A terra e a lua


OS ESPÍRITOS GUIAS DAS REGIÕES INFERIORES



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OS ESPÍRITOS GUIAS DAS REGIÕES INFERIORES
Sempre que houver grandes negócios sejam quais forem suas empresas, é preciso empregar-se chefes de seções que organizem tudo, mantenham as máquinas em ordem e calculem suas capacidades. Sem a cooperação de tais chefes nenhum trabalho seria resolvido, ou então o seria muito deficientemente. O mesmo acontece na região espiritual inferior.

É bem verdade que tal região é apenas um ponto de concentração onde inteligências isoladas e dispersas se unem em tomo de um centro espiritual de modo instintivo, pois reconhecem-no como afim a sua natureza. Tal concentração seria grosseira e grumosa caso não ocorresse segundo uma ordem fixa. Seria o mesmo que alguém amor toasse o material de construção, pois embora houvesse pedras, cal. argamassa, madeira, portais e telhas indispensáveis para a construção de uma casa. uma separação organizada dos materiais constituiria uma grande diferença benéfica.

Tal processo ocorre também na esfera construtora num sentido espiritual. Existem elementos psíquicos de inteligência específica e centros espirituais em quantidade. O material, muito embora repouse em cada partícula uma inteligência própria e viva, não se pode autoconstruir para uma entidade humana perfeita porque cada inteligência isolada reconhece a si mesma entre tantas outras. Só depois que as inúmeras inteligências necessárias para um ser forem unidas sob uma forma e numa entidade, através dos construtores espirituais, essa entidade poderá atingir paulatinamente uma concepção geral que abranja a ordem total. A experiência nos ensina que jamais um sábio caiu dos céus.

Que quer dizer "aprender"? — Nada mais que despertar as inteligências isoladas e em seguida uni-las para uma ação conjunta. Quanto maior for o número de tais inteligências despertadas através de insistente zelo unindo-as dentro de si tanto mais sábia e inteligente se torna a criatura. A sabedoria é o despertar do espírito que, uma vez desperto totalmente, penetra as inúmeras inteligências de sua alma, consegue despertá-las e unificá-las dentro de si para um conhecimento perfeito e de semelhança divina.

É o mesmo caso que ocorreria se alguém fosse levado a um grande museu de arte em plena noite. Ainda que fosse guiado para tocar os objetos de arte e recebesse explicações muito claras, essa pessoa só conseguiria uma idéia muito apagada, e isto, apenas de alguns poucos objetos. Quantos tesouros artísticos poderiam ser explicados onde existe tanta riqueza? A pessoa guiada certamente diria ao professor: Se houvesse apenas iluminação, facilmente podaríamos abranger de um só golpe, muitos objetos que na escuridão existente só conseguimos perceber com insegurança e grande esforço! — Tal homem tem razão, pois de modo semelhante fala o espírito dentro dele, portanto, é, tal aluno da escuridão do museu, um sábio.

Mas se de súbito nasce o sol a iluminar o museu em todas as salas, — seria preciso ele apalpar as paredes a fim de reconhecer os objetos? Certo que não. Ele abrangerá tudo de um só golpe de vista e não só parcialmente. Se os objetos forem organizados, com facilidade descobrirá a finalidade principal de todas as obras.

A primeira idéia é comparável ao estudo mecânico e a conquista variada desse estudo acerca dos objetos é geralmente a erudição das criaturas mundanas.

A sabedoria é o segundo fenômeno e vislumbra de uma vez a infinidade das coisas na luz mais clara, enquanto a sapiência só consegue apalpá-las em parte durante a noite.

Daí se conclui que com a concatenação ordenada de todas as partículas inteligenciadas necessárias para um ser, ainda não se amealhou o conhecimento geral indispensável para se conseguir organizar, na região construtora, as inteligências psíquicas isoladas, em torno de um centro espiritual, bem como uni-las de tal modo a nascer, com o tempo, um conhecimento total. Compreende-se igualmente que as partículas inteligenciadas não se podem organizar por si mesmas, pois sempre devem -existir tais entidades que são obrigadas a vigiar e guiar tais organizações específicas.

Quem são tais construtores? — Na vanguarda são os anjos os guias superiores. O Guia Principal desse grande empreendimento Sou Eu Mesmo bem perto de vós porquanto aqui, em vosso museu de arte, acendo uma luz após outra, — e onde Eu Me encontro, muitos que sempre gostaram de estar Comigo em todos os tempos.

Precisamente por isto existe grande conflito, pois onde o Céu desenvolve sua máxima atividade, o inferno também está em função. Assim deve ser, do contrário, não haveria equilíbrio entre os dois pólos.

A maneira pela qual os anjos, sob Minha Orientação, e outros espíritos bons, sob orientação dos anjos, levam a bom termo a construção individual desde a planta até o homem, será nossa próxima observação.

40.° CAPÍTULO
ATIVIDADE DOS ESPÍRITOS DENTRO DA TERRA

Através de elucidação natural, observastes como a Terra, toma alimento como órgão vivo, digere-o e conduz os sucos nutritivos até a superfície através de inúmeros órgãos levando em contraposição, ao pólo sul, os excrementos mais grosseiros e não digeríveis. Esse alimento da Terra é, como facilmente haveis de compreender, material apenas para a visão, mas sua natureza é espiritual. Enorme quantidade de espíritos e elementos espirituais de espécie mais sutil penetram no interior da Terra para onde geralmente são banidos os piores espíritos.

Essa penetração de elementos mais sutis no interior do planeta tem finalidade múltipla. Primeiro, espíritos e almas de pessoas más são levados para lá e entregues a uma prisão eterna e infernal. Tais rebeldes contra a Ordem Divina têm que ser mantidos na profundeza e com rigor a fim de não perturbá-la porquanto antes desse aprisionamento milhares de tentativas de regeneração ficaram infrutíferas.

Outro motivo da penetração dos espíritos e dos elementos espirituais no interior da Terra se baseia no seguinte: no centro telúrico se acham espíritos que já pagaram um preço elevado pela sua ira — o que os ensinou bastante — e têm o desejo forte de liberdade. Tais espíritos são libertos, através dos mais adiantados que lá penetram, e conduzidos para cima a uma liberdade maior, onde podem ser usados para o trabalho. Como ainda alimentam algo de mal precisam primeiro se dirigir às plantas venenosas como também a animais nocivos e organizar os elementos psíquicos originais e com isto transferir a flora ou fauna forma e constituição que as obriga a surgir constante-mente dentro da ordem. Se tais espíritos agem ordenadamente, são levados à direção de plantas e animais de índole adiantada. Se pelo contrário se desvirtuam e em vez de levar os elementos nocivos para as plantas os conduzem imediatamente para -os animais provocando epidemias, são eles tirados dessa ocupação e levados a uma prisão telúrica mais limitada onde são obrigados a lidar com a formação dos metais, trabalho naturalmente muito mais penoso e demorado. Libertação de tal estado só pode ocorrer quando tal espírito após muitos anos tiver executado sua tarefa fielmente e em benefício da salvação das almas presas dentro da matéria-,

Outro motivo é o seguinte: as almas originais e aprisionadas são libertas e conduzidas em elementos bastante divididos na forma de líquidos até a superfícies onde são levadas ao caminho da salvação através dos reinos animal e vegetal. Dentro da Terra existem em toda parte espíritos aprisionados que já passaram pela encarnação ou se manifestaram, sem este caminho, como espíritos perfeitos. Trata-se de espíritos da Terra, das montanhas, da água, do fogo e do ar. — Além desses existe quantidade enorme de elementos psíquicos que necessitam ser primeiro libertos e em seguida, recolhidos e organizados para UMA entidade que lhes corresponda em cada degrau de sua evolução.

Como tais espíritos e átomos psíquicos são piores à medida de sua localização profunda dentro da Terra, preciso é manter uma vigilância enorme de sorte que nas partículas psíquicas que se juntam na superfície são empregadas apenas as mais puras para a complementação da própria alma, enquanto as mais grosseiras e más se destinam à formação dos corpos físicos.

Deste modo também o corpo humano consiste de simples partículas específicas. As que constituem o físico em si ainda são grosseiras e impuras, razão por que têm que voltar à Terra, apodrecer e só então conseguem subir peia maneira conhecida de todos a fim de se completar àquela entidade de que fizeram parte. Isso ocorre geralmente na terceira ou mais elevada região dos espíritos telúricos, onde naturalmente se toma puro todo espírito, quando tiver assimilado tudo que lhe pertence e esta assimilação é a dita ressurreição de carne e justifica as palavras do apóstolo Paulo: "Em minha carne hei de ver Deus".

Subentende-se que nessa região superior os espíritos empregados estão totalmente ocupados; por isto existem na Terra épocas de descanso nas quais esses espíritos ativos têm descanso e folga, isto é, sua tarefa é menor que antes.

O inverno faz parte de tal descanso, que naturalmente dura menos sob o equador que em direção aos pólos. Por esse motivo empregam-se espíritos mais fracos em direçâo aos pólos e nas regiões elevadas do planeta. Quanto mais baixa a região, tanto mais fortes são os operários, — o que se evidencia também pêlos produtos.

Agora já sabeis algo da atividade dos anjos, espíritos e elementos da natureza na formação das entidades. Sendo essa incumbência ligada a enormes dificuldades e combinações, haverá ainda muita coisa a ser esclarecida, por isso continuaremos nessa esfera.

41 ° CAPÍTULO
SUBSTÂNCIA E MATÉRIA, FORÇA E ESSÊNCIA
De um provérbio que aliás não define a questão muito acertadamente consta: Lembra-te, homem, que, sendo pó, voltarás a ser pó. Essa frase aponta na palavra "pó" uma dissolução total do corpo, mas sua significação está errada porque qualquer pessoa entende em "pó" as partículas de terra e cascalho que o vento levanta com facilidade. Também se pode entender com isto a poeira solar, mais fina que a da rua. Se o corpo fosse dissolvido em tal pó, pouca utilidade teria ele e sua alma. A poeira mais fina que ainda pode ser vista no mundo natural, ainda é matéria e não se pode unir à alma e ao espírito. Melhor seria dizermos: "átomo específico da alma" que não é ma^ material -e sim, substancial. Entre matéria e substância existe uma enorme diferença.

Para um entendimento maior, é preciso conhecerdes essa- diferença. Tomai um imã: o que vedes é matéria; o que age nele pela atração ou repulsão, é substância. Essa substância não pode ser vista. Mas o olho não é o único registrador e informador da existência de coisas psíquicas ou espirituais, pois o homem possui ainda outros sentidos, mais próximos à alma que a visão, de certo modo o sentido mais externo da criatura. A audição é mais profunda"; o olfato e a degustação o são mais ainda, e totalmente unido à alma é o tacto ou sentimento.

Se alguém aproxima dois imãs, imediatamente há de sentir a atração recíproca e isto é suficiente para deduzir também para seus sentidos externos que deve existir no imã uma força ou substância especial se bem que invisível que provoca tal fenômeno.

Facilmente se nota aqui a diferença entre matéria e substância", o que também ocorre numa máquina elétrica. O vidro, o coxim, o condutor metálico e algumas pipetas são matéria. Quando o motor está parado, nada que dele se aproxima sente uma reação. Basta levá-lo a funcionar, que a substância que existe dentro dele e no ar é irritada e quem se aproxima sente imediatamente um puxar nos cabelos, e s-e aumentar sua aproximação verá igualmente as faíscas que às vezes picam consideravelmente e podem até mesmo provocar pancadas musculares. Tal faísca elétrica, muito embora vista dentro do tempo e do espaço, já não é mais matéria, mas substância ou força psíquica contida na matéria. Uma vez que é irritada, ela manifesta uma força que tudo penetra e a qual não se pode opor um empecilho material.

Observai outro fenômeno: a pólvora que consiste de enxofre, salitre e carvão moído. A pólvora está calma e cai ao solo como qual quer outra matéria; mas dentro dela está preso grande número de elementos substanciais. Quando tal substância é irritada por a!go semelhante, ela rompe sua prisão em partículas atômicas e ingressa na esfera de sua libertação. O fogo é afim a tal substância, portanto seu meio de alteração. Eis uma força substancial que nenhum empecilho natural pode causar barreiras. — Dentro da água também existe a força substancial que pode ser excitada por meio de grande calor.

Alguém pretendendo aprisionar essa força, ela fará explodir o vasilhame por mais forte que seja e estender-se em sua liberdade. eeh quase toda a matéria existe uma substância e depende como pode ser excitada para se manifestar ativa.

Os cientistas descobriram em toda matéria certas forças básicas, quais sejam: a atração e a repulsão, nas quais a força atrativa é a de coesão e a repulsiva a centrífuga. Além disso tratam da elasticidade ou forças básicas da mesma. Se tais homens tivessem dado apenas mais um passo concedendo à força que tudo rege e preenche, um lugar em seus compêndios, de há muito teriam alcançado um degrau considerável em seu conhecimento, não precisando pesar e dissecar forças mortas, porquanto teriam imediatamente tido contacto com aquela condição básica de todo ser na qual eles mesmos se teriam reconhecido e toda a matéria igualmente, do ponto de vista justo, verdadeiro e de exclusiva ação. Assim não sendo, os vivos tropeçam dentro de forças mortas e no final querem provar que a força vital é um misto e uma composição de forças inertes.

Que terrível tolice! Qual seria a lógica que considerasse força ativa como morta? Não pode haver algo mais absurdo do que submeter efeitos visíveis a um motivo morto, o que seria o mesmo que ignorar-se de qualquer efeito uma base qualquer. Morto é de certo modo menos que nada e uma coisa só pode ser considerada morta enquanto estiver banida de qualquer esfera de ação. Alma e espírito do homem podem estar mortos quando tiverem peio mau emprego de sua prova de libertação atraído para si a necessidade ordenada de voltarem de novo àquela prisão na qual ficam isolados de qualquer ação efetiva.

Quando se descobrem na matéria forças ativas, elas não são mortas, mas vivas e inteligentes, pois sem inteligência de qualquer espécie impossível imaginar-se um efeito sem força.

Assim como se pode reconhecer a força através do efeito, também se reconhece a inteligência da força da constantemente organizada teoria planimétrica. O crescimento de qualquer vegetal ocorre segundo uma teoria interna e planejada que facilmente pode ser observada por todos. O mesmo se dá com a deterioração e com todos os fenômenos possuidores de forças, de onde se conclui:

Os efeitos provam número semelhante de forças; e como todos esses efeitos são ordenados e planejados, esse fato deve existir número igual de inteligências como forças. Desta conclusão se deduz que a matéria consiste de almas, isto é, inteligências, que podem ser fixadas por forças e inteligências superiores, de acordo com a ordem e necessidade. Quando termina o tempo de fixação, as inteligências isoladas despertam e se unem, como substância original, naquela entidade na qual foram formadas por Mim, o Criador. Tal reunião é em parte obra das próprias inteligências e em parte dos espíritos mais elevados.

42° CAPÍTULO



A AÇÃO DE DEUS ATRAVÉS DOS ESPÍRITOS

Quem tiver assimilado essa questão chegará à conclusão que não há matéria na acepção da palavra, por ser ela apenas um efeito de forças que aparece numa espécie, condição e forma provando que as forças não podem agir sem inteligência.

Alguém poderia objetar: Isto tudo é feito por Nosso Senhor; para que então outras inteligências? — Certo, pois fala o Senhor: Céus e Terra e tudo que comportam foi feito por Mim, — e ainda faço. Todavia existe muita coisa na Terra que não foi feita por Mim, deixando tal tarefa entregue aos homens a fim de que tivessem algo para fazer. Se bem que o fazem somente com Meu Poder dado a eles, não deixa de ser Eu indiretamente a agir. Assim como permito que as mãos humanas efetuem inúmeras coisas, permito que Meus anjos e espíritos façam aquelas coisas, através do Poder do Amor e da sabedoria, que os mortais não podem efetuar.

Podem eles construir casas, confeccionar tecidos e fazer instrumentos; mas não podem providenciar a matéria para tanto. Não conseguem fazer um capim, um vegetal ou animal. Mas os espíritos vivos e os anjos bem o podem fazer pois são dotados por Mim com a Força necessária.

Vamos exemplificar como inteligências isoladas agem em determinada função, outras segundo sua índole, — e tudo isto sob a direção de espíritos mais elevados.

Observai uma- aranha, na qual encontrareis duas capacidades intelectivas: a primeira é o conhecimento de seu alimento condizente. Aproveitar esse alimento para uma dupla finalidade, isto é, o sustento de sua natureza e o preparo da secreção de que ela tece sua teia, eis uma faculdade inteligente. A segunda consiste na arte peculiar de puxar o fio e dependurá-lo em pequenos ganchinhos, tecer uma teia e cobri-la com um líquido pegajoso e perolino a fim de apanhar os insetos para seu alimento. Dessa atitude se percebe que a aranha possui inteligência, o mesmo que os cientistas chamam de instinto; Erradamente, porque instinto é de certo modo um impulso interno de ser obrigado a efetuar determinada função s-través de certo modo. Aquilo que os cientistas chamam de instinto não é mais inteligência do animalzinho, e sim a direção ou orientação por parte de espíritos mais elevados. É diferente possuir-se certa aptidão ou executar certa função dentro dessa aptidão. Com a posse de tal aptidão não se prende à necessária execução, pois é preciso outro impulso. Neste caso a posse de tais aptidões e capacidades dentro de um ser ou num específico psíquico é precisamente a inteligência, enquanto a obrigação de agir segundo tal inteligência é s- indispensável orientação por parte de espíritos mais perfeitos que, por exemplo, demonstra à aranha o local, a época quando deve realizar suas capacidades. Se assim não fosse, a aranha nunca teceria ou o faria constantemente e não pouparia o rosto do homem tecendo sus" teia sobre os olhos dele.

Do mesmo modo o bicho da seda tece seu fio porque acumulou dentro de si aquelas partículas inteligenciadas do alimento e do específico livre no ar das quais consegue a aptidão e de certo modo a saga cidade de preparar do alimento o líquido pegajoso e quando este tiver alcançado as condições de amadurecer, tecer o fio em torno de si como um ovo.

É evidente que a capacidade para tal tarefa e a necessidade de efetuar tal trabalho em tempo certo e em lugar certo, são dois fatores, como também é diferente se alguém é músico ou pintor. O músico tem sempre a capacidade de tocar um concerto ou outra peça musical, assim como o pintor de pintar um quadro. Porventura o músico tocaria constantemente, e o pintor jamais largaria o pincel e as tintas? Se bem que ambos contenham a mesma força criadora, o músico só produzirá suas capacidades em momentos determinados, assim como o pintor só fará um quadro caso alguém tiver feito uma encomenda ou quando ele próprio se obriga a realizar tal prazer. O primeiro fato^-é igual a inteligência do artista, o segundo, um convite externo para realizar tal obra.

Se os homens designam diretores para maiores produtos artísticos, por exemplo organizando a época do concerto, as peças a serem tocadas e dirigi-las, — quanto mais necessário não se torna designar diretores entre tão incontáveis inteligências em se tratando da conservação e continuação útil de mundos cósmicos. Esse assunto sendo de máxima importância para vosso claro entendimento, prosseguiremos a elucidação.

43° CAPÍTULO


IMPRESSÕES DA MATÉRIA SOBRE ALMA E ESPÍRITO

No estudo mineral, vegetal e animal, sempre haveis de encontrar uma inteligência independente e ao lado desta, uma certa coação. Tal inteligência independente não só se percebe do caráter peculiar, mas também — e isto é importante para o psicólogo — da impressão que as coisas mais variadas provocam sobre a alma humana, e seu espírito.

Que constituição deve possuir o homem para se tornar apto às impressões? Tem que ser vivo e completamente inteligente. A fim de que tudo provoque impressão n-ele, terá que reunir em sua alma todas as qualidades intelectivas.

Pergunto: Como pode um objeto morto causar impressão na criatura, se a impressão é um efeito? De que maneira pode algo morto agir? De que forma pode um ser morto despertar sua semelhança num ser vivo? Não seria loucura afirmar-se que a morte, como objeto, consegue despertar outra morte num outro objeto?

Se falamos do despertar, como ser desperta uma morte sendo morte? A noção da morte pressupõe uma total ausência de vida ou ao menos uma falta completa de ação, o que no fundo é o mesmo. Nenhum ser pode efetuar uma impressão em ninguém porquanto não existe.

Daí se deduz que tudo que causa impressão sobre a alma tem que possuir inteligência viva a fim de despertar na alma viva seu específico intelectivo e levá-lo como algo semelhante diante dos olhos da psique para uma apresentação visual que é a mencionada impressão provocada por qualquer objeto. Daí também se conclui que no mundo da matéria não existe morte. Aquilo que o homem chama de morte, é apenas a transição de uma forma menos inteligente para uma mais elevada onde os elementos intelectivos já se encontram multiplicados.

Certamente os homens são tomados de sensações diversas ao depararem agrupamento de pedras. Se elas são mortas — como dizem — como conseguem despertar uma sensação na alma? Porventura os quadros mortos na alma podem fazer surgir semelhantes vivos? — Tal afirmação ou suposição seria mais tola que alguém afirmando ser possível fazer germinar as sementes mantidas por cima de um lago calmo porquanto o reflexo das sementes fariam-nas germinar na água e certamente projetariam as raízes e frutos debaixo do espelho d'água. Aliás tal hipótese não seria tão tola. O objeto a se refletir na água não seria morto e era de se supor estar em condições de produzir algo vivo através de sua imagem, enquanto isso não seria possível a um objeto sem vida, isto é, criar na alma viva uma impressão vital.

Agrupamentos de pedras e massas rochosas despertam na alma humana sentimentos vivos, às vezes cheios de graça, entusiasmo e admiração. Seria a pedra morta capaz de despertar essas reações vivas? Respondo: Quem tem ouvidos que ouça, e quem tem olhos que veja o que o espírito vivo transmite ao seu semelhante!

Essas massas rochosas surgiram da Onipotência Divina tanto quanto o mais vivo querubim. Como aliás poderia a Eterna Vida Original de toda Vida criar pedras mortas?

Eu, Criador Original, posso fixar a Infinita Plenitude de Minhas Idéias e posso prender as inteligências vivas quais pensamentos iso lados dentro da matéria da pedra e libertá-las paulatinamente. Assim serão apresentadas na plenitude e na Glória a Mim, ao Criador, e aos que surgiram de Mim a fim de que toda Infinita Plenitude de Minhas Idéias não venha flutuar diante de Meus Olhos qual imagem imutável. Precisamente em tais Criações materiais o Criador corta a Plenitude de Idéias por demais infinitas e as reapresenta para Sua Contemplação Divina como Pensamentos isolados através da libertação e dissolução da própria matéria.

Se portanto o Criador concatenou Suas Idéias e Pensamentos que naturalmente não são mortos dentro do aparecimento da matéria como faz o encadernador ao encadernar um livro, por certo também na pedra existe vida, grande quantidade de inteligências que se reencontram na alma encarnada que já tirou para si sua parte viva a fim de se regenerar de certo modo vivamente na- psique.

Essa é a característica que irradia de todo objeto para a alma humana e se baseia- nas forças vivas e inteligentes, presas na matéria.

Essa tendência revela as inteligências livres pelas quais cada coisa é de certo modo consciente de uma- ou várias capacidades. Além disto também se percebe a coação, por exemplo, que a pedra tom que ser dura-, o vegetal é obrigado a crescer em determinada forma produzindo certos frutos, bem como o animal é forçado a ser e fazer aquilo para que foi destinado. Tal coação não vem da matéria, pois é obra dos espíritos perfeitos g quem fora designada tal tarefa. A seguir elucidaremos a maneira pela qual os espíritos se desincumbem de tal trabalho nesta região.

44° CAPÍTULO



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