Alan Turing: legados para a computação e para a humanidade



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Alan Turing: legados para a computação e para a humanidade

Introdução

Andre Noronha Furtado de Mendonca, Camila Mozzini e Clarissa Felkl Prevedello

O Museu da UFRGS apresenta a exposição Alan Turing: legados para a computação e para a humanidade, visa trazer ao público a vida e a obra do britânico matemático, lógico, criptoanalista e cientista da computação, conhecido por criar as condições para a computabilidade e assumir um papel central na elaboração dos primeiros computadores. Turing foi o matemático que por meio de seus cálculos venceu as bombas de Hitler, mas em vez de ter seu nome consagrado, morreu esquecido.

Alan Turing nasceu em 1912, em Londres. Sendo um garoto tímido, não apresentava muito talento para o convívio social e não tinha muito cuidado com a aparência. Na escola, era conhecido apenas por ser esquisito introvertido, irônico e pouco disposto a respeitar regras.

Com 24 anos, publicou um artigo de grande importância para a matemática pura, chamando Sobre os Números Computáveis. Nele, provava que existiam cálculos impossíveis de serem feitos, além de constatar uma aplicação prática que ninguém, na época, havia percebido. Turing imaginou uma máquina capaz de fazer todos os cálculos possíveis, desde que lhe dessem as instruções adequadas. Mesmo o artigo não fazendo menção a chips ou processadores, ele apresentava fórmulas matemáticas, que descreviam exatamente o que, mais tarde, mudaria o mundo: o computador.

Um de seus textos mais famosos é Máquinas computacionais e inteligência que, com análises técnicas e considerações filosóficas, respondia a algumas das especulações da época acerca da possibilidade das máquinas dominarem o ser humano. Mas a argumentação de Turing é muito interessante: ele dizia que a infalibilidade não é necessariamente um pré-requisito da inteligência, por isto as máquinas não seriam necessariamente inteligentes. Mas ao mesmo tempo o aborrecia a tendência “maquinal” dos intelectuais em achar que uma máquina nunca pode alcançar o cérebro humano, simplesmente porque o cérebro é… humano. Ele se perguntava se um carro precisava de pernas para correr mais que um humano.

Interessado na Inteligência Artificial, Turing também foi o responsável pelo desenvolvimento de um teste, conhecido como Teste de Turing, que consistia em um operador não poder diferenciar se as respostas a perguntas elaboradas pelo operador eram vindas ou não de um computador. Caso afirmativo, o computador poderia ser considerado como dotado de inteligência artificial. Sua máquina pode ser programada de tal modo que pode imitar qualquer sistema formal. Desde então a ideia de computabilidade começou a ser delineada.

Em 1939, durante a Segunda Guerra Mundial, Turing trabalhou para a inteligência britânica em Bletchley Park, em um centro especializado em quebra de códigos. Turing foi convocado pelo exército britânico para decifrar o código de uma máquina chamada Enigma, um sistema de engrenagens capaz de embaralhar as letras das mensagens antes da transmissão por telégrafo. Os alemães consideravam os códigos da Enigma indecifráveis, porém Turing conseguiu quebrá-los.

Mas ele não foi só um teórico, também sujou as mãos na graxa. Um de seus inventos, o Colossus, um enorme emaranhado de servo-motores e metal, considerado um precursor dos computadores digitais. No começo, demoravam semanas para tornar uma mensagem compreensível. Mas, em 1942, os ingleses já utilizavam a máquina para decodificar 50 000 mensagens por mês, cerca de uma por minuto. Isso propiciou que os submarinos alemães fossem rapidamente abatidos.

Durante a guerra, Turing foi enviado aos Estados Unidos a fim de estabelecer códigos seguros para comunicações transatlânticas entre os aliados. Supõe-se que foi em Princeton, NJ, que conheceu John Von Neumann e daí ter participado no projeto do ENIAC na universidade da Pensilvânia.

Devido a todos esses feitos, Alan Turing é tido como o Pai da ciência da computação.

Na noite de 7 de junho de 1954, o matemático morre, durante uma crise de depressão devido às perseguições que sofria por ser homossexual. Foi encontrado deitado em sua cama após morder uma maçã que havia sido mergulhada numa jarra de cianeto.

Breve Biografia:

1912 - Nasceu em 23 de junho, em Warrington Crescent, 2, Londres W9, Reino Unido.
1922 – Cursou a Escola Preparatória de Hazelhurst.
1926 – Cursou o ensino médio na Escola de Sherborne em Dorset.
1931 – Começou a estudar matemática no Kings College, Cambridge.
1935 - É eleito membro associado do Kings College.
1936 - Publica seu trabalho teórico mais importante: Sobre números computáveis, com uma aplicação para o Entsheidungsproblem. A partir desse trabalho, funda-se a ciência da computação moderna. Muda-se de Cambridge para a universidade de Princeton, nos EUA, para continuar sua pesquisa.
1938 – Conclui sua tese de doutorado: Sistemas de lógica baseada em números ordinais. Retornou à sua cadeira em Kings.
1939 - Passou a residir em Bletchley Park, no primeiro dia da segunda guerra.Começa a decifrar os os códicos da versão naval da máquina Enigma. Inventou o Banburismus e projetou a Bombe.
1940 – Conclui a primeira Bombe, chamada Vitória, instalada na Cabana 8.
1941 – Quebra os códigos da versão naval da máquina Enigma pela primeira vez, contribuindo decisivamente para a guerra submarina.
1942 – Somou esforços à equipe que tentava decifrar a máquina alemã Lorenz. Inventou o Turingismus, o primeiro método sistemático para quebrar os códigos da Lorenz e o precursor dos métodos utilizados no Colossus. Atravessou Atlântico para entrar em contacto com decifradores norte-americanos e construtores da Bombe.
1943 - Começou a trabalhar com criptografia de voz no Hanslope Park.
1945 – Associou-se ao National Physical Laboratory (NPL) em Teddington e projetou o computador ACE.
1945 - Premiado na OBE por seus serviços na segunda guerra.
1946 - Deu início a um ciclo de palestras sobre o projeto do computador, em Londres, entre dezembro de 1946 e fevereiro de 1947.
1947 – Realizou a primeira paletra que se tem notícia sobre inteligência computacional, fundando assim, o campo que agora é chamado de Inteligência Artificial.
1948 - Descreveu uma máquina de computação neural simpes, antecipando o campo agora conhecido como redes neurais. Deixou o NPL e associou-se ao Laboratório de Máquinas de Computação de Manchester.
1949 – Desenvolveu um trabalho pioneiro no campo agora conhecido como programas de verificação.
1950 - Publicou Máquinas de computação e inteligência, berço do que atualmente é conhecido como teste de Turing. Escreveu o Manual dos programadores para Manchester Electronic Computer.

1950 – Declara o homosexualismo como sua opção sexual.


1951 – É eleito membro da Sociedade Real de Londres.

1951 – Aceita submeter-se à administração de hormônios femininos como forma de castração química, com a finalidade de evitar processo judicial e prisão por atentado ao pudor.


1952 - Publicadou a base química da morfogênese, antecipando a campo agora conhecido como Vida Artificial.
1952 – É condenado por atentado violento ao pudor. É afastado de sua pesquisa em computação e sofre humilhação ública.
1954 - Morre envenenado por cianeto.

Em 11 de setembro de 2009, 55 anos após sua morte, o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, pediu desculpas formais em nome do governo britânico pelo tratamento preconceituoso e desumano dado a Turing.

Fonte: Bletchley Park National Codes Centre

A Exposição Alan Turing Brasil 2012

Para que o visitante do Museu da UFRGS possa entender melhor os legados de Turing, a exposição foi dividida em 5 partes, que pretendem esclarecer melhor os aspectos mais relevantes da obra de Turing.

No hall de entrada será possível assistir a um vídeo biográfico sobre Alan Turing e conhecer os conteúdos disponíveis em todas as áreas. Haverá também uma mesa interativa com a qual o visitante poderá interagir com uma experiência de realidade aumentada.

No segundo ambiente, o visitante conhecerá a máquina Enigma e entenderá como Turing pôde influenciar na vitória dos Aliados contra a ofensiva alemã. Turing também contribuiu para o desenvolvimento da inteligência artificial. Nesse sentido, o visitante poderá participar do teste de Turing em salas de bate-papo e descobrir se do outro lado existe uma pessoa ou apenas uma máquina. Compreenda a ponte que une dois grandes momentos da humanidade: a Segunda Guerra e a internet através da Criptografia.

Na terceira área, ambientada na decoração interna de Bletchley Park, o visitante irá conhecer o funcionamento da máquina de Turing e entender como a matemática contribuiu para a computação, além de conhecer outros pensadores contemporâneos a Turing, como John von Neuman, entre outros, que continuaram sua pesquisa.

A quarta área é destinada a ficção científica, ética e robótica, nesta área o público poderá conhecer como a ficção científica influenciou nos avanços da ciência, inclusive em campos como a filosofia. Irá ser confrontado com questões éticas relativas ao desenvolvimento de máquinas inteligentes e poderá descobrir um pouco do que já se tornou realidade e o que está sendo produzido no mundo da robótica, inclusive, aqui, na UFRGS.

No quinto ambiente o visitante será questionado: Será que as máquinas de fato despertarão para a consciência? O que seria a consciência? O que é ser inteligente? O despertar do Eu nas máquinas é uma questão de tempo, ou é algo que jamais será alcançado? Esta área irá levantar tais questões ao público, questões estas que ainda se encontram em aberto. Serão confrontadas as duas principais correntes filosóficas que abordam esse assunto, mas a conclusão caberá ao visitante.

Também será oferecida uma área para a projeção de vídeos relacionados com o trabalho de Alan Turing e o visitante poderá também participar votando no concurso de vídeos, parte integrante das atividades que compreendem o Ano Alan Turing Brasil 2012.

Sendo assim, a exposição visa tornar mais conhecida essa importante figura que muito contribuiu para o desenvolvimento da computação, trazendo suas contribuições para o conhecimento do público acadêmico e não acadêmico.



Referências

BURGIERMAN, D. R. Alan Turing. Super Interessante. Ed. 159. Dez de 2000.


LEAVITT, D. O Homem Que Sabia Demais: Alan Turing e a Invenção do Computador. Ribeirão Preto: Novo Conceito, 2007. 




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