Análise in vitro da perda mineral do esmalte dental devido à ação de diferentes tempos de aplicação do gel de clareamento



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Análise in vitro da perda mineral do esmalte dental devido à ação de diferentes tempos de aplicação do gel de clareamento (peróxido de hidrogênio a 35%)
Gabriela Modanes Prior(PIBIC/Unioeste/PRPPG), Thaís Mayumi Shimomura, Luis Alberto Formighieri, Veridiana Camillot, Julio Katuhide Ueda(Orientador), e-mail: gabi_prior@hotmail.com
Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Ciências Biológicas e da Saúde/Cascavel, PR.
Ciências da Saúde - Odontologia.
Palavras-chave: clareamento, desmineralização, peróxido de hidrogênio.
Resumo

O objetivo da pesquisa foi analisar o potencial de desmineralização do gel de clareamento dental, peróxido de hidrogênio a 35%, sobre o esmalte bovino. Foram preparados quinze fragmentos de esmalte bovino com 20mm3 (± 2mm3). Os espécimes foram divididos em 3 grupos (n=5): Grupo I, soro fisiológico, sem agente clareador; Grupo II, gel clareador de H2O2 a 35%, com aplicação única de 15 minutos; e Grupo III, gel clareador de H2O2 a 35%, aplicados por 3 vezes de 15 minutos cada. Os espécimes foram pesados em uma balança analítica três vezes, antes, durante e após a imersão nas soluções testadas. A possível desmineralização foi calculada utilizando estes três pesos e dimensões da amostra. Os valores obtidos foram submetidos à análise estatística que indicou que o gel peróxido de hidrogênio 35% promove um desmineralização do esmalte maior do que o soro fisiológico, porém sem diferença estatística entre aplicação única de 15 minutos e três vezes de 15 minutos deste gel.


Introdução
Várias técnicas tem sido utilizadas para clareamento de dentes vitais. Com a técnica de consultório, altas concentrações de peróxido de hidrogênio ou carbamida são aplicadas durante as sessões clínicas.

Até hoje, o mecanismo básico do clareamento dental não foi elucidado. No entanto, tem sido proposto que a forte ação oxidativa dos radicais livres gerados pelo peróxido de hidrogênio age quebrando a cadeia de polipeptídio, causando a destruição dos aminoácidos, substâncias orgânicas que constituem a estrutura dental . No entanto, há uma preocupação por parte dos profissionais com relação aos efeitos desses agentes clareadores sobre o esmalte, a dentina e a polpa dentária .

Vários estudos relatam que os agentes clareadores contendo peróxido não tem efeito deletério significante sobre a superfície do esmalte ou dentina ou na morfologia, composição química, microdureza, ou ultraestrutura das suas subsuperfícies . Entretanto alguns pesquisadores tem alegado que o clareamento produz danos irreversíveis à estrutura dental e pode causar alterações na microestrutura do esmalte, particularmente uma desmineralização semelhante à cárie inicial . O material orgânico em torno dos prismas de esmalte é mobilizado pelo ataque dos radicais livres de oxigênio, danificando preferencialmente a área da bainha do esmalte e aumentando a rugosidade da superfície.

Neste contexto, existem dúvidas sobre até que ponto os agentes clareadores podem remover os elementos minerais dos dentes durante o processo de clareamento. Então, tem este estudo o objetivo de analisar o potencial de desmineralização do gel de clareamento dental, peróxido de hidrogênio a 35% sobre o esmalte bovino.


Material e Métodos
Quinze amostras de 20mm3 (± 2mm3) – média de 4mm de altura X 4mm de largura X 1mm de espessura – foram preparadas usando esmalte bovino. Os 15 espécimes foram obtidos de acordo com as diferentes condições experimentais adotadas para este estudo, sendo denominadas: Grupo 1 (n=5): soro fisiológico (controle); Grupo 2 (n=5): aplicação única de 15 min do gel clareador (peróxido de hidrogênio 35%) e Grupo 3 (n=5): três aplicações de 15 min cada do gel clareador (peróxido de hidrogênio 35%).

Logo após as amostras serem preparadas os espécimes foram armazenados em um dessecador com sílica gel, a 37° C ± 1°C. Após 24h, os espécimes foram removidos e armazenados em um dessecador mantidos a 23°C ± 1°C por 1h e, então, pesados com uma balança analítica de precisão de 0.2mg. Este ciclo de dessecação, sempre usando gel de sílica novo, foi repetido até uma massa constante (m1) ser obtida. Quando o procedimento de dessecação inicial terminou, os espécimes do grupo 1 foram imersos no soro fisiológico (cloreto de sódio 0,9%) por 7 dias, a 37ºC; do grupo 2 foram imersos previamente no gel de peróxido de hidrogênio a 35%, uma única vez por 15 minutos e do grupo 3 foram imersos previamente no gel de peróxido de hidrogênio a 35%, por 3 vezes seguidas, durante 15 minutos cada. Na sequência, os espécimes do grupo 2 e 3 também foram armazenados em soro fisiológico por 7 dias, a 37°C. Após este armazenamento por 7 dias, todos os espécimes foram removidos, lavados com água e retirado o excesso de umidade. Um minuto após a remoção da solução foram pesados, e esta massa foi registrada como m2.

Finalmente, os espécimes foram recondicionados a massa constante, seguindo mais uma vez o procedimento de dessecação mencionado acima. Esta massa constante foi registrada como m3.

A dimensão de cada espécime (altura x largura x espessura) foi mensurada por um paquímetro de precisão de 0.01 mm. Então, o volume, V, foi calculado em mm3 de acordo com a equação V = base x altura x largura.

A solubilidade ou perda mineral (Wsl) foi calculada em µg/mm3 para cada um dos espécimes usando a equação Wsl = (m1-m3)/V, onde m1 é a massa de espécime condicionada antes da imersão em água, m3 a massa de espécime recondicionada e V o volume do espécime.

Após a obtenção dos resultados, os dados foram analisados estaticamente por ANOVA, a um nível de significância de 5%, com o objetivo de testar o efeito dos grupos.


Resultados e Discussão
As médias e os desvios-padrão dos valores de solubilidade obtidos para cada condição experimental avaliada podem ser vistos na Tabela 1. Os grupos do gel clareador foram estatisticamente semelhantes, porém apresentaram o maior grau de desmineralização em comparação com o soro fisiológico (NaCl 0,9%).
Tabela 1: Média dos valores e desvio padrão da solubilidade em água

Grupo

Wsl (μg/mm3) (média ± SD)

1- Soro Fisiológico

6.9372551258 ± 5.9543413090a

2- Gel Clareador de H2O2 a 35%, 1X de 15 minutos

17.282924853 ± 6.151824077b

3- Gel Clareador de H2O2 a 35%, 3X de 15 minutos

19.247726716 ± 3.106400528b

Diferentes letras indicam diferença estatisticamente significante (p<0.05)

O peróxido de hidrogênio, ingrediente ativo dos géis clareadores , é um forte agente oxidante que possui a capacidade de se difundir livremente através do esmalte e dentina em razão da permeabilidade desses substratos e devido ao baixo peso molecular dessas substâncias . Assim o clareamento dental ocorre graças à permeabilidade do esmalte e da dentina e a capacidade de difusibilidade dos agentes clareadores .

Vários sistemas de clareamento dental com peróxido de hidrogênio são formulados sob pHs extremamente baixos (geralmente abaixo de 4), conferindo-lhes natureza ácida para garantir estabilidade . Com a combinação de baixo pH e altos níveis de peróxido, espera-se que afete a integridade da superfície e subsuperfície do tecido dental e reaja com substratos minerais do dente, ocasionando perdas de cálcio e fósforo em diferentes graus .

No momento em que o esmalte dental é exposto a compostos de natureza ácida, íons de hidrogênio rapidamente dissolvem a porção mineral, provocando perda de íons de cálcio e fósforo, que resultam na redução do tamanho do cristal e ampliação dos espaços intercristalinos . Durante o processo de dissolução, o carbonato presente na estrutura do esmalte também pode ser perdido, gerando a formação de espaços que se unem e podem destruir a delicada estrutura de proteínas (enamelinas) que circunda os cristais . A perda de mineral do esmalte dental, como resultado de desmineralização por agente clareador, pode ser mensurada pela alteração no peso em relação ao volume da amostra de esmalte.



Os dados obtidos neste trabalho, por meio deste método de quantificação da perda de conteúdo mineral do esmalte a partir do uso da substância clareadora peróxido de hidrogênio a 35%, indicaram que este ocasiona a desmineralização do esmalte, sendo semelhante quando da aplicação única de 15 minutos ou três vezes de 15 minutos, mas estatisticamente diferente do grupo controle (soro fisiológico 0,9%). Seria prudente avaliar, em trabalhos futuros, se esta quantidade de perda é reposta na remineralização do substrato, uma vez que na cavidade bucal fenômenos de desmineralização e remineralização são processos dinâmicos e que ocorrem constantemente.
Conclusões
De acordo com a metodologia do trabalho, pode-se concluir que o clareamento dental utilizando peróxido de hidrogênio a 35% promove a desmineralização do esmalte.
Agradecimentos
Os autores agradecem o apoio da UNIOESTE por possibilitar o estudo experimental e disponibilizar o programa de iniciação científica.
Referências
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