A terra e a lua



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O CORAÇÃO DA TERRA

Como, pois, apresenta-se o centro de gravidade da Terra? – Já disse, tem uma constituição idêntica à do coração, tanto do homem como o de qualquer outro animal. É este centro um volumoso coração, em proporção ao tamanho da Terra, e, igual ao do homem, representa o tear ou a oficina de todo o corpo orgânico desse planeta.

Perguntais pelo seu tamanho? – pois bem, sabeis que tudo tem proporção necessária, dentro da Minha Ordem. O mesmo acontece com o coração da Terra, a fim de que possa produzir em seus múltiplos compartimentos a força poderosa, para emitir o fluxo vital nos diversos órgãos e, uma vez esta tarefa concluída, atraí-lo novamente para uma nova saturação.

Daí se deduz que o coração da Terra é muito volumoso; no entanto, não é possível positivar o seu tamanho exato, porquanto se dilata e reduz, de acordo com as necessidades. Em linha diametral pode-se estimar o seu tamanho em cem milhas, podendo-se estender até duzentas e encolher-se a cinqüenta milhas.

Mas, de que consiste o tal coração da Terra? – Não é uma matéria igual a do homem, e sim, uma força substancial dentro de um organismo sólido, que, pela sua ação manifesta em todo o corpo telúrico.

Alguém poderia perguntar: se este organismo é sólido-rígido, como se pode dilatar e ate servir de base indestrutível a uma outra força substancial, através dos tempos, sem sofrer algum dano em suas várias partículas?

Meus filhos, não vos preocupeis: os ossos também são uma construção sólida; os humores e o sangue são constantemente impelidos em seus múltiplos poros, - no entanto, suportam com resistência toda a sorte de reações. Dependem da qualidade da matéria, para que possam resistir a um jogo de forças. Tomai por exemplo à matéria dos intestinos dos animais: quão freqüentemente ela é usada e, no entanto, se mantém incansável; embora de aparência frágil, oferece resistência importante a uma manifestação de forças. Observando ainda os órgãos mais delicados dos pássaros que até trituram pedras, compreendereis que tudo depende da qualidade da matéria que faz jus a função das forças em atividade dentro de si.

Se isto acontece em materiais mais sensíveis, quanto mais isso não se deve dar com a Terra, para que tenha um organismo com qualidade tais que nem milhões de anos de ação dessas forças o poderão prejudicar.

Existe um metal nas zonas nórdicas da Terra que se chama platina. É algo parecido com a matéria que serve de organismo do centro ed gravidade da Terra. Não deveis, porém, imaginar que esse metal seja idêntico àquele organismo; nem tão pouco supor o centro do globo de igual consistência que na superfície. Esta é apenas a pele insensível da Terra, enquanto a interior é como carne e sangue, em relação à pele. Em resumo: A matéria interior da Terra é uma espécie de carne, sangue e ossos, não completamente idêntico ao do animal, mas, tudo isto como sendo o da Terra.

Esclarecer-vos mais nitidamente este assunto seria em vão, porquanto, encarnados, não podeis conseguir uma percepção convincente. Na interpretação ESPIRITUAL tereis mais clareza.

Temos portanto que resolver a seguinte pergunta:

Onde se encontra tal centro de gravidade da Terra? – Será o objetivo de nossa próxima dissertação.


3° CAPÍTULO



POSIÇÃO E MUTABILIDADE DO CORAÇÃO TELÚRICO

Onde, pois, acha-se o ponto de gravidade ou o coração da Ter­ra? Já vimos que não é no centro e, em parte, sabemos o "porquê". Este porquê será oportunamente explicado com mais nitidez. O pon­to central da Terra, isto é. o ponto geométrico, poderia ser apontado com mais facilidade que o de atração, porquanto terá que preencher um lugar constante.

Pois. enquanto a Terra for o que é, quanto à forma e tamanho, o ponto geométrico será sempre o mesmo.

Isto. no entanto, não se dá com o ponto de gravidade, não ser do possível determinar seu lugar, porque muda constantemente. Em­bora a disposição interna do Globo seja de tal maneira constituída

que o ponto de gravidade tanto se pode encontrar no Norte como no Sul, jamais a fixação desta substância ativa, da qual o centro de gra­vidade depende, — pode ser considerada.

Este centro vital de atração não somente existe na Terra como em todos os corpos, o que podeis observar nas árvores e outras es­pécies de plantas.

Analisando uma árvore, vereis que seu crescimento e sua fer­tilidade pendem, ora para este, ora para aquele lado. Num ano dará mais frutos para o Norte que para o Sul, enquanto no seguinte terá mudado esta polarização. Do mesmo modo apresentará esta mesma árvore maior ou menor quantidade de galhos secos e nem sempre as folhas começarão a murchar do mesmo lado.

Estes e outros tantos fenômenos têm a mesma causa, isto é. são originados pela constante mutação do ponto vital, ou seja. a ver­dadeira e positiva polaridade. Isto, naturalmente, também diz respeito às outras plantas.

Sua causa é profunda. Se a finalidade da matéria fosse a sub­sistência, seu ponto de polarização seria fixo. O pé de laranja o seria por toda a Eternidade, como tudo que existe; porém, não teria mais que a consistência de um diamante. Quanto mais a polaridade de um corpo atrai o ponto geométrico, mais consistente e estável se torna este corpo, mas, com esta fixação, de nada serve além da própria subsistência imutável, e a nutrição dos seres seria mui precária. Da mesma maneira as condições de vida num planeta igual a um dia­mante seriam nulas.

Por esta elucidação é fácil perceber o motivo da não-fixação do centro de gravidade, o que também se refere ao sangue das criaturas. Nenhum ser vivo poderia existir com o sangue fixo e muito menos com o coração nestas condições. No entanto^ é mais fácil determinar um lugar fixo do coração animal porquanto o livre movimento de um corpo produz diversas reações, o que não se dá com outros. Nestes, é preciso que se proporcione o ponto de polarização pelas múltiplas reações necessárias.

De sorte que, tanto o homem como o animal, fazem os movi­mentos pêlos quais o coração encontre um lugar mais fixo. Nos cor­pos incapazes de movimentação, o centro vital é, de certa maneira, obrigado a encetar viagens, a fim de conseguir as necessárias reações em todo o organismo.

Por aí se vê claramente que é impossível localizar o centro de gravidade do Globo. Para o momento atual até o ano vindouro este centro se acha localizado, mais ou menos, na zona abaixo da Islândia, e uma parte da Noruega, Suécia e Lplândia. No entanto, é de tal atividade que estende suas pulsações até Kamtschatka, e para o Sul até a zona do Mar Mediterrâneo.


Até num piolho se poderia observar, através do microscópio, pela movimentação dos humores, fenômeno semelhante. Naturalmen­te numa dimensão diminutíssima, porque os animais de escala mais inferior têm, em relação à instabilidade do ponto vital, a maior seme­lhança com os corpos destituídos de movimento. Até aqui falamos sobre a localização do centro vital da Terra. Na próxima vez tratare­mos da instabilidade da polarização dos corpos, privados de movi­mentação .


4° CAPÍTULO


A NATUREZA DA MATÉRIA

E SEUS ESPÍRITOS PRIMÁRIOS

Já foi provado que a finalidade da matéria não consiste em sua estabilidade. Vemos isto em sua constante formação e desvane­cimento. As folhas que enfeitam uma árvore caem no outono e quando aparece a primavera só se encontram uns poucos vestígios. O mesmo acontece com as ervas, os frutos, os minérios e, principalmente, com os animais de toda espécie! Montanhas, que há milênios elevavam seus cumes até aos céus perderam metade de sua altura; pois, a for­ça dos ventos, o poder destruidor do raio e do gelo dissiparam seus picos orgulhosos, dos quais se encontra talvez alguns fragmentos numa vala profunda — e um entulho insignificante se vê obrigado a ser, pouco a pouco, destruído pela chuva e eletricidade do ar.

Houve, antigamente, animais gigantescos como o mamute, bem como florestas virgens repletas de árvores enormes. Onde se encon­tram agora? Onde aquelas árvores que desafiavam milênios, tendo uma apenas maior quantidade de madeira que uma floresta de cem anos? As enchentes vinham, enterrando tudo isto mais para dentro da crosta terrestre; destruíram deste modo milhares de animais e árvores.

Destes animais pré-históricos se encontram cá e acolá, ossos petrificados, que são guardados pêlos homens em museus de artes e ciências, até que um incêndio transforma os últimos restos a pó, cuja existência é anulada completamente pelas lavadeiras: a cinza, último vestígio vaporoso de toda matéria.

Quanto à destruição das árvores gigantescas, cujos restos ainda se encontram no carvão de pedra, não necessita maior explica­ção. Todas as descobertas da atual técnica, tê-los-ão, em pouco tem­po, extraído da Terra. Portanto, o fogo transforma o último ponto de atração dessa matéria, da qual apenas sobrará um pouco de cinza, que espalhadas nos campos, num ano, o mais tardar, será completamente dissolvida pela chuva e a eletricidade do ar.

Haverá muitos que dirão ser a destruição algo que enche de tristeza o coração do homem. — Eu, porém, digo: Muito pelo contrá­rio, pois que a matéria é a morte, bem como a carne é pecado, através da morte. Acaso deverão subsistir morte e pecado? Penso ser me­lhor destruir, com o tempo, tanto matéria como carne, para LIBERTAR a vida presa dentro da morte, ao invés de favorecer a matéria dei­xando que tudo pereça. Isto jamais pode ser Meu Intento, pois Sou — como Onipotência Eterna, Poder e Força — a Vida Mesma, por­tanto, só posso agir pela Vida e não peia morte.

Se portanto a matéria é somente um meio para a regulariza­ção e libertação da vida, jamais sua subsistência é possível. Quando tiver concluído seu destino, dissipar-se-á como se nunca tivesse exis­tido.

Além disto, sabeis que ela representa a Minha Vontade fixada.

Esta fixação é, pois, o centro de gravidade nela, ou seja, o Princípio Vivificador e Conservador. Quando for retido, — a matéria não existirá mais.

A fim de que não se dê de maneira brusca, tanto formação e destruição, diante dos olhos das criaturas, Eu nunca retiro tal Prin­cípio Vivificador de modo repentino, tão pouco faço com que algo surja desta forma. A formação e destruição dos corpos cósmicos é o processo mais lento e o porquê não vos deverá ser incompreensível. De sorte que o centro de gravidade da Terra diminui, pouco a pouco. até que sofra a sorte de toda a matéria.

Com isto sabeis a fundo a razão da mutabilidade do ponto de atração da matéria, como da instabilidade.

Mas vejo que desejais ter uma explicação visual, se possível.

Pois bem, este centro de gravidade seria para vossa visão como que um fogo ativo que atravessasse com a rapidez de um raio os diversos órgãos, produzindo com isto as necessárias reações para sua manutenção.

Através da Visão espiritual veríeis um exército de espíritos, que ali é contido pela Minha Vontade para uma ação útil.



Eis aí os espíritos primários retidos numa vivificação contí­nua da matéria que os envolve, pela qual eles oportunamente sobem pouco a pouco, encobertos em matéria mais sutil, até penetrarem na vida perfeitamente livre.

Esta qualidade de espíritos que se apresentam aos olhos car­nais como fogo, determina o centro ativo de toda a matéria.

De que forma este centro de gravidade está agindo pelas di­versas camadas do corpo telúrico, isto é, pelo ossos, intestinos, car­ne e sangue, será nossa próxima dissertação.
5° CAPÍTULO

A CONSTRUÇÃO INTERNA DA TERRA

Observando qualquer corpo animal verificareis, sem terdes estudado anatomia, que o sangue e os humores transpassam tanto as veias como também os órgãos; portanto, vibram de acordo com o pulsar do coração. Há, pois, uma só força motora que anima este corpo.

O mesmo acontece com o coração da Terra. Através de sua pulsação, que se repete de seis em seis horas, os diversos humores do centro da Terra são impelidos para os diversos órgãos, provocando os fenômenos telúricos.

Maré e vazante e outras elevações da crosta, bem como os ventos por elas derivados têm ali sua causa. Este coração também faz papel de pulmão no corpo telúrico e é a origem das extensões e retenções normais e irregulares da Terra.

Para melhor compreensão, vamos analisar mais de perto a construção telúrica. Como, ela se apresenta? — Antes de mais nada devemos saber que não só a Terra e sim toda planta, fruta, todo animal e, finalmente, o próprio homem, possuem de certa maneira, três corpos.

Comecemos pela árvore. Qual nossa primeira descoberta? A casca, que apresenta duas características: a externa, morta e a in­terna, viva; eis a primeira árvore. A segunda, mui diferente, é a própria madeira dura, combinação de inúmeros tubos pequeninos, construídos numa ordem maravilhosa. Eis a segunda árvore. A terceira, ou interna, é o cerne, comumente um tubo mais extenso, repleto de um tecido de células porosas que absorvem os humores do solo, purificando-os a fim de os expelir, pela força dilatadora e concentradora, aos diversos órgãos da árvore.Tendes, pois. três árvores numa só.

Vejamos um fruto. Que se nos apresenta numa laranja, numa uva. enfim, em todos os frutos? Primeiramente, a casca que, igual a da árvore, é dupla. A seguir, a segunda parte, geralmente a mais dura. Por último vem a parte principal, na qual se encontra o coração ou a semente.

Analisemos, agora, um animal. A primeira coisa que se nos apresenta é a pele, como o primeiro animal. Por entre esta pele, cons­tituída muitas vezes de diversas camadas, acha-se o esqueleto en­volto duma massa em parte musculosa, em parte cartilaginosa. Eis o segundo animal. No centro deste se acham: pulmão, fígado, baço,

in­testinos e em meio disto tudo, o coração, produto de vida. Eis o terceiro animal, pelo qual os dois externos recebem alimento e vida,

através dos inúmeros órgãos e vasos.

Se quiserdes um exemplo mais nítido, tomai de um ovo. Em todas as plantas e seus frutos, bem como nos animais, encontrais a mesma relação.

Por que esta relação é tão semelhante uma da outra? Pelo mo­tivo de que os filhos se assemelham aos pais e a semente produzir a mesma espécie. Por isto o corpo orgânico sobre a Terra apresenta mais ou menos o tipo da mesma.

Nela o exterior é, de certa maneira, a casca morta, dentro da qual se encontra outra mais viva e sensível. Do mesmo modo que a casca de uma árvore, embora mui escarpada, não deixa de fornecer um alimento para o pequenino musgo, assim também a pele dos ani­mais não é tão sem vida, de sorte que os cabelos e, às vezes, até bi­chinhos encontram com que se alimentar, — a casca da terra, embora insensível, não é desvitalizada, de tal forma que múltiplos vegetais e bichos encontram o que comer.

No interior desta casca com vinte milhas de espessura, com pequenas variantes, começa a segunda Terra. Trata-se da parte mais consistente, não uniforme, no entanto, bastante sólida para carregar a parte externa.



No centro desta, por sua vez. achamos a parte propriamente vital do Globo, ou seja, os intestinos, nos quais se encontra seu co­ração .

De que modo estas três Terras estão ligadas entre si e como o pulsar do coração por elas age, será discutido na próxima vez.

6° CAPÍTULO

OS PONTOS DE GRAVIDADE

E OS HUMORES DA TERRA

Se vos fosse possível fitar de um lance, através de um pos­sante microscópio, o tronco de uma árvore, desde a semente à cas­ca, da raiz ao extremo cume, veríeis, além dos tubos que ascendem, munidos de inúmeras bombas de sucção e válvulas herméticas, uma quantidade de menores órgãos transversais que se estendem através da árvore em múltiplas curvas encontrando nesta subida pêlos tu­bos, válvulas de retenção e propulsão. Todas estas bombas e válvu­las, são, de certo modo, especiais pontos de gravidade, pêlos quais o princípio vital é distribuído por toda a árvore, ligando as três en­tre si. Eis a função vital do coração da árvore.

Verificamos acima que, além do ponto central, ainda existe uma quantidade de outros, menores, dentro da matéria; sendo o pri­meiro a causa motor, transpassa ele todos os órgãos, em conjunto com os pequenos pontos auxiliares.

Exemplificando, tomemos de dois paus: depositando um por cima do outro, logo veremos que, no momento do contato. o peso do superior, uniu-se ao inferior. Se alguém quiser suspender o de baixo terá que levantá-lo junto, donde se conclui que se deu uma alteração de peso no primeiro. Ligando-os por um prego, ambos terão modifi­cado seu peso, porquanto um assimilou o outro.

Por este exemplo, observastes como certos pontos de atração da matéria agem sobre a mesma. Falamos, por ora, da mutação do peso que não deixa de ser importante, pois que por ela um peso do­brado de dois corpos é transformado num potencial.

Averigüemos outro exemplo: Imaginai um aqueduto, no qual dois canos d'água se devem cruzar. De certo modo um jato tem que passar por outro, no que é impedido. Livre deste impedimento» a água continua seu caminho como dantes.

O que acontece através deste impedimento? — No começo, a água dos dois canos se juntará num rodopio e em seguida, seguirá o caminho pelo cano, o que seria mais compreensível caso um contives­se água e o outro, vinho. Até este ponto toda pessoa tiraria água de um e vinho de outro cano. Além deste ponto, apenas vinho diluído.

Este exemplo apresenta um efeito mais importante produzido pelo ponto de passagem que se tornou um ponto de atração secun­dário. Coisa idêntica ocasionam os tubos transversais de uma árvo­re, nos pontos onde passam pêlos que sobem.

Para maior compreensão, analisemos um aqueduto, no qual, num ponto, dez tubos tencionam transpor o principal. Se em todos eles houvesse água, esta se mesclaria neste ponto de passagem num rodopio, para depois penetrar nos canos adjacentes, surgindo, afinai em cada, uma água semelhante.

Suponhamos, agora, que em cada cano corresse líquido dife­rente: pelo primeiro, água, de poço; pelo segundo, mineral, pelo ter­ceiro, vinho, pelo quarto, cerveja, pelo quinto, leite, pelo sexto vi­nagre, pelo sétimo, álcool, pelo oitavo, azeite, pelo nono, lixívia, e pelo décimo, mel. Até o ponto de passagem cada líquido conteria sua origem, após, porém, uma mistura dos dez, não tendo aparência agradável.

Tais aquedutos existem, inúmeros, dentro de uma árvore, e quanto mais para perto da casca, maior sua variedade e irradiação num ponto. Por isto. a casca apresenta as matérias fecais, como o esponjoso da semente, a fibra da madeira e uma quantidade de ou­tras substâncias mescladas, as quais expelidas dentro da árvore, sobem pêlos múltiplos tubos, conseguindo sua finalidade pela for­mação das diversas partes da mesma.

Temos aí um visível ponto de gravidade adjacente, pelo qual a consistência original dos humores de um corpo penetra num ou­tro, fazendo surgir seus próprios efeitos, evidentes numa árvore abatida.

Os diversos anéis, que também têm o nome de "anos" e o alburno (entrecasco da árvore) bem como os raios que desde o cen­tro atingem a casca, provam suficientemente o efeito dos pequenos pontos adjacentes de gravidade que no entanto, são apenas efeito da causa principal que se acha na árvore, lá, onde pelas raízes e


galhos tudo desemboca no cerne, o centro vital, ou seja, o coração. cujo ferimento trará a morte à árvore.

A observação que acabastes de fazer num vegetal, isto é. como as três árvores anteriormente mencionadas são ligadas atra­vés dos diversos canais entre si e os efeitos que apresentam, — aplica-se à nossa Terra. Apenas numa proporção correspondente ao tamanho da mesma.

Quanto mais perto do coração, maiores são os órgãos, quanto mais distantes, tanto menores e mais ramificados.

Por esta explicação clara podeis compreender de que ma­neira as três terras são ligadas entre si e como o centro de gravi­dade age através dos múltiplos canais, dos constantes empecilhos que atravessam até a superfície.

Neste instante, porém, ouço o pensamento de alguém: Está tudo certo e compreensível, mas. donde o coração da Terra absorve os diversos humores que emite pêlos grandes canais isolados e só depois, nos pontos de filtração, modifica-os numa substância secun­dária e mesclada, e isto quanto mais se aproxima da superfície?

Ouvi a explicação: Também a árvore suga apenas a chuva e o 'orvalho da Terra através das raízes; mas em seu coração e estô­mago ordenei Meus bem acondicionados químicos como examinado­res e selecionadores destes líquidos, de tal maneira que jamais um cientista humano os poderá analisar e conhecer.

O mesmo acontece com os humores da Terra. Embora assimi­lados como simples substância pelo coração telúrico, são eles cui­dadosamente selecionados pêlos químicos e conduzidos na medida justa aos correspondentes canais condutores, a fim de que uma gota não venha exceder sua finalidade.

De que maneira isto se processa jamais poderá ser explica­do materialmente e sim, apenas pelo espírito, o que faremos mais tarde. Assim, ninguém deverá perguntar tolamente: Em que material consistem estas substâncias primárias? e tão pouco imaginar gás carbônico ou oxigênio, pois quando se trata de substâncias nada há de matéria. Do mesmo modo, a alma dos animais e dos homens é substância, sem possuir algo de que foi mencionado acima.

Como já analisamos o Globo quanto à sua construção interna, vamos, em seguida, pesquisá-lo com os olhos do espírito, mantendo-nos algum tempo em cada uma das três Terras.

7° CAPÍTULO



ALIMENTO E ROTAÇÃO DA TERRA

A Terra, sendo um imenso corpo animal, deve, a fim de sub­sistir, tomar alimento. Para este fim é preciso, ou uma boca ou uma tromba, como se vê comumente em animais e plantas. Os pólipos, por exemplo, possuem uma quantidade de trombas de sucção e de mastigação. A diferença entre ambos consiste em que a de sucção só absorve líquidos, conduzindo-os aos órgãos digestivos, enquanto uma tromba de mastigação atrai outros corpos, como sejam insetos e plantas, triturando-os pêlos músculos e facilitando, assim, o tra­balho de digestão.

Isto se aplica a quase todas as plantas, pois que suas raízes nada mais são que bombas de sucção. As flores e mormente a's carpelas que absorvem os óvulos fecundados, esmagam-nos, levan­do o sumo para vivificar e alimentar o fruto em formação. Além dis­to. cada corpo planetário possui uma quantidade de pequenas pon­tas de sucção sobre a pele, adequadas para sugar do éter o elemen­to vital: a eletricidade.

Todos estes fenômenos se encontram em grande escala, na Terra. Portanto tem esta, como todo animal, uma boca principal, em proporção a seu tamanho, pela qual se alimenta; além desta boca. Tem inúmeras bombas de sucção grandes e pequenas, bem como um principal canal de evacuação e uma quantidade de outros, menores.

O Pólo Norte é a boca principal do globo e o pólo Sul o ca­nal de evacuação correspondente. Esta boca tem na beira externa a circunferência de vinte a trinta milhas, em forma de funil, diminu­indo até a oitava parte, dimensão esta que mantém uma reta até o estômago. As paredes da garganta são mui ásperas e em longos trechos munidas de picos ou pontas como a pele de um ouriço.

O estômago da Terra, fica logo abaixo do coração, mais ou menos no centro. Consiste de um vácuo de cerca de dez milhas quadradas, em parte dilatado e em parte dividido por colunas, das quais algumas de duzentas braças de circunferência. Tanto o estômago como também estas colunas, são constituídas de uma espécie de borracha para suportarem o peso de fora.

Deste estômago sai um canal em forma de parafuso, atraves­sa o corpo telúrico para desembocar no pólo Sul. Quanto mais per­to da saída, mais consistente se torna. Entende-se que, tanto do estômago como do canal de evacuação, emanam inúmeros canais de nutrição e vasos.

Como já conhecemos boca, estômago e canal de evacuação, resta saber qual o alimento principal desta boca-mor.

A pessoa que tivesse oportunidade de viajar pelo pólo Norte descobriria fenômenos essenciais. Primeiro, a região do frio que, principalmente no inverno, não poderia ser registrado pêlos vossos instrumentos. A esta atmosfera gélida e pesada se liga uma nebli­na mais densa, que é dilacerada por incontáveis bolas de luz, iguais às estrelas cadentes. Além disto encontrará um amontoado imenso de cristais de neve em volta da extensa beira do pólo e. de vez em quando, enormes montanhas de gelo.

Eis o alimento da Terra, que é absorvido por esta boca magné­tica conduzindo-o ao estômago em cujas paredes e colunas é depo­sitado. Uma vez repleto, junta-se à quentura do coração, provocan­do um movimento vibratório de contração e extensão.

Deste modo o alimento é triturado, com que se manifesta um novo elemento elétrico que decompõe as partes nutritivas da água, levando-as aos diversos canais alimentícios. Ao passo que uma cor rente negativa de eletricidade arrebata os vestígios indigestos do estômago expelindo-os com força pelo canal de evacuação, no que, pela trituração constante, desprendem as últimas substâncias ali­mentícias. Por este motivo o pólo Norte é mais compacto que o pólo Sul, pois que este recebe os derradeiros detritos.

Pela final expulsão dos detritos da Terra se produz a rotação e isto porque, embora de consistência etérea, passam pela circun­volução numa rapidez potente, chocando-se com o éter.

Com isto tendes a explicação da rotação da Terra e observas­tes um dos principais pontos da mesma. Na próxima vez escolhere­mos outro lugar para nossa investigação.
8.° CAPÍTULO

PULMÃO E RESPIRAÇÃO DA TERRA

Sabeis que para a vida orgânica não só é preciso coração e estômago, mas sim, também o pulmão. Não só os animais dele necessitam, pois até árvores e plantas o possuem, aspirando e expirando no espaço de vinte e quatro horas.

A respiração da Terra é fácil de se sentir à beira do mar; o motivo não é externo e sim, interno.

Se pôr acaso alguém quisesse tirar a prova disto, bastaria deitar-se numa banheira com água, onde poderia observar que o líquido sobe e cai, de acordo com a respiração da pessoa. Este pequeno exemplo se dá, no caso que tratamos, em escala maior.

A Terra absorve o ar com que se dilata a camada macia, que geralmente, é coberta? pelo mar, provocando uma subida de água; pelo expirar do pulmão esta camada encolhe de novo, ocasionando o baixar de nível.

É preciso mencionar isto, a fim de que compreendais que a Terra respira, possuindo, portanto, um pulmão.

Resta saber onde este se encontra e que aparência tem. Este pulmão acha-se logo abaixo da camada sólida e tem a extensão de mais de cinco mil milhas quadradas; é um tecido de células imensas, constituídas de vácuos, ligados entre si pôr pequenos e grandes tubos. Estes têm duas finalidades: uma, de levar o ar para dentro e para fora destas células. Outra, que através de uma elasticidade, como se fossem músculos ou tendões animais, podem-se reter e dilatar, retenção e extensão estas provocadas pela constante mudança polar, isto é, pela transformação do pólo negativo em positivo. Este fenômeno se baseia na substância psíquica sem a qual não haveria movimento nos corpos.

Quando estes tubos se dilatam, as células são comprimidas, com que se dá a expiração. Através de sua retenção, se dilatam as câmaras, e a Terra respira.
A transformação da polaridade — numa explicação física — tem sua ação no seguinte: assim que a alma assimila o fluido vital do ar aspirado, deposita-se no pulmão, apenas o azoto, o que, pôr sua vez, faz com que o pólo positivo assimilado pela respiração, transforme-se em negativo.

Deste modo acontece o encolhimento dos tubos e logo se faz uma nova respiração, com que o pólo negativo se muda em positivo.


Portanto, sabemos como se faz a respiração da Terra e onde encontra-se o pulmão. Mas, em que lugar se faz respiração e expiração? Do mesmo modo como o animal que tem boca e nariz. Pela mesma, boca-mor com que toma alimento, a Terra absorve o ar. No seu centro se acha um orifício lateral, que, igual os dos animais, pode-se abrir e fechar. Este orifício conduz ao pulmão, e, de seis em seis horas, faz-se tanto aspiração como expiração. No momento da absorção, fecha-se a garganta para o estômago; uma vez que uma porção adequada de ar for aspirado, o tubo pulmonar se fecha como uma laringe, — abrindo o de alimentação.
Quando o ar é expelido do pulmão, fecha-se a boca, de sorte que a Terra é constantemente alimentada pôr este órgão e pelo estômago, apenas de doze em doze horas.

" Explicar-vos a forma do pulmão telúrico será um tanto difícil, a não ser que vos fosse possível analisar um pulmão de elefante que, quando adulto, pode com facilidade conter cem pés cúbicos" de ar. Sua cor é de um cinza azulado e sua forma a de um coco imenso e vazio, no qual se acham coração, estômago, fígado, baço e rins.

Uma descrição mais nítida de nada vos adiantaria, porquanto. não poderíeis imaginar este imenso órgão respiratório, pois uma câmara já é tão enorme que não a poderíeis abranger com a vista. Tão pouco serviria vos detalhar a matéria do pulmão, porque nem compreendeis a construção deste órgão nos animais, quanto menos o da Terra! No entanto, tem semelhança com aquele que dela descende, numa proporção diminuta. Donde poderia se tirar a matéria dos corpos se esta não existisse em nosso planeta? Ele fornece tudo que possui a superfície, através dos inúmeros órgãos. Aquilo que é fornecido é primeiramente assimilado pelas plantas e mais tarde pêlos bichos, sendo pôr eles transformado no que era em sua origem. Onde devia o animal buscar o sangue, se não existisse na Terra? Onde, a água? Em suma, o corpo telúrico tem que forçosamente, ter dentro de si, tudo aquilo que os seres vivos possuem, do mesmo modo como um piolho contém as substâncias idênticas as do homem, que pode ser comparado a um planeta em relação ao piolho.

Hoje observamos um segundo ponto importante da Terra e, na próxima vez, escolheremos um outro.


9° CAPÍTULO

O BAÇO DA TERRA

Além do pulmão, um dos órgãos mais importantes, temos de considerar o baço como a verdadeira fornalha do corpo animal. É tão necessário quanto os já mencionados órgãos, que, sem a função deste, não teriam vida.

Disse textualmente ser o baço o fogão no corpo, assim como, numa casa é o mais necessário para o cozimento das matérias alimentícias e o aquecimento dos quartos; é indispensável e já era a primeira necessidade das criaturas, bem conhecida pôr Cain e Abel quando faziam suas oferendas.

Sua importância será mais compreensível se fitarmos uma locomotiva. Tal máquina é mui artisticamente construída pelas mãos do homem. Se enchermos a caldeira com água sem fazer fogo pôr baixo, a fim de que saiam os vapores, logo se verá que todo este mecanismo não tem utilidade. Portanto é o fogo o elemento de ação; Ele transforma, primeiro, a água em vapor que pôr sua vez se transmite ao mecanismo e com isto^ a locomotiva se põe em movimento.

Os corpos animais são locomotivas idênticas, embora de construção mui engenhosa; mas seu maquinismo, constituído de inúmeras partículas e órgãos, seria inútil se não tivesse fogão. É ele que decompõe os alimentos, projetando-os, pela própria força, aos vasos de onde passam ao sangue e como tal, penetram no coração que lhes dá o final destino.

Tal fogão dentro do corpo animal, chamado baço, consiste da massa fofa que, pelo tecido celular de fios transversais, presta-se a produzir e conservar o fogo eletromagnético, através do constante atrito celular. Este fogo é acumulado em incontáveis receptáculos, a fim de conduzir, a cada momento, a parte negativa ao estômago e a positiva ao coração.


Sei que muitos médicos e cientistas até hoje ignoram o que fazer com o baço, o que também se torna difícil porquanto ninguém pode analisar suas funções em estado vivo. Uma vez o animal morto, o baço também o está.

Portanto, averiguamos ser o baço um dos mais úteis órgãos do animal, pois ativa o mecanismo orgânico.

A Terra, no entanto, também possui este órgão. Este baço telúrico acha-se perto do estômago, mas, da mesma forma, está em contato com o coração, em virtude de o estômago receber do baço a quentura metabólica e o coração com ele abastecer sua pulsação. Assim também a atividade do pulmão se origina mais ou menos no baço, embora tenha em parte, movimentação livre que depende da alma, razão pôr que, mormente o homem, pode, quando quer, respirar mais depressa ou mais lentamente. Tendo a função do baço do nosso planeta um papel importante, vamos dedicar-lhe uma especial atenção e para este fim analisaremos, rapidamente, seus efeitos.

Fitai as montanhas vulcânicas da Terra! São apenas derivantes sem importância desta principal oficina de fogo, no entanto, facultam um aspecto convincente deste órgão. Eis uma das funções que se manifesta acima da Terra.

Observemos, em seguida, as inúmeras quantidades de "gêiser" que absorvem seu calor do baço telúrico, embora não diretamente, mas dos órgãos que se encontram em íntima relação com ele. Eis uma segunda manifestação.

Analisemos nuvens, neblinas e os ventos que as movimentam. Tudo isto é produto do baço, pois este fogo central penetra em todos os órgãos, aquecendo-os suficientemente. Bastaria que alguém penetrasse na Terra na profundidade de uma milha alemã e logo se convenceria da ação potente deste mecanismo. Quando portanto, a

água penetra nestas profundezas é dissolvida em vapores; estes dilatam a pele da Terra infiltrando-se como gases, pouco a pouco, nos poros, penhascos e cavernas, preenchendo a atmosfera, o que dá origem aos ventos. Quando há um acúmulo destes vapores e gases, eles procuram uma saída violenta; surge então um terremoto e, naquelas zonas, apresentam-se os ciclones e sirocos. Eis, portanto, uma terceira manifestação do baço sobre a Terra.

De modo semelhante, dele se originam os movimentos do mar. Não a maré e vazante, mas as ressacas e correntes marítimas. Igualmente seu gosto salgado, que só é possível alcançar depois de se terem dissolvido pelo fogo certas substâncias que sobem como sa-1. As aparições meteorológicas que surgem na atmosfera e todas as energias vegetativas, são produzidas pelo baço. Além destes ainda existe uma quantidade imensa de outros fenômenos, que, nem daqui a cem anos, poderiam ser mencionados. Tudo isto, porém, não necessita ser aqui relatado, pois que pelo estudo espiritual será mais facilmente compreendido. Pôr isto, basta comentar estes fatores pôr alto, embora não deva ser indiferente à conquista duma noção material, sem a qual, tão pouco se compreenderá a espiritual. A fim de analisar mais profundamente este órgão, nele penetraremos na próxima vez.


10° CAPÍTULO
CONSTRUÇÃO DO BAÇO E PREPARO DO SANGUE

Se observásseis uma pequena parte do baço animal através de' um microscópio, descobriríeis uma quantidade de pequenas câmaras de conteúdo cúbico, ora quadradas, ora triangulares, qual pirâmides. Raras vezes são ovais. Estas câmaras estão ligadas nas pontas pôr pequenos cilindros; as paredes, no entanto, não estão em contato entre si^ razão pôr que o baço é tão mole e fofo. Entre as fileiras destas câmaras ligadas passam quantidades de vasos sanguíneos, não uniformes, pois que ora são estreitos, ora dilatados, qual teia de aranha quando criada pelas pequenas pérolas que produz. Certamente já observastes como enfeita ela sua teia, a fim de que o inseto que, porventura, toque numa destas pérolas, não mais se possa salvar.

De modo semelhante é construído um vaso do baço. Existem-nos, atravessando-o tanto horizontal como verticalmente. Eles se originam num único vaso em contato com o estômago e terminam num vaso principal, ligado ao coração. Além disto é este corpo celular envolto pôr uma pele mui tênue, pela qual estas pequenas câmaras e vasos se destacam como verrugazinhas. Sendo esta víscera nos animais, muito delicada, é ela ainda envolta duma rede de proteção de gordura, a fim de que, pelo constante atrito, não venha a se ferir.

Temos, portanto, uma descrição anatômica do baço que, naturalmente em estado morto, apresenta-se bem diverso.

Vamos, agora, analisar sua utilidade.

Já sabeis que o baço está ligado, tanto ao estômago como ao coração, através de seus vasos. Pôr que? Pôr assimilar os humores provindos do estômago, transformando-os em sangue e entregando-os, em seguida, ao coração. Pôr isto acontece que, em pessoas muito sanguíneas, o baço, às vezes, é preenchido em demasia, porquanto não pode fazer passar todo o sangue ao coração, de sorte que volta ao estômago, provocando hematêmeses (*) . O sangue não encontrando Saída, facilmente surgirá uma inflamação e, com o tempo, um endurecimento desta víscera principal. Pôr isto, as hemorragias comumente derivam do baço e raras vezes do pulmão.

Com esta explicação verificamos uma de suas atividades. Vê remos, agora, como produz o sangue.

Quando o líquido, com aparência de clara de ovo, passa do estômago ao baço, ele pousa um certo tempo nestes vasos em forma de colar de pérolas e com cada pulsação passa para a pérola seguinte. Ao mesmo tempo se produz pela pulsação um atrito das câmaras. Com este atrito as Células se enchem de fogo elétrico, apresentando-se na direção estomacal, onde são mais pontiagudas como positivas e na do coração como negativas e de forma oval.

Pôr este fogo elétrico as câmaras ora se dilatam, ora são contraídas. Como se acham unidas nos cantos pêlos pequenos cilindros, mais e mais os humores começam a fermentar. Pôr esta fermentação é expelido o gás carbono, sendo levado pêlos canais, em parte a vesícula, em parte a gordura. Ao mesmo tempo aparecem pequeninas bolhas que, no momento de caírem sob domínio da eletricidade negativa murcham e tomam forma de lentilhas.

Como tal são, pela metade, refeitas com esta energia negativa, adquirem cor de açafrão, penetrando, portanto, como sangue na câmara cardíaca. Pois o sangue não é um líquido contínuo; é uma massa constituída de pequenas lentilhas, muito lisas e escorregadias na superfície que distribuem a eletricidade negativa em todo o corpo.

Esta eletricidade aquece o organismo; onde estas lentilhas se vêem obrigadas a passar através de vasos mui estreitos, arrebentam e se tornam líquidas, transformando-se em humores linfáticos, enquanto a substância elétrica, liberta pelo rompimento, é aproveitada como éter ferruginoso para vivificação dos nervos.

Acabamos, portanto, de analisar rapidamente a consistência e função do baço. Com este preparo, podemo-nos dirigir a uma câmara do baço telúrico.

Sua construção é semelhante a do animal e a do homem. Cada uma destas células é vários milhões de vezes maior que uma câmara do baço animal e pode comportar vários milhões de pessoas, pelo que se deduz que a construção do baço telúrico é mui grandiosa. Maior, muito maior, porém, é a dum sol e, mais ainda, a dum sol central que apresenta tantas diversidades que somente o Criador as pode avaliar.

Não deveis todavia imaginar que, pelo conhecimento de vossa Terra, já vos seja dado o de Júpiter ou de outro planeta qualquer. Portanto, penetramos agora em tal câmara do baço telúrico.


Vede as paredes marrom-acinzentadas, como são dilaceradas a cada momento pôr atritos incontáveis e como um estrondoso trovão é constantemente ouvido! E vede, destas câmaras saem vastos canais; pôr eles se projeta uma avalanche poderosa e as permanentes labaredas elétricas dissolvem esta maré em vapores fragosos. Através duma força, pôr vós incalculável, estes vapores se precipitam com estrondo medonho pôr outros canais. De novo se arremessam novas avalanches para dentro da célula e novamente surge um fervilhar, um rugido e estrondo como jamais foi ouvido na superfície da Terra! — Agora, saí da câmara e vede os vasos, que na forma acima descrita, estendem-se entre as mesmas e ouvi como a enchente nelas se precipita, como cá e lá os canais, onde mais estreitos, se contraem aterradoramente como se fossem serpentes antidiluvianas, a fim de transportarem além o seu conteúdo.
Observai como aqui se dá em grande escala, o mesmo que ocorre no baço animal. Que estes líquidos, de maneira idêntica ao animal, passam do estômago ao baço e de lá ao coração, como o sangue que tudo nutre, não necessita menção.

Deste modo, analisamos em curto espaço esta víscera para na outra vez nos dedicarmos a um outro ponto.

(*) hemorragias provindas do estômago

11° CAPÍTULO


O FÍGADO DA TERRA

Depois do baço é evidentemente o fígado o órgão mais importante e um aparelho de secreção, tanto no corpo animal como telúrico.

O homem, bem como o animal, tomam alimentos que contêm substâncias venenosas como também vivificadoras. Pôr este motivo morreriam após a refeição, se o corpo não possuísse um aparelho que sugasse estas substâncias nocivas como o gás carbono e o cianídrico , acumulando uma parte em seu depósito e expelindo outra, pela urina. Este aparelho é o fígado; sua construção interna é semelhante ao baço; sua forma, no entanto, assemelha-se ao pulmão.

Esta víscera também consiste duma quantidade de câmaras enfileiradas que no fígado são mais unidas. Além destas câmaras a travessam-no quatro tubos diferentes, não semelhantes aos do baço. São órgãos numa continuidade uniforme, ligados entre si pôr menores vasos que estabelecem contato em toda esta víscera.

Uma parte destes vasos saem do coração levando uma quantidade de sangue ao fígado, a fim de que este líquido se abasteça com o grau necessário de gás carbono e duma pequena dose de cianídrico, com que se presta a efetuar a digestão e ativar a formação da pele. Pois este sangue não mais serve para a função interna, razão pôr que as moléstias do fígado facilmente são observadas pela pele. Eis uma espécie destes vasos.

Outra, vai do estômago para o fígado. Absorve todo líquido no qual o cianídrico é bem diluído e, através dos pequenos vasos de ligação do fígado, depositado numa justa medida no sangue, enquanto a outra parte passa do fígado aos rins, e à bexiga, que a expele como inútil. Eis a segunda espécie ou qualidade dos vasos do fígado.

Uma terceira sai, também do estômago e unifica a mucosa estomacal com a da vesícula. Através destes vasos é absorvida a substância viscosa dos alimentos e depositada na maior parte na vesícula a fim de que, num caso de insuficiência do suco gástrico, o fígado seja obrigado a devolver algo do seu estoque ao estômago. Pois a digestão consiste numa certa fermentação, não igual em todos os alimentos. Algumas substâncias mui líquidas possuem pouca matéria de fermentação, o que já se pode observar em a natureza. Deitando-se pôr exemplo, um pouco de farelo em água pura, levará tempo para fermentar. Adicionando-se, porém, um pouco de farinha de arroz ao sumo de uvas (mosto), produzirá, em poucas horas, uma fermentação assustadora. Se com isto é evidente que alguns alimentos têm mais, ou menos gás carbono, é claro que este excesso em nosso fígado exija um depósito para equilibrar a deficiência. Com estes vasos travamos conhecimento com a terceira categoria.

Uma quarta espécie de vasos são as pequenas veias de ar que, provindas do pulmão, atravessam o fígado em diversas direções e curvas. A vesícula, em parte, é formada pôr estes vasos e em parte conservada numa constante tensão. Ao mesmo tempo é levada uma certa quantidade de ar para a vesícula e, com este ar, uma porção de oxigênio, a fim de que ela não venha a fermentar em demasia e, com isto, produza aquelas substâncias maléficas, pelas quais, surgem uma porção de inflamações, reumatismo, gota etc.. Pôr este motivo é muito prejudicial às criaturas, manterem-se em quartos e lugares onde, em vez do ar puro, respiram apenas gás carbono, mormente naqueles recintos malditos nos quais os hóspedes se preparam pelo cheiro detestável do fumo, para o ar pestilento do inferno.

Deste modo chegamos a conhecer as quatro qualidades de vasos do fígado, cuja ação e reação, como no baço, são produzidas pelo fluido elétrico, através do constante atrito celular. Claro é que o fogo elétrico do fígado é ativado, principalmente, pelo baço; pois o fígado não teria vida e ação sem este.

Esta víscera se acha tanto no homem como no animal em volta do estômago. Da mesma forma se encontra no corpo telúrico em proporção muito maior. Sua função é idêntica e, mesmo sendo secundária, o que o baço faz em primeira linha não deixa de qualificá-lo como um órgão vital c poderoso no corpo telúrico. Assim, pelo fígado da terra ^ surge tudo que a casca tem dentro e fora de si. Assim também o mar dele deriva, sendo no fundo nada mais que a urina, a qual, evaporando-se, modifica-se em nuvens que, pôr sua vez, influenciadas pela luz, transformam-se em água doce.

Em poucas palavras, analisamos o fígado da Terra e na outra vez passaremos às novas descobertas.

12° CAPÍTULO


O RIM DA TERRA

Além do fígado temos que considerar o rim. Esta víscera é um instrumento de importância vital no organismo, pois tem três finalidades muito especiais; sem elas a vida orgânica não teria subsistência, tão pouco a procriação seria possível e, até criatura alguma Jamais poderia imaginar o que fosse a alegria! Esta manifestação psíquica se origina no rim, -e, pôr isto, é seguidamente mencionada nas Escrituras.

Em primeiro lugar tem ele a incumbência de acumular a água do fígado, já imprestável para a vida do organismo, absorvendo o que de útil e transferindo o resto à bexiga.

A parte absorvida e mais nobre é, propriamente dita, a substância material do sêmen que, assimilada pelo sangue, é, pôr este, conduzida a vasos especiais. Lá é ela como força positiva, socorrida pelo polo negativo dos testículos e auxiliada para a procriação. Eis a segunda finalidade do rim.

A terceira, mais importante, consiste no fato de que esta víscera se encontra em ligação íntima com o coração, pulmão, estômago, baço e fígado, através de pequeninos vasos ocultos, servindo — psiquicamente — de pousada para a alma durante a procriação. Eis porque o rim produz na vida natural um certo bem-estar, atribuível à alma e ao espírito dentro dela.

Quem não se lembra do bem-estar provocado pelo ato carnal, quando empregado justamente? Quem, no entanto, não se recorda do constante conforto quando se absteve pôr mais tempo deste ato inútil, de sorte que tudo que via o alegrava?

Isto tudo é efeito do rim, que, pela forma, assemelha-se a duas almofadas, tanto que se poderia dizer: "Eis um bom assento que me dará um descanso justo!" De sorte que a alma — no que diz respeito ao bem-estar físico — acha um lugar de repouso no rim, ela que geralmente atua apenas no coração e no cérebro.

Do mesmo modo recolhe-se ali durante o sonambulismo porquanto esta víscera está em contato pêlos gânglios ao estômago, pôr onde tal alma vê, ouve, sente e, quando necessário, comunica-se com o mundo exterior.

Assemelha-se o rim ao fígado e ao baço; apenas destes se diferencia pela formação almofadada. Estas almofadas estão separadas através dum tecido celular esbranquiçado, pelo qual atravessam os principais canais de água, entregando os humores nobres do sêmen ao rim. Lá se tornam mais sutis e líquidos através da eletricidade neles produzida e como tais, são absorvidos pêlos vasos mui tênues e reconduzidos peio sangue ao coração, de onde são levados a reservatórios destinados para este fim, recebendo constantemente sua nutrição pêlos testículos e assim, sua utilidade. Como já analisamos a construção do rim animal vamos, pois, estudá-lo na terra.

Encontra-se ele mais para o Pólo Sul, isto é, abaixo do Equador. Tem forma semelhante ao rim do porco e, mais ainda, ao do elefante e a mesma finalidade. É a fonte principal donde o mar absorve a água, fazendo-a surgir na superfície.

Entretanto possui a Terra uma quantidade de bexigas que se acham entre a pele — a primeira terra — e a camada mais sólida, das quais algumas maiores que a Europa. De lá tanto o mar como as nascentes recebem este líquido. Eis, portanto, a primeira finalidade desta víscera telúrica.

A segunda é a absorção dos líquidos procriativos de sua urina que são reconduzidos ao coração e de lá, pêlos canais e vasos, à superfície, onde em parte, manifestam-se em água nascente e, em parte, como orvalho no reino vegetal. Na próxima vez analisaremos sua terceira função.

13.° CAPÍTULO



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