A terra e a lua



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OS ANIMAIS DA LUA

Como já fora dito, existem na Lua muitas espécies de animais no ar, no solo lunar e na água. Entre todos só existe uma qualidade mansa, sob o nome de "Ovelha da Lua"; todos os outros não são úteis à sociedade lunar. O corpo da ovelha é semelhante a um saco cheio de farinha e tem quatro pés, de um palmo de comprimento e dotado de 4 garras. A cabeça é totalmente semelhante à ovelha da Terra e tem duas orelhas parecidas com as de um burro. Na cabeça existe apenas um chifre munido de excrescências do tamanho de um dedo. Além disto possui uma cauda igual a de um leão que tem um mecha de cabelos na ponta. Sua cor é branca e o corpo coberto de lã.

Sua utilidade é de máxima importância. Alimenta com seu leite rico e amarelado. Fornece vestimentas com sua lã, da qual os lunares fazem uma espécie de camisa e capote iguais para ambos os sexos. Revolve a terra com seu chifre e os homens atiram as sementes que, como já disse, amadurecem para frutos saborosos dentro de 14 dias. Tal ovelha alcança não raro a idade de 300 dias lunares. Quando morre, tirasse-lhe a pele aproveitada para leitos nos recintos subterrâneos. A carne é levada a um montão de insetos parecidos com as formigas que em pouco tempo a comem totalmente. Em seguida recolhem os homens os ossos e confeccionam instrumentos necessários.

Existem ainda outros animais na Lua, mais ou menos parecidos aos da Terra, apenas são menores, incluindo a ovelha que lá é rei entre os animais. Existem duas qualidades importantes: o macaco de três pés e o saltador de um pé. O macaco é do tamanho de um gato. Sua cabeça se parece a de um símio, com a diferença que sua boca se parte até a metade do pescoço. Os dois pés dianteiros são iguais aos de um macaco. Quanto ao único pé traseiro é qual tromba de elefante e pode ser recolhido ao tamanho de um palmo, quando então se torna imensamente grosso em relação ao animal, mas também pode ser esticado ao comprimento de 3 toesas.



Quereis saber o porque dessa forma estranha? Como sabeis é a temperatura na Lua totalmente diferente da Terra. No decorrer de quase 28 dias terráqueos o solo lunar é coberto de neve, nos 7 dias seguintes fica inundado e em seguida castigado com um calor insuportável .

O referido animal tem que se encontrar com sua cabeça no ar atmosférico, razão por que necessita desse pé de tromba de elefante. Durante o inverno fica em cima deste pé prolongado por cima da camada de neve e atrai uma espécie de aves noturnas parecidas aos pequenos morcegos e deixa que voem diretamente para dentro de sua bocarra e as come imediatamente.

Quando a neve começa a derreter e a água cobre as planícies extensas que também do lado habitável são circundadas por altas montanhas, esse animal tem que alcançar a superfície da água para não se afogar, com ajuda de seu pé traseiro. Na época do calor ele se dirige para os rios onde permanece dentro d'água durante dias de modo a encontrar-se com a cabeça e as duas patas fora d'água. Se esta subir, ele aumenta seu pé; ela diminuindo, ele encurta o mesmo. Se tal rio seca totalmente, ele se locomove pelo prolongamento do pé traseiro. Depois ele Se segura em qualquer parte até ter atraído o pé de tromba, para em seguida meter os 4 dedos do pé traseiro dentro da terra e impulsionar o corpo todo para frente. Essa marcha é efetuada até que ele alcance a água. Seu alimento diurno é uma espécie de caranguejos voadores.

Quanto ao mencionado saltador, dono de um só pé, é apenas uma aberração do macaco descrito acima; somente possui muito maior elasticidade que o pé do outro animal e por isto sua locomoção é de saltos. Quando se abaixa dá impressão de um grande cão e basta quer saltar, ele se estica num comprimento de cinco varas. Com essa extensão súbita ele se atira num movimento de arco de sorte que não raro o salto atinge 6 a 7 toesas. Assim consegue uma velocidade tamanha que pode alcançar qualquer pássaro no ar. Alimento e habitação são semelhantes a do macaco. Eles habitam, com outros mais, as planícies e poucas vezes têm contacto com os homens que moram somente nas montanhas.

Nas montanhas existe ainda grande número de pequenos pássaros, dos quais o maior nem atinge o tamanho do pardal; os menores são pouco maiores que vossas moscas.

As águas também são habitadas com grande quantidade de peixes, vermes e muitos caranguejos, inclusive crustáceos como nos mares terrestres. Entres estes se destaca a "bola azul" totalmente desconhecida na Terra. Essa bola pode se dividir em duas, unidas por pequenos músculos. Esmagar pequenos vermes, suga-lhes o sumo e atira as larvas na água. Essa bola azul do tamanho de um grande melão, fornece durante a noite um forte brilho a ponto de todos os rios e lagos alcançarem uma claridade muito maior que o mar da Terra no solstício.

Todos os demais bichos da Lua são de menor interesse por terem menos semelhança com os da Terra e além disto ainda não estais em condições de captar sua finalidade espiritual. Mesmo que tal fosse possível não seria útil como a neve que mil anos antes de Adão caiu na Terra.

4.° CAPÍTULO


SUPERFÍCIE E OS ESPÍRITOS DA LUA

No que diz respeito à parte voltada para a Terra, podeis observar com um telescópio que esse planeta é coberto de montanhas. Diferencia-se da Terra porque não apresenta superfície aquática e além disto suas montanhas não se estendem em forma de raios ou correntes partindo dos altos, mas formam anéis pêlos quais circundam planícies pequenas e grandes. Se bem que existem cordilheiras isoladas parecidas com as da Terra, são muito mais raras e de certo modo uma série ininterrupta de pequenos vales cerrados cujo diâmetro perfaz cerca de 30 toesas. Esses milhares de vales cerrados e enfileirados numa linha percorrem a superfície até atingirem o aspecto de ruas. Seu enfileiramento levou muitos astrônomos à opinião errônea de terem encontrado vegetação, porquanto jamais a encontrarão na parte voltada à Terra. O mesmo acontece com as raras cordilheiras que consistem em vales cerrados como se fossem chapéus de açúcar r possuem nos picos pequenas cavidades redondas. Naturalmente desejais saber para que finalidade existe isso nessa superfície inabitável.

Então pergunto: Para que existem todos os pontinhos, pêlos e cortes em todas as folhas vegetais, plantas e arbustos, e iguais variedades em todas as demais coisas da Criação habitada e não habitada? Haveria muita coisa para explicar, especialmente considerando a incalculável importância de cada cabelo do menor musgo na Terra.

Todos esses vales cerrados na superfície lunar são de ta! forma constituídos que .os bordos se tornam sugadores do magnetismo da Terra. A variedade de seu tamanho tem por finalidade que tal força precisa ser distribuída tão variadamente para proporcionar a divisão tão acertada que condiciona a conservação e movimentação ordenada de dois corpos que se defrontam. Eis de um modo geral uma finalidade da formação tão estranha da superfície lunar.

A segunda finalidade de quase todas essas cavidades é a conservação necessária de todas as formações onde se encontra ar atmosférico e é conservado como a água nas cavidades terráqueas. O ar provém da grande dispensa do Espaço Infinito e repleto de luz e éter. Durante a noite — quando o lado voltado à Terra se encontra sem luz — as cavidades se enchem de ar atmosférico. Quando a luz solar passa por cima, forma-se neles grande quantidade de orvalho que então une todas as partes da superfície e penetra como água pura por todo corpo lunar como apoio das fontes e daí para a formação dos vapores e constantes camadas de ar.

A terceira finalidade dessa formação caverna! é que ela se destina às moradas dos espíritos que devem se regenerar e foram sair vos do primeiro grau do inferno por meio dos doutrinadores enviados do mundo superior e com ajuda repetida dos Céus superiores.

Quando tais espíritos são levados para lá, recebem um corpo etéreo semelhante ao anterior, formado do ar atmosférico dentro das cavidades lunares, pelo qual podem ver tanto fenômenos espirituais quanto materiais, segundo suas necessidades.

No início habitam primeiro os pontos mais baixos e escuros para sua visão. À medida que melhoram, seu corpo etéreo um tanto grosseiro, se transforma em um mais sutil podendo subir para uma cavidade mais alta. Nas cavidades pequenas ficam seres isolados e nas maiores, agrupamentos homogêneos.

Podeis descobrir dois pontos de claridade especial na superfície da Lua: o mais luminoso na parte sul e o menor, menos claro, na parte norte. Esses dois pontos são os locais de salvação sendo que o do sul do qual se projetam os raios maiores, para os que não necessitaram ser remendados em corpos lunares. O do norte se destina aos que não podiam ser curados de outra forma de seu amor materialista-, senão pelo aprisionamento sumamente penoso dentro do corpo miserável de uma criatura lunar. Daí poderão ser levados outra vez como espíritos numa cavidade atmosférica, na parte voltada para- a Terra e aos poucos subir ao referido ponto de salvação.

Não deveis imaginar que tal viagem através dessas cavidades se faça tão fácil e rápida como é comum entre espíritos. De cada- vez que um espírito dá um avanço, ele tem que morrer primeiro no seu ponto anterior como acontece aos habitantes da Terra. Essa morte é mais ou menos dolorosa- e sempre acompanhada da sensação do possível aniquilamento eterno. Considerai que tal espírito às vezes é obrigado a passar por milhares de tais cavidades e se lá precisa permanecer durante um mês, meio ano ou um ano inteiro em cada cavidade, podeis ter uma idéia da morosidade de tal caminhada.

Lá ainda existem espíritos da época de Abraão cuja- viagem ainda não atingiu 3/4 partes para chegar ao fim . Que imaginar daqueles que, enquanto escreveis ingressam lá?

Eis tudo que precisais saber. Todo resto havereis de vislumbrar num estado espiritual perfeito, de ponto a ponto, caso Me amardes acima de tudo com as forças que vos conferi. Portanto é desnecessário revelar algo mais do lado voltado da Lua uma vez que em sentido prático é totalmente igual ao desabitado, — apenas lá rege a matéria, e aqui o espírito.

O fato de que flora e fauna no lado habitado correspondem à formação gradativa das almas lunares cujos corpos correspondem aos físicos etéreos dos espíritos do lado oposto e podem através da caminhada pêlos degraus vegetativos com a água que penetra toda a Lua, atingir novamente o local de seu destino, havereis de ver e reconhecer no estado mais perfeito pelo Caminho de Minha Luz da Graça.

Finalmente ainda repito que Sou Eu a vos revelar tudo isto. Deste modo Eu Me revelo como fiz no Jardim de Gethsemane, perante os judeus, sumo-sacerdotes, fariseus e escribas. Para vós, Minha Revelação se apresenta como meio para a Vida, quando para eles se transformou em morte. Assim como o Amor Eterno Se lhes tornou um julgamento e queda, Ele é para vós um Caminho para a Vida e Eterna Ressurreição. Eis a razão e a Sabedoria oculta e insondável do Amor Eterno, que a queda e a morte se transformaram para todos que Me amam. em Vida e Ressurreição. Isto digo Eu: Que ressuscitou da morte para a Vida.

AMÉM.

5° CAPÍTULO


QUATRO PERGUNTAS RELATIVAS À LUA
1. Amado Senhor e Salvador! De que maneira os habitantes da Lua Te veneram?

Por acaso constituem uma igreja ou Estado sob orientação de chefe visível?

2. De que modo educam os filhos?

3. Qual sua opinião a respeito de nossa Terra; porventura sabem que Tu Te tornaste Homem na Terra e afastaste os pecados através de Teu Padecimento e morte?

4. De que forma a Lua provoca o sonambulismo?
Todas essas perguntas podeis ver realizadas na Terra porque não existe diferença em sentido espiritual entre os terráqueos e os lunares. Como já disse, são eles somente criaturas da Terra em estágio de regeneração e trazem consigo suas obras como qualquer outro espírito. Que suas obras não são as melhores, prova sua transferência para a Lua.

1. Querendo saber a respeito da veneração dos habitantes de ambos os lados da Lua observai o povo materialista da Terra e tereis um espelho fiel da veneração geral dos lunares.

Que fazem aqui os egoístas? Qual é a Honra oferecida a Mim e como se constitui seu louvor? Não empregam todo seu cuidado ao físico? Alguns se preocupam constantemente com as roupas; outros com os petiscos; outros, com uma bela casa, uma arrumação de fino gosto, poltronas e sofás macios, mesas de mármore e camas macias para usufruírem de seu ócio e evitar que seu estômago sinta qualquer pressão. Tais glutões temem especialmente os raios solares, razão por que cobrem as janelas com toda sorte de panos. Não percebeis que tais pessoas Já mantém certo parentesco com os habitantes da Lua que, embora não possam pendurar panos coloridos nas janelas, fogem diante dos raios do sol? Lá permanecem até de tarde como fazem os terráqueos que, saindo dos leitos macios entram em seus carros estofados, em vez de fazerem um passeio salutar.

Outros ainda só conhecem o negócio de aumentar e emprestar o dinheiro a juros. As mulheres, por sua vez, só pensam em se enfeitar na intenção de conquistar um jovem inexperiente. Nenhuma moça honesta faria isto, pois esta reconhece seu valor e o dó oponente, não precisando enganar-se como fazem os judeus que limpam o metal sem valor a fim de vende-lo como ouro aos tolos. Poderia enumerar quantidade de tais materialistas, mas não é preciso para maior elucidação.

Lembrai-vos que dissera que ninguém se devia preocupar com o alimento, vestimenta etc., mas exclusivamente com a conquista do Reino do Céu e de Sua Justiça,, ou seja. Meu grande Amor para com os que Me amam acima de tudo como Eu os amo.

Como é constituída a veneração das criaturas na Terra que, quando muito, Me dedicam uma hora do dia, e o resto passam a cuidar do corpo! O homem, para o qual fiz tanta coisa maravilhosa, faço e ainda farei, para quem cuido aplicando toda Minha Sabedoria e Amor, mais que um noivo faria para sua noiva, não encontra tempo para entregar-se à 'meditação e convívio Comigo. A vida de vossos crucifixos de madeira que demonstram a enorme miséria física de vosso Deus, traduzem vossa veneração semelhante a dos judeus que ao menos pregaram o Deus Vivo na cruz, enquanto sois por demais preguiçosos para tanto, satisfazendo-vos com a aquisição de um crucifixo de madeira perfeitamente adequado a aceitar os átomos de vossa adoração.

Tolos! Julgais ter prestado um serviço a Mim quando levais esse falso madeiro aos lábios e fazeis uma Ave Maria sem ao menos estardes convencidos desse ato de veneração. Porventura acreditais que Eu esteja na madeira, pedra, metal ou outras obras de artesanato? Todos esses adoradores terão que freqüentar por muito tempo a escola na Lua para sentirem física e espiritualmente a grande miséria pessoal para chegarem à conclusão de que Deus Vivo não sente agrado em tais tolices, piores que as dos pagãos que oferecem a seu ídolo um sacrifício real, se bem que não por amor, mas de pavor. Vossa veneração dá impressão de que Eu, Deus Vivo, não existo, ou sou de fato de madeira e farinha.

Quanto à veneração dos habitantes da Lua ela consiste no estudo paulatino começando a venerar Deus em espírito e Verdade, dentro de si mesmos e também aprendem por muito tempo a renunciar ao conforto exagerado na esperança de que tudo lhes é dado por Mim. São obrigados a testemunhar sua fé sob provações variadas e duras que nem de longe podem ser comparadas com a liberdade de crença que vos assiste.

2. Com essa explicação, a segunda pergunta já foi respondida. Onde Eu apareço externamente através de anjos ou internamente como Doutrinador, não há necessidade de um chefe religioso, de onde deduzis: quem Me tem para Doutrinador facilmente pode desistir de outros; deste modo a Lua é apenas um Estado de correção espiritual sob Minha Direção.

As crianças também são educadas pelo ensino interno. Sua necessidade única é o amor e a fé segundo o ensino dos espíritos, de que Sou Um Homem e aceitei essa natureza no mundo do qual elas descendem. Não somente para trazer a bem-aventurança dos habitantes da Terra e da Lua, mas para todos os seres nos espaços infinitos e em inúmeros corpos cósmicos e reuni-los sob a cruz do amor erigindo-lhes um pouso eterno. Eis tudo que reza a religião e veneração de Deus na Lua.

Os homens têm que carregar suas mulheres a fim de serem curados de seu sensualismo através desse peso constante. Se um rei determinasse uma lei pela qual todos os sensuais fossem obrigados a carregar sua concubina durante um ano, garanto que se cansariam de sua tendência carnal.

Isto é apenas uma demonstração da situação da Lua e não pode ser empregada na Terra onde o homem goza do livre arbítrio, pois o castigo melhora a carne por algum tempo, mas não o faz com a alma e muito menos com o espírito, razão por que tal medida na Lua não ocorre como castigo e sim, como prova de amor.


3. A pergunta relativa ao que pensam os habitantes da Lua a respeito da Terra, é desnecessário responder, pois os que em virtude de sua posição voltada para a Terra podem ver nosso planeta já são espíritos e podem ver a matéria apenas pela interpretação espiritual. Os do lado oposto nunca chegam a vê-la e a conhecem apenas espiritualmente.
4. Quanto à última pergunta, vossa idéia de que a Lua provoque o sonambulismo é totalmente errada. Tal ocorre somente em época de Lua cheia através do fluido magnético mais intensivo da Terra mesma. Quando a Lua se encontra debaixo da luz total do sol, o fluido magnético é impulsionado de volta para a Terra pelo efeito da luz, o que preenche nosso planeta. Criaturas em cujo sangue existe maior influência de metal por interferência da água, do ar ou do alimento, possuem a capacidade natural de captar esse fluido a caminho de volta.

Se os nervos estiverem saturados por tal fluido e a alma for imprensada por eles, ela desperta, se solta de seus laços físicos e pretende abandonar o corpo. O corpo possui um fluido nervoso todo peculiar, muito afim ao fluido magnético, mas também é ligado intimamente à alma que com ele está ligada e lhe corresponde. Quando a alma pretende fugir, desperta imediatamente seu fluido nervoso e este, o corpo, e o caminhar do sonâmbulo se dá como se 3 pessoas andassem uma atrás da outra, interligadas entre si. Mas o espírito contínua dentro da alma, razão por que ela é viva.

Se tal sonâmbulo vira o rosto para a Lua e sobe em telhados e torres de igreja, isto é porque se deve erguer da profundeza da Terra repleta de fluido magnético e assim diminuir a superabundância a fim de capacitar o corpo a aceitar sua alma com o espírito, por intermédio do fluido nervoso. Se o corpo ficou livre de novo, a alma o reconduz pelo fluido nervoso ao ponto de partida e lá se une totalmente com o físico. É claro que a alma nada disto sabe porque não possui memória. Os filósofos consideram isto uma capacidade psíquica, ao passo que a alma sabe apenas o que vê, e a recordação dela dentro do corpo é somente visão repetida das impressões correspondentes de natureza do organismo artístico do corpo. Essa percepção ela alcança somente pelas inúmeras formas que o espírito mantém dentro de si e as transmite para ela.

Agora sabeis tudo com exceção da própria natureza do fluido magnético que será explicado na próxima vez e assim essa tarefa estará concluída.


6.° CAPITULO


O FLUIDO MAGNÉTICO

Ao observardes as coisas do mais ínfimo ao maior, de semelhança relativa e idêntica constituição, descobris algo que salta aos olhos: a forma. Tomando um objeto qualquer na mão, a sensação vos ensinará se ele é mais ou menos sólido. Repetindo esse processo com objetos de forma igual, descobrireis seu peso específico. Analisando a consistência dos corpos, descobris não raro que os menos sólidos são mais pesados que os sólidos. O volume de prata derretida é muito mais pesado do que volume idêntico de ferro, etc.

A própria água é em si como também em diversos estados de temperatura um volume idêntico de peso diferente. Uma gota de água de chuva é mais leve que uma de' um poço ou qualquer fonte. Uma gota mais quente é mais leve que uma fria, e uma gota transformada em gelo é também mais leve que qualquer gota d'água.

Essa diferença encontrareis em todas as coisas. A fim de saberdes quão diferentes são as qualidades e espécies e suas graduações em todo sentido — forma, consistência, solidez e peso — basta olhar tudo com atenção e as coisas vos dirão: Vê, como somos diferentes. No entanto nossa existência se baseia em uma só lei e somos de uma só matéria. Ainda assim somos tão diferentes na forma, consistência, solidez e peso.

Esse preâmbulo é necessário pois sem ele não entenderíeis o que se segue, pois antes de chegarmos à explicação do fluido magnético, o dito magnetismo, tereis que engolir algumas nozes da esfera da sabedoria.

A fim de chegarmos de vosso ponto de vista à pista da questão, como levar-vos seguros à mesma, preciso é que lanceis um olhar ao passado infinito.

Imaginai um período em que no Espaço Infinito nenhum ser, além de Mim, tinha uma existência espiritual, muito menos material em confronto com outra.

Em que consistia o Espaço Infinito e para onde corria o tempo no qual esse Espaço se encontrava eternamente?

O que era Meu Ser antes de todo ser, e de que modo todo ser surgiu desse Único Ser? O que é o Espaço? O que Sou Eu, Ser Original de Mim Mesmo?

O que é o ser temporal no Espaço Infinito dentro de Mim, de Mim e perto de Mim?

Ainda que tais perguntas se apresentem aparentemente dificílimas, aliás somente como primeiro degrau de Minha Sabedoria, em relação a uma resposta satisfatória, são elas muito fáceis na questão em si.

Um pequeno exemplo responderá explicitamente. Alguém dentre vós andava alimentando há muito tempo determinado pensamento. Como lhe agrade, ele junta a esse pensamento básico um segundo, quer dizer, a possibilidade de realização do primeiro. O segundo em breve descobre a possibilidade, mas para execução da finalidade é preciso um terceiro pensamento que já existe nos dois primeiros e consiste apenas na pergunta: Como?

Essas três perguntas foram feitas e uma responde a outra. Mas com isto a questão não terminou, pois nem ao menos começou. Por isso, os três pensamentos principais se juntam para resolver o importante: Por que? — Depois de breve consulta o primeiro pensamento diz: Porque isto é totalmente semelhante a mim! — O segundo pensamento aduz: Por ser realizável porque o primeiro pensamento não se acha em contradição, caso se queira manifestar como é. — E o terceiro pensamento acrescenta: Porque na base que se quer manifestar, o meio principal repousa para a realização e isto porque o pensamento, em seu fundamento, tanto quanto em si mesmo, como também em todas as suas partes, não se contradiz.

Suponhamos que vosso pensamento traduz o desejo de construirdes uma casa em algum terreno. Por acaso imaginais a mesma em todos os detalhes mais preferidos? Uma vez que tiverdes levantado a construção em vossa fantasia e sentindo grande alegria com a mesma, não surgirá a pergunta se de fato a construção imaginária talvez não pudesse ser efetuada? Não podendo construir no ar, o segundo pensamento prontamente demonstrará a possibilidade da realização. Portanto estais de acordo em dois pontos pela razão de que o primeiro não contém contradição e já condiciona o segundo.

Segue-se o: Como?, isto é, com que meios? O primeiro recurso principal é a possibilidade mesma. O segundo é a finalidade ligada à possível realização do todo. Ninguém pode ligar uma finalidade a uma coisa a ser efetuada, antes de estar certo de sua possibilidade.

O terceiro meio é o material e a força suficiente para a criação correspondente. Se isto estiver bem elaborado e sendo proprietários do terreno, que vos impediria realizar o pensamento original? Em pouco tempo tereis diante de vossos olhos a efetivação de vossos pensamentos porque encontrastes todas as condições para tanto.

Mas se voltardes o olhar para Mim, o Eterno e Grande Portador de Pensamentos Originais e Construtor Inimitável, Que preencheu o Espaço Infinito com construções sumamente artísticas, deveis fazer a seguinte pergunta: De onde o Grande Construtor tomou o material de tantas coisas grandiosas?



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