formação de gotas no seu inferior após as 24 horas sob um tubo com uma coluna de água de 250mm de altura e 40mm de diâmetro, porém todas apresentaram manchas de umidade.
Ruptura a flexão
Entre as amostras dos diversos tipos de telha, apenas quatro peças não conseguiram suportar aos 1000N mínimos exigidos na NBR – 9602/1986, porém estas foram descartadas, pois nas unidades C9, D10 e E8 verificou-se um empeno que não possibilitou um apoio satisfatório e exigido na norma, já a amostra E10 continha uma saliência, o que concentrou a força aplicada naquele ponto, fazendo-a romper rapidamente. Verificamos também, que a espessura onde as telhas romperam neste ensaio, não ficou distante da sua média, mostrando que as mesmas não tiveram grandes variações que pudessem fragilizá-las em pontos específicos.
Tabela II – Condições Específicas das Telhas Cerâmicas

Amostra

Massa (g)

Absorção de água (%)

Impermeabilidade

Ruptura à Flexão mínima (N)

A

1163,5

10,30

Aprovada

1029

B

1177,2

11,21

Aprovada

1500

C

1035,3

15,71

Aprovada

1068

D

1197,0

12,38

Aprovada

1300

E

1054,7

11,86

Aprovada

1206

F

1140,5

10,71

Aprovada

1494

CONCLUSÃO


Foram analisadas, nesta primeira etapa, seis amostras de telhas cerâmicas comercializadas na cidade de Campina Grande, visando atestar a qualidade das mesmas diante das normas técnicas da ABNT, concluiu-se ao final deste trabalho que:

1- Nenhum dos tipos das amostras analisadas foi aprovada segundo as normas da ABNT para telhas cerâmicas do tipo capa e canal.

2- Inexiste uma padronização eficaz que possa abranger todos os tipos de telhas fabricadas ou que as limite a um padrão mais amplo.

3- A idéia de qualidade, é descartada pelos consumidores locais, que preferem produtos de preços populares (entre R$ 100,00 e R$ 150,00 por 1000 unidades) mesmo que tenham qualidade inferior.

4- Quanto a qualidade das telhas, observamos ainda que as mesmas, em sua maioria, não apresentaram em alto ou baixo relevo, o nome do fabricante, a cidade de origem e a quantidade de peças necessárias por metro quadrado.

5- O maior problema na qualidade das telhas analisadas está no processo de fabricação, pois nas amostras rompidas em ensaio, observamos presença de agregados de grandes dimensões, indicando uma preparação inadequada; a presença de coração negro e/ou vermelho, indicando um processo de queima ineficaz; o desconhecimento das normas vigentes e de um controle normativo que regule a venda do produto no mercado, favorecendo a uma diversidade grande de telhas; entre outros que não atestam a qualidade da matéria-prima utilizada, o que só vem a prejudicar o consumidor final.


REFERÊNCIAS


  1. P. Souza Santos, Ciência e Tecnologia de Argilas, 1 e 2 v. 2ª ed. rev. E at. São Paulo: Edgard Blücher, 1992.

  2. M. A. Sattler, Cerâmica Estrutural, 01(08), Criciúma – SC, 2000, p. 06.

  3. N. Saviatto, Mundo Cerâmico 30(03), 20(1996).

  4. J. D. Marcondelli, Mundo Cerâmico 30(03), 21(1996).

  5. A R. Zandonadi, Anuário Brasileiro de Cerâmica, Associação Brasileira de Cerâmica, São Paulo, 1996. p. 16.

  6. F. J. Gross, Cerâmica 06(10), 63(1957).

  7. Anônimo, Mundo Cerâmico 66(VII), São Paulo, 2001, p. 32.

  8. R. S. Macedo, Estudo das matérias-primas e tijolos cerâmicos furados produzidos no Estado da Paraíba, Campina Grande – PB. Pp 107, Dissertação (Mestrado em Engenharia Química), CCT/UFPB, 1997.

  9. ANICER, www.anicer.com.br

  10. J.V. Emiliano, Jornal da ANICER, Porto Alegre – RS, 2000, ano 4, p. 02

THE QUALITY OF THE CERAMIC ROOF TILES MARKETED IN THE CITY OF CAMPINA GRANDE - PARAÍBA



ABSTRACT

In the last years, it has been intensified the search for good quality products used in civil construction, mainly to avoid wastes, to increase productivity, to minimize costs and to increase the lifetime of the constructions. The aim of this work is to study the quality of the ceramic roof tiles in the trade marked of Campina Grande city, Paraíba. The samples were collected from several places, in the city. It was found a great variety of products and manufacturers. To make possible this work, it weary realized the tests according to Brazilian Norms (ABNT). The results indicate that most of the roof tiles studied do not satisfy the ABNT standards.




Word-keys: roof tiles ceramic, standards, quality.


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