A terra e a lua


ESPÍRITOS DO AR, DAS MONTANHAS E ESPÍRITOS VIANDANTES



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ESPÍRITOS DO AR, DAS MONTANHAS E ESPÍRITOS VIANDANTES

As pequenas neblinas que especialmente em montanhas rochosas se desenvolvem são, quando não houve chuva precedente, ou neve, etc., de um modo geral, espíritos da natureza que só depois de algum tempo podem se transformar em almas e espíritos humanos. Os espíritos que com prazer se elevam ao ar e às vezes o cobrem totalmente^ são os ditos espíritos do ar que já gozam de maior liberdade do que os telúricos. Todavia, são rigorosamente supervisionados pêlos espíritos de paz, pois do contrário poderiam provocar grandes danos.

Tais espíritos raramente são vistos pêlos humanos e eles o evitam com cuidado porque temem tudo que seja matéria, principalmente se apavoram diante dos que projetam capacidade forte de percepção. Precisamente este temor lhes incute um certo ódio contra a matéria na qual tanto tempo estiveram presos, razão por que o controle se faz necessário. Qualquer espírito, uma vez livre da matéria, não pode ser levado às proximidades da mesma. Os próprios espíritos dos desencarnados sentem um grande asco da matéria, muito embora já tivessem uma inteligência perfeita. Muito maior, porém, é o temor daqueles que se libertaram há poucos momentos através de uma especial permissão, supondo acharem-se perfeitos, sem necessidade de palmilhar o caminho longo e cansativo da carne.

Tal desejo lhes é concedido, mas geralmente não se cumpre a palavra, pois tais espíritos se tornam excessivamente maldosos e vingativos por asco e ódio contra a matéria, ou então se juntam aos bilhões querendo fugir para o infinito. Os maldosos e vingativos são presos de novo e levados à Terra através dos fenômenos meteorológicos, onde lhes é indicado um trabalho nas regiões da flora. Não se dispondo para tanto, são impelidos nas aparições aquáticas, em riachos, rios, lagos e mares, onde não raro também praticam seus abusos. Tornaram-se deveras maldosos e se uniram com os espíritos atrasados do mar e então pode suceder, como já sucedeu, que tais poltrões são de novo repelidos para o interior da Terra, o que representa um destino bastante doloroso. Uma vez que tais espíritos s-e entregam ao desempenho do crescimento da flora, podem iniciar seu caminho carnal, ou, após certo período de serviço que no máximo se estende por dois séculos, voltar ao seu estado de libertação anterior, podendo habitar o ar, montanhas, o solo. florestas, lagos e rios.

Essa espécie de espíritos Já possui uma inteligência total. São bastante entendidos nas coisas da natureza, vêem e escutam tudo que ocorre e o que é falado sobre a Terra.

Tais espíritos podem também lidar com os humanos e prestar-lhes às vezes serviços decisivos, sendo apenas necessário não os aborrecer, pois facilmente ficam amargurados prejudicando o causador, porque muito embora- habitem a matéria, são inimigos declarados da mesma.

As zonas preferidas devem ser isoladas e calmas e não é aconselhável gritar-se, assobiar-se, muito menos praguejar-se ou enraivecer-se, pois levaria os espíritos ainda presos na- matéria a se rebelarem, prejudicando aqueles que já tiveram certa liberdade de pensamentos.

A fim de evitá-lo, eles procuram assustar os viandantes em tais zonas, para que a abandonem o mais depressa possível. Bastante perigosos se tornam na-s montanhas, nas galerias das minas, onde já provocaram grandes desastres para os mineiros. O desmoronar súbito das galerias, seus gases, inundações, desaparecimento de veios e coisa-s semelhantes, tudo isto é obra de tais espíritos; bem como as avalanches de neve são obras de tais infelizes.

Quando tais espíritos são benevolentes e não alimentam nada de maldoso, apresentam-se geralmente na forma de duendes no colorido escuro, cinza, azul ou verde. Esta pequenina forma demonstra sua predisposição de dignar-se a fazer o bem aos homens porque lastimam, de certo modo, o espírito aprisionado. Se a pessoa se porta desrespeitosamente para com eles, eles crescem não raro até a forma de gigante, onde não é aconselhável permanecer-se perto sem chamar pelo Meu Nome.

A existência de tais espíritos já foi demonstrada na última explicação. Resta saber se passam ou não pelo caminho da carne.

Se foram úteis e ativos na Terra, tal prova lhes é poupada. Em compensação, são levados à Lua ou a um outro planeta qualquer, onde todavia tem que aceitar a encarnação e também o fazem mais dispostos por ser esta em outros corpos cósmicos mais curta e leve.
Esses espíritos são geralmente chamados espíritos viandantes, pois caminham de um planeta para outro, onde não raro entram em conchavo com almas desencarnadas, para o que se predispõem especialmente os naturalistas e astrônomos aos quais os espíritos viandantes não encarnados prestam os serviços desejados. As almas desencarnadas não poderiam ver absolutamente nada em outros planetas sem o auxílio dos espíritos da natureza. Eles as assistem no encontro com criaturas de outros planetas, fazendo com que estas possam vislumbrar as coisas de lá através dos olhos desses daqui.

Quando tais espíritos da natureza, com o decorrer do tempo, se cansam de espiar, ocorre geralmente a sua volta à Terra-, submetendo-se à pesada encarnação, sem a qual jamais se pode pensa-r na filiação divina. Todos aqueles que pretendem se tornar filhos de Deus precisam caminhar a trilha de A até Z, motivo por que espíritos de inúmeros corpos cósmicos chegam à Terra para sua encarnação. Se existe apenas um Deus, uma Verdade e uma Vida, também só existe um caminho, não sendo conseqüência imprescindível que todos os moradores de outros corpos passem por este caminho para chegarem à sua felicidade, assim como também existe num corpo físico quantidade enorme de nervos e fibras saudáveis sem que sejam do próprio coração. Por esta observação considerável e profunda, qualquer pessoa se equilibrará mais facilmente na segunda região espiritual. Na próxima vez haverá outras historiazinhas, para depois descermos à primeira região atmosférica.


35° CAPÍTULO



BRUXAS E SEUS PROCESSOS
Não há quem já não tivesse ouvido falar de tais bruxas, pois não faz muito tempo em que ainda se processavam tais criaturas, levando grande quantidade de pessoas inocentes a uma morte dolorosa para o outro mundo.

De que maneira a humanidade chegou às bruxas? Vamos responder através de uma história. Em tempos passados, em que as criaturas ainda viviam mais simplesmente do que hoje, havia muitas com dupla visão, vivendo portanto em dois mundos. Hoje em dia isto até seria possível, caso a alimentação fosse mais simples, pois com ela estragam e embrutecem sua natureza ao ponto -em que a alma se enrosca de tal forma a lhe ser impossível chegar a uma movimentação possibilitando-lhe um vôo livre.

Em que consistia a alimentação das pessoas simples? Ela consistia geralmente de cereais cosidos com um pouco de sal e nunca tomados em estado muito quente. Pão simples, leite e mel perfaziam o repasto daquelas pessoas, dando-lhes uma idade muito avançada, podendo até o último momento de sua vida fazer uso da dupla visão. Era permitido tomar-se de vez em quando um pouco de vinho, sem embriagar-se. A carne só deve ser ingerida em determinadas épocas, não ultrapassando sete dias seguidos, de maneira modesta e sempre de animais recentemente abatidos; sendo que a carne dos peixes é melhor que das pombas; a das pombas melhor que das galinhas; a das galinhas melhor que dos carneiros; esta melhor do que cabritos, e finalmente esta melhor que do gado. Entre todas as espécies de pães, a de trigo é melhor. De todos os alimentos mencionados só se deve comer um de cada vez, com um pouco de pão. e os frutos também comedidamente, amadurecidos, bem como algumas raízes, mas só uma de cada vez.

Com esta alimentação o corpo jamais chegaria- a ser balofo, ficando cansado, preguiçoso e pesado a tal ponto que a alma se visse envolvida numa tarefa difícil de movimentar esta máquina pesada e^ muito mais, de executar algum trabalho diferente.

Existiam tais pessoas em épocas passadas que viviam mui simplesmente e preferiam as habitações ao pé das montanhas. Seguidamente possuíam a visão dupla, mantendo dia e noite relação totalmente natural com os espíritos, recebendo ensinamento em vários assuntos. Os espíritos lhes mostravam os efeitos das ervas e como certos metais bons ou pesados se encontravam ocultos nas rochas, ensinando-lhes também a tirá-los delas e através da fundição transformarem os metais em instrumentos úteis.

Em suma, não havia uma casa nas montanhas que não tivesse possuído seus próprios espíritos caseiros, que pertenciam ao corpo serviçal como qualquer outro.

Daí a existência de grandes sábios, principalmente nas montanhas, que viviam em constante contato com as forças da natureza e com os espíritos, de sorte que as forças ou os espíritos sempre estavam ao seu dispor.

Quando pessoas das zonas mais baixas, digamos de aldeias, cidades e lugarejos chegavam a tais sábios das montanhas, naturalmente descobriam certas coisas ocultas e incompreensíveis, mormente quando tais pessoas maldosas procuravam atritos com os habitantes das montanhas. O contendor levava sempre a pior^ julgando aquele haver tido contato com o próprio Satanás, ou pelo menos com um de seus asseclas.

Qual foi a conseqüência disto? Tal homem esperto, habitante de um povoado ou vila, procurava imediatamente o padre do lugar, que geralmente era mais tolo que o próprio queixoso. Então eram organizadas as missas, procissões, exorcismos, naturalmente bem pagos, que não raro levavam a fortuna com toda sua posse.

Uma vez que o queixoso tivesse cumprido a exigência do padre, o caso era entregue à justiça terrena. A justiça então se encaminhava com aparelhos bentos pelo padre para aquela casa na qual o queixoso supostamente havia sido enfeitiçado pelo bruxo. Essa justiça mundana prendia geralmente todo o povoado, levava-o sem defesa ao auto-de-fé, e tirava da pessoa todas as suas posses, naturalmente após a exorção sete vezes aplicada exorcismo este que tinha que ser pago com grande soma.

Mais tarde, a coisa ainda era pior. Qualquer pessoa que fosse vista de roupa preta, sem pertencer à casta sacerdotal, e andasse mais depressa que qualquer outra, era considerada um verdadeiro demônio, e bastava apenas um queixoso mal intencionado, que o outro era imediatamente levado a julgamento por feitiçaria.

Até que na época atual os naturalistas e químicos conseguiram levar a compreensão à humanidade tola de que a suposta bruxaria é a maior tolice.

Todavia, caiu-se de um extremo para o outro, esquecendo-se do provérbio "in médio beati", pois se é errado querer-se brigar com espíritos como homem natural, tanto mais é errado condenar-se todo o reino dos espíritos e declará-lo nulo.

Não se pode negar, todavia, que em épocas passadas certas pessoas entravam em conflito com espíritos maus, com cuja ajuda causavam qualquer prejuízo material. Mas estes maldosos tinham' um constante controle e mestres de castigo em seus vizinhos que sabiam perfeitamente o que procuravam engendrar. Porém, o sacerdócio daquele tempo, como o de hoje, não levava isto em consideração, de sorte que tanto anjo como demônio tinha que marchar para o fogo. não se olhando o que era bom ou mau, e sim qual era o lucro. Caso o queixoso não possuísse fortuna e o suposto feiticeiro também, falava-se apenas "repousa em paz". Só quando se supunha num ou noutro uma determinada posse, a questão não corria pacificamente. Dava-se o mesmo como atualmente se faz com os enterros nos quais se pratica toda a cerimônia e preces aos ricos, enquanto o pobre tem que se satisfazer com o "Pai Nosso" e, caso nem isto possa pagar, que se satisfaça com a terra abençoada. Pois dizia-se: o pobre de qualquer forma chega no céu; só o rico tem que suar um pouco antes que se lhe abra a porta. Isto dará boas comédias no reino dos espíritos.

Estas práticas qualquer um julga honestas e justas, enquanto em sentido espiritual são piores que todos os processos de feiticeiros anteriores. A motivação daquelas era geralmente a tolice. Aqui trata-se de verdadeira cobiça, e um processo de feitiço por cobiça é pior que um de tolice. O que vem a- ser a missa de corpo presente senão um processo de feiticeiros peio qual se julga exorcizar algo diabólico do pobre morto?!

36° CAPÍTULO


MONTANHAS DE FEITIÇO

Ainda hoje em dia existem provas, se bem que apenas pela denominação peculiar das montanhas, de que -em épocas remotas lá habitavam de fato pessoas videntes e relacionadas com espíritos. Por exemplo, no Tirol, na Suiça, na Savóia, nas montanhas da Alemanha; em suma, em todos os locais onde existem montanhas cujos nomes traduzem o que realmente lá s-e passava. "Schockel" era a denominação atribuída a tais montanhas, pois segundo os dialetos antigos, tal palavra traduzia "projetar raios". Também se aplicava às pessoas que hoje em dia são prestidigitadoras e a outras que fazem acrobacias, pois esta palavra é uma denominação muita antiga da Ásia, segundo a qual aqueles feiticeiros também se chamavam "jongleurs" (saltimbancos).

No idioma alemão, ainda hoje em dia se usa uma palavra, se bem que tradicional, com raiz "schock", que quer dizer: um "choque" de criaturas, um "choque" de madeira. Entre tais criaturas, sempre existe uma que sabe mais que as outras. Dava-se também o seguinte: que em tais montanhas se viam as criaturas em aglomerações, o que se compreende, porque não era aconselhável que pessoas isoladas empreendessem algum trabalho para o qual a força de uma só não seria suficiente e além disto, ainda que fosse suficiente, o operário poderia sofrer um imprevisto, quando então não teria ninguém que o socorresse.

Os habitantes das planícies, quando percebiam um aglomerado de pessoas em tal montanha e ocasionalmente uma nuvenzinha no pico da mesma, deduziam que tais pessoas se entregavam à feitiçaria e que de qualquer forma começavam a projetar um temporal.

Houve tempos, e não se passou nem um século, em que tal montanha era tão malfadada, que nenhum cristão se atrevia a subi-la, porquanto teria recebido, no sentido católico, uma advertência por parte da feiticeira daquela montanha. Por este motivo desflores-taram o cume, tirando à feiticeira seus esconderijos, quando de todos os lados eram soltadas as pólvoras bentas pela Igreja. Ainda hoje se vê tal caverna. É desnecessário afirmar-se que Jamais dali saiu uma tempestade, tampouco ia havia habitado uma feiticeira. Mas, que em eras passadas, como até hoje, ela ainda é habitada por espíritos das montanhas, com os quais os velhos costumavam manter contato e por isto eram mais inteligentes que os habitantes das planícies, — isto é indubitavelmente verdade, bem como o fato de ter sido esta montanha um vulcão apresentando até hoje sua cratera aberta.

A "Mulher Morta" prova evidentemente o que tinha sido esta montanha, quer dizer, um solo cheio de feiticeiros pêlos quais fora aprisionada uma mulher que, não querendo se submeter à vontade deles, se transformou em pedra. Com esta transformação, naturalmente, morreu.

Posteriormente, organizou-se, mais embaixo, uma vivenda para eremita na qual, de fato, se encontrou uma criatura morta; e, além disto, ainda se prendem outras lendas àquele lugar, que naturalmente nenhuma verdade contém, pois a base da suspeita e dos nomes malfadados é sempre a mesma, como se vê pelo relato acima. Existe também uma outra, muito conhecida, que se chama "Monte do Feitiço". Seu nome deriva de um emigrante da Suábia que ia existia como o mais importante feiticeiro, fazendo suas maquinações, até que um local de peregrinação chamado Maria Zell acabou com isto. Também existe uma "Pedra do Diabo" -e dispensa explicação. A "Cadeira do Pregador" tem a mesma 'origem, pois lá consta que Satanás em verdade teria feito uma prédica do comportamento para os mestres da feitiçaria, numa cordilheira entre Salzburgo, Áustria e Staiermark. Este local era de certo modo a universidade para todos os feiticeiros e mestres de feitiçaria, pois o nome até hoje é muito suspeito e não há quem queira subir, a não ser salteadores que, naturalmente, não consideram os feiticeiros; muito mais, porém, as cabras montanhesas que lá vivem o seu habitat.

Poderíamos juntar uma centena de tais montanhas no Staiermark, mas vamos nos satisfazer com estas e fazer alguns relatos históricos, pois essas montanhas, há 120 anos atrás, ainda desempenhavam um papel extraordinariamente místico.


37° CAPÍTULO


MONTANHAS COM NOMES MAL-AFAMADOS

Numa zona perto do Rio Drau encontra-se uma montanha que se chama "Hohestaff". Esta montanha domina, com seu pico, todo o vaie do rio, desde a fronteira' do Tirol até Kiagenfurt, e mais para o sul ela chega aos pés do chamado "Lago Branco". Sua altura mede 8.000 pés e proporciona um panorama magnífico. Em tempos passe dos era mal afamada e, por assim dizer, um ponto de reunião para os feiticeiros e seus mestres. Existem outras que se encontram nessa cordilheira, que se chamam "O Salto de Feiticeiros", "A Cavalgada do Demônio", o "Ninho do Lobisomem", e outras coisa-s mais. A palavra "staff" era antigamente uma expressão pela qual se denominava algo extraordinário.

Extraordinário ergue justamente que os elementos, como sejam, o ar, a água, cada qual com seu fenômeno, serviam para homens e animais como orientação, razão por que mais tarde se dava a montanha um outro nome, que de certo modo era apenas a tradução para o alemão.

Assim sendo, a palavra "staff" na linguagem antiga das montanhas, é uma espécie de julgamento, isto porque qualquer leigo que não fosse iniciado nos mistérios da feitiçaria era imediatamente condenado pêlos mestres da mesma, quando ele simplesmente se arrogava o direito de subir a montanha onde terminava a floresta. Tal hóspede era imediatamente preso por mãos invisíveis e na velocidade do raio levado para o cume mais alto. Lá era submetido a martírios cruéis e dolorosos durante horas e obrigado, com voz de trovão, a participar da Liga dos Feiticeiros. Não o querendo, ele era atirado daquele ponto; mas de tal maneira, que não morria, pois num ponto mais abaixo se atiravam as sílfides mais tentadoras sobre ele e o envolviam com todas as suas maquinações. Se ele se entregava, imediatamente era suspenso para o cume e iniciado em seus mistérios. Não querendo deixar-se tentar pelas sílfides, levavam-no no escorregadouro do diabo e ele tinha de fazer uma viagem pavorosa para o vale, onde, como dizia a gíria, todos os ossos ficavam quebrados. Se em tal tentação tivesse demonstrado uma meia vontade, era levado ao "canto de ouro", onde ficava ofuscado diante da massa de ouro polido. Mas, isto não era o bastante. Também era levado às zonas do "túmulo de prata". Não era propriamente um túmulo, mas sim uma região maravilhosa desta montanha, que enfeitiçava o leigo de tal forma que não podia deixar de participar totalmente da união dos feiticeiros. É claro que tudo isto é apenas lenda, principalmente do povo que habitava a planície mais abaixo.

Os habitantes mais sábios, que em virtude da tolice dos outros não raro tinham que suportar um julgamento pavoroso, nada sabiam destas traficâncias, mas sim conheciam os espíritos que habitavam esta montanha em todas as direções. Por que precisamente esta? A razão por que tais seres preferem determinadas montanhas é diversa. Em parte, depende da situação e da altura da montanha; em parte do seu conteúdo; mas de um modo geral, de uma situação bastante isolada pela qual tal montanha é cortada de todas as partes para que os espíritos das outras, de natureza maldosa, não consigam lá penetrar e estabelecer a desordem. O motivo principal pelo qual tal montanha é dominada por tais espíritos é devido à sua posição isolada, que fornece um panorama de todas as demais zonas. Esses espíritos têm a capacidade de ver o mundo da natureza e sendo também empregados a modificar o tempo, forçosamente precisam desenvolver uma atenção desdobrada para com os espíritos de outras montanhas, de sorte que -estes, sem serem coagidos, prefiram nelas permanecer. Tais espíritos já recebem a assistência de elementos mais perfeitos que os conduzem e dominam. Todavia, nunca se tira a qualquer espírito sua individualidade, sua liberdade e a satisfação com que a eles se prendem.

Tal montanha é, portanto, a principal deste país. Uma outra semelhante se chama "Bruxa", cuja fama é pior que a anterior, pois as denominações que ainda se aplicam a ela, bem como à sua formação mística e romântica, são mais que uma prova evidente de sua fama de feitiço antigo.

Montanhas semelhantes existem em grande quantidade no Tirol. Porém, as mais afamadas são as da Savóia, pois lá, segundo a lenda popular, habitavam os cabeças dos maus espíritos e todo habitante da Savóia até a bem pouco tempo era considerado com desprezo se houvesse morado por muito tempo naquela região, bem como também os habitantes dos Pirineus sob o nome de "chacots", que os espanhóis consideram piores que um cão raivoso.
Depois que analisamos a existência dos espíritos na segunda região, veremos o que se passa na primeira.

38° CAPÍTULO


A PRIMEIRA E MAIS BAIXA REGIÃO ATMOSFÉRICA

A primeira região, que, naturalmente, é a mais baixa, começa onde pousa o ar atmosférico, no qual vivem flora, fauna e seres humanos. Nesta região o elemento espiritual é de tal modo mesclado com o natural que um sábio faria o seguinte: Nesta região primitiva só encontro elementos espirituais. Somente a ação fixada, momentaneamente ou sucessivamente tem o aspecto natural pela aparência-formal. Em sua base, porém, tudo é perfeitamente espiritual.

Por que se diz espiritual em vez de se dizer espírito? Porque nesta região se unem aos poucos as inteligências específicas espirituais e psíquicas, sendo obrigadas a se encontrarem numa forma espiritualmente perfeita, ou seja em um ser consciente. Explicarei este processo: Em toda parte existe um centro determinado para a união total de elementos específicos espirituais. Este centro é propriamente o espírito original, ou seja, uma centelha do amor do homem. Ele atrai com toda força aquilo que faz parte de sua natureza; ainda que esta sua natureza seja por demais dispersa, ela terá que se acomodar àquele centro espiritual ao qual pertence e se torna diferente nos seus atributos, embora de qualidade idêntica. Um exemplo tornará a coisa mais clara.

Observai a educação de várias pessoas numa escola. Centenas de alunos têm o mesmo professor, estudam os mesmos livros, aprendem a mesma caligrafia — mas, observai-os quando adultos: não haverá dois iguais no seu modo de pensar, na sua caligrafia, etc. Todavia, o alimento da educação espiritual foi o mesmo, mas o espírito de cada aluno extraiu deste alimento geral do ensino aquilo que lhe é afim, sem que o professor algo tivesse colaborado para tal finalidade. Deste exemplo se conclui claramente que cada centro espiritual encontra na infinita variabilidade das inteligências específicas o seu próprio elemento, assim como em cada semente o gérmen absorve do alimento central especificado a água, o ar e a terra, a própria luz e tudo aquilo de que necessita para sua natureza-

Deste modo se concentram as inteligências psíquicas no centro espiritual condizente, ou elas fluem para lá, amalgamam-se para uma forma inteligente, apresentando suas particularidades individuais; fato semelhante ocorre no homem, porque o centro espiritual propriamente dito só se reproduz na forma da criatura.

A palavra é igualmente um exemplo importante para iluminar este fato. Pronuncia-se uma palavra, que no mesmo instante atrai tudo aquilo que é necessário para a conclusão de sua compreensão. Tomemos a palavra "mandamento". Ela é um centro, no entanto atrai e reúne num átimo tudo aquilo de que necessita a fim de ser um mandamento.

Subentende-se que o completar da noção "mandamento", numa de suas múltiplas definições, é algo extraordinário e de modo algum uma tarefa fácil como alguém poderia imaginar, pois, o que é necessário para um mandamento? Primeiro, uma entidade sabiamente organizada, possuidora de noções penetrantes em todos os pontos de vista, segundo as quais dá um mandamento e sabe a quem. Além disto, é preciso que seja um ser livre, dotado de muita compreensão e força de vontade ligada a ela, a fim de que aceite, compreenda e cumpra o mandamento. O que é preciso para se criar tal entidade e quais são os atributos do Criador para tal realização? Além disto, o mandamento tem que ser sancionado. O que é preciso para se sancionar um mandamento com sabedoria, justiça e atividade?

Eis aqui uma quantidade enorme de noções, idéias básicas e forças que se prendem a uma única noção "mandamento", de sorte que alguém poderia dizer: se a palavra "mandamento" enfeixa tudo Justo tão formidavelmente, o que sobra para uma outra de menor importância?

Chegamos agora à explicação principal. Cada palavra forma, por si só, um certo centro espiritual. Atrai de várias noções os elementos que lhe condizem, une-os de modo próprio, de sorte que as mesmas noções se qualificam em algo diferente do que numa outra palavra.

É desnecessário acrescentar para este fim uma grande quantidade de palavras ou noções para tornar a questão mais clara do que já é.

Para as palavras "amor", "virtude", "humildade", "Deus", etc. são precisas tantas noções como para o "mandamento", mas aquilo que no "mandamento" se torna mandamento, se tornará no "Amor". amor; na "virtude", virtude; na "humildade", humildade; e em "Deus". Deus; e assim por diante nos elementos específicos materiais de flora e fauna.

Se tiverdes assimilado o que foi dito, facilmente compreendereis que nesta região existe o laboratório de reprodução e reunião dos elementos isolados espirituais e psíquicos em um espírito total, em possui a máxima semelhança com tudo aquilo que se apresenta em forma vegetativa e produtiva, na qual, de muitas partículas, se desenvolve um todo isolado. Em suma, eis aqui o local para a semeadura, o campo no qual é concatenada uma associação de idéias espirituais em uma forma material, ou digamos: é o ponto central de todos os elementos psíquicos dispersos em torno de um centro espiritual.


39° CAPÍTULO


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