Análise clinicopatológica de tumores malignos de glândula salivar provenientes de uma casuística de Cascavel (PR) diagnosticados entre os anos de 2001 a 2015



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Análise clinicopatológica de tumores malignos de glândula salivar provenientes de uma casuística de Cascavel (PR) diagnosticados entre os anos de 2001 a 2015
Alexandre Luis Bortoloto (PIBIC/Fundação Araucária-UNIOESTE), Ana Lúcia Carrinho Ayroza Rangel (Orientadora), e-mail: alrangel202@yahoo.com.br

Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Ciências Biológicas e da Saúde/Cascavel, PR


Grande área e área: Ciências da saúde, Odontologia.
Palavras-chave neoplasias, glândula salivar, prognóstico.
Resumo
Os tumores de glândulas salivares (TGS) constituem um grupo raro de tumores, correspondendo a aproximadamente 3 a 10% de todos os tumores da cabeça e pescoço. Em um recente estudo epidemiológico, de 493 casos de TGS da região sul do Brasil, 74,8% foram benignos e 25,1% malignos. Especificamente os casos da região Oeste do Paraná, contabilizaram 332 casos, dos quais 281 benignos (84,6%) e 51 (15,3%) malignos. Em todos os grupos etários, o gênero feminino é discretamente mais afetado do que o masculino. O pico de incidência ocorre na 3ª e 4ª décadas de vida e a média de idade dos pacientes com tumores benignos e malignos é de 46 e 54 anos, respectivamente. Alguns fatores como o local de acometimento do tumor, seu tamanho, o subtipo histológico, o grau de malignidade e a presença de metástases parecem influenciar no prognóstico. Com base nesses dados, este trabalho teve como objetivo analisar os dados clínicos, a partir dos prontuários hospitalares, de pacientes diagnosticados com TGS malignos na região de Cascavel, de 2001 a 2015. Foram avaliados parâmetros clínicos como a localização da lesão, tamanho aproximado, presença de metástases, tipo de tratamento - cirurgia, radioterapia, quimioterapia, estadiamento I/II vs III/IV, evolução, presença de parestesia, data do tratamento, data de recidiva, data de última consulta/morte, PTNM, presença de dor, sobrevida global, sobrevida específica e sobrevida livre de doença e outras informações clínicas disponíveis.
Introdução
As neoplasias de glândulas salivares constituem um grupo raro de tumores, correspondendo a aproximadamente 3 a 10% de todos os tumores da cabeça e pescoço (Oliveira et al. 2009). Quanto à sua natureza, de 54 a 79% das neoplasias de glândulas salivares são benignas e de 21 a 46% são malignas (Ellis et al.1991, Spiro 1986). Com relação à sobrevida livre de doença, para pacientes diagnosticados com TGS malignos, é de aproximadamente 83% em um ano, 69% em três anos e 65% em cinco anos, com uma diferença significativa entre homens e mulheres, 58 e 72% respectivamente. Já a sobrevida relativa em cinco anos, diminuiu acentuadamente com a idade, de 87% para indivíduos mais jovens (15-45 anos) a 59% para os mais idosos (75 anos ou mais). Cerca de 70% das recidivas locais dos TGS malignos são observadas nos primeiros três anos após o tratamento, entretanto este dado é influenciado pelo tipo histológico (Guzzo et al.2010).

Com relação aos TGS malignos de glândula parótida, o estágio do tumor, o tipo histológico, o grau de malignidade, a presença de paralisia do nervo facial, a extensão do tumor extra-parótida e o envolvimento de linfonodos cervicais são os fatores prognósticos mais importantes.(Guzzo et al. 2010).


Materiais e Métodos
Foram incluídos neste estudo os dados clínicos de 73 pacientes acometidos por TGS malignos na região Oeste do Paraná, de casuística previamente obtida em estudo anterior de 2001 a 2010. Além disso, foram incluídos novos casos diagnosticados entre 2010 a 2015. As novas amostras foram selecionadas a partir dos registros do Laboratório Anatom - Instituto de Anatomia Patológica e Citopatologia S/C Ltda, da cidade de Cascavel (PR). Já os dados clínicos dos respectivos pacientes portadores foram obtidos dos prontuários de dois hospitais de referência em tratamento de câncer do Oeste do Paraná: UOPECCAN e CEONC. Os casos diagnosticados como tumores malignos de glândula salivar entre os anos de 2001 a 2015 foram selecionados, revisados e incluídos neste estudo de acordo com os critérios estabelecidos pela OMS (Barnes et al., 2005). Os critérios de inclusão foram: disponibilidade de bloco e/ou lâmina em bom estado de conservação e presença de material representativo para o diagnóstico. Após a seleção inicial dos blocos de parafina, cortes histológicos corados pela hematoxilina e eosina, com espessura de 5μm foram confeccionados para todos os casos e analisados sob microscopia óptica no Laboratório de Patologia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE). Quando necessário, foram empregadas colorações histoquímicas especiais como PAS (ácido periódico de Schiff) e mucicarmim para auxílio no estabelecimento do diagnóstico. Nos casos em que o bloco de parafina não estiver disponível, a lâmina original foi solicitada para avaliação. A avaliação microscópica de todos os casos foi realizada pelo pesquisador responsável e seu orientador e o diagnóstico final foi baseado nos critérios propostos pela OMS (Barnes et al. 2005). Todo o material disponível durante a revisão de cada caso em particular foi incluído no estudo (biópsia incisional, peça cirúrgica e recidiva), entretanto cada caso foi considerado apenas uma única vez na avaliação final.

A partir dos registros laboratoriais/hospitalares foram coletados os dados referentes às características demográficas (idade no diagnóstico, gênero e raça dos pacientes), clínicas (localização das lesões, tamanho aproximado, presença de metástase, tipo de tratamento (cirurgia, radioterapia, quimioterapia), estadiamento I/II vs III/IV, evolução, presença de parestesia, data do tratamento, data de recidiva, data de última consulta/morte, PTNM, presença de dor, sobrevida global, sobrevida específica e sobrevida livre de doença e outras informações clínicas disponíveis). Todas as informações referentes aos casos selecionados foram transcritas para uma ficha padronizada e depois transferidas para planilhas de Excel (Microsoft Office®). Ao final, foram realizadas análises estatísticas considerando um nível de significância de 0,05, fazendo uso dos pacotes estatísticos MedCalc e XLStat2015.



Resultados e Discussão
Ao todo foram obtidos 73 casos de TGS malignos diagnosticados e tratados durante o período de 2001 até 2015. Desses, 58,9% (43/73) acometeram o gênero masculino e 41,1% (30/73) o feminino. A idade do diagnóstico variou de 14 a 102 anos com média de 56,01 anos ± 17,53. O pico de incidência dos TGS malignos foi na 5º década de vida, acometendo 23,3% do total da amostra, sendo estes dados similares aos estudos realizados por Oliveira et al. (2010).

A glândula parótida foi o sítio mais afetado em 54,8% dos casos (40/73), seguida pela glândula submandibular (19/73, 26%), glândulas menores (12/73, 16,5%) e glândula sublingual (2/73, 2,7%). Estes dados também equivalem aos publicados por Oliveira et al. (2010).

Dentre os 73 casos, o tipo histológico mais comum foi o adenocarcinoma sem outra especificação (SOE) perfazendo um total de 38,3% da amostra (28/73), sendo que 64,3% destes (18/28) desenvolveram-se na glândula parótida e mais comumente no gênero masculino (19/28, 67,8%). O segundo TGS maligno mais incidente foi o carcinoma adenóide cístico com 23,3% da amostra (17/73) seguido pelo carcinoma mucoepidermóide (7/73, 9,6%) e pelo carcinoma ex-adenoma-pleomórfico (7/73, 9,6%). Estes dados são semelhantes aos encontrados por Fonseca et al. (2012), entretanto diverge de outro estudo encontrado na literatura (Mahmoud et al., 2011).

Quanto à sobrevida global, cerca de 85,71% dos pacientes sobreviveram 1 ano; 63,79% 3 anos e 34,75% 5 anos. Em relação aos dados encontrados na literatura, divergem bastante o índice de sobrevida global dos pacientes. No estudo de Jegadeesh et al. (2015) nos Estados Unidos, observou a sobrevida de 74% em cinco anos, enquanto Oliveira et al. (2010) foi de 84,6% e Andrade et al. (2011) com 56,2%, ambos realizados no Brasil.

Em relação à sobrevida não houve diferença estatística significativa para os seguintes aspectos: parestesia (p=0,106), estadiamento clínico (p=0,849), metástase à distância (p=0,381), presença de dor (p=0,121), recidiva tumoral (p=0,123) e classe etária (p=0,782), semelhante aos dados encontrados por Oliveira et al. (2010). Além disso, não foram observadas diferenças estatisticamente significantes entre tipo histológico e metástase; estadiamento clínico (I/II e III/IV) e recidiva.

Conclusões

Trabalhos clinicopatológicos são de extrema relevância para o melhor entendimento do comportamento biológico dos tumores malignos de glândula salivar, assim como para avaliar a eficácia no diagnóstico precoce e tratamentos empregados em uma sub-região do Brasil.


Agradecimentos

A Fundação Araucária e a UNIOESTE pelo auxílio financeiro na realização deste estudo.


Referências
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FONSECA, F.P.; CARVALHO, M.V.; ALMEIDA, O.P.; RANGEL, A.L.C.A.; TAKIZAWA, M.C.H.; BUENO, A.G.; VARGAS, P.A. Clinicopathologic analysis of 493 cases if salivary gland tumors in a Southern Brazilian population. Oral and Maxillofacial Pathology. v.114, n.2, p.230-39, 2012.
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JEGADEESH, N.; LIU, Y.; PRABHU, R.S.; MAGLIOCCA, K.R.; MARCUS, D.V.; HIGGINS, K.A.; VAINSHTEIN, J.M.; WADSWORTH, J.T.; BEITLER, J.J.; Outcomes and prognostic factors in modern era management of major salivary gland cancer. Oral Oncology. v.51, p. 770-7. 2015.
MAHMOUD, S,; MOHAMAD,J.A; NEGAR,A; BIJAN, K.;  BASIR, H.; AMIR, A. Salivary Gland Tumors in Maxillofacial Region: A Retrospective Study of 130 Cases in a Southern Iranian Population.Patholog Res Int., 2011; 2011.
OLIVEIRA, L.R.; SOAVE, D.F.; OLIVEIRA-COSTA, J.P.; ZORGETTO, V.A.; RIBEIRO-SILVA, A.R. Prognostic Factors in Patients with Malignant Salivary Gland Neoplasms in a Brazilian Population. Asian Pacific Journal of Cancer Prevention, v.11, 2010.



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