A terra e a lua


A TERRA COMO PLANETA AMBISSEXUO



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A TERRA COMO PLANETA AMBISSEXUO


Quem, de vós, já não experimentou um especial bem-estar, em que tudo em a natureza o alegrava? Tanto as nuvens de formação graciosa e cores delicadas como uma suave brisa, que nos pareciam beijar com milhares de invisíveis lábios angelicais, — faziam com que nossa alma exultasse de alegria!

Vede, estas sensações da criatura derivam do repouso da Terra, idêntico ao do homem e do animal, quando sua alma descansa no rim, o que produz uma agradável calmaria na superfície, de caráter ameno. A esta época de paz, porém, segue-se uma atmosfera nublada e tempestuosa, onde tudo toma um aspecto repugnante e, às vezes, horrendo. Isto prova que a alma telúrica voltou às suas funções, isto é, uma parte ainda descansa, enquanto a outra trabalha. Num sentido figurado, pode-se isto comparar ao homem que,

durante um certo tempo, trabalhou com a mão direita e quando esta se cansou meteu-a no bolso, usando a esquerda. Ou, então, compara-se a alguém que muito trabalhou com o cérebro -e, a fim de dar-lhe um descanso, movimenta suas pernas num passeio. O repouso parcial da alma telúrica é semelhante à ronda noturna efetuada pôr duas pessoas; uma vigia do anoitecer à meia-noite, enquanto a outra repousa; em seguida se revezam e a refeita assume a vigia até à manhã.

Interpretado deste modo, o planeta não poderá jamais alcançar um repouso completo, porquanto a rotação diária e a anual em volta do sol o impedem disto, no que a parte sul é entregue ao sono invernal, enquanto a outra se acha na maior atividade e vice-versa.

Possuindo a Terra, portanto, a mesma função renal que a do homem, resta saber se não tem atividade procriativa. Como não? E de maneira até muito mais variada que no reino anima! ou vegetal.

Pôr este motivo é possível considerá-la um hermafrodito, idêntico ao homem original e aos espíritos perfeitos, que unificam em si ambos os sexos.

Se, portanto, a Terra tem capacidade procriativa, resta saber como e o que gera, e onde se encontram estes órgãos. — O órgão principal é, como nos animais, o mui saliente — Pólo Sul, pelo qual a Terra se torna feminina e negativa, como a mulher em relação ao homem. A Terra, no entanto, do ponto de vista feminino não é geradora, e sim, apenas capaz de conceber. Quem, neste caso, gera com ela? Resposta: o Sol^ através de sua força de polarização contrária. E o que gera, ou melhor, o que gerou? — o primeiro filho desta mulher telúrica é a Lua.
Possui ainda outros? Oh, sim, uma quantidade de cometas que, em parte, giram no espaço, e em parte surgem quase diariamente como estrelas cadentes no equinócio (*). Nada mais são que pequenos planetas nascidos da Terra, o que prova seu curso elíptico e sua forma redonda. São, entretanto, novamente devorados pôr esta mãe telúrica, como todas as suas criações, fato semelhante à fábula de Saturno, que devorou seus próprios filhos.

A Terra possui uma grande quantidade de canais de parturição e o principal se acha no meio do Pacífico, não distante do Equador, na zona das Ilhas Taiti. Lá nasceram a Lua, e mais tarde, muitos outros planetas ainda existentes.

Eis um dos mais importantes canais de parturição da Terra. Outros se acham em pântanos, lagos e cavernas montanhosas, onde não raro tais planetazinhos são expelidos através duma força polar, numa altura considerável. Como, porém, possuem pouca consistência, — pela supremacia polar da Terra — são de novo pôr ela atraídos, caindo, às vezes, como massas de escorificação ou pedras; estas, porém, só depois de terem explodido no espaço.

Eis uma espécie de gerar, na qual a Terra se manifesta simplesmente feminina. Na próxima vez verificaremos gerações de variedades múltiplas, em que ela age tanto como homem quanto como mulher.

14° CAPÍTULO

GERAÇÕES AMBISSEXUAIS DA TERRA


Destas gerações surgem os reinos: mineral, vegetal e animal. Considerando-a um hermafrodito, ela tanto gera animais como, igual às aves põe ovos; nas plantas produz sementes e nos minerais certas flores nas quais está o poder de atração dos semelhantes e, como ta!, apresentam-se em grandes extensões. Eis uma geração de quatro faces deste hermafrodito.

Alguém poderia* indagar pôr que razão a força reprodutora nos animais e plantas, quando a terra já tem este poder; porque necessita o vegetal de surgir da semente para sua procriação, assim como o pássaro surge do ovo, o animal do seu semelhante e os anfíbios de suas ovas. — A resposta não fácil, apresenta-se para todos que penetram mais profundamente em a natureza.

Ouvimos acima que a Terra tanto é homem quanto mulher. Como sexo feminino ela não gera, mas concebe; apenas gera como homem. e o produto necessita da maturação naquela espécie em que, pôr ele foi gerado.

Para melhor compreensão, analisaremos uma árvore, relativamente ao Globo. Suponhamos que a semente existia antes da árvore, suposição acertada, porquanto é mais fácil semear pôr ela. Além disto, pode-se depositá-la pôr toda parte, pois requer apenas pouco esforço para cobrir um grande espaço. E quando os ventos carregam estes leves grãos, nada e ninguém com isto são perturbados. Quão difícil não seria tal operação com uma árvore crescida! Que diriam as criaturas se um grande pinheiral fosse carregado pôr um ciclone, a fim de fazê-lo aterrissar não longe de suas cabeças? Ao passo que seria facílimo fazer transportar um caminhão de pinhões e plantá-los calmamente num determinado terreno, onde em breve germinariam. Logo se vê que a semente existiu antes da árvore.

Nos animais dá-se o contrário, pois para pôr um ovo é preciso que haja o calor animal; todavia o pássaro não surgiu do ovo, pois a própria terra o pôs, sendo o primeiro pássaro comum.

Uma vez surgido, punha o ovo, algo diferente que o primitivo, gerando assim um seu semelhante. Tanto que se pode afirmar que nos pássaros e anfíbios existia o primeiro ovo. Apenas quando se descobre uma diferença na qualidade do ovo telúrico e do ovo do pássaro, este existia primeiro. As sementes das plantas, porém, já existiam na terra tal qual ela as gera. O mesmo se dá com todos os animais; cada espécie foi pôr ela gerada, recebendo a faculdade procriativa.

Suponhamos que uma semente amadurecida numa árvore fosse depositada no solo, com que a Terra se apresenta como feminina, pois concebe, a fim de procriar. Uma vez a árvore crescida, sua atitude para com a Terra é feminina e a Terra se torna homem, gerando novas sementes dentro da árvore.

Este exemplo demonstra a ação ambissexual da Terra; no entanto, é uma atitude recíproca. Não basta este conhecimento, pois queremos estudar tal atitude na própria Terra.

Sabeis que ela possui um pólo Norte e um pólo Sul, um positivo e outro negativo, ou um atraente e outro repelente, tanto que se equilibram; um dá, outro recebe. Nesta relação polar já se nos apresenta a atitude recíproca. O pólo Norte recebe o alimento, nutrindo o pólo Sul, que nada assimila do exterior.

Eis uma manifestação em parte masculina, em parte feminina, da Terra. O mesmo podemos observar na mudança do verão para o inverno; o primeiro é feminino, o segundo, masculino. O inverno 9'era com o verão, e este produz aquilo que aquele gerou. No inverno o pólo Sul se apresenta positivo com relação ao Norte, com a diferença de os frutos do Sul serem mais doces e macios, porém, não tão fortes como os do Norte, pôr ser no Sul a tendência feminina mais pronunciada que no Norte; pôr isto se poderia dizer: no Norte a Terra é masculina com tendência feminina e no Sul, o inverso. Desta explicação se evidencia a dupla natureza da Terra.

Além disto é preciso saber que ela muda o sexo do dia para a noite. A noite é feminina e o dia, masculino. Toda semente é gerada e fecundada pela Terra como homem, e procriada pôr ela como mulher.

Que a Terra produz sementes já se observa em sua superfície nas primitivas florestas montanhosas e pelo crescimento do musgo e da erva em várias estepes anteriormente áridas, nas quais, pôr milênios nada crescia. O mofo e os cogumelos não têm outra origem. Além disto, ainda há as aparições, embora raras, das chuvas de grãos, e as de peixes, serpentes, e lagartos, das quais nenhum cientista poderia afirmar serem seus componentes levados da Terra pôr um tufão, e mais tarde, arremessados de novo. Neste caso teria ele que de mostrar existir na Terra um lugar em que estes seres existiam aos bilhões — e esta possibilidade provaria justamente a fecundidade do orbe.

15.° CAPÍTULO

ESCALA EVOLUTIVA DOS SERES

Estas aparições manifestam-se de tal forma que causam a idéia de serem acúmulos de tornados que se levantam no ar, caindo logo que ceda a força de elevação. Para um pesquisador mais analítico, porém, esta explicação não satisfará, pois seria necessário um verdadeiro tufão, que levantasse rãs, sapos e serpentes. Se, no entanto, esses anuros e ofídios fossem expostos aos ventos destruidores, seriam, na certa, dilacerados antes de chegarem à Terra. Segundo, tal tufão requereria uma dimensão enorme para esvaziar um lago ou pântano e uma força tão colossal seria perigosa para as montanhas. Terceiro, em tal ameaça não só os bichos seriam levados pelo vento e sim o lodo, a areia e a água, ingredientes estes que, em tal suposta chuva de bichos, viriam para a Terra.

Este fenômeno, porém, dá-se da seguinte maneira: A Terra gera como hermafrodito, em qualquer ponto de suas vísceras, uma quantidade de ovos. Como são mui pequenos, facilmente surgem através dos canais telúricos, e pela substância fermentosa que lhes é afim, dilatam-se à medida que sobem, tornando-se mais leves que o ar. Uma vez alcançada a superfície do Globo, são visíveis como neblina escura subindo até a altura em que atinge uma forte corrente elétrica. Aí, então, são produzidos, não raro, em número de milhares de bilhões. Como, porém, adquiriram corpo mais denso, caem lentamente sobre a Terra com algumas horas de vida.

Esta formação, sendo um grau evolutivo sem interferência de elementos conscientes, desaparece rápido, para ser de novo assimilada pela Terra e levada ao reino vegetal. Estes produtos surgem de maneira mais instantânea no reino animal que aqueles, evoluídos através de legiões de vidas vegetais. Apenas têm que dar mais um passo no segundo grau evolutivo antes de assimilar o caráter do primeiro.

.Outra coisa se dá com aquelas plantas, surgidas com esta característica; têm que passar pôr todos os graus de seu reino antes de poderem penetrar no outro. Havendo, no entanto, infinita variedade de graduação entre as plantas, como sendo as boas e as nocivas, deduz-se daí que as nobres se identificam aos animais enquanto as mais elevadas se aproximam das criaturas, sendo, em parte assimiladas pôr ambos.

Destas plantas se poderá dizer que têm uma linha curta de transição. Existe, porém, grande quantidade de vegetais nocivos; estes têm uma caminhada mais longa até que sejam purificados.

O mesmo acontece com os animais. São gerados diretamente da tendência ambissexual da Terra, assim como também as semeaduras. Mormente nos trópicos, como na Arábia pedregosa e em algumas zonas da África e da América. Lá, ainda existem grandes estepes e desertos que possuem pontos de parturição para as semeaduras, onde se encontra uma- vegetação exuberante. Onde não existem tais pontos, a Terra se apresenta deserta e vazia.

Do mesmo modo as ilhas de origem recente devem sua fauna a estas semeaduras, que após a necessária transição desenvolvem-se em répteis, e insetos; mais além, esta transição independente não marcha. Para este fim é necessário uma força mais poderosa para criar um animal mais evoluído, pelo qual os outros seres possam transitar até chegarem ao homem, que não é incriado mas sim, imigrado.

Esta demonstração é suficiente para apontar, ao espírito pensador, a força de criação e reprodução da Terra como hermafrodito, e que estas tendências surgem principalmente do rim telúrico no qual é formada a matéria do sêmen. Esgotamos, com isto, a atividade do centro do Globo. Resta, porém, a pesquisa da segunda camada, para compreendermos com mais facilidade suas variadas manifestações na parte externa, da qual os mais famosos cientistas não poderão dar explicações. Estas aparições só serão assimiladas quando se lhes conhecer a origem. Trata-se de certo modo do alburno da árvore, que perfaz o seu maior conteúdo. Semelhante a isto, encontra-se na Terra, em sua segunda camada o mecanismo artístico. Esta parte sólida pode ser considerada uma escola, pela qual os seres brutos^ surgidos das vísceras, adquirem cor e forma. Pôr este motivo esta segunda parto mais consistente deve ser pesquisada, o que faremos na próxima vez.

16° CAPÍTULO

MATERIAL E FORMAÇÃO DA SEGUNDA PARTE TELÚRICA

Esta segunda parte sólida da Terra consiste em uma massa totalmente peculiar, semelhando-se à madeira de uma árvore. Naturalmente é menos consistente no seu interior, porém a densidade e a solidez aumentam à medida que atingem a parte externa^ pois quando se trata de carregar grandes pesos a solidez deve ser muito grande. No interior, porém, onde agem as forças polares através das vísceras telúricas, a densidade tem que diminuir, tornando-se um pouco elástica a fim de que não venha a se romper com a força interior, prejudicando as mui sensíveis vísceras, através do vaivém. Chegando à parte externa desta segunda camada, torna-se ela bastante sólida, atingindo uma circunferência de 200 (duzentas) milhas, bastante forte para suportar a terceira camada, ou seja, a externa com todos os seus mares, continentes e montanhas.

Seria difícil explicar este material, porquanto n5o há, na superfície telúrica, algo semelhante e também não pode haver, porque a consistência de cada uma dessas camadas é totalmente diferente Ela não é mineral: nem metal, nem diamante, muito menos ouro ou platina. Se assim fosse, não suportaria o fogo interno que evapora das vísceras. Facilmente haveria de se derreter para, no fim, se transformar em escória e cinza. Tampouco suportaria a passagem violenta de inúmeras fontes de fogo e outras substâncias destruidoras e em breve haveria de se desgastar, tornando-se inapta para futuras operações.

Pode ser comparada ao asbesto quando em estado sólido. O asbesto é quase que indestrutível no fogo, como também em todos os ácidos, muito embora possa ser diluído quimicamente. Eis a diferença que condiciona a semelhança total da massa sólida da segunda camada e do asbesto. Existe na Terra algo que pode ser comparado com o asbesto. Trata-se de uma espécie de pedra pomes encontrada somente nas proximidades do Pólo Sul. Até hoje ainda não foi encontrada porque não houve quem chegasse naquelas proximidades e, mesmo se isto fosse possível, o cientista que o fizesse teria de saber onde se encontra tal pedra pomes para não se cansar em quebrar o gelo. Um grama deste mineral teria valor superior a uma pérola enorme, e isto em virtude de sua coloração formidável e total indestrutibilidade. Este detrito telúrico tão precioso está sendo cuidadosamente oculto a fim de não cegar ainda mais os homens ávidos pelo ouro e diamantes.

Quanto à coloração deste material telúrico muito sólido é ele, na sua superfície, branco-acinzentado e à luz do sol teria o aspecto de uma pérola. Mais para o centro se escurece, tomando a coloração da madrepérola. Além disto, é este material sumamente pesado, pois nele repousa a rotação principal da Terra, o que não poderia ocorrer na camada exterior, que é mais solta e porosa.

Passemos agora à construção desta massa. Para tal fim, serviria a análise acurada do osso do crânio, ou também o estudo de uma noz. Estes objetos apontam qual professor a construção em cuja consistência orgânica facilmente haveis de encontrar a noção, que deve ser aprofundada para obterdes o verdadeiro conhecimento da elaboração artística e útil desta segunda camada. Seria completamente errôneo se alguém afirmasse poder adquirir uma noção exala pela simples comparação de dois objetos, pois necessitaria, antes de tudo, encontrar uma idéia pela análise comparativa. Uma vez encontrada esta, seria necessário aproximá-la anatomicamente.

Façamos, portanto, uma tentativa para este estudo. O que nos ossos se nota como poros visíveis, dá-se nesta segunda camada através de canais às vezes de dimensões consideráveis, que em diversos pontos são dotados com as mais variadas válvulas de oclusão. Em outros pontos cruzam-se vários canais e cada qual leva um líquido especial que num ponto de fusão se misturam e de lá se projetam em outros canais. Todos eles são munidos de inúmeras válvulas de oclusão que se abrem para cima e para baixo. Essas válvulas de oclusão servem para evitar que os humores alimentícios e vivificadores expulsos voltem para as vísceras em virtude de seu peso, pois cada pulsação do grande coração telúrico impulsiona os humores mais variados para todos os inúmeros órgãos. Se estes órgãos não fossem munidos de uma válvula de oclusão os humores assim que neles penetrassem haveriam de retornar pelo peso. Tal não acontece pelo seguinte: "À medida que os humores sobem nos órgãos, as válvulas se abrem, permitindo sua passagem. Mas, quando o impulso diminui e vai em busca de novo material, os humores expulsos pressionam as válvulas e obstruem deste modo o retorno através de seu peso".

Subentende-se que tal veia enorme do planeta possua várias válvulas de oclusão, não raras vezes de algumas milhas de extensão, do contrário o líquido em tais canais se tornaria demasiadamente pesado nos pontos de apoio, não podendo levantar esta válvula peia pulsação, irrompendo e destruindo deste modo no final a válvula principal.

Canais ou veias grandes possuem, além de tais válvulas de oclusão, enormes serpentinas com grande queda e válvulas de pressão separadas, pelas quais é fornecida uma grande ajuda à pulsação. Válvulas de oclusão semelhantes também se encontram em todas as veias do corpo animal. Basta observardes uma obra anatômica ou uma lasca de madeira através do microscópio e facilmente havereis de encontrar uma grande quantidade de válvulas de oclusão ao lado destes filamentos.

Meditai um pouco sobre este assunto no que tange ao mecanismo desta camada sólida, que obtereis uma noção muito útil das coisas da natureza. Uma vez equilibrados nesta explanação mecânica, compreendereis mais facilmente a próxima.

17° CAPÍTULO


O FORTALECIMENTO DOS HUMORES TELÚRICOS

Na última explicação observamos como os humores são levados do centro da Terra para a superfície, através da camada central. Como vimos, este mecanismo é muito simples, todavia perfeitamente útil.

Os humores que são levados pôr este mecanismo para a superfície -em breve perderiam sua força original, principalmente num caminho que não raro atinge várias milhas. A fim de evitar este estado prejudicial, fora preciso alcançar-se uma ajuda de outra parte, através de um mecanismo sumamente artístico: Partindo do norte para o sul, correm inúmeros filamentos finíssimos de minerais, principalmente ferruginosos, enquanto os do sul para o norte são de platina e cobre. Estes filamentos, como já foi dito, são tão finos que, comparados a um fio de teia de aranha, poderiam ser divididos dez mil vezes. Esses filamentos não correm em linha reta e sim delicadamente torcida, principalmente naquelas zonas onde atingem as veias -e canais que surgem do centro telúrico. Tais filamentos não são propriamente canudos e sim cristais enfileirados e unidos como os elos de uma corrente. Sua posição é como se várias pirâmides fossem superpostas de forma tal que o vértice de uma atingisse exata-mente o centro da base de outra, isto é, as pirâmides de ferro teriam seus vértices dirigidos para o norte, enquanto as de platina e cobre para o sul. Com este quadro sabeis perfeitamente como são construídos estes filamentos condutores. Esta corrente deve ser organizada desta forma, pois uma outra, lisa, como pôr exemplo um arame, perderia a corrente eletromagnética numa extensão de três mil milhas. Facilmente se deduzirá que condutores lisos perdem, com o tempo, a eletricidade, pois uma fagulha elétrica não tem a mesma ação poderosa quando afastada do condutor que absorve o fluído eletromagnética de um vidro friccionado ou de várias chapas de cobre ou zinco que foram colocadas em ácido muriático ou ácido sulfúrico. Todavia, tal corrente de pirâmides não seria totalmente útil para um condutor de vários milhares de milhas caso não percorresse num canudo próprio de consistência tal a não permitir a passagem de uma faísca elétrica. Contudo, o uso seria pouco, caso esses filamentos permitissem o vaivém da matéria eletromagnética. Pôr este motivo, é preciso empregar-se em determinados pontos, principalmente nas zonas de surgimento de canais, algumas câmaras de abastecimento. Quando tal câmara é repleta, ela age sobre os humores no canal e lhes proporciona novas forças.Eis uma determinação destas inúmeras câmaras de acúmulo, que ora crescem, ora diminuem, ora são negativas, ora positivas, a fim de que, quando a substância for demasiadamente carregada pêlos humores positivos de eletricidade, a negativa absorva o supérfluo, transformando-o no seu próprio elemento. Em outras palavras: aquilo que a eletricidade positiva aquece em demasia, é esfriado pela negativa.

Outra finalidade destes condutos de filamentos é pôr em movimento as bombas motoras nos canais como ajuda da força inicial de pulsação do coração telúrico. Sem esta ajuda, a força original necessariamente estacionaria, pois cada pulsação tem que movimentar vários trilhões de toneladas, peso este que se transmite também aos humores expelidos com cada- pulsação.

Através das válvulas de pressão aplicadas nos canais, a força propulsora do coração recebe tamanha ajuda a diminuir sua tarefa tornando o peso diminuto. Analisar mais minuciosamente o mecanismo de tal bomba de pressão seria em vão, pois jamais chegaríeis à compreensão total de uma obra demasiadamente complicada, na qual somente um espírito e Jamais a visão do homem poderia penetrar. Pôr este motivo, será mais fácil uma dissertação deste fenômeno na parte espiritual do corpo telúrico. Falta-nos apenas uma pequena parte para o conhecimento total desta segunda massa telúrica. Consiste ela nas veias recondutoras ou reassimiladoras, pelas quais os humores desnecessários, ainda não preparados para a nutrição do planeta, voltam para o coração, a fim de buscar novas forcas e ajuda. Esses canais de recondução são igualmente dotados de válvulas de retenção que se abrem somente quando o coração telúrico se contrai. Uma vez que se dilata, as válvulas se fecham, impedindo o prosseguimento dos humores em retrocesso. Elas somente não se fecham totalmente quanto aos canais ascendentes^ o que também não é tão necessário. Estes canais de recondução são mais fechados que os de ascensão. Portanto, seus humores não contêm peso tão grande. Além disto, são estes humores mais morosos que os humores dói. canais de ascensão.

E, para terminar, têm estas válvulas mencionadas a finalidade de não interromper os canais no seu impulso, organização mecânica esta que também se encontra nas veias dos corpos físicos, como também nos filamentos de madeira, onde, porém, os vasos de recondução se encontram entre a casca e a madeira em si. Eis tudo que fora preciso mencionar a respeito desta camada telúrica. Na próxima vez faremos uma inspeção sobre a terceira camada, ou seja a parte

externa da Terra.

18° CAPÍTULO


A CASCA TELÚRICA

Depois de termos estudado a Terra central, dirigimo-nos ao seu exterior, que perfaz de certo modo a pele, ou seja a sua casca. Esta parte externa do planeta contém a construção menos artística. O que lhe falta neste setor é compensado pôr inúmeras outras formas, chegando a uma complexidade tamanha que seria impossível ao intelecto humano conceber o que ela contém em si. Nas duas partes anteriores, descobrimos tudo muito mais simples, ou seja o efeito como causa de sua ação anterior. Poderia se comparar a ação interna com seu efeito externo a uma roda motriz na qual tudo se move em redor do seu eixo. Quando se penetra na câmara onde o mecanismo muito complicado é levado a movimentos mais variados através da simples ação daquela roda motriz, admira-se seja tudo isto ação deste mecanismo.

Deste modo pode-se considerar a ação simples no interior do orbe como roda motriz mui simples, através da qual são projetados efeitos na terceira, ou seja a camada externa. Não deveis imaginar ser esta separada pôr uma camada de ar, pois ambas são tão amalgamadas como a casca com o cerne de uma árvore. Próximo à terra sólida existe uma pele muito sensível de várias milhas de espessura, sobre a qual segue a verdadeira epiderme, ou seja a pele insensível na qual se multiplicam os efeitos de vida orgânica interior. Lá tudo está sendo criado em si como fora de si; quer dizer, a semente é formada e s-e apresenta como deve surgir posteriormente. Prepara-se aqui a força para a semente preparada e separada segundo sua utilidade para a vivificação de flora e fauna, passando através da água para» inúmeros microrganismos, que são inteligentemente aproveitados. Para tal preparação necessita-se, naturalmente, uma complexidade infinita de construções mecano-orgânicas desta parte telúrica. Com isto, ainda pouca utilidade teria se apresentado. Pois tal mecanismo não teria efeito algum, porquanto a organização desta parte telúrica deve possuir uma constituição muito complicada, além da separação e divisão das forças e humores que surgem do interior da Terra, a fim de que possam ser assimilados e levados a seu final destino no espaço. É fácil de imaginar que para esta finalidade não se pode contar com um mecanismo simples. Para tanto basta observar-se uma única planta que contém várias partes, como sejam^ espinhos, peles, fibras, filetes, líquidos, gorduras, etc..

Se uma planta exige tamanha variedade de coisas, quanto mais isto não ocorre nessa terceira parte telúrica, onde se trata da formação do mineral externo, em seguida, da flora, e, finalmente, da fauna total.

Um grão de areia é pôr certo o mineral mais simples; no entanto, é de tal forma artisticamente construído, que despertaria grande admiração caso fosse possível ser visto conforme é. Haveríeis de descobrir uma quantidade dos cristais mais variados, tão fabulosamente amalgamados, que nem a matemática mais apurada o? poderia calcular. E se tais cristais isolados fossem analisados mais apuradamente^ se descobriria que nada mais são do que uma complexidade de cadáveres animais ou seja uma espécie de infusórios, porém muito menores do que estes que surgem na gota d'água em fermentação. Se estes cadáveres de infusórios fossem analisados, haveríeis de descobrir em cada um uma quantidade enorme de seres atômicos que serviram de alimento para os primeiros, e caso vos animásseis a observar analiticamente tal bichinho atômico, naturalmente mais pelo lado espiritual do que com as lentes mais apuradas, haveríeis de descobrir em cada um — (1) globo solar em miniatura, no qual se apresenta o universo total como origem. Juntai milhões de tais cristais formados de mil infusórios e o grão de areia formado de cem destes cristais, e obtereis -então uma pequena no" cão da apresentação artística desta simples peça de mineral. Quão artístico deve ser o mecanismo no laboratório no qual se fabricam apenas grãos de areia, se para estes já fora preciso precederem-se duas gerações animais nas quais cada ser possui um organismo tão artístico que jamais poderíeis fazer uma idéia. Tal ser possui olhos, ouvidos e órgãos sensitivos e, além disto, livre movimentação. Ainda mais estranho se torna o quadro do universo num miriápode atômico oval.

A fim de se formar disto tudo um grão de areia, necessário se torna um mecanismo de reprodução muito artístico em nossa Terra externa. Mas o que não é preciso para se formarem outros minerais. dar-lhes finalidade e forma determinadas e finalmente a formação de flora e fauna, para as quais um milhão seria pouco demais. Desta explicação sumamente superficial compreendereis ser impossível a explicação específica deste organismo sumamente complicado. E se isso quiséssemos fazer, mil escrivões necessitariam de um bilhão de anos para tanto. E quem pretendesse informar-se a respeito de tal obra precisaria de milhões de bilhões de anos para ao menos reler tal obra uma vez em sua vida. Pôr isto ressaltaremos as considerações desta parte telúrica apenas superficialmente, mencionando somente de um modo geral aquilo que explica as aparências exteriores. Todo o resto, como já fora dito, será mais facilmente compreendido na parte espiritual, na qual um minuto será mais proveitoso que um milhão de anos telúricos.


19.° CAPÍTULO


A PELE SENSÍVEL DA TERRA

No que diz respeito à pele sensível da Terra é ela transpassada pôr inúmeros canais, entre os quais existe uma enorme quantidade de depósitos grandes e pequenos para os variados líquidos que surgem dela.

Além destes, existem outros depósitos que recebem os humores em retorno, recondicionando-os aos canais anteriormente mencionados. Tais depósitos possuem, como os lagos na superfície da Terra, formações diversas. A maioria, porém, é oval. Servem eles principalmente para proporcionar aos humores uma certa fermentação pela qual são de novo segregados e como tais conduzidos para determinadas finalidades. Tais depósitos não devem ser confundidos com as grandes bacias subterrâneas das quais surge a água potável da Terra e que em vários pontos podem ser atingidas pôr brocas artesianas. Tais enormes bacias de água se encontram na pele insensível da Terra, enquanto os depósitos de humores ainda se acham na casca sensível. A finalidade desses depósitos será analisada na parte espiritual.

Eis uma parte da consistência desta casca telúrica. Outra existe num suporte de vigas no qual pousa a pele telúrica insensível com todos os seus mares, lagos e montanhas. Tais colunas ou vigas se fundamentam na parte sólida da Terra e de lá sobem à superfície; todavia, não são tão duras quanto as pedras, possuindo uma consistência cartilaginosa ligada a uma elasticidade potente. Isto é indispensável porque não raro se criam gases entre a pele sensível e a insensível, formando vácuos consideráveis que erguem a camada da Terra externa provocando então terremotos ou tufões. Se tais colunas ou vigas fossem sólidas, a superfície da Terra seria calamitosa. Sendo elásticas, nada mais acontece do que o desmoronamento de casas humanas.

Tais vigas elásticas se tornam cada vez mais sólidas na epiderme insensível da Terra, assim como nos animais os ossos terminam em cartilagem e vice-versa. Esses ossos sólidos da Terra são visíveis como minerais originais sob o nome de cálcio, granito e quartzo. À medida que sobem à superfície mesclam-se mais. tornando-se ásperos grosseiros e duros. Suas faldas representam as montanhas originais, que se diferenciam em todas as partes da superfície telúrica pela forma, altitude e massa. As outras montanhas surgem posteriormente e já conheceis sua origem, como também a localização de bacias subterrâneas, apoiadas pôr colunas próprias, que não raro evitam que uma grande parte da Terra frutífera se transforme em lago, o que já aconteceu. Resta agora considerarmos de onde o mar recebe seu alimento principal. Primeiro, isto ocorre pêlos depósitos de humores na pele sensível que formam a própria bexiga da Terra. Além disto, recebe o mar um acréscimo considerável de todos os grandes rios e córregos, muito necessários^ pôr ser o líquido que sobe à terra, partindo da bexiga telúrica, muito salgado, e sem acréscimo de água doce Se tornaria uma massa compacta, de sorte que no lugar do mar surgiriam somente montanhas de sal, que tornariam o ar totalmente ácido, impossibilitando a existência de qualquer ser vivo. Além disto, provocaria também na Terra a moléstia perigosa da retenção de urina, ocasionando em pouco tempo um incêndio total do orbe.

Anteriormente já tratamos dos fósseis. Resta-nos apenas, para a observação natural da Terra, o ar que a envolve, numa altura de dez milhas alemãs, dividindo a camada de ar em três esferas.

Passaremos então a estudar a parte externa do orbe, para nos elevarmos em suas ondas luminosas ao mundo espiritual, tão logo tivermos atingido o éter.

20.° CAPÍTULO


NATUREZA E CONSISTÊNCIA DO AR

A água marítima como também a dos lagos, forma uma espécie de ar condensado no qual podem viver animais. Este ar pertence, de um certo modo, ao próprio planeta, quer dizer à sua casca externa. Pôr este motivo, a água não pode ser considerada como atmosfera mas sim, apenas aquela parte na qual se encontram neblinas e nuvens, e, naturalmente, também o hidrogênio.

Em que consiste o ar atmosférico em todas as suas partes? O ar atmosférico consiste em uma quantidade de outras espécies com o nome de gases. Os naturalistas classificam-no da seguinte forma: "O ar é feito de oxigênio, hidrogênio, gás carbônico e azoto". Isto, porém, não completa a atmosfera; caso ela não tivesse ainda outras espécies, a situação do surgimento dos animais e o crescimento da flora e da fauna seriam muito precários.

Cada planta suga do ar atmosférico a espécie que lhe condiz, expelindo todas as outras. Se assim não fosse, cada planta não teria sua forma peculiar, seu aroma e gosto. Se. pois, cada planta suga o ar que lhe condiz, é óbvio existirem tantas qualidades de ar como existem consumidores. Isto já fica comprovado pelo perfume de cada planta e muito mais pôr sua consistência interna. Para tanto, basta cheirar-se uma rosa, um cravo, um lírio uma violeta e o memendro. O perfume das rosa terá uma influência fortalecedora sobre os órgãos olfativos, aguçando a visão. O cravo agirá adstringentemente sobre o olfato e enfraquecerá a visão. O lírio enfraquecerá totalmente aqueles órgãos, tendo uma influência nociva sobre o estômago, razão pôr que provoca não raro dores de cabeça. A violeta alegra os órgãos olfativos e até mesmo fortifica o cérebro, enquanto a florzinha do memendro terá como conseqüência, após longa absorção, tonturas e dilatação da pupila. Pergunta: Poderia isto ser atribuído às espécies simples de gás eu de ar, ou pode ser provocado através de uma mistura condicionada? Sim, se estes quatro elementos fossem de fato os elementos básicos dos quais todas as coisas finalmente foram criadas, seria vergonhoso para os químicos não terem preparado deles ouro, prata e diamantes.

No entremeio destas quatro espécies, facilmente Se pode produzir uma quantidade de outras. Isto tudo não ocorre, pois se apresenta apenas uma poeira esbranquiçada que examinada com microscópio surge como pequeno cristal, o que não representa muito, pois tal poeira de cristal é produzida na natureza de maneira muito mais perfeita. Para tanto, bastaria que se examinasse uma fruta madura (ameixa, uva), bem como várias folhas e dentro em breve haveria de se descobrir esta poeira chamada esmalte de plantas.

Daí concluímos que devem existir várias qualidades de ar. Existem, pôr exemplo, plantas que emanam um ar tão pernicioso que mataria animais e outras plantas. Em contra-partida, existem vegetais capazes de vivificar até mesmo uma pessoa falecida há pouco. Ambas as qualidades de vegetais — uma destruidora, outra vivificadora — devem, portanto, sugar uma determinada espécie básica de ar para se apresentar como são. Se isto ocorre com os vegetais, muito mais deve acontecer com os animais, para que cada um encontre o elemento básico para sua existência. Muito embora cada animal aspire o volume total do ar atmosférico, ele conserva apenas a parte homogênea à sua natureza. O restante é de novo expelido.

Se concluímos pela complexidade do ar atmosférico, não será difícil compreender-se e aceitar-se os inúmeros fenômenos especiais que nos dão a seguinte conclusão: Este fenômeno é semelhante a um anterior, no entanto é diferente na forma; deve existir, portanto, um motivo novo. Também descobrireis aparições constantemente iguais que também terão sua base semelhante. Houve na Terra plantas e animais que atualmente não existem mais. Em compensação, surgem outras espécies. Esses fenômenos são parecidos, no entanto não são semelhantes. O mamute tem semelhança com o elefante de hoje; o boi original tem semelhança com o da época atual. Ambas as qualidades têm semelhança num ponto: pertencem ao mesmo gênero, mas não se parecem no tamanho e características. Existiram em épocas passadas árvores gigantescas e até hoje, principalmente nos trópicos, encontra-se um vegetai com muitos troncos que tem semelhança com a árvore maior de épocas remotas. Todavia, não é mais aquilo que fora.

Todas essas aparições se baseiam no seguinte: Como as espécies remotas e gigantescas não encontravam mais o elemento correspondente no ar atmosférico, deu-se sua extinção. Deixou de existir o elemento básico, dando oportunidade a- um novo. Este motivo se encontra geralmente nas moléstias que surgem para flora e fauna. Podem-se concluir algumas semelhanças. Doenças recentes assemelham-se com outras; todavia, não será possível curar-se uma nova moléstia com o mesmo medicamento com o qual se curaram moléstias anteriores. Esta nova moléstia é a conseqüência da carência de um princípio básico no ar, quando este é absorvido pôr qualquer motivo e não mais é reposto; seria difícil descobrir-se um medicamento que contivesse o elemento extinto com o qual se curasse a enfermidade recente. Como este problema pode ser de grande utilidade para a humanidade, voltaremos a falar a respeito, considerando as causas pelas quais determinados elementos básicos do ar se perdem totalmente ou em parte, e às vezes são substituídos pôr novos.

21 ° CAPITULO
O EFEITO DA LUZ SOBRE O AR

Quem tiver boa vontade e não usar uma venda sobre os olhos, facilmente compreenderá que os inúmeros elementos básicos da atmosfera não são Inventados pelo homem, pois cada coisa tem sua causa positiva. Olhai o céu! Incontáveis estrelas brilham nos espaços infindos do éter. que jamais teve início e não terá fim. O homem se alegra quando esta luz bruxuleante de milhares de estrelas toca sua visão e como fica triste quando noites chuvosas lhe cortam o panorama maravilhoso do céu estrelado. Tudo isto é efeito da luz daquelas zonas longínquas, e é A LUZ que forma o ar atmosférico, este imenso olho universal, pois também é somente a luz que forma o olho do homem e se lhe torna similar. Pois Se o olho não fosse luz, jamais veria a luz. Quando o homem fita o céu estelar com seus olhos, com este pequeno sol em seu corpo^ esta lente se torna um pequeno enxame globular no qual giram milhares de sois e sois centrais projetam sua luz original em espaços infindos. O olho humano carrega uma criação infinita dentro de si, e a projeção e reflexão dos sois dentro dos olhos, parecido ao sol, provocam uma sensação de êxtase na alma em virtude deste milagre. Criaturas que se habituaram a levantar os olhos e orar "Pai, em Teu grande Reino devem existir inúmeras habitações", tais criaturas não haverão de ser privadas desta sensação ao fitarem o céu estelar e tampouco poderão negar ,o efeito benéfico da luz estelar sobre sua alma.

Se a luz das estrelas, através da visão, consegue provocar efeito tão formidável — em proporção diminuta — quanto mais potente não deve ser a ação da luz estelar através do olho telúrico sobre o próprio planeta.

O ar atmosférico é um grande espelho luminoso em sua superfície, na qual repousa o éter e onde se reflete toda constelação. O quadro é dirigido até a superfície sólida do planeta e isto em força luminosa concentrada, consoante os princípios óticos. A influência desta luz em concentração já é em si um elemento simples do próprio ar porque age em dissolução ou amalgamação na superfície da parte que lhe condiz no próprio planeta. Bastaria então contar as inúmeras estrelas — se fosse possível — e imediatamente teríamos o número exato dos elementos específicos da nossa atmosfera. Tudo que existe no ar e sobre a Terra é apenas ação reflexa das estrelas e isto porque Eu, o Criador, organizei deste modo o grande mecanismo do Universo. Os astrônomos já fizeram duas importantes observações: uma determina o desaparecimento de certos astros, portanto deve ter desaparecido de sobre a Terra o elemento básico que os condicionou e com eles também aqueles seres projetados pôr eles; outra descoberta diz que a luz de zonas muito distantes Se projeta agora sobre a Terra ou se projetará daqui a vários anos pela primeira vez. Segundo este fenômeno, devem surgir novos elementos específicos sobre a Terra, que pôr sua vez condicionam novas formações telúricas as quais agiam anteriormente de modo favorável ou prejudicial sobre os seres, de acordo com a estrela que projetava tal elemento bom ou nocivo. Existem estrelas boas e más. como também existem plantas e animais bons e maus.

Há também estrelas duplas, que em determinadas épocas se cobrem reciprocamente. Geralmente, uma é de natureza boa, outra, nociva. Se a estrela boa se encontra diante da nociva, ela susta o efeito daquela. Se ambas se encontram lado a lado, a influência maldosa é amainada pela estrela boa. Se a estrela nociva toma a dianteira da outra, destrói o efeito bom e naquela parte da Terra sobre a qual tal estrela se encontra no zênite se fazem sentir efeitos prejudiciais pôr mau tempo, ou deformidade de certas plantas, como também moléstias de animais e homens.

Igualmente provocam uma influência nociva as estrelas cobertas pôr meio de planetas, mas às vezes também influência boa Partindo deste princípio, os antigos sábios atribuíam ao fenômeno o título fabuloso de "regimento de planetas" ("] Prenúncios antigos no conhecimento da meteorologia se baseavam nesta observação, o que hoje em aia provoca franco riso, no entanto o conhecimento antigo é sempre o mesmo. — De modo semelhante provocam uma influência marcante sobre a Terra os cometas e outros meteoros luminosos, ainda que a pouca duração, como também a mudança da lua, e de modo mais forte a da direção da modificação da luz solar. E digno de lástima quem não sente a diferença entre verão e inverno. Que a luz, ainda que pôr pouco tempo, exerce uma grande influência sobre qualquer coisa na Terra, prova-o a luz do raio que mata os caranguejos quando não se esconderam nos seus recintos de lodo, antes da trovoada.

Como acabamos de conhecer a primeira esfera do ar, podemos nos elevar para a segunda, onde estudaremos os fenômenos corriqueiros, compreendendo portanto pôr que o ar em regiões mais elevadas é mais puro e saudável.

22° CAPÍTULO


O ZODÍACO E SEU EFEITO
Entre vários assuntos de vossa leitura deveis ter encontrado, em antigos calendários, que o Zodíaco exerce uma força vegetativa sobre o planeta, como também inclui uma influência mística que reflete no nascimento de animais e criaturas e que até se pode prever o futuro do homem através do Zodíaco.

Os camponeses de hoje ainda consideram o Zodíaco principalmente na semeadura e colheita Consta que no Câncer, no Escorpião, na Balança e no Aquário não convém semear porque os frutos perecem antes de germinar.

Existe quantidade de tais regras da-s quais se teria determinado o dia de sorte para a meteorologia. Calendários agrícolas até hoje fazem papel de profetas demonstrando em cada dia qual o efeito do Zodíaco mensal, isto é, em fase dupla: Primeiro, de que maneira a Lua percorre o Zodíaco, e segundo, em que sinal se encontra o Sol. A Lua percorre de fato seus trâmites dentro de vinte e nove dias, num círculo bastante pequeno, através do Zodíaco, de sorte que, deste modo, a mesma chega a parar em cada um dos doze sinais.

O mesmo ocorre aparentemente com o Sol, muito embora não seja a Terra a se movimentar e caminhar pêlos doze sinais do Zodíaco. Ainda assim, dá a impressão que o Sol caminha pelo Zodíaco df; mês em mês. razão pôr que nos calendários se nota em cada mês um sinal diferente. Através desta marcha acontece naturalmente que tanto a Lua como o Sol vêm cobrir algumas estrelas de tais quadros do Zodíaco. Pôr esta cobertura, a influência é interrompida pôr certo tempo, ocasionando uma modificação no orbe, principalmente naqueles pontos e objetos que contêm uma consistência similar daquela estrela percorrida, pois necessitam de um elemento correspondente à sua própria natureza.

Este efeito não pode ser duradouro, porquanto essas estrelas não são cobertas pôr muito tempo pelas duas constelações, surgindo, porém, uma outra situação de grande influência sobre a Terra

Tal situação do Zodíaco provoca a oscilação da Terra em sua marcha em volta ao sol, como também a oscilação da lua, que em muitos séculos não consegue percorrer os mesmos trâmites percorridos. Pôr tais oscilações modifica-se o zênite do Zodíaco, surgindo modificações sensíveis sobre a Terra.

Acrescem a tais situações as modificações dos planetas que nem em milênios retornam àquela posição que já ocuparam, influenciando o orbe.

Além destes senões, temos que considerar as erupções do corpo solar que enfraquecem a luz do sol, não podendo influenciar com sua força dispersa. Os efeitos originais destes fenômenos não são percebidos tanto na camada atmosférica preliminar mas muito mais na segunda, que começa na altura de cinco, ou seis a sete pés acima do espelho marítimo. Alguém poderia afirmar que a segunda camada atmosférica deveria sentir também aqueles efeitos da primeira. A isto posso afirmar que tal observação é até mesmo matematicamente errada, pois os raios das incontáveis estrelas muito distantes estão nesta altura pouco condensados, podendo, portanto não produzir os elementos conseguidos a mil toesas mais abaixo. Isto pode facilmente ser deduzido pelo seguinte: Nesta altura não se pode vislumbrar , à noite, estrelas de quarta, quinta e sexta grandeza, a olho nu, e muito menos ainda as da sétima, oitava, etc. grandeza, ao passo que qualquer pessoa de boa visão, mormente na costa marítima", pode vislumbrar, numa noite serena, estrelas de sétima a oitava grandeza.

Pôr que não se pode vislumbrar tais fenômenos numa montanha de sete mi! pés e mais alto ainda? Porque os raios de tais estrelas muito distantes estão ainda pouco condensados e o ângulo visual é muito agudo para que a visão o pudesse perceber. Além disto, sua força de luz é muito fraca para produzir um efeito e à medida que sobe na atmosfera encontramos esta teoria constatada. Este é o motivo pelo qual em tais alturas diminui a vegetação e no final acaba totalmente. Ninguém deve acreditar que seja isto causado apenas pêlos raios solares que, aliás, quanto mais alto, se tornam menos condensados. O sol age somente indiretamente. Ele apóia a luz das estrelas com a luz que ele mesmo absorveu das mesmas. Ele é, portanto, apoio, mas não fornecedor autônomo.

23.° CAPÍTULO





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