A terra e a lua


A ATMOSFERA TELÚRICA E SEUS FENÓMENOS METEOROLÓGICOS



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A ATMOSFERA TELÚRICA E SEUS FENÓMENOS METEOROLÓGICOS



Do fato de ser o sol apenas apoio e não um produtor de luz se deduz que ele absorve primeiro a luz de inúmeros sóis e projeta a mesma nos espaços imensos do éter. Esta luz projetada encontra naturalmente aqueles raios de luz diretamente dirigidos ao planeta. Unem-se com os mesmos e cai sobre a Terra. Nisto consiste o apoio, e a luz solar pôr si só seria muito fraca caso não cooperasse a luz das estrelas. Assim também a luz da lua seria muito fraca caso não fosse aumentada pela luz solar. Vemos isto com facilidade num quarto onde várias velas aumentam a luz para uma grande claridade. Nas alturas das cordilheiras tal acréscimo não pode ter o mesmo efeito que nas planícies. Como já foi dito, os raios ainda não atingiram a densidade necessária pôr ser a esfera de ar em redor da Terra cormo uma lente enorme na qual o raio solar não atinge imediatamente sua força total, mas sim depois de certa distância que corresponde ao diâmetro de sua periferia. Ultrapassando a lente ele se condensa até finalmente atingir sua força total na extensão do centro da esfera. O foco da grande lente atmosférica seria naturalmente o ponto central da Terra, até onde, porém, jamais chega um rito solar. Todavia, o raio de luz que cai sobre a superfície da grande lente telúrica se torna cada vez mais compacto à medida que se aproxima deste foco. Montanhas não são tão atingidas pôr esses. raios como os vales mais profundos e principalmente as zonas marítimas.-Este é o motivo pelo qual os raios de estrelas muito distantes não podem possuir uma densidade sensível, tampouco exercem uma influência sobre a vegetação. Em outras palavras, eles não possuem nas alturas elementos de espécie alguma. Pôr este motivo, o ar nas alturas é cada vez mais puro, pois, se a mescla num líquido é diminuta, este líquido é mais puro, assim como um homem se torna cada vez mais puro, alegre e forte, à medida que expulsa de si todas as paixões, desejos e necessidades. — Tal região montanhosa é, de certo modo, o ponto de transição do efeito nulo para o efeito que nasce, pois os raios começam a se condensar pela sua própria condensação e em parte também pelo reflexo dos raios que voltam da superfície telúrica. Isto provoca certa-s evoluções que se apresentam como ondulações. Quando perduram, surge um certo elemento que corresponde a um processo de luz química. Tal elemento, naturalmente mesclado, surge primeiro como neblina montanhosa. Se tal processo de luz química não for interrompido pôr qualquer coisa, as neblinas &e transformam em massas de nuvens que aos poucos se condensam e finalmente caem sobre a Terra como chuva, ou, no inverno, como neve. O fato de a chuva e todas as coisas que são trazidas pelo ar terem sua origem na luz fica provado pôr vários fenômenos na superfície telúrica, mormente em países tropicais, onde, não raro^ cai uma chuva que cobre tudo com brilho fosforescente. A superfície marítima brilha de tal forma como se fosse incandescente, e até mesmo objetos umedecidos pela água do mar brilham como madeira apodrecida nas florestas. Inclusive a neve demonstra ser um produto da luz, e do mesmo modo surgem as formações de neblinas e nuvens na segunda região atmosférica, onde "ao devemos desconsiderar a torça polar dos Pólos Norte e Sul. pois através dela essas formações são saturadas com a eletricidade telúrica, conseguindo aquela condensação pela qual são levadas como elemento de flora e fauna. As nuvens que assimilaram o elemento telúrico tomam uma coloração escura, enquanto as não saturadas têm aspecto mais claro e leve. Esta qualidade dupla de nuvens cria entre elas uma polaridade heterogênea onde a saturada escura se manifesta como negativa e a não saturada clara e pura, como positiva.

Subentende-se que a negativa sai prejudicada porque o que se torna mais pesado tende a cair. Pôr isto, também as criaturas que saturam seu coração com tolices materiais e negativas sobrecarregam-no, tornando-se cada vez menos acessíveis para a luz, isto é, para o reino da Luz, preparando sua queda para o abismo. Pessoas acostumadas a subirem as montanhas são geralmente alegres e esquecem com mais facilidade todos os seus aborrecimentos com que lutam nas planícies. Além disto, adquirem um apetite muito grande, podendo saborear pratos que nas planícies não podem sequer olhar. A causa reside exclusivamente na pureza maior do ar e tem grande semelhança com a bem-aventurança dos felizes que também podem saborear tudo sem prejuízo, porquanto para o puro tudo é puro e o nocivo não o pode prejudicar porque não encontra alimento para sua projeção.

Eis uma explicação suficiente para a SEGUNDA região atmosférica, que se eleva a dez mil toesas acima do espelho marítimo, purificando-se naturalmente à medida que sobe. Da próxima vez nos dirigiremos para a terceira, a fim de vermos para que serve e o que lá acontece.

24.° CAPÍTULO


O OLHO DA TERRA

A terceira região atmosférica repousa na segunda, assim como um óleo se apresentaria em cima da água limpa, não podendo se mesclar e sim, encontrando-se na superfície aquática, não perturba a pureza deste espelho; pelo contrário, fornece-lhe um brilho maravilhoso. — Esta terceira região atmosférica é, portanto, qual óleo etéreo, que lubrifica ss duas regiões inferiores e também é um sal etéreo que salga aquelas, tornando-as de bom paladar para flora e fauna. Todos os perfumes descem desta região atmosférica, pois passam pela luz e pelo sal a fim de serem conduzidos às plantas através da eletricidade acumulada da vegetação, fornecendo-lhes o óleo etéreo e, através deste, o variado aroma. Em várias plantas

pode-se descobrir este óleo em pequenas bolinhas de resina, às vezes a olho nu e muito apuradamente com o microscópio.

Em suma, o aroma e em grande parte o bom paladar, o colorido variado, especialmente de flores e frutos, se originam na sua maioria desta terceira região atmosférica, pois são substâncias puramente etéreas porque se encontram próximas à sua origem.

Tais substâncias do éter especificado se amalgamam na terceira região atmosférica, formando de certo modo um fluido que encontra um parentesco químico nos raios de inúmeras estreias, pêlos quais passam e se unem, descem à Terra e completam substancialmente plantas e animais em parentesco correspondente aos elementos básicos dos produtos variados da luz.

Essa terceira região atmosférica corresponde a cada planta. isto é, à planta externa, que em todas elas é o botão, a flor e o fruto, bem como as folhais e as pontas que sugam a eletricidade. Todas estas partes da planta tem um aspecto etereamente puro, que corresponde à terceira região atmosférica. De um modo geral, é sumamente delicado, sutil, de bom paladar. Em outras, porém, de odor repelente, que é apenas a conseqüência da supremacia dos humores telúricos do interior do planeta, que não podem ser superados pelas substâncias celestes puras.

Nos animais se encontram as substâncias desta região atmosférica de modo mais potente. Mas, naturalmente, já se acham em segunda mão, portanto não são mais tão etéreas como nas plantas. Porém, o miolo, que geralmente é absorvido do ar através dos cabelos, e principalmente o líquido puríssimo no olho — especialmente sob a primeira córnea, como a córnea mesma — são absorvidos do ar através das pestanas e dos cílios e de lá conduzidos ao próprio olho. Portanto, é esta terceira região atmosférica semelhante ao olho porque, além de servir ao que fora mencionado acima, -ela tem a mesma função em homens e animais.

É, portanto, esta região o próprio olho telúrico, pois se a Terra não possuísse tal capacidade visual geral, nenhum ser a teria, pois o que a pessoa não tem, não pode dar.

Não somente o planeta possui nesta região o seu olho, que se «estende sobre ele todo, mas também cada planta possui nesta região uma capacidade visual através da qual recebe a luz. Isto já se deduz pelo fato de que quase todas as plantas dirigem suas corolas ao sol, para dele sugar a luz, e quando um vegetal é plantado num porão, o broto procura a todo transe dirigir-se ao orifício pelo qual a recebe.

Poderia surgir a seguinte pergunta: Para que finalidade a Terra necessita de um olho tão imenso e geral? O que é que ela vê e qual sua impressão daquilo que vê? Respondo: A Terra olha constantemente no espaço infinito, o que produz nela mesma, como em todos os seres que a habitam, uma impressão correspondente da qual cada ser isolado absorve sua inteligência para- o mundo exterior. Tal seria impossível sem a grande capacidade visual da Terra. Ela, como corpo físico, nada sabe daquilo que vê, e também seria desnecessário, porque não se trata de uma individualidade isolada e sim de uma concatenação de inúmeras inteligências isoladas. Precisamente essas inteligências necessitam do grande olho telúrico geral e total, assim como toda pessoa e todo animal jamais veria algo sem este olho telúrico. Através deste olho o homem vê sol, lua e estrelas.

É claro que o homem, com sua visão diminuta, não poderia abarcar o grande sol caso o grande olho telúrico não recebesse um quadro diminuto do sol para levá-lo ao olho humano. Deste modo. ninguém vislumbra sol, lua e estrelas como são em sua particularidade e distância, mas apenas reflexos da grande superfície do olho telúrico, a qual é mais luminosa que o espelho da água mais pura, prestando-se, portanto, à aceitação de quadros dos outros corpos celestes.

Em virtude desta capacidade telúrica, já houve astrônomos deveras tolos que supunham o sol numa distância de apenas dez milhas e o tomavam pôr um meteoro que girava em torno da Terra no espaço de 24 horas. Esta opinião errônea foi provocada pelo reflexo segundo o qual o quadro do sol realmente não dista muito da Terra. Este quadro não é a realidade e sim um quadro diminuto daquele grande sol que dista da Terra além de vinte milhões de milhas. Além disto, este olho recebe igualmente impressões, digamos quadros, da superfície do corpo telúrico e os conduz para outros, assim como outros corpos celestes levam suas superfícies à nossa Terra pôr intermédio deste olho geral. Desta capacidade nos dão a prova as ditas aparições da fata Morgana em países tropicais, porque lá esta terceira região atmosférica desce às vezes até cordilheiras não muito elevadas. De modo idêntico são os aromas balsâmicos, principalmente nas montanhas, uma prova de que esta terceira região atmosférica desce tão profundamente, pois as pessoas não suportariam o ambiente de tamanha intensidade de perfume. Na próxima vez, nos aprofundaremos mais neste assunto.


25° CAPÍTULO


A NATUREZA DO FOGO

Essa terceira região atmosférica, que repousa como óleo etérico em cima da segunda, possui, além das qualidades mencionadas, a da fácil inflamação pôr qualquer perturbação. Ela se torna especialmente incendiável naquelas partes onde um corpo, pôr exemplo, um meteorito^ chega nas suas regiões, cortando-a pôr uma distância considerável. Tal inflamação é toda peculiar porque não ocorre propriamente incêndio; é um fulgor, mas não uma queima. A fim de compreenderes -este ato, é preciso ser dito algo sobre a natureza do mesmo. O que vem a ser o incendiar? Qualquer um poderia responder. Quando se levam objetos incendiáveis ao fogo, ou os expomos a um calor excessivo, eles se incendeiam e queimam. Esta explicação faz parte da cozinha e não nos leva a "m conhecimento mais profundo.

Mas, o que vem a ser o fogo, que em si mesmo é o próprio incendiar? Este fenômeno não pode ser explicado cientificamente porque atinge as regiões do espírito. Bom ou mau, não vem ao caso.

Em toda matéria existem espíritos. Quando irritados, eles se incendeiam e chegam a uma irritação crescente peia qual aumentam sua atividade e força. Em tal potencialização da irritação e força, ocorre uma movimentação excessiva em ondulações rapidíssimas. Pôr esta movimentação, a matéria é destruída e a irritação faz explodir tudo nos menores átomos. Os espíritos se libertam finalmente, após total vitória sobre a matéria e procuram na fumaça sua liberdade, deixando a cinza como matéria destruída.

Portanto, é o incendiar uma irritação espiritual dentro da matéria, e a continuação e crescente potencialidade da irritação é o ato da queima. O fulgor do fogo se baseia nos movimentos ultra-rápidos e fortes dos espíritos, e a propagação da luz do fogo é igualmente uma irritação dos mesmos espíritos na matéria total, como também no âmbito atmosférico. Nisto reside, portanto, o ato do incêndio e da queima. Note-se bem que aqui na Terra isto ocorre geralmente pela irritação de espíritos ainda impuros. Pôr isto, o fogo é geralmente sombreado e vermelho, de certo modo ainda raivoso e irado.

Pode naturalmente ocorrer outro incêndio, qual seja o causado pelo zelo do amor, que naturalmente não é destruidor, nem nocivo.

Fato semelhante de tal incêndio é o reflexo da luz solar na superfície aquática. Através da luz do amor do sol, os espíritos pacíficos da água também são levados a vibrar, sem todavia destruir o que quer que seja.

Muito embora a superfície total da água seja iluminada e projete seus raios em todas as direções, não ocorre nenhum incêndio. Igualmente, dá-se um incendiar no espelho quando é atingido pôr um raio de luz. No entanto, não se dá o processo da queima, porque houve um estímulo do elemento bom, mas quando ocorre a projeção de um raio de sol do amor, de modo potencial, a corpos que ainda contêm algo impuro, ele se incendeia no ato de inflamar.

Como já analisamos a fundo o ato incendiador, fácil é explicar o incendiar do conteúdo deste ar atmosférico na terceira região, quando é levado à perturbação pôr um corpo qualquer. Um meteoro, ao passar pôr esta terceira região atmosférica, provoca sua explosão e um vácuo enorme. Este forma uma base luzente, na qual se concentram, num instante, os raios de luz de incontáveis estrelas e, tal reflexo, visto da Terra, parece fogo.

Tal fenômeno na terceira região atmosférica é todo peculiar, pois não ocorre nas regiões inferiores, porque lá o ar é pôr demais pesado e se fecharia muito rapidamente atrás de um corpo cortante, enquanto o ar levíssimo da terceira região se condensa sucessivamente, razão pôr que se vê uma cauda longa atrás de tal meteoro.

26° CAPÍTULO
FENÓMENOS NA TERCEIRA REGIÃO ATMOSFÉRICA

Em todos estes fenômenos não devemos supor uma total semelhança, porque de fato existem nas matérias luminosas algumas que se inflamam de tal modo a provocar um incêndio. Tal inflamação .todavia, se origina da terceira região atmosférica, indo se apresentar o ato do fogo quando tal meteoro penetra na segunda ou talvez até mesmo na primeira região atmosférica, manifestando uma movimentação muito veloz. Uma retenção mediana .ou até mesmo forte não condiciona tal inflamação.

Fenômeno especial ocorre pelo surgir da cabeça do meteoro que ilumina mais fortemente. O brilho da cabeça, enquanto corta a terceira região atmosférica, é homogêneo com o da cauda; é um reflexo concentrado, em virtude de o corpo sólido, geralmente esférico, cortar o ar especialmente na parte dianteira da cabeça, formando uma bolsa de ar que cria uma superfície brilhante que absorve a luz dos corpos luminosos do espaço, projetando-a, em seguida, à Terra. Quem atirasse uma pedra" redonda com grande violência em água limpa teria uma pequena cópia deste fenômeno, pois, muito embora a pedra seja preta, ela surgirá debaixo d'água com cabeça branca. Esta brancura nada mais é que a rápida penetração da pedra, que forma um espelho côncavo e aquático que absorve os raios que caem n'água -e os reflete de novo. Pôr este motivo também a 'espuma da água é branca porque as bolhas são de certo modo espelhos côncavos que assimilam grande quantidade de raios, projetando-os de novo. Trata-se, portanto, apenas do reflexo concentrado da luz.

Mas, quando um meteoro mais volumoso desce nesta segunda região atmosférica, ele se incendeia de fato através da fricção com a camada de ar mais pesada. Se a movimentação for muito rápida, pode acontecer que tal meteoro atinja a Terra ainda em estado de queima, o que ocorre muito raro. Numa movimentação retardada, facilmente explicada na região mais compacta, apresenta-se o apagar e o corpo cai em qualquer parte do planeta. O ar etéreo da terceira região é propriamente a natureza incendiável de tal meteoro quando chega a uma região mais compacta.

Trata-se agora de explicar de que modo este ar e seus fenômenos são vistos pela Terra. Quanto aos meteoros em si, dispensa explicação. Existem, porém, outros fatores originais desta atmosfera necessários de serem ventilados para sabermos de tudo que pertence à matéria telúrica.

Pôr certo já vistes as nuvens cirros. São sumamente sutis ê tão transparentes que permitem à luz das estrelas passar pôr elas quase que sem turvação. São as mais altas que aparecem sobre o nosso planeta e se formam pôr uma espécie de união do éter puro com a superfície da terceira região atmosférica". Propriamente não são nuvens, mas apenas movimentações ondulantes na mais alta superfície da terceira região atmosférica que aparecem quando certas entidades luminosas passam pelo éter e se aproximam da Terra e cuja origem vem de corpos solares. Como estas entidades substanciais já possuem uma certa ponderabilidade, provocam, pôr sua queda sobre a superfície facilmente influenciada, uma movimentação ondulante que, como a luz solar, não mais se movimenta em linha rela e sim com diversas refrações. Tudo isto ocasiona aquele fenômeno que se destaca como nuvens pequeninas e suavemente formadas.

Que depois de tais fenômenos surjam realmente temporais isto se baseia na chegada de hóspedes estranhos que são indagados pêlos habitantes espirituais da Terra qual sua procedência e ação. Em tais indagações ocorrem sempre alguns atritos e projetos para proporcionar a estes visitantes uma chegada sem dano sobre a Terra. Caso os visitantes se acomodem pacientemente, o que ocorre com raridade, não surge tempestade após o aparecimento dos cirros. Em caso contrário, sucede uma força ordenada, e todos têm que se acomodar, o que anteriormente poderia ter ocorrido pacificamente. Eis aqui um fenômeno peculiar da terceira região atmosférica e como é visto pela Terra.
Finalmente existe mais um, raramente visto, porém muito importante, porque é puramente espiritual, podendo, todavia, ser visto a olho nu. Este fenômeno só ocorre em dias muito quentes e se apresenta numa espécie de listras branco-azuladas. Essas listras representam um momento de lazer e confabulação dos espíritos bem-aventura-dos conjeturando a organização de tarefas para novos espíritos. Em tais dias também na superfície terrestre existe silêncio total. Não há uma folhinha que se mexa"; não há uma nuvem comum a ser vista ^ a Terra apresenta um calor sufocante.

Este estado, porém, não é de longa duração. Quando tal assembléia é de certo modo dissolvida, notam-se de novo movimentos, especialmente quando são destacados novos espíritos para- o domínio do ar, das montanhas, dos mares, etc., e então ocorre o fato que as vassouras novas varrem melhor que as velhas. Surge, então, quantidade de ventos variados e os barômetros oscilam. Pôr isto, em tais fenômenos termina a constância do tempo. As listras acima descritas nada mais são do que exércitos de espíritos pacíficos na superfície da terceira e mais pura região atmosférica que pode ser vista a olho nu.

Criaturas com visão espiritual veriam algo mais do que simples listras branco-azuladas. Na época de hoje, onde se começa a modelar tudo do ferro, são elas mais raras que os diamantes da Terra, pois quando estes aparecem são tão pequenos e sem brilho, portanto com pouco valor.

Aqui termina o relato material e natural da Terra e na próxima vez vamos estudar a Terra espiritual.



SEGUNDA PARTE
"A TERRA ESPIRITUAL"

27° CAPÍTULO


SURGIMENTO E FINALIDADE DA MATÉRIA
Na observação da parte espiritual da Terra temos que fazer uma movimentação retrógrada, pois não subiremos das trevas às alturas e sim desceremos do alto para as planícies, porque mister se torna fazer o movimento não de dentro para fora e sim vice-ver-sa^ para alcançar o que seja espírito, a causa e o mais profundo de tudo que existe.

Já vos foi diversas vezes demonstrado que dentro da matéria se oculta espírito e que ela nada mais é que espírito aprisionado e fixado.

Seja qual for a matéria a ser estudada, não haveis de encontrar alguma totalmente sólida e sim divisível, e entre suas partículas ainda se encontram espaços pequeninos que pêlos naturalistas são denominados de poros.

Sobre a divisão da matéria nenhum sábio está orientado e não há quem determine de que partículas diminutas a matéria é formada. Basta tomarmos um grama de almíscar e colocá-lo em um lugar qualquer, numa grande sala. Dentro em pouco tudo estará saturado deste perfume e ainda que tal pedacinho ali ficasse durante anos, nada perderia de volume nem de sua irradiação perfumada. Mas, certamente em cada segundo se teriam desprendido deste pedacinho milhões de partículas para poderem saturar aquele salão com seu perfume. Tais exemplos poderiam ser repetidos em grande número. Para a questão em si, basta este porque se presta para a explicação da divisão infinita da matéria. Mas, que fator é este que condensa tais partículas a ponto de finalmente se formar uma massa compacta? Eis o primeiro degrau onde começa o espírito.

Todas estas partículas infinitas são originalmente nada mais que idéias potencializadas de Mim — o Criador de todas as coisas. Estas idéias potencializadas adquirem forma; a forma recebe vida do Criador. Ele solta a forma vivificada, fornece-lhe uma luz própria e, com esta luz viva, a inteligência pela qual a forma toma conhecimento de si como um ser independente.

Uma vez tendo conhecimento de si, é-lhe dada a ordem, a lei de todos os seres, e com esta ordem ela recebe o fogo interior da Divindade, um lampejo do Amor Eterno. E deste amor surge a vontade. Eis que a forma vivificada possui luz, conhecimento próprio, consciência, ordem e vontade, podendo usá-la segundo seu gosto.

Se tal ser neo-criado se movimenta e age dentro da ordem solidificar-se-á qual árvore,surgindo como uma entidade perfeita e livre no espaço infinito para uma existência eterna, porque é uma criação Minha, que Sou Eterno. Se tal entidade ou criatura não obedece à ordem determinada, encaminha-se, naturalmente, para seu extermínio ou dissolução. Alguém plantando um vegetal e não lhe proporcionando umidade, luz solar e calor, qual será seu destino? Supondo que a planta tivesse consciência livre e pudesse se abastecer de água, luz e calor, todavia não tivesse vontade para tanto, ela secaria e desapareceria. Para Mim, o Criador, não é indiferente se uma entidade, que não apenas captou de Mim o quadro de uma idéia, mas também foi criada da plenitude da Minha Natureza Divina, vive apenas temporária ou eternamente.

Uma criação temporária deveria neste caso destruir uma parte de Mim, o que seria inteiramente impossível. Portanto, uma vez criada, ela o foi para toda a Eternidade. Pode, porém, agir de modo contrário à Minha Ordem, o que representa o mesmo que não existir para Mim, pois quem não é pôr Mim, é contra Mim. Neste caminho se desenvolveria, com o tempo, uma força- e potência oposta a Mim, apresentando perturbações à Minha livre projeção. Com outras palavras: Eu — a Máxima Perfeição — deveria ser imperfeito para permitir uma imperfeição ao Meu Lado.

Para evitar este prejuízo fortíssimo, é uma criação que não se submete à Minha Ordem presa e fixada em determinado ponto, e esta fixação nada mais é que q matéria.

Nas infinitas partículas da matéria repousa a infinita inteligência da criação recente, porém aprisionada, e que jamais pode ser exterminada.

É fixada contra o sol do espírito até que atinja a maturação, a semelhança de um espelho que absorve a luz do sol até o momento em que este o cega para tudo. Externamente o espelho se torna cada vez mais opaco e sua matéria mais fofa e porosa. Todavia, ela, com isto, se capacita mais a absorver em todas as sua-s partículas dissolvidas a luz do sol, se bem que diminuta, o que nada mais é que a predisposição de tal entidade a aceitar em TODAS as suas partículas a Divindade.

Não é o suficiente alguém exclamar- Senhor! Senhor! — pois necessita ter aceito Deus em todas as fibras de sua vida. Só então estará amadurecido a voltar de onde veio.

Pôr este motivo, a matéria necessita finalmente ser dissolvida em suas partículas diminutíssimas, para que possa refletir o quadro do Sol Eterno.

Nesta aceitação do quadro original ocorre uma nova criação, na qual se condensam as inteligências de um novo ser que anteriormente estavam aprisionadas, porém se libertaram e se predispõem a retomar à forma original. Por este intróito, se vê claramente que na matéria só pode existir espírito. E agora iniciaremos nossas caminhadas pôr cima e dentro da Terra espiritual.

28° CAPÍTULO



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