A terra e a lua


O VÍCIO DO JOGO E A EDUCAÇÃO MODERNA



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O VÍCIO DO JOGO E A EDUCAÇÃO MODERNA
Muitas pessoas têm a inclinação para se distraírem com toda sorte de brincadeiras e passatempos. Essa tendência é despertada pêlos pais para entreterem os filhos pequenos e, quando adultos, incliná-los para tal capacidade. Para tanto existem verdadeiras feiras com brinquedos onde tais tolices são oferecidas sob formas escandalosas.

Eis uma nova fonte, um novo caminho pelo qual as almas más podem ingressar na alma de tais crianças. Elas são tentadas a querer sempre mais brinquedos e certos pais empregam considerável capital nesta tolice. Os garotos têm cavaleiros, cavalos, soldados, espingardas e sabres. Quando adultos querem transformá-los em verdadeiros e então sabem dançar, andar a cavalo, esgrimar e atirar com pistolas. De tais filhos sem esperanças se formam peraltas da sociedade porque nunca aprenderam o que pudesse enriquecer as forças inteligentes de sua alma.

Para atingir a perfeição social, tal jovem tem que entender de todos os jogos cujas descrições e considerações filosóficas são encontradas nas livrarias. História e geografia seriam mais úteis pois levariam o leitor mais para perto de Deus, ao passo que pela educação acima são conduzidos diretamente para o inferno.

De modo idêntico o sexo feminino é prejudicado a ponto que não raro a alma de uma mocinha de seus doze anos se assemelha a um deus. Desde o berço ela é modista; penteados, vestidos e certas atitudes são ensinadas com afinco. Tem que falar inglês ou francês, e o professor de dança, piano e desenho recebe seu emprego.

Desta maneira se faz de uma criancinha de berço, primeiro uma menina prodígio -e quando tiver atingido certa altura, já é um anjo ou uma deusa. Subentende-se que o professor de religião freqüenta tal família não em virtude da religião, mas por causa do bom tom. Se esta menina aos 15 anos é levada ao primeiro baile, os pais derramam lágrimas por tamanha alegria.

Essa moça desconhece qualquer texto da Escritura, tão pouco o Pai Nosso e Os Dez Mandamentos, pois a prece é algo vulgar e não pertence à alta sociedade. Sob tais circunstâncias se completa um exemplar moderno do sexo feminino.

Quanto rapaz tolo seria feliz em casar-se com ela. No entanto não desconfia que tal exemplar feminino o levaria à mais fria convicção de que foi de fato um burro, pois ela- nada mais é que um sepulcro caiado ou uma estátua dourada sem nenhum valor interno.

A causa disto é a possessão de um espírito do jogo que se permite fazer o que especialmente as meninas fazem com suas bonecas. Não seria preferível — sendo necessário que as crianças possuam brinquedos — dar-lhes objetos tais que tenham relação com Minha Infância na Terra? Receberiam bom estímulo e quando crescidas se informariam com alegria das datas e acontecimentos referentes a eles.

Sob tais circunstâncias o professor de religião ter.a uma tarefa feliz no preparo de uma vinha nova que promete frutos extraordinários.

Assim sendo é traçado o caminho inverso. Em vez de ser preparada para o Céu, a criança é educada para o inferno que finalmente acaba triunfando. Desse jaez a maioria é levada para o inferno; pois tais criaturas se julgam muito boas, justas e virtuosas, razão por que não se pode cogitar de uma melhora que, segundo seu parecer, seria um atraso e pioramento de seus bons costumes.

Um ladrão e um assassino podem sentir remorso. Um adúltero e um alcoólatra podem ser levados por certas circunstâncias a reconhecerem sua grande tolice de sorte que se lhes poderia dizer: Teus pecados te são perdoados; vai e não peques mais! — Que se poderia dizer ao mundo orgulhoso e extremamente vaidoso? Julga-se justo, sumamente civilizado e mantém as leis do bom tom e gosto. Costuma amparar a pobreza tão logo o bom tom o permita. freqüenta a Igreja, naturalmente numa hora em que lá só encontra a sociedade, assiste a um sermão caso o sacerdote seja de fino gosto e bom orador e além disto possua voz sedutora e físico agradável.

Por aí vemos quão difícil ou quase impossível se torna melhorar tais pessoas, e no além levará muito tempo dirigi-las ao caminho da Vida. Meu Nome é-lhes um asco e Eu Mesmo não existo ou então qual simples moralista dos tempos antigos, mas cuja moral agora perdeu seu valor, porquanto se encontrou uma melhor em Paris.

No mundo espiritual, onde os jornais da moda parisiense não penetram, sopra outro vento. É um vento da Graça, mas para tais pessoas tem odor pestilento, por isso fogem do local onde poderiam ser tocadas' por essa brisa espiritual.

61 ° CAPÍTULO


NATUREZA E EFEITO DA CÓLERA
Passemos agora a obsessão pelo demônio da cólera, a pior porque tal demônio nunca é dono exclusivo de um corpo, mas sempre acompanhado de uma legião de servos maus.

A cólera é pólo contrário do amor e forma de certo modo a parte principal de Satanás. A cólera não pode existir sem alimento, por isso tem uma quantidade de espíritos dos quais ela suga e vive. Assim como o amor não pode existir sem alimento correspondente, a cólera também não subsiste sem reação colérica.

Vejamos quais são os elementos nutritivos da cólera. O ódio é ,um alimento, aliás o principal. A altivez, da qual surgem o amor-próprio, inveja, avareza, adultério, impudicícia, desprezo de tudo que seja Divino, profundo menosprezo ao semelhante, assassínio, tendência dominadora e, no final, uma total falta de consciência. Esses são os subalternos do demônio da cólera, dos quais cada um possui número considerável de outros maus espíritos que facilmente são reconhecidos pelas paixões de uma pessoa tomada de cólera.

Se esse espírito tiver tomado posse de um corpo, é tão difícil de ser afastado quanto se pode apagar o fogo de uma grande casa que arde em todas as partes. Não existe outro meio senão deixar queimar até a última viga e com o tempo analisar a cinza esfriada para ver se ainda se encontra algo que a chama terrível não consumiu. Esse espírito não penetra no corpo no decorrer da vida, porém é lá depositado na fecundação como semente do inferno e também precisa existir porquanto condiciona o crescimento físico. Mas a semente não alcança independência, caso o recém-nato não receba educação para tal fim.

Somente através de uma certa educação ele se concentra no fígado e uma vez que esteja presente na medida certa, tal humor desperta nele mesmo a emancipação do demônio da cólera. Então ele prende a alma toda e a- atrai para seu reino e por esse ato a criatura toda dentro em breve se tornará um demônio.

Em muitas criaturas não é necessário que esse demônio carnal atinja sua emancipação. A evaporação de elementos especificamente maus se transporta pelo corpo todo, primeiramente pelo sangue, que facilmente se altera quando é bem mesclado com tal humor. Através do sangue passa para os nervos, por esses ao plexo solar e por este, à alma. Se esse elemento tiver penetrado a alma toda, o homem já é no mínimo um meio diabo e não convém procurar-se sua companhia.

Essas pessoas se alteram por qualquer coisa e logo praguejam e estão prontas para chegar a vias de fato. Assemelham-se a um ferro incandescente que parece sólido e calmo. Basta atirar-se um pouco de serradura que subirá em chama e fumaça.

Isso tudo pode ser evitado por uma educação justa e boa nas crianças. Se numa ou outra existe maior tendência, ela pode ser ordenada pela' educação e certa dieta a ponto que com o tempo só pode aparecer o bem ao invés do mal.

O maior prejuízo é o excessivo carinho; por esse defeito se perdoa toda mal criação da criancinha. Crescendo dia a dia, ela nota que pode praticar certas traquinagens sem receber castigo. Então tenta engendrar maiores. Se não forem punidas pêlos pais, a criança terá alcançado uma certa solidez de cólera e começa a exigir que se lhe dê o que quer. Não sendo satisfeita ela enrubesce de raiva e se torna insuportavelmente grosseira e rude.

Se os pais se deixam amedrontar por tal atitude e cedem aos caprichos do filho, ele terá atingido o primeiro grau da emancipação diabólica. Não demora outorgar-se como legislador brutal de seus genitores que passariam mal se não atendessem os desejos de aspecto deveras prejudicial.

Se esse filho crescer e se tornar mais forte, os pais não estarão seguros de sua vida caso Eu não o dominar por várias moléstias, pois somente elas expulsam o demônio até certo ponto, principalmente se tiver apossado do sangue. Escarlatina, sarampo, varíola etc., são meios de expulsão da perdição da natureza humana. Naturalmente não expelem esse elemento totalmente mas apenas à medida que se tiver projetado no sangue.

Se os pais, após passada a moléstia dos filhos, pela qual Eu os socorri, voltassem à razão e tratassem a criança dentro da ordem o correspondente dieta, tudo estaria bem para eles e o menor, física e espiritualmente.

Mas eles aumentam seu excessivo carinho de antanho e assim o segundo estado será pior que o primeiro. Se o demônio percebeu que o caminho pelo sangue não é recomendável, ele dispara em direção aos nervos. Quando esses são atacados, a criança se torna extremamente sensível, o que os pais tomam por um estado doentio e dão tudo o que ela exige a fim de evitar uma irritação nervosa.

Então Eu tenho que intervir e castigar a carne da criança com uma desinteria ou gripe forte a fim de que tal elemento seja desviado dos nervos com que o físico infantil recebe ajuda por certo tempo, mas geralmente é preferível que tal carne pestilenta seja tirada da alma antes que esta seja agarrada pelo demônio.

Por tal motivo Eu geralmente tiro os filhos de tais genitores que fazem todas as vontades e por isso se ouve não raro a seguinte reclamação: Tenho apenas um filho, constantemente enfermo! Ou: Meu único filho teve que morrer, enquanto meu vizinho tem a casa cheia de filhos que costumam brincar seminus, sem cuidados e trato, no entanto estão cheios de saúde e nenhum deles morre!

Isso está certo e tem sua razão. O filho único seria mimado e com o tempo totalmente morto para o Meu Reino. Os pais são tolos e alimentam um amor cego com o qual sufocariam o filho para toda a eternidade, caso Eu também fosse um tolo deixando que se distraíssem dessa maneira.

Como tenho com a Humanidade uma finalidade superior a um simples passatempo de genitores ignorantes, nada mais Me sobra fazer senão lhes tirar tal criança e entregá-la aos Meus anjos para posterior educação.

Escolho sempre aqueles filhos cujos responsáveis são demasiadamente tolos no amor exagerado, que geralmente provoca a morte dos pequenos. Se Eu os deixasse viver, sua alma estaria irremediavelmente perdida. É preferível a morte física a fim de que a alma receba a vida nos Céus. Por isso ninguém se deve admirar com a morte de tantas crianças no berço e também mais crescidas. Sei perfeitamente porque as tiro do mundo tão prematuramente. É melhor se tornarem fracos espíritos celestes em vez de fortes demônios no mundo.

De quando em vez acontece e também tem que ocorrer por causa do mundo que tais espíritos coléricos cresçam. Caso os genitores combatam a tempo a raiva e teimosia deles, ainda é possível que se tornem úteis e zelosos em qualquer ofício. Se a ira e a teimosia não for enfrentada constantemente, se tornarão brigões, assaltantes e possivelmente verdugos horríveis da humanidade. Por isso é recomendável a todos os pais que num ou outro filho descobrem tendência para a cólera, vaidade, convencimento, egoísmo e certa afetação, tomarem a firme iniciativa de enfrentar essas paixões com toda energia. Deste modo conquistarão criaturas bastante úteis e hábeis porque os elementos maus são transformados por um processo psico-químico.

62.° CAPÍTULO


COMBATE CONTRA A CÓLERA
O demônio da cólera é tão perigoso que apossando-se da carne humana não raro é necessário deixar morrer as crianças e até mesmo exterminar gerações completas, por pestes e outras moléstias dizimadoras, antes que ele possa atrair tais almas para si. É preciso que todas as criaturas — os genitores — incumbidas de preservar sua prole, conheçam uma dieta certa pela qual a alma possa ser salva atingindo uma idade abençoada.

A criança que desde o berço demonstra uma natureza sensível e facilmente irritável por várias influências, deve, enquanto não tem memória, ser alimentada por meios tais que não excitam o sangue, mas o acalmem.

Se a própria mãe alimenta o filho, deve se preservar de bebidas alcoólicas e principalmente de alterações psíquicas, em suma, evitar alimentos e bebidas que provoquem a bile. Cereais, mormente feijões, são condenáveis, mas caldos de carne, assado de carne pura e mingaus de trigo, cevada e milho são recomendados. Arroz cozido em leite desnatado também pode ser usado.

Se a criança for alimentada por uma ama — o que nunca é favorável — ela deve ser conhecida como criatura dócil e meiga, e além disto respeitar a mesma dieta e controle de suas emoções. Tão logo se apresentarem os primeiros dentes a criança deve ser desmamada, pois então começa a memória infantil. O melhor seria uma criação sem leite materno.

Farelo de trigo, cozido e misturado com um pouco de mel seria o alimento ideal para uma criança de temperamento alterado. Além disto pode-se usar também caldo de cevada com açúcar ou mel, ou melhor ainda figos cozidos ou alfarroba cozida. Quando já tiver alcançado maior idade pode ser alimentada com lentilhas passadas pela peneira.

Leite animal não é recomendável no início porque as vacas nem sempre gozam de boa saúde e às vezes até elas têm temperamento sanguíneo prejudicando a criancinha. Depois dos dois anos, pode-se começar com leite diluído.

Maçãs e pêras cozidas se prestam muito para purificar e amainar o sangue. Carne só deve ser dada, quando tais crianças tiverem perdido a primeira dentição; se recebessem esse alimento antes desse tempo, o sangue seria muito alimentado, o físico ficaria gordo demais entupindo as glândulas de transpiração provocando quantidade de moléstias perigosas.

Quando tais filhos começam a andar e falar, devem ser ocupados com distrações úteis que elevem sua alma, cuidando-se de não se esquentarem por movimentos exagerados, muito menos por alterações psíquicas. Tudo que possa aborrecê-los deve ser afastado.

Se com todos esses cuidados se percebe a existência de irritação não se deve poupar o filho de um castigo adequado, isto é, não usar de punições físicas, mas jejum apropriado. Não há como a fome para amainar e curar a cólera, e pessoas famintas não sentem disposição para a rebeldia, mas quando estão satisfeitas, não se pode confiar nelas.

Seria ótimo se em tais ocasiões se explicasse aos pequeninos que o Pai Celeste não lhes enviou alimento em virtude de suas traquinagens. Mas se voltassem às boas e pedissem algo de comer a Ele, seriam atendidos. Desta maneira essas crianças são levadas ao conhecimento de Deus e com o tempo a jovem alma compreenderá que depende em tudo do Pai, que recompensa as boas ações. Uma vez mais calmas e educadas, deve-se lhes demonstrar que o Pai Celeste Se alegra com elas e sempre lhes diz: Deixai vir a Mim essas crianças tão queridas!

Guiadas deste modo haverá pouca dificuldade no futuro. Agindo-se contrariamente, será mais difícil levá-las ao justo caminho, pois uma árvore velha não se verga, senão por um raio ou uma tempestade, trazendo prejuízo marcante.

Se tais crianças temperamentais já atingiram conhecimento próprio e ainda assim se manifestam sérios sintomas de excessiva alteração psíquica, deve-se recomendar-lhes uma vida comedida, ou seja, dormir cedo, levantar mais cedo ainda, abster-se de bebidas alcoólicas, carne de animais impuros e de maneira alguma freqüenta em lugares onde se apresentam espetáculos incríveis, principalmente onde se dança e joga. Para certas cabeças quentes, isso deve ser evitado para sempre.

O casamento cedo para ambos os sexos para tais criaturas é muito recomendável. Além da dieta devem orar e fazer leituras espirituais pois isso fortalece sua alma e liberta as algemas do espírito que facilmente se une a ela quando tais pessoas são tomadas por Meu Amor. Como são expostas a tentações maiores que outras, encontram-se mais perto de Minha Graça e precisamente delas pode surgir algo importante se atingirem o caminho certo em virtude de sua coragem.

63° CAPÍTULO


A AMBIÇÃO HUMANA
Algo quase pior e mais prejudicial que a cólera é a ambição que embora marche com ela, tem sua base no mesmo demônio. Uma pessoa humilde não é tão facilmente levada à cólera enquanto numa orgulhosa há sempre fogo no telhado. A ambição é .o demônio principal no homem e quase homogêneo com Satanás; mas as crianças são dominadas por ele assim que alcançam conhecimento próprio.

Inclinação para tanto é notada quando várias crianças, ainda não sabendo falar, se encontram brincando juntas. Imediatamente uma se quer ressaltar diante das outras. Principalmente forte é essa fraqueza no sexo feminino. Desde cedo se achará bonita começando a se enfeitar e quem quiser algum privilégio precisa apenas elogiai-la. Ela dará impressão de embaraço começando a sorria mas não ficará satisfeita caso uma outra menina bonita se encontre em sua companhia. Seria horrível se a segunda fosse mais atraente, pois provocaria até lágrimas ocultas.

Nos meninos a beleza não tem tanta importância quanto a força. Cada qual quer ser mais forte e dominar seus amigos tratando-os com punhos e pontapés a fim de ser vencedor da turma. Em tais ocasiões nota-se a presença do demônio já nas crianças. A própria natureza fornece exemplos — mesmo que ninguém tivesse conhecimento mais apurado — pois a ambição leva evidentemente aos piores vícios.

Uma menina vaidosa cedo será uma cocote prematura e mais tarde uma prostituta e neste estado Satanás ficará muito satisfeito. O menino será um bruto, brigão, isto é, um homem que só respeita a si mesmo. Tais pessoas se transformam em arengadoras contra Deus e todas as situações no mundo. Sabem e entendem tudo melhor, seu critério é o mais acertado e quem não se quiser submeter é na melhor hipótese um asno. Num caso mais crítico será espancado.

Que será com criaturas tais? Quem poderá ensinar a quem sabe tudo melhor? Mesmo que alguém consiga lhes demonstrar sua tolice, elas se alteram e quando sua verbosidade as abandona, fará uso de seus punhos.

Tudo isto reside na ambição segundo a qual cada qual pretende ser o melhor ainda que fosse o último. Naturalmente andam juntas a AMBIÇÃO e a CÓLERA, e seu servo é astúcia e disfarce. Esse demônio pavoroso é a fonte de todo mal no gênero humano e idêntico ao inferno mais tenebroso, pois nele se juntam todos os males.

Por acaso haveria guerras, se tal demônio não tivesse pervertido a carne humana? Um homem repleto dessa tendência criará seus súbditos sob o nome de amigos, mas terão que fazer o que ele quer porque os atraiu para seu demônio ambicioso. Tais amigos escolherão outros e implantar-lhes-ão o mesmo diabo que os atraiu. Com isto, o amotinador Se torna capitão e como a situação se desenrola a seu gosto, ele começa a mandar e seu demônio atrairá milhares e todos dançarão segundo seu assobio.

Assim surgem as dinastias. Um está na vanguarda, dita e sanciona leis insufladas pêlos seus caprichos, e milhares terão que obedecer sob lágrimas de sangue. Onde um poderio se congrega, naufraga toda reação; razão, inteligência e sabedoria têm que ceder onde o despotismo subiu ao trono.

Mas os próprios homens são culpados disso pois deixaram Deus de lado colocando seu demônio de orgulho no trono, e aquilo que fizeram em tempos idos, ainda hoje é feito. Em toda parte os pais cuidam que seus filhos se tornem algo melhor e importante que eles. Um simples lavrador não podendo realizar seu desejo de progresso, alimenta ao menos o sentimento de orgulho para seu filho que poderá se tornar um grande agricultor, e sua filha, esposa de um cidadão importante. Um sapateiro jamais deixará que seus filhos aprendam seu ofício, e caso sua filha for bonita, não seria aconselhável a um operário querer casar-se com ela. Assim sendo, é bem merecido que a humanidade seja tiranizada a torto e direito, pois sente o maior prazer de fazer de seus filhos também tiranos.

Por que os pais deixam que seus filhos estudem? Para que se tornem algo mais importante que eles: advogado, sacerdote, ministro, etc., nunca porém um pai diria: Faço-os estudar para se tornarem úteis em virtude dos conhecimentos adquiridos para chegarem ao que sou, ou talvez nem isto; muito menos se ouvirá: Quem entre vós quiser ser o primeiro, seja o último e servo de todos.

Esse Mandamento é Meu e nenhum mendigo o respeita. Mas Satanás ordena através de seus demônios e todos correm atrás dele. Por isso o mundo merece com razão ser tiranizado com espada e fogo, pois é de seu próprio agrado.

Desisti de fazerdes tiranos de vossos filhos e vós mesmos preferi serdes os últimos e não os primeiros que em breve os tiranos se acharão abandonados em seus tronos e como estais em baixo, terão que descer de suas alturas a fim de não perecerem.

Se vós edificais da vossa prole colunas cada vez mais altas em direção ao trono dos regentes, estes terão que subir constantemente e assim conseguirão atirar suas armas de um ponto mais elevado e vos atingirão sensivelmente. Permito que o poder dos regentes cresça para que os tolos sintam algo que os humilhe e demonstre o que deveriam ser e não são.

O pai não manda fazer um terno para o filho melhor que o dele? E a mãe vai com suas filhas aos salões de moda e escolhe durante horas algo que ajude nas conquistas delas. Entrementes o pai diz para o filho: Precisas adquirir um comportamento que chame a atenção de todos, tornando-te indispensável na sociedade. — Por que ele não prefere dizer: Filho, procura retrair-te. É melhor que dirijas teu olhar de tua situação humilde para a sociedade, do que ela faça de ti alvo de sua atenção. Que vale mais: a base de uma construção ou o telhado da mesma? Quem se encontrar no primeiro andar estará mais seguro numa tempestade, enquanto o alto de uma torre sempre é joguete das intempéries.

A justa humildade deve ser o ponto principal de vossa vida. Lá sereis abandonados pelo demônio da competição, e a tirania terá um fim para sempre. Se a humanidade descesse à base da humildade, o regente poderia procurar seus pares com ajuda de lampiões afim de receber deles seu reconhecimento de chefe.

Eis o caminho para a bem-aventurança aqui e no além. Só por meio dele a humanidade pode melhorar inclusive seus regentes, mas não pela reação, muito menos por rebeliões contra um poder organizado.

Quem quiser melhorar os outros terá que começar consigo mesmo e procurar viver com justiça, — que os outros o acompanharão ao perceberem as vantagens de tal proceder. Quem quiser humilhar o próximo, que o faça primeiro em sua pessoa e assim tirará ao vizinho o degrau pelo qual teria subido no orgulho. Se alguém carregar seu irmão, porventura ESTE poderia descer do monte caso o carregador não quisesse descer? O carregador deve dirigir primeiro seus passos para baixo que deste modo também descerá a quem ele carrega.

Enquanto Minha Doutrina não for respeitada em tudo, não pode haver melhoria, aqui, isoladamente, e no além, no mundo dos espíritos. Quem viver segundo Meus Ensinamentos, passará bem aqui e lá, pois uma alma humilde se acomoda com tudo, e como se encontra perto de Mim desfruta sempre da melhor e mais segura Ajuda.

Mas de que adianta a Minha Doutrina, se Jesus, Seu Fundador, atualmente tem a "honra" de ser um nada? Ou O transformam num ídolo no qual só resta o Nome e alguns fragmentos de Seu Verbo em forma de hieróglifos a respeito dos quais é proibido meditar-se. Modula-se Jesus segundo o gosto de cada um a fim de que traga algum lucro, enquanto aquele que deveria ser o último e servo de todos ocupa o lugar mais elevado entre milhões. Realmente um péssimo exemplo para a humildade. Mas, não pode ser de modo diferente, pois existem muitas pessoas que desejam que seu filho se torne um papa. Nessas circunstâncias, não pode haver progresso espiritual.

64° CAPÍTULO


RECLAMAÇÕES DIVERSAS
Hoje em dia ouvem-se constantes queixas entre os homens. Uns reclamam da carestia e que tudo piora em vez de melhorar. Outros tem verdadeiro ódio contra os governos e os acusam de tudo. Outros estão insatisfeitos se não houver guerras, etc. Em suma, cada um atira a culpa a um ou outro fator. Mas ninguém se lembra de perguntar se também não contribuiu para que os tempos piorassem, sentindo apenas o mal externo.

Vejo um pai de família reclamar violentamente sobre o luxo atual, no entanto está precisamente gastando somas vultosas com vestidos ultramodernos para suas filhas. Que dizer a este tolo? É preferível que elas mesmas confeccionassem suas roupas de tecido simples, enquanto agindo como está contribui precisamente para o luxo desmedido e a carestia. Existem jornalistas que também reclamam do luxo, mas eles próprios andam de acordo com o último modelo. Quem não se corrige, não pode corrigir outros.

Assim também o lavrador, os donos de restaurantes etc., se queixam dos impostos desmedidos, mas são os primeiros a sonegarem os que de direito. Quem fizer um presente de bom coração, o Governo não reclama imposto. Mas se o homem não se lembra de seu próximo, como pode se queixar do Estado? Digo apenas: Os homens se condenam a si próprios. O Estado é julgado por Mim segundo os cidadãos.

Percebemos portanto serem os próprios homens os criadores de seus males, por isso a situação não pode melhorar. Os pobres devem ser sempre um acréscimo como castigo para tais determinações. Quem é culpado dos pobres? A grande cobiça e a tendência de exploração dos ricos. Por tal motivo, hão de recebê-los pois aquilo que o homem produz, terá de suportar.

Os cidadãos reclamam violentamente a respeito do imposto predial mas não ouvem a opinião dos moradores de um edifício. Se porventura um inquilino não pode pagar o aluguel, imediatamente é levado perante a justiça. Então venham maiores impostos até que o coração do proprietário se torne mais acessível podendo arrumar um quartinho para um pobre sem cobrança. Neste caso Eu influenciarei também os corações dos regentes.

Com veemência se reclama contra as estradas de ferro (1846), mas os homens as quiseram, portanto Eu também as quero. Não estais lembrados do tempo em que os ricos andavam de carruagem, e se algum viandante cansado pedia ser levado ao povoado, era prontamente enxotado com o chicote? Com a invenção da estrada de ferro os próprios abastados não usam suas carruagens antiquadas cujos produtores reconhecem o valor de sua obra.

A estrada de ferro está tão pouco dentro de Minha Ordem quanto a Torre da Babilônia que todavia ainda trazia seu benefício. Dispersou os povos e com o tempo levou-lhes a convicção de que as criaturas podem morar também em outra parte e que Deus deixa iluminar a Terra em todos os cantos como também a chuva existe para todos.

O benefício da estrada de ferro será para todos. Os acionistas principais lucram materialmente. Os outros ganham em compreensão e humanidade, pois quando os ricos se tornam mendigos, transformam-se em pessoas meigas e humildes. Os hospedeiros à beira da estrada também lucram perdendo a tendência de assaltar os hóspedes com sua exploração. Os lavradores cujos terrenos são cortados pela máquina, também ganham. Os viajantes igualmente. Ainda assim todos reclamam deste açoite que eles próprios proporcionaram por diversos meios.

Quando todos os profissionais e acionistas se tornarem mais humanos, a situação melhorará, pois isso está em Minhas Mãos. Disse acima que não sinto agrado com essa inovação, pois desprezo o açoite. Uma vez que existe como era da vontade dos homens, deve trazer benefício para os bons e maldição para os maus.

65° CAPÍTULO



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