A traduçÃo audiovisual como ferramenta de apoio à aquisiçÃo de uma língua estrangeira



Baixar 0.52 Mb.
Página4/8
Encontro21.10.2017
Tamanho0.52 Mb.
1   2   3   4   5   6   7   8

Capítulo 5. Estudo de caso

5.1. Objectivos

Aprendi mais inglês com as séries que vi na RTP do que nas aulas de inglês, até aprendi coisas que só saberia usar no contexto em que as vi, o caso das palavras “objection” e “sustained” repetido mil vezes nas séries sobre advogados e tribunais.


Teresa Paixão (Entrevista, Apêndice 2).

Investigações desenvolvidas nas últimas décadas e em diferentes países sobre a tradução audiovisual (legendagem e dobragem) coincidem em considerar que as experiências televisivas das crianças contribuem para tornar a televisão num meio facilitador e promotor da aprendizagem. Tendo em conta estas premissas, centrámos o nosso estudo de caso na análise da percepção que as crianças têm dos programas que vêem na televisão, em particular dos filmes/desenhos animados que lhes são dirigidos. Pensamos ser útil estudar o fenómeno da TAV do ponto de vista do público-alvo deste estudo, o público infanto-juvenil.

A nossa pesquisa não pretende ser exaustiva, mas antes perspectivar os hábitos de visionamento de programas televisivos, legendados ou dobrados, e de que forma influenciam os níveis de conhecimento das línguas (estrangeira e materna) das crianças dos 8 aos 11 anos de idade. Este estudo pretende averiguar de que forma se posicionam estas crianças no mundo audiovisual, mais especificamente, como encaram as opções de tradução audiovisual e como reagem aos conteúdos dobrados ou legendados.

Mais ainda e face ao estudo em causa foi delineado o seguinte objectivo específico: estudar os níveis de conhecimento nas Línguas Materna e Estrangeira e a sua relação com os hábitos de visionamento de programas (dobrados vs legendados).



5.2. Hipóteses
Para além de, com este estudo, se descrever os hábitos de visionamento das crianças portuguesas, dos objectivos preconizados e da análise da literatura formulamos as seguintes hipóteses:
H1: As crianças portuguesas não escolhem a programação que visionam em função do tipo de tradução (dobragem/legendagem), sendo que as práticas televisivas da audiência infanto-juvenil se orientam pelas tendências de programação.
H2: O visionamento com legendas ajuda a compreensão de programas infantis.
H3: As crianças com hábitos de visionamento de programas legendados apresentam níveis de conhecimento a língua materna e a língua estrangeira superiores às crianças com hábitos de visionamento de programas dobrados.


5.3. Amostra dos inquiridos
O estudo incide sobre uma amostra da população infanto-juvenil, repartida por dois contextos distintos (aqueles que visionam programas dobrados e os que visionam programas legendados). A totalidade da amostra engloba 609 indivíduos, de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 8 e os 11 anos de idade pertencentes à comunidade escolar da freguesia de Ermesinde, concelho de Valongo, distrito do Porto. Após aplicação do questionário, procedeu-se à divisão dos sujeitos em dois grupos de estudo: (i) o primeiro grupo constituído por 366 crianças, 134 do sexo masculino e 232 do sexo feminino que têm como hábito o visionamento de desenhos animados/séries dobrados, denominado de Grupo Dobragem (GD), (ii) o segundo grupo constituído por 243 crianças, 191 do sexo masculino e 52 do sexo feminino que têm como hábito o visionamento de desenhos animados/séries legendados, denominado de Grupo Legendagem (GL). As médias de idade, respectivamente quantificadas para os dois grupos de trabalho estão descritas no quadro 1 (apêndice 4).

5.3.1. Materiais/Instrumentos
Para a recolha de dados recorreu-se a um questionário elaborado especificamente para o efeito. O questionário era composto por duas partes: uma preenchida pelas crianças e outra pelos professores. O anonimato era garantido, salvaguardando todos os intervenientes, professores e crianças, daí a amostra ser referente a crianças da freguesia de Ermesinde, concelho de Valongo, distrito do Porto, com idades compreendidas entre os 8 e os 11 anos.

A primeira parte do questionário pretendia aferir os hábitos de visionamento das crianças relativamente a programas estrangeiros dobrados ou legendados em LM. A segunda parte do questionário pretendia demonstrar os níveis de conhecimento das crianças a LM e a LE. Para efeitos estatísticos atribuímos uma escala numérica, de 1 a 5, para classificação de níveis de conhecimento na LM e na LE.

Este corpus foi recolhido para permitir uma análise contrastiva que verificasse, através dos resultados dos questionários, a articulação dos hábitos de visionamento e dos níveis de conhecimento a língua materna e a língua estrangeira das crianças, numa faixa etária compreendida entre os 8 e os 11 anos.

5.3.2. Procedimentos estatísticos
Depois da recolha de dados, procedemos à organização do tratamento estatístico, utilizando os programas estatísticos Excel 1997, Word 1997 e SPSS 17.0 para Windows. Na análise descritiva das variáveis observadas verificamos a média, o desvio padrão e a amplitude. Procedeu-se ao estudo das diferentes distribuições de valores e da eventual presença de outliers; excluíram-se 4 crianças de 12 anos por representarem um desvio da amostra; da amostra inicial de 613 crianças, ficámos com 609 crianças.

Pela análise inferencial procedemos à comparação das variáveis em função do contexto (dobrado ou legendado), sexo e hábitos de visionamento (HV) e níveis de conhecimento (NC) nas línguas materna (LM) e estrangeira (LE), utilizando o t- teste de medidas independentes.

O nível de significância mínimo para rejeição da hipótese nula em todos os testes estatísticos foi fixado em 0.05.
5.3.3. Apresentação dos Resultados
A apresentação e discussão dos resultados advêm dos objectivos estabelecidos para o estudo. Este capítulo será repartido em diversos itens: Estatística Descritiva; Comparações dos hábitos de visionamento (HV) e níveis de conhecimento (NC) nas línguas materna (LM) e estrangeira (LE) e Expressão Diferencial dos HV/NC da LM e da LE em cada intervalo de idade.

5.4. Estatística Descritiva
No quadro 2 (apêndice 4) encontram-se descritas as médias, o desvio-padrão e a amplitude de variação para todas as variáveis na amostra total e nos dois grupos estudados (dobrado/legendado).
5.4.1. Pergunta 1

Estás habituado(a) a ver desenhos animados ou séries, na televisão, em Língua Estrangeira?” (Sim =1; Não =2)





Gráfico 1: Amostra Geral (% de crianças que estão habituadas a ver F/DA na televisão em LE)
A análise do gráfico 1 demonstra que 69% da nossa amostra total, correspondente a 417 crianças, afirmam estar habituados a ver filmes/desenhos animados (F/DA) em língua estrangeira (LE) na televisão enquanto que as outras 190 crianças (31%) respondem que não habituadas a ver este tipo de programas em televisão.

Em termos particulares e após análise dos gráficos 2 e 3 verificamos que ambos os grupos sugerem estar habituados a ver desenhos animados ou séries na televisão em Língua Estrangeira, sendo no entanto de realçar que essa evidência surge mais explícita no grupo legendado com 198 crianças a responderem Sim (81,8%) enquanto apenas 44 crianças responderam Não (18,2%). No grupo dobrado, 219 crianças (60,0%) afirmam estar habituadas a visionar desenhos animados ou séries na televisão em Língua Estrangeira, enquanto 146 crianças (40,0%) respondem negativamente a esta questão.




Gráfico 2: Grupo Dobrado Gráfico 3: Grupo Legendado

(% de crianças que estão habituadas a ver F/DA em LE)



5.4.2. Pergunta 3

Achas que um filme/desenhos animados com legendas perturba ou ajuda o visionamento?” (Perturba =1 Ajuda=2)




Gráfico 4: Amostra Geral (Opinião das crianças relativamente à questão:“Achas que um filme/desenhos animados com legendas perturba ou ajuda o visionamento?”)
Pela análise do gráfico 4 depreende-se que 76% da nossa amostra total, correspondente a 462 crianças afirmam que as legendas ajudam o visionamento de F/DA em LE na televisão, enquanto que as outras 147 crianças (24%) respondem que perturba.

Em termos particulares e após análise dos gráficos 5 e 6, os resultados expressam que as crianças da nossa amostra têm tendência a afirmar que as legendas nos Filmes/Desenhos Animados ajudam o visionamento. Das 366 crianças inquiridas pertencentes ao GD, 263 (71,9%) referem que as legendas ajudam o visionamento enquanto as restantes 103 crianças (28,1%) indicam que perturba. Esta mesma tendência comportamental verifica-se para o GL com os seguintes resultados: 199 crianças (81,9%) a responderem positivamente e 44 crianças (18,1%) a afirmarem que perturba.

Existe uma correlação desta resposta com a idade das crianças inquiridas; quanto mais velhas são as crianças, mais motivadas estão para o visionamento de programação televisiva infantil legendada (cf. 5.5.9). As crianças reagem positivamente à legendagem de programas televisivos, sendo possível afirmar que a visualização de programas legendados afecta positivamente as capacidades de leitura /audição das crianças e jovens.



Gráfico 5: Grupo Dobrado Gráfico 6: Grupo Legendado

(Opinião das crianças relativamente à questão: “Achas que um filme/desenhos animados com legendas perturba ou ajuda o visionamento?”)


5.4.3. Pergunta 4

Achas que as legendas ajudam a compreender melhor os Filmes/Desenhos Animados?” (Sim = 1; Não = 2; Talvez = 3)




Gráfico 7: Amostra Geral (Opinião das crianças relativamente à questão:“ “Achas que as legendas ajudam a compreender melhor os filmes/desenhos animados?”)

Pela análise do gráfico 7 depreende-se que 69% da nossa amostra total, correspondente a 364 crianças afirmam que as legendas ajudam a compreender melhor os F/DA em LE na televisão enquanto que as outras 25 crianças (6%) respondem que não ajuda; 150 crianças (25%) optaram por responder que as legendas talvez ajudem na compreensão de filmes/desenhos animados.

Das 366 crianças inquiridas, pertencentes ao GD, 247 (67,5%) responderam com o sim, indicando que as legendas ajudam a compreender melhor os filmes/desenhos animados; 27 crianças (7,4%) referem que as legendas não ajudam na compreensão. Esta aparente contradição poderá ser explicada pela forma como as crianças recebem a televisão. As crianças vêem frequentemente a programação que lhes é destinada e que é, essencialmente dobrada, mas vêem também, e com muita assiduidade, a programação familiar ou destinada a audiências. Este tipo de programação para públicos mais adultos recorre à legendagem como principal modalidade de tradução audiovisual.




Gráfico 8: Grupo Dobrado Gráfico 9: Grupo Legendado

(Opinião das crianças relativamente à questão:“Achas que as legendas ajudam a compreender melhor os filmes/desenhos animados?”)


Cerca de 92 crianças da nossa amostra escolheram o talvez (25,1%). Verificamos uma tendência comportamental diferente no GL; 177 crianças responderam afirmativamente (72,8%), indicando que as legendas ajudam na compreensão de filmes/desenhos animados, 8 crianças (3,3%) afirma que as legendas não ajudam na compreensão e 58 crianças (23,9%) inclina-se para o talvez relativamente à ajuda das legendas na compreensão de filmes/desenhos animados.

É legítimo afirmar que a legendagem tem sido negligenciada como meio privilegiado que é, no que respeita não só à aprendizagem de uma LE, mas também como a aprendizagem da LM, como “mecanismo” que prepara o cérebro para outras aprendizagens, num público infanto-juvenil e num contexto de aprendizagem informal.



5.4.4. Pergunta 5

Achas que com as legendas aprendes mais vocabulário em Língua Estrangeira?”





Gráfico 10: Amostra Geral

(Opinião das crianças relativamente à questão:“Achas que com as legendas aprendes mais vocabulário em Língua Estrangeira?”)


Pela análise do gráfico 10 verifica-se que 67% da nossa amostra total, correspondente a 409 crianças afirmam que com as legendas aprendem mais vocabulário em LE, enquanto que as outras 73 crianças (12%) respondem que não aprendem mais vocabulário com as legendas; o valor percentual correspondente ao talvez é 21%, representando 127 crianças inquiridas.

Das 366 crianças do GD, 233 (63,7%) responderam afirmativamente à questão, enquanto que 46 crianças (12,6%) escolheram a resposta negativa; 87 crianças (23,8%) indicaram não ter a certeza se com as legendas aprendem mais vocabulário em LE. Das 243 crianças pertencentes ao GL, 176 (72,4%) indica que acha que aprende mais vocabulário em LE através das legendas, 27 (11,1%) das crianças inquiridas neste grupo responde negativamente a esta questão e 40 crianças (16,5%) revela tendência para o talvez.





Gráfico 11: Grupo Dobrado Gráfico 12: Grupo Legendado

(Opinião das crianças relativamente à questão:“Achas que com as legendas aprendes mais vocabulário em Língua Estrangeira?”)


5.4.5. Pergunta 6

Numa escala de 1 a 5, indique o nível de conhecimento (NC) de língua materna (LM) desta criança.”




Gráfico 13: Amostra Geral (Níveis de Conhecimentos das crianças a Língua Materna)


Gráfico 14: Grupo Dobrado Gráfico 15: Grupo Legendado

(Níveis de Conhecimentos das crianças a Língua Materna)


Nesta questão sobre os níveis de conhecimento (NC) da língua materna (LM), a ser respondida pelo Professor da disciplina, as 365 crianças do grupo dobragem (GD) revelam os seguintes resultados: 4 níveis 1 (1,1%), 28 níveis 2 (7,7%), 103 níveis 3 (28,2%), 138 níveis 4 (37,8%) e 92 níveis 5 (25,2%). O grupo legendagem (GL), por sua vez, engloba 242 crianças e apresenta os seguintes valores: 1 nível 1 (0,4%), 15 níveis 2 (6,2%), 79 níveis 3 (32,6%), 93 níveis 4 (38,4%) e 54 níveis 5 (22,3%).

5.4.6. Pergunta 7

Numa escala de 1 a 5, indique o nível de conhecimento (NC) de língua estrangeira (LE) desta criança.”





Gráfico 16: Amostra Geral (Níveis de Conhecimentos das crianças a Língua Estrangeira)
Nesta questão sobre os níveis de conhecimento (NC) da língua estrangeira (LE), a ser respondida pelo Professor da disciplina, o grupo dobragem (GD) apresenta os seguintes resultados, depois de avaliadas 309 crianças: 15 com nível 1 (4,9%), 28 com nível 2 (9,1%), 82 com nível 3 (26,5%), 124 com nível 4 (40,1%) e 60 com nível 5 (19,4%). O grupo legendagem (GL), engloba 186 crianças e apresenta os seguintes valores: 7 com nível 1 (3,8%), 13 com nível 2 (7,0%), 59 com nível 3 (31,7%), 62 com nível 4 (33,3%) e 45 com nível 5 (24,2%).



Gráfico 14: Grupo Dobrado Gráfico 15: Grupo Legendado

(Níveis de Conhecimentos das crianças a Língua Estrangeira)



5.4.7. Comparação dos hábitos de visionamento (HV) e níveis de conhecimento (NC) das LM e LE nos dois grupos estudados (Dobragem/ Legendagem).
Pela observação do quadro 3 (apêndice 4) podemos analisar parcialmente cada variável em cada contexto. Comparando os dois contextos (dobrado e legendado) verificamos que há diferenças estatisticamente significativas nos hábitos de visionamento (HV), nomeadamente na Pergunta 1- Estás habituado(a) a ver desenhos animados ou séries, na televisão, em Língua Estrangeira? (p= 0.000); Pergunta 3 - Achas que um filme/desenhos animados com legendas perturba ou ajuda o visionamento? (p= 0.000) e Pergunta 5 - Achas que com as legendas aprendes mais vocabulário em Língua Estrangeira? (p= 0.000).
A análise ao quadro 3 (Apêndice 4) mostra que no que concerne os hábitos de visionamento (HV) podemos verificar que as crianças de ambos os grupos apresentam tendências de resposta semelhantes às variáveis estudadas. No entanto, constatamos que as crianças do grupo legendagem (GL) parecem estar mais habituadas a ver filmes e desenhos animados (F/DA) quando comparadas com as crianças do grupo dobrado (GD) e ainda que as crianças do GL sejam de opinião que os F/DA com legendas ajudam o seu visionamento quando comparadas com as crianças do GD, sendo estas diferenças estatisticamente significativas (p=0.000). Verificamos ainda que as crianças do GL são de opinião que as legendas ajudam à aprendizagem de mais vocabulário em LE comparativamente às crianças do GD (p=0.000).

No que diz respeito aos NC das LM/LE podemos depreender, através da análise do quadro, que relativamente à LM o GD apresenta níveis superiores quando comparados com o GL, ao contrário da comparação relativa à LE. Assim, na LE são as crianças do GL que apresentam níveis superiores comparativamente às crianças do GD. No entanto, estas diferenças encontradas não são estatisticamente significativas.

Começaremos por analisar os resultados do sexo masculino ao nível de cada variável dos hábitos de visionamento (HV) e níveis de conhecimento (NC) da língua materna (LM) e da língua estrangeira (LE), pela comparação distintiva entre os grupos estudados (Grupo Dobragem e Grupo Legendagem). Posteriormente faremos o mesmo para o sexo feminino. (cf. quadro 4 e 5, respectivamente. Apêndice 4).
Os rapazes do GL apresentam diferenças estatisticamente significativas relativamente aos rapazes do GD nas variáveis de HV: P1 (p=0.000) e P3 (p=0.000) e ainda no NC da LE (p=0.028). No NC da LM os rapazes do GL apresentam valores superiores comparativamente aos rapazes do GL mas sem diferenças estatisticamente significativas.

As raparigas pertencentes ao GL apresentam diferenças estatisticamente significativas relativamente às raparigas do GD nas variáveis de HV: P1 (p=0.000), P3 (p=0.004) e P5 (p=0.000). No NC da LM os rapazes do GL apresentam valores superiores comparativamente aos rapazes do GL mas sem diferenças estatisticamente significativas.

Relativamente aos NC das LM/LE podemos depreender, através da análise do quadro, que relativamente à LM as raparigas do GD apresentam níveis superiores quando comparadas com as raparigas do GL. Já na LE são as raparigas do GL que apresentam níveis superiores comparativamente às crianças do GD. No entanto estas diferenças encontradas não são estatisticamente significativas.

5.4.8. Comparação dos HV/NC das LM e LE entre os sexos masculino e feminino em cada grupo estudado (Dobrado/ Legendado).
A apresentação dos resultados entre os dois sexos, será exposta distintamente no grupo dobragem (GD) e grupo legendagem (GL), (cf. quadros 6 e 7. Apêndice 4).
No GD verifica-se a existência de diferenças estatisticamente significativas na variável P3 dos HV entre o sexo masculino e feminino (p=0.000). Assim, relativamente à P3 e apesar da tendência de resposta de ambos os sexos ser semelhante (1.64 e 1.76 para o sexo masculino e feminino respectivamente), depreendemos pela análise do quadro 6 que o sexo feminino considera que os F/DA com legendas ajudam o visionamento comparativamente ao sexo masculino. Já nos NC e relativamente à LE verificamos que o sexo feminino apresenta classificações superiores comparativamente ao sexo masculino sendo esta uma diferença com significado estatístico (p=0.000).

Depreendemos que relativamente aos HV (P1 e P3) ambos os sexos consideram: i) estar habituados a ver F/DA em LE e ii) os F/DA com legendas ajuda o seu visionamento. No entanto relativamente à tendência de resposta das P4 e P5, verificamos que o sexo feminino considera que as legendas ajudam a compreender melhor os F/DA e ainda que a aprendizagem de vocabulário em LE seja maior com legendas, ao contrário da tendência demonstrada pelo sexo masculino. No que diz respeito aos NC das LM e LE, notamos que o sexo feminino apresenta classificações superiores comparativamente ao sexo masculino em ambas as Línguas. No entanto, a análise do quadro 7 permite-nos referir que não existem diferenças estatisticamente significativas entre os sexos no GL.




5.4.9. Expressão Diferencial dos HV/NC das LM e LE nos dois grupos estudados em cada intervalo de idade
A apresentação dos resultados (cf. quadro 8. Apêndice 4)) é feita com base na amostra, enquadrada nos dois grupos estudados (dobrado e legendado) referindo-se à relação entre as variáveis de HV e NC das LM/LE relativamente ao grupos e numa perspectiva longitudinal das idades.
Ao analisar os valores podemos constatar que na idade dos 8 anos, na P1, existem diferenças estatisticamente significativas, sendo que o GD não está habituado a ver filmes/desenhos animados (F/DA) em LE e o GL está habituado a ver F/DA em LE (0.00). Relativamente aos valores obtidos na P3, ambos os grupos consideram que visionar F/DA com legendas ajuda o visionamento. A posição do GL é mais representativa desta tendência, sendo esta diferença estatisticamente significativa (0.02). Na expressão diferencial da P4, os resultados obtidos no GD parecem traduzir uma tendência para não considerarem que as legendas ajudam a compreender melhor os F/DA; esta tendência também se verifica no GL, embora não apresente resultados tão expressivos, comparativamente aos do GD. Esta diferença é, contudo, estatisticamente significativa (0.03). A análise da P5, revela que o GD não considera que com as legendas possam aprender mais vocabulário em LE; a tendência do GL vai no mesmo sentido não sendo, contudo, estatisticamente significativa. A análise ao NC da LM não revelou diferenças estatisticamente significativas em ambos os grupos, dobrado e legendado. Esta tendência também se verifica em relação ao GD e ao GL, no NC da LE, não sendo os resultados estatisticamente significativos.

Ao analisar os valores podemos constatar que na idade dos 9 anos, a análise da P1 revela que ambos os grupos (dobrado e legendado) estão habituados a ver F/DA em LE, embora esta tendência seja mais visível no GL. Estes valores são estatisticamente significativos (0.00). Podemos verificar, na P3, que tanto o GD como o GL consideram que os F/DA com legendas ajudam o visionamento; esta tendência é estatisticamente superior no GL (0.02). Pela análise dos resultados obtidos na P4, constatamos que ambos os grupos, dobrado e legendado, têm tendência a achar que as legendas ajudam a compreender melhor os F/DA. Na análise da P5, o GD continua a achar que com as legendas não aprendem mais vocabulário em LE; o GL revelou uma posição contrária, considerando que com as legendas aprendem mais vocabulário. Esta diferença é estatisticamente significativa (0.01). Em relação aos NC de LM e de LE, o GL apresenta um nível superior tanto a LM como a LE, comparativamente ao GD.

Ao analisar os valores podemos constatar que na idade dos 10 anos, na avaliação dos resultados da P1, ambos os grupos (dobrado e legendado) estão habituados a ver F/DA em LE, embora o GL apresente valores significativamente superiores. Esta análise revelou diferenças estatisticamente significativas (0.00). A análise da P3 revela diferenças estatisticamente significativas (0.02). Os resultados demonstram que ambos os grupos acham que os F/DA com legendas ajudam o visionamento, embora o GL revele tendência para aproximação ao valor absoluto 2. Podemos verificar, na análise dos resultados da P4 que, tanto o GD como o GL têm tendência a achar que as legendas ajudam a compreender melhor os F/DA. No que diz respeito aos valores apresentados na P5, verificamos que o GD continua a achar que com as legendas não aprendem mais vocabulário em LE; ao invés, o GL considera que, com as legendas, ocorre uma maior aprendizagem de vocabulário. Estes valores são estatisticamente significativos (0.00). O NC de LM apresenta diferenças estatisticamente significativas (0.01); o GL apresenta um nível superior a LM comparativamente ao GD. Os valores relativos ao NC de LE sugerem uma diferença significativa em relação aos dois grupos; o GL apresenta um nível superior a LM comparativamente ao GD. Realçamos que é uma diferença de 3.3 para 3.8.

Ao analisar os valores podemos constatar que na idade dos 11 anos, em relação à P1, ambos os grupos estão habituados a ver F/DA em LE. Todo o GL está habituado a ver F/DA em LE. Esta diferença é estatisticamente significativa (0.00). Na análise da P3, inferimos que ambos os grupos acham que os F/DA com legendas ajudam o visionamento embora o GL demonstre uma posição mais vincada. Relativamente aos valores apresentados na P4, o GD acha que as legendas ajudam a compreender melhor os F/DA; O GL afirma que as legendas não ajudam a uma melhor compreensão dos F/DA; esta tendência pode ser explicada pela amostra reduzida para este nível etário (apenas 17 crianças, um número bastante inferior quando comparado com as amostras parciais do estudo, que são na ordem das centenas), pelo facto de serem crianças que estão a frequentar pela segunda vez o mesmo ano lectivo. Estes factores influem no significado estatístico. Nos resultados da P5, o GD começa a ter uma posição ambígua acerca desta pergunta (aproximação ao talvez); O GL começa a achar que não se aprende mais vocabulário de LE com as legendas. Em relação ao NC de LM, o GD apresenta um nível superior comparativamente ao GL. Denotamos uma queda na classificação de nível 4 para nível 3. No que diz respeito ao NC de LE, o GL apresenta um nível superior a LM comparativamente ao GD. Constatamos que as classificações do GL decrescem entre os 10 e os 11 anos de idade (de 3.77 para 2.88); ocorre o mesmo no GD (de 3.32 para 1.75).





1   2   3   4   5   6   7   8


©aneste.org 2017
enviar mensagem

    Página principal