A saga dos capelinos the making of



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A SAGA DOS CAPELINOS

THE MAKING OF
Albert Paul Dahoui
H E R E S I S

Sumário

Prólogo 7

Introdução. Algumas palavras sobre o autor. Problemas de semântica. Houve influência espiritual na produção da Saga? O problema da violência.

A Queda dos Anjos 15

Introdução. Atlântida, mito ou recordação de vidas passa­das? A época e a localização dos primeiros capelinos. Os capelinos eram da forma como os descrevi? O problema do exílio maciço de espíritos.

A Era dos Deuses e O Primeiro Faraó 47

Lendas egípcias e realidade. O segredo das pirâmides egípcias.

Os Patriarcas de Yahveh e Moisés, o Enviado de Yahveh..... 77

Os patriarcas. Yahveh é um deus de guerra hurrita? A for­mação do povo hebreu. Moisés e o êxodo.

Jesus, o divino discípulo 105

Introdução. Yeshua, o filho de quem? Yeshua, descenden­te de David? Yeshua, nascido onde, quando e como? A in­fluência persa na vida do messias. Fatos reveladores a respeito de Yeshua. Yeshua e sua família. Yeshua tinha um irmão gêmeo univitelino? Yeshua tinha sotaque egípcio? Yeshua teve uma discussão teológica no templo? Yeshua era uma criança precoce? Yeshua foi essênio ou terapeuta? Yeshua esteve na Parthia e na Índia? Quem foi de fato João Batista? João Batista foi a reencarnação de Elias? Yes­hua foi discípulo de João Batista? Yeshua teve uma expe­riência mística durante o batismo?
Jesus, o divino mestre 169

Introdução. Como Yeshua reuniu seus apóstolos? Qual era a verdadeira missão de Yeshua? Os seus apóstolos conheci­am a sua missão? Yeshua queria ser rei desde o início? Que tipo de rei Yeshua queria ser? Qual era o cerne da mensa­gem de Yeshua? Yeshua realmente fazia milagres? Estava previsto para Yeshua morrer na cruz? Yeshua era um profeta escatológico e apocalíptico? Yeshua acreditava e fala­va em reencarnação? Yeshua falou que voltaria? Yeshua tinha rixas com o templo de Ierushalaim? Iehudá Iscario­tes era um traidor? Yeshua realmente morreu na cruz? Yeshua ressuscitou de fato? No que os apóstolos acredita­vam? Yeshua informou que enviaria um consolador? O que aconteceu com o corpo de Yeshua? A religião cristã fa­zia parte dos planos de Yeshua? Teremos um terrível apo­calipse na Terra? Era Yeshua, Orofiel renascido?

Teodicéia 249

Introdução. Deus não existe. Não é possível se afirmar so­bre a existência de Deus. Deus é uma força, uma energia, impessoal. Deus é o próprio universo. Deus é um ser pes­soal, distinto do universo. Deus é a causa eficiente do uni­verso? Quais são os atributos de Deus? De onde vem a matéria? O que dá forma à matéria? Deus cria tudo? Ou­tras características de Deus. Nota final do autor.


Nota do editor. 265
Prólogo
1 - Introdução

Eu venho de uma família de pessoas que gostam de es­crever. Meu avô, Albert Dahoui, escreveu alguns livros em francês, e também algumas peças de teatro. Foi ele que me passou a vontade de escrever. Outras pessoas da minha família também escreveram, como o meu pai, só que nunca publicou nenhuma obra, e meu tio-avô, Serge Dahoui, que conseguiu publicar vários romances na França. Estava, portanto, no san­gue a vontade de escrever.

Dois assuntos me instigavam bastante: a história univer­sal, especialmente os primórdios da civilização, e os capelinos, com os quais tomei contato através dos livros A caminho da luz e Os exilados de Capela. Que estranha história! O começo de uma civilização sempre me atraiu. Como começou? Quem come­çou? Como aconteceu? Foi por acaso que a civilização foi implantada ou foi intuído pelos espíritos superiores? As coisas mais simples nos parecem prosaicas, porém antes de terem sido inventadas ou descobertas, como aconteceram?

A partir desses dois fatos, resolvi escrever um romance. Sempre achei que uma aventura, pois não deixa de ser uma grande aventura a estadia humana na Terra, era bem mais apaixonante do que um tratado denso e, de certa forma, frio, sobre a história. Para completar o raciocínio, um fato que sem­pre me aguçou a curiosidade é o sofrimento humano. Por que sofremos? Por que existe esta violência, desde tempos imemo­riais? Não há outra forma de evolução? Não haveria um modo mais fraterno, bondoso e gentil de progresso? Por que somos achacados por doenças, pestes, crimes, desequilíbrios telúri­cos, além de uma outra infinidade de formas de sofrimento? O sofrimento faz parte da evolução? Será um corolário absoluta­mente necessário?

Há um sentimento bastante presente na cultura ociden­tal sobre o qual me pergunto muitas vezes se não teria origem na frustração sentida pelos exilados capelinos: é o que afirma que o processo de aprendizagem é sempre doloroso e lento. Como os capelinos, ao perderem a oportunidade de permane­cerem em seu planeta, foram mandados para este. Misto de prisão e escola, quem sabe não permaneceu em seu in­consciente que não há outra forma de aprendizagem que não seja pela dor.

Mas a aquisição do conhecimento, como elemento liber­tador, pode ser agradável, mesmo lúdica, e aí estão as moder­nas correntes da psicologia e da pedagogia a nos repetirem isso. Foi este o motivo que me levou a escrever a coleção A saga dos capelinos: apresentar de forma agradável e atraente o ex­purgo que ocorreu em Capela, e que ocorre continuamente e de forma natural em todo o universo, chamando a atenção para o processo por que passa a Terra, de transformação de mundo de expiações e provas em orbe de regeneração. Nada melhor neste sentido do que contar a saga dos capelinos em forma de romance. E lógico que isso me trouxe diversas difi­culdades, mas a excelente aceitação do público me comprova o acerto da escolha.

Um outro ponto que sempre me suscitou dúvidas, e algu­mas vezes, indignação, é o fim do mundo. Claro que um dia a Terra, assim como o próprio universo, há de chegar a um fim, mas o que sempre me deixou irritado era a forma como isso era colocado por alguns autores espiritualistas, e pelas próprias religiões. Afiançar que o mundo irá acabar em cataclismos terríveis, em fogo e enxofre, com luas negras, e outras formas apocalípticas, sempre me passou a idéia de que as religiões continuam exatamente iguais ao que eram há seis mil anos.

Tinha que escrever algo para mostrar as minhas idéias, não só sobre Deus, como também sobre a escatologia - fim dos tempos. Não é possível que os espíritos superiores façam tanto esforço para nos ajudar a evoluir, para tudo terminar de forma tão terrível como as religiões descrevem. Creio que esse fim dos tempos anunciado é o grande expurgo espiritual pelo qual já estamos passando, mas não precisa ser provocado por um cataclismo telúrico de imensas proporções, e nem por um morticínio tenebroso. Deste modo, resolvi escrever sobre o processo que eu acredito tenha acontecido em Capela, e que deverá ser similar na Terra.

Eu comecei a escrever o primeiro livro de A Saga dos Capelinos - A queda dos anjos - em julho de 1993. Durante alguns meses, eu lutei com os primeiros capítulos, sem bem saber como deveria começar a história. Em parte, ela estava em mi­nha mente, mas como nunca tinha escrito um romance, eu tinha certa dificuldade em iniciar o texto.

À medida que fui me dedicando a escrever sobre os capelinos, é que as idéias foram surgindo. Eu não esperei ter tudo na minha cabeça para começar a escrever, mas fui escrevendo à proporção que as coisas foram surgindo em minha mente.



2 - Algumas palavras sobre o autor

Nasci em abril de 1947 no Rio de Janeiro, filho de pai francês e mãe brasileira. Como meus pais se separaram quan­do eu era muito pequeno, fui criado, a partir dos quatro anos, pelos meus avós paternos, de origem francesa.

Como meu avô, Albert Dahoui, era diplomata, acabei conhecendo países exóticos como a China, Sri Lanka, Aden (Yemen do Sul, na península Arábica) além de alguns países europeus como a França, a Itália e a Inglaterra.

Após a morte de meu avô, voltei a morar com minha mãe, já com vinte anos, e meu padrasto, no Rio de Janeiro. Formei-me em ciências econômicas. Trabalhei em várias em­presas, nacionais e internacionais, sempre na área comercial onde adquiri razoável experiência de vendas e marketing. Fui consultor de empresas e dei alguns cursos na área comercial, onde fui dedicando-me a escrever apostilas para as aulas que ministrei. Com isto, minha vontade de escrever, que sempre tive desde pequeno, ampliou-se.

Durante um certo período de minha vida - dos dezenove aos vinte e dois - fui um materialista convicto. Era tão convicto de minhas afirmações que, hoje, já não sendo ateu, tomo um redobrado cuidado com minhas crenças. Se eu achava que es­tava certo, naquela época, e depois mudei, quem me assegura que eu não estou errado hoje, achando que estou certo, em mi­nhas afirmações? É preciso, portanto, um cuidado permanente para questionar todos os nossos conhecimentos e ter uma mentalidade aberta para tentar entender a realidade.

Para definir melhor o autor, devo dizer que sou um espiritualista que não se filiou a nenhuma corrente específica – até para não ser radical - mas, milito livremente numa ordem esotérica, no espiritismo, na umbanda e no candomblé, sendo bem-aceito por todos. Em termos políticos, sou um neoliberal com tendências socialistas, o que pode parecer um contra-senso, mas que apenas define minha posição hoje, em face de uma realidade atual. Vejo a necessidade de progresso material, nisto incluindo a educação e os investimentos sociais, como corolário indispensável à evolução espiritual. No entan­to, não acredito, para o atual estágio da evolução espiritual hu­mana, em utopias socialistas e comunistas, principalmente devido ao egoísmo humano.

Sou casado em terceiras núpcias, tenho quatro filhos, sendo que os dois mais velhos já me deram netos, e o mais novo, nascido em 1996, é um temporão, que me ajudou a reju­venescer. Vivo, atualmente, no Rio de Janeiro, e sou fran­co-brasileiro, mas brasileiríssimo de coração. Como sei disto? Torci pelo Brasil no final da copa de 1998. De qualquer modo, sou um dos poucos penta-campeões de futebol do mundo; quatro pelo Brasil e um pela França.

Espero que o leitor me ature com todos os meus defeitos e qualidades.


3 - Problemas de semântica

Um dos problemas que devemos resolver de início são os gerados pela semântica. Por exemplo, as palavras espírito e alma, em várias passagens, são usadas como sinônimos. No entanto, estas duas palavras têm significados muito diferentes, dependendo da filosofia que se aborde.

De forma simplista, para os espíritas kardecistas, o espírito é a alma em erraticidade, enquanto que a alma é o espírito encarnado. Para certos grupos esotéricos, a alma é a tríade superior, e para outros, é a tríade inferior. Como se pode ver, não há concordância. Como meu livro foi feito para entreter o leitor e não para tergiversar sobre semântica, eu uso a palavra 'espírito' e 'alma' com o mesmo significado, não importando se está ou não encarnada ou em erraticidade.

Outro ponto em que eu não quis me aprofundar muito são as definições de ordem espiritualista. Por exemplo, os es­píritas chamam o conjunto de vários corpos energéticos espi­rituais de 'periespírito', já os esotéricos definem cada corpo, mas até mesmo nessa área não há consenso. Alguns definem sete tipos de corpos e outros chegam a nove. Portanto, para não entrar numa seara conturbada, preferi usar, quando ne­cessário, palavras que todos podem entender e não ser muito sujeito a discussões acadêmicas estéreis.

Peço ao leitor que não se apegue muito a palavras e eventuais conceitos, pois a ciência - se é que podemos chamar assim - espiritualista ainda é uma terrível colcha de retalhos, sobre a qual ninguém pode ter certeza de nada. Mesmo quan­do espíritos sérios nos dão mensagens, temos que ter cuidado, já que o médium é falível, e, portanto, sujeito a erros.
4 - Houve influência espiritual na produção da Saga

Muitos leitores têm me perguntado se tenho recebido o romance de alguma forma mediúnica. A resposta é sim e não. Explico-me. O trabalho de escrever é meu e, portanto, sujeito a vários erros. No entanto, após escrever um determinado blo­co, começo a ficar inquieto, pois para mim o que eu escrevera estava certo, mas algo começava a 'buzinar' em minha cabeça, como a me dizer que estava errado. Até descobrir o que não estava certo, eu levava um certo tempo.

Neste período de pesquisa, vários livros e trechos 'pulavam' sobre mim. Claro que estou falando em sentido figurado, mas realmente alguém me emprestava um livro, ou eu comprava um livro que me dava a resposta, ou simplesmente eu pesquisava em outras fontes e descobria que estava 'laborando em erro'. Deste modo, eu voltava e consertava o que tinha sido escrito.

Foi um período de grandes surpresas, pois muitas vezes o fluxo de meu lado direito do cérebro (ou seria um guia a me intuir?) me levava a caminhos que eu não tinha sequer imagi­nado. No final, tudo dava certo, mesmo que haja e ainda possa existir uma certa imprecisão em alguns detalhes. Em cada nova edição, eu pretendo aprimorar as informações e aperfei­çoar a Saga. No entanto, o grosso das informações está correto desde a primeira edição. O que irei consertar são pequenos detalhes que não invalidam as edições anteriores.

No final deste livro há uma bibliografia a qual tive a oportunidade de ler e consultar, não só para fazer a coleção em foco, mas que também estudei no decorrer dos últimos trinta anos, e que muito me ajudou a formar minhas opiniões.
5 - O problema da violência

Muitos leitores se queixaram do nosso estilo um tanto violento para descrever cenas de crueldade extrema. Teria sido necessário? Na minha opinião tais cenas que, aliás, foram suavizadas ao extremo, têm um duplo aspecto. O primeiro é mostrar tempos terríveis, onde a crueza humana era pior do que as de hoje, mesmo não havendo a sofisticação de armas tão letais como as contemporâneas. Segundo, é alertar o leitor sobre aspectos nebulosos da nossa história. Eu me explico.

Quando lemos a história universal, as guerras nos são apresentadas de um modo 'pasteurizado', um tanto higiênico, como se ninguém tivesse morrido, ou se isto que aconteceu fosse um fato distante, quase acidental, onde números frios são citados. Isto traz uma falsa visão da realidade, como se a violência, a maldade, a crueldade e as ignomínias não estives­sem presentes. Quando eu descrevo, mesmo de forma bastan­te atenuada, a violência dos sumérios, dos povos de então e os crimes hediondos praticados na calada da noite, eu desmistifi­co esta forma 'higiênica' de apresentar a guerra.

Quando um livro diz que os sumérios atacaram e tomaram tal cidade, nos parece algo de distante e tranqüilo, mas quando eu descrevo a cena, mostrando cabeças degoladas, braços arrancados, olhos vazados e mortes horrendas, eu pres­to um serviço ao leitor: conscientizar para o horror da guerra e dos atos tenebrosos praticados pelos seres humanos, para que nós não venhamos jamais a cometer algo semelhante. Espero que aqueles que tenham ficado horrorizados com as cenas de violência me perdoem a crueza das palavras, mas posso lhes afiançar que são pálidos reflexos da verdadeira violência de que é capaz o ser humano.


Capítulo 1

A Queda dos Anjos
1.1 - Introdução

Sem dúvida, A queda dos anjos foi o mais difícil livro a ser escrito, pois, inicialmente, eu me guiei pelas informações da­das pelos livros existentes. O primeiro foi A caminho da luz de Emmanuel, psicografado por Chico Xavier, e o segundo foi Os exilados de Capela de Edgard Armond. No entanto, havia discrepâncias irreconciliáveis entre os dois e, mais do que isto, as pesquisas da ciência oficial - históricas, paleontológicas e arqueológicas - não favoreciam a versão de Edgard Armond. Longe de mim criticar a obra do emérito Dr. Armond, mas en­tre o que a ciência oficial e a ciência oculta me falam, eu ainda prefiro ficar com a ciência oficial.

Acho que a metodologia da ciência oficial nos oferece um pouco mais de informações seguras, mesmo que ela não seja perfeita, do que muitos livros da ciência oculta. Há, infe­lizmente, neste campo, uma série de trabalhos que se basea­ram em pura especulação imaginativa, e que não encontram respaldo na realidade.

Neste primeiro livro da coleção, dois fatos basicamente me incomodavam; o primeiro era a localização no tempo para a chegada dos capelinos; e o segundo era a localização precisa da mítica Atlântida. Para melhor entendimento dos dois pon­tos, sugiro que o leitor me acompanhe no meu raciocínio, e tire suas próprias conclusões.




1.2 - Atlântida, mito ou recordação de vidas passadas?

O primeiro relato que se conhece sobre a Atlântida foi fei­ta por Platão (428-348 a.C.) em sua obra Timeu e Crítias, escrita quando ele tinha por volta dos setenta anos. Antes disto, Platão tinha escrito sua obra prima A República, onde o principal prota­gonista era Sócrates, seu antigo mestre que, com outros perso­nagens, conversava sobre a filosofia ideal de governo. Platão tentou sem êxito implantar tal sistema junto ao soberano de Si­racusa, na atual Sicília.

Os estudiosos mais célicos acreditam que Platão escreveu uma história de ficção para dar apoio às suas próprias idéias, expressas em A república, mas apenas à guisa de informação para os leitores que não tiveram a oportunidade de ler Timeu e Crítias, daremos um resumo desta obra inacabada de Platão.

Timeu, que também participou como personagem de A República era um astrônomo, e como tal tratava do mundo natural e de suas origens. Era, portanto, a visão de Platão sobre o universo físico. Crítias aparece como outro personagem que comenta as assertivas de Timeu, e afirma que conhece um lugar onde o sistema de governo proposto pelo livro A República foi implantado com sucesso. Crítias, personagem fictício do livro, conta que Sólon, um estadista grego, ouvira falar de tal lugar há cerca de um século e meio antes, quando estivera em Saís, no Egito, através de um sacerdote egípcio, e que tal história fora transmitida oralmente por parentes.

Abrindo um parêntese dentro da história, devemos ser extremamente céticos em relação a esta história. Mesmo sen­do espiritualistas, devemos ser extremamente críticos quanto às coisas que nos contam. Pode-se depurar desde o início que Timeu e Crítias é fundamentalmente a defesa do livrou república, por parte de Platão. Esta história deve ser lida com extremo cuidado, pois Platão nos conta uma lenda transmitida oral­mente, portanto, que deve ter sofrido interpolações, acréscimos e exageros naturais de todo aquele que nos conta um conto. Mas, afinal o que ele nos diz?

De acordo com o sacerdote egípcio, Atlântida era um lu­gar situado além das colunas de Hércules (atual estreito de Gibraltar, que separa a África da Europa), sendo uma ilha maior do que a África e a Ásia Menor (atual Turquia) juntas. Nesse continente-ilha surgira 'uma grande e extraordinária potên­cia' que iria ampliar sua influência sobre o mediterrâneo até a Itália central e o Egito.

Durante uma parte da narrativa, Crítias expõe como era formado o governo de Atlântida com seus dez reinados, divididos pelo deus Poseidon.

Os arrogantes atlantes estavam procurando dominar o mundo e foram derrotados, numa grande batalha, pelos guerrei­ros atenienses, que libertaram todas as cidades à leste do estreito de Gibraltar. O sacerdote egípcio localizou estes fatos há cerca de nove mil anos antes de Cristo.

Logo após esta vitória retumbante, houve terríveis ter­remotos e inundações que provocaram o afundamento de todo o continente atlante, assim como da própria Atenas, que perdeu todo o registro de tal fato. Aliás, sem querer ser cáustico, esta destruição foi providencial, pois acabou com os indícios, tanto de um lado como do outro. Tudo fica bastante claro se olharmos apenas como uma história de ficção onde Platão in­venta um continente para confirmar as idéias de um governo perfeito expostas na A república, mas o que levou esta lenda a ser incluída nos anais da ciência oculta?

A bela história de Atlântida conservou-se no imaginário popular. Muito antigamente, poucos sabiam ler e escrever, portanto os textos de Platão eram reservados a uma elite religiosa católica, que não tinha maiores interesses em divulgar esta lenda, pois conflitava com a criação do mundo. Para os católicos, assim como os judeus, a grande criação divina havia acontecido há quase seis mil anos. Portanto, uma lenda que falava sobre a Atlântida em épocas anteriores só podia ser uma mistificação. No entanto, à medida que a invenção de Gutemberg ampliou as possibilidades de leitura e os livros começaram a ser publicados em série, a história de Platão voltou a ser mencionada.

Com o descobrimento do Novo Mundo, um espanhol, Francisco Lopez de Comera, foi um dos primeiros a tornar a América um candidato natural para ser o local da antiga Atlântida. Depois disso, em 1553, sir Francis Bacon escreveu um livro denominado A nova Atlântida, que não passava de um romance de utopia. Mais tarde, em 1882, o americano Ignatius Loyola Donnely lançou um livro chamado Atlântida, onde ele detalhava tudo o que havia acontecido no suposto continente, encontrando explicações muito variadas para vários fatos arqueológicos e botânicos. Para ele, como para muitos, os sobreviventes de Atlântida haviam migrado para a Grã-Bre­tanha, o antigo Egito e a Meso-américa.

Seu livro encontrou um público ávido de novidades e tornou-se um sucesso marcante, especialmente porque estava acontecendo uma enorme onda de ressurgimento do espiritu­alismo no mundo inteiro. Médiuns e videntes proliferavam, cada um com efeitos físicos mais fabulosos do que os outros, mesmo que muitos usassem de fraudes e artifícios enganosos para convencer suas crédulas platéias. De qualquer forma, tanto na Europa como nas Américas, o espiritualismo, seja es­pírita de Alan Kardec, seja a teosofia de Helena Blavatsky, es­tava em plena ascensão.

Helena Petrovna Hahn tornou-se Helena Blavatsky após casar com Nikifor Blavatsky, num casamento arranjado pela família, que durou pouco devido à diferença de idade en­tre os dois. Esta impressionante figura, em 1888, lançou sua Doutrina secreta com dez volumes, cada um com cerca de mil e quinhentas páginas. Ela viria a dar não só impulso à idéia de Atlântida como também à do continente perdido da Lemúria, pretensamente situado no oceano Índico e à do continente perdido de Mu, uma invenção do francês Charles-Etiene Bras­seur de Bourbourg datada dos anos de 1860/70.

Outro pensador que viria a confirmar os continentes desaparecidos seria Rudolf Steiner, fundador da Sociedade Antroposófica, um ex-adepto da teosofia de Blavatsky. Edgard Cayce, o profeta sonâmbulo americano do século XX, também viu cenas vívidas de Atlântida, com sua magnífica civilização, seu extraordinário avanço tecnológico, com aviões voando para todos os locais e dominando a Terra.

No século XX, com a aceleração da emergência espiritu­al por que uma enorme camada da população terrestre está passando, as histórias de Atlântida, Lemúria e Mu passaram a fazer parte integrante da ciência oculta. Até mesmo o sisudo espiritismo kardecista aceita a existência de Atlântida como se pode ver no livro A caminho da luz de Emmanuel. A imensa ma­ioria das escolas iniciáticas ocidentais aceitam estes continentes-ilhas como fato verdadeiro, incontestável. No entanto, uma análise mais séria nos mostra alguns problemas de ordem natural e lógica que nos leva a acreditar que nada disto seja real. Portanto, tenho sérias dúvidas quanto à afirmação do grande mestre Emmanuel quando cita que os capelinos come­çaram a renascer no planalto do Pamir e se dirigiram para a distante Atlântida. Nem preciso dizer que discordo totalmente do emérito Edgard Armond que os situa nascendo na Atlântida no final da terceira raça-mãe. Quanta ousadia de minha parte!

O leitor provavelmente já está furioso comigo, mas já que chegou até aqui, me dê mais alguns momentos de sua atenção, pois a conclusão poderá lhe ser interessante. De qual­quer modo, eu o farei pensar e refletir sobre este tema tão apaixonante.

Edgard Cayce, assim como outros videntes, nos afirma que a Atlântida se destruiu em duas ou três etapas. A primeira há cerca de 50.000 a.C., quando grande parte afundou, mas mesmo assim restaram grandes porções de terra. A segunda há cerca de 28.000 a.C., quando quase tudo foi engolfado pelas águas, e finalmente, há cerca de 10.000 a.C., quando o restante da pequena Atlântida desapareceu por completo.

Nós, que acreditamos na sobrevivência do espírito e na pluralidade de existências através do processo de reencarna­ção, devemos nos esforçar ao máximo para sermos lógicos e coerentes. Temos por obrigação questionar tudo e tirar ilações profundas de todas as coisas. Não podemos aceitar como fato qualquer coisa que queiram nos impingir, venha de quem vier, seja de um espírito que se manifeste através de um médium, seja através de um autor, e esta regra se aplica também às mi­nhas palavras e raciocínios. Eu faço este intróito, pois temos que analisar com grande seriedade qualquer assunto, por mais absurdo que possa parecer no início.

Tudo isto que eu acabo de mencionar é para preparar o espírito do leitor para outras formas de raciocínio. Ou seja, se os atlantes tinham uma tecnologia tão avançada e deram ori­gens aos egípcios e povos da Meso-américa, por que esta tecno­logia não sobreviveu? Na realidade, todos temos um fascínio pelos egípcios e pelos mesoamericanos, pelas suas magníficas construções, mas eles eram uma sociedade neolítica. Apenas para se ter idéia, os egípcios antigos não dominavam o ferro, suas facas eram de ossos, suas flechas não tinham sequer ponta de metal, seus arcos eram primitivos e não arremessavam flechas, a mais de trinta metros, com precisão. Seus barcos eram feitos de papiros e, mesmo sendo bonitos, não tinham grande capacidade de carga, pois eles não conseguiam fazer grandes naus. Onde foi parar a fabulosa tecnologia atlante?

A resposta mais óbvia é que os atlantes se degradaram e perderam esta tecnologia, só permanecendo com alguns dos seus conhecimentos, tais como astrologia e construção civil. No entanto, uma sociedade avançada tem absoluta necessida­de de energia e nenhuma das sociedades antigas dominava a energia elétrica, nem qualquer outra forma, a não ser a ener­gia dos escravos.

Imaginem que um grande cataclismo atingisse a Terra nos dias atuais. Digamos que houvesse a destruição de noventa por cento da população mundial. Mesmo assim cerca de seis­centos milhões de pessoas sobreviveriam. No meio destas pes­soas teríamos cientistas, médicos, engenheiros, políticos, assim como gente simples e ignorante. Não é crível que toda a tecnolo­gia amealhada desaparecesse da noite para o dia e voltássemos para os primórdios da civilização. O mais natural é que os sobreviventes tentassem manter um certo nível de conforto, e até mesmo usando seus atuais conhecimentos, para melhorar o estado geral dos remanescentes. A única possibilidade de se perder tudo o que temos, seria uma morte seletiva, ou seja, só iriam sobreviver os índios da Amazônia, os nativos das aldeias africanas pobres e ignorantes ou tribos ainda primitivas.

Imaginar, no entanto, uma sobrevivência seletiva para o pior seria imputar a alguma força sobrenatural o desejo de exterminar a raça humana. Os pessimistas poderiam até imaginar tal coisa, mas não há lógica em pensar que Deus, ou qualquer outra força espiritual que governa a Terra e o cosmo, queira a destruição de nossa atual tecnologia, pois se existem alguns aspectos negativos - armas e arsenais atômicos - tam­bém existe um número infinitamente maior de benesses. Não é à toa que a população mundial cresceu, pois a média de vida, em relação aos tempos egípcios e mesoamericanos, dobrou. As doenças endêmicas foram quase todas erradicadas permitindo que a taxa de mortalidade infantil caísse a números toleráveis, assim como aumentou a produção de alimentos, houve me­lhoria da higiene, e um sem-número de outras benesses tecno­lógicas. Não estou afirmando que se trata de um mundo perfeito, mas sem dúvida é um mundo muito melhor do que era há quatro mil anos atrás.

Muitos poderão discordar dizendo que no passado as coisas eram melhores, mas posso lhes afirmar que se trata de uma atitude saudosista que não encontra eco na realidade. Hoje, se você quer falar com seu parente que está a quilômetros de distância, você consegue através de meios instantâneos de telecomunicações, ou pode lhe mandar uma carta que chegará no outro dia ou nos próximos dias, além de outros meios como e-mails. Você tem a oportunidade de, ao ligar a televisão, ou abrir o jornal, saber tudo o que acontece no mundo inteiro, quase instantaneamente. No passado, provavelmente se você não fosse da elite dominante, nem sequer saberia ler e escrever, quanto mais mandar uma carta, que demoraria meses a chegar. Isto apenas para falar de algumas poucas coisas. É praticamente interminável a lista das melhorias da civilização comparando-se com os rudes tempos de antigamente.

O ponto principal de minha argumentação é que qualquer país que dominasse a tecnologia que os atlantes tinham teria dominado a Terra e deixado vestígios indeléveis que te­riam chegado até nós. Muitos podem dizer que a destruição foi completa e que atingiu todos, mas mesmo assim não impe­de que os arrogantes atlantes, como Platão bem os classifica, fossem conquistadores e tentassem tomar pela força todo o Mediterrâneo. Ora, não é crível que um país que tivesse aviões e cristais energéticos poderosos ainda assim lutassem com arco e flecha, pois os atenienses não tinham nenhuma outra arma a não ser seus escudos, suas lanças, suas espadas e os ar­cos e flechas. Imaginem um exército de dez mil atenienses, o que era para a época um número considerável, lutando contra um exército moderno, com aviões a jato, metralhadoras, mís­seis de precisão cirúrgica e helicópteros. Não haveria a menor possibilidade de vitória por parte desses atenienses.

Muitos podem dizer que a história demonstra que as sociedades chegam a um ápice e depois entram em colapso, decaindo a níveis bem baixos. Isto também pode ter aconteci­do com os atlantes. Concordo quanto a este ponto de vista, mas lembro que uma sociedade pode entrar em colapso, mas de modo geral suas invenções e sua tecnologia permanecem. No seu lugar, irá aparecer outra organização mais forte ou ex­terna que irá dominá-los e até mesmo trazer nova tecnologia, aproveitando a existente. Será que os atlantes, com tamanha tecnologia, não foram capazes de difundi-la pelo mundo? Os egípcios, pretensos descendentes dos atlantes, tinham uma aparente fabulosa tecnologia de construção de pirâmides, no entanto, hoje, sabe-se que esta tecnologia não era nada de so­brenatural, baseando-se em máquinas-ferramentas simples, mesmo que muito engenhosas. Nada parecido com os guin­dastes poderosos que temos hoje, nem com a avançada tecnologia de construção que o século XX viu surgir, e que os séculos vindouros hão de aprimorar, transformando os pro­cessos do século XX em algo de arcaico e sobrepujado.

Existem, hoje, quatro teorias para a localização da Atlântida. No passado, a localização da Atlântida chegou a ter mais de vinte e três locais prováveis. Como se pode ver, há grandes divergências em torno do assunto. As quatro localiza­ções mais aceitas atualmente são:

1 - Uma ilha-continente no meio do oceano Atlântico, mais especificamente no Atlântico Norte.

2 - A atual Groelândia.

3 - Os baixios da costa ocidental do Schleswig-Holstein, na Alemanha do Norte, perto da Dinamarca.

4 - A ilha de Creta.

Vamos examinar cada uma dessas possibilidades para nos assegurarmos do que de mais realista pode existir.

A idéia mais difundida, a da ilha-continente no meio do oceano Atlântico, não resiste à análise da ciência oficial. As movimentações das placas tectônicas que afastam as Américas da Eurásia demonstram não haver lugar para tal continente. A cordilheira submersa não é o continente atlante que submer­giu, e sim, aparece, devido às movimentações das placas tectônicas. O avanço da geologia moderna, com sua capacidade de medir as vibrações provocadas pelos terremotos, nos diz que a largura da crosta terrestre nos lugares secos, os continentes, é de trinta quilômetros, enquanto que no leito dos oceanos é de apenas sete quilômetros, impossibilitando a existência de grandes massas submersas.

O segundo lugar, a Groelândia, é uma possibilidade muito interessante, mas contraria a destruição completa e total da Atlântida. Em passado recente, a Groelândia foi habitada por povos escandinavos e eles não encontraram vestígios de uma grande civilização. Infelizmente, a Groelândia, terras verdes, foi coberta por uma grossa camada de gelo e hoje não pode ser devidamente pesquisada. No entanto, tudo parece indicar que esta camada é recente, senão os escandinavos que lá chegaram não teriam dado o nome de terras verdes, a não ser que fossem profundamente irônicos e tivessem dado o nome como uma pilhéria. No entanto, se assim fosse, ou seja, uma terra completamente branca de gelo, eles não teriam fin­cado terra e criado raízes naquele lugar. O que se sabe é que a colônia escandinava não sobreviveu, pois, provavelmente, uma mudança da temperatura trouxe a glaciação para aquelas partes e os eliminou, ou os obrigou a uma rápida partida. Temos que eliminar a possibilidade de Atlântida ter sido na Groelândia, por duas razões: ela não afundou, o que contraria as hipóteses da lenda, e segundo, porque tudo indica que ela era um lugar que poderia fornecer vida até há pelo menos cinco séculos atrás.

A hipótese de que a Atlântida fosse na Alemanha foi formulada durante o período do nazismo, onde, por razões políticas e doutrinárias, os alemães desejavam demonstrar a superioridade da raça ariana. Ela se baseia no fato de que os dórios eram de origem indo-européia, mais especificamente indo-germânica, e que eles teriam abandonado a Heligolândia após um cataclismo, tendo descido em direção à atual Gré­cia e a tomado dos micênios. Até aí tudo se encaixa, mas os dórios não tinham tecnologia especial, sendo apenas um povo aguerrido que enfrentou os micênios quando estes estavam em final de carreira. Deste modo, não podemos aceitar tal teo­ria, não porque tenha sido formulada pelos nazistas como arma de propaganda, mas porque não há evidências de uma sociedade fabulosa construída pelos dórios, portanto, não po­deriam ser descendentes dos míticos atlantes.

A última possibilidade é a que mais me atrai. A ilha de Creta desenvolveu uma sociedade forte e pujante que, efeti­vamente, durante cerca de mil anos, dominou ou tentou do­minar o comércio no Mediterrâneo, antes mesmo dos fenícios. Há histórias bem realistas de que eles mantinham comércio com os egípcios, que os respeitavam muito e os cha­mavam de Keftiu, assim como de lutas eventuais contra cida­des gregas, tanto de micênios como dos antigos dórios já estabelecidos na Grécia.

Era, no entanto, uma civilização compatível com sua épo­ca. Construíram grandes palácios e o rei Minos foi o monarca que inspirou as lendas do Minotauro e, por causa dele, esta civi­lização, que só agora começa a ser descoberta, é chamada de minóica. Não tinham uma tecnologia capaz de construir aviões, não tinham eletricidade, nem dominavam o átomo, assim como a tecnologia de cristais poderosos não foi encontrada em nenhum lugar do mundo. Eram apenas uma civilização neolítica capaz de articular adequadamente seus recursos.

Sabemos que eles construíram várias cidades na atual Turquia, em todo o mar Egeu, e que influenciaram enorme­mente os micênios. Suas cidades, nas costas turcas, eram admi­nistradas por pessoas enviadas de Creta, e mantinham um estreito comércio e sistema de defesas contra as hordas bárba­ras. A famosa cidade de Tróia foi uma dessas colônias minóicas que, após a destruição de Creta, tornou-se uma potência, sendo destruída pelos famosos povos do mar, também chamados aqueus. Tudo parece indicar que os etruscos foram troia­nos que saíram a tempo e constituíram uma forte civilização ma península itálica, que veio a influenciar enormemente os latinos, dos quais saiu a cidade de Roma.

Creta foi destruída por uma série de terremotos e de explosões violentas do vulcão Tera, que criou vagalhões de sessenta metros de altura, de acordo com os cálculos dos cientistas que analisaram a violência da explosão vulcânica nas cinzas remanes­centes da ilha onde está o citado vulcão.

Por outro lado, um sismólogo grego, A. G. Galanopoulos, que estudou detidamente este fenômeno, também formu­lou uma teoria bastante plausível. Tanto os gregos como os egípcios tinham um sistema decimal que, na tradução do egíp­cio para o grego, pode ter tido uma má interpretação. Platão citava que os fatos haviam acontecido há nove mil anos, mas, se tirassem um zero, cairia para novecentos anos e coincidiria com a destruição de Creta pela explosão do vulcão Tera. Por outro lado, Platão afirma que a capital de Atlântida tinha quatrocentos e oitenta quilômetros de extensão, o que seria maior do que qualquer cidade atual ou do passado. Se fosse apenas quarenta e oito quilômetros já seria mais palatável, mesmo assim seria uma megalópole de proporções incompa­tíveis com o passado.

Se analisarmos que uma cidade normal pode ter uma densidade populacional de quinhentas pessoas por quilôme­tro quadrado, uma cidade que tivesse quatrocentos e oitenta quilômetros de extensão por, digamos, duzentos quilômetros de largura, teria uma população de quarenta e oito milhões de habitantes. Um país com tal capital provavelmente teria quatrocentos e oitenta milhões de pessoas. Ora, os estudos mais apurados daquela época mostram que a população mundial era de 100 milhões de pessoas. Deste modo, se a Atlântida ti­vesse aquela população e o domínio da tecnologia que dizem que tinha, ela teria dominado o mundo em dois tempos. Ape­nas à guisa de informação, os Estados Unidos, em 2000, têm cerca de trezentos e cinqüenta milhões de pessoas. Pode-se ver que há um imenso exagero em relação aos números. Portanto, a possibilidade de Galanopoulos é bem viável.

Por outro lado, Creta está no meio do Mediterrâneo e não no Atlântico, o que em parte inviabiliza a teoria, mas é preciso dizer que os egípcios não eram navegadores. Somente com a rainha Hatshepsut, que governou o Egito de 1505 a 1484 a.C., é que os egípcios fizeram uma excursão naval à terra do Punt (Etiópia?), e mesmo assim margeando a terra. Não foram até Creta para saber sua localização e seu tamanho, portanto os cretenses bem podiam ter mentido, exagerado ou disfarçado a localização para que os egípcios não tivessem más idéias em tentar dominá-los. Ou por outra razão mais prosaica, como va­idade ou orgulho, pois quando se fala de sua terra, ninguém irá denegri-la ou diminuí-la, e a tendência do ser humano é aumentá-la, exagerando suas dimensões e suas populações. Não se esqueçam de que, naqueles idos tempos, poucos eram os que sabiam ler e escrever, assim como contar e fazer cálcu­los precisos. O tempo passado era de difícil medição, já que não havia calendários e nem história escrita e comparada. Os próprios egípcios mediam o tempo de sua história através do calendário de seus reis. Por exemplo, o ano de tal evento acon­teceu no segundo do faraó Fulano de tal, ou o quinto do faraó tal e qual, tornando extremamente difícil precisar quando acontecera algum fato, exigindo dos historiadores um traba­lho de pesquisa bastante demorado e trabalhoso. Não era um calendário como o nosso onde nós podemos dizer que no ano de 1945 d.C. terminou a segunda guerra mundial. Usando aquele sistema, teríamos que dizer que era o oitavo ano do faraó 'X', que sucedeu o faraó 'Y', que reinou por doze anos, e assim por diante. Para localizar uma data no passado teríamos que relacionar todos os faraós e a duração de seus reinados, o que não era simples. Portanto, dizer que foi há mil ou dez mil anos atrás era irrelevante para quem não sabia contar além de seus dedos.
Provavelmente, o leitor está completamente zangado comigo. Então todos aqueles sonhos, ou visões de Atlântida que o leitor teve, não passam de mera imaginação? Nada disto aconteceu? Não foi isto que eu disse. O que acredito é que Atlântida, a terra da grande civilização de alta tecnologia, não aconteceu na Terra. (Diga-se de passagem, que isto é mera opi­nião e que eu não terei nenhuma vergonha de me retratar se a ciência oficial constatar que houve uma civilização fabulosa aqui na Terra há alguns milênios atrás.) Mas então de onde vêm estas visões?

Creio que há pessoas que têm visões verdadeiras, tanto acordadas como em sonhos, de um planeta altamente evoluí­do tecnologicamente. Acredito que há alguns que sonhem com lugares em que gostariam de estar, mas que só existe em suas mentes, mas há aqueles que tiveram experiências reais de regressão a vidas passadas e que podem ter se visto como pro­venientes de lugares reais, que de fato existem, provavelmente em outro planeta.

Capela ou outros sistemas solares podem ter proporcionado imensos contingentes de espíritos que renasceram ou ainda renascem na Terra. Se analisarmos detidamente a ques­tão, teremos que concluir que, espiritualmente falando, todos somos extraterrestres. Isto se explica pelo fato de que nossa evolução espiritual, desde os primórdios, ou seja, das fases mais elementares como energia, passando por fases minerais, vegetais, animais, humanas inferiores (do tipo australopite­cus e homo-habilis), com quase toda a certeza, aconteceu em diversos planetas. Apenas à guisa de exemplo, cada planeta, numa determinada época de sua evolução, é como um educandário. Alguns se especializam em ser uma creche, outros, além da creche, têm o jardim de infância, e assim por diante. Deste modo, até atingirmos a fase humana média que nos ca­racteriza, passamos por vários educandários.

Os alunos que demonstraram uma completa incompatibilidade com determinada escola, podem ser expulsos, tanto de forma individual, como de forma coletiva, junto com outros incompatíveis, para outros tipos de reformatórios. No caso dos capelinos, eles vieram para o reformatório chamado Ter­ra. No entanto, gostaria de alertar o leitor de que esta analogia é falha e não deve ser levada ao pé da letra, pois, se a Terra era, para os capelinos, um reformatório, para os espíritos da fase humana média inferior que já estavam aqui, quando da chegada dos capelinos, o nosso planeta era apenas um educandário normal, do tipo primário.

Na minha série A saga dos Capelinos, eu situo a mítica Atlântida como o planeta de onde vieram os capelinos. Até onde vai a imaginação do autor e a realidade? Para ser com­pletamente honesto com o leitor, eu não sei se Atlântida foi em Capela ou em outro sistema solar, mas acredito que é mais ló­gico acreditar que as reminiscências, as visões e as intuições fortes que muitos já tiveram de Atlântida sejam recordações de vidas passadas em planetas distantes do que na Terra, onde não se encontram evidências da Atlântida. Pessoalmente nun­ca tive visões de existências passadas e se acredito nestas coisas é pelo bom-senso e lógica que apresentam. Não acredito que seja capelino, como alguns leitores acham que sou, mas a visão que tenho de Ahtilantê, nome que dei ao planeta, é mais base­ada, seja na intuição que algum espírito me passou, ou pura especulação imaginativa. Como saber? No decorrer do traba­lho darei algumas 'dicas' de como concluí pelo tamanho dos atlantes, suas cores de pele e seu processo evolutivo. Um pou­co mais de paciência.

Para encerrar este tópico, a Atlântida mítica é o planeta do sistema solar Capela de onde vieram degredados os capelinos. As visões, as intuições e os sonhos de muitos leitores podem ter origem em Capela, ou em outro planeta similar.


1.3 - A época e a localização dos primeiros capelinos

O espírito Emmanuel, em seu livro A caminho da luz, é muito impreciso em relação à época em que os primeiros ca­pelinos chegaram. Ele só nos diz que, naqueles tempos, a índia e a China já estavam altamente desenvolvidas. Neste ponto surgem dúvidas cruciais, pois a ciência oficial através de extensas pesquisas arqueológicas situa o início da civilização chinesa por volta de 2800 a.C., aproximadamente no mesmo tempo em que a civilização de Mojenho Daro e Harapa, no vale do rio Indo. Podemos até mesmo vislumbrar um início ainda rudimentar por volta de 3200 a.C., mas antes deste pe­ríodo o que se encontra são aldeias primitivas, aglomerações mínimas (de no máximo duas mil pessoas), onde a agricultura era de subsistência, a existência dura e a média de vida curta (em torno dos trinta anos). Edgard Armond nos fala de uma civilização chinesa que remonta a cem mil anos, mas não há comprovação e nem vestígios de tal civilização. Encontramos, sim, seres humanos vivendo neste período, mas em estado pri­mitivo, do tipo pedra lascada, o que definitivamente não ca­racteriza civilização.

Emmanuel nos fala que, quando os capelinos chegaram, os chineses já contavam com uma organização regular. Neste caso, temos que imaginar que os capelinos chegaram entre 3200 e 2800 a.C. Por outro lado, ele também menciona que os obreiros espirituais estavam ainda fazendo os últimos acertos na genética do que viriam a ser os homens modernos. Ora, nós todos somos homo sapiens sapiens, ou seja cro-magnons. Neste caso, as evidências apontam para qualquer data entre 50.000 a.C. e 20.000 a.C., quando aos poucos os cro-magnons (homo sa­piens sapiens) foram suplantando os neanderthais (homo sapiens).

Edgard Armond nos fala que os capelinos começaram a reencarnar na terceira raça-mãe, também chamada de lemurianos. Ora, de acordo com Edgard Armond, esta raça teria sido extinta há cerca de 700.000 anos, num imenso cataclismo. Em outra parte do livro, o Dr. Armond nos diz que os capelinos des­ceram na quarta raça-mãe, exatamente na Atlântida. Pessoal­mente fiquei confuso com estas observações e elas me levaram a pesquisar mais a fundo tais assertivas. Eu recebi inúmeras intui­ções para melhor averiguar tais fatos.

Se nos basearmos em Emmanuel, os capelinos começaram a reencarnar no planalto do Pamir e se espalharam, pas­sando pela Pérsia, Suméria (ele cita como Caldéia), Palestina e Egito, indo em direção a Atlântida, "do qual várias regiões da América guardam vestígios". Neste caso, temos uma situação complicada. Primeiro, porque os homo sapiens sapiens acaba­ram fixando seu atual estado genético por volta de vinte mil anos atrás. As áreas descritas - Pérsia, Caldéia, Palestina, Egito - receberam populações extremamente variadas, diferentes do tipo indo-ariano citado tanto por Edgard Armond tanto como por Emmanuel. Podemos até aceitar que os indo-arianos, tam­bém chamados de indo-europeus, ou caucasianos, foram encontrando populações locais e se misturando. Neste caso, este processo já seria mais recente.

No planalto do Irã, chamado de Pérsia por Emmanuel, há indícios de uma revolução neolítica entre 8.000 a.C. e 6.000 a.C. Deste modo, ficaríamos com estas datas, pois seria o pe­ríodo em que as hordas de capelinos teriam alcançado estes lu­gares e como bem diz Edgard Armond: "e por todos estes lugares foram estabelecendo bases avançadas de novas civili­zações e novas raças humanas".

Mas, mais uma vez, existem elementos contraditórios. Os antigos egípcios, de acordo com as lendas, seriam fruto dos refugiados de Atlântida quando da segunda ou terceira des­truição (por volta de 28.000 ou 10.000), mas, de acordo com Emmanuel, os capelinos passam primeiro no Egito para de­pois irem para a Atlântida, a qual ele situa provavelmente na Meso-américa e nos Andes.

Temos duas hipóteses. Na primeira, eles passam por volta de 60.000 anos pelo Egito e vão de barco para a Atlânti­da, fundando um grande império, seja onde for (no meio do Atlântico ou na Meso-américa, tanto faz). A segunda é que eles teriam participado da última fase de Atlântida, por volta de 10.000 a.C. e fugido para o Egito. De qualquer forma, as fon­tes esotéricas e espirituais não batem com a ciência oficial.

A ciência oficial nos diz que os povos brancos - indo-europeus - começaram a se movimentar de seu provável lugar de origem, no Cáucaso- atual Chechênia - para a Ásia Menor - atual Turquia - por volta de 6.000 a.C., (alguns men­cionam 8.000 a.C.) indo de lá em movimentos migratórios lentos para a Europa. Por volta de 4.000 a.C., alguns grupos de indo-europeus se deslocaram para o Oriente. Portanto, os grupos de homens brancos só iriam alcançar o Egito por volta de 1750 a.C.

A ciência oficial nos diz que os egípcios foram formados por negros (marrons) hamitas provenientes do norte da África (atual Marrocos, Argélia e Tunísia) e grupos menores de negros (bem pretos) da África Setentrional, chegados entre 6.000 e 5.000 a.C. No entanto, a civilização egípcia começa a despontar por volta de 3.600 a.C. e só se cristaliza com o primeiro faraó em 3.000 a.C.

Consegui confundir o leitor? Imagine como eu fiquei en­tão tentando desvendar e conciliar os conhecimentos científicos e os esotéricos. Foi neste ponto que resolvi abandonar estas in­formações desencontradas e concluí alguns pontos importantes:

1 - A Atlântida nunca existiu na Terra, pelos motivos já expostos, e sim, em Capela.

2 - Os capelinos não reencarnaram somente na raça branca, mas sim em vários pontos do globo, entre várias raças, pois no passado as raças negras (egípcia e dravídicas) e outras mesclas (semitas, mongóis - chineses - e sumérios) foram mui­to mais importantes do que os arianos e celtas. A raça branca só iria impor sua dominação alguns séculos mais tarde, com os gregos, os romanos, os citas, os hititas e outros.

3 - Os capelinos, pelo fato de serem espíritos expurgados de um mundo mais evoluído, espiritualmente e tecnologica­mente, ao renascerem iriam impor um avanço tecnológico mais acentuado. Os capelinos, pelas suas características negativas, e foi por isso que foram expurgados, iriam também impor um re­gime de força, coerção e dominação sobre os espíritos terrestres menos evoluídos.

4 - Os capelinos ao renascerem iriam ter características muito similares, não importando em que raça, sociedade e época isto acontecesse. Eles teriam a tendência de reproduzi­rem as suas deturpadas lembranças de Capela, gerando lendas que os distinguissem dos demais, assim como tentariam por todos os meios reproduzir fisicamente seu mundo de origem.

Em que me baseio para concluir isto? Levei em conta dois fatores: o primeiro é que o renascimento impede a lem­brança total, mas deixa reminiscências muito fortes, especial­mente em alguém que sofreu um expurgo que só pode ter sido doloroso. Segundo é que estas reminiscências, ao aflorarem, seja através de sonhos de regressão de memória, seja através de visões, seja através de intuições, os levariam a reproduzi­rem um mundo melhor do que a primitiva Terra, e o único mundo que eles conheciam era Capela. No entanto, eles não teriam as condições de reproduzir completamente a estrutura de seu planeta, pois faltaria conhecimento e base tecnológica. Não é porque eu conheço o mecanismo de um carro que, se eu for exilado numa ilha deserta, terei a capacidade de construir um veículo, mas poderei construir uma casa melhor do que os indígenas locais, assim como tentarei moldá-los a uma nova cultura, mais próxima da minha.

A partir destas premissas comecei a estudar a história, ou melhor, a pré-história da Terra. Comecei a descobrir fatos novos, e aproveito para reproduzir aqui os mais interessantes.

Até cerca de 12.000 a.C. a Terra estava envolta numa era glacial. Por volta deste período, houve grandes modifica­ções em diversos aspectos que iriam propiciar o aparecimento da civilização.

Primeiro, vários animais que eram perigosos desapareceram. O mamute, o tigre dentes de sabre e outros desapare­ceram gradativamente.

Segundo, alguns animais perigosos e grandes, reduzi­ram seu tamanho e se tornaram mais dóceis, como, por exem­plo, o boi, a ovelha, o porco. Com a diminuição do tamanho e do caráter belicoso destes animais pôde-se pensar em criá-los domesticamente. Neste período, o cachorro e o gato também foram domesticados, possibilitando uma limpeza maior e pro­teção. O cachorro dá o alarme e em muitos lugares comia as fezes humanas e o lixo produzido pelo homem. O gato caça o rato, impedindo certas pragas produzidas pelos roedores, atraídos pela sujeira dos acampamentos provisórios.

Terceiro, houve alterações no peso específico de vários grãos. Antes eles eram leves e o vento os levava por quilôme­tros, como se quisessem repovoar os campos que estavam desnudos com o refluxo das geleiras. Os grãos de trigo, ceva­da e aveia se tornaram pesados e, com isto, possibilitaram o aparecimento da agricultura. Antes, com grãos leves que o vento levava, a agricultura era praticamente impossível.

Tudo estava pronto para a revolução neolítica e a im­plantação da civilização. Desta forma, a ciência oficial foi capaz de, através de escavações arqueológicas, descobrir que, a partir de 10.000 anos a.C., iniciou-se um largo movimento em vários pontos do globo que produziu efeitos iniciais interessantes.

Numa larga porção de terra conhecida como o crescen­te verde no Oriente Próximo, ou seja, Mesopotâmia, Palestina e Egito, assim como terras próximas, a atual Turquia, vários povos foram fundando pequenas aglomerações e trabalhando a terra. Neste período, cidades muradas começaram a apare­cer, especialmente Jericó, na atual Israel, e Satal Hüyuk, na Turquia. No entanto, é preciso estabelecer certos limites a es­tas aldeias fortificadas, pois podem dar a impressão de que se tratava de grandes praças fortificadas. Não! Eram aldeotas de dois a três mil habitantes que provavelmente haviam sido atacadas por grupos nômades e concluíram que cercando suas residências teriam mais sucesso em sobreviver.

Na atual Turquia, detectam-se construções de casas de forma bastante estranha. As residências não tinham nem jane­las e nem portas, obrigando os moradores a entrarem pelo teto, com ajuda de escadas, demonstrando a periculosidade daqueles tempos. No entanto, nem Jericó, construída por volta de 8.000 a.C., e nem Satal Hüyuk, construída por volta de 6.500 a.C., são símbolos de prosperidade e civilização, pois ambas sem­pre continuaram pequenas e insignificantes, não apresentando crescimento. Os historiadores acreditam que elas não cresceram devido ao fato de sua agricultura ser apenas de subsistência e de viverem de extrativismo mineral pequeno e limitado, que não encontrava mercado. Realmente, para que crescessem, seria fundamental que seus produtos pudessem ser transportados para lugares distantes - ainda não existia a roda - para serem trocados - ainda não existia moeda - por outros produtos de interesse. Ora, não havia comércio e muito menos rotas ou estradas que pudessem levá-los de um lado para outro.

Neste período longo da história, que principia por volta de 10.000 a.C. até 3.600 a.C., ou seja, cerca de 6.400 anos, o que se vê são os homens - agora os cro-magnons em suas vá­rias faces - se espalhando pela África, Ásia e Europa. Nas Amé­ricas, desde 30.000 anos, que as várias tribos mongóis vão se espalhando, vindas da Ásia, passando pelo congelado estreito de Bhering e descendo até a América do Sul. Os famosos peles-vermelhas não são uma raça à parte, derivados dos lendários atlantes, mas pertencentes ao enorme grupo de homens e ra­ças amarelas, como comprova a moderna paleontologia e a lingüística.

Ora, subitamente, na região mais tarde chamada pelos gregos de Mesopotâmia - entre rios -, um grupo de homens que se chamavam de sumérios, ou sumerianos, iniciam uma revolução cultural, tecnológica e econômica, de proporções importantes. Eles iniciam seu processo com uma revolução nos métodos agrícolas: o arado constituído de um tronco pu­xado por um homem é substituído por um arado de cobre, e depois de bronze, puxado por uma parelha de bois. Com isto, o sulco é mais profundo, mais regular, e o aproveitamento de sementes maior. A terra é naturalmente fertilizada pelas cheias dos rios Tigre e Eufrates, que depositam húmus. O excedente agrícola propicia o aparecimento da riqueza.

Com o novo método de plantio irão aparecer, em catadupas, várias outras invenções que lhes vêm em decor­rência. A roda é inventada e a carroça é um corolário lógico, pois irá ajudar no transporte das safras. Não há mais necessidade de todos os homens se dedicarem à agri­cultura, pois os camponeses geram suficientes grãos para alimentar a todos, com isto aparecem novas profissões e as aglomerações crescem a ritmos assustadores. Mas há terras secas e a irrigação, com abertura de canais, é uma conse­qüência natural, e mais riqueza é gerada.

Os tempos não são, entretanto, só de fartura e de paz, pois os sumérios constroem grandes cidades muradas. Nin­guém iria murar dez quilômetros de muralha se não fosse por uma razão importante: segurança. Com isto também apare­cem os primeiros especialistas em segurança, uma espécie de exército e polícia conjugados.

Eu perderia muito tempo descrevendo todo o processo sumério, que seria por si só motivo de um compêndio, devido não só à sua importância, como também à sua complexidade. Para aqueles que desejarem pesquisar mais sugiro o livro Su­mério, a primeira grande civilização de Amar Hamdani, da série Grandes Civilizações Desaparecidas, da Editora Ferni. São 333 páginas que tratam bastante bem do tema. Mesmo sendo um livro originalmente lançado em Genebra, na Suíça, em 1977, ainda é bastante atual. Há outros compêndios que tam­bém abordam o tema sumério de forma mais rápida e eu os utilizei bastante.

Há, contudo, historiadores que acham que os sumérios podem ter chegado na região, seja por bote, seja por terra, vindos da Ásia central. Se viessem por mar, como conta uma lenda, provavelmente teriam vindo do vale do rio Indo. Se vie­ram de outro lugar da Ásia central, eles podem ter vindo das estepes siberianas, perto do mar Cáspio ou, até mesmo, do planalto do Pamir e da própria Caxemira. Esta região tem cin­co rios, o que lembra a história do paraíso perdido, onde o Éden tinha quatro rios. Se eles vieram do Pamir, uma real possibilidade, então Emmanuel estaria certo. De qualquer forma, as dúvidas são intransponíveis e nos levariam a discussões sem grandes resultados práticos.

Apenas para resumir, os sumérios estabeleceram a primeira civilização terrestre efetivamente conhecida e compro­vada. Fizeram importantes avanços tecnológicos e culturais, entre eles: o arado, a roda, a carroça, o bronze, a escrita, a contabilidade, a matemática, a astronomia/astrologia, alguns primórdios de medicina com certos remédios químicos pro­priamente ditos, divisão do trabalho, aparecimento de classes sociais, estabelecimento de uma religião formal com templos gigantescos, escolas, comércio, conquistas territoriais, escravi­zação sistemática, bancos e empréstimos a juros, impostos e ta­xas governamentais e religiosas, novas profissões artesanais (tapetes, roupas, jóias, metalurgia etc.). E tudo isto se deu num pequeno espaço de tempo, por volta de 3.600 a.C, sendo lide­rados por homens intrépidos, porém astuciosos, violentos e sanguinários, que souberam usar de força para escravizar ou tornar servil uma grande parte da população enquanto eles desfrutavam de níveis crescentes de bem-estar.

Ora, esta análise do processo histórico que apenas resumi para o leitor foi me convencendo de que os capelinos devi­am estar atrás deste processo. As características são marcantes: violência, rapacidade, escravização, sacrifícios humanos para deuses sanguinários e um salto tecnológico importante. Somente um grupo poderia ser capaz de alterar, pela força, pela inteligência e pela astúcia, um modo de vida que vinha se ar­rastando há milênios, pois os sumérios, um povo ainda desco­nhecido, chegou no vale da Mesopotâmia por volta de 8.000 a.C. e foi logo se dedicando à agricultura, mas era, como já dis­semos, uma agricultura pobre, de subsistência, que mal dava para alimentar a pequena população, que girava em torno de setenta e cinco mil pessoas.

Durante quase cinco mil anos, os sumérios foram viven­do naquele vale quente e com água bastante devido aos rios, mas que era pobre em matérias-primas. Não havia quase árvo­res a não ser tamareiras e outros tipos pequenos. Suas casas eram redondas, feitas de barro e betume, abundante na re­gião. E subitamente, a civilização explode com força e pujan­ça. Por quê? Quais foram os motivos que os levaram a se modificarem subitamente?

O leitor mais incrédulo poderia tentar imputar esta modificação a mudanças climáticas dramáticas, mas a região não apresentou tais fatos, a não ser cheias eventuais e monstruosas que viriam a gerar as lendas do dilúvio universal. No entanto, estas cheias dos rios Tigre e Eufrates, e especialmente deste úl­timo, eram fatos normais que aconteceram muitas e muitas ve­zes. Apenas, para se ter idéia deste dado, o rio Eufrates mudou de leito vinte e oito vezes em cinco mil anos, portanto em nenhuma das vezes que as enchentes arrasaram o vale, os sumérios alteraram sua forma de existir.

Neste ponto é que é importante se introduzir a importância da tradição. Um grupo de pessoas se estabelece numa dada região e vai se aclimatando à mesma. Gera costumes que passam de geração em geração e somente fatores ecológicos são capazes de alterar. Perpetuam-se através da tradição oral, onde, de pai para filho, as formas de conviver com a natureza vão se solidificando. Uma única pessoa não é capaz de alterar toda a tradição de uma tribo, pois ou se aclimata às tradições culturais ou é expulso, quiçá morto. Mas na Suméria, esta tra­dição foi subitamente quebrada, não por um único indivíduo, mas por um grupo muito bem coordenado e bem liderado. Este salto social só é possível em poucas ocasiões, como amea­ças externas, ameaças da natureza (que não deixam de ser ex­ternas ao grupo social) e uma liderança interna que sobrepuja as resistências às mudanças, seja através do diálogo e do exem­plo, seja através da força. Na Suméria, prevaleceu a força.

O leitor pode dizer que os capelinos já haviam reencarnado anteriormente, pois os livros de Edgard Armond e Emmanuel assim o preconizaram, mas eu me pergunto, por que então sua atuação é nula em qualquer período anterior aos sumérios? Por que razão os capelinos renascem e nada fazem, ou se o fazem são esmagados pelas circunstâncias? Só vejo uma razão. Se até o período de 3.600 a.C. a civilização não existia, é porque as influências espirituais não eram suficientemente fortes, ou eram até mesmo inexistentes para terem força para alte­rar um modo de vida perfeitamente adaptado ao ecossistema de cada região. Seria necessário uma força interna, endógena, capaz de mobilizar a sociedade por dentro para alterar a vida dos primitivos habitantes da Terra, e esta força só pode ser o maior grau de evolução espiritual dos capelinos.

Voltando a Emmanuel, ele nos diz que os capelinos aca­baram por formar quatro correntes, aqui na Terra, que são a saber: os árias, a civilização do Egito, o povo de Israel e as cas­tas da índia. Analisando estas assertivas, vemos as seguintes datas para cada um desses povos:

1 - Os árias. Este povo foi formado pelas correntes de povos indo-europeus que, por volta de 4.000/3.500 a.C., des­locou-se da Europa (mar Negro) em direção ao Oriente. Sua atuação torna-se mais notável quando de sua invasão à índia, por volta de 1800 a.C. instituindo o que seria conhecido como período védico. Os demais povos indo-europeus, que viriam gerar os gregos, os germanos e os eslavos começam a se desta­car a partir de 3.600 a.C, sendo que as obras mais contunden­tes, os grandes megalíticos como Stonehenge, são de 2.800 a.C.

2 - O Egito. Esta civilização, que veremos com mais detalhe no próximo capítulo, começa a nascer por volta de 5.000 a.C, mas toma real impulso com a primeira unificação do vale e do delta por volta de 3.500 a.C. O primeiro faraó e, com isto, o Egito propriamente dito, aparece em 3.000 a.C.

3 - Israel. Baseado nas histórias bíblicas, Abraão, o primeiro patriarca, iria gerar descendência por volta de 1800/1750 a.C. O povo de Israel propriamente dito começa a ser formado por Moisés por volta de 1230 a.C.

4 - Índia. Os primeiros vagidos de uma civilização propri­amente dita aparecem por volta de 3.300 a.C. no vale do rio Indo, na cidade de Amri. As cidades de Harapa e Mohenjo Daro iriam aparecer em seguida. Esta civilização pré-védica, portanto, antes da invasão dos árias ou arianos, alcança seu auge em 2.500 a.C. e inicia sua derrocada, por vários motivos por volta de 2.000 a.C. (Vide nosso livro Shiva, o senhor não-terrível — A alvorada da Índia, da nova série O arcano dos deuses).

Portanto, se pegarmos as datas mais longínquas destas quatro civilizações, iremos ver que elas coincidem.

Sumérios - 3.600 a.C.

Egito - 3.500 a.C.

Índia - 3.300 a.C.

Israel (Como Abrahão nasceu em Ur, uma cidade da Suméria, pode-se concluir que as raízes culturais de Israel estão vinculadas à Suméria).

Indo-europeus (árias) - Grandes movimentações por volta de 4.000/3.500 a.C.

Isto nos leva a crer que houve a imersão dos capelinos em vários lugares, criando atmosfera adequada para o grande salto da Terra, de um planeta primitivo para um planeta onde a civilização começou a brotar. Não há, portanto, espaço para os capelinos, seja numa pretensa Atlântida, a não ser em Creta a partir de 2.800 a.C., ou em períodos mais longínquos (60.000/30.000 ou até mesmo em 10.000 a.C.). Não me resta dúvida de que esta corrente espiritual tenha chegado à Terra por volta de 3.600 a.C. e tenha sido a grande mola propulsora para a implantação da civilização na Terra.

Nos próximos capítulos teremos oportunidade de ver como esta influência tornou-se decisiva para o nosso crescimen­to, assim como ela foi importante para moldar as principais religiões da Terra.




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