A terra e a lua


ESPÍRITOS GUARDIÕES NO REINO DA NATUREZA



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ESPÍRITOS GUARDIÕES NO REINO DA NATUREZA

Sabeis que em certas épocas jardineiros e lavradores lançam a semente na terra e que posteriormente cada grão começa a inchar e onde se encontra o gérmen se rompe e aparece uma pontinha verde-branca. Tal gérmen cresce quase visivelmente e onde anteriormente só se via uma pontinha, desenvolvem-se duas, três ou várias folhas. O vegetal continua se esticando, adquire solidez e força e pouco mais tarde se vêem os botõezinhos. De hora em hora aumenta seu viço e de repente se abrem. Em sua corola já se encontra o fruto novo qual abelha em sua cela e, qual lactente, se alimenta primeiro do aroma delicado da flor. Tão logo o novo fruto tiver alcançado a justa força por tal alimento celeste, passa a recebê-lo do tronco, e sua vida da luz.

Eis a ocorrência natural do crescimento de um vegetal que começa com o ato da semeadura e termina com o amadurecimento do fruto. A semente por si só teria tão pouca força para procurar seu alimento quanto o recém-nascido, e ainda menos que um feto no ventre materno, não fossem os espíritos a conduzirem as partículas inteligenciadas com que são obrigadas a se dirigir a determinado ponto onde encontram seu meio de ação.

Tomemos um grão de trigo como exemplo. Ele possui os seguintes elementos intelectivos: 1° a parte do amor, o próprio alimento nutritivo do trigo. 2°, o substrato espiritual segundo o qual se pode extrair o álcool, como igualmente de outros frutos. 3.°, o carbono que se apresenta imediatamente no momento da queima acontecendo que, se o carbono sobe pela haste, o grão se torna chamuscado e finalmente queimado quando ainda se encontra no campo. 4.°, o oxigênio com o qual se pode preparar, igualmente da cevada, da aveia e do centeio uma boa cerveja. 5°, o éter sulfúrico que produz a condição de queima da semente. 6°, o óleo do qual se extrai um bom produto comível. 7°, a glicose, ricamente encontrada no trigo, e finalmente um líquido gomoso do qual se extrai o conhecido amido.

Além desses elementos específicos deste grão existe boa porção do mais puro e simples hidrogênio, de certo modo a parte principal da haste do trigo e de todos os demais vegetais, pois ele preenche constantemente o tubo oco da haste mantendo-a ereta. Sem esse elemento, a haste não poderia crescer e assim é ele uma espécie de balão preso às suas raízes na terra, e sustenta a carne do vegetal enquanto essa não tiver alcançado a devida solidez. Uma vez atingida essa solidez, esse elemento se retrai cada vez mais na semente sazonada -e é lá conservada para ser encontrada na próxima semeadura na medida justa.

Pela exemplificação dos elementos específicos no grão de trigo vimos sua grande variedade e atividade. Mas como são guiados? — Precisamente pêlos espíritos destinados para tal fim, onde sempre ocorre uma divisão inferior que organiza sua tarefa territorial.

Do grau mais ínfimo dos espíritos cada qual tem apenas um campo de ação da mesma forma como na terra os campos são divididos entre os homens. Tal espírito possui sabedoria e força necessárias e conduz os elementos específicos isolados apenas pela vontade, — e tal vontade é qual julgamento para os elementos psíquicos que desejam libertação. Ele conhece estritamente os elementos depositados-no solo dentro de uma semente. Sabe perfeitamente 10 quanto ele contém do solo, das estrelas, sua espécie e as condições.

Tão logo o grão é deitado no solo, ele sopra sua vontade por sobre o campo, vontade essa homogênea com os elementos específicos, e os força a tomar determinada direção. Assim são arrastados para aquele ponto onde se concretiza sua inteligência começando a trabalhar em forma de criações infusórias de acordo com sua inteligência e força adequada. Primeiro se formam as raízes e tubos. Alguns penetram as raízes para alimentá-las ou aumentá-las. Outros passam pelas raízes ao tronco. Os de tendência homogênea se unem dentro da ordem intelectiva, e uma espécie forma os pequenos tubos no tronco. Outros, as válvulas e bombas. Outros, mais puros, sobem pêlos tubos e formam as folhas, o botão e a flor dentro da ordem da forma de sua inteligência. Os mais purificados por esse trabalho formam o fruto, e os espirituais, inteligências centrais se juntam no fruto para o gérmen cobrindo-se com um tecido impenetrável para inteligências externas e ainda não purificadas.

Uma vez essa tarefa efetuada e chegada a maturação, o espírito terá concluído sua tarefa e entrega o resto ao homem e algo mais aos espíritos da natureza que provocam a deterioração, ou melhor, a dissolução subseqüente daquelas partes que não pertencem ao fruto a fim de que tais elementos possam subir posteriormente numa forma mais sutil.

Imaginai número correspondente de espíritos como existem campos e espécies de vegetais. Cada qual recebe uma determinada espécie num terreno fixo e tem que tratar de sua constante qualidade e forma. O menor descuido provoca um crescimento inferior ou uma colheita prejudicada. Tal fato não é raro entre os espíritos porquanto possuem vontade livre, indispensável, uma vez que numa vontade controlada não existe força. Basta para um castigo dos homens, que tal tarefa seja entregue a espíritos mornos que pouco ligam para seu programa, — e a má colheita está pronta. Se tais espíritos vigias sobre a vegetação não conseguirem organizar os elementos livres dentro da ordem numérica, os desocupados sobem para a segunda região, unem-se para elementos individuais e espíritos da natureza onde provocam perturbações atmosféricas, miasmas de moléstias contagiosas e tudo isto influencia a flor.

A fim de que isso ocorra o mais raro possível, tais espíritos são inspecionados por um mais elevado e mais perfeito que chefia um território muito maior, como se fora um fazendeiro com muitos lavradores. Imaginai os espíritos isolados como empregados e assim tereis uma relação normal da situação.

Tal fazendeiro ou proprietário de seu distrito não viola os direitos de seu vizinho. A fim de que reine a mesma ordem em todas as comarcas, segundo sua espécie, existe um governador espiritual que supervisiona um país inteiro e o conduz diretamente. Tal espírito vem da terceira região. Sabeis que vários países completam um reino e sobre este, vigia um arcanjo. Mas sobre todos os reinos rege o Príncipe dos príncipes, assim como Ele também inspeciona — o que nenhum espírito pode fazer — cada específico isolado. Eis porque a Visão do Senhor vê tudo que existe e o que ocorre.

45.° CAPÍTULO
MINERAL, VEGETAL E ANIMAL

A flora, de cuja aparição acabamos de falar, é de certo modo um ponto de transição do mineral e do éter que goteja dos astros ao reino animal.

Na acepção da palavra, não existe reino minerai nem vegetai, pois ambos são igualmente um reino animal e cada mineral consiste de tantas espécies de animais infusórios quanto o espírito da sabedoria consegue descobrir inteligências psíquicas, algo inimaginável para o simples homem racional. Mas para quem possui apenas algo da sabedoria e inteligência verdadeiras do espírito, não se torna difícil descobrir em cada mineral e planta os elementos específicos, intelectuais e psíquicos pela maneira acima demonstrada.

Basta descobrirdes num mineral ou vegetal todas as possíveis qualidades e tereis descoberto número idêntico de elementos específicos, cada um com sua especialidade e por isso preenche também apenas com UMA inteligência UMA finalidade determinada.

A fim de que um mineral se torne o que é e como deve ser, necessário se torna que os diversos elementos específicos que lhe pertencem se congreguem apresentando precisamente aquele minera! correspondente à ordem adequada.

Tomemos por exemplo o ferro. Pela enumeração das qualidades isoladas veremos o que é preciso para sua formação. Primeiro, o ferro é pesado e seu peso é provocado por um elemento específico que sobe do interior da Terra, razão por que, muito embora preso a esse metal, continua constantemente dirigindo sua tendência intelectiva ao ponto onde há tanto tempo esteve banido. A tendência do peso é, em ta-I específico, igual ao amor, para baixo.

Fora isso, nota-se a qualidade da dureza ou solidez. Tal específico isolado contém em si a simples inteligência do total egoísmo, portanto dureza e incorruptibilidade em face dos elementos vizinhos. Sua natureza é, como o peso, de baixo.

Além disso descobrimos no ferro uma certa maleabilidade, inteligência psíquica que, bastante testada, contém condescendência, portanto é mais poderosa que as anteriores. Muito embora nada percam pela presença desse elemento, são obrigadas a se orientar por ele, o que demonstra certa condescendência. O ferro se torna mais flexível e maleável à medida que for aquecido e isso corresponde à humildade, pois ela e a vontade se tomam mais flexíveis à medida que forem testadas ou experimentadas pela' prova do fogo. Tal elemento, muito embora s-e origine de baixo, é de boa Índole porque aprendeu a se acomodar em virtude de muitas provações.

Outro elemento peculiar é a capacidade de dissolução, pois sabemos que o ferro pode ser dissolvido por meio de ácidos e fogo. Nesse específico pousa a inteligência da liberdade que arrasta os outros tão logo tiver encontrado o apoio para se libertai". De mais a mais, tal elemento corresponde, em sentido natural, à força centrífuga e centrípeta que, caso não tivesse limitação, se estenderia ao Infinito.

A fim de que isso não aconteça descobrimos prontamente outra tendência ou faculdade intelectiva que contém um certo estoicismo que tende retrair-se a um mínimo. Tal elemento é o controlador para o anterior e o contém em sua ânsia de expansão, enquanto o centrífugo fiscaliza o centrípeto.

Descobrimos ainda outra qualidade no ferro: o fácil incandescer Junto ao fogo. Ta! elemento é a ira que geralmente se mantém calmo. Mas quando é agitado, manifesta-se poderoso e absorve todos os elementos anteriores atirando-os em seu estado de excitação. Os elementos até então enumerados nesse metal são todos de baixo e nem de longe poderiam representar o próprio ferro, caso não fossem saturados com os elementos mais puros, das estrelas.

Quando o ferro é submetido a um atrito, exala um odor acetoso especifico dotado de inteligência no qual se manifesta um amor ativo. Assim como em todos os ácidos ou no próprio oxigênio existe o ar vital que todos conhecem, também em sentido espiritual o amor ativo é a própria vida em si. Esse elemento é o principal unificador do ferro, pois não só o penetra totalmente, mas também o envolve como atmosfera individual notada no odor do metal.

Outra peculiaridade é a grande disposição para a aceitação da eletricidade. A causa original é a inteligência do movimento e a sede pela união social. Esse elemento não é, como os anteriores, fixo, mas como o último, apenas penetrante e envolvente. Como porém é de certo modo afim com os elementos anteriores, mantém junto del-es uma espécie de quartel de acantonamento e se esforça constantemente para libertá-los e conquistá-los para si. Apresenta-se geralmente na ferrugem que com o tempo transforma todo o ferro e no final o dissolve.

A ferrugem não é elemento elétrico que continua sempre livre, mas sim, são os antigos elementos que se agregaram a este e se esforçam a igualar-se com ele, que portanto também é do alto.

Mais uma qualidade se representa pelo luzir e fulgor do ferro num colorido cinza claro. Esse elemento consolida a noção de "calma". Somente nela tudo pode ser nivelado apresentando uma superfície homogênea e acessível para a luz como a superfície de um espelho. Esse elemento é posse comum do ferro. Não está fixo ao mesmo, pois se "une somente a ele quando é limpo, liso e polido. Se porém as partes que na superfície entraram na maior calma constante forem perturbadas, por qualquer motivo, tal elemento se perde parcialmente, de onde se conclui que também a alma do homem em sua complexidade só se toma capaz para a aceitação da luz, quando se encaminha ao repouso de seu espírito. O espírito é o motivo principal da calma, razão por que os antigos sábios desejavam apenas paz e luz a alma desencarnada.

A fim de encontrarmos todos os elementos nesse metal e apontarmos o caminho para tal trabalho importante e pintarmos bem nítido o reino animal dentro do reino mineral e vegetal e a maneira pela qual o reino animal surge deste, estudaremos as qualidades siderais do ferro na próxima vez.

46° CAPÍTULO

UNIFICAÇÃO DOS ELEMENTOS ÍNTEL1GENCIADOS NOS SERES
Quando o ferro é batido ele se torna elástico. A elasticidade é igualmente um específico do alto e semelhante a uma força ordena da e equilibrada. Seja o que for que tenha a pretensão de vergar a mesma, ela nunca se fixa naquela direção, ma-s volta à anterior. Tal força específica é a mais comum na esfera mais baixa do ar e penetra cada átomo de oxigênio razão por que o ar é sumamente elástico.

Tal força penetra o orbe todo e é a causa principal de toda a movimentação dentro e fora dele. É igualmente o fator básico em todos os corpos movimentados e provoca uma elasticidade sensível à mão. Somente no fogo ela perde seu potencial 'porque é por ele levado a uma atividade demasiado forte, sem contudo poder jamais ser extinta. Se bem que o ferro incandescente perdeu aparentemente tal força, basta submetê-lo ao martelo, quando esfriado, e a antiga força aparentemente extinta se apresenta" como anteriormente.

Tal específico é semelhante à luz e consiste de átomos luminosos. Ela é mantida numa bolha pequenina e transparente e penetra em todos os poros da matéria". Se os poros no ferro forem espalhados e fechados pelo bater do martelo a ponto que tais bolhas elásticas não consigam se evadir quando o metal é modelado, imediatamente fazem sentir sua presença forte fazendo com que o metal volte à posição que corresponda à sua situação envergada.

Tais átomos de luz são chamados pêlos cientistas de mônadas de luz, sumamente peculiares em sua esfera intelectiva. Este específico ama a calma e a procura com a máxima insistência. Mas peio fato de ser de certo modo a lei da calma, produz em cada limitação e pressão a maior força motriz à procura da anterior calma e não há o que a possa tirar de seu equilíbrio.

Eis portanto mais um específico, quer dizer, uma nova inteligência, dentro do ferro e prova sua manifestação da mesma maneira que na flora e fauna: esse metal não é um corpo morto pois nele se manifesta a mesma força inteligente que nos animais quando é alterada pêlos recursos certos.

Tal específico consiste num átomo de luz infinitamente pequenino dentro da mencionada bolha. Esse átomo é uma inteligência psíquica de vontade persistente e permanece calmo em sua pequena prisão enquanto não for magoado por um atrito ou pressão. Tão logo for pressionado, ele desperta em seu invólucro e estica as paredes como o ar que penetra dentro de uma bolha. Se atrito ou pressão for pequeno e fraco, manifesta sua presença por um tremor do qual geralmente se origina o som. Pressão ou pancada sendo mais forte, ele rompe seu invólucro e esguicha como faísca e destrói tudo que vem à sua frente.

Após termos entrado no conhecimento desses elementos dentro dos metais, como também no reino vegetal e animal, que nos impede aceitarmos que a vida animal também existe nos metais e minerais? Os elementos intelectivos e isolados são sempre os mesmos, tanto em minerais quanto em plantas ou animais, apenas com a diferença que em minerais se apresentam poucos elementos unificados, ao passo que na flora e principalmente no reino animal existem muitos. Se num mineral se contam 8, 9, 10, no máximo 20 inteligências, muitos vegetais contêm milhares e em alguns irracionais bilhões, e no homem, inúmeras inteligências de todas as estrelas e partículas atômicas da Terra.

A quantidade maior ou menor não exclui a vida animal nos minerais, pois tais elementos específicos se revelam em formas variadas para o cientista munido de aparelhos e além disto eles são idênticos nos animais.

Quem possuísse um microscópio que aumentasse os objetos por 6 milhões de vezes, descobriria quantidade enorme de formas animais numa simples gota d'água. Essas formas são apenas portadoras de inteligências isoladas que se defrontam, atacam e aparentemente se destroem. Mas em seu lugar surge em breve uma forma nova que absorve as anteriores e uma vez saturada, se acalma e cai no solo.

Tão logo grande quantidade de tais formas tiverem chegado a tal estado de inércia, se amalgamam como seres afins e então surge para vossa visão a matéria aparentemente morta. No entanto assim não é. Ela é apenas o aglomerado de quantidade de inteligências aprisionadas que, quando dissolvidas, se tomam vivas e podem se unificar para uma outra forma. Tal trabalho, como já sabeis, é executado pêlos espíritos que estudamos anteriormente. Após esse intróito, passemos ao reino animal para vermos a atividade dos espíritos.

47° CAPÍTULO
LIMITES ENTRE OS REINOS DA NATUREZA
Até hoje os naturalistas ainda não descobriram quando o reino mineral ingressa na flora e essa, no reino animal. Onde termina um reino para dar início ao outro? Qual seria o vegetal mais perfeito e último não permitindo outro degrau, mas seu lugar é tomado por um animal, se bem que muito imperfeito?

Tais questões perduram ainda em grande escuridão, pois na Terra existe quantidade enorme de plantas que parecem ser antes do reino animal que vegetal, como também há animais que se assemelham muito mais a um vegetal. Também há minerais que podem ser tomados por vegeta-is, e vice-versa. Muitos apresentam extremidades vegeto-animais e plantas com aspecto perfeito de irracional.

Assim sendo, conclui-se a grande dificuldade de determinar-se os limites exatos, principalmente porque existe número enorme de espécies animais e vegetais, pois a maior parte de tais espécimes vive nas profundezas do mar. Além disso, os naturalistas desconhecem muitos produtos devido ao desconhecimento de regiões inacessíveis.

Os cientistas já quedam admirados diante de corais dos quais ainda se ignora se pertencem ao reino mineral, vegetal ou animal. É do conhecimento geral que os corais se formam através de certos vermes muito pequenos que se grudam um ao outro e assim desenvolvem um galho de corcel. Os vermes são bichinhos, mas quando endurecem, sua massa é tão sólida qual pedra preciosa. A forma que tomam, através de sua agregação paulatina, assemelha-se a uma pequena árvore com tronco e galhos. Assim sendo, tal vegetal é pela FORMAÇÃO um conglomerado de vários animais, como MASSA, um mineral e pelo ASPECTO, uma pequena arvorezinha.

Seria portanto difícil determinar-se com UMA só expressão o que vem a ser o coral; de qualquer forma ele é o que verificamos: parte animal, parte mineral e parte vegetal. Semelhante a ele são as várias flores metálicas que se desenvolvem da mesma forma. No mar existem ainda muitos animais, pequenos e grandes, que completam mais evidentemente que os cora-is, os três reinos em si.

O grande kraken (monstro marinho) é sem dúvida o maior animal da Terra, pois quando totalmente desenvolvido mede 500 toesas de comprimento e cerca de cem de largura. Esse animal não possui determinada forma, pois quando aparece na superfície do mar tem aspecto de uma ilha bastante disforme com vegetação esparsa. Em suas costas crescem musgo e algas marinhas e até mesmo pequenas árvores marítimas com frutos vermelhos apreciados pêlos ourives que preparam incrustações de ouro a fim de que sejam tais frutinhas usados como berloques .

Esse fruto que vez por outra é encontrado nas praias, cresce e amadurece geralmente nas costas do kraken que sobe somente quando uma tempestade submarina o toca de seu esconderijo. Fora esse. encontra-se uma quantidade de elevações vermelhas e rochosas nas costas desse animal; às vezes são atirados e nadam na superfície enquanto não tiverem alcançado certa solidez, qual pedra-pomes, e podem ser encontradas nas praias sob o nome de "sangue de dragão", que é puro mineral e só aparece no lombo do kraken.

Pelo aspecto ele é portanto vegetal e mineral ao mesmo tempo. Mas se um navio chega a pousar no seu lombo gigantesco, esse animai se levanta acima da superfície fazendo com que a navegação venha a aportar na areia. Percebendo que o navio ficou deitado no seu lombo, ele estende seus tentáculos e esmaga-o num instante e carrega o navio para finalmente devorá-lo com tudo que havia nele. Seu estômago possui tamanha força digestiva que consegue digerir pedras, metais, madeira etc., nada restando inteiro.

Compreende-se por tal motivo que 'em sua superfície surgem muitas formações vegetais e minerais. Então pergunta-se: a que reino pertence esse animal? Segundo sua forma é mineral como um pedaço de terra no qual surgem várias espécies de vegetais que todavia dão impressão de tratar-se de uma imensa batata mineral ou vegetal que, qual pólipo, traga insetos, no caso do kraken, navios.

É portanto deveras difícil enquadrar esse espécime num reino certo, assim como seria também difícil a qualquer naturalista enquadrar nosso planeta numa determinada classe. Pelo aspecto é ele mineral porque produz tão enorme quantidade de minerais. Mas certamente é também um vegetal devido à sua flora e muito mais ainda, um animal pela produção abundante de sua fauna.

De tudo isso surge algo estranho, pois na realidade não existe um reino mineral, vegeta! ou animal, isoladamente, mas sim, apenas UM reino, isto é. um reino de seres sob várias formas e tudo é originalmente animal, e não minera! ou vegetal. Este é o motivo por que os caracteres distintivos entre os 3 reinos se encontram em bases tão inseguras.

Somente na ordem evolutiva dos seres se encontram certos degraus que qualquer pessoa pode discernir. Deste modo orientados, será mais fácil auscultarmos os espíritos dentro da matéria.


48° e 49° CAPÍTULOS


A PSÍQUE ANIMAL E A ÍNFLUENCIAÇÂO PÊLOS ESPÍRITOS
Já estudamos suficientemente a maneira pela qual os espíritos organizam as inteligências específicas nos reinos vegetal e animal e como ligam os elementos siderais com os telúricos. Resta-nos apenas a transferência ou o surgir do anima! dos reinos anteriores e estudarmos a tarefa dos espíritos.

Em cada animal se apresenta uma alma mais ou menos desenvolvida que age no seu corpo através do fluido nervoso que a envolve constantemente. Eis a diferença entre o reino animal e o vegetal e muito mais ainda do mineral: o animal possui uma alma livre, enquanto nos demais reinos ela se encontra tão envolvida e dividida- na matéria como por exemplo o espírito do vinho no bago; uma pessoa pode comer uvas à vontade sem se embriagar, ao passo que o álcool de vinte cachos de uva bastaria para embriagar várias pessoas. Subentende-se tratarmos de uvas especiais e maduras.

Onde se oculta esse espírito etéreo da uva? — Na uva ele é ainda muito disperso e não pode exercer qualquer efeito, pois em cada bagozinho de uva se encontra tal elemento específico e etéreo além de milhares de outros. Tão logo tal elemento específico isolado for extraído dos outros por meio de aparelhos e guardado num recipiente, ele começa a externar sua força.

O mesmo sucede com g alma- animal. Ela é um aglomerado de grande quantidade de específicos etéreos que já formam um ser inteligente à medida que se unificaram com tal elemento. Quando ocorre o ato de criação entre animais, os espíritos impelem através de sua vontade tais elementos psíquicos para os órgãos criadores e os enfeixam no momento exato com uma membrana material. Nesta, a alma se torna ativa e começa a se organizar segundo a complexidade de suas forças intelectivas.

Uma vez que a alma conseguiu determinar sua organização nesta primeira morada, os espíritos tratam que ela receba o alimento necessário do ventre materno por meio de órgãos especialmente formados e assim se apossa do material de construção para seu corpo futuro que deve habitar e pelo qual deve agir.

Esse corpo é formado pela própria alma — naturalmente sob constante orientação dos espíritos que agem apenas pela vontade — e ocorre da seguinte maneira:

A alma, de substância etérea, organizou primeiro suas capacidades intelectivas, ou melhor, esses elementos se organizam por si só segundo as leis de assimilação onde se une branco com branco, preito com preto, vermelho com vermelho, verde com verde, azul com azul, duro com duro, mole com mole, doce com doce, amargo com amargo, azedo com azedo, luz com luz etc. Como cada específico inteligenciado sustenta uma idéia perfeita em si, que se realiza pela forma, tal capacidade da alma passa para o corpo durante o período de formação do mesmo de sorte que o corpo, após sua completa formação, nada mais é que a forma típica da alma toda que no momento da criação foi transferida ao ventre materno do animal.

Tão logo a forma estiver totalmente desenvolvida e a alma se tiver completada na forma física, a psique tem um descanso por certo tempo enquanto o corpo se desenvolve pelo alimento absorvido do ventre materno, aliás com ajuda da alma à medida que esta inicia sua atividade apenas nas vísceras.

O pulso e os humores começam a circular e o alimento novo é absorvido peio estômago que deste modo inicia sua função. Em tal época o feto se torna vivo no ventre materno.

Uma vez que o corpo é organizado por esse processo, após todos os órgãos se terem abertos, pulso e digestão entraram em sua marcha normal, os nervos se saturaram e dentro deles se formou um nervo etéreo semelhante à alma através de um processo de fermentação eletromagnética — eis que os espíritos entram em função com sua vontade, desatam os laços entre o feto e o ventre materno e expelem o novo ser efetuando o parto.

Após o nascimento, o animal recém-nascido tem que ser alimentado por certo tempo pelo ventre materno. Aos mamíferos com leite, nas aves com substância viscosa com que os pais cobrem os alimentos, nos anfíbios igualmente pela substância viscosa que tais animais soltam na água sob forma leitosa e nos anfíbios terrenos por meio de um suco que os pais fazem correr das berrugas e boca. Com tal alimento o corpo é desenvolvido até poder procurar, encontrar e comer o mesmo.

Desde o momento em que o corpo começa a se alimentar livremente, a alma inicia a transformar os elementos específicos em substanciais e assim se desenvolve até o fim de sua existência para uma alma mais rica e perfeita que, se tiver atingido o máximo desenvolvimento no corpo, aos poucos vai se descuidando do mesmo.

Por causa de tal descuido ele vai se definhando até se tornar totalmente pesado e imprestável para sua atividade posterior, o que provoca uma dor à alma através de seu nervo etéreo e contribui para que ela se queira desvencilhar dele. Então o corpo cai inerte, enquanto a alma se liberta de novo, mas é novamente aprisionada pêlos espíritos e forçada para uma nova geração num degrau mais elevado no reino animal, onde se tornará ativa da mesma maneira, porém mais complicada".

Os elementos específicos do cadáver têm que ser dissolvidos porque não foram concatenados numa ordem determinada ms-s obrigatória. Por meio da desintegração são colocados numa ordem mais apurada e formam no decorrer das subseqüentes graduações animais, a psique feminina, enquanto a alma livre da qual acabamos de falar, é masculina. Desse modo, a "Eva" surge em toda parte das costelas de Adão.

Poder-se-ia perguntar: o que sucede com os elementos específicos dos corpos femininos? — Eles são unidos aos masculinos e assim se tornam capazes de desenvolver dentro de si os femininos e masculinos num degrau mais elevado. Não necessita ser mencionado que de um ventre materno podem surgir ambos os sexos.

Se porém a fêmea não contivesse ambos os elementos específicos, como alimentaria sua prole de ambos os sexos? Ora, isso dispensa explicação, pois se encontra na ordem da alma que organiza suas inteligências segundo a lei da assimilação. Como já vimos a ação dos espíritos neste reino, passaremos à transferência para o homem e em seguida, estudaremos a Terra espiritual.


50° CAPÍTULO



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