Ação da reposição fitoterápica com isoflavonas na histomorfometria do tecido ósseo de ratas Wistars ooforectomizadas



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Ação da reposição fitoterápica com isoflavonas na histomorfometria do tecido ósseo de ratas Wistars ooforectomizadas
Juliana Roncini Gomes da Costa(PIBIC/CNPq/Unioeste), Regina Inês Kunz, Rose Meire Costa Brancalhão, Lucinéia de Fátima Chasko Ribeiro(Orientador), e-mail: jullicostta@hotmail.com
Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Ciências Biológicas e da Saúde/Cascavel, PR.
Ciências Biológicas - Morfologia
Palavras-chave: fitohormônio, morfometria, tíbia.
Resumo

Com o aumento da expectativa de vida da população brasileira, há consequentemente o envelhecimento populacional e para a mulher este período é marcado pela menopausa, distúrbio que traz transtornos médicos e psicológicos, como a redução gradativa do hormônio estrogênio. Essa deficiência hormonal promove uma remodelação no tecido ósseo, levando a alterações morfológicas que causam dor e incapacidade locomotora. No tratamento desta patologia, pode ser utilizada a terapia de reposição hormonal de estrógenos, porém, há um crescente número de pesquisas sobre o uso de fitoterápico como a Isoflavona, que possui efeitos semelhantes à hormonal convencional. No entanto, ainda existe controvérsia sobre a sua ação sobre o tecido ósseo, assim, este estudo avaliou a influência do uso de fitoestrógeno da soja na tíbia de ratas submetidas à ooforectomia. Para tal, trinta ratas Wistar foram divididas em três grupos: Grupo Controle (G1), Grupo Ooforectomia (G2) e Grupo Ooforectomia e Fitoestrógeno (G3). Os animais dos G2 e G3 foram submetidos a um protocolo de ooforectomia para indução da menopausa, sendo os animais do G3, tratados com o fitohormônio Isoflavona. Após quinze dias de tratamento, todos os animais foram eutanasiados e coletadas as tíbias direitas para análise histomorfométrica. Os resultados das análises revelaram que não houve diferença significativa entre os grupos. Concluindo-se que tanto o protocolo de ooforectomia quanto o tratamento com Isoflavona não causaram alterações significativas nos tecidos ósseos da tíbia.


Introdução
A expectativa de vida da população brasileira vem crescendo com as alterações nas pirâmides etárias, consequência da redução da mortalidade infantil e da taxa de fertilidade, assim como a melhoria dos serviços médicos, levando ao envelhecimento populacional. No processo de envelhecimento as mulheres passam pelo climatério, também conhecido como menopausa, que corresponde ao período de transição entre a fase de procriação e não procriação (Ferreira et al., 2013). Transtornos médicos e psicológicos como distúrbios vasomotores e urogenitais e a redução lenta e gradativa do hormônio estrogênio no corpo surgem nessa fase (Caputo & Costa, 2014). A relação entre a deficiência hormonal e a facilidade para o desenvolvimento de doenças relacionadas à perda óssea, vem sendo estudada em diversos trabalhos da literatura, sendo uma das principais causas da osteoporose (Lee et al., 2013).

Com tantas alterações, o tratamento da menopausa pode ser feito com o uso do exercício físico, ingestão de cálcio e vitamina D (Rizzoli et al., 2014) e pela terapia de reposição hormonal. Esta vem sendo utilizada desde a década de 60 e ainda há controvérsias sobre os riscos e benefícios da terapia. De acordo com evidências científicas apresentadas por Pardini (2014) o uso da reposição em baixas doses de estrógeno traz um efeito protetor sobre a densidade mineral óssea, porém, há indícios de que o estrogênio acaba resultando em alterações no endométrio e tromboembolismo venoso.

Desta forma, pesquisas sobre alternativas para o tratamento dos efeitos da menopausa se fazem necessários, como estudos com o uso de isoflavonas, fitoestrôgenos derivados da soja semelhantes ao estrógeno. A isoflavona busca compensar a deficiência hormonal durante a fase do climatério e mesmo que dados tragam que seus efeitos estrogênicos sejam pequenos, ela ainda pode exercer um efeito agonista, substituindo funcionalmente o estrogênio e atuando nos efeitos da menopausa (Silva et al., 2014).

Visto que os efeitos do uso de fitoestrogênios ainda não são totalmente esclarecidos e a substituição da terapia hormonal convencional por estes vem sendo utilizada (Wei et al., 2012), este estudo buscou analisar os efeitos da terapia com a Isoflavona na histomorfometria do tecido ósseo de ratas Wistars ooforectomizadas.


Material e Métodos
Grupo amostral

O grupo amostral foi composto por 30 ratas Wistar, com peso médio de 350g, obtidas do Biotério Central da Unioeste em ambiente com temperatura de 23±1ºC, com fotoperíodo de 12 horas, recebendo água e ração ad libitum. Os animais foram divididos aleatoriamente em três grupos, sendo: grupo Controle (G1): ratas não submetida à intervenção; grupo Ooforectomia (G2): ratas submetidas ao protocolo de ooforectomia como forma de indução da osteoporose; grupo Ooforectomia e Reposição com Isoflavona (G3): ratas submetidas ao protocolo de ooforectomia como forma de indução da osteoporose e tratadas com terapia de reposição fitoterápica.



Protocolo de Ooforectomia e Reposição com Isoflavona

Aos 79 dias de vida, os animais foram anestesiados e foi realizado o procedimento de ressecção dos ovários bilateralmente. Ao final do procedimento, foram realizadas suturas por planos e os animais realocados nas mesmas condições pré cirúrgicas. A reposição hormonal do grupo G3 foi realizada por quinze dias, de acordo com protocolo adaptado de Chow et al. (1992) utilizando-se isoflavona (0,25 mg/kg/dia), através de aplicação subcutânea no dorso dos animais.



Processamento Histológico e análise

Após o período de tratamento, os animais foram eutanasiados, as tíbias direitas foram coletadas e processadas para inclusão em parafina e coloração em hematoxilina e eosina (HE). As lâminas foram analisadas e fotomicrografadas em aumento final de 40x para analise da área do canal medular e no aumento de 100x, para mensurar a espessura do osso cortical, em três pontos equidistantes da tíbia (Simas et al., 2016). Os dados obtidos foram analisados no programa Graph Pad Prism 6.0® por meio de ANOVA com pós teste de Tukey, com p<0,05.


Resultados e Discussão
Na análise do tecido ósseo da tíbia, foi verificado que tanto o modelo de privação hormonal quanto o com reposição com isoflavonas, não foram efetivos na remodelação óssea, conforme tabela 01.
Tabela 1: Parâmetros histomorfométricos da tíbia de ratas.

GRUPOS

Área do Canal Medular (µm2)

Espessura do Osso Cortical (µm)

G1

1870679 ± 381527

365,6 ± 28,80

G2

1538966 ± 370358

378,6 ± 29,79

G3

1775760 ± 110247

372,1 ± 39,29

Valores expressos como média ± desvio padrão da média.
Estes achados corroboram os estudos de Alexandersen et al. (2001) em que 474 mulheres na pós menopausa foram tratadas durante 36 meses com Ipriflavona (Isoflavona sintética) e não apresentaram resultados significativos na densidade óssea. Já Potter et al. (1998) observaram que o tratamento de mulheres no climatério com 90 mg de Isoflavona diariamente durante 6 meses, resultou em um pequeno aumento da massa óssea lombar em relação aos valores basais.

Modelos animais de ooforectomia são amplamente usados para reproduzir a diminuição hormonal existente no período do climatério e estudar as alterações na massa óssea. Netto et al. (2006) verificaram em seus estudos a diminuição sérica de estrogênio no grupo que sofreu a ovariectomia, e alteração na superfície de fêmures, surgindo fossas de reabsorção visivelmente profundas. Isso sugere que o pouco tempo de espera pós cirurgia de ooforectomia e inicio da reposição com isoflavona, não foi suficiente para causar alterações no tecido ósseo da tíbia.

Apesar de não haver alterações ósseas, a literatura traz que os fitoterápicos estão sendo utilizados como maneira alternativa para tentar equilibrar a perda hormonal ocasionada na menopausa (Silva et al., 2013; Moreira et al., 2014). No estudo de Picherit et al. (2001) o tratamento com doses de Isoflavona suplementada na ração, preveniu a perda óssea induzida por ovariectomia. Sua utilização no tratamento da osteoporose foi relacionada em pesquisas epidemiológicas, onde mulheres asiáticas no período da pós-menopausa possuíam uma incidência menor de osteoporose, possivelmente explicada pela alta ingestão de produtos derivados da soja (Carvalho, 2014).
Conclusão
A indução da ooforectomia e o tratamento fitoterápico com Isoflavona não produziram alterações histomorfométricas na área do canal medular e espessura do osso cortical das tíbias de ratas Wistars submetidas a esse procedimento.
Agradecimentos
Ao CNPq pela bolsa e ao CRF pelo auxílio financeiro.
Referências
Alexandersen, P., Toussaint, A., Christiansen, C., Devogelaer, J.P., Roux, C., Fechtenbaum, J., Gennari, C. & Reginster, J.Y. (2001). Ipriflavone in the Treatment of Postmenopausal Osteoporosis: A Randomized Controlled Trial. American Medical Association 285, 1482-1488.
Caputo, E.L. & Costa, M.Z. (2014). Influência do exercício físico na qualidade de vida de mulheres pós-menopáusicas com osteoporose. Revista Brasileira de Reumatologia 54, 467-473.
Carvalho, H.V.M. (2014). As Evidências do Consumo das Isoflavonas da Soja na Saúde da Mulher: Revisão de Literatura. UNOPAR Científica Ciências Biológicas e da Saúde 16, 353-359.
Chow, J., Tobias, J.H., Colston, K.W. & Chamber, T.J. (1992). Estrogen maintains trabecular bone volume in rats not only by suppression of bone resorption but also by stimulation of bone formation. Jornal of Clinical Investigation 89, 74-78.
Lee, W.L., Cheng, M.H., Tarng, D.C., Yang, W.C., Lee, F.K. & Wang, P.H. (2013). The Benefits of Estrogen or Selective Estrogen Receptor Modulator on Kidney and its Related Disease-chronic kidney disease-Mineral and Bone Disorder: Osteoporosis. Journal of the Chinese Medical Association 76, 365-371.

Netto, C.C., Franco, M., Cunha, M.S.C.A. & Miyasaka, C.K. (2006). Efeitos da Ovariectomia Experimental no Metabolismo Ósseo de Ratas Wistar Adultas: Um modelo para Estudo da Osteoporose. Revista de Ciências Médicas e Biológicas 5, 231-238.



Pardini, D. (2014). Terapia de reposição hormonal na menopausa. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia 58, 172-181.
Picherit, C., Chaneranne, B., Pelissero, C.B., Davicco, M.J., Lebecque, P., Barlet, J.P. & Coxam, V. (2001). Dose-dependent Bone-sparing Effects of Dietary Isoflavones in the Ovariectomized Rat. British Journal of Nutrition. 85, 307-316.
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Simas, J.M.M., Brancalhão, R.M.C., Ribeiro, L.F.C. & Bertolini, G.R.F. (2016). Influence of Ladder Climbing Exercise on Bone of Rats Induced to Osteoporosis and Immobilizaion. Archivos de Medicina del Deporte 33, 176-182.
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