A guisa de prefácio



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Quando entrou no vestíbulo do hotel e dirigiu-se ao balcão da recepção, foi abordado por um homem simpático e evidentemente turco, que o saudou em um inglês arrevesado: - desculpe, mas o senhor é o professor Juliano?

Juliano e Vilma olharam para ele, que aparentava cerca de setenta anos de idade. Foi Juliano quem respondeu: - sim. Sou eu mesmo, Senhor...

Os olhos do homem brilharam: - Emre. Emre Patracos. Sou professor na Universidade de Istambul. O senhor Avelar comunicou-me que vocês viriam para cá. E que ficariam neste hotel.

Juliano o cumprimentou: - Ah, sim. Avelar havia falado comigo a seu respeito. Eu ia procurá-lo na universidade. Esta é Vilma, minha mulher e colaboradora.

O velho professor fez uma mesura: - seja bem vinda senhora Vilma. Olhem. Eu sei que acabaram de chegar, mas eu os convido para um autêntico café turco. Eu aguardo enquanto deixam seus pertences no apartamento.

Juliano reservou um apartamento e foi com Vilma até lá, descendo em seguida. Saíram com o professor, desviando dos carros estacionados e esbarrando no povo que engarrafava a calçada estreita. A uns cem metros do hotel entraram em um bar típico de Istambul, onde encontraram uma mesa vaga junto a uma das vitrines, de onde poderiam ver o exterior.

Feitos os pedidos, o professor abriu o diálogo: - Avelar falou-me a respeito de sua pesquisa a respeito dos curdameus. Na universidade eu tenho alguma coisa que pode lhe ajudar. Nós desenvolvemos um banco de dados no computador que tem alguma coisa a respeito. Eu não sou de usar estas parafernálias. Mas minha secretária com certeza vai conseguir o que a gente precisa.

Juliano se animou: - professor Emre. Isto é bastante interessante. Eu venho pesquisando este povo há cerca de dois anos. E parece que cheguei a um ponto em que não tenho mais qualquer referência. Assim, tudo o que eu puder coletar, sempre será bem vindo. Além disso, há outra pesquisa que estou fazendo. Quando nos encontrarmos na universidade, eu lhe mostrarei do que se trata. Claro que esta pesquisa eu estou fazendo por nossa conta, mas, o senhor sabe que quem trabalha na minha profissão gosta de alguns desafios.

O professor mostrou-se solícito: - e, doutor Juliano, do que se trata?

Foi Vilma quem respondeu: - trata-se de um símbolo. Juliano o encontrou por acaso. Depois se lembrou de já ter visto esta marca em algum lugar. Mas não consegue se lembrar de onde o viu.

Juliano concluiu: - mera curiosidade. Muito embora na pesquisa histórica, por vezes um pequeno detalhe, uma inscrição ou uma estela nos abre um campo vasto.

O velho professor concordou: - isto é verdade. Eu estou reescrevendo alguns detalhes a respeito do Palácio de Top Kapi. E já descobri coisas bastante curiosas a respeito. Que os historiadores, de modo pueril, não enfocaram. Você sabia, por exemplo, que Top Kapi foi o primeiro palácio otomano que possuía água corrente quente e fria? Pois bem. Em um documento que foi desprezado eu encontrei uma narrativa do Sultão Suleiman que falava a respeito. É mais ou menos o caso do seu símbolo. Uma simples página em árabe antigo, achada em um arquivo morto da universidade me deu a chance de desenvolver ainda mais a fascinante e obscena história daquele lugar. Mas, a respeito deste seu símbolo. O que ele realmente tem que chamou a sua atenção?

Juliano sorriu: - bem, professor. Em princípio nada de importante. A única razão para a minha curiosidade é o fato de que eu já o tinha visto. Mas não consigo me lembrar de onde e de que forma.

O professor continuou interessado: - e como seria este símbolo?

Vilma interveio: - é uma representação redonda, com um ômega grego encimado por um arco. Entre este e o ômega há quatro círculos. E dentro do ômega, outros cinco.

O professor franziu o cenho: - eu sei do que estão falando. Quando forem à universidade eu vou mostrar-lhes este símbolo e seu significado. Podem estar certos de uma coisa: ele representa uma força imensa. Muito maior do que podem imaginar...

Juliano o atalhou: - como assim, professor?

O velho mestre tentou explicar: - olhem. Eu sei que há muito descrédito histórico no que eu vou lhes dizer. Este símbolo que a senhora Vilma o descreveu, foi usado por todas as civilizações antigas. Ele era usado pela nobreza como um talismã. Segundo algumas lendas, alguns reis e imperadores tinham em um compartimento secreto nos palácios esta imagem em tamanho grande. Ainda de acordo com estas lendas, estes reis conseguiam contatar entidades que os orientavam e lhes transmitiam ordens. Claro que são lendas, mas...

Juliano o interrompeu: - professor. E estes contatos, segundo estas lendas, eram feitos entre os reis e quem mais?

O professor Emre continuou: - segundo elas, havia um contato direto entre eles e as deidades. Bem. O que seriam estas deidades, a partir do princípio de que estas lendas falam delas, mas não as identificam com nenhuma deidade daquela comunidade? Outros reinos distantes? Não. Senão as histórias assim diriam. Ou seriam contatos... Bem... Espaciais? Com outros povos de fora da terra que, de alguma forma, ainda manteriam um controle sobre os fatos de nossa humanidade?

Juliano perguntou: - e como eu conseguiria cópias destas lendas?

O velho professor sorriu: - ora. Isto é fácil. Eu mesmo tenho várias traduções destas lendas... Bem. Respondi à sua curiosidade?

Vilma concordou: - sem dúvida, professor. E quando podemos nos encontrar na universidade?

Marcaram no dia seguinte às nove horas no Departamento de História. Depois, ainda ficaram um bom tempo conversando no simpático e atraente café.

KLONIX – CAPÍTULO 38

Miguel, até certo ponto, aceitou a sugestão de Tati. E a aceitou por total falta de alternativas. Jamais enfrentaria aquele oceano gelado, pois sabia que seria um suicídio. Em seus pensamentos, no entanto, aguardaria um momento propício para urdir a sua fuga.

Tati mostrara-se uma mulher alegre e tudo fazia para agradá-lo. Na primeira noite que dormiram juntos, mostrou-se uma amante deliciosa. E Miguel resolveu que poderia melhorar um pouco aquela casa, com pequenos consertos que reduziriam o frio interno, apesar da grande lareira que aquecia os cômodos. Seu aprendizado do dialeto local apresentava progressos. Já conseguia gaguejar algumas palavras com os filhos de Tati: Veruscha, com sete anos e Serguei com cinco. O motorista achava-se envolvido em uma forte dicotomia. Se de um lado queria fugir e retornar à sua vida normal, por outro começava a gostar daquela nova família. Apesar do frio cortante, aprendeu a trazer lenha para casa e uma ou outra lebre que aprendera a pegar com Tati e suas armadilhas, além de legumes que brotavam apesar da neve.

Uma noite, sentados à volta da mesa, perguntou: - Tati. Em que lugar da Sibéria nós estamos?

O rosto de Tati se iluminou: - nós estamos na região central da Sibéria. Ela é dividia em duas áreas enormes: a planície e o planalto. Bem. Aqui é a planície siberiana. Esta nossa casa fica a mais ou menos duzentos quilômetros a noroeste de Vereshkagino. É uma cidade pequena e que não tem muita ligação, já que as rodovias passam cerca de trezentos quilômetros ao sul da cidade. Por que a pergunta?

Miguel tentou desconversar: - ora, foi só para ter uma ideia de onde eu estou.

Tati o olhou nos olhos: - você não sente nem um pouco de alegria aqui, não é?

Miguel não resistiu ao olhar da mulher: - sim. Em certos momentos eu fico alegre, sim. Mas tenho saudades da minha vida. Mas, o que posso fazer? Não tenho como voltar. E você... Você é boa e amiga. Eu gosto de Veruscha e Serguei. Diabo! Eu já não sei mais nada! Um dia eu sinto vontade de atravessar esta neve toda e voltar para casa. No outro dia eu sinto que eu quero ficar por aqui até ficarmos velhos, chatos e juntos...

Tati sorriu: - então fique! Nós acabamos gostando de você. As crianças estão adorando aprender português. E eu... Eu... Sou feliz. Você é bom. Tomou de uma das mãos de Miguel e, levando-a a boca, deu-lhe uma mordida.

Miguel levou um susto e puxou a mão: - puxa! Isto é gostar? Dar uma mordida na minha mão?

Tati ria como uma criança: - quando uma mulher morde o homem quer dizer para ele que os dois se pertencem. Então eu posso morder o que é meu.

Miguel perguntou: - e como o homem faz para dizer para a mulher que gosta dela?

Tati continuava rindo: - de vez em quando chute a sua perna ou lhe dê umas palmadas na bunda.

Miguel riu e, levantando-se, fez com que Tati também se levantasse. Subindo a saia dela, deu-lhe uma tapa na bunda. Depois a abraçou e beijou: - é. Realmente esta é minha dacha. É dacha, não?

Tati ainda abraçada com ele disse: - não. As crianças te ensinaram errado. Dacha é em russo. Em nosso dialeto nós falamos dutcha. Fale.

E Miguel rindo, falou: - aqui é minha dutcha! Minha dutcha! E chutou levemente a canela de Tati.

Vindo do norte, um objeto brilhante cortava o ar gelado em direção àquela dutcha onde o casal se divertia antes de irem para a cama.

KLONIX – CAPÍTULO 39

Padilha estranhou a presença daquele homem. Mesmo assim o cumprimentou e sentou-se com ele na sala. A mulher do delegado preferiu deixá-los à vontade.

Foi Padilha quem abriu o diálogo: - bem. Antes de tudo, quem é o senhor?

O estranho respondeu: - olhe doutor Padilha. Mesmo que eu diga meu nome, ele não é conhecido pelo senhor. Eu acredito que o mais importante não é meu nome, mas a natureza da minha vinda até aqui. E eu lhe garanto que o senhor vai entender a minha mensagem. Assim, eu creio que o senhor deveria me ouvir e até mesmo perguntar para que não ficasse nenhuma dúvida.

Padilha aguçou os seus instintos: - olhe senhor... Senhor X... E estou cansado de um dia sobrecarregado de trabalho. Assim, eu lhe pediria que fosse claro e sem rodeios.

O estranho, então começou a falar: - delegado. Eu sei que posso estar sendo importuno. Mas o que tenho é simples e claro. E, como o senhor pediu, falarei sem rodeios. Só peço que escute e faça as perguntas que quiser. Vamos lá. O senhor se interessou por uma sucessão de fatos. Alguns deles diretamente ligados à sua atividade profissional. Outros, nem tanto. Muito embora possam ter uma relação direta entre eles, o que importa é: há certos momentos em que não devemos tocar naquilo que para nós é intocável.

Padilha o interrompeu: - um momento, senhor X, do que exatamente o senhor está falando?

O estranho não se abalou: - vamos com calma e por partes. O senhor é um policial experiente. Como tal, sabe perfeitamente que há fatos que são passíveis de investigação. E outros que, bem, é preferível não se imiscuir e fazer de conta que não sabe nada a respeito. E é mais ou menos com esta ótica que eu vim lhe passar algo de importante. Para o senhor, sua família e seu trabalho.

Padilha se exasperou: - espere aí moço! O senhor entra na minha casa sem se apresentar e vem com esta história de ameaças a mim e à minha família? Mas era só o que me faltava...

O estranho ficou impassível: - calma. Doutor. Calma. Em princípio ninguém vai fazer mal a ninguém. Até porque eu não vim aqui para ameaçar. Se quiséssemos fazer alguma coisa já a teríamos feito. E não haveria força humana que nos deteria. Porque estamos acima disto. Então ouça e depois pergunte o que quiser...

Padilha estava irritado, mas concordou: - está bem. O que o senhor quer me dizer além das ameaças?

O estranho, então, narrou a Padilha: - o que vou lhe dizer com certeza vai ficar entre nós. Pois se o senhor disser isto para alguém, ninguém acreditará. Comecemos pelo desaparecimento dos passageiros do ônibus. Eles não desapareceram. Não. Não desapareceram. Digamos que eles apenas mudaram de lugar. Todos eles estão vivos, inclusive o motorista. Só que, digamos, não pertencem mais ao mundo terrestre. Estão em outro lugar e, diga-se de passagem, bem longe daqui. Neste momento já estão fora do sistema solar de vocês. O motorista do ônibus também está longe daqui, embora na terra, ainda. O seu amigo que era perito, bem, ele estava descobrindo coisas demais e nós o fizemos acompanhar os passageiros. Mas está vivo e, com certeza, feliz e contente. Quanto ao cadáver que foi roubado, em primeiro lugar não era um cadáver. Era um dos nossos que, por um processo conhecido na terra como catalepsia, ficou inerte, pois seu organismo não suportou muito o ambiente daqui. E nós os buscamos, pois havia sido recolhido por vocês. Quanto ao legista que faria a autópsia nele, bem. Ele reagiu com muita veemência. E nós, de modo algum permitiríamos que ele abrisse um dos nossos. Iria encontrar coisas que poderiam ser prejudiciais às nossas atividades. Lamentavelmente aplicamos forças demais nele e ele acabou sucumbindo. Então, para nos livrarmos de seus despojos o deixamos em um lugar bem longe daqui.

Padilha a tudo escutava boquiaberto. Estava realmente apavorado com tudo aquilo.

O estranho continuou: - há um casal de... Pesquisadores que está tentando descobrir alguma coisa a nosso respeito. Até o momento nada fizeram que pudesse por em risco a nossa missão. Deixamos um recado para eles. Mas eu tenho certeza que pouco ou nada acharão, a não ser restolhos da história humana que a nada levarão. Além disso, caso se faça necessário, Saberemos como agir com eles.

Padilha, impressionado, o interrompeu: - eu vi o recado de vocês na casa deles. Mas, afinal, quem são vocês e o que querem?

O estranho deu um sorriso enigmático: - bem, delegado Padilha. Digamos que pertencemos a um mundo maior e bem diferente do mundo terrestre. Estamos acima disto. Quanto ao que queremos, provavelmente, o senhor jamais compreenderá. Além disto, o importante neste momento não é a nossa origem nem o que queremos em um plano geral. Mas o que queremos que o senhor faça. E olhe que estamos sendo generosos.

Padilha sentia tremores: - se isto for generosidade! Pois bem. Vamos adiante.

O estranho continuou: - dois são os fatos que importam no seu caso: quanto ao roubo do cadáver, ou melhor, de um dos nossos, arquive o caso como insolúvel. E quanto à morte do legista aguarde o corpo chegar, confirme a autópsia feita nele lá, naquela cidade distante, entregue o corpo aos familiares e esqueça o caso. Quanto ao restante, esqueça. Nada aconteceu em sua área de trabalho. Assim...

Padilha novamente o interrompeu: - e quanto a Cardoso? Devo também esquecer que ele desapareceu?

O estranho confirmou: - sim. Esqueça. Bem. Esta é a mensagem que eu deveria lhe dar. Preciso ir. Ah, antes de sair, devo apenas lhe comunicar para que não se assuste: a sua mulher está dormindo bem. Nada vai lhe acontecer. E quando o senhor entrar no quarto de vocês vai sentir um aroma conhecido. Mas não se preocupe. Dentro em pouco ela acordará bem...

O estranho levantou-se e se dirigiu à porta. Padilha continuou sentado e sem ação. Depois que o estranho saiu, o delegado recuperou um pouco de suas forças e correu à janela. A rua estava deserta.

Atravessou a sala e entrou no quarto. Sua mulher dormia tranquila e um leve cheiro de amônia foi sentido no quarto pelo policial. O mesmo cheiro de amônia que sentira na casa de Cardoso...

KLONIX – CAPÍTULO 40

Juliano e Vilma chegaram à moderna Universidade de Istambul à hora marcada com o professor Emre. Este os recebeu com uma garrafa térmica e três canecas de porcelana com inscrições.

O professor os saudou: - ora! Bons dias para nós! Vamos tomar um chá antes de começarmos. Doutora Vilma, alguma vez a senhora já tomou um chá em uma caneca com alguns séculos de existência? Ah, não? Pois então vocês vão tomar o seu chá em duas canecas que pertenceram ao Palácio Top Kapi. Este será um dia ótimo para passarmos juntos, pois este velho rabugento não dá aulas.

Vilma ficou maravilhada com os objetos. O professor serviu o chá e Vilma quebrou o protocolo: - bem, professor. Estas canecas têm realmente algo de especial. E que chá é este, tão delicioso?

O velho mestre sorriu: - este chá é feito de uma mistura de ervas colhida nas montanhas da Capadócia. A esta mistura se junta folhas de roseiras silvestres que nascem nos montes da Armênia. Bem. Depois eu digo onde encontrar no mercado da cidade. Aliás, é um lugar que cada cem entre as cem mulheres que visitam Istambul querem conhecer. Eu recomendo senhora Vilma.

Vilma sorriu ante a gentileza do professor. Depois de terem tomado o chá, o professor os convidou para sentarem em seu gabinete. E Vilma relembrou os professores americanos e o escritório de Juliano: uma desordem completa. “Deve ser defeito de historiadores”, pensou divertida.

KLONIX – CAPÍTULO 41

Tati e Miguel riam alegres. As crianças já haviam ido para a cama e o casal conversava. De repente ouviram uns ruídos no lado de fora da casa. Tati ficou calada e calma, enquanto Miguel se assustara. E a mulher o acalmou, dizendo que não temesse.

A porta se abriu e um homem vestindo um macacão azul e justo entrou na sala, seguido por outro com um macacão vermelho.

O homem de azul falou, dirigindo-se a Miguel: - e então? Que tal o novo lar? Pelo que vejo está gostando, não?

Miguel estava tremulo quando falou: - sim. Mas quem são vocês e o que querem?

O homem não se impressionou: - nada. Apenas uma visita, que será a penúltima e para ver como as coisas vão indo. E, pelo que vejo, está tudo bem.

Miguel o interrogou: - mas, quem são vocês?

Novamente o homem ficou impassível: - digamos que somos seus amigos. E que lhe estamos lhe dando uma nova vida. É. Eu sei. Você gostaria de voltar. Lamento. É impossível. Mas, veja: para você seria uma complicação este seu retorno. E eu digo por que. Em sua terra você é dado como desaparecido. Morto. O que aconteceria se você voltasse? Ia armar uma confusão dos diabos. Se contasse que foi trazido para cá sem saber como, já começariam a duvidar de sua sanidade mental. Se dissesse que fora com um disco voador ou coisa parecida, bem. Eu não saberia dizer das reações das pessoas. Além disso, há outro ponto a ser considerado. Você passou por um processo de renovação celular, ficando com a aparência bem mais juvenil que antes. O que vale dizer que, caso voltasse, seria extremamente complicado explicar todo o sucedido. Por outro lado, você, tecnicamente está morto. O que aconteceria se retornasse e dissesse para alguém quem você é? O que iriam pensar de você, renovado, sem documentos e com uma história que ninguém acreditaria? Ora. Você está tendo uma oportunidade de ouro, que muitos gostariam de ter. Uma nova vida, remoçado e com um belo futuro pela frente. Ainda assim pelo que estou vendo, você quer voltar. Mas também sente vontade de ficar. Estou certo ou errado?

Miguel, atônito, respondeu: - é. Você tem razão. Eu gostaria de voltar, mas também de ficar. Não sei mais... Não sei de mais nada...

O homem o interrompeu: - eu vim falar com vocês. Esta é a nossa penúltima visita depois eu explico por que. Mas vocês, daqui em diante, terão uma vida bem melhor. Amanhã você vai encontrar ao lado da casa material mais que suficiente para construir um galpão. Não se preocupe. Nós o ajudaremos. Tão logo o galpão seja construído, vocês ganharão animais que deverão ser mantidos ali. Assim, terão alimento por bastante tempo. Além disso, vocês receberão diversos, digamos “brindes”, que irão facilitar em muito a vida. Depois disto, com certeza você não pensará mais em fugir. Tenho certeza. E esta ajuda em construir este galpão será a última vez que nos encontraremos. A menos que surja alguma situação que provoque nova visita. Mas esteja certo de uma coisa: nós queremos o seu bem. Aproveite o que tem em mãos e esqueça que teve outra vida.

Miguel estava estático: - vocês não são da terra. Não podem ser! De onde, Deus dos céus, vocês são?

O homem sorriu: - de onde nós somos não importa. O que realmente importa para você é a vida que você pode levar. Se aceitar o que lhe estamos dando, pode estar certo que terá uma vida feliz. E confie na Tati. Ela é uma mulher maravilhosa. Viva esta sua vida...

Depois de dizer isto, o homem seguiu em direção à porta. Logo depois Tati e Miguel notaram um rápido clarão no lado de fora da casa. Tati tomou a mão de Miguel e deu-lhe uma mordida.

KLONIX – CAPÍTULO 42

O professor Emre entregou a Juliano uma pasta de papelão com mais de duzentas folhas: - aí está doutor Juliano. As lendas antigas a respeito deste tal símbolo.

Juliano agradeceu e tomando de um envelope em sua pasta, retirou as fotos do símbolo: - veja professor. Estas são as fotos do tal símbolo que lhe falei.

O velho mestre olhou detidamente as fotos e perguntou: - doutor Juliano, onde o senhor tirou estas fotos?

Juliano narrou-lhe todos os acontecimentos até a partida deles para a Turquia.

E completou: - bem professor. Depois desta narrativa eu creio que o senhor vai nos julgar loucos e nos despachar de seu gabinete!

O professor Emre sorriu: - e, por quê? O que o senhor me contou eu sei que é verdade. O que ouvi do senhor eu já li dezenas de vezes, narrado em nossa história. Eu vou lhe dar alguns exemplos: se Moisés realmente existiu, quem era ele? Um humano comum, que conseguiu ludibriar um faraó e todo o seu séquito de sacerdotes e toda a corte egípcia com suas mágicas descritas na Torah? Um homem normal que com uma simples vara fez com que um riacho nascesse das pedras? Um ser humano como nós, que nas montanhas do Sinai entre luzes brilhantes, vapores e sons estranhos, conversou com Deus em pessoa? Ou será que foram outros seres com estranhos e poderosos poderes? Um homem mágico que construiu um baú que nada mais era que um potentíssimo condensador elétrico? Inclusive mortal? Se Elias realmente existiu, de que forma foi arrebatado ao céu, sem nenhuma proteção ou roupas especiais? Quem eram os “deuses” que criaram o mundo? Porque, até prova em contrário, Elohim em hebraico é plural. O que significa “voar em uma vimana”? E os monumentos que nos foram legados, como as pirâmides, Baal Bek e tantos outros, que a nossa engenharia atual seria totalmente incapaz de erguê-los? E o uso de ultrassom para derrubar as muralhas de Jericó? E tantas outras “maravilhas” que a história nos lega em todos os tempos? Não, doutor Juliano. Decididamente eu não o considero louco ou visionário. Porque a nossa história está repleta de situações onde somente forças de fora da terra seriam capazes de causá-las.

Juliano emudeceu, mas foi Vilma quem continuou: - professor. Dentro então de sua visão, o senhor crê que nós, humanos terrestres, somos vigiados, auxiliados ou até mesmo controlados por forças de fora de nosso mundo?

O professor respondeu: - há algumas perguntas que nos são irrespondíveis. A primeira delas é: de onde viemos? Não me venham com teorias absurdas como criacionismo, evolucionismo e outros “ismos”. Não. Eu creio firmemente, baseado na análise histórica, que somos descendentes de algum povo ou povos de fora. Quando lemos os escritos antigos dos hindus, o que encontramos? Máquinas voadoras, satélites artificiais com vidas, bombas terríveis como a bomba atômica, bombas biológicas e tudo o mais... Fala-se claramente e só não vê quem não quer o contato deles com povos de outras dimensões, viagens intergalácticas e tudo o mais. Ora, observando-se deste prisma, eu responderia que sim. Que somos vigiados, controlados e auxiliados por alguém de fora da terra.

Juliano recobrou-se: - e quanto a este símbolo?

O professor Emre retomou as fotos: - olhe doutor Juliano. Símbolos como este proliferaram nas civilizações antigas. Muito embora queiramos dar-lhes algum significado, eles permanecem como cabalísticos para o historiador ortodoxo. Mas não têm nada de divino ou cabalístico. Eles representam algum tipo de organização. É claro que seu uso era disseminado. Mas apenas as imitações feitas pelos ourives e artesãos. O original era guardado pelos assim escolhidos. Eleitos. Que, inclusive, os usavam para se comunicar com estes outros povos. Além disto, quando olhamos a história dos grandes líderes, vemos que todos têm um traço comum: conseguem convulsões imensas no povo. Ah, sim. A psicologia fala em seus poderes de liderança, oratória, poder de convencimento e vai por aí. Mas não é só isso. Há nestes grandes líderes um magnetismo super humano. E eu não duvidaria de que grandes líderes da história, embora humanos, estivessem com algum tipo de interferência em sua estrutura que os magnetizasse a ponto de criar situações até de suicídios coletivos. Afora que ainda é comum um aspecto primordial em nossa digressão: por vezes um grande líder é substituído por outro sem grande expressão. O que me coloca em posição de acreditar que este sucessor provavelmente não tenha conseguido receber esta influência. Até mesmo de forma inconsciente...




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