Anatomia do bulbo ocular e anexos



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ANATOMIA DO BULBO OCULAR E ANEXOS



Esclerótica/Esclera (camada externa)

  • Envolve o conteúdo do bulbo ocular. É a parte branca do olho, envolvida pela conjuntiva (fina membrana)

  • É fibrótica, espessa e bem vascularizada. Protege o olho.

  • Tem uma fase elástica (ao nascer, para crescimento) e uma fase plástica (maleável, mas não distensível).

  • Tem 2 orifícios: anterior (acomoda a córnea) e posterior (nervo óptico)

  • A conjuntiva está entre o globo ocular e a pálpebra. Possui as glândulas lacrimais acessórias, produzindo lágrimas.


Córnea (camada externa)

  • Parte anterior do olho, transparente e avascular

  • Tem uma curvatura que vai se aplainando conforme se afasta da zona óptica central

  • Cobre ligeiramente a íris e a pupila (por onde a luz passa)

  • É nutrida pela lágrima e pelo humor aquoso (posterior à ela e anterior à íris)

  • Apresenta fibras colágenas para não interferir na entrada do feixe de luz. É avascular e transparente.

  • A região infraesclerocorneana é importante para anestesia


Humor aquoso (parte anterior)

  • Substância semi-líquida, transparente, semelhante a uma gelatina incolor.

  • Preenche a câmara anterior do olho e, pela sua pressão interna, faz com que a córnea se torne protuberante.

  • Responsável pela nutrição da córnea e controle da pressão ocular

  • É renovado lenta e constantemente e o seu excesso é escoado pelo canal de Schlemn (Quando entope, o olho fica com excessiva pressão, sendo uma das causas do glaucoma)

  • Drenado pelo ângulo iridocorneano. Pequena porcentagem pela parede da câmara anterior.


Úvea (camada média) ou túnica vascular

  1. Íris:

  • Membrana com abertura circular central, chamada de pupila. Sua função é controlar a entrada de luz, foco.

  • É o colorido do olho.

  • Está entre a córnea e o cristalino.

  • Dividida em câmara anterior e posterior

  • Funciona como um diafragma: quando há maior incidência de luz, ela se fecha, reduzindo o diâmetro pupilar. Quando há pouca luz, ela se dilata. Para isso apresenta musculatura:

  • Estriada – inervada pelo simpático (midríase – abertura da pupila pela contração muscular)

  • Circular – inervada pelo parassimpático (miose – relaxamento muscular, fecha a pupila), que tem mais fibras.




  1. Corpo ciliar:

  • Parte muscular – músculo ciliar: distendem ou contraem o cristalino

  • Parte secretora – processos ciliares: produzem o humor aquoso

  • O cristalino é fixado pelas zônulas, ligadas aos processos ciliares, que são ligados aos músculos ciliares

  • Para leitura: cristalino deve ficar mais abaulado, portanto as zônulas relaxam

  • Para enxergar longe: cristalino deve ficar mais fino, portanto as zônulas se contraem, tracionando-o




  1. Coróide:

  • Membrana altamente vascularizada, entre a esclera e a retina

  • Nutre os 2/3 posteriores da retina e leva o nervo óptico à ora serrata


Cristalino

  • Corpo biconvexo, em forma de lente, transparente, atrás da íris, entre as câmaras anterior e posterior do olho.

  • Sua função é permitir a visão nítida em todas as distâncias (acomodação)

  • Para perto: convergente – aumenta poder de refração

  • Para longe: divergente

  • Dividido em segmento anterior e posterior


Retina

  • Camada pigmentar (1 camada): externa

  • Camada sensorial (10 camadas) que reveste a parte interior do olho, para onde os raios de luz convergem.

  • Mácula: Região ovalada e amarela, mais fotossensível à luz

  • Fóvea central : no centro da macular, é encontro focal dos raios paralelos que penetram no olho. É formada por cones verdes, vermelhos e amarelos.

  • Ponto cego /disco óptico / papila óptica: ao lado da fóvea central, desprovido de visão. Ponto que liga a retina ao nervo óptico.

  • Composta por células fotossensíveis (maior concentração central) cujos axônios fazem sinapse com células que transmitem o estímulo nervoso ao cérebro

  • Cones – visão fotóptica (claro, a cores) – proteína fotopsina. São menos sensíveis que os bastonetes.

  • Bastonetes – visão escotópica (em preto e branco e visão noturna) – proteína rodopsina

  • Dividida em ora serrata (anterior), retina central e retina periférica


Corpo vítreo / humor vítreo

  • Substância gelatinosa e transparente que preenche segmento posterior do globo ocular

  • NÃO se renova

  • Seu descolamento leva a visão de pontos no claro



  • Artérias: vasos mais claros

  • Veias: vasos mais escuros e grossos

  • Porção amarela central: depressão de onde emergem os vasos

  • Ponto escurecido à esquerda: mácula (avascular) e fóvea


Musculatura externa (extrínsecos)

Os retos são inseridos no ápice da órbita anterior, enquanto os oblíquos no assoalho da órbita posterior.



  • Reto superior: para cima. Inervado pelo NC III (trigêmeo)

  • Reto inferior: para baixo. Inervado pelo NC III

  • Reto medial: para o lado nasal. Inervado pelo NC III

  • Reto lateral: para o lado temporal. Inervado pelo NC VI (abduscente)

  • Oblíquo superior: rotação. Inervado pelo NV IV (troclear)

  • Oblíquo inferior: rotação. Inervado pelo NC III




  • Rotação: movimento dos músculos oblíquos e pelas diferentes distâncias de inserção dos músculos e córnea.

  • Tendão de Zinn: 4 tendões que envolvem o nervo óptico


Glândula lacrimal

  • Se acomoda na fossa lacrimal, no ângulo supraexterno da órbita.

  • O filme lacrimal tem água (meio), proteína (mucina, parte interna), gordura (externa, protege o filme para retardar a reabsorção da lágrima). Mucina e água são muito unidas.

  • Função de lubrificar e nutrir a córnea. A cada piscada, a lágrima é jogada para o canto, indo para o saco lacrimal (que drena e joga para o ducto naso-lacrimal)


Septo orbitário

  • Fibrótico. Impede que as estruturas vão para fora da fossa orbitária

  • As pálpebras ficam em cima do septo

  • Com a idade ele afrouxa e as estruturas projetam-se para frente, formam-se bolsas de gordura


Ossos da órbita

  1. Maxilar superior: assoalho (quando lesado, estruturas caem no seio maxilar – enoftalmia)

  2. Apófise palatina

  3. Asa esfenóide

  4. Etmóide: parede medial e frágil. Causa proptose e exoftalmia. É o mais lesado (presença de ar ao Raio X e crepitação à palpação do bulbo)

  5. Osso lacrimal: frágil. Causa enoftalmia (sinal gota pendente ao raio X quando há lesão de base)

  6. Frontal

  7. Zigomático

Fotopsia

Visão de luzes, escotomas. Pode ser por tração de retina (descolamento do humor vítreo), pico hipertensivo ou enxaqueca


RETINA E FISIOLOGIA DA VISÃO
Visão é o processo que se inicia quando fotorreceptores da retina convergem ondas eletromagnéticas em impulsos elétricos, que alcançam o nervo óptico, sendo levados pelos axônios de células ganglionares para o córtex occipital, onde serão processados e elaborados, para criar imagens. (Luz visível: 400-700nm).
Há modificação de 110 milhões de bastonetes e 6 milhões de cones antes dos sinais elétricos alcançarem cada nervo óptico. Cada olho forma uma imagem bidimensional que irá se fundir com a do olho contraleteral, fornecendo visão com estereopsia (profundidade fina).
Meios ópticos que a luz atravessa: lágrima  córnea  humor aquoso  cristalino  humor vítreo  retina
Sistema óptico do olho

  • Conjunto de lentes: córnea (estática) e cristalino (movimenta-se para permitir o foco – acomodação)

  • abertura variável: pupila (diafragma)

  • superfície de focalização: retina


Interfaces refrativas: ar/córnea, córnea/humor aquoso, humor aquoso/cristalino, cristalino/vítreo

  1. córnea: maior parte da refração, pela ∆ entre o ar (1,0) e a córnea (1,38)

  2. cristalino: 1/3 da refração total. Pode mudar sua curvatura, aumentando o poder retrativo

  3. pupila: controla a quantidade de luz que entra, reflexamente, variando o diâmetro


Emetropia

Raios paralelos, originários de objetos distantes, focalizam-se sobre a retina, quando o músculo ciliar está completamente relaxado (controla cristalino)


Lente de contato

  • Parte posterior (em contato com o olho): curva convergente

  • Parte central (curvatura que importa)

  • Parte anterior (curvatura define): se for mais convergente que a posterior é convergente, se for menos convergente que a posterior, a lente é divergente.

Glaucoma

Aumento da perda ganglionar com atrofia do nervo óptico  perda da visão


RETINA NEUROSENSORIAL

Formada por pigmentos que absorvem luz e que enviam estímulos visuais para o nervo óptico.

- Escotoma fisiológico: área espacial do nervo óptico.
Polo posterior – Retina central: Contem a mácula (predomínio de cones), que possui a fóvea (0,3mm de diâmetro, apresenta apenas cones e a membrana limitante interna, o que facilita o acesso da luz aos segmentos externos)
Cones


  • Cada cone foveal tem 1,5μm de diâmetro, o que permite distinguir projeções de pontos separados por 2μm.

  • Os pigmentos fotossensíveis são formados por: proteína (fotopsina) + Vitamina A (11-cis retinal). Podem ser azuis (445nm), verdes (535nm) ou vermelho (570nm) sensíveis.

Deficiência na visão de cores (discromatopsia)

  1. Carência para o vermelho: protanopia (total) ou protanomalia (parcial)

  2. Carência para o verde: deuteranopia (total) ou deuteranomalia (parcial)

  3. Carência para o azul (tritan): muito raros

  • Daltonismo (maioria dos casos) – para verde e vermelho

  • Herança recessiva ligada ao X – a pessoa tem dificuldade em diferenciação entre as cores verde, amarela, laranja e vermelha.


Bastonetes (visão periférica – campo visual)

  • Formado pela proteína rodopsina (escotopsina + 11 trans-retinal), mais sensível do que os pigmentos dos cones, podendo ser estimulada por apenas 1 fóton.

  • São 30-300x mais sensíveis que os cones.

  • Há acúmulo de rodopsina na adaptação ao escuro (minutos)

  • O diâmetro da pupila aumenta reflexamente em ambientes com pouca luminosidade (segundos)


Retina

  • Cada célula ganglionar é estimulada por 60 bastonetes e 2 cones. Seus axônios formam o nervo óptico

  • AS células bipolares, amácrinas, horizontais e as de Müller regulam a passagem dos impulsos gerados nos fotorreceptores para as células ganglionares


Vias ópticas

  • Retina nasal: cruzam as vias (decussação no quiasma óptico)

  • Retina externa/temporal: não cruzam vias

  • Direcionam-se para o corpo geniculado lateral  occipital (área 17 de broadmann)

- tumor hipofisário – compressão do quiasma óptico  hemianopsia bitemporal


AMETROPIAS


  • Regulares: esféricas (hipermetropia e miopia) e cilíndricas (astigmatismo)

  • Irregulares: deformidades da córnea (cerotocoma, traumas, etc)

  • Presbiopia: “vista cansada”


HIPERMETROPIA

Formação da imagem (foco luminoso) ATRÁS da retina. Causado por:



  • Olho mais curto – hipermetropia axial

  • Poder de convergência menor (córnea mais plana) – hipermetropia de curvatura

  • Líquido com menor índice de refração – hipermetropia de índice

Quando jovens, o cristalino torna-se mais curvo (convergente) para tentar corrigir. Mas com o avanço da idade, o cristalino perde elasticidade e reduz sua capacidade de acomodação.

O quadro é a dificuldade de visão para perto.

O tratamento é a lente CONVERGENTE (+)
MIOPIA

Os raios distantes focalizam a imagem ANTES da retina. Causado por:



  • Olho grande – miopia axial

  • Grande poder de convergência (raio da curvatura da córnea pequeno) – miopia de curvatura

  • Líquido com maior índice de refração (ex. diabéticos) – miopia de índice

  • Acomodativa ou espasmódica: espasmo muscular tornando o olho momentaneamente mais míope para que haja visão de longe após olha muito tempo para perto.

O cristalino não compensa porque não apresenta a capacidade de tornar-se divergente, apenas mais ou menos convergente.

O quadro é a dificuldade de visão para longe.

O tratamento é com lente DIVERGENTE (-)
ASTIGMATISMO

Formação de diferentes planos focais na retina, a diferentes distâncias dela, atrás ou na frente. Causada por erro de refração. Assim, não se forma um ponto de focalização e sim, linhas focais:



  1. Hipermetrópica:

  • Simples – 1 foco na retina e 1 fora  lentes cilíndricas compostas

  • Composta – 2 focos fora da retina  lentes esferocilíndricas convergentes

  1. Miótica:

  • Simples – 1 plano na retina e 1 na frente  lentes cilíndricas compostas

  • Composta – 2 planos na frente da retina  lentes esferocilíndricas divergentes

  1. Mista: lente esferocilíndrica divergente e convergente

O quadro é a impossibilidade de visão nítida para longe e para perto.

O tratamento é por lentes cilíndricas (age em um ponto e não no outro): convergentes (+) e divergentes (-)


PRESBIOPIA (‘vista cansada”)

Redução da capacidade de focalização. Deve-se à rigidez ou perda de elasticidade do cristalino ou músculo enfraquecido. Há menor capacidade de leitura (perto – raios divergentes, menos paralelos) pela perda de elasticidade do cristalino, que não consegue mais convergir adequadamente os raios que chegam.




PÁLPEBRAS, CONJUNTIVA E CRISTALINO
PÁLPEBRAS E SUAS ENFERMIDADES

  • A pálpebra é formada por 2 véus músculo-membranosos

  • Função principal: proteção do globo ocular

  • Função secundária: regeneração do filme lacrimal (camada de lágrima), que se rompe em 10-15 segundos.




  1. Músculos

  • Levantador da pálpebra superior (abre a pálpebra) – inervado pelo motor ocular comum

  • Orbicular (fecha a pálpebra) – inervado pelo nervo facial

  • Músculo de Müller – inervação simpática

  1. Glândulas

  • Glândula de Meibomio (sebácea) – produtora da parte mais gordurosa do filme lacrimal

  • Glândula de Zeiss (sebácea) – orifício excretos na borda da pálpebra

  • Glândula de Moll (sudorípara)

Exames: Inspeção



  • Simples – implantação de cílios, coloração, etc

  • Com eversão – exame da conjuntiva, corpos estranhos, etc


Anomalias de desenvolvimento das pálpebras e fendas palpebrais (congênitas e adquiridas)

  • Ablefaria: ausência

  • Microblefaria: pequena

  • Coloboma: falta um pedaço (solução de continuidade)

  • Anquiloblefaro: aderência parcial entre as pálpebras, reduzindo a fenda palpebral e a exposição da esclera. Pode ser parcial ou total (criptoftalmia). Se for no canto interno pode simular estrabismo.

  • Epicanto: prega no canto interno do olho (racial)


Anomalias de posição

  1. Borda palpebral

  • Entrópio: borda da pálpebra voltada para o globo ocular – espasmódico, senil, congênito, cicatricial. Tratamento – retiram-se os cílios, lubrifica-se intensamente o olho, ou cirurgico

  • Ectrópio: borda voltada para fora levando a lacrimejamento permanente – espasmódico, inflamatório, paralítico, senil e cicatricial. O tratamento é cirúrgico.

  1. Cílios

  • Triquíase: cílios nascem voltados para o globo ocular (muito comum)

  • Distiquíase: dupla carreira de cílios

  • Madarose: ausência de cílios

  1. Pálpebras

  • Simbléfaro: aderência da pálpebra ao globo ocular


Anomalias de motilidade

  1. Do levantador das pálpebras

  • Paralisia – Ptose (queda palpebral). O tratamento é cirúrgico.

- miastenia gravis: queda progressiva durante o dia. Abre com injeção de prostigmina

  • Espasmo

  1. Do orbicular

  • Paralisia – Lagoftalmia. Tratamento: lacrima artificial ou cirúrgico (tarsorrafia – sutura inferior na superior)

  • Espasmo – blefaroespasmo: Tonico ou clonico

  1. Do simpático: paralisia, ou excitação/irritação


Alterações tróficas e distróficas

  • Atrofias

  • Distrofias (blefarocálaze) – flacidez e excesso (geralmente por edema, idosos). Se for intensa pode simular ptose.

  • Hipertrofias


Manifestações inflamatórias ou por obstrução de ductos excretores das glândulas

  1. Bordas palpebrais

  • Blefarites: inflamação, geralmente alérgica, com hiperemia, prurido e queda de cílios. O tratamento é com higiene palpebral, pomada antiinflamatória, além do tratamento da alergia.

  • Ordéolos: cisto com bactérias, tumoração dolorosa por obstrução das glândulas sebáceas (meibomio – interno, zeiss – externo). O tratamento é calor local + pomada ATB. Se evoluir para abscesso palpebral realiza-se drenagem e ATB (sistêmico/local)

  • Tilose

  • Quisto mucoso

  1. Corpo palpebral

  • Calázio: cisto sebáceo, indolor, imóvel e de tamanhos variados. Se muito grande e superior pode induzir ptose. Deve ser drenado (bisturi no sentido vertical, lesando menos glândulas), mas se muito grande é cirúrgico.

  • Abscesso, Eczema, Erisipela, Herpes, Meibomite, Tarsite, Litíase




  • Estenose da glândula de meibomio: cisto (calázio)  hordéolo (se infectar).


Tumefação do corpo palpebral por infiltração líquida (exceto pus) ou gasosa

  • Por serosidade (edema palpebral): inflamatório (unilateral + sinais inflamatórios. Bilateral se em surtos de conjuntivite) ou não inflamatório (bilateral, sem sinais inflamatórios, geralmente alérgico)

  • Por matéria mucóide – Mixedema: aumento do muco, mais espesso

  • Por ar – Enfisema: fratura do assoalho da órbita (visível ao RX)

  • Por sangue – Equimose, hematoma


Xantelasma: tumoração estética, por depósito de gordura. O tratamento é cirúrgico. Injeção de acido cloroacético.

Poliose: descoloração ciliar
CONJUNTIVA

Membrana mucosa delgada que reveste a parte interna das pálpebras (conjuntiva palpebral) para o globo ocular onde o reveste em seu segmento anterior (conjuntiva bulbar). É firmemente aderida na borda da pálpebra e no limbo esclerocorneano.


Funções:

  • Proteção

  • Mecânica – facilita deslocamento do globo ocular

  • Lubrificação corneana (película pré-corneana)

  • Defesa


Constituição

  • Epitélio

  • Corion adjacente ou subtância própria

  • Células caliciformes (entre as células do epitélio) – produtoras de muco

  • Dupla vascularização (deriva dos vasos do fundo de saco): artérias conjuntivais posteriores (ramos das artérias palpebrais) e artérias ciliares anteriores


Hiperemia conjuntival

  1. Injeção conjuntival: conjuntivais posteriores – vasos vermelhos de diferentes calibres invadem a córnea devido a alterações externas do globo ocular

  2. Injeção ciliar: ciliares anteriores – restrita ao limbo esclerocorneano, com vasos mais escuros (arroxeados) por inflamações internas (deve-se medir acuidade visual)


Inervação sensitiva: Ramos lacrimo-nasais e frontal do V par craniano (trigêmeo)
Conjuntivite

Toda e qualquer inflamação da mucosa conjuntival caracterizada por:



  • Dilatação vascular

  • Infiltração celular

  • Exsudação celular ou proteinácea


Sintomas: olho vermelho, secreção, irritação, prurido, sensação de corpo estranho
Causas:

  1. Infecciosas

  • Viral – ↑secreção lacrimal, olho vermelho. Demora para curar. Tto: compressas frias + soro fisiológico + AINE

  • Bacteriana – secreção lacrimal purulenta, amarela, olho grudado (com ATB: cura em 3-4 dias) Tto: ATB colírio 1g hora em hora/1semana, higiene, separar objetos de uso pessoal.




  1. Não infecciosas

  • Alérgicas – prurido, nódulos (folículos ou papilas)

  • Mecânicas (traumáticas): entrópio, ectrópio, corpo estranho, lente de contato

  • Químicas – altamente dolorosa (tto: lavagem intensa)


Síndrome inflamatória conjuntival

  • Hiperemia

  • Edema (quemose)

  • Secreção (aquosa, mucosa, purulenta)

  • Folículos (nódulos esbranquiçados por ausência de vascularização)

  • Papilas (maiores que os folículos por serem vascularizadas)


Hemorragia subconjuntival

  • Derrame de vaso subconjuntival.

  • Causado por: HAS (pp), DM, tosse intensa, discrasia sanguínea, etc.

  • Não altera acuidade visual.

  • Não é necessário tratamento (vai ser reabsorvido)


Pterígio

Neoformação conjuntival do canto interno ou externo, de forma triangular, cujo vértice invade a córnea. Pode embaçar a visão se cobrir a pupila. O tratamento é cirúrgico



  • Conjuntivite membranosa: retirar cirurgicamente

  • Papiloma da conjuntiva: raro

  • Melanose da conjuntiva: excesso de pigmento

  • Carcinoma da conjuntiva: extremamente metastático (tto: enucleação)

  • Dermóide da conjuntiva: tumor de gordura

  • Avitaminose A: sinal de Bitot – escotoma da conjuntiva

  • Melanoma maligno da conjuntiva: metastático


CRISTALINO

  • Corpúsculo esférico, biconvexo, constituído de núcleo, córtex e cápsula.

  • Localiza-se na câmara posterior do olho.

  • Sua função é focar os raios luminosos sobre a retina.

  • É formado por 30% de proteína e 70% por água.

  • Transparente: Sem vascularização e sem nervos

  • Está preso pelo ligamento suspensor do cristalino, ou zônulas de Zinn (do corpo ciliar até sua face anterior)

  • Acomodação do cristalino: efeito zoom


Crianças: tem grande poder de acomodação, que pode mascarar déficit visual. Assim, no exame ocular, é necessária a dilatação da pupila. O colírio promove cicloplegia (paralisia da acomodação) e midríase (secundário, não importante para o exame de refração).
Semiologia

  • Anamnese (QP: visão turva)

  • Iluminação oblíqua – dilata-se a pupila e projeta-se a luz no centro pupilar. Método falho pois também aparecem opacificações de outras estruturas transparentes (córnea, humor aquoso, cristalino e vítreo)

  • Biomicroscopia – exame de escolha (lâmpada de fenda)


Alterações traumáticas

  1. Ferimentos: diretos/indiretos

  2. Luxação (visão embaçada)

  • Vítreo: observação e correção da visão

  • Câmara anterior: cirúrgico (na hora) por causar glaucoma secundário

  • Subconjuntival : cirúrgico

  1. Subluxação (diplopia monocular)

  • Hifema – sangramento câmara anterior

  • Iridodonese – tremor da íris que ocorre quando há luxação (não tem onde se apoiar)


Cristalopatias

  1. Alterações congênitas

  • Colobomas: falta um pedaço do cristalino

  • Ectopias: luxação / subluxação

  • Lentecone: exagero de curvatura anterior (alta miopia) ou posterior.

  • Opacificação: catarata

  1. Catarata (turvação progressiva do cristalino)

  • Rubéolica: descolamento da retina (complicada – glaucoma secundário)

  • Em roséola: opacificação em flor. Visão não tão turva.

  • Tratamento clinico: medicamentos que retardam a opacificação, mas não curam

  • Tratamento cirúrgico: Facectomia (retirada do cristalino)

  • Intracapsular – abre o globo ocular e retira o cristalino por inteiro congelado, correção com óculos

  • Extracapsular – retirada do núcleo pelo rompimendo da cápsula anterior do cristalino, mantendo a cápsula posterior para colocação de prótese. Se ela estiver opacificada (ou se opacificar com o tempo), usa-se o tratamento com laser para seu rompimento.

  • Facoemulsificação: aspiração dos fragmentos nucleares do cristalino, por meio de orifício na câmara anterior. Insere-se uma lente dobrada no orifício, sem necessidade de suturar. Entretanto, não se pode fazer em cataratas avançadas.

  • Causas: Corticóide, Sol, Radiação ionizante, Traumatismo, Desnaturação protéica (idoso)


MOVIMENTO OCULAR



Inervação

  • III – RS, RI, RM, OI

  • IV – OS

  • VI – RL

Irrigação: artéria oftálmica
Fisiologia dos movimentos oculares

Músculo

Ação primária

Ação secundária

Reto medial

Adução

--

Reto lateral

Abdução

--

Reto superior

Elevação

Adução e Inciclodução

Reto inferior

Depressão

Adução e Exciclodução

Oblíquo superior

Inciclodução

Depressão e Abdução

Oblíquo inferior

Exciclodução

Elevação e Abdução




Ação dos músculos agonistas + Ação do músculo antagonista

  • Lei de Hering: Sempre que há estímulo nervoso a um músculo, há um estímulo idêntico ao conjugado

  • Lei de Sherrington: Sempre que há estímulo para ativação de um músculo, há estímulo inibitório do antagonista


Fisiologia da visão binocular

A profundidade (estereopsia) se deve à área à frente (horóptero) e atrás (área de pannum) e inserção da luz nestas linhas imaginárias no espaço.


Ambliopia

Acuidade visual reduzida sem lesão ocular que a justifique (cérebro não consegue interpretar a imagem). Há redução da visão central, com permanência da periférica. Em crianças não se faz visão dupla, apenas com 4-5 anos. Assim, o ideal é que seja detectada com 2-3 anos e tratada até 4-5 anos para que seja corrigida para sempre.



  • Estrabísmica: olho fora de posição

  • Anisometrópica: um olho míope e outro hipermetrope

  • Por privação


Estrabismo

Não alinhamento ocular. Permite detecção de doenças oculares e sistêmicas (deve ser corrigido assim que detectado)



  • Concomitante: o ângulo de desvio é igual em todas as direções do olhar

  • Não concomitante: o ângulo de desvio varia de acordo com as direções do olhar


Pode ocasionar:

  • Disfunção da visão binocular

  • Supressão e/ou ambliopia

  • Alterações psicológicas e exclusão social


Diagnóstico:

Anamnese, Inspeção, Exame oftalmológico, Semiologia motora e sensorial

Semiologia motora


  • Teste de Hirschberg: coloca-se a lanterna no escuro e pede-se para o paciente olhar na direção. Se o reflexo é no centro pupilar não há estrabismo. Se não está no centro, tem estrabismo.

Bordo pupilar (15º), Entre bordo e limbo (30º), Limbo (45º)

  • Teste de Krimsky: realizado com lente prismática e luz

  • Teste de cobertura: tapa-se o olho bom e olho desviado fica em posição normal


Tratamento:

  • Óculos – quando causado por hipermetropia (causa mais comum)

  • Oclusão – oclui o olho bom em horas ou dias alternados

  • Cirurgia – aborda a musculatura


Estrabismo secundário

  • Ocorrem por doenças oculares ou sistêmicas que provocam baixa visual.

  • Antes dos 5 anos: esotropias (olho para dentro)

  • Depois dos 5 anos: exotropias (olho para fora)

  • Como a musculatura ocular é normal, os desvios são concomitantes



ESCLERA_E_OLHO_VERMELHO__CÓRNEA__Anatomia'>CÓRNEA, ESCLERA E OLHO VERMELHO

CÓRNEA

Anatomia: 5 camadas – Epitélio, Membrana de Bowman, Estroma, Membrana de Descemet, Endotélio
Fisiologia

  • Poder dióptrico

  • Limbo esclerocorneano

  • Inervação: trigêmeo (V)

  • Nutrição: vasos límbicos, humor aquoso e lágrima

  • Transparência: avascular, deturgente, disposição regular celular

  • Nébula  mácula  leucoma


Quadro clínico

  • Dor: 1ª divisão do nervo trigêmeo – plexo subepitelial, plexo estromal

  • Borramento da AV

  • Halos

  • Fotofobia

  • Lacrimejamento


Exames

  • Biomicroscopia (lâmpada de fenda)

  • Queratometria

  • Topografia corneana

  • Microscopia especular da córnea

  • Paquimetria (espessura)




  • Halo senil: degeneração ao redor da córnea, com a idade.

  • Pannus (vasos)

  • Anel de Kaiser-Fleischer: depósito de cobre

  • Vesículas: herpes no ramo oftálmico

  • Ectasia e amolecimento: ceratocone


Filme lacrimal

  • Lipídica: Glândulas de Meibomio e Zeiss

  • Aquosa: Glândulas lacrimais, Krause e Wolfring

  • Mucina: células caliciformes


BUT (Tear film break-up time)

Teste que mede o intervalo entre o ultimo piscar e o aparecimento do dry spot (áreas sem filme lacrimal). O normal é ser >10seg. Usa-se fluoresceína 1% e testa-se lipídeos.


Teste de Schirmer

Suspeita de deficiência aquosa. Filtro de papel. Schirmer I ou II


Rosa bengala

Afinidade por células mortas ou desvitalizadas, ou muco



Desvantagem: irritação ocular

ESCLERA

  • Externamente: Córnea

  • Internamente: Úvea e retina

  • Avascular


Inflamação

  • Esclerite: profunda (altamente dolorosa, mais exuberante)

  • Episclerite: superficial

  • Imóveis quando vistas na lâmpada de fenda


OLHO VERMELHO




Conjuntivite aguda

Uveíte anterior aguda

Glaucoma agudo

Úlcera de córnea

Hemorragia subconjuntival

Secreção

Moderada a abundante

ausente

ausente

Aquosa ou purulenta

ausente

Visão

conservada

Pouco borrada

Muito borrada

Geralmente borrada

conservada

Hiperemia

difusa

pericorneana

pericorneana

pericorneana

localizada

Córnea

transparente

transparente

turva

turva

transparente

Pupila

normal

miose

midríase

normal

normal

Resposta pupilar à luz

normal

diminuída

ausente

Normal ou diminuída

normal

Pressão intra-ocular

normal

normal

elevada

normal

normal

Uni/bilateral

bilateral

unilateral

unilateral

unilateral

unilateral







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