A guisa de prefácio



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Juliano o atalhou: - além disso, e fazendo parte específica do meu trabalho, eu vejo que muitos povos citados na história simplesmente desaparecem como por encanto. Enquanto pequenas tribos sem expressão, nem teríamos muito para falar. Mas por vezes são contingentes de milhares de pessoas que simplesmente são apagados da história. Como o exemplo dos curdameus...

O professor o interrompeu: - ah, sim. Os curdameus. Eles formavam uma colônia importante. Eles são citados em placas babilônicas e em escritos hititas. E depois nunca mais foram mencionados. Eu vou lhe mostrar algo que irá interessar-lhe.

O professor levantou-se e foi a uma estante no fundo do gabinete, de onde retornou com um grosso volume.

Sentou-se e recomeçou: - veja doutor. Veja doutora. Este livro foi editado em 1864. É uma edição em inglês de um pesquisador desconhecido. Deixe-me ver... E Emre folheou as páginas à procura do que queria. – ah, sim. Aqui. Vejam: o texto era encimado em letras maiúsculas e dizia: “The Curdamean People” (O povo curdameu).

O professor continuou: - eu vou tirar cópias para o senhor. Aqui fala que os curdameus inicialmente habitaram as montanhas do Líbano e da Síria. Com o desenvolvimento do império babilônico, migraram para uma área ao sul da cidade da Babilônia, onde se fixaram. Entretanto, algumas dinastias voltaram à origem, mas foram dominados pelos hititas que, através de alianças com o Egito conseguiram expandir a sua área de influência. Os curdameus que migraram para a sua terra de origem acabaram mortos ou se miscigenaram com os hititas e com os povos que habitavam a região, provocando o seu desaparecimento. Mas aqueles que permaneceram na Babilônia conseguiram se desenvolver. Quando Nabucodonosor tomou de assalto as tribos judaicas, estes tiveram contato com aquele povo e acabaram por migrar com muitos judeus foragidos para a região da Caxemira, onde se fixaram.

Juliano o interrompeu: - sim, eu já havia lido algo semelhante, embora também de um historiador pouco ortodoxo. Quando estive na Índia, bem que tentei chegar à região de Caxemira, mas fui desaconselhado, pois hordas de paquistaneses estavam em luta naquele canto do mundo.

O professor Emre o ouviu e observou: - veja doutor. Um historiador heterodoxo pode ou não ser considerado como uma fonte segura? Talvez esta seja a questão fundamental. Eu vou lhe dar um caso típico: a história desta região, hoje compondo a Turquia. Ao analisarmos as ocupações desta área que compreende a Ásia Menor e a parte europeia, além dos hititas, houve um cadinho fervente de vários povos. Que até hoje são verdadeiros pontos de interrogação na história regional. Nós temos regiões com culturas diametralmente opostas. Onde a cultura grega se mistura com a judaico-cristã. Em outros lugares encontramos o esoterismo muçulmano em conjunto com grupos extremistas e outros de fundo cigano. Nesta confusão, como historiar o povo turco? Ora. Em cada região desta há um registro histórico. Que, no fundo, compõem o conjunto da historiografia da Turquia. Em dado momento, suponhamos, encontramos um escritor que descreve uma faceta relativa a um destes povos. Originalmente seria um heterodoxo. Mas que deixa algum tipo de registro. Devemos confiar ou não? Se considerarmos os seus escritos em relação ao que já conhecemos e disto criarmos um processo de simbiose, o que encontraremos? Provavelmente pontos em comum e pontos contraditórios. O que não invalidaria a totalidade da obra.

Vilma interveio: - na minha modesta opinião, os erros históricos cometidos seriam compensados pela veracidade dos pontos que puderam ser comprovados pelo contexto. Não seria isto?

O professor a aplaudiu: - bravo! Bravíssimo! É esta a concepção exata...

Juliano interpôs novamente a questão: - em sua opinião, então, haveria com certeza a influência externa na humanidade. Quero dizer: extraterrestres historicamente deixam a ficção e se apresentam na realidade?

O velho mestre respondeu de imediato: - claro que sim! E isto já é sobejamente comprovado. Porém quem se aventura nesta saga é repelido. E isto por quê? Porque a humanidade, por assim dizer-se, deificou tudo aquilo que escapa da compreensão normal.

Juliano o interrompeu: - a arqueologia dos séculos dezoito e dezenove e ainda muitos estudiosos no século vinte sempre tiveram a tendência de estabelecer que as peças tidas como incompreensíveis eram marcadas como instrumentos votivos ou que pertenciam ao culto aos deuses daquela civilização ou região. Esta interpretação mística, durante anos, muito contribuiu para que novas ideias ou teorias fora desta visão fossem estigmatizadas e corrompidas.

O professor concordou: - certíssimo. Mas hoje, com o desenvolvimento científico, começa-se a mudar este cenário. Porque temos, agora, determinados elementos comparativos que nos abrem uma nova perspectiva em termos de discussão.

Foi Vilma quem abriu a nova discussão: - seria temerário dizer-se que os fatos acontecidos a partir do desaparecimento dos passageiros do ônibus poderiam ter ocorrido através da injunção de indivíduos de fora da terra?

O velho mestre sorriu: - há um ditado espanhol, que se não me engano diz: “eu não creio em bruxarias. Mas que elas existem, ah, existem!”. Se vocês tentarem expor estes pontos de vista, com certeza ninguém vai acreditar no que vocês falarem. Mas podem estar certos de que até nossos dias somos governados por forças muito poderosas. Mas a humanidade, desde que cada elemento nasce, está minada pelos paradigmas e preconceitos, na maior parte de fundo religioso. Com isso, ou irão demonizar os fatos ou desacreditarão os mesmos. Mais ou menos como aconteceu com a fabulosa Biblioteca de Alexandria: se o que existe aí estiver no Corão, não é necessário. Se não estiver no Corão é contra Alá. Queimem tudo... O processo de interação com outros povos tem mais ou menos esta visão errônea e absurda. Não foi dito por Deus seja qual for, não tem valor. E quem tenta posicionar as coisas fora de nossa visão turva é um assecla do diabo. Mas ainda bem que as coisas estão mudando...

Vilma externou uma observação: - eu sei que neste campo há muita enganação. Mas há, também, trabalhos sérios que foram compilados, acareados, comparados e que, por fim, acabam levantando um véu que os cobria. Li há algum tempo um trabalho realizado por dois engenheiros da NASA que diziam muito a respeito disto. Denunciavam, inclusive, que a alta direção do órgão os havia ameaçado até de demissão se insistissem naquela temática. Os dois pesquisadores não se intimidaram e em seu trabalho conseguiram trazer provas concretas da ligação de determinadas missões com povos de outras regiões. Uma das provas apresentadas estava ligada a um satélite russo que foi, por assim dizer, destruído por alguma força incompreensível quando assestou as suas câmeras para Fobos, um dos satélites de Marte. Na época a NASA estaria envolvida com várias outras nações na exploração do planeta vermelho. Além disto, uma conclusão foi levada a público, pois deixou no ar uma pergunta incômoda: qual a razão real para que, em determinados artefatos, fosse incluída uma placa com demonstração da localização da terra, a conformação da raça humana e tantos outros dados, se não existisse a possibilidade, ainda que remota, da existência de outros povos em algum ou vários lugares do cosmo?

Juliano fez o seu comentário: - como estudante da história humana, por diversas vezes me defrontei com situações que nos induziam a este caminho. Eu sempre fui resistente a estas ideias. Mas depois de ter observado o que observei, passei a crer firmemente que mesmo agora, em pleno século vinte e um, estamos ligados a estas possibilidades. E, creio, de forma cada vez mais envolvente. Além disto, estabelecendo uma comparação com o que temos em termos de exploração espacial e o que existe na história, notei claramente uma série de vínculos.

O professor Emre se manifestou: - e por que seria diferente o agora do que há vem acontecendo desde que os primeiros homens surgiram na face da terra? Claro que há a forte interferência externa. Basta observarmos determinados fatos correntes, como decisões atabalhoadas de governantes, certas catástrofes e outros fatos por vezes sem explicação clara e até acontecimentos que passam despercebidos. Há, sim, uma forte e constante influência.

Juliano continuou em seu comentário: - eu tive a curiosidade de estudar levemente os muitos desaparecimentos sem qualquer razão. Lendo um autor, este escreveu que, nos últimos vinte séculos provavelmente desapareceram sem deixar vestígios mais de um milhão de pessoas. Ora. A pergunta que foi feita por este autor foi: estes desaparecimentos foram, realmente, sem razão? E ele mesmo responde: claro que não. Uma pessoa normal, equilibrada e saudável não desaparece simplesmente. Como no caso dos passageiros do ônibus. Se não tivesse acontecido alguma influência, até desconhecida, com certeza seus corpos ou restos seriam descobertos. Mas eu tenho a certeza absoluta que jamais serão encontrados.

Os três continuaram a conversar nesta linha e, quando deram por si, era hora do almoço. Almoçaram no restaurante da universidade e voltaram ao escritório do professor Emre, onde continuaram a conversar. Quando deram por si, o dia começava a declinar. Despediram-se, marcando novo encontro dali a dois dias.

KLONIX – CAPÍTULO 43

O galpão foi construído em tempo recorde. Miguel se lançara com afinco em sua construção. Com a ajuda dos dois estranhos, logo viu emergir do nada uma ampla área coberta e protegida que servira de abrigo a vários animais. Pouco ou nada foi falado durante o trabalho. Tati por vezes vinha ver o andamento da obra e aproveitava para elogiar Miguel por sua tenacidade.

De algum lugar foram trazidos pelos desconhecidos dez vacas, um touro e algumas aves. Além disto, os estranhos deixaram com o casal diversos caixotes. Quando os abriram, verificaram que continham roupas novas, utensílios para uso doméstico e vários artigos que seriam úteis a eles. Logo após o término do galpão e a doação daquilo tudo para eles, os estranhos seguiram o seu caminho.

Depois que o galpão foi organizado, Tati ensinou Miguel a ordenhar as vacas. O antigo motorista recomeçava uma vida, como um aldeão perdido nas geladas estepes siberianas. Seria difícil dizer o que acontecera em sua mente. Depois de algum tempo, desistira da ideia de fugir. Talvez tivesse havido oportunidades. Mas começara a se sentir preso àquela situação. Por uma estranha magia, a velha desdentada sumira. Miguel, que a acreditava como parente de Tati, não questionou aquele sumiço. Para quê? Ela não era importante...

Seu mundo se resumira a Tati, Veruscha e Serguei. Findava-se nos limites próximos da brancura do horizonte. Por vezes relembrava a sua vida anterior. E estas recordações vinham como que nubladas e sem viço. Era como se, ao invés de recordar, estivesse criando uma imagem diáfana de outros seres que a sua imaginação induzia. Via que Tati e as crianças eram felizes. E ele, à sua maneira, também encontrara uma paz interior que jamais pudera imaginar. Suas noites com a mulher eram marcantes. Ela havia se revelado uma amante verdadeiramente apaixonada. Não conseguia se lembrar de quando começara, mas as crianças começaram a lhe chamar de pai. E ele se enlevava quando Veruscha se aninhava em seu colo e Serguei o desafiava no tabuleiro, em um jogo que haviam inventado que era semelhante ao xadrez.

Os estranhos homens, depois de terem findado o galpão, nunca mais deram notícias. Agora eram apenas os quatro naquela casa de pedra, cercada de neve e gelo, onde viviam em harmonia. Em que pese o trabalho constante contra o descalabro gelado da natureza, Miguel notara que revivera. Seus já quase quarenta anos não lhe pesavam e se sentia, a cada dia, mais jovem e vigoroso.

Tati era uma companheira exemplar. Havia lhe contado que depois do nascimento de Serguei, suas regras haviam cessado. Mesmo ainda casada com o pai das crianças, a hipótese de outra gravidez estava afastada. Bem que haviam tentado, mas todas as tentativas resultaram como infrutíferas. Contou que, certa ocasião o marido entrara em casa com uma forte dor no fígado. E que, dois dias depois, havia falecido. Ela era de Vereshkagino e estudara antes de casar.

Miguel certa vez perguntou-lhe a respeito da velha que conhecera. E Tati disse-lhe que ela morava distante dali. Aquela primeira casa que ele conheceu havia sido construída pelo marido daquela mulher. E que ele também morrera já há muito tempo. A velha, vez por outra, visitava Tati.

Com um intervalo de cerca de quinze dias, um russo forte e velho vinha até a casa em uma carroça. Comprava ou trocava o leite tirado e algumas aves por mantimentos, como sal e cereais, além de anotar as encomendas que traria em sua próxima viagem. Por mais incrível que pudesse parecer a Miguel, nunca pensou em fugir naquele carroção velho, puxado por dois cavalos.

Não havia escola na região e Miguel começou a ensinar as crianças a escrever e a fazer contas simples. Ele havia estudado até o segundo grau. Os seus conhecimentos aos poucos eram passados a Veruscha e Serguei em pequenas doses. Entre eles falavam tanto o dialeto russo quanto o português, já que as crianças o haviam aprendido com a facilidade natural daquela idade. E a mistura de ambos os idiomas se tornava lentamente o modo de falar da família.

Miguel acabara fazendo as pazes com o clima gelado. Já não sentia tanto frio, mesmo nas madrugadas geladas quando ia para o galpão ordenhar as vacas e recolher os ovos.

Sua vida mudara. Por vezes lembrava-se da mulher que tivera. Eles não haviam tido filhos. Lembrava também do duro trabalho nas rodovias. E quando comparava as suas duas vidas, via que a que estava vivendo, apesar dos percalços, lhe dava mais alegria e disposição. Tanto que parara totalmente de pensar em ir embora. Chegou a se flagrar pensando que, mesmo que tivesse uma oportunidade, não o faria. Principalmente pelo medo de ferir aquelas três almas que compunham com ele um retrato familiar. E que, sobretudo, o haviam adotado e que, em incontáveis vezes, haviam provado para ele o amor que lhe dedicavam. Lentamente as imagens de sua vida anterior iam se esfumaçando. A ponto de já não mais lembrar sequer do nome da rua em que morara com a mulher.

Era uma vida simples e sem planos de futuro. Mas que acabou por envolvê-lo de tal forma que se sentia preso e feliz naquela estepe nevada e distante de tudo.

KLONIX – CAPÍTULO 44

Quando Vilma e Juliano chegaram ao hotel, o porteiro lhes informou que uma pessoa os aguardava no salão. Foram até lá e encontraram um homem alto e simpático.

O homem os recebeu com um sorriso: - doutor Juliano! Doutora Vilma! É uma satisfação falar com vocês.

Ambos notaram o seu português perfeito e sem sotaques. Ele estava vestido com um terno bem assentado, uma gravata discreta, os cabelos perfeitamente alinhados e uma face extremamente simpática, embora o seu olhar sugerisse uma frieza penetrante.

Sentaram-se e Juliano falou: - sim. Senhor... Senhor. Bem o que deseja de nós.

O estranho manteve o sorriso nos lábios: - meu nome não é importante, creio eu. O mais importante é o que tenho para lhes dizer. Claro que nada há a temer. Afinal, nós sabemos que vocês são pessoas de boa índole e saberão o que fazer com o que tenho a lhes passar.

Vilma o cortou: - eu creio que deveríamos saber quem o senhor é, pois não estamos acostumados a dialogar com desconhecidos. Ademais...

O homem não se alterou: - calma. Calma, doutora Vilma. Quando eu disser a vocês o que tenho a dizer, saberão exatamente quem eu sou e porque estou aqui. Muito embora vocês talvez não acreditem, minha missão é pacífica e, digamos que será bastante esclarecedora.

Juliano o atalhou: - tudo bem. Mas a que o senhor se refere?

O estranho manteve o sorriso e disse: - inicialmente vamos fazer um pacto. Eu vou dizer o que pretendo e quem nós somos. E depois estarei pronto a responder as perguntas que quiserem fazer. De acordo?

Juliano e Vilma concordaram e o homem continuou: - vejam. Até o momento vocês estão tentando suprir a curiosidade a respeito de um encadeamento de fatos que se iniciaram com o desaparecimento dos passageiros de um ônibus. E eu posso esclarecer tudo o que quiserem saber. Por esta razão, acho que a calma, neste momento, deve preponderar. Vamos ao que interessa. Antes de tudo, posso assegurar que nenhuma pessoa daquele ônibus foi molestada ou atingida. Elas estão... Bem... Em algum lugar bem longe daqui. Em perfeitas condições de saúde. Diria eu até, em condições bem melhores. E, com certeza, não querem mais voltar. Mesmo porque seria impossível. O planejamento mostrado a elas as cativou. Disto podem estar certos. Ah, sim. Houveram alguns incidentes. Inevitáveis. Mas que acabaram como uma partícula do pano de fundo de nosso trabalho.

Juliano o cortou: - mas, afinal, quem são vocês?

O estranho continuou: - nós somos pessoas comuns, como vocês e todos os bilhões de seres humanos que habitam a terra. Entretanto, a nossa origem é que nos diferencia. É. Eu sei que, nos parâmetros de vocês, somos meio utópicos. A maioria de vocês jamais acreditaria que somos reais. Nós fazemos parte de uma parcela de seres que habitam o universo. Não somos daqui. Isto explica?

Vila estava estarrecida: - bem, amigo. Eu gostaria que o senhor nos desse uma prova do que está falando.

O estranho continuou: - bem. Vamos falar de um símbolo que aparece e desaparece depois que a pessoa que nos interessa o tenha visto. Ou então, das várias tentativas de contato. Como por exemplo, de Alberto, no Brasil. Outra prova? Gravem bem o que vou revelar: eu posso lhes assegurar que, dentro em pouco, vocês terão uma prova maior ainda.

O casal ficou verdadeiramente assustado.

E o estranho prosseguiu: - eu sei que nossa existência é causa de dúvidas enormes entre vocês. Mas nós existimos. Claro que vivemos em parâmetros diametralmente opostos aos de vocês. Isto nós compreendemos. E isto se deve ao avanço tecnológico que temos sobre o conhecimento científico da terra. Este diferencial nos coloca nas mãos um trabalho intenso. Eu vou lhes expor o que vem a ser o nosso trabalho. Quando o homem surgiu nesta terra de vocês, não surgiu em um passe de mágica e tampouco de reações químicas. Não. Não foi assim. Mas de outra forma muito mais simples e compreensível. Na realidade ele foi colocado aqui. Da mesma forma que plantas e animais. Claro que obedecendo a uma sequencia perfeitamente calculada e planejada. Desde então e periodicamente, visitamos vocês. E nestas visitas nós aferimos como está indo o progresso da raça humana. De uns tempos para cá vimos que vocês se desenvolveram, cresceram e se integraram a vários segmentos. O conhecimento de vocês se expandiu. Claro que não a um nível que já foi atingido anteriormente. Este é e será um processo cíclico. Ao mesmo tempo em que surgiu esta evolução, outro fator nos obrigou a manter um contato mais amplo com vocês. E é neste sentido que novamente viemos para a terra. O universo, como vocês chamam o espaço, é um corpo ativo e multiforme. E plenamente habitado. Entretanto, com este desenvolvimento, vários outros corpos celestes atingiram um momento em que necessitam ser povoados. E nós precisamos de humanos para que possamos preencher estas lacunas. De todos os povos que conhecemos, a raça humana é a que melhor se adaptaria a estas novas moradas. Só para que vocês tenham uma valoração, milhões de pessoas estão envolvidos nesta obra. Não minha, mas de um grupo imenso que chamaremos entre nós de Controle. Eu e tantos outros somos, digamos, soldados deste Controle. E cumprimos as ordens dadas. Não por uma obrigação contratual ou coisa que o valha. Mas realmente imbuídos de nosso senso de dever. E a nossa missão é povoar planetas de modo que a população universal cresça em bases sólidas e estáveis. Deste modo, o nome que queiram me atribuir deixa de ser importante, pois com apelidos ou não, iremos realizar o que pretendemos. Nós precisamos de vocês para assentá-los e gerar civilizações em outros locais do universo. E estamos escolhendo. Não os mais aptos. Não os mais sábios. Mas os buscamos dentre a média da população da terra. Esta é a razão pela qual, por vezes, podemos cometer algo que, pelos parâmetros terrestres, seriam raptos. Mas nossa visão não é esta. Porque entendemos que tudo o que existe no universo a ele pertence. Inclusive os seres viventes. E é por estas razões que levamos o que seriam classificados como pessoas normais. Ah, outro dado importante: estas pessoas normalmente são aquelas que chegaram a um limiar em suas vidas que se sentem desesperançados ou insatisfeitos com os rumos de suas existências.

Juliano estava deveras assustado: - bem, senhor. Eu estou verificando que este nosso contato conosco tem uma finalidade. Qual é ela?

O homem não se alterou: - veja doutor Juliano. Desde o momento em que se interessou pelo desaparecimento daqueles passageiros o estamos acompanhando. Seja ao longe, seja até pela forma exagerada, como fizemos em seu escritório. Devo um pedido de desculpas. Entretanto observamos que o senhor e a senhora têm a curiosidade inata das pessoas que estão sempre à procura de respostas. Por outro lado, tendo as respostas, não se furtariam ao desejo de divulgá-las. Entretanto esta postura está mais para o trabalho de vocês. Em nosso caso eu tenho a certeza de que não arriscariam a sua credibilidade levando a público, inclusive, esta nossa conversa. Sua curiosidade foi excitada a partir de um símbolo que um de nós, travestido de agricultor, lhe permitiu conhecer e obter. Bem. Quanto a este emblema, asseguro que nada tem de importante. É apenas um sinete de uma equipe que se ocupa deste sistema solar a muito tempo. Nada mais que isso.

Vilma o atalhou: - o senhor nos falou de uma prova que nos será dada em dois dias. Pode nos adiantar algo a respeito?

O homem recuperou o sorriso: - sem dúvida. Mas apenas posso dizer-lhe que cerca de duzentas pessoas estarão envolvidas. Apenas isto.

Juliano observou: - o que o senhor está nos dizendo é um tanto fora de qualquer parâmetro de cogitação. Eu sou um historiador que não aceita as proposições consideradas como verdadeiras. Meu trabalho é buscar determinadas verdades. Em função disto, verifiquei que, realmente, muitos povos e agrupamentos humanos desapareceram da face da terra sem que qualquer vestígio tenha sido deixado a respeito de seu sumiço histórico. Entretanto e desculpe-me, o que o senhor está nos dizendo foge de qualquer concepção histórica, científica e humana. Particularmente eu chego a acreditar que existam outros povos em outras paragens do cosmos. Mas daí em se tratando desta força, que o senhor chama de Controle, possa existir, é humanamente impossível de merecer crédito. A menos que eu tenha uma prova cabal deste poder.

O estranho concordou: - o senhor tem razão. E eu posso lhe dar uma prova cabal, senão de nosso Controle, mas sim de lhes oferecer uma viagem. Não fora da terra, é claro. Mas aqui na terra mesmo.

Vilma perguntou: - e qual seria esta prova?

O homem continuou: - o motorista verdadeiro do ônibus. Ele não foi levado conosco. Ele está na terra, muito embora em outro processo de vida. Digamos que em situação melhor dentro de sua visão que alteramos levemente para que pudesse atender aos nossos propósitos. Afora que ele está totalmente renovado por um processo que eu chamaria de renovação celular. Talvez surja a pergunta: e por que ele não foi levado por vocês? Bem. Para esta indagação eu não teria resposta.

Vilma insistiu: - e onde ele estaria?

O estranho falou: - não muito longe daqui. Vivendo uma experiência fantástica. Esta sua nova vida tem lhe proporcionado momentos tão agradáveis que eu tenho a certeza de que jamais voltaria ao seu convívio anterior.

Juliano então falou: - e nós teríamos como contatá-lo?

O homem, com um sorriso, disse: - sim. Isto faz parte de nossa proposta a vocês. Podemos ir amanhã pela manhã e voltaremos ainda com o dia claro.

Vilma insistiu: - e quanto ao perito que desapareceu?

O estranho falou: - ah, sim. O perito. Ele é muito dedutivo e inteligente, pois conseguiu descobrir algumas peculiaridades que poderiam causar alguns transtornos em nosso trabalho. Ele também está longe daqui, já fora deste sistema solar e, segundo sei, está se integrando bem em nosso trabalho.




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